﻿{"id":2224,"date":"2019-01-17T19:23:59","date_gmt":"2019-01-17T21:23:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=2224"},"modified":"2019-09-17T10:02:11","modified_gmt":"2019-09-17T13:02:11","slug":"quilombo-lemos-resistencia-e-marca-na-luta-pela-preservacao-da-cultura-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/01\/17\/quilombo-lemos-resistencia-e-marca-na-luta-pela-preservacao-da-cultura-negra\/","title":{"rendered":"Quilombo Lemos: Resist\u00eancia \u00e9 marca na luta pela preserva\u00e7\u00e3o da cultura negra"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">S\u00e9timo quilombo urbano de Porto Alegre enfrenta reintegra\u00e7\u00e3o de posse judicial movida pelo Asilo Padre Cacique; novo governo \u00e9 rev\u00e9s no processo de demarca\u00e7\u00e3o de terras.<\/span><\/em><\/p>\n<p><strong>Luiza Dorneles<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Bum. Uma batida no port\u00e3o met\u00e1lico reverbera dentro de casa. Era manh\u00e3 do dia 7 de novembro de 2018, pouco mais de uma semana depois da elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro (PSL) para a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Poderia ser o novo governo batendo \u00e0 porta do Quilombo Lemos, em Porto Alegre. Afinal, dois dias antes, o presidente eleito dissera, na <\/span><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2018\/11\/no-que-depender-de-mim-nao-tem-mais-demarcacao-de-terra-indigena-diz-bolsonaro-a-tv.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>primeira entrevista depois das elei\u00e7\u00f5es<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, que, no que dependesse dele, n\u00e3o haveria mais demarca\u00e7\u00f5es de terra no Brasil &#8211; referindo-se, como signo, aos povos ind\u00edgenas, que <\/span><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2018\/12\/10\/povos-indigenas-temem-violencia-incentivada-pelo-estado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>tamb\u00e9m sofrem com as amea\u00e7as de despejo de suas terras<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0 \u00a0 <\/span><\/p>\n<p>Bum Bum. As batidas seguem, estrondosas, at\u00e9 que Sandro Lemos, um dos membros da fam\u00edlia, se levanta para ver o que est\u00e1 acontecendo. Ao abrir a porta, encontra quatro policiais e o oficial de justi\u00e7a Ciro Silva de Oliveira portando despacho com a decis\u00e3o do juiz Walter Jos\u00e9 Girotto &#8211; emitida meses antes, em agosto, e contra a qual n\u00e3o haveria mais recurso: \u201cTemos aqui um mandado de reintegra\u00e7\u00e3o de posse. Voc\u00eas precisam sair da\u00ed em 30 minutos\u201d.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As primeiras semanas de Governo Bolsonaro indicam que quilombolas, ind\u00edgenas, povos origin\u00e1rios, ter\u00e3o suas vidas ainda mais complicadas nos pr\u00f3ximos quatro anos. O cen\u00e1rio amea\u00e7ador \u00e9 composto por um misto de a\u00e7\u00f5es oficiais, como a <\/span><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2019\/01\/bolsonaro-retira-da-funai-a-demarcacao-de-terras-indigenas.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>retirada das demarca\u00e7\u00f5es de terras ind\u00edgenas da Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio)<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, entregues ao Minist\u00e9rio da Agricultura, e pelo empoderamento de grupos contr\u00e1rios \u00e0s pol\u00edticas de demarca\u00e7\u00f5es que adotam a\u00e7\u00f5es violentas, como podem ter sido\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/01\/11\/comunidade-guarani-mbya-e-\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>tiros disparados contra a comunidade Guarani Mbya, em Porto Alegre<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, em janeiro, em ocorr\u00eancia investigada pela Pol\u00edcia Civil ga\u00facha. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O <\/span>portal<b> Humanista <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">acompanhou os desdobramentos do processo de reintegra\u00e7\u00e3o de posse no Quilombo Lemos e foi atr\u00e1s das origens da fam\u00edlia em detrimento da legisla\u00e7\u00e3o que garante as demarca\u00e7\u00f5es de terra no pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><b>A reintegra\u00e7\u00e3o de posse<\/b><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Quilombo Lemos \u00e9 o s\u00e9timo quilombo urbano de Porto Alegre e a fam\u00edlia que d\u00e1 nome ao espa\u00e7o sofre um processo de reintegra\u00e7\u00e3o de posse (<\/span><a