﻿{"id":14707,"date":"2021-10-14T20:08:39","date_gmt":"2021-10-14T23:08:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=14707"},"modified":"2021-11-09T12:05:26","modified_gmt":"2021-11-09T15:05:26","slug":"auxilios-emergenciais-e-diversificacao-da-renda-como-o-setor-cultural-enfrentou-a-pandemia-em-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2021\/10\/14\/auxilios-emergenciais-e-diversificacao-da-renda-como-o-setor-cultural-enfrentou-a-pandemia-em-porto-alegre\/","title":{"rendered":"Aux\u00edlios emergenciais e diversifica\u00e7\u00e3o da renda: como o setor cultural enfrentou a pandemia em Porto Alegre"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size\"><span class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Atualizada em 18 OUT, 2021, \u00e0s 23:50<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Um dos mais afetados pelas medidas de isolamento social impostas pela<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pandemia_de_Covid-19\"><strong> pandemia de Covid-19<\/strong><\/a> \u2013 e, ao mesmo tempo, um dos mais valorizados durante o per\u00edodo \u2013, o setor cultural come\u00e7a a ver uma retomada de suas atividades com o avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o contra o coronav\u00edrus \u2013 at\u00e9 esta quinta-feira (14), 73,7% da popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 tinha o esquema vacinal completo, segundo o <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/sms\/coronavirus\/vacinometro-painel\"><strong>Vacin\u00f4metro<\/strong><\/a> da Prefeitura de Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da pandemia, artistas, produtores e espa\u00e7os culturais encontraram em aux\u00edlios emergenciais e editais, como a <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2019-2022\/2020\/Lei\/L14017.htm\"><strong>Lei Aldir Blanc<\/strong><\/a>, formas de sustento \u2013 mas ser\u00e1 que essas iniciativas foram o suficiente? A discuss\u00e3o em torno da lei Paulo Gustavo, que tramita no Congresso Nacional e prev\u00ea novos benef\u00edcios financeiros ao setor, bem como o an\u00fancio feito no in\u00edcio de outubro pela Prefeitura de Porto Alegre sobre um novo aux\u00edlio emergencial para a cultura, indicam que a \u00e1rea ainda est\u00e1 longe de retomar um sustento pleno \u2013 algo que, mesmo sem pandemia, sempre foi desafiador.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio que o <strong>Humanista<\/strong> foi saber como profissionais e espa\u00e7os do meio cultural de Porto Alegre sobreviveram \u00e0 crise sanit\u00e1ria (e \u00e0 econ\u00f4mica decorrente dela), para tamb\u00e9m delinear perspectivas para a retomada do setor.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sem tranquilidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Assim como outros trabalhadores do setor, a jornalista e produtora cultural Fl\u00e1via Cunha, 44 anos, de Porto Alegre, teve de se reinventar durante a pandemia e diversificar suas atividades para garantir seu sustento. \u201cEu tive que voltar a fazer coisas na \u00e1rea de jornalismo, repensar algumas coisas, essa quest\u00e3o tamb\u00e9m de projetos digitais, que era uma coisa que antes a gente n\u00e3o pensava tanto. Pensar em trabalhar tamb\u00e9m com produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado para redes sociais, realmente diversificar as minhas atividades de diversas formas\u201d, conta a produtora, que, oportunamente, trabalha ainda com livros, \u00e1rea pouco afetada durante a crise sanit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Flavia_Cunha_Festival_Nosoutras_credito_Victoria_Venturella.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-14711\" width=\"419\" height=\"351\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Flavia_Cunha_Festival_Nosoutras_credito_Victoria_Venturella.png 940w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Flavia_Cunha_Festival_Nosoutras_credito_Victoria_Venturella-300x251.