﻿{"id":17117,"date":"2022-04-18T16:00:00","date_gmt":"2022-04-18T19:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=17117"},"modified":"2022-04-14T17:36:46","modified_gmt":"2022-04-14T20:36:46","slug":"futebol-para-todas-projeto-oferece-treinos-gratuitos-para-meninas-de-baixa-renda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2022\/04\/18\/futebol-para-todas-projeto-oferece-treinos-gratuitos-para-meninas-de-baixa-renda\/","title":{"rendered":"Futebol para todas: projeto oferece treinos gratuitos para meninas de baixa renda"},"content":{"rendered":"\n<p>Embora o futebol seja o esporte mais popular do Brasil, mulheres que querem pratic\u00e1-lo ainda encontram dificuldades. Isso porque s\u00f3 recentemente o feminino passou a chamar a aten\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Desde que a bola rolou pela primeira vez por aqui, no in\u00edcio do S\u00e9culo 20, o futebol para mulheres j\u00e1 foi proibido por decreto duas vezes &#8211; em 1941 e 1965.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente em 1983, a pr\u00e1tica feminina foi regulamentada, permitindo que mulheres pudessem competir, criar calend\u00e1rios, utilizar est\u00e1dios e ensin\u00e1-la nas escolas. Hoje, ainda \u00e9 dif\u00edcil encontrar centros de futebol para meninas, principalmente gratuitas. \u00c9 o caso do <a href=\"https:\/\/vrprojetos.com.br\/projeto\/331\/abc-da-bola-com-as-meninas\"><strong>ABC da Bola com as Meninas<\/strong><\/a>, que o<strong> Humanista<\/strong> descobriu ao investigar o cen\u00e1rio de Porto Alegre (RS). O projeto social atende meninas dos 10 aos 17 anos, de baixa renda, em quatro n\u00facleos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O espa\u00e7o na Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre pode ser considerado uma gota no oceano de \u00e1guas masculinas, \u00e9 verdade, mas chega num momento promissor no Brasil e no mundo. No final de mar\u00e7o, por exemplo, uma final entre Barcelona e Real Madrid, na Espanha, atingiu o maior p\u00fablico da hist\u00f3ria do futebol feminino: mais de 91,5 mil pessoas foram ao est\u00e1dio <em>Camp Nou<\/em>. O p\u00fablico superou o da final da Copa do Mundo Feminina de 1999, entre EUA e China, que detinha o recorde anterior.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ABC da Bola com as Meninas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cada marca faz com que o esporte seja cada vez mais reconhecido. Para a professora e pesquisadora de futebol feminino, Silvana Goellner, a modalidade precisa de representatividade, decorrente da oportunidade. &#8220;Quanto mais meninas estiverem no futebol, mais essa pr\u00e1tica vai se tornando normal como qualquer outra&#8221;, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Gabrielle, o amor pelo futebol feminino come\u00e7ou antes mesmo de praticar. Com nove anos de idade, ela j\u00e1 via o irm\u00e3o, de 13, jogar futebol. Na \u00e9poca, quando Silvia Teresinha Barth, m\u00e3e de Gabrielle, decidiu pagar uma escolinha de futebol para a filha, ela e a fam\u00edlia moravam em Porto Alegre. Por complica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, n\u00e3o conseguiram mais pagar os treinos e voltaram para Gravata\u00ed, cidade natal da m\u00e3e da fam\u00edlia. Mesmo distante da capital, a vontade de Gabrielle de jogar n\u00e3o tinha ficado para tr\u00e1s. &#8220;Ela ficou triste porque ela queria jogar futebol e eu n\u00e3o conseguia pagar pelas aulas&#8221;, explica a m\u00e3e.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o filho mais velho e irm\u00e3o de Gabrielle, Gustavo, a fam\u00edlia logo conseguiu uma escola gratuita em Gravata\u00ed, mas n\u00e3o havia nenhuma de futebol feminino. Gabrielle treinou por um tempo com meninos, mas n\u00e3o se adaptou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi procurando projetos de futebol femino que Silvia encontrou o ABC da Bola com as Meninas. Assim que leu sobre o projeto, logo inscreveu a filha. \u201cEla ficou super empolgada quando contei pra ela que tinha feito a inscri\u00e7\u00e3o no projeto. Ela ama jogar futebol, t\u00e1 na veia dela\u201d, conta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O ABC da Bola com as Meninas \u00e9 um projeto social que iniciou em 2019 com o objetivo de incentivar a participa\u00e7\u00e3o feminina no futebol desde cedo. Para Silvana, os projetos sociais s\u00e3o fundamentais para inserir as meninas desde crian\u00e7as no esporte, criar representatividade e dar oportunidade para quem n\u00e3o pode pagar pelos treinos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNos principais p\u00f3los de futebol feminino as meninas come\u00e7am a jogar com 3, 4 anos. Quanto mais possibilidades tiver para as meninas jogarem futebol desde cedo, melhor ser\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 a visibilidade da modalidade mas tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e t\u00e1ticas\u201d destaca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto surgiu a partir de Duda Luizelli. Ela foi coordenadora das sele\u00e7\u00f5es femininas da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol e atua na \u00e1rea h\u00e1 mais de 30 anos. Para Duda, um dos seus grandes desafios \u00e9 fomentar o futebol feminino no Brasil. \u201cUma menina hoje muitas vezes n\u00e3o tem onde jogar futebol se n\u00e3o for em um grande clube\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste ano, o projeto ter\u00e1 sedes de treinamentos tamb\u00e9m em Barra do Ribeiro, Eldorado do Sul e Gua\u00edba. O ABC da Bola com as Meninas \u00e9 destinado para meninas dos 10 aos 17 anos. Ser\u00e3o distribu\u00eddas 160 vagas nas quatro cidades. Para se inscrever, o pr\u00e9-requisito \u00e9 ser estudante da rede p\u00fablica de ensino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Duda, o projeto pretende dar oportunidade para quem n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de pagar por treinos de futebol. \u201cAs meninas ganham todo material: ganham uniforme, caneleira, chuteira\u201d conta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Gabrielle come\u00e7ou a treinar, tudo era novidade. Ganhou uniforme completo e a sua primeira chuteira. \u201cEla foi para o treino com um t\u00eanis normal, que era o que ela tinha em casa. Quando ela recebeu a chuteira, ficou muito feliz\u201d, fala a m\u00e3e.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Gabrielle participa do projeto desde o ano passado. Ela est\u00e1 aguardando abrirem as inscri\u00e7\u00f5es para iniciar o projeto neste ano. De acordo com a organiza\u00e7\u00e3o do projeto, os treinos iniciam no dia 27 de abril de 2022 e ser\u00e1 realizada uma seletiva para preencher as vagas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre o projeto&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Idade: meninas de 10 a 17 anos&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Requisitos: estar matriculada na rede p\u00fablica de ensino&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como se inscrever: as pr\u00e9-inscri\u00e7\u00f5es est\u00e3o dispon\u00edveis <a href=\"https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/e\/1FAIpQLScahEARfsk25tUZ_A7ZEOcw-ue6NmY3i228z_oNzLGp3AP3BA\/viewform\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora o futebol seja o esporte mais popular do Brasil, mulheres que querem pratic\u00e1-lo ainda encontram dificuldades. Isso porque s\u00f3 recentemente o feminino passou a chamar a aten\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. 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