href=\"http:\/\/www.tjrs.jus.br\/busca\/?tb=proc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>N\u00ba 001\/1.09.0203629-0<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">) por parte do Asilo Padre Cacique que tramita na Justi\u00e7a Estadual desde 2009, um ano ap\u00f3s a <\/span><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=1NZXpVLuz8jWNpcoN5NLU4G1GT0hbiYnu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>morte do patriarca da fam\u00edlia<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, Jorge Alberto Rocha de Lemos. O atual diretor do asilo, Edson Brozoza, afirma que o territ\u00f3rio em quest\u00e3o foi <\/span><a href=\"http:\/\/playpress.pressroom.com.br\/3501446e43\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>\u201cdoado por Dom Pedro II para construir uma entidade que defendesse \u00f3rf\u00e3os\u201d<\/b><\/a> <span style=\"font-weight: 400;\">e que a situa\u00e7\u00e3o se trata de uma \u201cinvas\u00e3o afrodescendente\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo a assessoria de imprensa do asilo, h\u00e1 uma vasta documenta\u00e7\u00e3o que comprova a doa\u00e7\u00e3o da terra. J\u00e1 o advogado que atua em defesa do estabelecimento, Artur Garrastazu, quando questionado pelo <\/span><b>Humanista<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> a respeito da suposta doa\u00e7\u00e3o, disse desconhecer, mas \u201ccrer que seja verdade\u201d. O asilo pretende criar um centro de conviv\u00eancia para 150 idosos no terreno hoje ocupado pelos Lemos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aline Lemos, neta de Jorge e moradora do Quilombo, descreve a situa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-2224-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Aline-Lemos-EDITADO-01.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Aline-Lemos-EDITADO-01.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Aline-Lemos-EDITADO-01.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com a mobiliza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia Lemos, diferentes entidades e movimentos sociais foram ao quilombo defender o territ\u00f3rio e impedir a reintegra\u00e7\u00e3o. Como consta no pr\u00f3prio mandado: \u201cPoder\u00e1 o oficial de justi\u00e7a proceder arrombamento de obst\u00e1culos, se necess\u00e1rio\u201d. Com a chegada de representantes da Defensoria P\u00fablica do Estado, da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa e de alguns vereadores no in\u00edcio da tarde do dia 7 de novembro, o processo acabou sendo suspenso por n\u00e3o respeitar o <\/span><a href=\"https:\/\/www.jornaldocomercio.com\/_conteudo\/2017\/08\/geral\/580055-defensoria-e-mp-sugerem-protocolo-para-reintegracoes.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>protocolo<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0O advogado do Asilo Padre Cacique afirmou \u00e0 reportagem que imaginava \u201cque fosse haver uma reintegra\u00e7\u00e3o de posse absolutamente pac\u00edfica\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Defensora P\u00fablica do Estado Isabel Rodrigues Wexel conta como se deu a negocia\u00e7\u00e3o para que a reintegra\u00e7\u00e3o fosse suspensa.<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-2224-2\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Isabel-Rodrigues-Wexel-EDITADO-01.mp3?_=2\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Isabel-Rodrigues-Wexel-EDITADO-01.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Isabel-Rodrigues-Wexel-EDITADO-01.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_2227\" aria-describedby=\"caption-attachment-2227\" style=\"width: 890px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2227 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/1-Foto_Joana_Berwanger_Sul_21.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/1-Foto_Joana_Berwanger_Sul_21.jpg 900w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/1-Foto_Joana_Berwanger_Sul_21-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/1-Foto_Joana_Berwanger_Sul_21-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2227\" class=\"wp-caption-text\">Oficial de justi\u00e7a Ciro Silva de Oliveira suspende reintegra\u00e7\u00e3o de posse no Quilombo Lemos. Foto: Joana Berwanger\/Sul 21<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Reconhecida como remanescente de quilombo pela <\/span><a href=\"http:\/\/www.palmares.