﻿{"id":18752,"date":"2022-09-27T14:49:56","date_gmt":"2022-09-27T17:49:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=18752"},"modified":"2022-09-27T15:00:56","modified_gmt":"2022-09-27T18:00:56","slug":"violencia-nas-redes-sociais-agressao-contra-mulheres-aumenta-em-periodo-eleitoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2022\/09\/27\/violencia-nas-redes-sociais-agressao-contra-mulheres-aumenta-em-periodo-eleitoral\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia nas redes sociais: agress\u00e3o contra mulheres aumenta em per\u00edodo eleitoral"},"content":{"rendered":"\n<p>Imagine o ato rotineiro de clicar em um \u00edcone de uma rede social no seu celular e rolar o &#8220;feed&#8221; em busca de entretenimento, not\u00edcias do mundo, atualiza\u00e7\u00f5es sobre os seus amigos e conhecidos. Agora, imagine que, a cada vez que voc\u00ea abre um de seus perfis, l\u00e1 te esperam algumas d\u00fazias de mensagens de \u00f3dio e amea\u00e7as. Foi o que eu vivi durante o segundo semestre de 2018, ano da \u00faltima elei\u00e7\u00e3o presidencial. <\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, virou rotina abrir a rede social e encontrar mensagens diretas de perfis an\u00f4nimos, com conte\u00fados que direcionavam a mim ataques pessoais &#8211; por ser mulher, por me relacionar com uma mulher, pela minha posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou pelo simples fato de existir. Os ataques vinham sempre acompanhados de amea\u00e7as \u00e0 minha seguran\u00e7a f\u00edsica e de pessoas pr\u00f3ximas a mim e, desde ent\u00e3o, estar na rua, escolher com quem me relaciono ou os espa\u00e7os que frequento, ganhou uma nova camada de preocupa\u00e7\u00e3o. O medo, apesar de ter diminu\u00eddo com o tempo e com a interrup\u00e7\u00e3o inexplic\u00e1vel dos ataques, ainda \u00e9 uma constante.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">Quatro anos depois, em meio ao cen\u00e1rio radicalizado que marca novamente as Elei\u00e7\u00f5es Gerais no Brasil, conto, para o <strong>Humanista<\/strong>, por que isso que aconteceu comigo n\u00e3o \u00e9 um fato isolado. Pelo contr\u00e1rio, trata-se de um fen\u00f4meno t\u00edpico da \"era das redes sociais\" e que pode ter consequ\u00eancias graves na vida das pessoas.<\/pre>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Anos eleitorais acentuam viol\u00eancia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Dados da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental SaferNet, que recolhe den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos na internet, indicam que os crimes de \u00f3dio e intoler\u00e2ncia aumentam em anos eleitorais. Grupos minorit\u00e1rios, como mulheres, negros e popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+, est\u00e3o mais vulner\u00e1veis a esse tipo de viol\u00eancia. S\u00f3 em 2018, os ataques frutos da misoginia representaram um aumento de 1.639,50% nas den\u00fancias recebidas em rela\u00e7\u00e3o ao ano de 2017.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"infogram-embed\" data-id=\"4fec52e2-b6c8-4e14-b471-6ca3c046da34\" data-type=\"interactive\" data-title=\"Years Charts\"><\/div><script>!function(e,i,n,s){var t=\"InfogramEmbeds\",d=e.getElementsByTagName(\"script\")[0];if(window[t]&&window[t].initialized)window[t].process&&window[t].process();else if(!e.getElementById(n)){var o=e.createElement(\"script\");o.async=1,o.id=n,o.src=\"https:\/\/e.infogram.com\/js\/dist\/embed-loader-min.js\",d.parentNode.insertBefore(o,d)}}(document,0,\"infogram-async\");<\/script><div style=\"padding:8px 0;font-family:Arial!important;font-size:13px!important;line-height:15px!important;text-align:center;border-top:1px solid #dadada;margin:0 30px\"><a href=\"https:\/\/infogram.com\/4fec52e2-b6c8-4e14-b471-6ca3c046da34\" style=\"color:#989898!important;text-decoration:none!important;\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Years Charts<\/a><br><a href=\"https:\/\/infogram.com\" style=\"color:#989898!important;text-decoration:none!important;\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Infogram<\/a><\/div>\n\n\n\n<p>Em 2022, o discurso de \u00f3dio nas redes tem extrapolado para a viol\u00eancia f\u00edsica. Al\u00e9m dos ataques pol\u00edticos motivados pela intoler\u00e2ncia que chegaram a levar \u00e0 <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pr\/oeste-sudoeste\/noticia\/2022\/09\/09\/assassinado-tesoureiro-do-pt-dois-meses-apos-crime-acusado-que-e-apoiador-de-bolsonaro-ainda-nao-foi-ouvido.ghtml\"><strong>morte o militante petista Marcelo Arruda<\/strong><\/a>, em Foz do Igua\u00e7u (PR) ap\u00f3s discuss\u00e3o com um eleitor bolsonarista&nbsp; &#8211; e v\u00e1rios outros casos seguintes de viol\u00eancia pol\u00edtica &#8211; as mulheres s\u00e3o o principal alvo tamb\u00e9m.