﻿{"id":18051,"date":"2022-08-04T18:14:31","date_gmt":"2022-08-04T21:14:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=18051"},"modified":"2022-08-16T18:26:46","modified_gmt":"2022-08-16T21:26:46","slug":"de-volta-ao-passado-com-metade-da-populacao-em-inseguranca-alimentar-brasil-e-a-cara-da-fome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2022\/08\/04\/de-volta-ao-passado-com-metade-da-populacao-em-inseguranca-alimentar-brasil-e-a-cara-da-fome\/","title":{"rendered":"De volta ao passado: com metade da popula\u00e7\u00e3o em inseguran\u00e7a alimentar, Brasil \u00e9 a \u201ccara da fome\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Comer sem saber quando vai se alimentar novamente \u2013 essa \u00e9 a dura realidade que faz parte do cotidiano da maioria dos brasileiros. Apesar da alimenta\u00e7\u00e3o ser um direito garantido pela <strong><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a><\/strong>, 125,2 milh\u00f5es de pessoas vivem sem acesso pleno e permanente a comida no prato, o que representa mais da metade da popula\u00e7\u00e3o do Brasil. E foi diante desse n\u00famero estarrecedor que o <strong>Humanista<\/strong> foi \u00e0s ruas de Porto Alegre (RS) para reportar as implica\u00e7\u00f5es locais da not\u00edcia que gerou como\u00e7\u00e3o em julho: o Brasil est\u00e1 de volta ao <strong><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/jornal-nacional\/noticia\/2022\/07\/06\/brasil-volta-ao-mapa-da-fome-das-nacoes-unidas.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mapa da Fome<\/a><\/strong> da ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas). <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo <a href=\"https:\/\/olheparaafome.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Relatorio-II-VIGISAN-2022.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>inqu\u00e9rito<\/strong><\/a> da Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar), neste ano, 33,1 milh\u00f5es de pessoas passam fome diariamente \u2013 n\u00famero equivalente a tr\u00eas estados do Rio Grande do Sul cheios de pessoas que n\u00e3o t\u00eam o b\u00e1sico para sobreviver. O Mapa da Fome da ONU revela ainda que 4,1% da popula\u00e7\u00e3o enfrenta falta cr\u00f4nica de alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo sendo a regi\u00e3o menos afetada, hoje o Rio Grande do Sul tem 21,7% da sua popula\u00e7\u00e3o vivendo com algum grau de inseguran\u00e7a alimentar. Segundo Juliano de S\u00e1, presidente do <strong><a href=\"https:\/\/igualdade.rs.gov.br\/consea-rs\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Consea-RS (Conselho de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional Sustent\u00e1vel)<\/a><\/strong>, a cada 10 lares ga\u00fachos, falta comida em dois, seja porque as pessoas est\u00e3o comendo em quantidade insuficiente \u2013, seja porque n\u00e3o est\u00e3o jantando, almo\u00e7ando ou tomando caf\u00e9 \u2013 quem realmente n\u00e3o tem nada para comer. <\/p>\n\n\n\n<p>Na teoria, o Estado tem o dever de garantir que o direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o seja exercido, atrav\u00e9s de pol\u00edticas do Plano Estadual de Seguran\u00e7a Alimentar. Por\u00e9m, de acordo com S\u00e1, o plano est\u00e1 vencido, logo, n\u00e3o h\u00e1 uma estrat\u00e9gia vigente. \u201cEm 2019, o Consea-RS organizou uma confer\u00eancia e nela apresentou para o governo novas diretrizes para atualiza\u00e7\u00e3o desse plano, mas n\u00e3o foi levado em considera\u00e7\u00e3o e o plano n\u00e3o foi atualizado&#8221;, conta o presidente do conselho. &#8220;A\u00ed, veio a pandemia e a coisa se agravou ainda mais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Classifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A inseguran\u00e7a alimentar \u00e9 classificada em tr\u00eas n\u00edveis:<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><strong>Leve:<\/strong> inclui<strong> <\/strong>pessoas que n\u00e3o tem certeza de quando v\u00e3o fazer a pr\u00f3xima refei\u00e7\u00e3o, que precisam recorrer \u00e0 ajuda de vizinhos, familiares e\/ou se alimentam em cozinhas solid\u00e1rias.\n\n<strong>Moderada:<\/strong> inclui pessoas que comem de forma insuficiente, abrem m\u00e3o de alguma refei\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o se alimentam adequadamente.\n\n<strong>Grave:<\/strong> pessoas que j\u00e1 est\u00e3o privadas de alimentos e n\u00e3o tem nada para comer.<\/pre>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"918\" height=\"574\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/grafico.