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Flavia_Cunha_Festival_Nosoutras_credito_Victoria_Venturella-768x644.png 768w\" sizes=\"(max-width: 419px) 100vw, 419px\" \/><figcaption> Fl\u00e1via Cunha (vestido preto), jornalista e produtora cultural de Porto Alegre, teve de se reinventar durante a pandemia e diversificar suas atividades para garantir seu sustento. Foto: Vict\u00f3ria Venturella \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio est\u00e1 diretamente vinculado aos resultados da <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2020-06\/covid-19-pesquisa-revela-perda-nos-setores-cultural-e-criativo\"><strong>pesquisa Percep\u00e7\u00e3o dos Impactos da Covid-19 nos Setores Culturais e Criativos do Brasil<\/strong><\/a>, feita pela Unesco, que indicam que os setores mais afetados pela pandemia foram os da cultura e da economia criativa. Cerca de 40% das organiza\u00e7\u00f5es tiveram perdas entre 50% e 100% nas receitas. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhadores, as perdas ficaram na m\u00e9dia de 35%. Os dois setores movimentam, juntos, R$ 171,5 bilh\u00f5es por ano no Brasil e empregam 837,2 mil profissionais. Al\u00e9m disso, a pesquisa mostra que o maior impacto ocorreu no Rio Grande do Sul, onde 63% afirmaram que n\u00e3o tiveram receita entre mar\u00e7o e abril de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu acho que tranquilo n\u00e3o foi para ningu\u00e9m da \u00e1rea cultural. \u00c9 um desafio di\u00e1rio de muitas pessoas\u201d, enfatiza Fl\u00e1via, ressaltando que h\u00e1 quem enfrentou mais dificuldades do que ela \u2013 que n\u00e3o sabe como teria sido se tivesse de pagar aluguel. \u201cEu acompanhei de perto v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es sociais que ajudaram profissionais da \u00e1rea da cultura que realmente estavam passando fome. N\u00e3o foi o meu caso, n\u00e3o passei por isso, mas eu sei de m\u00fasicos, alguns at\u00e9 com um certo renome dentro da cidade, que enfrentaram essa dificuldade\u201d por serem \u2018apenas\u2019 m\u00fasicos e n\u00e3o terem uma contrapartida financeira, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p>A artista Mariana Marmontel concorda: \u201cEu acho que tranquilamente ningu\u00e9m conseguiu passar por essa pandemia, a n\u00e3o ser os grandes detentores de fortunas e valores. Porque, al\u00e9m de as coisas aumentarem nesse meio tempo, os trabalhos diminu\u00edram.\u201d A afroempreendedora, atriz, produtora, mestre de cerim\u00f4nia, slammaster e estudante de Pedagogia teve de encontrar diferentes formas de fazer mais dinheiro, para al\u00e9m dos aux\u00edlios e editais. Mariana, hoje com 24 anos, mora com o namorado e, desde os 12, trabalha com arte e tem sua renda \u2013 mas nunca com carteira assinada. \u201cNa pandemia, acho que todo mundo chegou \u00e0quele momento de pensar \u2018ai, vou precisar me render a isso\u2019, mas, gra\u00e7as aos editais, n\u00e3o precisei. Isso me deu uma for\u00e7a que n\u00e3o tem palavras.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de Fl\u00e1via, foi tamb\u00e9m atrav\u00e9s de leis de incentivo ao setor, t\u00e3o devastado pela pandemia, e com seus projetos independentes, que a produtora cultural conseguiu manter uma renda. Logo no in\u00edcio da crise sanit\u00e1ria, participou de um edital da Sedac\/RS (Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul), em parceria com a Universidade Feevale, chamado FAC Digital RS \u2013 um dos primeiros a surgir, que contava com um valor \u201cmodesto\u201d, como ela define. Fl\u00e1via recebeu R$ 1,5 mil, sem os descontos de imposto de renda, para criar um podcast de literatura infantil, com a estreia patrocinada pelo edital.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Cantinho da Leitura #1 Literatura infantil como instrumento de di\u00e1logo em tempos de coronav\u00edrus\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/6REPhD1CIhxn0GNdk56XJS?si=MKjJxxS7S2aktug5dnd8gA&#038;dl_branch=1&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Mariana tamb\u00e9m foi contemplada no FAC Digital. Como contrapartida, organizou uma batalha de conhecimento, chamada Isolados Aprendizes. O dinheiro que ganhou foi utilizado para pagar os jurados e os ganhadores, e apenas uma pequena quantia ficou para a artista, pela organiza\u00e7\u00e3o do evento.