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, a fam\u00edlia Lemos aguarda agora pelo julgamento do processo na Justi\u00e7a Federal. Isso porque o juiz <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Walter Jos\u00e9 Girotto, da 17\u00aa Vara C\u00edvel do Foro Central de Porto Alegre, o mesmo que determinou a reintegra\u00e7\u00e3o de posse, <\/span><a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/ultimas-noticias\/geral\/2018\/11\/justica-determina-que-situacao-do-quilombo-lemos-seja-decidida-em-ambito-federal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>decidiu em 19 de novembro que o processo deveria mudar de jurisdi\u00e7\u00e3o<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> em raz\u00e3o da sua natureza. \u201cSurpreendentemente, ao ensejo do mandado de reintegra\u00e7\u00e3o de posse surge a not\u00edcia a respeito que a denominada Comunidade Fam\u00edlia Lemos se autodefine como remanescentes dos quilombos, tendo inclusive a Certid\u00e3o de Autodefini\u00e7\u00e3o (\u2026), documento expedido em 8\/11\/2018, em processo administrativo com tramita\u00e7\u00e3o perante a Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares\u201d, argumentava o juiz.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A fam\u00edlia Lemos comemorou a decis\u00e3o, mas n\u00e3o por muito tempo. No mesmo dia, o Asilo Padre Cacique entrou com recurso e o juiz suspendeu a decis\u00e3o at\u00e9 que seja julgado o agravo de instrumento. At\u00e9 o fechamento da reportagem, o processo seguia tramitando na 17\u00aa vara c\u00edvel da Justi\u00e7a Estadual &#8211; as movimenta\u00e7\u00f5es podem ser consultadas no <\/span><a href=\"http:\/\/www.tjrs.jus.br\/busca\/?tb=proc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>site do TJ-RS (Tribunal de Justi\u00e7a do RS)<\/b><\/a> <span style=\"font-weight: 400;\">pelo n\u00famero Themis 001\/1.09.0203629-0.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>Fam\u00edlia Lemos: da escravid\u00e3o \u00e0 luta pelo reconhecimento <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A fam\u00edlia conta que chegou no territ\u00f3rio em 1964, quando o <\/span><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=1vY_CTNApO8w9Q1DfV0XIOxOpncJOvN2w\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>casal Jorge e D\u00e9lzia<\/b><\/a> <span style=\"font-weight: 400;\">trabalhava para o para o Asilo Padre Cacique, local onde contribu\u00edram durante cerca de 40 anos como servi\u00e7os gerais. Na \u00e9poca, o lago Gua\u00edba chegava at\u00e9 a porta do asilo e n\u00e3o havia transporte p\u00fablico. Para se deslocar de sua moradia na Lomba do Pinheiro at\u00e9 o local de trabalho, eles pegavam o bonde at\u00e9 o bairro Menino Deus e caminhavam para o Padre Cacique. At\u00e9 o dia em que adotaram um terreno baldio ao lado do asilo: capinaram e constru\u00edram casa e fam\u00edlia. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aline Lemos lembra que seus av\u00f3s constru\u00edram a casa azul, que aparece nas fotografias, e criaram sua pr\u00f3pria forma de subsist\u00eancia: planta\u00e7\u00e3o de milho, cria\u00e7\u00e3o de porcos e galinhas&#8230;<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2228\" aria-describedby=\"caption-attachment-2228\" style=\"width: 892px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-2228 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/1-Foto-antiga-Lemos.png\" alt=\"\" width=\"902\" height=\"622\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/1-Foto-antiga-Lemos.png 902w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/1-Foto-antiga-Lemos-300x207.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/1-Foto-antiga-Lemos-768x530.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/1-Foto-antiga-Lemos-130x90.png 130w\" sizes=\"(max-width: 902px) 100vw, 902px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2228\" class=\"wp-caption-text\">Jorge Alberto Rocha de Lemos (e), D\u00e9lzia Gon\u00e7alves de Lemos e Jorge Ant\u00f4nio de Lemos (d). Foto: Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal*<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aline Lemos exp\u00f5e seu medo de ser removida da pr\u00f3pria casa: \u201cA qualquer momento uma pessoa pode vir te tirar. Simplesmente porque ela tem dinheiro, e tu n\u00e3o tem. E tu \u00e9 preto. Preto e pobre, dois agravantes ainda, n\u00e9?\u201d.<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-2224-3\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Aline-Lemos-EDITADO-02.mp3?_=3\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Aline-Lemos-EDITADO-02.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Aline-Lemos-EDITADO-02.