﻿{"id":24958,"date":"2024-10-15T21:02:15","date_gmt":"2024-10-16T00:02:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=24958"},"modified":"2024-10-16T11:32:52","modified_gmt":"2024-10-16T14:32:52","slug":"da-prevencao-a-protecao-os-desafios-do-enfrentamento-a-violencia-domestica-no-rio-grande-do-sul-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2024\/10\/15\/da-prevencao-a-protecao-os-desafios-do-enfrentamento-a-violencia-domestica-no-rio-grande-do-sul-2\/","title":{"rendered":"Da preven\u00e7\u00e3o \u00e0 prote\u00e7\u00e3o: os desafios do enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica no Rio Grande do Sul"},"content":{"rendered":"\n<p>Maria* \u00e9 m\u00e3e de seis filhos e uma sobrevivente. Enfrentou um dos desafios mais dif\u00edceis da vida: durante anos, foi v\u00edtima de viol\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica praticadas por quem, naquele momento, era seu companheiro. Sofreu agress\u00f5es verbais, tapas, socos, chutes. Maria tomou uma decis\u00e3o crucial ao buscar uma medida protetiva contra seu ex-companheiro, no entanto, mesmo com a medida em vigor, ela enfrentou uma tentativa de homic\u00eddio, em 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a decis\u00e3o judicial que determinou que o homem deveria permanecer&nbsp; a 100 metros de dist\u00e2ncia de sua resid\u00eancia, ela voltou para o lar com seus filhos, de onde havia sa\u00eddo para se refugiar na Casa de Acolhimento Mulheres Mirabal. Mas a medida protetiva n\u00e3o foi capaz de manter o ex longe: logo ap\u00f3s o retorno, o homem invadiu a resid\u00eancia e esfaqueou a mulher.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Depoimento de v\u00edtima de tentativa de feminic\u00eddio\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fL-2PKZmoCA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>O caso, infelizmente, n\u00e3o \u00e9 isolado, raz\u00e3o pela qual o <strong>Humanista<\/strong> volta a publicar reportagem sobre o tema na se\u00e7\u00e3o Fabico + Humanista, dedicada a dar visibilidade ao trabalho produzido em disciplinas do curso de Jornalismo da UFRGS.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo ano em que Maria se somou aos dados de tentativas de feminic\u00eddios, outras 82 mulheres passaram pela mesma situa\u00e7\u00e3o no Rio Grande do Sul. Com base nos dados disponibilizados pelo Observat\u00f3rio da Viol\u00eancia Contra a Mulher da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Rio Grande do Sul, a reportagem elaborou o infogr\u00e1fico interativo abaixo para contar um pouco da hist\u00f3ria da viol\u00eancia contra a mulher em n\u00fameros.<\/p>\n\n\n        \n        <div class=\"embedpress-gutenberg-wrapper source-provider-Infogram aligncenter clear   ep-content-protection-disabled inline\" id=\"9a44115b-f5da-445a-88ff-c2021e0cac64\" data-embed-type=\"Infogram \">\n            <div class=\"wp-block-embed__wrapper \">\n                <div id=\"ep-gutenberg-content-d1758469d92d36cb65066cd04b505d0a\" class=\"ep-gutenberg-content\">\n                    <div >\n                        <div class=\"ep-embed-content-wraper preset-default insta-grid ep-google-photos-carousel\"\n                                                                                                                >\n\n                            <div class=\"ose-infogram ose-uid-f2c54ba17b5220ca997f8caa8935aff2 ose-embedpress-responsive\" style=\"width:600px; height:450px; max-height:450px; max-width:100%; display:inline-block;\"><div class=\"infogram-embed\" data-id=\"c36f2904-5848-4aeb-91e9-1241ef1df584\" data-type=\"interactive\" data-title=\"Viol\u00eancia contra a mulher\"><\/div><script>!function(e,n,i,s){var d=\"InfogramEmbeds\";var o=e.getElementsByTagName(n)[0];if(window[d]&&window[d].initialized)window[d].process&&window[d].process();else if(!e.getElementById(i)){var r=e.createElement(n);r.async=1,r.id=i,r.src=s,o.parentNode.insertBefore(r,o)}}(document,\"script\",\"infogram-async\",\"https:\/\/e.infogram.com\/js\/dist\/embed-loader-min.js\");<\/script><div style=\"padding:8px 0;font-family:Arial!important;font-size:13px!important;line-height:15px!important;text-align:center;border-top:1px solid #dadada;margin:0 30px\"><a href=\"https:\/\/infogram.com\/c36f2904-5848-4aeb-91e9-1241ef1df584\" style=\"color:#989898!important;text-decoration:none!important;\" target=\"_blank\">Viol\u00eancia contra a mulher<\/a><br><a href=\"https:\/\/infogram.com\" style=\"color:#989898!important;text-decoration:none!important;\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">Infogram<\/a><\/div><\/div>                        <\/div>\n\n                                            <\/div>\n                <\/div>\n            <\/div>\n        <\/div>\n    \n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Combate \u00e0 viol\u00eancia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Para a Ivana Battaglin, promotora de