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na sa\u00edda do debate para governador do estado de S\u00e3o Paulo, no dia 13 de setembro, a jornalista Vera Magalh\u00e3es foi coagida pelo deputado federal Douglas Garcia (Republicanos). Durante o debate com os candidatos \u00e0 presid\u00eancia na emissora Bandeirantes, no dia 4 de setembro, a jornalista tamb\u00e9m<strong> <\/strong><a href=\"https:\/\/youtu.be\/iQ-Nnrid0Uw\"><strong>foi atacada pelo Presidente Jair Bolsonaro (Partido Liberal)<\/strong><\/a> em seu coment\u00e1rio \u00e0 resposta de Ciro Gomes sobre a queda da cobertura vacinal. Vera relaciona os ataques do deputado Douglas Garcia, que a persegue h\u00e1 meses, ao discurso de \u00f3dio perpetuado pelo presidente, em especial \u00e0s mulheres jornalistas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"twitter-tweet\"><p lang=\"pt\" dir=\"ltr\">Este senhor \u00e9 deputado estadual bolsonarista em SP. Se chama Douglas Garcia. Veio me xingar, me agredir, enquanto eu estava sentada no debate. \u00c9 assim que essas pessoas trAtam a imprensa <a href=\"https:\/\/t.co\/bIAmzhTnWO\">pic.twitter.com\/bIAmzhTnWO<\/a><\/p>\u2014 Vera Magalh\u00e3es (@veramagalhaes) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/veramagalhaes\/status\/1569888522030534663?ref_src=twsrc%5Etfw\">September 14, 2022<\/a><\/blockquote> <script async=\"\" src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero tamb\u00e9m foi o que fez Manuela D\u2019\u00c1vila, que j\u00e1 concorreu como vice-presidente nas elei\u00e7\u00f5es gerais de 2018 e \u00e0 prefeitura de Porto Alegre em 2020, desistir de uma nova candidatura em 2022. <a href=\"https:\/\/youtu.be\/CodoregC2EM\"><strong>Segundo a pol\u00edtica<\/strong><\/a>, os ataques e as amea\u00e7as de morte, que eram excepcionais h\u00e1 alguns anos, se tornaram mais comuns a partir de 2018, elei\u00e7\u00e3o em que sofreu muitos ataques, motivados, especialmente, pela dissemina\u00e7\u00e3o em larga escala de fake news e o avan\u00e7o do discurso de \u00f3dio nas plataformas digitais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Crimes de intoler\u00e2ncia contra mulheres nas redes sociais\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zvVo2KXEC40?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption>Diretora da ONG SaferNet, Juliana Cunha, fala sobre aumento das den\u00fancias de crimes de intoler\u00e2ncia nas redes sociais durante as elei\u00e7\u00f5es.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Redes sociais como armas de viol\u00eancia contra a mulher<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c0 \u00e9poca, eu n\u00e3o conseguia compreender direito as motiva\u00e7\u00f5es por tr\u00e1s dos ataques que sofri em 2018, das mensagens de \u00f3dio, das amea\u00e7as de viol\u00eancia recorrentes. Na verdade, demorariam ainda alguns meses para eu come\u00e7ar a entender o que eram as persegui\u00e7\u00f5es virtuais que sofria. Foi em 2019, com o <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/sp\/mogi-das-cruzes-suzano\/noticia\/2019\/03\/13\/tiros-deixam-feridos-em-escola-de-suzano.ghtml\"><strong>Massacre de Suzano<\/strong><\/a>, ocorrido em 13 de mar\u00e7o de 2019 e apenas dois dias ap\u00f3s as \u00faltimas mensagens de \u00f3dio que recebi, que pude relacionar as persegui\u00e7\u00f5es virtuais \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de grupos de \u00f3dio no ambiente virtual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"658\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113559-1-658x1024.jpg\" alt=\"\" data-id=\"18759\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113559-1.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?attachment_id=18759#main\" class=\"wp-image-18759\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113559-1-658x1024.jpg 658w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113559-1-193x300.jpg 193w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113559-1-768x1195.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113559-1-987x1536.jpg 987w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113559-1-1316x2048.jpg 1316w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113559-1-1500x2335.