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18053\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/grafico.jpg 918w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/grafico-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/grafico-768x480.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 918px) 100vw, 918px\" \/><figcaption><strong>Seguran\u00e7a alimentar no Brasil.<\/strong> Fonte: Rede Penssan. Infografia: Geovana Benites\/Humanista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Gente que faz gente brilhar<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Remando contra a mar\u00e9, as iniciativas solid\u00e1rias agem para colocar comida no prato de quem n\u00e3o tem. E entre elas est\u00e3o as Cozinhas Solid\u00e1rias do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), que iniciou os trabalhos em 2021 e, atualmente, possui 34 cozinhas espalhadas em 13 Estados do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Cl\u00e1udia \u00c1vila, advogada e coordenadora do movimento no RS, o MTST arrecadava cestas b\u00e1sicas e fazia a distribui\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que, em determinado momento, durante a pandemia de covid-19, notou que n\u00e3o era suficiente. \u201cAs pessoas n\u00e3o conseguiam cozinhar os alimentos doados, a realidade \u00e9 muito dura&#8221;, lembra. &#8220;Na periferia at\u00e9 acaba se resolvendo com as pessoas cozinhando de forma alternativa, muitas vezes em risco, mas dentro de um apartamento, nos condom\u00ednios populares, como as pessoas fazem se n\u00e3o t\u00eam g\u00e1s?\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_3183-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18056\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_3183-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_3183-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_3183-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_3183-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_3183-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_3183-1500x1000.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_3183-1020x680.jpg 1020w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption> <strong>Cozinha solid\u00e1ria do MTST come\u00e7ou a funcionar em Porto Alegre (RS) durante a pandemia de covid-19<\/strong>. Foto: Geovana Benites\/Humanista <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em Porto Alegre, a cozinha foi inaugurada, originalmente, em setembro de 2021, como uma ocupa\u00e7\u00e3o em um im\u00f3vel pertencente \u00e0 Uni\u00e3o. Diferente de todas as outras espalhadas pelo pa\u00eds, a cozinha da Azenha foi <strong><a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/geral\/2021\/10\/cozinha-solidaria-da-azenha-e-despejada-mas-seguira-em-imovel-cedido\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a \u00fanica do Brasil a ser despejada<\/a><\/strong>. Apesar disso, com a urg\u00eancia da fome, os trabalhos continuaram com o preparo das refei\u00e7\u00f5es em um im\u00f3vel cedido por uma moradora da regi\u00e3o, possibilitando a distribui\u00e7\u00e3o das marmitas na Pra\u00e7a Princesa Isabel. <\/p>\n\n\n\n<p>A Cozinha Solid\u00e1ria foi finalmente instalada em um im\u00f3vel alugado em junho, e hoje serve em m\u00e9dia 250 marmitas diariamente, sem nenhuma ajuda governamental. Al\u00e9m de um espa\u00e7o que se prop\u00f5e a alimentar, a cozinha \u00e9 mais que comida no prato, conforme explica Eduardo Os\u00f3rio, coordenador estadual do MTST: \u201ca cozinha solid\u00e1ria tamb\u00e9m \u00e9 um espa\u00e7o de encontro, de troca, de intera\u00e7\u00e3o. \u00c9 um espa\u00e7o para alimentar a alma\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cNesse momento a gente est\u00e1 lutando contra a fome, n\u00e9? Emergencialmente esse \u00e9 o nosso objetivo, mas a gente briga para que iniciativas como essa se tornem pol\u00edticas p\u00fablicas e espa\u00e7os de conviv\u00eancia de alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel\u201d<\/p><cite>Eduardo Os\u00f3rio, coordenador estadual do MTST <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O pedreiro Marcos Vin\u00edcius Quadros Ferreira, 34 anos, frequenta a cozinha para fazer as suas refei\u00e7\u00f5es desde o in\u00edcio de julho. Ele \u00e9 ex-apenado e logo quando saiu do c\u00e1rcere, procurou pontos de alimenta\u00e7\u00e3o. Foi assim que conheceu a cozinha. \u201cQuando eu t\u00f4 trabalhando eu me alimento, mas que nem hoje, o servi\u00e7o n\u00e3o fluiu, da\u00ed eu tive que vir aqui&#8221;, conta o pedreiro, revelando seu cotidiano. &#8220;Quando eu tenho dinheiro, a\u00ed eu n\u00e3o venho. Eu n\u00e3o preciso pegar a marmita de outra pessoa, entendeu? Quando v\u00ea faz falta!\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"969\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/MARCOS-1024x969.