﻿{"id":19661,"date":"2023-01-31T19:26:31","date_gmt":"2023-01-31T22:26:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=19661"},"modified":"2023-02-01T15:10:54","modified_gmt":"2023-02-01T18:10:54","slug":"onda-de-novas-drogas-sinteticas-dificulta-pericias-e-agrava-riscos-para-saude-e-seguranca-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2023\/01\/31\/onda-de-novas-drogas-sinteticas-dificulta-pericias-e-agrava-riscos-para-saude-e-seguranca-publica\/","title":{"rendered":"Onda de novas drogas sint\u00e9ticas dificulta per\u00edcias e agrava riscos para sa\u00fade e seguran\u00e7a p\u00fablica"},"content":{"rendered":"\n<p>Mesmo com o esfor\u00e7o para identificar, catalogar e alertar sobre a circula\u00e7\u00e3o de novas subst\u00e2ncias il\u00edcitas, as autoridades est\u00e3o um passo atr\u00e1s de quem as fabrica clandestinamente. Foi o que o <strong>Humanista<\/strong> constatou ao investigar a onda das chamadas &#8220;<a href=\"https:\/\/ibccrim.org.br\/noticias\/exibir\/157\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>drogas de desenho<\/strong><\/a>&#8221; \u2013 sintetizadas para produzir efeitos parecidos com as tradicionais, mas com uma estrutura qu\u00edmica alterada justamente para que n\u00e3o se enquadrem entre as subst\u00e2ncias j\u00e1 listadas como proibidas. <\/p>\n\n\n\n<p>A Anvisa (Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria) \u00e9 respons\u00e1vel por atualizar a <strong><a href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/saudelegis\/svs\/1998\/prt0344_12_05_1998_rep.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Portaria 344<\/a><\/strong>, um documento que elenca os f\u00e1rmacos sujeitos a controle especial no Brasil. Em 10 anos, foram adicionadas 141 drogas \u00e0 lista de subst\u00e2ncias de uso proibido, uma categoria que abarca tr\u00eas sub-listas: a F1, de entorpecentes; a F2, dos psicotr\u00f3picos; e a F3, que atualmente engloba duas subst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/12568172\"><script src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/embed.js\"><\/script><\/div>\n\n\n\n<p>A velocidade da produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo dessas subst\u00e2ncias t\u00eam impactos graves em pelo menos duas \u00e1reas: sa\u00fade e seguran\u00e7a p\u00fablica. As secretarias estaduais, por exemplo, respons\u00e1veis pelo atendimento de sa\u00fade e pelo combate ao tr\u00e1fico, t\u00eam dificuldade para tra\u00e7ar pol\u00edticas p\u00fablicas de controle sem dados atualizados. No caso do Rio Grande do Sul, em resposta \u00e0 consulta feita pela reportagem via <strong><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2011\/lei\/l12527.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">LAI (Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o)<\/a><\/strong>, o governo alega que exatamente por serem novas e de dif\u00edcil identifica\u00e7\u00e3o, ainda n\u00e3o h\u00e1 dados sobre apreens\u00f5es de subst\u00e2ncias como a &#8220;maconha sint\u00e9tica&#8221; no estado.     <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Da apreens\u00e3o \u00e0 an\u00e1lise<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Uma das raz\u00f5es para o lapso entre a chegada de novas subst\u00e2ncias ao mercado ilegal e pol\u00edticas p\u00fablicas de controle \u00e9 a especificidade do processo de an\u00e1lise e identifica\u00e7\u00e3o. \u201cAs drogas de desenho s\u00e3o geralmente feitas em laborat\u00f3rios clandestinos. No momento em que elas s\u00e3o apreendidas, novas drogas j\u00e1 est\u00e3o sendo produzidas\u201d, explica <strong><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9239252166751422\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Telmo Ronzani<\/a><\/strong>, do <a href=\"https:\/\/www.ufjf.br\/crepeia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Centro de Refer\u00eancia em Pesquisa, Interven\u00e7\u00e3o e Avalia\u00e7\u00e3o em \u00c1lcool e Drogas<\/strong><\/a> da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora).<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos \u00f3rg\u00e3os que envia as informa\u00e7\u00f5es sobre novas drogas para a Anvisa \u00e9 o IGP-RS (Instituto-Geral de Per\u00edcias do Rio Grande do Sul), cuja divis\u00e3o de qu\u00edmica forense analisa amostras em estado bruto de todas as subst\u00e2ncias il\u00edcitas apreendidas. \u201cRecebemos as drogas de rua mesmo. Trouxinhas de maconha, p\u00f3, s\u00f3lidos, selos, comprimidos artesanais\u201d, revela Lara Gris, perita que dirige o setor. Ap\u00f3s a an\u00e1lise, o IGP-RS emite um laudo determinando do que se trata a droga \u2013 a fim de que o setor judici\u00e1rio possa responsabilizar quem estava de posse dela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNosso setor est\u00e1 relativamente atualizado, mas nem sempre conseguimos analisar o material no dia seguinte ao que recebemos. \u00c0s vezes fica conosco por cerca de dois meses, porque tem uma fila gigantesca\u201d, afirma a perita.&nbsp; Apesar do atraso na cataloga\u00e7\u00e3o, o volume de material recebido no IGP pode ajudar a entender que tipo de subst\u00e2ncia est\u00e1 em alta entre os consumidores. \u201cHouve drogas que foram substitu\u00eddas por outras depois de um ou dois anos. Nos comprimidos de ecstasy, existia muito a presen\u00e7a do MDMA. De um ano pra c\u00e1, come\u00e7ou a aparecer metanfetamina.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No setor vizinho ao de Lara no IPG-RS, outra perita, Maria Cristina Franck, trabalha com an\u00e1lises toxicol\u00f3gicas h\u00e1 18 anos. Ela ajuda a identificar subst\u00e2ncias t\u00f3xicas em amostras biol\u00f3gicas como sangue, urina e, no caso de um cad\u00e1ver, nas v\u00edsceras. Quando s\u00e3o subst\u00e2ncias ainda desconhecidas, o IGP leva mais tempo para determinar os componentes da droga. \u201c\u00c9 preciso fazer uma quantidade maior de testes, em diferentes equipamentos. Leva um ou dois meses\u201d, afirma Maria Cristina. \u201cMas em casos comuns, como maconha e coca\u00edna, conseguimos analisar cerca de 350 amostras por dia. \u00c9 um m\u00e9todo bem estabelecido.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o faz com que subst\u00e2ncias que aparecem na Europa, por exemplo, levem no m\u00e1ximo um ano para passarem a ser consumidas tamb\u00e9m no Brasil. No entanto, isso nem sempre acontece. Quest\u00f5es culturais podem ser uma barreira. Os EUA, por exemplo, vivem uma <strong><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/noticia\/2022\/10\/17\/explosao-do-consumo-de-opioides-nos-eua-entenda-como-funciona-o-fentanil-no-cerebro.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">epidemia de opioides<\/a><\/strong> desde o final dos anos 1990, mas o consumidor brasileiro n\u00e3o aderiu a esse tipo de subst\u00e2ncia. Anualmente, a ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas) publica um <strong><a href=\"https:\/\/www.unodc.org\/lpo-brazil\/pt\/drogas\/relatorio-mundial-sobre-drogas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">relat\u00f3rio global<\/a><\/strong> sobre o consumo de drogas que ajuda a entender como elas se espalham pelo mundo. \u201cDeve haver muita subnotifica\u00e7\u00e3o, mas s\u00f3 por essa amostragem j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel entender o perfil e as classes de subst\u00e2ncias que t\u00eam se difundido\u201d, avalia Lara Gris.