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, com o surgimento da <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/pt-br\/noticias\/cultura-artes-historia-e-esportes\/2020\/08\/lei-aldir-blanc-de-apoio-a-cultura-e-regulamentada-pelo-governo-federal\"><strong>Lei Aldir Blanc<\/strong><\/a>, a produtora Fl\u00e1via voltou a concorrer, desta vez por meio de um edital de Produ\u00e7\u00f5es Culturais e Art\u00edsticas, tamb\u00e9m pela Sedac\/RS. O projeto d&#8217;As Batucas &#8211; Orquestra Feminina de Bateria e Percuss\u00e3o foi selecionado, e ela foi a produtora executiva. A proponente foi Biba Meira, que tamb\u00e9m foi produtora art\u00edstica junto com Julia Pianta.<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa resultou em atividades como oficinas virtuais de percuss\u00e3o e de canto, garantindo a diversidade atrav\u00e9s da reserva de vagas para mulheres negras. O carro-chefe do projeto foi o document\u00e1rio realizado sobre a trajet\u00f3ria d\u2019As Batucas, que pode ser visto abaixo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed alignwide is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"N\u00f3s Batucas\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j3sF0rtksj4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Lei Aldir Blanc<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A Lei Aldir Blanc foi elaborada pelo <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Congresso_Nacional_do_Brasil\"><strong>Congresso Nacional<\/strong><\/a> em 2020. Buscando auxiliar financeiramente a classe art\u00edstica, o governo federal destinou R$ 3 bilh\u00f5es para Estados e munic\u00edpios. As verbas poderiam ser destinadas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os culturais; ao pagamento de tr\u00eas parcelas de uma renda emergencial a trabalhadores do setor que tiveram suas atividades interrompidas; e a editais e chamadas p\u00fablicas. Em contrapartida, ap\u00f3s a retomada, as institui\u00e7\u00f5es beneficiadas deveriam realizar atividades para alunos de escolas p\u00fablicas, prioritariamente, ou para a comunidade em geral, gratuitamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Porto Alegre recebeu R$ 9.284.239,27 do governo federal. Segundo a SMC (Secretaria Municipal da Cultura) informou ao <strong>Humanista<\/strong>, <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/taxonomy\/term\/5506\"><strong>o munic\u00edpio executou mais de 98% dos recursos recebidos<\/strong><\/a>. Destes, em torno de 67% foram aplicados em um benef\u00edcio de at\u00e9 duas parcelas para a manuten\u00e7\u00e3o das entidades art\u00edstico-culturais, e o restante, em dois editais de premia\u00e7\u00e3o. Porto Alegre tamb\u00e9m destinou um m\u00ednimo de 15% dos recursos para o atendimento de povos e comunidades tradicionais. No caso dos editais, o munic\u00edpio n\u00e3o exigiu contrapartida ou produ\u00e7\u00e3o art\u00edstico-cultural espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto do qual Fl\u00e1via foi produtora executiva recebeu um aporte de R$ 105 mil do Estado atrav\u00e9s da lei. \u201cParece muito, mas era para 30 pessoas, ent\u00e3o o dinheiro foi bem pulverizado, como a gente achou que tinha que ser mesmo. Era um projeto que n\u00e3o era para ningu\u00e9m ficar rico\u201d, destaca. \u201cPorque, \u00e0s vezes, eu acho que as pessoas t\u00eam uma vis\u00e3o deturpada de editais na \u00e1rea cultural. Todo mundo olha aquele valor grande, e o nosso at\u00e9 n\u00e3o foi muito grande, mas tiveram projetos de R$ 350 mil, e as pessoas olham e dizem assim \u2018nossa, olha s\u00f3, e est\u00e3o reclamando de que est\u00e3o pobres, olha o que eles ganham\u2019, como se aquele dinheiro fosse para o bolso de uma pessoa ou de duas, e na verdade n\u00e3o, quanto maior o recurso, mais pessoas s\u00e3o contratadas. E \u00e9 isso, ningu\u00e9m ganha uma fortuna. No meu caso, eu ganhei R$ 7 mil para trabalhar quatro, cinco meses\u201d \u2013 um valor que descreve como insuficiente para o sustento. <\/p>\n\n\n\n<p>Fl\u00e1via afirma que se sente privilegiada por n\u00e3o ter d\u00edvidas no momento, mas ressalta que essa realidade desafiadora j\u00e1 era enfrentada pelos trabalhadores da \u00e1rea da cultura antes da pandemia, que apenas os intensificou.