﻿{"id":17114,"date":"2022-04-15T09:00:00","date_gmt":"2022-04-15T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=17114"},"modified":"2022-04-14T17:29:16","modified_gmt":"2022-04-14T20:29:16","slug":"doutor-jivago-quando-a-arte-ajuda-a-entender-a-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2022\/04\/15\/doutor-jivago-quando-a-arte-ajuda-a-entender-a-guerra\/","title":{"rendered":"\u201cDoutor Jivago\u201d: quando a arte ajuda a entender a guerra"},"content":{"rendered":"\n<p>Prestes a completar dois meses, a <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/internacional\/entenda-a-guerra-da-ucrania-em-10-pontos\/\"><strong>Guerra da Ucr\u00e2nia<\/strong><\/a> segue mobilizando aten\u00e7\u00f5es mundo afora e os seus aspectos culturais j\u00e1 foram interesse da coluna #Cr\u00edticaHumanista, logo na <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2022\/03\/25\/a-memoria-ucraniana-em-risco\/\"><strong>estreia da atual temporada<\/strong><\/a>. \u00c9 a arte ajudando a entender a guerra.. Caso, desta vez, de \u201cDoutor Jivago\u201d, livro que inspira tamb\u00e9m um filme, de mesmo nome, <a href=\"https:\/\/play.hbomax.com\/page\/urn:hbo:page:GXjS6HgLnHI-njwEAAATG:type:feature?camp=googleHBOMAX\"><strong>dispon\u00edvel na plataforma de streaming HBO Max<\/strong><\/a>, cuja trama se passa na mesma regi\u00e3o do globo.<\/p>\n\n\n\n<p>Publicado em 1957, o romance \u201cDoutor Jivago\u201d, do russo B\u00f3ris Pasternak conta a hist\u00f3ria de um m\u00e9dico idealista em meio aos processos que seguem a Revolu\u00e7\u00e3o Russa (1917) e suas consequ\u00eancias. A princ\u00edpio, B\u00f3ris dedicou-se \u00e0 poesia, antes de encontrar na prosa um caminho para seguir. O autor teve seu livro censurado pelo governo sovi\u00e9tico e s\u00f3 foi publicado pela primeira vez em 1957, na It\u00e1lia. Ainda na d\u00e9cada de 1950 apareceram as primeiras edi\u00e7\u00f5es da obra no Brasil &#8211; com tradu\u00e7\u00f5es de Heitor Martins, Milton Amado e Oscar Mendes.<\/p>\n\n\n\n<p>Causador de controv\u00e9rsia entre os cr\u00edticos da \u00e9poca, Pasternak foi citado na obra de <a href=\"https:\/\/www.infoescola.com\/biografias\/eric-hobsbawm-2\/\">Eric Hobsbawn<\/a> &#8211; <a href=\"https:\/\/edisciplinas.usp.br\/pluginfile.php\/4071685\/mod_resource\/content\/1\/Era%20dos%20Extremos%20%281914-1991%29%20-%20Eric%20J.%20Hobsbawm.pdf\">A Era dos Extremos<\/a> &#8211; como um autor de relev\u00e2ncia indiscut\u00edvel para a literatura mundial. Al\u00e9m disso, foi motivo de discuss\u00f5es entre Vladimir Nabukov, autor da obra \u201cLolita\u201d e Edmond Wilson, cr\u00edtico liter\u00e1rio. Em 1958, B\u00f3ris recebeu o <a href=\"https:\/\/www.nobelprize.org\/\">Pr\u00eamio Nobel de Literatura<\/a> e viu sua obra coroada com tal honraria ap\u00f3s concorrer em 1946, 1947, 1948, 1949, 1950 e 1957.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, em meio ao contexto da Guerra Fria, a premia\u00e7\u00e3o foi vista pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica como uma manobra pol\u00edtica arquitetada pelos detratores do regime. Afinal, o Nobel de Literatura \u00e9 concedido pelo conjunto da obra do autor; o que representava naquele momento uma proximidade de B\u00f3ris com o ocidente e sua crescente popularidade no mundo capitalista. Por fim, Pasternak foi expulso da Uni\u00e3o dos Escritores da URSS, pronunciado traidor em reuni\u00f5es e foi chamado a depor em um processo criminal. Em meio a tamanha press\u00e3o, ele recusou o Nobel.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito ao enredo, o livro d\u00e1 conta da vida do m\u00e9dico e poeta, Yuri Jivago. Nesse sentido, Jivago acompanha de perto os momentos mais cruciais e marcantes da hist\u00f3ria sovi\u00e9tica, como a Primeira Guerra Mundial e a Revolu\u00e7\u00e3o Russa, movimento no qual o protagonista investe uma esperan\u00e7a que logo se converte em decep\u00e7\u00e3o. Apesar disso, seu descontentamento n\u00e3o se traduz em ades\u00e3o aos detratores dos bolcheviques &#8211; os brancos &#8211; cujas barb\u00e1ries tamb\u00e9m s\u00e3o narradas pelo autor.<\/p>\n\n\n\n<p>No final das contas temos um grande panorama da sociedade russa p\u00f3s-revolucion\u00e1ria numa trama que disseca os dramas vividos durante a Revolu\u00e7\u00e3o Russa pelas lentes de Yuri. O m\u00e9dico se esfor\u00e7ava para viver conforme os ditames do regime e ao mesmo tempo n\u00e3o encontrava alento na esperan\u00e7a, diante de tantas injusti\u00e7as vivenciadas naquele tempo e relatadas no romance. O enredo se concentra tamb\u00e9m no romance de Yuri com Lara, uma jovem enfermeira. A hist\u00f3ria dos dois amantes \u00e9 desenhada como uma resist\u00eancia marcada pelo amor e pela cren\u00e7a no indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, B\u00f3ris n\u00e3o estabelece sua obra como um romance pol\u00edtico, contudo existem diversas interpreta\u00e7\u00f5es acerca do posicionamento pol\u00edtico do livro.&nbsp; Para Isaac Deutscher (1907-1967), a mensagem do livro \u00e9 antimarxista. Outros cr\u00edticos ainda dizem que a personagem, Lara, foi baseada em Larissa Reisner, bolchevique de origem aristocr\u00e1tica morta de tifo aos 31 anos, lembrada por Tr\u00f3tski em &#8220;Minha Vida&#8221; e tida por Pasternak como &#8220;a primeira e talvez a \u00fanica mulher da revolu\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prestes a completar dois meses, a Guerra da Ucr\u00e2nia segue mobilizando aten\u00e7\u00f5es mundo afora e os seus aspectos culturais j\u00e1 foram interesse da coluna #Cr\u00edticaHumanista, logo na estreia da atual temporada. \u00c9 a arte ajudando a entender a guerra.. Caso, desta vez, de \u201cDoutor Jivago\u201d, livro que inspira tamb\u00e9m um filme, de mesmo nome, dispon\u00edvel &#8230; <a title=\"\u201cDoutor Jivago\u201d: quando a arte ajuda a entender a guerra\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2022\/04\/15\/doutor-jivago-quando-a-arte-ajuda-a-entender-a-guerra\/\" aria-label=\"More on \u201cDoutor Jivago\u201d: quando a arte ajuda a entender a guerra\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[246],"tags":[],"class_list":["post-17114","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-criticahumanista"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17114","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17114"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17114\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}