﻿{"id":16992,"date":"2022-04-08T13:57:51","date_gmt":"2022-04-08T16:57:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=16992"},"modified":"2022-04-08T13:57:55","modified_gmt":"2022-04-08T16:57:55","slug":"a-antonomasia-de-lygia-fagundes-telles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2022\/04\/08\/a-antonomasia-de-lygia-fagundes-telles\/","title":{"rendered":"A antonom\u00e1sia de Lygia Fagundes Telles"},"content":{"rendered":"\n<p>Lygia Fagundes Telles. Autora que versou sobre diversos temas ao longo dos seus mais de 80 anos de produ\u00e7\u00e3o ininterrupta, deixando um legado com mais de 20 livros de contos e quatro romances. A bem da verdade, transitou com facilidade e maestria entre os mais diversos g\u00eaneros liter\u00e1rios, mas foi no conto onde encontrou uma senda para seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>Faleceu no \u00faltimo domingo (3) deixando um legado ainda imensur\u00e1vel, e n\u00e3o s\u00f3 para a literatura propriamente dita, mas para os direitos humanos em amplo sentido. O <strong>Humanista<\/strong>, portanto, n\u00e3o poderia deixar de refletir sobre a obra da romancista, da contista\u2026 da mulher. A \u201cdama da literatura brasileira&#8221;.<br><br>Considerada por muitos cr\u00edticos como uma das maiores escritoras da hist\u00f3ria brasileira, a autora nasceu em 1918, um tempo em que a experi\u00eancia feminina ainda estava restrita ao labor do lar &#8211; n\u00e3o havendo possibilidades fora da vida dom\u00e9stica e familiar. Nesse sentido, a ocupante da cadeira 16 da <a href=\"https:\/\/www.academia.org.br\/\"><strong>ABL (Academia Brasileira de Letras)<\/strong><\/a> publicou pela primeira vez em 1938 &#8211; quando ainda adolescente &#8211; uma colet\u00e2nea de contos no livro<em> <\/em>intitulado de <em>Por\u00e3o e Sobrado (1938), <\/em>que pela pr\u00f3pria decis\u00e3o da autora n\u00e3o seria reeditado.<br><br>Poucas pessoas s\u00e3o capazes de terem seus nomes substitu\u00eddos por antonom\u00e1sias t\u00e3o not\u00e1veis, Lygia foi uma delas, conhecida como a \u201cdama da literatura brasileira\u201d, a autora publica seu segundo livro e primeiro romance em 1954 &#8211; <em>Ciranda de Pedra (1954)<\/em>. \u00c0 frente de seu tempo a obra lan\u00e7a m\u00e3o de temas como lesbianismo e suic\u00eddio, num livro que segundo Antonio Candido, cr\u00edtico liter\u00e1rio e j\u00e1 aposentado professor da Faculdade de Letras da USP, corresponde a um dos grandes marcos da trajet\u00f3ria da autora.<br><br>Foi na d\u00e9cada seguinte, durante a ditadura militar, que Lygia publicou outros dois livros &#8211; <em>Ver\u00e3o no Aqu\u00e1rio (1964) e As Meninas (1973). <\/em>Este \u00faltimo, foi laureado com o <a href=\"https:\/\/www.premiojabuti.com.br\/\"><strong>Pr\u00eamio Jabuti<\/strong><\/a> de 1973 e \u00e9 tido como um dos grandes cl\u00e1ssicos da fic\u00e7\u00e3o brasileira. A obra conta a hist\u00f3ria de tr\u00eas mulheres numa estrutura de mon\u00f3logo e possui um car\u00e1ter subversivo: pautando temas como a censura e tortura.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cEscrevi que toda minha vida convergia para ele e que era s\u00f3 dele que iria se irradiar de hoje em diante. Quero te dizer tamb\u00e9m que n\u00f3s, as criaturas humanas, vivemos muito (ou deixamos de viver) em fun\u00e7\u00e3o das imagina\u00e7\u00f5es geradas pelo nosso medo. Imaginamos consequ\u00eancias, censuras, sofrimentos que talvez n\u00e3o venham nunca e assim fugimos ao que \u00e9 mais vital, mais profundo, mais vivo. A verdade, meu querido, \u00e9 que a vida, o mundo dobra-se sempre \u00e0s nossas decis\u00f5es. N\u00e3o nos esque\u00e7amos das cicatrizes feitas pela morte. Nossa plenitude, eis o que importa. Elaboremos em n\u00f3s as for\u00e7as que nos far\u00e3o plenos e verdadeiros.\u201d(As Meninas, p\u00e1gina 69).<\/em><em><br><\/em><br>Seu \u00faltimo romance, <em>\u201cAs Horas Nuas\u201d,<\/em> foi publicado em 1989; e sua \u00faltima colet\u00e2nea de contos publicada em 2012 &#8211; que recebeu o t\u00edtulo de <em>\u201cUm Cora\u00e7\u00e3o Ardente\u201d.<\/em> A dama da literatura brasileira, recebeu ainda outra alcunha em decorr\u00eancia de seu estilo &#8211; dama das filigranas liter\u00e1rias &#8211; por conta das tessituras ou teares narrativos presentes em seus contos. H\u00e1 que se notar ainda que se faz imposs\u00edvel falar de Lygia Fagundes Telles sem apontar o forte teor ativista de suas obras. N\u00e3o somente em <em>As Meninas<\/em> e <em>Ciranda de Pedra<\/em> a autora aponta para esse tema, mas antes mesmo desses dois trabalhos, como em <em>\u201cA Confiss\u00e3o de Leontina\u201d (1948), <\/em>&nbsp;a escritora j\u00e1 apresentava a hist\u00f3ria de uma mulher que sofria diversas viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Lygia Fagundes Telles recebeu ao longo de sua vida diversas premia\u00e7\u00f5es: foram tr\u00eas Pr\u00eamios Jabuti (1966, 1974 e 2001) e o Pr\u00eamio Cam\u00f5es (2005), maior l\u00e1urea liter\u00e1ria da L\u00edngua Portuguesa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lygia Fagundes Telles. Autora que versou sobre diversos temas ao longo dos seus mais de 80 anos de produ\u00e7\u00e3o ininterrupta, deixando um legado com mais de 20 livros de contos e quatro romances. A bem da verdade, transitou com facilidade e maestria entre os mais diversos g\u00eaneros liter\u00e1rios, mas foi no conto onde encontrou uma &#8230; <a title=\"A antonom\u00e1sia de Lygia Fagundes Telles\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2022\/04\/08\/a-antonomasia-de-lygia-fagundes-telles\/\" aria-label=\"More on A antonom\u00e1sia de Lygia Fagundes Telles\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":16993,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[246],"tags":[],"class_list":["post-16992","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-criticahumanista"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16992","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16992"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16992\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16993"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16992"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16992"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16992"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}