Jornalismo também é feito de memórias

#OmbudsmanHumanista destaca conteúdos que alertam a sociedade brasileira para ameaça à democracia representada por culto à ditadura militar.

*Carla Dutra

Não vou me ater especificamente ao conteúdo, pois ele foi produzido em 2018, para marcar os 50 anos do Ato Institucional número 5, o AI-5. Mas, acho fundamental ressaltar que, em 8 de novembro deste ano, o Humanista publicou o radiodocumentário 50 Anos de reflexos do AI-5, produzido por estudantes de Radiojornalismo II, disciplina ministrada pela professora Cida Golin.

É importante porque o bom jornalismo também é feito de memória. E me refiro aqui tanto à própria memória de fatos históricos, como o trágico AI-5, quanto à memória relativa ao conteúdo dos veículos. Um documentário como este não morre; pode (e deve) ser lembrado e republicado sempre que a
circunstância pede. Neste caso, o que o fez vir à tona foram as ameaças feitas pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) em relação à possibilidade de reeditar ato semelhante. E, tão importante quanto a memória, é o posicionamento dos jornais sobre este assunto. Por isso, faço questão de mencionar a relevância de o editorial Ditadura Nunca Mais e de os veículos se posicionarem contra qualquer tipo de ameaça à democracia.

Dito isso, vamos à análise de parte do conteúdo produzido nas últimas semanas. Conteúdo, este, que está bem “serviceiro”, o que, na minha avaliação, é sempre muito bom. O #ExplicaçãoHumanista mastiga para os leitores a questão do julgamento da prisão em segunda instância. O conteúdo está completo e adequado aos fatos mais recentes. Mas, pode, ainda, ganhar desdobramentos, talvez apresentando visões distintas de juristas a respeito do tema. Também está bem explicativo o material de Laura Hülsemann, com colaboração de Caroline Silveira, sobre os movimentos políticos e sociais recentes em países da América Latina. Na minha opinião, faltou apenas um ou mais infográficos que pudessem deixar o conteúdo um pouco mais leve.

Também pelo caminho de prestar um serviço aos leitores, caminhou a #EntrevistaHumanista, feita com a jornalista (e minha querida ex-colega) Angela Chagas. Mas, o título Enem começa neste domingo; entenda as mudanças da edição 2019 pode ter levado os leitores a acreditarem que encontrariam um conteúdo diferente do que estava à disposição. A entrevista está excelente, mas não é exatamente um tira-dúvidas sobre o que mudaria nesta edição do concurso.

Por fim, deixo uma provocação: dentro da reportagem de Sthefania Castillo, sobre os cortes de recursos públicos para medicamentos, temos outra boa pauta, a da falta de vacinas. “A utilidade dos remédios cortados vão desde tratamentos de câncer, diabetes e transplantados, até vacinas contra o sarampo, caxumba, rubéola e varicela”, diz trecho da reportagem. Que tal uma investigação para identificarmos como está a situação em Porto Alegre, especificamente? Quais vacinas faltam e que impactos isso acarreta. Afinal, quem mais sofre com esse déficit, como sempre, é a população mais pobre, que não consegue recorrer a um posto particular quando não encontra a pentavalente, por exemplo, destinada a bebês a partir dos 2 meses de idade.


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*Carla Dutra é jornalista formada pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e tem mais de 15 anos de atuação, com passagens em redações de veículos como jornal A Razão, Jornal NH e Zero Hora; experiência também em assessoria de imprensa. Ombudsman do portal Humanista em 2019. Contato: carladutrasilveira@gmail.com.

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