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas drogas mais potentes, \u00e9 preciso uma quantidade cada vez menor da subst\u00e2ncia psicoativa em cada selo ou comprimido para que ele fa\u00e7a efeito. \u201cAl\u00e9m disso, alguns comprimidos t\u00eam mais e outros menos quantidade [do princ\u00edpio ativo] do que outros. \u00c9 muito variado\u201d, explica Maria Cristina Franck. Isso aumenta a dificuldade para determinar o que comp\u00f5e as drogas desconhecidas, j\u00e1 que o instrumento de an\u00e1lise precisa ser muito sens\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/RH3aS2bU1NuI3vBUqvQ9ySYsp64=\/0x0:2016x1512\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2019\/a\/S\/T51CEzRF2OToTMsmhVIg\/img-5185.jpg\" alt=\"IGP usou m\u00e9todos pr\u00f3prios para conseguir identificar a subst\u00e2ncia no organismo do jovem  \u2014 Foto: F\u00e1bio Almeida\/RBS TV \"\/><figcaption>IGP-RS utiliza amostras de subst\u00e2ncias para definir novas drogas il\u00edticas; &#8220;modelos&#8221; podem demorar a chegar. Foto: F\u00e1bio Almeida\/RBS TV\/uso n\u00e3o comercial.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de submeter cada amostra a testes rigorosos e compar\u00e1-la a uma biblioteca de dados, o IGP tamb\u00e9m busca fazer essa compara\u00e7\u00e3o com uma amostra padr\u00e3o da droga. \u201cExistem empresas internacionais, consolidadas no ramo qu\u00edmico, que t\u00eam permiss\u00e3o para produzir as subst\u00e2ncias e vender para centros de pesquisa e centros de repress\u00e3o de drogas\u201d, explica Lara Gris. Mas comprar essas amostras \u201cmodelo\u201d \u00e9 caro e pode ser um processo lento, j\u00e1 que a demanda vem dos \u00f3rg\u00e3os de per\u00edcia de todos os estados. E nem sempre existem fornecedores dos psicoativos mais recentes. \u201cH\u00e1 anos se discute a possibilidade de tentar fazer isso de uma forma mais centralizada no Brasil. S\u00f3 que estamos falando de in\u00fameros \u00f3rg\u00e3os e muito recurso, num pa\u00eds enorme\u201d, afirma a perita.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Incerteza letal<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Identificar as subst\u00e2ncias presentes em material biol\u00f3gico \u00e9 ainda mais dif\u00edcil. \u201cQuando a pessoa toma um comprimido, ele se dissolve num corpo com mais ou menos quatro litros de sangue, al\u00e9m de alimentos, enzimas e medicamentos\u201d, relata Maria Cristina Franck. <\/p>\n\n\n\n<p>O desafio de identificar um psicoativo nessa mistura biol\u00f3gica se imp\u00f4s no caso da morte de um adolescente ga\u00facho. Tim\u00f3teo Hoffman tinha 16 anos e morreu ap\u00f3s tomar o que acreditava ser LSD. As an\u00e1lises de praxe, contudo, n\u00e3o identificaram nenhuma subst\u00e2ncia conhecida. A causa da morte foi desvendada pela equipe do IGP-RS <strong><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rs\/rio-grande-do-sul\/noticia\/2019\/10\/22\/igp-rs-mostra-que-nova-droga-sintetica-matou-adolescente-no-ano-passado-em-igrejinha.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">quase um ano depois<\/a><\/strong>, quando Maria Cristina decidiu monitorar a presen\u00e7a de 25E-NBOH, uma droga que havia sido descoberta h\u00e1 pouco tempo, na amostra biol\u00f3gica do jovem. A subst\u00e2ncia, vendida como se fosse LSD, pode matar no primeiro uso \u2013 foi o que aconteceu com a v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA fam\u00edlia disse que ele n\u00e3o era usu\u00e1rio, que o organismo dele n\u00e3o era habituado. Aquela dose foi muito alta para o Tim\u00f3teo, a ponto de levar ele \u00e0 morte\u201d, relembra a perita. \u201cA\u00ed, vem todo o problema dessas subst\u00e2ncias desconhecidas: n\u00e3o se sabe a toxicidade delas e a dose que vai causar o efeito que o usu\u00e1rio pretende obter. O comprador n\u00e3o sabe os riscos aos quais est\u00e1 se expondo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Tim\u00f3teo n\u00e3o foi o \u00fanico: muita gente compra uma droga achando que \u00e9 outra. Na verdade, \u00e9 quase imposs\u00edvel obter uma subst\u00e2ncia pura ou com alta concentra\u00e7\u00e3o daquilo que o fornecedor se prop\u00f4s a vender \u2013 num contexto de ilegalidade e sem regula\u00e7\u00e3o, os usu\u00e1rios raramente podem ter certeza do que est\u00e3o consumindo. \u201cA grande maioria dos selos que s\u00e3o vendidos como contendo LSD n\u00e3o cont\u00e9m essa subst\u00e2ncia\u201d, afirma Lara Gris. \u201cEm rela\u00e7\u00e3o aos comprimidos, acontece a mesma coisa: o que \u00e9 vendido como MDMA tem muita metanfetamina. S\u00f3 quem produziu aquele comprimido sabe o que realmente tem ali\u201d, pondera.