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre os anos de 1956 e 1961, o governo Juscelino Kubischek desenvolveu um projeto nacional que, sob os preceitos do progresso e da moderniza\u00e7\u00e3o velozes, indicava grandes altera\u00e7\u00f5es nas principais cidades do Brasil, como o pr\u00f3prio aterro do lago Gua\u00edba, em Porto Alegre. O crescimento da urbaniza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi movido pelo \u00eaxodo rural, movimento migrat\u00f3rio de pessoas do campo para os centros comerciais. Foi durante esse processo, no final do governo Get\u00falio Vargas, em 1951, que <\/span><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=1YGwFTfG55qBmmQhOVhFM5OHqaAEhz4PA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Anna J\u00falia Gon\u00e7alves<\/b><\/a> <span style=\"font-weight: 400;\">e sua filha D\u00e9lzia chegaram em Porto Alegre, fugindo das dificuldades de sobreviv\u00eancia que o regime de trabalho no campo impunha em decorr\u00eancia da heran\u00e7a escravagista.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2230\" aria-describedby=\"caption-attachment-2230\" style=\"width: 323px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-2230 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Foto_Leo-Guerreiro-e-Pedro-Flores-1950-1960.png\" alt=\"\" width=\"333\" height=\"315\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Foto_Leo-Guerreiro-e-Pedro-Flores-1950-1960.png 333w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Foto_Leo-Guerreiro-e-Pedro-Flores-1950-1960-300x284.png 300w\" sizes=\"(max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2230\" class=\"wp-caption-text\">O aterro do Gua\u00edba constituiu parte do projeto de moderniza\u00e7\u00e3o das cidades na d\u00e9cada de 1960. Foto: Leo Guerreiro e Pedro Flores (1950-1960)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">S\u00f4nia Gon\u00e7alves de Lemos, filha de D\u00e9lzia e neta de Anna J\u00falia, conta em entrevista para o <\/span><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=1Tk3gc25bgJIU9xBd_2XAauETiQIpmHju\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Relat\u00f3rio Antropol\u00f3gico do N\u00facleo das Comunidades Ind\u00edgenas e Minorias \u00c9tnicas<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> (p.13) que a av\u00f3 foi escrava. Anna trabalhava em uma fazenda e levou D\u00e9lzia, ainda crian\u00e7a, para ajudar. \u201cDepois, com uma certa idade, eu sei que ela foi pra cidade, l\u00e1 do interior mesmo. Era pra tentar sair da vida de escravid\u00e3o ali. E depois a minha v\u00f3 veio pra c\u00e1 com minha m\u00e3e. Foi a\u00ed que elas come\u00e7aram a sair da escravid\u00e3o mesmo\u201d, relata.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2231\" aria-describedby=\"caption-attachment-2231\" style=\"width: 717px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2231 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Delzia-e-Jorge.jpg\" alt=\"\" width=\"727\" height=\"960\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Delzia-e-Jorge.jpg 727w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Delzia-e-Jorge-227x300.jpg 227w\" sizes=\"(max-width: 727px) 100vw, 727px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2231\" class=\"wp-caption-text\">D\u00e9lzia e Jorge, os fundadores do Quilombo Lemos. Foto: Arquivo pessoal\/Fam\u00edlia Lemos.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Aline lemos acrescenta:<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-2224-4\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Aline-Lemos-EDITADO-03.mp3?_=4\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Aline-Lemos-EDITADO-03.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Aline-Lemos-EDITADO-03.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As origens da linhagem materna da fam\u00edlia Lemos remontam ao Quilombo de Moa\u00e7ambique, localizado no terceiro distrito de Cangu\u00e7u (RS), na fronteira com o munic\u00edpio de Encruzilhada do Sul. De acordo com a <\/span><a href=\"https:\/\/sucupira.capes.gov.br\/sucupira\/public\/consultas\/coleta\/trabalhoConclusao\/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&amp;id_trabalho=97671\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>disserta\u00e7\u00e3o da ge\u00f3grafa Solange de Oliveira<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, as fam\u00edlias distribuem-se em aproximadamente 12 quil\u00f4metros em um territ\u00f3rio descont\u00ednuo, pelas localidades de Santo Ant\u00f4nio, Rinc\u00e3o do Progresso e <\/span><a