﻿{"id":15426,"date":"2021-11-16T21:30:45","date_gmt":"2021-11-17T00:30:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=15426"},"modified":"2021-11-16T21:38:25","modified_gmt":"2021-11-17T00:38:25","slug":"efeitos-colaterais-os-impactos-da-covid-19-sobre-negocios-da-boemia-de-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2021\/11\/16\/efeitos-colaterais-os-impactos-da-covid-19-sobre-negocios-da-boemia-de-porto-alegre\/","title":{"rendered":"Efeitos colaterais: os impactos da Covid-19 sobre neg\u00f3cios da boemia de Porto Alegre"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">O fechamento do com\u00e9rcio em todos os munic\u00edpios do Rio Grande do Sul foi decretado pela primeira vez em Mar\u00e7o de 2020. O que muitos pensavam que seria um per\u00edodo curto para supera\u00e7\u00e3o da pandemia, acabou sendo prolongado por mais de um ano, com neg\u00f3cios que ainda enfrentam restri\u00e7\u00f5es para frear o cont\u00e1gio pela Covid-19.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o recorte \u00e9 feito para neg\u00f3cios que dependem majoritariamente da aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas, o cen\u00e1rio \u00e9 ainda pior. Muitos neg\u00f3cios do setor de bares, pubs e casas de shows, por exemplo, tiveram que se manter fechados por todos estes meses, at\u00e9 <strong><a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/coronavirus-servico\/noticia\/2021\/09\/governo-do-rs-libera-uso-de-pistas-de-danca-e-amplia-publico-de-eventos-veja-os-protocolos-cku7gz35w00ca019maundt597.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">flexibiliza\u00e7\u00f5es mais recentes<\/a><\/strong>, diante do avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o e da queda nos \u00edndices de transmissibilidade do coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o seja dos setores cujo servi\u00e7o que oferece seja considerado essencial, os impactos sobre a cadeia econ\u00f4mica &#8211; incluindo empregos e gera\u00e7\u00e3o de renda direta e indireta &#8211; s\u00e3o graves. \u00c9 o que revela o levantamento que o <strong>Humanista<\/strong> publica nesta ter\u00e7a-feira (16).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Os impactos<\/strong>    &nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo entre o m\u00eas de Fevereiro at\u00e9 Abril, houve uma <strong>queda de 78%<\/strong> na mobilidade em estabelecimentos da \u00e1rea de Varejo e Lazer em Porto Alegre, segundo o <a href=\"https:\/\/www.google.com.br\/covid19\/mobility\/\">Relat\u00f3rio de Mobilidade da Comunidade realizado pela Google<\/a>. Por mais que o per\u00edodo se refira apenas ao in\u00edcio da pandemia, j\u00e1 foi poss\u00edvel notar uma diminui\u00e7\u00e3o expressiva no movimento de locais em que se encontram os neg\u00f3cios do setor bo\u00eamio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final de 2020, o resultado foi o <strong>pedido de baixa no CNPJ de 55 neg\u00f3cios<\/strong> do setor \u00e0 prefeitura de Porto Alegre. O n\u00famero \u00e9 o maior dos \u00faltimos tr\u00eas anos, sendo <strong>3,7% maior <\/strong>que o do ano anterior. No gr\u00e1fico abaixo \u00e9 poss\u00edvel visualizar a evolu\u00e7\u00e3o na requisi\u00e7\u00e3o de baixa no CNPJ dos neg\u00f3cios do segmento nos \u00faltimos cinco anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/yDQfcoaLmZYPSLA2Ca8Wy-p5Z2xbNrS7Vu3CoqzElhmU9lIt-vcwLhwrVRwxj0koOsRADx_AyW-R0T0M1CVaF1tdE0XKsPJfyJ870i7fhQlGCCIN5O0yUzYYNLC3vHsAnGCZ9N2t\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Entretanto, o n\u00famero de neg\u00f3cios da boemia e entretenimento em Porto Alegre que fecharam durante a pandemia pode ser ainda maior. O motivo \u00e9 que a prefeitura estabeleceu, por meio da <a href=\"https:\/\/www.legisweb.com.br\/legislacao\/?id=390449\">Lei Complementar N\u00ba 876<\/a>, que especificou para o munic\u00edpio as regras estabelecidas na <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2019-2022\/2019\/lei\/L13874.htm\">Lei de Liberdade Econ\u00f4mica<\/a> do Governo Federal, elaborada em 2019. Com isso, os bares e pubs passaram a ser dispensados de qualquer licenciamento para exercer suas atividades, por serem considerados de baixo risco.