﻿{"id":23914,"date":"2024-01-31T20:08:01","date_gmt":"2024-01-31T23:08:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=23914"},"modified":"2024-10-15T18:06:04","modified_gmt":"2024-10-15T21:06:04","slug":"populacao-negra-e-a-que-mais-morre-por-arma-de-fogo-no-rio-grande-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2024\/01\/31\/populacao-negra-e-a-que-mais-morre-por-arma-de-fogo-no-rio-grande-do-sul\/","title":{"rendered":"Popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 a que mais morre por arma de fogo no Rio Grande do Sul"},"content":{"rendered":"\n<p>Mesmo com uma popula\u00e7\u00e3o majoritariamente branca, s\u00e3o os pretos que mais morrem por arma de fogo no Rio Grande do Sul. O ano de 2017 tem a maior taxa: 50,73 \u00f3bitos por arma de fogo a cada 100 mil habitantes pretos. No mesmo ano, entre os brancos, a taxa chegou a 22,82 \u00f3bitos a cada 100 mil habitantes &#8211; tamb\u00e9m o maior n\u00famero da s\u00e9rie hist\u00f3rica. Uma triste realidade que levou o <strong>Humanista<\/strong>, em colabora\u00e7\u00e3o com a disciplina Ciberjornalismo II, a buscar explica\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As mortes por arma de fogo acontecem, em sua maioria, durante incurs\u00f5es policiais ou em conflitos armados entre civis, especialmente em disputas do tr\u00e1fico. S\u00e3o contabilizadas pelo DataSus na categoria <strong>mortes por causas externas<\/strong>, que inclui, tamb\u00e9m, acidentes, quedas e les\u00f5es autoprovocadas (suic\u00eddios). A classifica\u00e7\u00e3o utilizada nesta reportagem leva em conta os crit\u00e9rios aplicados pelo <a href=\"https:\/\/www.ipea.gov.br\/atlasviolencia\/dados-series\/183\"><strong>Atlas da Viol\u00eancia<\/strong><\/a>, que utilizou os crit\u00e9rios da Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as (CID) 10, filtrando apenas as les\u00f5es por arma de fogo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm n\u00fameros absolutos o Rio Grande do Sul sempre vai ter um n\u00famero maior de ocorr\u00eancias com brancos, porque \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria do estado\u201d, explica Vanessa Chiari, professora associada da Faculdade de Direito da UFRGS e pesquisadora l\u00edder do <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/nupecrim\/\"><strong>Nupecrim (N\u00facleo de Pesquisa em Direito Penal e Criminologia)<\/strong> <\/a>da mesma universidade. O n\u00famero de mortes a cada 100 mil habitantes, no entanto, permite observar qual a propor\u00e7\u00e3o das vidas ceifadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/fzwYlwMdVWcDVxQ86hqhLcFuJhOa39K8kKx7rdYMJH_lpXNAt2z6DznoYmu8mqUJDlfWyX998dhJo9RwHG8lBbkSlrud1ZG8hhyJptZGe8F_M65QswNdHjdot8GkfnpctoysbZx3au08kCZzGmbH28c\" style=\"width: 5000px;\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/14865750\/\"><em>Taxa de \u00f3bitos por arma de fogo de acordo com a ra\u00e7a no Rio Grande do Sul<\/em><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Quando comparadas as mortes por causas externas, excluindo aquelas por arma de fogo, a desigualdade fica ainda mais evidente: em 2021, ano com recorde no n\u00famero absoluto de mortes por causas externas (que incluem al\u00e9m de les\u00f5es por arma de fogo, suic\u00eddios, acidentes e quedas), a taxa chegou a 58,99 \u00f3bitos a cada 100 mil habitantes entre os brancos. Entre a popula\u00e7\u00e3o negra, no mesmo ano, a taxa era de 41,92.