href=\"https:\/\/www.google.com.br\/maps\/place\/Vau+dos+Prestes,+Encruzilhada+do+Sul+-+RS,+96610-000\/@-30.6760537,-52.9917944,8.75z\/data=!4m5!3m4!1s0x951ab423baec7e79:0x50050621d4d3634d!8m2!3d-30.9283045!4d-52.6245162\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Vau dos Prestes<\/b><\/a> <span style=\"font-weight: 400;\">&#8211; onde <\/span><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=1hG8TQpTvW5rPnm8ouLdrP6jhwZxs-62H\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>nasceu D\u00e9lzia<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As fam\u00edlias quilombolas residem em diferentes localidades: Serra dos Gomes, Serra dos Almeidas, Serra dos Nunes, Rinc\u00e3o, V\u00e1rzea e Serra dos Ribeiros. Essa \u00faltima \u00e9 central para a identifica\u00e7\u00e3o da ancestralidade negra da fam\u00edlia Lemos, bem como seu v\u00ednculo com uma comunidade que se autodeclara quilombola desde 2004.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/\u00c1rvore-Luiza-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Conhe\u00e7a a \u00e1rvore geneal\u00f3gica da Fam\u00edlia Lemos<\/strong><\/a><\/p>\n<h5><\/h5>\n<h5><b>Controv\u00e9rsia<\/b><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O advogado de defesa do Asilo Padre Cacique alega que a hist\u00f3ria \u00e9 outra. De acordo com Artur Garrastazu, Jorge Lemos foi contratado pelo asilo como zelador em 1965, para que residisse no terreno em quest\u00e3o e executasse alguns servi\u00e7os gerais de reparos. \u201cO antigo presidente, o Doutor Gildo Milman, at\u00e9 por o zelador que faleceu se tratar de uma pessoa muito querida de toda a comunidade ali do asilo, concedeu, por caridade, \u00e0 vi\u00fava [D\u00e9lzia] e aos filhos um prazo adicional para restituir a posse do im\u00f3vel. A inten\u00e7\u00e3o naquele momento era contratar um novo zelador para substituir aquele que falecera\u201d, alega o advogado.<\/span><\/p>\n<p><iframe title=\"Advogado do Asilo Padre Cacique fala sobre processo de reintegra\u00e7\u00e3o de posse do Quilombo Lemos\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TbgVdp1icfM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para os representantes do Asilo Padre Cacique, a fam\u00edlia Lemos n\u00e3o \u00e9 descendente de quilombola e aquele territ\u00f3rio n\u00e3o se constitui como quilombo. Garrastazu conta que, em nove anos de processo, apenas em 2018 surgiu essa nomenclatura. Durante toda a entrevista, refor\u00e7ou que os integrantes da fam\u00edlia Lemos s\u00e3o r\u00e9us condenados em quatro inst\u00e2ncias do poder judici\u00e1rio, e destacou o que considera uma crueldade.<\/span><\/p>\n<p><iframe title=\"Advogado do Asilo Padre Cacique considera conflitos de interesses\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/94l0LS3F5CY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O advogado da <\/span><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/FrenteQuilombolaRs\/\"><b>Frente Quilombola RS<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, Onir Ara\u00fajo, concebe a a\u00e7\u00e3o do asilo como parte de um racismo estrutural que existe no Brasil e que, segundo ele, frequentemente envolve institui\u00e7\u00f5es religiosas.<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-2224-5\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Onir-de-Ara\u00fajo-advogado-Frente-Quilombola-RS-EDITADO.mp3?_=5\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Onir-de-Ara\u00fajo-advogado-Frente-Quilombola-RS-EDITADO.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Onir-de-Ara\u00fajo-advogado-Frente-Quilombola-RS-EDITADO.mp3<\/a><\/audio>\n<h5><\/h5>\n<h5><\/h5>\n<h5><strong>Galeria: Quilombo Lemos (r)existe\u00a0 \u00a0\u00a0<\/strong><\/h5>\n<p>[slideshow_deploy id=&#8217;2238&#8217;&#093;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fotos: Luiza Dorneles\/Humanista<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>O caminho da titula\u00e7\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O reconhecimento e a titula\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio quilombola percorre um longo e demorado caminho judicial. Durante muito tempo, o Estado brasileiro n\u00e3o reconheceu a organiza\u00e7\u00e3o, a singularidade e a import\u00e2ncia desses grupos. Foi apenas com a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, em 1988, que o termo quilombo passou a ser utilizado como categoria jur\u00eddica. O <\/span><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Constituicao\/Constituicao.htm#adctart68\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Artigo 68 do Ato das Disposi\u00e7\u00f5es Constitucionais Transit\u00f3rias<\/b><\/a> <span style=\"font-weight: 400;\">assegura: \u201cAos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras \u00e9 reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os t\u00edtulos respectivos\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O<\/span> <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Decreto\/2003\/D4887.