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113559-1.jpg 1531w\" sizes=\"(max-width: 658px) 100vw, 658px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" width=\"663\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113614-1-663x1024.jpg\" alt=\"\" data-id=\"18760\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113614-1.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?attachment_id=18760#main\" class=\"wp-image-18760\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113614-1-663x1024.jpg 663w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113614-1-194x300.jpg 194w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113614-1-768x1186.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113614-1-995x1536.jpg 995w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113614-1-1327x2048.jpg 1327w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113614-1-1500x2315.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_113614-1.jpg 1512w\" sizes=\"(max-width: 663px) 100vw, 663px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Gabriel O. Born\/@gborninho\/especial para o Humanista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os dois adolescentes que abriram fogo contra outros estudantes e professores da Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), <a href=\"https:\/\/epocanegocios.globo.com\/Tecnologia\/noticia\/2019\/03\/chans-o-que-se-sabe-sobre-os-canais-que-espalham-odio-pela-internet-e-comemoraram-o-atentado-em-suzano.html\"><strong>foram tratados como her\u00f3is em f\u00f3runs an\u00f4nimos da dark web<\/strong><\/a>, os chamados chans. Nesses ambientes, circulam mensagens de discrimina\u00e7\u00e3o a minorias, al\u00e9m de conte\u00fados il\u00edcitos como pornografia infantil. Os f\u00f3runs que permitem a anonimidade n\u00e3o s\u00e3o, necessariamente, frequentados apenas por extremistas, mas \u00e9 comum que ataques a mulheres sejam planejados por grupos pertencentes aos chans. Express\u00f5es de agress\u00e3o, como \u201c<em>merdalher<\/em>\u201d (jun\u00e7\u00e3o de um xingamento com a palavra mulher), eram usadas por grupos <em>Incels<\/em> (celibat\u00e1rios involunt\u00e1rios) dos chans e tamb\u00e9m comuns nas mensagens que chegavam diariamente no meu celular.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong><em>Chans<\/em><\/strong><\/p><cite><em>S\u00e3o f\u00f3runs de intera\u00e7\u00e3o entre usu\u00e1rios na internet que n\u00e3o necessitam de cadastro ou identifica\u00e7\u00e3o. O mais famoso deles \u00e9 o 4chan, criado nos EUA em 2003, mas os primeiros grupos surgiram no Jap\u00e3o, por volta dos anos 2000. Os chans s\u00e3o populares por permitirem t\u00f3picos de discuss\u00e3o entre usu\u00e1rios e n\u00e3o s\u00e3o, necessariamente, usados apenas para fins negativos, podendo reunir t\u00f3picos sobre games, animes, literatura, etc. Recentemente, no entanto, ganharam notoriedade pela dissemina\u00e7\u00e3o de conte\u00fados nefastos ou ilegais.<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong><em>Celibat\u00e1rios Involunt\u00e1rios<\/em><\/strong><\/p><cite><em>O termo foi cunhado primeiramente pela canadense Alana, que criou <\/em><a href=\"https:\/\/www.lovenotanger.org\/about\/\"><strong><em>um site<\/em><\/strong><\/a><em> sobre aspectos da intera\u00e7\u00e3o sexual entre pessoas, e designava indiv\u00edduos que n\u00e3o conseguiam se relacionar amorosamente, devido \u00e0 timidez ou rejei\u00e7\u00e3o. A express\u00e3o ganhou novos significados por grupos que assumiram o termo como uma identifica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de pr\u00e1ticas mis\u00f3ginas.<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Se, por um lado, a internet facilita que esses grupos existam e reforcem seu desgosto \u00e0s minorias atrav\u00e9s do anonimato, por outro lado torna a viol\u00eancia sofrida por mulheres ainda pior em alguns casos, uma vez que muitos homens usam essas ferramentas digitais para perseguir e acuar quando n\u00e3o t\u00eam seus desejos supridos.<\/p>\n\n\n\n<p>Oito meses duraram as persegui\u00e7\u00f5es sofridas por Regina (que prefere n\u00e3o se identificar e, por isso, \u00e9 chamada assim neste texto). Em 2018, ela passou a se relacionar com um homem que conheceu em um aplicativo de relacionamentos, mas algumas atitudes do ent\u00e3o namorado levantaram suspeitas. Ele, que tinha um emprego simples, costumava ench\u00ea-la de presentes que n\u00e3o pareciam estar de acordo com o sal\u00e1rio que recebia. Ap\u00f3s descobrir que o companheiro estava furtando alimentos do mercado de seu irm\u00e3o, al\u00e9m de ser usu\u00e1rio de drogas, Regina decidiu romper a rela\u00e7\u00e3o. Mas o homem n\u00e3o aceitou o t\u00e9rmino e come\u00e7ou a persegui-la.