EDITORIAL | Brasil completa um ano de Covid-19 em meio ao colapso anunciado da saúde

Rio Grande do Sul passa pelo pior momento da pandemia; no dia 2 de março, foram 185 óbitos e Hospital Moinhos de Vento, um dos maiores da Capital, registrou 119,7% de ocupação das UTIs.

A saudade da vida “normal” assola todos que estão respeitando o confinamento. A virada do ano renovou nossas energias e a esperança de voltar a viver do jeito que desejamos, sem contrair uma doença tão perversa quanto a Covid-19. Porém, teremos que esperar um pouco mais para que nossos desejos sejam atendidos. E a redação do Humanista soma-se aos alertas: se puder, fique em casa, respeite os protocolos de segurança para a preservação da saúde de todas, todos e todes. 

Estamos vivendo um momento delicado. Quase um ano depois do novo coronavírus ter chegado ao Brasil, batemos recordes de mortes. No Rio Grande do Sul, todas as regiões estão em bandeira preta, e o colapso da saúde é iminente. Apesar da vacinação estar em andamento, ainda não foram vacinadas pessoas o suficiente para garantir uma segurança sanitária mínima. Além disso, com as aglomerações do Carnaval, a situação se torna ainda mais caótica, e a lotação de 99,8% dos leitos nos hospitais faz com que os médicos tenham de que escolher a quem salvar.

O Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, um dos maiores e mais bem equipados da cidade, é o signo do caos. A superlotação devido a alta nos casos de Covid-19 fez com que tivesse que alugar um contêiner para abrigar os corpos das vítimas, pois seu necrotério não foi o suficiente. O superintendente do hospital caracteriza o momento como um “cenário de guerra”.

O combate à pandemia mobiliza muitos profissionais da saúde dentro dos hospitais, fazendo com que falte assistência para os pacientes internados por causa de outras doenças. E a pergunta para a qual o Humanista espera uma resposta imediata é: até quando vamos contar mortos diariamente sem medidas efetivas de controle da pandemia? 


A bandeira preta e as polêmicas

O momento exige intenso isolamento social no Rio Grande do Sul, pelo menos até o dia 7 de março. Porém, os resultados desse fechamento parcial das atividades só terá efeito daqui a três semanas, segundo epidemiologistas. A população, no entanto, se pergunta por que algumas atividades que poderiam ser interrompidas ainda estão acontecendo. Muitos prefeitos, como o da Capital, Sebastião Melo (MDB), temem o agravamento da crise econômica decorrente da pandemia. Porém, será que realmente esse é o momento para priorizar a economia? Ou será que a saúde da população é mais importante? 

Quem é contra o fechamento das atividades e do comércio reage aos novos decretos. Em Santa Maria houve uma carreata em protesto às normas previstas na bandeira preta, que passou pela região central da cidade. Os lojistas e empresários que organizaram a carreata alegam que o protocolo de distanciamento controlado contra a Covid-19 prejudica a economia, além de acreditarem que o comércio não contribui para a proliferação da doença.

negacionismo frente à pandemia é outro problema. As diversas “fake news” contra as vacinas, o uso de remédios para prevenir a doença que não tiveram a sua eficácia comprovada, as festas clandestinas, a falta do uso de máscara, podem ser considerados alguns dos responsáveis pelo colapso da saúde no país. Os protestos contra o fechamento do comércio são exemplo de como além da doença vivemos, também, em uma pandemia de desinformação.

Sebastião Melo, prefeito de Porto Alegre, antes do anúncio da suspensão da cogestão, fez um breve pronunciamento em suas redes sociais no qual a economia da cidade foi o ponto mais tocado. Anunciou novas medidas de combate ao coronavírus menos duras que o esperado, pondo, assim, em dúvida a sua eficácia. Além disso, defendeu a manutenção da cogestão – que permitia regras específicas nos municípios.

Por conta da sua posição em relação à bandeira preta, a bancada do PT na Câmara Municipal moveu ação judicial contra Melo. Os vereadores alegam que as atitudes do governo municipal acabam aumentando a propagação do vírus na cidade, além de colocar questões políticas e econômicas acima do combate à pandemia.

Infelizmente, a instabilidade política do momento acaba enfraquecendo as medidas de combate ao vírus. O Humanista acredita que a vacinação e o fechamento dos serviços não essenciais deveriam ser medidas sanitárias incontestáveis e apartidárias. Qual o custo – em vidas – para que se salve a economia? Somente um plano eficaz de contensão da Covid-19 permitirá uma retomada plena do emprego e da renda no país. Enquanto isso, é preciso políticas públicas que garantam aos brasileiros e brasileiras o acesso à saúde, um dos princípios básicos da Constituição Federal. Seguimos fazendo a nossa parte, fiscalizando os governos, repercutindo soluções para a crise e promovendo os Direitos Humanos.


FOTO DE CAPA: Itamar Aguiar/Palácio Piratini

One thought on “EDITORIAL | Brasil completa um ano de Covid-19 em meio ao colapso anunciado da saúde

  • 8 de abril de 2021 em 18:22
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    negacionismo frente à pandemia

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