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18055\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/MARCOS-1024x969.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/MARCOS-300x284.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/MARCOS-768x727.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/MARCOS-1536x1454.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/MARCOS-1500x1420.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/MARCOS.jpg 1540w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><strong>Marcos Vin\u00edcius Quadros Ferreira j\u00e1 procurou refei\u00e7\u00f5es em outros projetos, mas relata que \u00e9 dif\u00edcil encontrar almo\u00e7o durante a semana<\/strong>. Foto: Geovana Benites\/Humanista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ao falar da import\u00e2ncia que o projeto tem na sua vida, Marcos  lembra da refei\u00e7\u00e3o que est\u00e1 prestes a fazer. \u201cMeio-dia, quando \u2018o cara\u2019 t\u00e1 com fome, pelo menos tem arroz, feij\u00e3o e uma mistura para comer. Faz bastante diferen\u00e7a.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa conta com volunt\u00e1rios que contribuem para que tenha comida no prato das pessoas que chegam at\u00e9 a Cozinha Solid\u00e1ria. Desde quem vai atr\u00e1s de doa\u00e7\u00f5es, quem vai nos mercados, quem distribui e quem prepara os alimentos. Todo mundo faz de tudo um pouco, e esse \u00e9 o caso da Isaura Aparecida Machado Martins, 42 anos, que conheceu o MTST, as cozinhas comunit\u00e1rias e come\u00e7ou preparando os alimentos. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que eu fa\u00e7o, o povo tamb\u00e9m faz. O povo se ajuda, e eu gosto\u201d, conta Isaura, sobre o trabalho volunt\u00e1rio que faz no espa\u00e7o. Quando conversou com o <strong>Humanista<\/strong>, ela estava com uma bota ortop\u00e9dica, o que n\u00e3o a impediu de seguir ajudando na montagem das viandas, colaborando nas entregas e conversando com quem parasse para falar com ela.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"733\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ISAURA-1024x733.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18057\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ISAURA-1024x733.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ISAURA-300x215.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ISAURA-768x550.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ISAURA-1536x1100.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ISAURA-2048x1466.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ISAURA-1500x1074.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><strong>Al\u00e9m de ser volunt\u00e1ria na cozinha do MTST, Isaura Aparecida Machado Martins tamb\u00e9m faz marmitas na sua casa, e faz a distribui\u00e7\u00e3o por conta.<\/strong> Foto: Geovana Benites\/Humanista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cQuando a gente estava na outra cozinha, a gente levava tudo nas caixas, n\u00e9? Levava as marmitas para o pessoal pegar, e o pessoal comia, \u00e0s vezes at\u00e9 na chuva&#8221;, explica a volunt\u00e1ria, se referindo ao per\u00edodo em que a cozinha funcionou na Pra\u00e7a Princesa Isabel. &#8220;E agora n\u00f3s conseguimos alugar esse cantinho, ent\u00e3o pelo menos eles n\u00e3o comem na chuva.&#8221; Ela conta ainda que j\u00e1 passou fome, por isso n\u00e3o gosta de ver outras pessoas na mesma situa\u00e7\u00e3o. \u201cA gente luta n\u00e3o s\u00f3 pelo alimento, porque a fome tem pressa, ela n\u00e3o espera. A gente luta por moradia, por casa. Eu tenho a minha, mas n\u00e3o \u00e9 porque eu tenho que eu n\u00e3o vou lutar para que aquela pessoa tenha tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Confer\u00eancia estadual<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima semana de julho, o Rio Grande do Sul realizou a <strong><a href=\"https:\/\/www.conferenciassans-rs.