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto tamb\u00e9m p\u00f4de ser visto na arrecada\u00e7\u00e3o. O principal tributo cobrado no \u00e2mbito municipal, o Imposto Sobre Servi\u00e7os (ISS), teve uma arrecada\u00e7\u00e3o 62% menor em 2020, comparado com o ano anterior. Veja a compara\u00e7\u00e3o no gr\u00e1fico abaixo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/4Z0woMrpuFiiu48ot9qUkHzJS77H-8BTHg7DDiD1SE05nXXOaf-3BXzzDUg0NkwtfOGPO4Coi-hgDSBK0xhJ-6IO-c9VzkdsmSHCC3TCy7GDghqeJby3HAACOdZdG1SlRmZgPf9r\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Com estabelecimentos fechados, as receitas ca\u00edram, principalmente para os pequenos neg\u00f3cios deste setor. Segundo uma <a href=\"https:\/\/rs.abrasel.com.br\/noticias\/noticias\/mais-da-metade-dos-bares-e-restaurantes-opera-no-prejuizo-diz-pesquisa-da-abrasel\/\">pesquisa<\/a> da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) realizada em novembro do ano passado, <strong>53% dos estabelecimentos do segmento operavam em preju\u00edzo<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado disto foi um <strong>endividamento de 60% dos neg\u00f3cios do setor<\/strong>, de acordo com a pesquisa. Os empr\u00e9stimos e financiamentos acabaram se tornando op\u00e7\u00f5es para suprir a falta de receitas que costumavam sustentar os empreendimentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, at\u00e9 mesmo o acesso ao cr\u00e9dito foi dif\u00edcil, devido \u00e0s garantias exigidas pelos bancos, que acabam se tornando inating\u00edveis para boa parte das pequenas empresas do setor. Como uma proposta para facilitar a capta\u00e7\u00e3o de recursos por meio de financiamentos, o Governo Federal lan\u00e7ou, em maio de 2020, o <strong>Programa Nacional de Apoio \u00e0s Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (PRONAMPE)<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa foi institu\u00edda pela <a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/en\/web\/dou\/-\/lei-n-13.999-de-18-de-maio-de-2020-257394467\">Lei n\u00ba 13.999<\/a> e prometeu acesso das micro e pequenas empresas \u00e0 financiamentos de institui\u00e7\u00f5es financeiras com juros mais baixos que de forma direta com os bancos. Para realizar a media\u00e7\u00e3o, o Governo Federal realizou um aporte de <strong>R$ 15,9 bilh\u00f5es<\/strong> no Fundo Garantidor de Opera\u00e7\u00f5es (FGO), que \u00e9 administrado pelo Banco do Brasil. Assim, o governo passaria a cumprir as exig\u00eancias de garantia das financeiras para a concess\u00e3o do cr\u00e9dito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A vig\u00eancia do programa se deu at\u00e9 dezembro de 2020, e resultou em um montante em opera\u00e7\u00f5es de <strong>R$ 4,84 bilh\u00f5es<\/strong>. O estado do Rio Grande do Sul obteve um volume de <strong>R$ 422,6 milh\u00f5es<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outras fontes de financiamentos tamb\u00e9m foram liberadas pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econ\u00f4mico (BNDES). A institui\u00e7\u00e3o possui programas especiais para Micro, Pequenas e M\u00e9dias Empresas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os recursos podem ser adquiridos de forma <a href=\"https:\/\/www.bndes.gov.br\/wps\/portal\/site\/home\/financiamento\/guia\/Formas-de-Apoio\">indireta ou direta<\/a>. Ambos funcionam por meio da libera\u00e7\u00e3o dos recursos pelo BNDES \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras p\u00fablicas e privadas parceiras do banco. O prop\u00f3sito \u00e9 o mesmo do PRONAMPE, de fornecer cr\u00e9dito com custos mais baixos a neg\u00f3cios de menor porte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, foram destinados <strong>R$ 4,4 bilh\u00f5es<\/strong> em linhas de cr\u00e9ditos especiais para as MPMEs no Rio Grande do Sul, por meio das institui\u00e7\u00f5es credenciadas pelo BNDES. No gr\u00e1fico abaixo \u00e9 poss\u00edvel analisar os valores liberados por meio do programa durante todo o ano.