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos grandes problemas do setor \u00e9 justamente a informalidade, que dificultou at\u00e9 mesmo a participa\u00e7\u00e3o em editais \u2013 algo que \u00e9 possibilitado atrav\u00e9s da formaliza\u00e7\u00e3o como MEI (Microempreendedor Individual), por exemplo. Fl\u00e1via j\u00e1 havia se formalizado antes mesmo da pandemia. No entanto, nem todos os trabalhadores tinham essa percep\u00e7\u00e3o de encontrar alternativas e garantias para trabalhar na \u00e1rea cultural; as pessoas da \u00e1rea t\u00e9cnica, a t\u00edtulo de exemplo, n\u00e3o criavam projetos, ent\u00e3o n\u00e3o viam essa necessidade. Assim, a informalidade complicou a renda de artistas e trabalhadores, que se viram sem sustento com a chegada da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover alignfull has-background-dim-20 has-black-background-color has-background-dim has-parallax\" style=\"background-image:url(https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/59.DeVilaAVila-Ricardo_Ara.jpg);min-height:524px;aspect-ratio:unset;\"><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center has-large-font-size\"><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>A artista Mariana tamb\u00e9m foi contemplada em outros dois editais: um da Lei Aldir Blanc, no qual foi escolhida por sua trajet\u00f3ria no hip hop, com uma premia\u00e7\u00e3o de R$ 5 mil, sem contrapartidas; e com duas parcelas em outro inciso, que exigia uma contrapartida de 10% do valor. Mariana decidiu, ent\u00e3o, que iria adquirir e doar fanzines produzidos pelo seu coletivo de iniciativa cultural afrocentrada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/poetasvivxs\/\"><strong>Poetas Vivos<\/strong><\/a>, desenvolvidos como forma de subsist\u00eancia durante a pandemia, para a escola independente Persepolis, que capacita jovens de 12 a 23 anos atrav\u00e9s da tecnologia e inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A aut\u00f4noma, que trabalhava com eventos, se viu sem renda quando estes foram impossibilitados. Assim, quando Mariana conseguiu tamb\u00e9m o aux\u00edlio emergencial do governo, utilizou o dinheiro para investir em uma marca pr\u00f3pria de acess\u00f3rios, A Dona da Roda.<\/p>\n\n\n\n<p>O aux\u00edlio emergencial de renda, uma das possibilidades da Lei Aldir Blanc, s\u00f3 era permitido para aqueles que n\u00e3o foram contemplados no aux\u00edlio emergencial geral distribu\u00eddo pelo governo. Assim, Fl\u00e1via explica que, como os editais tinham recursos mais expressivos, geralmente atrelados a uma contrapartida, as pessoas passaram a se dedicar a projetos mais elaborados, voltados ao ambiente de pandemia \u2013 o que, ao mesmo tempo, permitia a retomada da \u201cdignidade\u201d dos profissionais, atrav\u00e9s do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Fl\u00e1via tamb\u00e9m se qualificou para receber o aux\u00edlio emergencial do governo. \u201cFoi bastante importante para mim aquele aux\u00edlio naquele momento, porque foi uma coisa de perder a renda mesmo, e a\u00ed ter que pensar o que fazer e criar alternativas e tudo mais. Mas acho que foi bem importante ter esses editais para movimentar essa cadeia. Porque os produtores conseguiram pensar projetos em que tivesse a contrata\u00e7\u00e3o desses profissionais [<em>t\u00e9cnicos<\/em>], que em geral n\u00e3o teriam esse jeito mesmo para fazer projeto, porque n\u00e3o \u00e9 uma coisa t\u00e3o simples assim e n\u00e3o \u00e9 nem o papel deles, na verdade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Espa\u00e7os culturais<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante, n\u00e3o foram apenas os artistas e produtores que sentiram os impactos da pandemia. Os espa\u00e7os culturais, locais de apresenta\u00e7\u00e3o dos espet\u00e1culos e dos projetos, tamb\u00e9m se viram em um beco sem sa\u00edda. O Vila Flores, centro cultural localizado no Quarto Distrito, em Porto Alegre, e mantido pela Associa\u00e7\u00e3o Cultural Vila Flores atrav\u00e9s da loca\u00e7\u00e3o de salas no complexo arquitet\u00f4nico, se manteve durante a pandemia atrav\u00e9s de um fundo guardado para reformas. O valor foi usado para manter a equipe no in\u00edcio da crise sanit\u00e1ria; depois, mais recursos vieram atrav\u00e9s de editais, de um programa virtual de amigos e de projetos internos.