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Decreto N\u00ba 4.887, de 20 de novembro de 2003<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, assinado pelo ent\u00e3o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, certificou os procedimentos administrativos para a identifica\u00e7\u00e3o, o reconhecimento, a delimita\u00e7\u00e3o, a demarca\u00e7\u00e3o e a titula\u00e7\u00e3o das terras ocupadas por remanescentes de quilombolas. De acordo com seu artigo 2\u00ba, \u201cConsideram-se remanescentes das comunidades dos quilombos, para os fins deste Decreto, os grupos \u00e9tnico-raciais, segundo crit\u00e9rios de auto-atribui\u00e7\u00e3o, com trajet\u00f3ria hist\u00f3rica pr\u00f3pria, dotados de rela\u00e7\u00f5es territoriais espec\u00edficas, com presun\u00e7\u00e3o de ancestralidade negra relacionada com a resist\u00eancia \u00e0 opress\u00e3o hist\u00f3rica sofrida\u201d. Esse decreto tamb\u00e9m confere ao <\/span><a href=\"http:\/\/www.incra.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Incra (Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria)<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> a responsabilidade por garantir o acesso \u00e0 terra, al\u00e9m de fiscalizar e regulamentar os processos de titula\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro passo para reconhecimento legal \u00e9 a inscri\u00e7\u00e3o da autodefini\u00e7\u00e3o no Cadastro Geral junto \u00e0 <\/span><a href=\"http:\/\/www.palmares.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, que expede a certid\u00e3o na forma do regulamento. A fam\u00edlia Lemos recebeu <\/span><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=10Z8gC6EKoBrn4HAKDDseJc0pCTRGtNVB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>sua certifica\u00e7\u00e3o de comunidade quilombola<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> no mesmo dia 7 de novembro de 2018, algumas horas ap\u00f3s o processo de reintegra\u00e7\u00e3o de posse ser suspenso. Sandro Lemos, o integrante da fam\u00edlia que abriu a porta para o oficial de justi\u00e7a naquela manh\u00e3, afirmou, como consta em <\/span><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=1Jw1T6m5kd3DZlExOu4Kj1Jc2-MCClovW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>ata da reuni\u00e3o do dia seguinte<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, que o reconhecimento pela Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares <\/span><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=1PzDco50Bkk3HNt6BnWKgUxsqtjS0FT4y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>\u201cn\u00e3o foi obtido por conta do fato (tentativa de reintegra\u00e7\u00e3o de posse) em si, mas por conta de um processo que j\u00e1 tramita h\u00e1 algum tempo\u201d<\/b><\/a><b>. <\/b>O advogado\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">Artur Garrastazu diz que essa certifica\u00e7\u00e3o pode ser falsa, e que a dire\u00e7\u00e3o do asilo protocolou uma representa\u00e7\u00e3o junto ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal para verificar a possibilidade de incriminar os Lemos por falsidade ideol\u00f3gica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cpisp.org.br\/direitosquilombolas\/caminho-da-titulacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-2233\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/o-caminho-da-titulacao-861x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"596\" height=\"709\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/o-caminho-da-titulacao-861x1024.jpg 861w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/o-caminho-da-titulacao-252x300.jpg 252w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/o-caminho-da-titulacao-768x914.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/o-caminho-da-titulacao.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Clique sobre a imagem para percorrer o caminho da titula\u00e7\u00e3o no <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>material produzido pela\u00a0<\/strong><strong>Comiss\u00e3o Pr\u00f3-\u00cdndio de S\u00e3o Paulo.