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Houve anos, como em 2017, em que a diferen\u00e7a foi de quase o dobro: 56,77 entre os brancos, e 32,25 entre os pretos. A explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 na composi\u00e7\u00e3o racial da popula\u00e7\u00e3o ga\u00facha: no caso das mortes por causas externas em geral, a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 respeitada, com um maior n\u00famero de \u00f3bitos entre a popula\u00e7\u00e3o branca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/t-YPnDNdvF8aewxC1z89jYzAC_y9xS5kKmSCAGmWmbKxi1IBugYuc7P8vfH7PWwzBal52XpIsE95ZBdWh_rtZLP1UGaG6w8h98ogg1YE9mi5Rm1MV5wzgxA_fhxK2Boox9bQghQftqcFxSPTtFtScHc\" style=\"width: 5000px;\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/14866047\/\">Taxa de \u00f3bitos por causa externa de acordo com popula\u00e7\u00e3o no RS<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Estrutura racista<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Apesar de n\u00e3o ser poss\u00edvel delimitar o motivo exato &#8211; se por conflito policial ou entre civis -, Chiari indica que a causa do problema est\u00e1 na estrutura racista da sociedade brasileira, seja pela aus\u00eancia do estado na garantia de direitos para essa popula\u00e7\u00e3o, seja pela predisposi\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia em abordagens com pessoas negras. \u201cEm rela\u00e7\u00e3o aos disparos de arma de fogo que partem das pol\u00edcias, o racismo estrutural se manifesta a partir da no\u00e7\u00e3o de que existe uma desconfian\u00e7a mais significativa da popula\u00e7\u00e3o negra\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um <a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/seguranca\/noticia\/2023\/05\/negro-jovem-e-tatuado-as-caracteristicas-que-mais-motivam-abordagens-policiais-na-grande-porto-alegre-clhv07wux009d016531nzb5hq.html\"><strong>relat\u00f3rio<\/strong><\/a> produzido em conjunto pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) com as for\u00e7as de seguran\u00e7a do Rio Grande do Sul, indicou que ser \u201cnegro, jovem e tatuado\u201d s\u00e3o as caracter\u00edsticas que mais levantam suspeita para abordagens policiais no estado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O termo <strong>racismo estrutural<\/strong> define casos em que a discrimina\u00e7\u00e3o e o proconceito racial est\u00e3o consolidados na organiza\u00e7\u00e3o da sociedade e do poder. Isto \u00e9, para al\u00e9m das viv\u00eancias cotidianas, o racismo \u00e9 uma pr\u00e1tica imbricada nas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e pol\u00edticas da sociedade. \u201cVivemos em uma sociedade em que o racismo \u00e9 uma conjuntura de sociedade, de estrutura social\u201d, argumenta Gabriela Pestano, pesquisadora do <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/observajuv\/\"><strong>ObservaJuv (Observat\u00f3rio de Pesquisa em Viol\u00eancia e Juventude)<\/strong><\/a>. \u201cEssa morte passa por uma quest\u00e3o totalmente racista, por uma escolha racista e por uma vis\u00e3o racista de estado e de sociedade\u201d, complementa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Juventude morta<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Ao analisar a mortalidade por faixa et\u00e1ria, s\u00e3o os mais jovens que morrem mais: os \u00f3bitos se concentram nos indiv\u00edduos entre os 20 e 29 anos, seguidos por aqueles com idade entre 15 e 19 anos. Entre 2012 e 2021, per\u00edodo hist\u00f3rico analisado pela reportagem, dos 21.368 ga\u00fachos mortos por arma de fogo, 7.530 tinham entre 20 e 29 anos, equivalente a 35,24% do total.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/yUmqzZ0tAQPxHk5oPDVgG3BMVNH60d9L9SSoj1fgmRivp1c-DM2toM_ymUgd7nu7gVPGT-RLCWwPJb19bpzxKpfOnGJ1G4QjCcupxF496a4JLv-M8a0WMmLZt99iH6dHpipX9N0d4Eb6o5WLCB_L4Yw\" style=\"width: 5000px;\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/14866653\/\"><em>N\u00famero absoluto de mortes por faixa et\u00e1ria entre 2012 e 2021 no RS<\/em><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O ano de 2017 \u00e9 o com o maior n\u00famero de \u00f3bitos, e s\u00e3o os jovens entre 15 e 19 anos que mais morreram: <strong>59,39 \u00f3bitos por arma de fogo a cada 100 mil habitantes entre os jovens de 15 a 19 anos<\/strong>, contra taxa de 57,3 na faixa et\u00e1ria dos 20 aos 29 anos.