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Telmo Ronzani, do Centro de Refer\u00eancia em Pesquisa, Interven\u00e7\u00e3o e Avalia\u00e7\u00e3o em \u00c1lcool e Drogas da UFJF, avalia que, al\u00e9m do efeito desconhecido em cada indiv\u00edduo a m\u00e9dio e longo prazo, n\u00e3o se sabe o impacto preciso dessas drogas na sa\u00fade p\u00fablica. \u201cA gente n\u00e3o tem ideia do tipo de droga que est\u00e1 sendo consumida, da pureza e da qualidade da produ\u00e7\u00e3o\u201d, argumenta o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o IGP-RS atua no cen\u00e1rio forense, o CIT (Centro de Informa\u00e7\u00f5es Toxicol\u00f3gicas), ligado \u00e0 Secretaria Estadual da Sa\u00fade do Rio Grande do Sul, \u00e9 refer\u00eancia no diagn\u00f3stico de intoxica\u00e7\u00f5es por drogas de abuso no cen\u00e1rio cl\u00ednico. \u201cA atua\u00e7\u00e3o das duas institui\u00e7\u00f5es \u00e9 essencial para a redu\u00e7\u00e3o de subnotifica\u00e7\u00f5es e gera\u00e7\u00e3o de dados epidemiol\u00f3gicos\u201d, afirma o toxicologista Bruno Pereira dos Santos, que estagiou no N\u00facleo de An\u00e1lise Laboratorial do CIT. O \u00f3rg\u00e3o tem um plant\u00e3o 24 horas para auxiliar e orientar profissionais da sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando um paciente chega a uma unidade de sa\u00fade intoxicado por alguma subst\u00e2ncia, o primeiro passo do atendimento \u00e9 question\u00e1-lo sobre qual psicoativo ele utilizou. No entanto, quando n\u00e3o se sabe ao certo qual composto foi usado, o manejo se torna mais dif\u00edcil. \u201cA intoxica\u00e7\u00e3o por algumas subst\u00e2ncias pode apresentar sinais e sintomas semelhantes, o que dificulta o diagn\u00f3stico e, consequentemente, a escolha do tratamento mais adequado para aquele paciente\u201d, relata a m\u00e9dica Bruna Scola. \u201cPensando em novas drogas sint\u00e9ticas, a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 maior, pois elas s\u00e3o mais t\u00f3xicas aos usu\u00e1rios e o diagn\u00f3stico cl\u00ednico e laboratorial \u00e9 extremamente dif\u00edcil\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora haja uma coopera\u00e7\u00e3o entre o IGP e o CIT, ainda n\u00e3o existe uma proximidade entre a per\u00edcia e a rede hospitalar. \u201cSe a gente n\u00e3o d\u00e1 conta de se atualizar, imagina quem est\u00e1 na linha de frente\u201d, pondera Maria Cristina Franck, do IGP. \u201cA s\u00edntese de novos compostos ocorre muito r\u00e1pido, e j\u00e1 saem distribuindo do dia pra noite.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Telmo, o tipo de pol\u00edtica p\u00fablica que alcan\u00e7a os usu\u00e1rios \u2013 e que primeiro tem contato com as novas drogas \u2013&nbsp; depende da ra\u00e7a e da classe social dos consumidores. \u201cInfelizmente, a popula\u00e7\u00e3o de classes mais baixas, preta e parda, acessa as pol\u00edticas p\u00fablicas pelo judici\u00e1rio. As mais altas, via setor de sa\u00fade \u2013 em especial cl\u00ednicas privadas\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">&#8220;<strong>Guerra \u00e0s drogas<\/strong>&#8220;<br><strong>atrasa solu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">\u00c9 incerto se uma regulamenta\u00e7\u00e3o das drogas poderia ajudar a controlar a qualidade das subst\u00e2ncias. \u201cO que conseguir\u00edamos com a descriminaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um acompanhamento, mais de perto, dos danos associados ao consumo\u201d, avalia Telmo Ronzani. Segundo ele, a literatura mostra que pol\u00edticas mais abertas ou mais repressivas n\u00e3o impactam na quantidade de consumo, mas nas consequ\u00eancias dele.