﻿{"id":17105,"date":"2022-04-14T17:23:41","date_gmt":"2022-04-14T20:23:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=17105"},"modified":"2022-04-14T17:42:44","modified_gmt":"2022-04-14T20:42:44","slug":"centro-de-desenvolvimento-da-expressao-chega-aos-61-mirando-melhor-idade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2022\/04\/14\/centro-de-desenvolvimento-da-expressao-chega-aos-61-mirando-melhor-idade\/","title":{"rendered":"Centro de Desenvolvimento da Express\u00e3o chega aos 61 mirando melhor idade"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 quem considere que ultrapassar a marca dos 60 anos representa a chegada da \u201cmelhor idade\u201d, em analogia \u00e0 terceira idade. Pois o <a href=\"https:\/\/cultura.rs.gov.br\/cde\"><strong>CDE (Centro de Desenvolvimento da Express\u00e3o)<\/strong><\/a> comemorou essa semana (no dia 12 de abril) seus 61 anos voltando a fazer arte-educa\u00e7\u00e3o. Isso porque o \u00f3rg\u00e3o mantido pela Secretaria de Cultura do Rio Grande do Sul retomou em mar\u00e7o as atividades presenciais depois de um longo per\u00edodo de suspens\u00e3o devido \u00e0 pandemia de covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>Humanista<\/strong> foi saber como est\u00e1 sendo o processo e descobriu que ele remonta a um momento semelhante vivido em 1992, quando depois de quase um ano fechado, o CDE retomava lentamente suas atividades com a chegada de uma nova professora, Luiza Coutinho. Logo ap\u00f3s o desligamento do espa\u00e7o da Secretaria de Estado da Educa\u00e7\u00e3o, se tornou responsabilidade da Secretaria de Cultura e acabou perdendo v\u00e1rios dos seus professores. \u201cN\u00e3o tinha gente para dar aula. Ficaram s\u00f3 tr\u00eas pessoas, tr\u00eas arte-educadores antigos que estavam todos em vias de se aposentar, todos na fase dos 70 anos. A\u00ed eu indo para l\u00e1 n\u00f3s come\u00e7amos a reativar\u201d, lembra Luiza.<\/p>\n\n\n\n<p>Trinta anos depois, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 parecida: sob uma nova dire\u00e7\u00e3o, a institui\u00e7\u00e3o se esfor\u00e7a para retomar suas oficinas depois da pandemia de covid-19 que, somada \u00e0 sa\u00edda da sua \u00faltima professora, a Luiza, obrigou o espa\u00e7o a fechar as portas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio do <a href=\"https:\/\/cultura.rs.gov.br\/centro-de-desenvolvimento-da-expressao-promove-oficinas-gratuitas-sobre-arte-e-tecnologia\"><strong>ciclo de oficinas art\u00edsticas ELO<\/strong><\/a>, que teve in\u00edcio em mar\u00e7o, o n\u00facleo educativo espera dar o pontap\u00e9 inicial no retorno das atividades presenciais. \u201cA retomada das atividades do CDE neste momento \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica atrav\u00e9s da qual a gente recupera uma institui\u00e7\u00e3o super importante que desenvolveu, por mais de 60 anos, a forma\u00e7\u00e3o de professores, a recep\u00e7\u00e3o cr\u00edtica atrav\u00e9s de atividades l\u00fadicas, atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o\u201d, comemora a produtora cultural Daniela Alana, respons\u00e1vel pela nova programa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. \u201cA gente recupera todo um potencial social que o CDE tem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>61 anos de hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Criado em 1961, o Centro de Desenvolvimento iniciou suas atividades como Escolinha de Arte da Divis\u00e3o de Cultura da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul, sendo refer\u00eancia em arte-educa\u00e7\u00e3o no estado. Fazendo casa em diversos espa\u00e7os da cidade ao longo dos anos, o CDE oferecia oficinas para crian\u00e7as, adolescentes e adultos, al\u00e9m&nbsp; de cursos para a qualifica\u00e7\u00e3o de professores de arte.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Promovendo a experimenta\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o e a integra\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de atividades com m\u00faltiplas t\u00e9cnicas art\u00edsticas, como pintura, desenho, modelagem, cer\u00e2mica, xilogravura, t\u00eaxtil, escrita criativa, culin\u00e1ria, teatro e m\u00fasica, o CDE marcou gera\u00e7\u00f5es &#8211; muitas das quais percorreram seus ateli\u00eas da inf\u00e2ncia at\u00e9 a idade adulta. Sua atua\u00e7\u00e3o foi fundamental para tornar o Rio Grande do Sul l\u00edder do Movimento Escolinhas de Arte, que tinha como principal objetivo incentivar o desenvolvimento da express\u00e3o criadora atrav\u00e9s da liberdade e afetividade, facilitando, assim, o afloramento do ser sens\u00edvel e singular presente em cada indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/rn3WnZ9idGG9D00FBs_LuVxVPAVHTnzgZ9uNjtmmL0438HRYJTWp9UYApK5SwMRDOTwv_VBpyLszavYnrlddItdTgn0pTHvUWOrjkZDmX63v1jYnsrza7OkFwfsrzV6289i7ddZD\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO CDE \u00e9 um ambiente em que tu coloca tudo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, em ordem, arrumado, bonito. A pessoa chega e se sente \u00e0 vontade para escolher o que ela quiser fazer e fazer como ela quiser. A gente s\u00f3 orienta assim \u201cmolha o pincel, seca no paninho\u2026\u201d essa parte mais t\u00e9cnica. Mas n\u00e3o se interfere no que ela vai fazer