﻿{"id":16856,"date":"2022-04-01T15:17:18","date_gmt":"2022-04-01T18:17:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=16856"},"modified":"2022-04-01T15:17:22","modified_gmt":"2022-04-01T18:17:22","slug":"oscar-melhor-filme-no-ritmo-do-coracao-poe-surdez-em-foco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2022\/04\/01\/oscar-melhor-filme-no-ritmo-do-coracao-poe-surdez-em-foco\/","title":{"rendered":"Oscar: melhor filme, \u201cNo Ritmo do Cora\u00e7\u00e3o\u201d p\u00f5e surdez em foco"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>[Aten\u00e7\u00e3o] Cont\u00e9m spoiler\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vencedor do Oscar 2022 de Melhor Filme, \u201cNo Ritmo do Cora\u00e7\u00e3o (CODA)\u201d, dirigido pela cineasta <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Sian_Heder\">Sian Heder<\/a>, trata da narrativa de Ruby (Emilia Jones), \u00fanica pessoa ouvinte em sua fam\u00edlia. O roteiro nos apresenta a necessidade dram\u00e1tica da protagonista logo no in\u00edcio do longa &#8211; a decis\u00e3o de deixar sua fam\u00edlia para entrar na faculdade de m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p>Assista ao Trailer!<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"CODA \u2014 Official Trailer | Apple TV+\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0pmfrE1YL4I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><br>\u00c0 primeira vista, temos a impress\u00e3o de que \u201cCODA\u201d \u00e9\u00a0 um filme com uma estrutura batida e previs\u00edvel &#8211; nos parece, inclusive, que j\u00e1 o vimos algumas vezes antes. Afinal, ele conta uma hist\u00f3ria de amadurecimento muito familiar e comum no cinema hollywoodiano. Nesses termos, encontramos todos os elementos de um roteiro cl\u00e1ssico nesse longa cujo t\u00edtulo \u00e9 um acr\u00f4nimo para <a href=\"https:\/\/www.coda-international.org\/\">Children of Deaf Adults<\/a> &#8211; temos a necessidade dram\u00e1tica; os chamados turning points, o desafio e a conclus\u00e3o. Em suma, trata-se de um roteiro que permeia estruturas cinematogr\u00e1ficas conhecidas como \u201cas viagens inici\u00e1ticas\u201d ou \u201chist\u00f3rias de Cinderela\u201d.<br><br>A hist\u00f3ria segue uma jovem talentosa oriunda de uma cidade pequena com sonhos de estudar m\u00fasica na cidade grande. Temos um professor idealista, uma paix\u00e3o, ensaios comoventes, uma audi\u00e7\u00e3o de alto risco e uma fam\u00edlia resistente em rela\u00e7\u00e3o aos sonhos de seus filhos &#8211; Check, check check. Novamente &#8211; e apenas \u00e0 primeira vista &#8211; voc\u00ea pode pensar que se trata de um clich\u00e9, ou mais um filme comfy para noites de inverno.<br>Apesar disso, \u201cNo Ritmo do Cora\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o pode ser reduzido dessa maneira. N\u00e3o \u00e9 que Sian n\u00e3o seja convencional em sua f\u00f3rmula, ela \u00e9. Mas a beleza e inova\u00e7\u00e3o do filme residem na subvers\u00e3o da f\u00f3rmula ao colocar essa hist\u00f3ria dentro de um novo cen\u00e1rio. O que comprova isso \u00e9 que estamos falando de um roteiro adaptado do filme franc\u00eas \u201cLa Famille B\u00e9lier\u201d, e a diferen\u00e7a aparece t\u00e3o logo que o filme se inicia &#8211; pelo elenco. Se no longa original encontramos um elenco de ouvintes; \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de um personagem, no adaptado temos atores e artistas surdos &#8211; Troy Kotsur, Daniel Durant e a vencedora do Oscar Marlee Matlin &#8211; o que nos d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de uma atua\u00e7\u00e3o l\u00eddima, genu\u00edna e real.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de jovem, e com apenas 17 anos, Ruby \u00e9 uma estudante do ensino m\u00e9dio que trabalha no litoral de Cape Ann&#8217;s Gloucester e que se ocupa em ajudar sua fam\u00edlia em seu neg\u00f3cio pesqueiro. Acorda todos os dias de madrugada para ajud\u00e1-los &#8211; a seu pai Frank (Kotsur), irm\u00e3o Leo (Durant), e m\u00e3e Jackie (Matlin) &#8211; em seu barco e rec\u00e9m-encontrado neg\u00f3cio de vendas de peixe.