&nbsp;\n\nO pesquisador da UFJF explica que, h\u00e1 cerca de 15 anos, a ONU j\u00e1 adotou uma postura que privilegia a sa\u00fade p\u00fablica em detrimento da chamada \u201cguerra \u00e0s drogas\u201d. \u201cMas, no Brasil, ainda existe um forte vi\u00e9s de combate, que no governo Bolsonaro aumentou ainda mais. A pol\u00edtica de drogas estava num caminho de transforma\u00e7\u00e3o, mas o que tivemos nos \u00faltimos seis anos foi retrocesso\u201d, avalia Telmo.&nbsp;\n\nA mais recente pol\u00edtica nacional sobre drogas, institu\u00edda pelo <strong><a href=\"http:\/\/www.in.gov.br\/materia\/-\/asset_publisher\/Kujrw0TZC2Mb\/content\/id\/71137357\/do1e-2019-04-11-decreto-n-9-761-de-11-de-abril-de-2019-71137316\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Decreto n. 9.761<\/a><\/strong>&nbsp;em 2019, durante o Governo Bolsonaro, elenca como um dos objetivos \u201cestimular opera\u00e7\u00f5es repressivas e assegurar condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e financeiras para [...] prevenir e combater os crimes relacionados \u00e0s drogas\u201d. Al\u00e9m disso, a pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o de danos foi <strong><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2019\/04\/nova-politica-de-drogas-exclui-reducao-de-danos.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">extinta<\/a><\/strong> e o decreto prev\u00ea um tratamento baseado em abstin\u00eancia. \n\n\u201cProvavelmente, o combate ao tr\u00e1fico vai ter pouco sucesso se continuar usando a for\u00e7a policial\u201d, contrap\u00f5e Telmo. \u201cA produ\u00e7\u00e3o [de drogas] precisa ser fiscalizada e identificada, mas a literatura internacional tem mostrado que o caminho \u00e9 uma estrat\u00e9gia de intelig\u00eancia \u2013 n\u00e3o de combate, que acontece principalmente em comunidades mais pobres.\u201d<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo com o esfor\u00e7o para identificar, catalogar e alertar sobre a circula\u00e7\u00e3o de novas subst\u00e2ncias il\u00edcitas, as autoridades est\u00e3o um passo atr\u00e1s de quem as fabrica clandestinamente. Foi o que o Humanista constatou ao investigar a onda das chamadas &#8220;drogas de desenho&#8221; \u2013 sintetizadas para produzir efeitos parecidos com as tradicionais, mas com uma estrutura &#8230; <a title=\"Onda de novas drogas sint\u00e9ticas dificulta per\u00edcias e agrava riscos para sa\u00fade e seguran\u00e7a p\u00fablica\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2023\/01\/31\/onda-de-novas-drogas-sinteticas-dificulta-pericias-e-agrava-riscos-para-saude-e-seguranca-publica\/\" aria-label=\"More on Onda de novas drogas sint\u00e9ticas dificulta per\u00edcias e agrava riscos para sa\u00fade e seguran\u00e7a p\u00fablica\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":19666,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[50,49],"tags":[],"class_list":["post-19661","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude","category-vida"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19661","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19661"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19661\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19740,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19661\/revisions\/19740"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19666"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19661"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19661"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19661"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}