“Nunca nos enganou”, afirma Carlos Wagner ao criticar jornalismo na ascensão de Bolsonaro; ouça

Na semana que marca passagem do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, presidente da República mandou jornalistas calarem a boca ao atacar trabalho da imprensa.

Gabriela Plentz / #EntrevistaHumanista

Em 40 anos de jornalismo, Carlos Wagner nunca viu um presidente desrespeitar a liturgia do cargo como faz Jair Bolsonaro. A semana que marca a passagem do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (3 de maio) começou com um sonoro “cala a boca” proferido pela autoridade máxima da República aos jornalistas que ouviam seus ataques à cobertura da suposta intervenção política na Polícia Federal. No #EntrevistaHumanista, Wagner analisa o difícil trabalho de jornalistas ante as crise política e sanitária que o Brasil enfrenta e defende foco na pandemia do novo Coronavírus, sem deixar de vigiar os governos.

Para Carlos Wagner, “Bolsonaro tornou-se Bolsonaro pela nossa ignorância como repórteres”, no contexto da ascensão do político que, antes de chegar ao Palácio do Planalto, se notabilizou por afirmações polêmicas e que atentam contra os direitos humanos mais básicos, como a ode ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos mais cruéis torturados da Ditadura Militar brasileira. “E no outro dia nós mancheteávamos”, reclama, em tom de autocrítica.

Em isolamento social em prevenção à Covid-19, o jornalista gaúcho, com formação pela Fabico/UFRGS, conversou por quase meia hora com o Humanista, passando por temas como a possibilidade de aprendizado para novos jornalistas que cobrem as crises e duras críticas ao Governo Bolsonaro – que, para ele, não existiria em países cuja democracia é mais consolidada. Ouça!



Histórias mal contadas

Carlos Wagner se identifica como repórter, função pela qual sempre prezou ao longo da carreira, no site que mantém atualmente: Histórias mal contadas. Aos 69 anos de idade, trabalhou como repórter investigativo no jornal Zero Hora de 1983 a 2014 e recebeu 38 prêmios de jornalismo, entre eles sete Esso regionais. Tem 17 livros publicados e foi homenageado em 2017 no 12º encontro da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) – atualmente presidida pelo jornalista e professor Marcelo Träsel, da Fabico/UFRGS.


FOTO DE CAPA: reprodução /TV Globo

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