<\/p>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/HkGw05_So7jEI3HVSOBkG0xj2KoL6CQKlecNZQl_XEaw5B4s-Ie5deU6GiF94-7rvvfVioWV3iqfz9_Wt7b6NqKisbKrjJkBBigxvbyHsu_ct71J-sii770uIA9kiQXaaJ8dtj4jx70WzEM_U0dJIIs\" style=\"width: 5000px;\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/14866468\/\"><em>Composi\u00e7\u00e3o das mortes por arma de fogo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 faixa et\u00e1ria no RS<\/em><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora do ObservaJuv, Gabriela Pestano, indica que a morte desses jovens n\u00e3o \u00e9 ocorr\u00eancia factual, mas parte de uma linha do tempo de omiss\u00f5es, principalmente do Estado, que culmina nas mortes. O termo <strong>juvenic\u00eddio<\/strong>, cunhado pelo pesquisador mexicano Jos\u00e9 Manuel Valenzula alude a pol\u00edticas institucionais que precarizam a juventude.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO juvenic\u00eddio n\u00e3o \u00e9 a morte pela morte, mas um processo de precariza\u00e7\u00e3o da vida. S\u00e3o pessoas espec\u00edficas que t\u00eam uma trajet\u00f3ria de vida totalmente prec\u00e1ria, que n\u00e3o est\u00e3o tendo acesso \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 moradia digna. Essa vida prec\u00e1ria culmina no evento morte\u201d. E justamente por fazerem parte de uma pol\u00edtica institucional, mesmo que n\u00e3o expl\u00edcita, essas mortes v\u00eam de todos os lados: s\u00e3o policiais que matam jovens, milicianos que matam jovens, e at\u00e9 jovens que matam jovens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante seu mestrado, Pestano analisou os indicadores de mortes da juventude em Porto Alegre. Em 2016, de acordo com dados obtidos pela pesquisadora atrav\u00e9s da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI), dos 830 homic\u00eddios que ocorreram na cidade de Porto Alegre, 493 deles &#8211; ou 59% &#8211; eram de jovens de 12 a 29 anos. Desse total, 438 morreram por arma de fogo. Isto \u00e9, cerca de 88% dos jovens mortos na cidade de Porto Alegre em 2016, um dos anos mais violentos da capital, morreram por les\u00f5es decorrentes de arma de fogo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/vwLzHo-ey1Hp_-5oYN9m1TznFXNhb08wYBPnhC2cchRLXSbGhrzYy7N1oEjY4d-9wZd8UwTi-I0dbQCjjMxaThMNA94i_6HFGmsnLKYzcOvCtFQm654UVDPzxXSGBnU9PK11HzA_hEH_1cVV40MdvFY\" style=\"width: 5000px;\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/14869683\/\"><em>Causas de morte de jovens entre 12 e 29 anos no ano de 2016 na cidade de Porto Alegre<\/em><\/a><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cSe formos ver a rela\u00e7\u00e3o desses adolescentes com as institui\u00e7\u00f5es, a&nbsp; pol\u00edcia \u00e9 a que mais est\u00e1 presente na vida desses jovens. O estado se ausenta mas na hora de controlar, de punir, ele est\u00e1 presente\u201d<\/em><\/p><cite><strong><em>Gabriela Pestano, pesquisadora do Observajuv<\/em><\/strong><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A pouca idade dos mortos por arma de fogo no Rio Grande do Sul tamb\u00e9m pode ser explicada pela influ\u00eancia do poder p\u00fablico nas din\u00e2micas das fac\u00e7\u00f5es. Com o aperfei\u00e7oamento das capacidades de investiga\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias estaduais, muitos dos chefes do tr\u00e1fico acabam presos, mas n\u00e3o incomunic\u00e1veis. As pris\u00f5es dos ex-comandantes fazem com que as lideran\u00e7as desses grupos sejam cada vez mais jovens, e mais impulsivas. \u201cAquele que assume a chefia, \u00e9 muito jovem, tem 14, 15 anos. Eles acabam sendo mais impulsivos, mais imaturos, mais truculentos, violentos\u201d, explica Vanessa Chiari.