﻿{"id":17417,"date":"2022-04-28T13:55:17","date_gmt":"2022-04-28T16:55:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=17417"},"modified":"2022-04-28T13:55:20","modified_gmt":"2022-04-28T16:55:20","slug":"ciclistas-ainda-enfrentam-desafios-diarios-em-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2022\/04\/28\/ciclistas-ainda-enfrentam-desafios-diarios-em-porto-alegre\/","title":{"rendered":"Ciclistas ainda enfrentam desafios di\u00e1rios em Porto Alegre"},"content":{"rendered":"\n<p>No S\u00e9culo 20, as cidades brasileiras foram planejadas privilegiando ve\u00edculos motorizados. Por\u00e9m, mais recentemente, aumenta cada vez mais o n\u00famero de pessoas que v\u00eaem na bicicleta o meio ideal para fazer o deslocamento pela cidade. O <strong>Humanista<\/strong> foi atualizar <strong>as condi\u00e7\u00f5es<\/strong> para quem opta por esse modal de transporte ainda pouco utilizado frente ao seu potencial, e com pouco espa\u00e7os para o uso, tamb\u00e9m considerando seu potencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo&nbsp; pesquisa da Multiplicidade Mobilidade Urbana existe <a href=\"https:\/\/observatoriodabicicleta.org.br\/pesquisa-inedita-revela-numero-estimado-de-bicicletas-no-brasil\/#:~:text=Uma%20pesquisa%20feita%20pela%20especialista,de%2033%20milh%C3%B5es%20de%20bicicletas.\"><strong>uma frota de 33 milh\u00f5es de bicicletas no Brasil<\/strong><\/a>. Ao mesmo tempo em que aumenta a frota, as cidades precisam se adaptar ao meio de transporte. Em 2021, houve um <a href=\"https:\/\/mobilidade.estadao.com.br\/meios-de-transporte\/acidentes-com-ciclistas-crescem-30-em-2021\/#:~:text=Estudo%20feito%20pela%20Associa%C3%A7%C3%A3o%20Brasileira,%2C%20as%20ocorr%C3%AAncias%20subiram%2030%25.\"><strong>aumento de 30%<\/strong><\/a> no n\u00famero de acidentes envolvendo ciclistas no pa\u00eds, o que demonstra a necessidade de um repensamento do planejamento vi\u00e1rio das grandes cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo mundo, diversas cidades est\u00e3o planejando suas estruturas vi\u00e1rias para beneficiar pedestres e ciclistas e inibindo o transporte de ve\u00edculos motorizados, como Copenhague, na Dinamarca, em que metade dos habitantes deslocam-se diariamente de bicicleta para ir trabalhar ou estudar, e Amsterd\u00e3, na Holanda, em que quase 60% dos moradores da cidade utilizam esse meio de transporte para se locomover no dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>As bicicletas s\u00e3o vistas por especialistas como um meio de transporte sustent\u00e1vel e uma alternativa ao tr\u00e2nsito ca\u00f3tico das grandes cidades. O professor da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6198461567257652\"><strong>Julio Celso Borello Vargas<\/strong><\/a>, doutor em Engenharia de Transportes, explica as vantagens: &#8220;Evid\u00eancias mostram que o modelo \u2018uma pessoa, um autom\u00f3vel&#8217;, que \u00e9 fundamentalmente norte-americano, n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel. O aumento do uso de bicicletas e a diminui\u00e7\u00e3o do uso do ve\u00edculo individual traz benef\u00edcios para o meio ambiente e para a sa\u00fade das pessoas, al\u00e9m da economia\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O professor ressalta tamb\u00e9m que lojas com espa\u00e7o de acesso a ciclistas tendem a atrair mais clientes: \u201cEm algumas ruas comerciais, se for possibilitado que o consumidor v\u00e1 a p\u00e9 ou de bicicleta, a tend\u00eancia \u00e9 que as vendas sejam maiores\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como \u00e9 pedalar na Capital ga\u00facha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, Porto Alegre conta com 68 quil\u00f4metros de ciclovias e ciclofaixas, com planejamento de <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/smmu\/noticias\/porto-alegre-deve-ultrapassar-os-100-quilometros-de-ciclovias-ate-2024\"><strong>chegar a 100 quil\u00f4metros at\u00e9 2024<\/strong><\/a>. Por\u00e9m, a estrutura ainda tem problemas. A graduanda em Nutri\u00e7\u00e3o, Alice de Carvalho Souza, vive na zona norte de Porto Alegre e enfrenta dificuldades com a bicicleta no seu dia a dia, \u201cfaz muita falta a exist\u00eancia de ciclovias nas grandes faixas, como a Assis Brasil e Sert\u00f3rio, isso dificulta muito o deslocamento\u201d, conta a estudante.