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">8\u00aa Confer\u00eancia Estadual de Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional Sustent\u00e1vel<\/a><\/strong>, que avaliou, sob a condu\u00e7\u00e3o do Consea\/RS, as pol\u00edticas atuais do Estado e discutiu novas diretrizes que podem atuar no combate \u00e0 fome. Decretada pelo governador Ranolfo Vieira J\u00fanior (PSDB) no <strong><a href=\"https:\/\/www.diariooficial.rs.gov.br\/materia?id=720815\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Di\u00e1rio Oficial<\/a><\/strong>, a confer\u00eancia contou com mais de 500 pessoas, que participaram dos dois dias de programa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi uma confer\u00eancia hist\u00f3rica do ponto de vista de participa\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o. Ela envolveu todas as regi\u00f5es do RS, mais de 150 munic\u00edpios, al\u00e9m de diversos segmentos da sociedade, entre eles agricultores familiares, ind\u00edgenas, quilombolas, popula\u00e7\u00e3o de rua e comunidade LGBTQIA+\u201d, conta Juliano de S\u00e1, presidente do Consea-RS. Ap\u00f3s a Confer\u00eancia, os integrantes da comiss\u00e3o foram ao Pal\u00e1cio Piratini entregar uma <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1mSuT1xF7EgfYSqTgVdaFoEZ58Z_A9xd2\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Carta Pol\u00edtica<\/strong><\/a> ao governador do Estado, mas n\u00e3o foram recebidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/FINAL-JULIANO.mp3\"><\/audio><figcaption><strong>Juliano de S\u00e1, presidente do Consea-RS<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Desordem e regresso<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Quem v\u00ea o Brasil hoje, esquece que j\u00e1 fomos refer\u00eancia mundial no combate \u00e0 fome. De acordo com a Rede  Penssan, entre 2004 e 2013 as pol\u00edticas p\u00fablicas de elimina\u00e7\u00e3o da pobreza reduziram a fome para menos da metade: presente de 9,5% para 4,2% dos lares brasileiros. Logo ap\u00f3s a sa\u00edda do Mapa da ONU, a fome voltou a se agravar no Brasil. <\/p>\n\n\n\n<p><strong><strong><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4644020498194384\">Nilson Maciel de Paula<\/a><\/strong><\/strong>, membro da  Penssan e professor da UFPR (Universidade Federal do Paran\u00e1), explica que, a partir de 2016, um gradativo desmonte de a\u00e7\u00f5es e programas sociais de transfer\u00eancia de renda e de est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos marcou a agenda governamental. \u201cA informalidade e o desemprego se tornaram marcas vis\u00edveis do mercado de trabalho, com reflexos diretos no fluxo de renda familiar, nas condi\u00e7\u00f5es de vida, como alimenta\u00e7\u00e3o, moradia e sa\u00fade\u201d, afirma o pesquisador, ouvido pelo <strong>Humanista<\/strong> em julho &#8211; <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2022\/07\/26\/empobrecimento-e-negligencia-do-governo-explicam-fome-no-brasil-avalia-pesquisador\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>leia a entrevista completa<\/strong><\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como estrat\u00e9gias que contribu\u00edram para o combate \u00e0 fome, destaca-se o <a href=\"https:\/\/www.bndes.gov.br\/wps\/portal\/site\/home\/financiamento\/produto\/pronaf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar)<\/strong><\/a>, o <strong><a href=\"http:\/\/mds.gov.br\/assuntos\/seguranca-alimentar\/programa-de-aquisicao-de-alimentos-paa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PAA (Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos)<\/a><\/strong>, e o<strong> <a href=\"https:\/\/www.fnde.gov.br\/index.php\/programas\/pnae?view=default\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PNAE (Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar)<\/a><\/strong>, que atendiam um prop\u00f3sito estrat\u00e9gico de diminui\u00e7\u00e3o de escassez de alimentos e aumentos de pre\u00e7os em conjunturas adversas. Nilson ressalta que o restabelecimento dessas a\u00e7\u00f5es contribuiria fortemente para reduzir os n\u00edveis de inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cN\u00f3s j\u00e1 fizemos esse caminho, a gente sabe como sair, como enfrentar a fome, como sair desse mapa. N\u00f3s s\u00f3 voltamos porque n\u00f3s fizemos o caminho inverso: houve um desmonte de pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d<br><\/p><cite>Juliano de S\u00e1, presidente do Consea-RS<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos, o descaso continuou: foi por meio de uma medida provis\u00f3ria, nos seus primeiros dias na presid\u00eancia, em 2019, que o presidente Jair Bolsonaro (PL) decretou o fim do Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional, principal instrumento de articula\u00e7\u00e3o entre governo e sociedade civil na discuss\u00e3o do tema.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Comparando os dados da \u00faltima estimativa nacional antes da pandemia de covid-19, feita em 2018, quando a inseguran\u00e7a alimentar atingia 36,7% dos lares brasileiros, em 2021 e 2022 o aumento atual chega a 60%. Apesar de ter agravado a fome no pa\u00eds, a pandemia por si s\u00f3 n\u00e3o pode ser classificada como a causa da fome no Brasil. J\u00e1 a desigualdade social, aumentada pelo <strong><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/economia\/ibge-desemprego-durante-a-pandemia-foi-maior-que-o-estimado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">desemprego<\/a><\/strong> e pela pobreza crescente, fez com que milh\u00f5es de fam\u00edlias ficassem sem condi\u00e7\u00f5es de ter uma alimenta\u00e7\u00e3o regular.