<\/p>\n\n\n\n<p>Antonia Wallig, cofundadora e gestora cultural do Vila Flores, recorda que o sustento do centro cultural tamb\u00e9m n\u00e3o foi nada tranquilo: \u201cFoi bem desesperador, achamos que ir\u00edamos afundar. Reduzimos sal\u00e1rios e carga hor\u00e1ria, at\u00e9 que vieram os editais.\u201d O espa\u00e7o foi um dos beneficiados atrav\u00e9s dos incentivos abertos com o intuito de criar fundos emergenciais de aux\u00edlio \u00e0 cultura. \u201cEnviamos projetos que j\u00e1 realizamos no territ\u00f3rio e que impactam um n\u00famero importante de pessoas trabalhadoras e trabalhadores da cultura e tamb\u00e9m das comunidades vulnerabilizadas\u201d, explica Antonia. A execu\u00e7\u00e3o de projetos previa contrapartidas sociais, como atividades formativas gratuitas, de democratiza\u00e7\u00e3o e acesso \u00e0 cultura e de gera\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n\n\n\n<p>O espa\u00e7o recebeu recursos provenientes de quatro projetos da Lei Aldir Blanc, tanto pela Sedac\/RS quanto pela SMC: um projeto multicultural, intitulado De Vila a Vila <meta charset=\"utf-8\">\u2013 com iniciativas sociais resumidas no v\u00eddeo abaixo, como a transmiss\u00e3o de shows (v\u00eddeo seguinte); um de aquisi\u00e7\u00e3o de bens; um com contrapartida para a prefeitura, por ter distribu\u00eddo recursos emergenciais para artistas e espa\u00e7os culturais; e um projeto de forma\u00e7\u00e3o no qual o Vila Flores foi parceiro. Atualmente, o local tamb\u00e9m se beneficia de editais promovidos pelo Consulado Geral da Holanda no Brasil e pelo Goethe-Institut. Os editais permitiram adquirir equipamentos para possibilitar e qualificar atividades virtuais, manter a equipe, realizar projetos de gera\u00e7\u00e3o de renda atrav\u00e9s da economia criativa para as pessoas do Quarto Distrito e remunerar artistas, educadores, t\u00e9cnicos e produtores.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Projeto De Vila a Vila\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Tj-X6xk8NkU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Somando os seis editais no qual foi contemplado, o Vila Flores recebeu aproximadamente R$ 750 mil. Segundo a cofundadora, o valor foi suficiente para o centro cultural se manter e ainda beneficiou mais de 150 artistas, trabalhadores da cultura, mais de 50 mil pessoas que participaram das atividades art\u00edsticas e formativas virtuais e aproximadamente 100 pessoas que participaram de forma presencial. Foram mais de 60 atividades realizadas, algumas ainda em andamento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"P\u00c1TIO SONORO APRESENTA: DESSA FERREIRA E FLOR ET\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tfPABy_Ox-Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>No entanto, para a produtora Fl\u00e1via, apesar da import\u00e2ncia de iniciativas como a Lei Aldir Blanc para a \u00e1rea cultural, os valores repassados por esses editais e aux\u00edlios n\u00e3o foram suficientes para o sustento de artistas e trabalhadores. \u201cEsses editais foram muito disputados, teve muita gente que ficou de fora, houve muitas cr\u00edticas a alguns\u201d, salienta. Mas ela ressalta que, mesmo com falhas, \u00e9 melhor que eles existam.<\/p>\n\n\n\n<p>Antonia concorda: \u201cPara n\u00f3s, foi suficiente, pois t\u00ednhamos um fundo de reserva anterior, mas j\u00e1 n\u00e3o sabemos como ser\u00e1 o ano de 2022. E sabemos que muitos espa\u00e7os e artistas, t\u00e9cnicos e produtores n\u00e3o conseguiram acessar os recursos, por isso foram insuficientes numa avalia\u00e7\u00e3o geral.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Fl\u00e1via, os recursos e editais, por mais que tentassem ser democr\u00e1ticos, eram pouco acess\u00edveis para a maior parte dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Audio-Flavia.