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Regina chegou a receber 100 liga\u00e7\u00f5es em um dia do homem, que tentava contato desesperado tamb\u00e9m atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de diversos perfis nas redes sociais. Mesmo bloqueando os perfis e mantendo sua conta privada, as persegui\u00e7\u00f5es continuaram e passaram a ser direcionadas, tamb\u00e9m, aos seus amigos e sua fam\u00edlia. Os ataques provocaram a sensa\u00e7\u00e3o de ter de estar preparada para se defender por si pr\u00f3pria, se necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A pior parte foi a tortura psicol\u00f3gica, confessa Regina, que se viu perseguida at\u00e9 mesmo no hospital, enquanto realizava um procedimento para retirada de um abcesso atr\u00e1s do \u00fatero, o que quase a levou \u00e0 morte no mesmo per\u00edodo. \u201cNem no hospital ele me deixou em paz\u201d, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, o que Regina e eu fomos v\u00edtimas, ganhou nome para a legisla\u00e7\u00e3o brasileira: <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2019-2022\/2021\/lei\/L14132.htm\"><strong>stalking.<\/strong><\/a><strong> <\/strong>No mesmo ano, segundo levantamento in\u00e9dito do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, o Brasil registrou <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/coberturas-especiais\/diversidade\/brasil-registrou-277-mil-casos-de-stalking-contra-mulheres-em-2021-aponta-fbsp-28062022\"><strong>27,7 mil casos desse tipo de persegui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a>. A Lei que tipifica o crime que afeta psicologicamente as v\u00edtimas e restringe sua liberdade, prev\u00ea reclus\u00e3o de seis meses a dois anos, al\u00e9m de multa. Ainda que o crime de stalking n\u00e3o precise estar ligado apenas \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o virtual, a legisla\u00e7\u00e3o serve tamb\u00e9m nesses casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Regina reflete sobre o impacto negativo que as redes sociais tiveram na viol\u00eancia sofrida e relembra de outro caso pelo qual passou na adolesc\u00eancia, quando tamb\u00e9m foi perseguida por um ex namorado. \u201cNaquela \u00e9poca a gente lidava de uma forma diferente e n\u00e3o tinham as redes sociais para a pessoa nos perseguir tamb\u00e9m\u201d, revelando que tem estado mais seletiva com os perfis com que t\u00eam contato e que a preocupa\u00e7\u00e3o com os ataques afeta, at\u00e9 mesmo, seu trabalho. Regina possui uma loja de roupas e n\u00e3o acha seguro, sequer, divulgar o n\u00famero de seu neg\u00f3cio, com medo de novas persegui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob o uso de algumas medidas protetivas \u00e0 \u00e9poca, ela conseguiu denunciar o ent\u00e3o namorado atrav\u00e9s da Lei Maria da Penha, mas \u201cacabou ficando por isso mesmo\u201d, segundo ela, j\u00e1 que o homem n\u00e3o compareceu \u00e0 audi\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/IMG_20220921_114315_720-819x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18758\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/IMG_20220921_114315_720-819x1024.jpg 819w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/IMG_20220921_114315_720-240x300.jpg 240w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/IMG_20220921_114315_720-768x960.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/IMG_20220921_114315_720-1229x1536.jpg 1229w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/IMG_20220921_114315_720.jpg 1400w\" sizes=\"(max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: Gabriel O. Born\/@gborninho\/especial para o Humanista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A busca desesperada por ajuda<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Eram duas senhas quando entrei no Plant\u00e3o da Delegacia da Mulher. As verdes, priorit\u00e1rias, para casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica, e as azuis, para outros tipos de den\u00fancias de viol\u00eancia de g\u00eanero. Eu n\u00e3o sabia disso quando retirei uma senha verde e sentei em uma das cadeiras para