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Galeria<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Cozinha Solid\u00e1ria da Azenha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-algori-image-video-slider-block-algori-image-video-slider dots-style-1-off-slide arrows-style-1-off-slide\" data-slick=\"{&quot;dots&quot;:true,&quot;arrows&quot;:true,&quot;autoplay&quot;:false,&quot;pauseOnFocus&quot;:false,&quot;rtl&quot;:false,&quot;vertical&quot;:false,&quot;fade&quot;:false,&quot;lazyLoad&quot;:false,&quot;centerMode&quot;:false,&quot;infinite&quot;:true,&quot;adaptiveHeight&quot;:true,&quot;speed&quot;:500,&quot;autoplaySpeed&quot;:3000,&quot;slidesToShow&quot;:1,&quot;slidesToScroll&quot;:1,&quot;rows&quot;:1,&quot;slidesPerRow&quot;:1}\"><div><figure class=\"algori-image-video-slider-slide-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_3270-1-scaled.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div><div><figure class=\"algori-image-video-slider-slide-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_3233-scaled.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div><div><figure class=\"algori-image-video-slider-slide-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_3164-scaled.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div><div><figure class=\"algori-image-video-slider-slide-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_3193-scaled.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div><div><figure class=\"algori-image-video-slider-slide-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_3189-scaled.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div><div><figure class=\"algori-image-video-slider-slide-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_3227-scaled.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div><div><figure class=\"algori-image-video-slider-slide-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_3245-scaled.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div><div><figure class=\"algori-image-video-slider-slide-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/voluntarios-scaled.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div><div><figure class=\"algori-image-video-slider-slide-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_3185-scaled.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div><\/div>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><strong>Como ajudar<\/strong>\n\nA Cozinha Solid\u00e1ria da Azenha recebe doa\u00e7\u00f5es direto no local, na Avenida Azenha, 608, de segunda \u00e0 sexta-feira, das 9 \u00e0s 13 horas. O MTST tamb\u00e9m tem uma p\u00e1gina de financiamento coletivo pela plataforma na plataforma <strong><a href=\"https:\/\/apoia.se\/cozinhasolidaria\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Apoie-se<\/a><\/strong>, al\u00e9m de receber doa\u00e7\u00f5es via PIX (chave: rededeabastecimento@gmail.com).<\/pre>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comer sem saber quando vai se alimentar novamente \u2013 essa \u00e9 a dura realidade que faz parte do cotidiano da maioria dos brasileiros. Apesar da alimenta\u00e7\u00e3o ser um direito garantido pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal, 125,2 milh\u00f5es de pessoas vivem sem acesso pleno e permanente a comida no prato, o que representa mais da metade da popula\u00e7\u00e3o &#8230; <a title=\"De volta ao passado: com metade da popula\u00e7\u00e3o em inseguran\u00e7a alimentar, Brasil \u00e9 a \u201ccara da fome\u201d\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2022\/08\/04\/de-volta-ao-passado-com-metade-da-populacao-em-inseguranca-alimentar-brasil-e-a-cara-da-fome\/\" aria-label=\"More on De volta ao passado: com metade da popula\u00e7\u00e3o em inseguran\u00e7a alimentar, Brasil \u00e9 a \u201ccara da fome\u201d\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":18080,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[234,53,32,243,49],"tags":[],"class_list":["post-18051","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-conversahumanista","category-alimentacao","category-igualdade","category-mais-recentes","category-vida"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18051","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18051"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18051\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}