<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os Lemos ainda aguardam a confec\u00e7\u00e3o do <\/span><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=1HTadOGB60KwS0mHdzC_lTbhfZ03O921M\"><b>RTID (Relat\u00f3rio T\u00e9cnico de Identifica\u00e7\u00e3o e Delimita\u00e7\u00e3o<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">), que \u00e9 composto por diversas pe\u00e7as, como estudo antropol\u00f3gico, mapeamento e indica\u00e7\u00e3o do per\u00edmetro do territ\u00f3rio, cadastramento das fam\u00edlias quilombolas, levantamento de documentos e dados dos im\u00f3veis inseridos no per\u00edmetro do territ\u00f3rio em quest\u00e3o e relat\u00f3rio agroambiental do espa\u00e7o. <\/span><a href=\"http:\/\/cpisp.org.br\/direitosquilombolas\/observatorio-terras-quilombolas\/\"><b>Levantamento da CPISP (Comiss\u00e3o Pr\u00f3-\u00edndio de S\u00e3o Paulo)<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> indica que 85% das terras quilombolas ainda n\u00e3o possuem o RTID. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No dia 19 de novembro, o Quilombo Lemos chamou seus apoiadores para um ato em frente ao Foro Central da 4\u00aa Regi\u00e3o, no centro de Porto Alegre. O objetivo era pressionar o juiz Walter Girotto a encaminhar o processo para a Justi\u00e7a Federal &#8211; resposta que seria dada nesse mesmo dia. O despacho saiu durante a tarde e considerou interesse do Incra no processo por se tratar de territ\u00f3rio quilombola, transferindo-o para a Justi\u00e7a Federal. Trata-se da mesma decis\u00e3o revogada por Girotto em seguida.<\/span><\/p>\n<p>&#091;caption id=&#8221;attachment_2235&#8243; align=&#8221;aligncenter&#8221; width=&#8221;800&#8243;]<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2235 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Foto_Luiza-Dorneles-5498-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Foto_Luiza-Dorneles-5498-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Foto_Luiza-Dorneles-5498-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Foto_Luiza-Dorneles-5498-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/> Ato em frente ao Foro reuniu representantes do Quilombo dos Machado, dos Flores, da Frente Quilombola RS, dos Direitos Humanos da Assembleia, entre outros. Na ocasi\u00e3o, uma roda de capoeira resgatou a ancestralidade negra a ser defendida pelos presentes. Foto: Luiza Dorneles\/Humanista[\/caption]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><strong>Quilombos no Brasil<\/strong><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Atualmente, sabe-se da exist\u00eancia de comunidades quilombolas em 24 estados brasileiros, com exce\u00e7\u00e3o de Rond\u00f4nia e Acre. De acordo com o <\/span>Incra<span style=\"font-weight: 400;\">, s\u00e3o mais de tr\u00eas mil comunidades mapeadas. Algumas entidades, como a pr\u00f3pria Frente Quilombola RS, consideram que o n\u00famero total pode chegar a cinco mil. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com <\/span><a href=\"http:\/\/cpisp.org.br\/direitosquilombolas\/porque-as-titulacoes-nao-acontecem\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>dados do Observat\u00f3rio Terras Quilombolas<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, da CPISP, as cerca de 17 mil fam\u00edlias quilombolas que vivem em terras tituladas representam somente 8% das 214 mil fam\u00edlias que a <\/span><a href=\"http:\/\/www.seppir.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Seppir<\/b> <b>(Secretaria Nacional de Pol\u00edticas de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial)<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> estima existirem no Brasil. Atualmente, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">1.695 processos tramitam no Incra, e 44% deles foram abertos h\u00e1 mais de 10 anos.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-2236\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Observat\u00f3rio-Terras-Quilombolas-724x1024.png\" alt=\"\" width=\"724\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Observat\u00f3rio-Terras-Quilombolas-724x1024.png 724w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Observat\u00f3rio-Terras-Quilombolas-212x300.png 212w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Observat\u00f3rio-Terras-Quilombolas-768x1086.