Mais espaço para quem precisa ser ouvido

Jornalista Clóvis Malta encerra o ano da coluna #OmbudsmanHumanista destacando conteúdos que dão visibilidade a questões sociais normalmente negligenciadas.

*Clóvis Malta

Duas entre as muitas reportagens de qualidade da produção de final de ano do Humanista chocam por reafirmarem o quanto o descaso em relação a direitos humanos elementares contribui para a persistência de problemas sociais sérios no país.

Uma delas é a #ExplicaçãoHumanista de Andrielle Prates e Alnilan Orga, que expõe a crueza da fome a partir da decisão do município gaúcho de Alvorada (RS) de garantir comida durante as férias a alunos em situação de vulnerabilidade social. Outra é o texto de Caroline Silveira denunciando que professores com salários em atraso enfrentam dificuldades não apenas para se deslocar, mas até mesmo para comer com dignidade.

Se educação é a base de tudo, inclusive do respeito aos direitos humanos, o que esperar de uma realidade em que nem alunos, nem mesmo professores se alimentam adequadamente? No encerramento de mais um semestre, os repórteres Humanistas têm razões para comemorar a ampliação de espaço para vozes em defesa de causas específicas, como ressalta o editorial Balbúrdia humanizada. Essa preocupação fica evidente com a definição do Fabico + Humanista, que facilita o aproveitamento de contribuições de outros estudantes de Jornalismo da UFRGS. O número de vozes também se ampliou, como demonstram os relatos sobre desigualdade e diversidade produzidos pela Sextante.

Em mais uma contribuição relevante, a intercambista Laura Hülsemann diz que “o jornalista é uma parte essencial para dar voz ao povo, para acompanhar os líderes mundiais, para filtrar a maior parte da informação para o público”. Profissionais da comunicação, de fato, têm o dever de fornecer informação de qualidade, além de permitir que todos possam se manifestar, de forma clara, equilibrada e objetiva.

O Humanista vem cumprindo com esse papel de um jeito tão eficiente, que chega a se mostrar irrelevante ficar apontado eventuais descuidos com o acabamento de algumas matérias. Em respeito aos usuários do portal, porém, é sempre oportuno que os alunos se preocupem com esse tipo de questão, fazendo leituras mais cuidadosas e impondo um rigor maior aos textos.

Assim como o respeito aos direitos humanos, também a eficiência da escrita tem muito a ver com educação. Mas como assegurar os avanços necessários no ensino com alunos para quem a escola está mais associada à merenda, e em que até mesmo professores se alimentam de forma insatisfatória? A situação parece ainda mais grave quando a própria Secretaria de Educação, questionada por repórteres Humanistas sobre carências da área, simplesmente se cala.

Os desafios, portanto, se mantêm para 2020. Enquanto isso, aproveitemos as festas de final de ano, na expectativa de que sejam revigorantes para todos.


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*Clóvis Malta é jornalista formado pela Fabico/UFRGS e tem 45 anos de atuação, com passagens em redações de veículos como Diário de Notícias, Folha da Manhã, Revista Amanhã e Zero Hora (onde atuava como editorialista). Ombudsman do portal Humanista em 2019. Contato: clovismalta@gmail.com.

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