ou como vai fazer. De jeito nenhum. Esse era o nosso diferencial das escolas\u201d explica Luiza Coutinho, que afirma que as \u00fanicas janelas para a alma s\u00e3o o sonho e o desenho. Para ela, s\u00e3o poucos os lugares que fazem um trabalho que nem o do CDE, com o mesmo cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA responsabilidade de tudo que a gente falava pra crian\u00e7a e a confian\u00e7a que se estabelecia era tal que os adolescentes vinham conversar conosco para pedir orienta\u00e7\u00e3o. Cansei de encaminhar crian\u00e7as para atendimento no centro de sa\u00fade. N\u00f3s atendiamos muitas crian\u00e7as de abrigo que vinham com sequelas enormes de abandono, abuso sexual e por a\u00ed vai. Tinha todo um atendimento diferenciado para essa crian\u00e7a\u201d, explica a professora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Objeto de estudo por parte de psic\u00f3logos, pedagogos, artistas, educadores, o desenho infantil \u00e9 um meio de express\u00e3o. Ao pegar uma folha de papel e um l\u00e1pis, a crian\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 preocupada com o que os outros v\u00e3o pensar do seu desenho, com o que ela quer representar. Sua arte s\u00f3 pode ser vista com rela\u00e7\u00e3o a ela mesma e \u00e0 sua etapa de evolu\u00e7\u00e3o. Por isso, pode-se saber muito de uma crian\u00e7a pelos desenhos que ela faz. \u00c9 poss\u00edvel, atrav\u00e9s do acompanhamento de seu desenvolvimento, perceber sua maneira de ver a vida, seu cotidiano e at\u00e9 mesmo suas predile\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga e ex-professora Mara Evanise Weinreb acredita que a arte-educa\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial por abrir possibilidade de conhecermos o ser criativo que todos n\u00f3s somos e de exercit\u00e1-lo atrav\u00e9s das mais variadas t\u00e9cnicas art\u00edsticas. \u201c\u00c9 um momento de crescimento, de enriquecimento pessoal muito importante, de melhoria da autoestima, de acreditar em si, de perceber o mundo de outra forma. Porque a criatividade faz com que a gente enxergue coisas que muitas vezes a maioria das pessoas n\u00e3o enxerga se n\u00e3o usarem o talento criativo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/16euTKOSReAiN48-B4Xom3RIg8mdd7ROYkzm0odJXNLvaR-zn_7krMwxLF2gQqjmrxip0hxl7KTTFvgkAGJNbwIT5Pcp1SPzGioefP6SzdXve6d2xqo-oN6K0KPbqK2KqEkkIyie\" alt=\"\"\/><figcaption>Andr\u00e9 Luis Pereira, 9 anos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, o arte-educador \u00e9 figura essencial, pois \u00e9 ele quem ajuda os alunos a estabelecerem a rela\u00e7\u00e3o existente entre eles e o ambiente que os cerca e, para que esta rela\u00e7\u00e3o seja boa e favor\u00e1vel ao trabalho, o profissional precisa estar apto a perceber as facilidades e dificuldades de cada crian\u00e7a. \u00c9 observando atentamente os h\u00e1bitos e o processo de trabalho de seus alunos que o professor \u00e9 capaz de perceber as particularidades de cada um e, assim, pode ajud\u00e1-los a resolver suas d\u00favidas e ati\u00e7ar sua curiosidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meados dos anos 2000, a diretora da \u00e9poca, Marisa Silva, pediu a Mara que observasse um dos alunos mais antigos do CDE, Manoel Rosa. J\u00e1 com quase 60 anos, ele frequentava o espa\u00e7o desde os 14. \u201cO CDE era um segundo lar pra ele. Ele tinha uma quest\u00e3o neurol\u00f3gica de desenvolvimento mas, em termos de arte, ele tinha muito a ensinar\u2026 Tinha um potencial art\u00edstico maravilhoso\u201d. A produ\u00e7\u00e3o de Manoel, que dominava a cer\u00e2mica,&nbsp; a xilogravura, o desenho, a colagem e a pintura, segue no acervo do CDE. Foi a sua trajet\u00f3ria que levou Mara ao mestrado em artes visuais, durante o qual ela colheu depoimentos de professores e funcion\u00e1rios e p\u00f4de perceber uma hist\u00f3ria de inclus\u00e3o e crescimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu acredito que as escolas de arte, em especial o CDE, eles contribuem de uma maneira muito significativa na forma\u00e7\u00e3o tanto da crian\u00e7a, dos jovens, e inclusive dos adultos, porque \u00e9 onde as pessoas conseguem ter um espa\u00e7o para serem elas mesmas. Desde a inf\u00e2ncia at\u00e9 a terceira idade, n\u00e3o tem uma faixa privilegiada para as pessoas poderem usufruir da arte educa\u00e7\u00e3o, ela \u00e9 sempre bem vinda em todos os momentos da vida, como o momento de ser livre, o momento de poder ser criativo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 61 anos, o CDE se reergue outra vez, em meio a tantos percal\u00e7os e obst\u00e1culos. Desta vez, a expectativa \u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o efetiva da institui\u00e7\u00e3o como refer\u00eancia em arte-educa\u00e7\u00e3o no estado, em busca do apoio governamental para conservar o espa\u00e7o, sua infraestrutura, sua relev\u00e2ncia e sua hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quem considere que ultrapassar a marca dos 60 anos representa a chegada da \u201cmelhor idade\u201d, em analogia \u00e0 terceira idade. Pois o CDE (Centro de Desenvolvimento da Express\u00e3o) comemorou essa semana (no dia 12 de abril) seus 61 anos voltando a fazer arte-educa\u00e7\u00e3o. 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