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>A afroempreendedora Mariana tamb\u00e9m adverte que \u00e9 necess\u00e1rio facilitar o acesso aos editais. Ela \u00e9 filha de uma produtora cultural, que a ajudou nos processos \u2013 mas muitas pessoas n\u00e3o t\u00eam ideia de sua exist\u00eancia ou de como funcionam. \u201cTeve um edital que podia se inscrever por telefonema, por SMS, por WhatsApp, por e-mail, e eu acho que \u00e9 isso, sabe? E, para al\u00e9m disso, tamb\u00e9m plataformas, cursos.\u201d As iniciativas podem partir at\u00e9 mesmo das pessoas do pr\u00f3prio meio: a m\u00e3e de Mariana, que tamb\u00e9m foi contemplada em um dos mesmos editais que a filha, ofereceu oficinas de cria\u00e7\u00e3o de projeto como contrapartida. \u201cEu acho que isso \u00e9 importante, que as pessoas estejam fomentando e ensinando outras pessoas a se inscrever para acessar isso tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para Li\u00e9ge Biasotto, que tamb\u00e9m \u00e9 gestora cultural e atua em projetos que envolvem leis de incentivo no Vila Flores, as pol\u00edticas auxiliaram muito o setor cultural no in\u00edcio do ano. Por\u00e9m, eram voltadas a um per\u00edodo espec\u00edfico e, com a perman\u00eancia da pandemia, deviam ter sido criadas novas pol\u00edticas e leis de suporte \u00e0 \u00e1rea, tendo em vista que muitos eventos ainda n\u00e3o podem ser retomados.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de tudo, foram necess\u00e1rios mais de um edital para compor a renda \u2013 e, em alguns casos, fundos internacionais e privados. \u201cAinda se faz necess\u00e1rio continuar. A Lei Paulo Gustavo \u00e9 de extrema import\u00e2ncia nesse momento para dar continuidade ao mantenimento do setor cultural. A Lei Rouanet tamb\u00e9m \u00e9 de extrema import\u00e2ncia. Temos a felicidade de ter uma Secretaria de Cultura de Estado organizada, forte e atuante, que est\u00e1 lan\u00e7ando novos editais ainda este ano\u201d, afirma Antonia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Novos benef\u00edcios e incentivos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O <a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/148344\"><strong>Projeto de Lei Complementar n\u00ba 73\/2021<\/strong><\/a>, conhecido como Lei Paulo Gustavo, prop\u00f5e novos investimentos para o setor cultural at\u00e9 o final de 2022. O texto prev\u00ea a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos dos mais de R$ 3 bilh\u00f5es existentes hoje no super\u00e1vit financeiro do FNC (Fundo Nacional de Cultura). O projeto homenageia o ator hom\u00f4nimo, que morreu devido a complica\u00e7\u00f5es da Covid-19 em maio de 2021, e que estrelou <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/splash\/noticias\/2021\/05\/05\/paulo-gustavo-bilheteria-recorde-filmes.htm\"><strong>filmes que bateram recordes de bilheteria nacional<\/strong><\/a>. A iniciativa, entretanto, <strong><a href=\"https:\/\/congressoemfoco.uol.com.br\/area\/congresso\/com-lobby-de-mario-frias-lei-paulo-gustavo-empaca-no-senado\/\">tem causado pol\u00eamica e est\u00e1 empacada no Senado<\/a>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, no dia 1\u00ba de outubro, <a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/cultura-e-lazer\/noticia\/2021\/10\/prefeitura-de-porto-alegre-anuncia-auxilio-emergencial-da-cultura-para-5-mil-trabalhadores-do-setor-cku8iw78i004l017feyzz5j9s.html\"><strong>a Prefeitura de Porto Alegre anunciou um novo aux\u00edlio emergencial da cultura<\/strong><\/a>. Ser\u00e3o distribu\u00eddos R$ 4 milh\u00f5es para at\u00e9 5 mil profissionais da \u00e1rea. Do total, R$ 1 milh\u00e3o ser\u00e3o repassados pela prefeitura e R$ 3 milh\u00f5es pelo governo do Estado. O aux\u00edlio ser\u00e1 constitu\u00eddo por uma parcela de R$ 800. A regulamenta\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio e o per\u00edodo de inscri\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o foram divulgados.