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema central do filme \u00e9 a surdez e como plano de fundo temos a hist\u00f3ria de Ruby. Nesse sentido, rapidamente somos capazes de compreender a rotina exaustiva da protagonista nesse arranjo familiar complexo. Podemos elencar diversos exemplos para elucidar qu\u00e3o fundamental \u00e9 a jovem para a fam\u00edlia &#8211; entre eles, temos que durante o labor no barco pesqueiro ela \u00e9 incumbida das percep\u00e7\u00f5es sobre os an\u00fancios e sinais costeiros. Em suma, a jovem \u00e9 a int\u00e9rprete oficial de sua fam\u00edlia em todos os assuntos nesta cidade: devota, sempre prioriza o bem estar dos seus em detrimento da sua individualidade. Ap\u00f3s esse desenho inicial temos o primeiro turning-point, marcado por aquele que ser\u00e1 o \u201cobjeto-m\u00e1gico\u201d da protagonista que \u00e9 a m\u00fasica &#8211; aqui temos os arranjos causais e tripartidos que nos conduzem \u00e0 necessidade dram\u00e1tica da atriz de partir para a faculdade: o coral; o cantar e a m\u00fasica. \u00c9 a partir desse ponto que temos os desacordos se desenhando e estabelecendo os obst\u00e1culos para que a atriz rumo ao seu sonho de estudar em Berklee.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A bem da verdade, a sensa\u00e7\u00e3o que o filme nos passa \u00e9 de fato de uma autenticidade nas atua\u00e7\u00f5es, genuinidade e franqueza na forma de contar a hist\u00f3ria. Dessa forma, Sian consegue compensar a forma cl\u00e1ssica com um conte\u00fado novo. Dito isto, n\u00e3o podemos deixar de falar sobre a import\u00e2ncia do longa colocar em foco a comunidade surda &#8211; e \u00e9 aqui que parece estar o ponto mais sens\u00edvel do filme. Apesar de parte da comunidade surda reconhecer a import\u00e2ncia e valor do filme em colocar a experi\u00eancia deste grupo em foco, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/jfbeacom\">Jenna Beacom<\/a>, surda, pesquisadora em surdez e consultora sobre surdez para produ\u00e7\u00f5es audiovisuais relatou seu desapontamento ao <a href=\"https:\/\/www.usatoday.com\/story\/entertainment\/movies\/2021\/08\/17\/coda-movie-deaf-communities-praise-criticize-new-film-apple-tv\/5550394001\/\">USA Today.<\/a> A estudiosa pontuou \u201cMinhas expectativas eram altas, mas foram frustradas\u201d e disse o porqu\u00ea: \u201cO filme torna a fam\u00edlia completamente dependente de Ruby e isso foi ofensivo.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[Aten\u00e7\u00e3o] Cont\u00e9m spoiler\u00a0 Vencedor do Oscar 2022 de Melhor Filme, \u201cNo Ritmo do Cora\u00e7\u00e3o (CODA)\u201d, dirigido pela cineasta Sian Heder, trata da narrativa de Ruby (Emilia Jones), \u00fanica pessoa ouvinte em sua fam\u00edlia. O roteiro nos apresenta a necessidade dram\u00e1tica da protagonista logo no in\u00edcio do longa &#8211; a decis\u00e3o de deixar sua fam\u00edlia para &#8230; <a title=\"Oscar: melhor filme, \u201cNo Ritmo do Cora\u00e7\u00e3o\u201d p\u00f5e surdez em foco\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2022\/04\/01\/oscar-melhor-filme-no-ritmo-do-coracao-poe-surdez-em-foco\/\" aria-label=\"More on Oscar: melhor filme, \u201cNo Ritmo do Cora\u00e7\u00e3o\u201d p\u00f5e surdez em foco\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":16859,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[246],"tags":[],"class_list":["post-16856","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-criticahumanista"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16856","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16856"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16856\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16859"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16856"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16856"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16856"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}