aguardar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo daquele m\u00eas de novembro de 2018, eu j\u00e1 tinha tentado buscar ajuda em algumas outras delegacias. A primeira delas, a Delegacia de Pol\u00edcia de Repress\u00e3o aos Crimes Inform\u00e1ticos (DRCI), cuja localiza\u00e7\u00e3o o Google informava na \u00e9poca ser na Avenida Cristiano Fischer, em Porto Alegre. Chegando l\u00e1, fui informada da nova localiza\u00e7\u00e3o: Avenida das Ind\u00fastrias, no bairro S\u00e3o Jo\u00e3o, praticamente no lado oposto da cidade em rela\u00e7\u00e3o ao endere\u00e7o anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>A recep\u00e7\u00e3o no novo local tamb\u00e9m n\u00e3o foi animadora: ali apenas eram realizadas as investiga\u00e7\u00f5es e n\u00e3o eram feitos recebimentos de den\u00fancias. Segundo o atual delegado da DRCI, Andr\u00e9 Lobo Anicet, \u201cstalking, amea\u00e7a, persegui\u00e7\u00e3o de cunho pol\u00edtico n\u00e3o s\u00e3o de atribui\u00e7\u00e3o da delegacia especializada\u201d. J\u00e1 foram feitos procedimentos neste sentido, mas na maioria dos casos, eles acabam ficando com a Delegacia de Intoler\u00e2ncia, com a Delegacia da Mulher ou com os distritos, segundo o delegado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2018, eu havia tentado tamb\u00e9m fazer o boletim de ocorr\u00eancia na delegacia mais pr\u00f3xima da minha casa. Mas o \u00fanico retorno que tive de quem deveria estar ali para me oferecer prote\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mensagens de amea\u00e7a foi: \u201cbloqueia; aqui ou em qualquer outro lugar, tu n\u00e3o vai conseguir denunciar isso\u201d, seguido de um riso murcho que eu n\u00e3o sabia se eram de sadismo ou desconhecimento. Na Delegacia da Mulher, por fim, eu consegui registrar a ocorr\u00eancia, mas as investiga\u00e7\u00f5es nunca prosseguiram e s\u00f3 me vi livre dos ataques, talvez, por sorte.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o Chefe de Pol\u00edcia da Divis\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o e Atendimento \u00e0 Mulher (DEAM), Rodrigo C\u00e2mara, houve uma percep\u00e7\u00e3o de aumento das den\u00fancias de persegui\u00e7\u00e3o virtual a mulheres, o que ele relaciona \u00e0 maior publicidade e informa\u00e7\u00e3o sobre o tema, principalmente a partir de 2021. Em rela\u00e7\u00e3o aos suportes \u00e0s v\u00edtimas, no entanto, ainda h\u00e1 muito ch\u00e3o a ser trilhado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 muito dif\u00edcil para a pol\u00edcia e at\u00e9, por exemplo, para as empresas de tecnologia conseguirem combater isso. Porque, hoje em dia, qualquer um pode criar uma conta de forma an\u00f4nima. \u00c9 f\u00e1cil criar esse cadastro e continuar perseguindo essa pessoa. \u00c9 dif\u00edcil interromper aquele ciclo\u201d, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres que, por vezes, v\u00e3o at\u00e9 a DEAM denunciar o stalking, n\u00e3o podem recorrer aos mesmos suportes da Lei Maria da Penha, por exemplo, que prev\u00ea a medida protetiva apenas em casos em que a viol\u00eancia se d\u00e1 em raz\u00e3o de g\u00eanero e no \u00e2mbito familiar da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>O Chefe de Pol\u00edcia Rodrigo C\u00e2mara orienta que, uma vez que as persegui\u00e7\u00f5es partam de um agente an\u00f4nimo, a v\u00edtima deve fazer o boletim de ocorr\u00eancia em uma delegacia distrital e aguardar que o delegado respons\u00e1vel pe\u00e7a ao Judici\u00e1rio uma medida cautelar, caso julgue necess\u00e1rio, uma vez que n\u00e3o \u00e9 atribui\u00e7\u00e3o da v\u00edtima esse pedido.<\/p>\n\n\n\n<p>Se os suportes oficiais demoram ou falham, a contribui\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es paralelas costuma ser importante nesses momentos. Thalita Queiroz \u00e9 assistente social e atua no <a href=\"https:\/\/www.mapadoacolhimento.org\/\"><strong>Mapa do Acolhimento<\/strong><\/a>, uma organiza\u00e7\u00e3o que ajuda mulheres de baixa renda v\u00edtimas de viol\u00eancia a receber suporte jur\u00eddico e psicol\u00f3gico volunt\u00e1rio. Thalita conta que, durante a pandemia, os pedidos foram de 1 por dia e, em sua maioria, relacionados \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica. A assistente social pondera que a <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/09\/20\/onu-bolsonaro-fala-em-protecao-das-mulheres-mas-cortou-orcamento-de-combate-a-violencia\"><strong>precariza\u00e7\u00e3o do combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher<\/strong><\/a> nos \u00faltimos anos impacta negativamente a vida daquelas que precisam de ajuda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Thalita-Mapa-do-Acolhimento.mp3\"><\/audio><figcaption>Thalita Queiroz \u00e9 assistente social volunt\u00e1ria no Mapa do Acolhimento, ONG que oferece suporte jur\u00eddico e psicol\u00f3gico a mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em Porto Alegre, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel obter suporte atrav\u00e9s do Centro de Refer\u00eancia da Mulher M\u00e1rcia Calixto, o CRAS municipal. O Centro de Refer\u00eancia Estadual da Mulher, no entanto, que costumava atender presencialmente no centro da cidade, agora est\u00e1, provisoriamente, alocado no Centro Administrativo Fernando Ferrari, e s\u00f3 faz atendimento atrav\u00e9s de liga\u00e7\u00f5es. Para a assistente social Cl\u00e1udia Lopes, que trabalha no Centro de Refer\u00eancia, o atendimento ser feito dessa forma prejudica o acolhimento, e lamenta ainda n\u00e3o existir previs\u00e3o para a inaugura\u00e7\u00e3o da nova sede.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>#Explica\u00e7\u00e3oHumanista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2018\/11\/25\/violencia-contra-a-mulher\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><sup>Saiba como denunciar<\/sup><\/a><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Viol\u00eancias que se sobrep\u00f5em<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Mulheres negras, jovens e em ascens\u00e3o social s\u00e3o mais v\u00edtimas dos discursos de \u00f3dio na internet. \u00c9 o que conclui a pesquisa do soci\u00f3logo Luiz Val\u00e9rio Trindade &#8211; confira a <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2022\/09\/23\/mulheres-negras-jovens-e-em-ascensao-social-sao-mais-vitimas-afirma-sociologo-sobre-discurso-de-odio-nas-redes\/\"><strong>entrevista completa<\/strong><\/a> dada pelo pesquisador no #EntrevistaHumanista &#8211; que analisou textos da rede social Twitter.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Trindade, as redes sociais s\u00e3o uma esp\u00e9cie de pelourinho moderno, onde a viol\u00eancia sofrida por mulheres negras busca coloc\u00e1-las novamente em seu lugar de suposta subalternidade. A interseccionalidade das viol\u00eancias sofridas adquirem um peso maior, uma vez que elementos como ra\u00e7a, g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual s\u00e3o os principais motivadores dos ataques.<\/p>\n\n\n\n<p>O medo de pessoas que historicamente estiveram em uma posi\u00e7\u00e3o de poder em rela\u00e7\u00e3o a grupos minorit\u00e1rios, \u00e9 o que costuma estar por tr\u00e1s dos discursos de \u00f3dio, comenta o soci\u00f3logo, e relaciona as<strong> <\/strong><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2022\/05\/bolsonaro-volta-dizer-que-negro-e-pesado-em-arrobas-e-ironiza-sua-condenacao.shtml\"><strong>falas racistas<\/strong><\/a> do presidente Jair Bolsonaro (Partido Liberal) a um retrocesso no tema.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cQuando a maior autoridade p\u00fablica do pa\u00eds faz chacota, por exemplo, de membros de comunidades quilombolas, isso carrega um peso institucional muito grande e, ao transmitir esse peso institucional, significa que o estado brasileiro est\u00e1 chancelando pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias. Isso \u00e9 muito problem\u00e1tico\u201d <\/p><cite>Luiz Val\u00e9rio Trindade<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para Andrea Mattos, delegada da Delegacia de Combate \u00e0 Intoler\u00e2ncia de Porto Alegre, a interseccionalidade tamb\u00e9m \u00e9 uma dimens\u00e3o importante da viol\u00eancia sofrida por minorias. Atuando desde 2020, a delegacia recebe principalmente den\u00fancias relacionadas \u00e0 LGBTfobia. Apesar de n\u00e3o ter notado aumento das den\u00fancias no \u00faltimo ano, Andrea acredita que o novo espa\u00e7o especializado em crimes de intoler\u00e2ncia \u00e9 importante para o empoderamento das v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu esperava que n\u00f3s tiv\u00e9ssemos um crescimento, mas n\u00e3o observei isso em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo eleitoral, porque n\u00f3s j\u00e1 v\u00ednhamos numa linha de ascens\u00e3o, a partir do in\u00edcio do recebimento das den\u00fancias, em 2020.