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Fl\u00e1via, por mais bem intencionada que seja, a iniciativa ainda \u00e9 insuficiente. \u201cSe a pessoa vive de aluguel, ser\u00e1 que algu\u00e9m consegue pagar R$ 800 hoje em dia de aluguel? N\u00e3o sei. Dificilmente. Ent\u00e3o, a pessoa paga algumas contas, apaga uns inc\u00eandios, paga conta de luz, internet, compra umas comidas no supermercado, e acabou o dinheiro. Mas acho que \u00e9 melhor que nada, para quem receber e estiver realmente precisando, e tem muita gente precisando, \u00e9 legal<meta charset=\"utf-8\">\u201d, salienta. <\/p>\n\n\n\n<p>A produtora cultural defende que a renda deveria ser continuada, dado que o trabalhador desse setor n\u00e3o conseguir\u00e1 se sustentar subitamente. \u201cTeria que tentar direcionar os recursos que existem, que \u00e9 esse caso da Lei Paulo Gustavo. Os recursos existem e precisam ser direcionados para esse fim, para que as pessoas consigam se manter de outras formas. Se n\u00e3o, \u00e9 s\u00f3 um paliativo. A pessoa vai l\u00e1, ganha R$ 800, ou no caso do ano passado, [<em>o aux\u00edlio que a prefeitura dava<\/em>] era um pouco mais, acho que era R$ 1,5 mil. Mas n\u00e3o resolve, porque a pessoa todo m\u00eas vai ter que pagar aluguel, se alimentar, ent\u00e3o ela precisa ter alguma renda mais garantida enquanto ela n\u00e3o consegue sobreviver do seu trabalho.\u201d<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Em nenhum momento a gente parou de correr atr\u00e1s, mas durante muito tempo as coisas n\u00e3o aconteceram&#8221;<\/p><cite>Maria<meta charset=\"utf-8\">na Marmontel, artista<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a gestora cultural Li\u00e9ge alerta para o fato de que as pol\u00edticas federais de incentivo \u00e0 cultura, que n\u00e3o apenas repassavam verbas em editais diretos e atrav\u00e9s da pr\u00f3pria lei de incentivo, mas tamb\u00e9m para a administra\u00e7\u00e3o estadual e municipal, est\u00e3o nulas, sem recursos ou avan\u00e7o em propostas. &#8220;Em Porto Alegre, o munic\u00edpio ainda n\u00e3o retomou o Fundo Municipal de Cultura, que est\u00e1 suspenso h\u00e1 mais de seis anos, e n\u00e3o possui lei de incentivo pr\u00f3pria. O Estado do Rio Grande do Sul tem funcionado bem, mas n\u00e3o d\u00e1 conta de toda a demanda&#8221;, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Retomada e futuro<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O setor come\u00e7a a perceber, agora, com o avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o contra Covid-19, uma gradual e t\u00edmida retomada das atividades, com a reabertura de teatros e cinemas e a volta de alguns shows. Fl\u00e1via, no entanto, tem tido cautela. \u201cEu dependo do meu trabalho para pagar as minhas contas. E se eu pegar Covid, ainda que sintomas leves, s\u00e3o duas semanas sem conseguir trabalhar. Nessas duas semanas, eu n\u00e3o ganho, estou doente. E a\u00ed, como \u00e9 que eu vou fazer para me sustentar? Ent\u00e3o, \u00e9 um desafio de pensar como agir nesse momento\u201d, pondera a produtora. Ela v\u00ea, ainda, um descompasso entre o que as pessoas gostariam que fosse e a realidade de fato, com v\u00e1rios artistas se expondo para pagar as contas, sem seguran\u00e7a, apesar dos protocolos \u2013 visto que estes n\u00e3o recebem uma fiscaliza\u00e7\u00e3o efetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Mariana, a retomada ainda n\u00e3o est\u00e1 ocorrendo plenamente. \u201cMas a gente precisa correr, a gente precisa fazer acontecer, porque se n\u00e3o o dinheiro n\u00e3o vem\u201d, enfatiza a artista. Os editais forneceram um meio para esse fim. \u201cTalvez tenha flexibilizado um pouco, de nos fazer enxergar possibilidades, de n\u00e3o precisar desistir disso. Isso eu acho que foi muito importante.\u201d Ela avalia, no entanto, que o retorno e o sustento plano ainda v\u00e3o demorar: \u201cMeu maior medo \u00e9 que as coisas nunca voltem a ser como eram antes. E, para mim, tudo indica isso. Cada vez vai ser mais novo. Cada vez a gente vai ter que buscar mais alternativas. Cada vez a gente vai ter que se reinventar. Que foi o que a maioria das pessoas teve que fazer.\u201d<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/90706392_838435896643367_1487610024803874040_n-1024x683.