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, Chiari pontua que s\u00e3o poucos os faccionados que permanecem com liberdade depois dos 29 anos. Muitos s\u00e3o presos ou mortos. \u201cN\u00e3o s\u00e3o muitas as pessoas que passam por uma situa\u00e7\u00e3o de infra\u00e7\u00e3o e que continuam vinculadas a uma atividade criminosa mesmo depois dos 29 anos\u201d, explica. \u201cUm dos fatores de abandono da vida no crime \u00e9 a constitui\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia, sobretudo os filhos que acabam tendo\u201d, complementa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cAlgumas pesquisas indicam que na mortalidade entre jovens nas periferias, h\u00e1 um percentual maior de mortalidade envolvendo disputas de fac\u00e7\u00f5es do que envolvendo letalidade policial. A letalidade policial \u00e9 importante, mas n\u00e3o est\u00e1 em primeiro lugar na morte de jovens. O primeiro lugar nas mortes de jovens aparece na quest\u00e3o do tr\u00e1fico\u201d.<\/em><\/p><cite><strong>Vanessa Chiari, professora de Direito da Ufrgs<\/strong><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cenas da crise: <\/strong><br><strong>os n\u00fameros a partir de 2014<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O ano de 2014 \u00e9 marcado por um aumento substancial no n\u00famero de mortos por arma de fogo no Rio Grande do Sul. Entre 2014 e 2017, houve aumento percentual de 25% no n\u00famero de ocorr\u00eancias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A explica\u00e7\u00e3o, de acordo com especialistas, est\u00e1 no tensionamento das rela\u00e7\u00f5es entre as fac\u00e7\u00f5es criminosas do estado. De acordo com o 17\u00ba anu\u00e1rio do F\u00f3rum de Seguran\u00e7a P\u00fablica, divulgado em 2023, o Rio Grande do Sul \u00e9 o estado brasileiro com maior n\u00famero de fac\u00e7\u00f5es criminosas do pa\u00eds &#8211; s\u00e3o ao menos 15 organiza\u00e7\u00f5es no estado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAqui no Rio Grande do Sul existe uma peculiaridade: as fac\u00e7\u00f5es ga\u00fachas s\u00e3o bairristas. Elas n\u00e3o deixam o PCC [Primeiro Comando da Capital] ou o Comando Vermelho entrarem aqui, s\u00f3 fazem conv\u00eanios\u201d, explica Chiari. Ou seja, \u00e9 comum que os n\u00fameros de mortes violentas no Rio Grande do Sul flutuem dependendo do momento nas fac\u00e7\u00f5es locais, e n\u00e3o sejam t\u00e3o influenciadas pelas din\u00e2micas nacionais, como acontece em outros estados. \u201cA depender do volume de movimenta\u00e7\u00e3o financeira, de drogas, do conv\u00eanio [entre fac\u00e7\u00f5es regionais e nacionais] que se fez, a disputa por territ\u00f3rio aumenta\u201d, finaliza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/X9zNXjUhCsr7Tw6hXXAV_-c_E1cS6vpsuWYOTX85WPYirXMbi0dJHiiYJhMtH2rl8D11iUiK0yk-LTuc0BkNZ6OWuNSSXwKDawbFyxyMdwwJVB6sZx8IYUQUQP3W1Zea_0VaHR-Vx1sumQB1Qd_0Qlc\" style=\"width: 5000px;\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/14869740\/\"><em>Evolu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de mortes por arma de fogo entre 2012 e 2021 no RS<\/em><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2018, no entanto, as taxas de \u00f3bitos por arma de fogo v\u00eam diminuindo no Rio Grande do Sul. Em 2021, o estado registrou o menor n\u00famero de mortes por arma de fogo desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica analisada pela reportagem, em 2012. Entre 2017 e 2021, houve redu\u00e7\u00e3o de 45% nos n\u00fameros de mortes por arma de fogo no estado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o in\u00edcio do primeiro mandato do atual governador Eduardo Leite (PSDB), em 2018, houve uma mudan\u00e7a na pol\u00edtica de seguran\u00e7a. Em fevereiro de 2019, o programa \u201cRS Seguro\u201d, orientado pelo trip\u00e9 \u201cintegra\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia e investimento qualificado\u201d , buscava redesenhar os investimentos em seguran\u00e7a no estado, destinando a maior parte dos investimentos na \u00e1rea para pol\u00edticas p\u00fablicas com maior retorno social.