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Observat\u00f3rio-Terras-Quilombolas.png 794w\" sizes=\"(max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O mais emblem\u00e1tico dos quilombos na hist\u00f3ria do pa\u00eds foi o Quilombo dos Palmares, que localizava-se na <\/span><a href=\"https:\/\/www.google.com.br\/maps\/place\/Parque+Memorial+Quilombos+dos+Palmares,+Serra+Da+Barriga\/@-10.1634237,-36.1957957,7.49z\/data=!4m5!3m4!1s0x0:0xa9efb459735d3ea8!8m2!3d-9.1698975!4d-36.0879247\"><b>Serra da Barriga<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, regi\u00e3o hoje pertencente ao estado de Alagoas. Palmares resistiu por mais de um s\u00e9culo, e o seu mito transformou-se em moderno s\u00edmbolo brasileiro da resist\u00eancia do africano \u00e0 escravatura. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que caracteriza o quilombo, portanto, n\u00e3o \u00e9 o isolamento e a fuga, mas a autonomia, a capacidade de resistir e a transi\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de escravo para a de homem livre. Alterar as condi\u00e7\u00f5es de vida nas comunidades remanescentes de quilombos por meio da regulariza\u00e7\u00e3o da posse da terra tornou-se uma forma de compensar a injusti\u00e7a hist\u00f3rica cometida contra a popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil, aliando dignidade social \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio material e imaterial brasileiro.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-2237\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Terras-tituladas-por-governo-no-Brasil-568x1024.png\" alt=\"\" width=\"568\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Terras-tituladas-por-governo-no-Brasil-568x1024.png 568w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Terras-tituladas-por-governo-no-Brasil-166x300.png 166w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Terras-tituladas-por-governo-no-Brasil-768x1385.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Terras-tituladas-por-governo-no-Brasil.png 800w\" sizes=\"(max-width: 568px) 100vw, 568px\" \/><\/p>\n<h5><strong>Rio Grande do Sul<\/strong><\/h5>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/d\/embed?mid=1jW6dsgxwRTL730kC9pp6c5j31TShD1AB\" width=\"640\" height=\"480\"><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quatro quilombos s\u00e3o titulados no Rio Grande do Sul: Fam\u00edlia Silva, em Porto Alegre; Ch\u00e1cara das Rosas, em Canoas; Casca, em Mostardas; e Rinc\u00e3o dos Martimianos, em Restinga Seca. Em Porto Alegre, os sete quilombos urbanos s\u00e3o: Quilombo do Areal, Quilombo da Fam\u00edlia Silva, Quilombo dos Alpes, Quilombo Fidelix, Quilombo Machado, Quilombo dos Flores e Quilombo Lemos (conforme o mapa).<\/span><\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>*<span style=\"font-weight: 400;\">Foto retirada do <\/span><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=1Tk3gc25bgJIU9xBd_2XAauETiQIpmHju\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Relat\u00f3rio Antropol\u00f3gico do N\u00facleo das Comunidades Ind\u00edgenas e Minorias \u00c9tnicas<\/b><\/a> <span style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal.<\/span><\/p>\n<p>FOTO DE CAPA: <em>Luiza Dorneles\/Humanista<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e9timo quilombo urbano de Porto Alegre enfrenta reintegra\u00e7\u00e3o de posse judicial movida pelo Asilo Padre Cacique; novo governo \u00e9 rev\u00e9s no processo de demarca\u00e7\u00e3o de terras. Luiza Dorneles Bum. Uma batida no port\u00e3o met\u00e1lico reverbera dentro de casa. Era manh\u00e3 do dia 7 de novembro de 2018, pouco mais de uma semana depois da elei\u00e7\u00e3o &#8230; <a title=\"Quilombo Lemos: Resist\u00eancia \u00e9 marca na luta pela preserva\u00e7\u00e3o da cultura negra\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/01\/17\/quilombo-lemos-resistencia-e-marca-na-luta-pela-preservacao-da-cultura-negra\/\" aria-label=\"More on Quilombo Lemos: Resist\u00eancia \u00e9 marca na luta pela preserva\u00e7\u00e3o da cultura negra\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":2244,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[55,51,254,243],"tags":[],"class_list":["post-2224","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-habitacao","category-mais-lidos","category-mais-recentes"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2224","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2224"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2224\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2244"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2224"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2224"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2224"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}