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14778\" width=\"580\" height=\"385\"\/><figcaption><meta charset=\"utf-8\">\u201cA gente precisa correr, a gente precisa fazer acontecer, porque se n\u00e3o o dinheiro n\u00e3o vem\u201d, afirma a artista Mariana Marmontel. Foto: Diego Sena\/Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Seu coletivo Poetas Vivos fazia interven\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas em bares, que tamb\u00e9m foram impossibilitadas pela pandemia. A sa\u00edda encontrada para manter um fluxo de renda foi, ent\u00e3o, vender nesses locais os zines produzidos. Al\u00e9m disso, o coletivo criou uma linha de produtos personalizados. \u201cEm nenhum momento a gente parou de correr atr\u00e1s, mas durante muito tempo as coisas n\u00e3o aconteceram\u201d, lamenta Mariana. \u201cAos pouquinhos, as coisas est\u00e3o voltando agora, de forma presencial. Mas ainda \u00e9 tudo muito devagar, muito incerto, muito inseguro tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao futuro, Fl\u00e1via espera que, por volta de abril de 2022, o cen\u00e1rio se torne seguro para eventos, mas estar\u00e1 modificado. Com o fechamento de casas noturnas, alguns espa\u00e7os agora cobram ingressos mais baratos para atrair p\u00fablico \u2013 o que, consequentemente, resulta em um cach\u00ea menor para os artistas, que muitas vezes precisam dividir o valor entre v\u00e1rias pessoas. O cen\u00e1rio, portanto, ser\u00e1 desafiador \u2013 e contar\u00e1 ainda com o impacto da crise econ\u00f4mica e da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPerdemos muitos espa\u00e7os importantes e representativos, que n\u00e3o conseguiram seguir. Isso \u00e9 lastim\u00e1vel\u201d, concorda Antonia. A retomada, em sua vis\u00e3o, fornece esperan\u00e7a, mas ocorre de forma muito lenta, com protocolos, dado que a pandemia ainda \u00e9 uma realidade. \u201cCompanhias de teatro com espet\u00e1culos guardados, casas de espet\u00e1culos com metade do p\u00fablico, m\u00fasicos, produtores, t\u00e9cnicos, roadies, cen\u00f3grafos, iluminadores, gestores\u2026 \u00e9 uma cadeia produtiva imensa, que essa retomada ainda n\u00e3o d\u00e1 conta de sustentar. \u00c9 preciso que haja pol\u00edticas p\u00fablicas de incentivo \u00e0 arte e \u00e0 cultura. E incentivos privados tamb\u00e9m.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Li\u00e9ge concorda: &#8220;Com p\u00fablico reduzido e sem investimentos p\u00fablicos no setor, fica dif\u00edcil manter a sustentabilidade dos eventos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Antonia acha dif\u00edcil dizer quanto tempo levar\u00e1 para o setor se recuperar e ter novamente um sustento pleno. \u201cMas acredito que no m\u00ednimo um ano para voltar a \u2018oxigenar\u2019. E sabemos que n\u00e3o existe sustento pleno para as e os trabalhadores da cultura sem que haja pol\u00edticas de incentivo. Apenas o p\u00fablico pagante n\u00e3o gera sustento. \u00c9 preciso pol\u00edticas de democratiza\u00e7\u00e3o, acessibilidade e forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico, ou a arte nunca chegar\u00e1 para determinadas pessoas\u201d, enfatiza a cofundadora do Vila Flores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo da pandemia, artistas, produtores e espa\u00e7os culturais encontraram em aux\u00edlios emergenciais e editais, como a Lei Aldir Blanc, formas de se sustentar \u2013 mas ser\u00e1 que essas iniciativas foram o suficiente?<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":14708,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[243],"tags":[],"class_list":["post-14707","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mais-recentes"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14707","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14707"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14707\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14708"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14707"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14707"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14707"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}