<\/p>\n\n\n\n<p>O baixo n\u00famero de vias para os ciclistas da zona norte fez com que a regi\u00e3o tivesse, em 2021, o maior n\u00famero de acidentes envolvendo bicicletas. Dos 253 casos, <a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/porto-alegre\/noticia\/2022\/03\/numero-de-ciclistas-feridos-em-acidentes-em-porto-alegre-sobe-91-de-janeiro-a-fevereiro-em-relacao-ao-mesmo-periodo-de-2021-cl0gz47k3004k017c4gaop2kq.html\"><strong>76 ocorreram na zona norte<\/strong>.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A descontinuidade das faixas ciclovi\u00e1rias tamb\u00e9m \u00e9 um entrave, \u201co ciclista transita na ciclofaixa da rua Lobo da Costa, mas depois que chega na avenida Jo\u00e3o Pessoa ele n\u00e3o sabe mais pra onde ir\u201d, diz o professor Vargas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Secret\u00e1rio Municipal de Mobilidade Urbana de Porto Alegre, Ad\u00e3o de Castro J\u00fanior, afirma que s\u00e3o pensadas solu\u00e7\u00f5es para o problema, \u201ca inten\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o \u00e9 promover a liga\u00e7\u00e3o dos pontos existentes e interligar as ciclovias com o sistema de transporte coletivo, fortalecendo o uso das bicicletas para deslocamento do cidad\u00e3o ao trabalho, movimento que j\u00e1 vem acontecendo na cidade\u201d, informa J\u00fanior.<\/p>\n\n\n\n<p>O psic\u00f3logo e m\u00fasico Lucas Moreira, de 29 anos, mora no bairro Camaqu\u00e3, em Porto Alegre, e trabalha em Canoas. Al\u00e9m de pedalar por lazer, ele tamb\u00e9m vai de bicicleta at\u00e9 a Esta\u00e7\u00e3o Mercado do Trensurb, onde pega o metr\u00f4 para o trabalho. No dia a dia pedalando, al\u00e9m da hostilidade do tr\u00e2nsito, ele enfrenta a falta de manuten\u00e7\u00e3o de diversos trechos,<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cvejo muitos trechos da ciclovia da avenida Ipiranga como inadequados a n\u00edvel de seguran\u00e7a, com pavimento extremamente irregular, falta de grade de prote\u00e7\u00e3o e alguns postes ao longo do trecho que diminuem o espa\u00e7o de passagem para apenas uma bicicleta em ambos os sentidos, o que pode vir a ocasionar acidentes s\u00e9rios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/jqKgXdjp2PZOKd_13KOLOfIO7iYitdUdPUzQRKt2OfBiBuZ2gP5IADmytbWxDauzbZRg7cNJXK_LUwMZYPTy8djF0bR7f_I06fAZtnxFLQuqHHRxvU892FqpIyR-tg0jKw\" alt=\"\"\/><figcaption><em>Condi\u00e7\u00f5es da ciclovia da avenida Ipiranga repercute nas redes sociais (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Twitter)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Entre janeiro de 2021 e mar\u00e7o de 2022, a Prefeitura de Porto Alegre, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, concluiu mais de 10 quil\u00f4metros de ciclovias, as obras tiveram investimento de aproximadamente R$ 30 milh\u00f5es entre contrapartidas de empresas e recursos pr\u00f3prios do munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>Na regi\u00e3o central, a execu\u00e7\u00e3o da implanta\u00e7\u00e3o de algumas faixas gerou muitas reclama\u00e7\u00f5es entre os ciclistas da Capital. Na rua Lopo Gon\u00e7alves com a General Lima e Silva, na Cidade Baixa, a ciclofaixa instalada traz inseguran\u00e7a a ciclistas e motoristas, por estar localizada entre a \u00e1rea de estacionamento dos carros e a faixa de rodagem.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/WEgVqgyvQuZRz3_JIeeEVuVI2FWBhpzEvX4VUKutRdT9DxQjWScTOLKLCrE9KdFxh2aDnTtuovxRPfdcnCi1E-2vpRn5-DYK_dcBTsamB4e1EeHAUL7Y5x7t_D07SJhAXg\" alt=\"\"\/><figcaption><em>Ve\u00edculos estacionados atrapalham a vida dos ciclistas na rua Lopo Gon\u00e7alves (foto: Daniel Baptista)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a falta de prioridades do planejamento ciclovi\u00e1rio faz os ciclistas questionarem as implanta\u00e7\u00f5es recentes. \u201cEst\u00e3o sendo contemplados trechos aleat\u00f3rios que come\u00e7am do nada e terminam em lugar nenhum, n\u00e3o sendo essas vias e faixas implantadas em locais relevantes para a maior parte da popula\u00e7\u00e3o\u201d, diz Lucas.