\u201d relaciona Andrea. A delegada conta que, no in\u00edcio, foi preciso entrar em contato com comunidades que pudessem levar o conhecimento sobre a exist\u00eancia dessa nova ferramenta de den\u00fancia a popula\u00e7\u00f5es minorit\u00e1rias. \u201cAcredito que as pessoas tinham receio de procurar mesmo a pol\u00edcia e n\u00e3o ser levadas a s\u00e9rio ou n\u00e3o conseguir sequer registrar. Acontece em outros \u00f3rg\u00e3os policiais, principalmente do interior: a pessoa chega com uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, mas o policial se nega a registrar por homofobia, por exemplo.\u201d observa Andrea.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"669\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_102957-1024x669.jpg\" alt=\"\" data-id=\"18754\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_102957.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?attachment_id=18754#main\" class=\"wp-image-18754\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_102957-1024x669.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_102957-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_102957-768x502.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_102957-1536x1004.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_102957-1500x980.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_102957.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"764\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_102919-1024x764.jpg\" alt=\"\" data-id=\"18753\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_102919.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?attachment_id=18753#main\" class=\"wp-image-18753\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_102919-1024x764.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_102919-300x224.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_102919-768x573.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_102919-1536x1145.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_102919-1500x1118.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20220921_102919.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Delegacia de Combate \u00e0 Intoler\u00e2ncia recebe den\u00fancias de viol\u00eancia a minorias desde 2020 em Porto Alegre. Imagens: Eduarda Stefenon \/ Portal Humanista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A ferramenta de den\u00fancia nas delegacias, al\u00e9m do fortalecimento de comunidades virtuais entre as v\u00edtimas desse tipo de viol\u00eancia, s\u00e3o os caminhos de prote\u00e7\u00e3o poss\u00edveis de combate aos crimes de \u00f3dio nas redes sociais, analisa o soci\u00f3logo Luiz Val\u00e9rio Trindade. \u201cPara demonstrar que elas n\u00e3o est\u00e3o sozinhas, n\u00e3o est\u00e3o desamparadas e, em segundo lugar, para tentar fortalecer sua autoestima, porque um dos primeiros impactos \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da autoestima das v\u00edtimas\u201d, pontua Trindade. Por fim, acredita que ainda \u00e9 preciso atuar na forma\u00e7\u00e3o de novas gera\u00e7\u00f5es sobre o tema, para que n\u00e3o se torne normal aceitar que esse tipo de comportamento seja naturalizado.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine o ato rotineiro de clicar em um \u00edcone de uma rede social no seu celular e rolar o &#8220;feed&#8221; em busca de entretenimento, not\u00edcias do mundo, atualiza\u00e7\u00f5es sobre os seus amigos e conhecidos. Agora, imagine que, a cada vez que voc\u00ea abre um de seus perfis, l\u00e1 te esperam algumas d\u00fazias de mensagens de &#8230; <a title=\"Viol\u00eancia nas redes sociais: agress\u00e3o contra mulheres aumenta em per\u00edodo eleitoral\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2022\/09\/27\/violencia-nas-redes-sociais-agressao-contra-mulheres-aumenta-em-periodo-eleitoral\/\" aria-label=\"More on Viol\u00eancia nas redes sociais: agress\u00e3o contra mulheres aumenta em per\u00edodo eleitoral\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":18757,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[46,38,33,49],"tags":[],"class_list":["post-18752","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica","category-privacidade","category-seguranca","category-vida"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18752","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18752"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18752\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18757"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}