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/oDAOt7QeDPD6rKDPdazpcz5_kc9FwxhBvIzAPfXwq_ViYJFZBN0Tid30_cUw-oD8Iu1e0-wMsHoYtdS5REMXJgoF9vuKiG0ml-u5D_ahX8IAtGDyn06vj-g91K0om_7RKQah6glP\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Para o subsetor de Alojamento e Alimenta\u00e7\u00e3o, categorizado pela Classifica\u00e7\u00e3o Nacional de Atividades Econ\u00f4micas (CNAE) &#8211; no qual est\u00e3o inseridos os neg\u00f3cios de bares e pubs &#8211; foram disponibilizados <strong>R$ 34,8 bilh\u00f5es<\/strong> durante todo o ano. O acesso a estes recursos tamb\u00e9m se deu por meio de outros instrumentos financeiros, al\u00e9m da linha espec\u00edfica para MPMEs, como o Cart\u00e3o BNDES.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/lnooR4OlyDJ0W_pqhOOUFbflsIYXInXsueAgeV-Ekp-x0ls--4NoGl_7w5hJMXdWFMFfHYC3m6bTmXcaUwWKnOvEltA9BdNtHGJ38P6nP9sAlNSQ8tMUQHKsgH0PrUeuExV9obU5\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Como se pode ver no gr\u00e1fico acima, o m\u00eas de julho foi o que apresentou uma maior libera\u00e7\u00e3o de recursos via empr\u00e9stimos, com um total de <strong>R$ 9,1 bilh\u00f5es<\/strong>. No mesmo m\u00eas, o Rio Grande do Sul completava 15 semanas em estado de calamidade p\u00fablica, registrando os maiores n\u00fameros da pandemia at\u00e9 ent\u00e3o, com <strong>35.506 casos e 714 mortes por infec\u00e7\u00e3o da Covid-19<\/strong>. Isto indica uma maior necessidade de aux\u00edlios aos neg\u00f3cios do setor, que, por se manterem fechados, n\u00e3o possu\u00edam receitas para cobrir as despesas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com estas iniciativas de incentivo ao cr\u00e9dito criadas pelo governo, alguns neg\u00f3cios acabaram n\u00e3o conseguindo ter acesso a estes recursos. Este foi o caso do Lola Bar de Tapas, bar do bairro Rio Branco, na capital ga\u00facha, que acabou fechando em abril do ano passado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Mahara Soldan, propriet\u00e1ria do estabelecimento, o bar tentou ter acesso aos empr\u00e9stimos disponibilizados pelo PRONAMPE, mas n\u00e3o conseguiu. O que ajudou o neg\u00f3cio a se manter foi um financiamento disponibilizado pelo Servi\u00e7o de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com a Caixa Econ\u00f4mica Federal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A institui\u00e7\u00e3o assinou um acordo com a Caixa, para acessar uma linha especial para financiar o capital de giro dos neg\u00f3cios. O banco disponibilizou <strong>R$ 12 bilh\u00f5es<\/strong> e ser\u00e1 garantido pelo Sebrae por meio do Fundo de Aval \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Fampe).<\/p>\n\n\n\n<p>Mahara afirma que o poder p\u00fablico n\u00e3o atuou suficientemente para auxiliar os pequenos neg\u00f3cios durante a pandemia. Segundo ela, deveria ter havido isen\u00e7\u00e3o de impostos, corte nos custos b\u00e1sicos de opera\u00e7\u00e3o e incentivos fiscais a esses empreendimentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 preciso dar o m\u00ednimo de estrutura para os setores que vivem do atendimento presencial. Talvez at\u00e9, se os lockdowns fossem mais r\u00edgidos, seria poss\u00edvel conter as fases mais cr\u00edticas mais rapidamente\u201d, declarou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em abril do ano passado, o Governo do estado sancionou o <a href=\"http:\/\/www.al.rs.gov.br\/legislativo\/ExibeProposicao.aspx?SiglaTipo=PL&amp;NroProposicao=65&amp;AnoProposicao=2021\">Projeto de Lei 65\/2021<\/a>, que criava um aux\u00edlio emergencial de apoio \u00e0 atividade econ\u00f4mica e prote\u00e7\u00e3o social. O benef\u00edcio foi repassado em duas parcelas de <strong>R$ 1 mil<\/strong> para empresas de alimenta\u00e7\u00e3o, alojamento e eventos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Eduardo Titton, s\u00f3cio-propriet\u00e1rio do Bar Agulha, afirma que o Governo Estadual foi o \u00fanico a propor alguma forma de aux\u00edlio, com editais e algumas bolsas. \u201cEm \u00e2mbito municipal e nacional \u00e9 um descaso total e absoluto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O empreendedor e seu s\u00f3cio buscaram inovar com novas formas de capta\u00e7\u00e3o de recursos, para suprir a queda nas receitas. No in\u00edcio da pandemia, os donos do Agulha tinham uma reserva emergencial para quatro meses, a qual achavam que seria suficiente para o tempo que estariam fechados, visto que esperavam que o isolamento fosse acabar em breve.