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/JmjnpdRp61wmiddA83sLg1l25Eehqrm8iv7Kbra82OsRi4ff00RCLQ3eAAsZ757QDj3MdDqwIUTgeyhf30CICEhZWnuF8D8fFEDBiyc8IpPJJkTgabRiJmG1tcprNc95csfMgas0WA2cfaKZb1soY8M\" style=\"width: 5000px;\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/14871358\/\"><em>N\u00famero de mortes por arma de fogo no RS X investimentos em seguran\u00e7a p\u00fablica no estado<\/em><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O aumento no valor investido na pasta refletiu nos indicadores de morte: entre 2017 e 2021 houve redu\u00e7\u00e3o de 44% no n\u00famero de mortes por arma de fogo. Apesar da melhora, assim como no resto do pa\u00eds, os n\u00fameros do Rio Grande do Sul ainda mostram uma realidade violenta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>H\u00e1 esperan\u00e7a?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">N\u00e3o h\u00e1 receita m\u00e1gica para a redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia no Brasil. S\u00e9culos de desigualdades e uma hist\u00f3ria que se construiu a partir de uma vis\u00e3o e de estruturas racistas n\u00e3o s\u00e3o resolvidas da noite para o dia. Para Vanessa Chiari, al\u00e9m de um pacto nacional pela redu\u00e7\u00e3o das desigualdades, a legaliza\u00e7\u00e3o da cannabis, que est\u00e1 em discuss\u00e3o no Supremo Tribunal Federal (STF), \u00e9 essencial. \u201cO primeiro passo, do meu ponto de vista, \u00e9 a legaliza\u00e7\u00e3o da cannabis\u201d. Al\u00e9m de tirar das m\u00e3os do tr\u00e1fico uma parte significativa da sua receita financeira, com a legaliza\u00e7\u00e3o o estado passa a ter controle sobre a qualidade do produto. \nA professora ainda destaca a import\u00e2ncia de investir dinheiro na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre o tema. \u201cQuem pode desfazer os mitos [sobre a cannabis] \u00e9 a ci\u00eancia. \u00c9 preciso come\u00e7ar a discutir esse assunto para al\u00e9m dos mitos\u201d, argumenta. Nada disso, no entanto, vale se o or\u00e7amento p\u00fablico n\u00e3o for bem distribu\u00eddo entre as parcelas da sociedade. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para utilizar o or\u00e7amento p\u00fablico para um percentual muito pequeno da popula\u00e7\u00e3o. As pessoas precisam ter acesso a direitos fundamentais\u201d, conclui Chiari.&nbsp;<\/pre>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><sup>*Reportagem originalmente produzida na disciplina Ciberjornalismo II do curso de Jornalismo da Fabico\/UFRGS no semestre letivo 2023\/1, sob a orienta\u00e7\u00e3o do professor<a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9644564954295093\"> <strong>Marcelo Ruschel Tr\u00e4sel<\/strong><\/a>. Edi\u00e7\u00e3o: reda\u00e7\u00e3o <strong>Humanista<\/strong>, 2023\/2.<\/sup><\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo com uma popula\u00e7\u00e3o majoritariamente branca, s\u00e3o os pretos que mais morrem por arma de fogo no Rio Grande do Sul. O ano de 2017 tem a maior taxa: 50,73 \u00f3bitos por arma de fogo a cada 100 mil habitantes pretos. No mesmo ano, entre os brancos, a taxa chegou a 22,82 \u00f3bitos a cada &#8230; <a title=\"Popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 a que mais morre por arma de fogo no Rio Grande do Sul\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2024\/01\/31\/populacao-negra-e-a-que-mais-morre-por-arma-de-fogo-no-rio-grande-do-sul\/\" aria-label=\"More on Popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 a que mais morre por arma de fogo no Rio Grande do Sul\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":23918,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[232,257,32],"tags":[115,61],"class_list":["post-23914","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-explicacaohumanista","category-fabico-humanista","category-igualdade","tag-racismo","tag-violencia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23914","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23914"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23914\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24929,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23914\/revisions\/24929"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23918"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}