<\/p>\n\n\n\n<p>Julio critica a lentid\u00e3o da prefeitura em investir nos espa\u00e7os ciclovi\u00e1rios, \u201cn\u00e3o existe uma orienta\u00e7\u00e3o profunda de mudar padr\u00e3o de mobilidade, at\u00e9 porque a orienta\u00e7\u00e3o principal da atual administra\u00e7\u00e3o e da anterior, s\u00e3o vinculadas ao eleitorado da classe m\u00e9dia motorizada. Ent\u00e3o, as pol\u00edticas de sustentabilidade e mobilidade acabam sendo t\u00edmidas e paliativas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio afirma que, al\u00e9m de novos trechos ciclovi\u00e1rios, est\u00e1 sendo planejada a instala\u00e7\u00e3o de novas esta\u00e7\u00f5es e aumento da oferta de bicicletas compartilhadas na cidade. &#8220;A instala\u00e7\u00e3o das novas esta\u00e7\u00f5es, a partir da habilita\u00e7\u00e3o das empresas candidatas, deve ocorrer at\u00e9 o final do ano. Estamos prevendo ainda licitar a implanta\u00e7\u00e3o de biciclet\u00e1rios fechados nos terminais e esta\u00e7\u00f5es do Trensurb, mediante um dos financiamentos que estamos apresentando projetos\u201d, revela o secret\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O futuro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/RFUTfg7NOemZWjawVL6laLJqwCuFdTuLSZCNwDgqzNONImqsk1qt7EhGouYhEZ5dNc8aEr5O-KByuaziHyR3D1dmzfGdZkWUJke1s4vPB28uiBKcbLwFHGOHcELRkXJeHA\" alt=\"\"\/><figcaption><em>Lucas acredita que a cultura do uso da bicicleta precisa ser difundida como modal de transporte relevante dentro do espa\u00e7o urbano (foto: Arquivo Pessoal)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Alice acredita que a bicicleta \u00e9 o ve\u00edculo do futuro, por ser menos poluente, al\u00e9m de pr\u00e1tica para os usu\u00e1rios, mas cobra infraestrutura: \u201cO ideal era ter ciclovias em todas as grandes vias, auxiliaria muito no tr\u00e2nsito pois a popula\u00e7\u00e3o teria a op\u00e7\u00e3o de se locomover de bicicleta.<\/p>\n\n\n\n<p>As bicicletas s\u00e3o vistas como sin\u00f4nimo de sustentabilidade. O pesquisador Julio Vargas acredita que o futuro da mobilidade urbana se baseia na multimodalidade: \u201cMesmo com carro el\u00e9trico. Existe um consenso no mundo de que tem que se reduzir a depend\u00eancia do autom\u00f3vel privado e individual, mas a\u00ed tem que ser oferecer outras op\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio Castro J\u00fanior ressalta o potencial ciclovi\u00e1rio de Porto Alegre: \u201cExistem diversas regi\u00f5es que concentram com\u00e9rcios e servi\u00e7os e isso possibilita que os deslocamentos sejam mais curtos. Esses fatores nos fazem acreditar que \u00e9 poss\u00edvel fazer com que Porto Alegre seja uma cidade reconhecida por termos \u00f3timas condi\u00e7\u00f5es para se pedalar\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No S\u00e9culo 20, as cidades brasileiras foram planejadas privilegiando ve\u00edculos motorizados. Por\u00e9m, mais recentemente, aumenta cada vez mais o n\u00famero de pessoas que v\u00eaem na bicicleta o meio ideal para fazer o deslocamento pela cidade. O Humanista foi atualizar as condi\u00e7\u00f5es para quem opta por esse modal de transporte ainda pouco utilizado frente ao seu &#8230; <a title=\"Ciclistas ainda enfrentam desafios di\u00e1rios em Porto Alegre\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2022\/04\/28\/ciclistas-ainda-enfrentam-desafios-diarios-em-porto-alegre\/\" aria-label=\"More on Ciclistas ainda enfrentam desafios di\u00e1rios em Porto Alegre\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":17418,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[243,233],"tags":[23],"class_list":["post-17417","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mais-recentes","category-mobilidade-urbana","tag-porto-alegre"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17417","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17417"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17417\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17418"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17417"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17417"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17417"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}