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s tentativas com lives, delivery e a cria\u00e7\u00e3o da campanha \u201cSalve Salve\u201d, que oferecia produtos personalizados e com liga\u00e7\u00e3o ao bar, como pijamas da marca, drinks e bebidas, os s\u00f3cios viram que precisariam de uma receita recorrente. Foi ent\u00e3o que lan\u00e7aram o Clube do Agulha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de um clube de assinaturas com diversas modalidades, que oferece produtos e servi\u00e7os com base nos tr\u00eas pilares do Agulha: m\u00fasica, arte, gastronomia e coquetelaria. O programa oferece planos de R$ 10 a R$ 1,5 mil, oferecendo desde uma playlist curada pela equipe do Bar at\u00e9 um plano espec\u00edfico para empresas, que oferecer\u00e1 diversas vantagens nos eventos, quando as atividades presenciais retornarem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o Clube do Agulha cobre cerca de um ter\u00e7o das despesas do bar, segundo Eduardo. &#8220;A gente precisa ainda triplicar o tamanho dele para se tornar sustent\u00e1vel\u201d, explicou. A suspens\u00e3o de contratos, estabelecida por meio da <a href=\"https:\/\/www.congressonacional.leg.br\/materias\/medidas-provisorias\/-\/mpv\/141375\">Medida Provis\u00f3ria 936<\/a> de 2020, ajudou os donos destes pequenos neg\u00f3cios a n\u00e3o fecharem. \u201cA gente t\u00e1 trabalhando sempre com o dia cinco do m\u00eas seguinte para decidir se segue ou n\u00e3o segue. N\u00e3o temos mais muito planejamento de m\u00e9dio e nem de longo prazo\u201d, lamenta Eduardo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Bar Ocidente, que completou seus 40 anos no meio da pandemia em 2020, vive o mesmo drama. Fiapo Barth, propriet\u00e1rio do estabelecimento, teve que demitir oito funcion\u00e1rios e adquirir um empr\u00e9stimo por meio das linhas do governo, ap\u00f3s ter gasto todo o capital do bar para se manter aberto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas donos de neg\u00f3cios do setor bo\u00eamio entrevistados nesta mat\u00e9ria acreditam que as medidas tomadas para controle da pandemia foram ineficazes. Eles afirmam que o decreto de um lockdown severo por um per\u00edodo mais curto, acompanhado de uma vacina\u00e7\u00e3o em massa, teria sido mais eficaz e prejudicado menos os neg\u00f3cios do que a intercala\u00e7\u00e3o entre abertura e fechamento dos com\u00e9rcios que t\u00eam ocorrido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente finge que faz o distanciamento, finge que t\u00e1 melhorando, finge que t\u00e1 reabrindo e esse vai e vem, esse vai parcial, eles certamente s\u00e3o muito mais custosos do que seria passar dois meses fechado, tr\u00eas meses fechados absolutamente pra depois poder operar\u201d, afirma Eduardo.<\/p>\n\n\n\n<p>A perspectiva de futuro para o setor no cen\u00e1rio de p\u00f3s-pandemia ainda \u00e9 incerta. No caso dos estabelecimentos que possuem liga\u00e7\u00e3o com a cultura, como o Agulha e o Ocidente, a cren\u00e7a na import\u00e2ncia da arte \u00e9 o combust\u00edvel para manter as esperan\u00e7as de uma melhora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cRacionalmente a expectativa \u00e9 p\u00e9ssima e emocionalmente a expectativa \u00e9 \u00f3tima, e a gente est\u00e1 trabalhando nessa gangorra de emo\u00e7\u00f5es assim [&#8230;] A gente segue acreditando muito na import\u00e2ncia e at\u00e9 na eleva\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da m\u00fasica para o momento p\u00f3s-covid e na import\u00e2ncia do Agulha para a cena musical tanto da cidade quanto do estado\u201d, explica Eduardo.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">*Reportagem originalmente produzida na disciplina de Ciberjornalismo II do curso de Jornalismo da Fabico\/UFRGS no semestre letivo 2020\/2, sob a orienta\u00e7\u00e3o do professor <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9644564954295093\"><strong>Marcelo Tr\u00e4sel<\/strong><\/a>. Edi\u00e7\u00e3o: reda\u00e7\u00e3o <strong>Humanista<\/strong>, 2021\/1.<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fechamento do com\u00e9rcio em todos os munic\u00edpios do Rio Grande do Sul foi decretado pela primeira vez em Mar\u00e7o de 2020. 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