Justi\u00e7a Coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento \u00e0 Viol\u00eancia Contra a Mulher do Minist\u00e9rio P\u00fablico do RS, o aumento no n\u00famero da viol\u00eancia observado nos \u00faltimos anos se deve, em parte, ao desfinanciamento de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas ao assunto por parte do governo Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s n\u00e3o conseguimos fazer pol\u00edtica p\u00fablica e enfrentar a viol\u00eancia contra a mulher sem dinheiro. S\u00f3 com boa vontade n\u00e3o se faz\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Dra-Ivana-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-24935\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Dra-Ivana-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Dra-Ivana-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Dra-Ivana-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Dra-Ivana-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Dra-Ivana-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Dra-Ivana-1500x1000.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Dra-Ivana-1020x680.jpg 1020w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Promotora Ivana Battaglin critica o desfinanciamento \u00e0 pol\u00edticas de combate a viol\u00eancia dom\u00e9stica | Foto: Mari Lapinski<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A posi\u00e7\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ada pela an\u00e1lise do Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, divulgado no ano passado. O <a href=\"https:\/\/forumseguranca.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/anuario-2023.pdf\">17\u00ba Anu\u00e1rio<\/a>, referente ao ano de 2022, observou um crescimento da viol\u00eancia contra a mulher e levantou algumas hip\u00f3teses, al\u00e9m do desfinanciamento de pol\u00edticas p\u00fablicas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, para explicar o crescimento no \u00e2mbito nacional. S\u00e3o elas: o impacto da pandemia nos servi\u00e7os de acolhimento e prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, o crescimento de movimentos ultraconservadores, que defendem a manuten\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is de g\u00eanero nos quais as mulheres s\u00e3o postas como inferiores, e o <em>backlash<\/em>, a rea\u00e7\u00e3o aos esfor\u00e7os para romper os pap\u00e9is de g\u00eanero historicamente atribu\u00eddos.<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia de crescimento observada no \u00e2mbito nacional, em 2022, se manteve ao longo de 2023 no RS, como mostram os n\u00fameros da SSP\/RS. Foram 55.623 registros relacionados \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher em 2023. O n\u00famero \u00e9 17,5% maior que em 2022. Nesse dado, est\u00e3o inclusos os registros de amea\u00e7a, estupro, les\u00e3o corporal e feminic\u00eddios tentados e consumados.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00fanico indicador que observou redu\u00e7\u00e3o no Estado foi o de feminic\u00eddios consumados, que caiu de 111 para 87, em 2023. N\u00famero 21,5% menor em rela\u00e7\u00e3o a 2022.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"410\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/image-410x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-24962\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/image-410x1024.png 410w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/image-120x300.png 120w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/image.png 512w\" sizes=\"(max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cultura machista<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Em 2012, o Rio Grande do Sul tornou-se pioneiro no Brasil ao instituir o Programa Patrulha Maria da Penha, da Brigada Militar. O programa atua fazendo visitas \u00e0 resid\u00eancia das v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica que tiveram medidas protetivas decretadas pela Justi\u00e7a. Se a v\u00edtima aceitar participar do programa, a Brigada passa a fazer rondas peri\u00f3dicas, com visita\u00e7\u00e3o \u00e0 sua \u00e1rea de resid\u00eancia. O objetivo principal \u00e9 dissuadir os agressores a descumprir as decis\u00f5es judiciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o Major Diego Terra, coordenador estadual da Patrulha Maria da Penha, as a\u00e7\u00f5es posteriores aos casos de viol\u00eancia ainda s\u00e3o insuficientes para acabar com esses crimes. Ele defende a necessidade do esclarecimento da sociedade a respeito da discrimina\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o de g\u00eanero. \u201cQuando a gente come\u00e7ar a ter a sociedade come\u00e7ando a conhecer como funciona essa viol\u00eancia, vai poder contribuir justamente para n\u00e3o aceitar esse tipo de comportamento.\u201d<\/p>\n\n\n        <div class=\"ose-youtube responsive wp-block-embed-youtube ose-youtube-single-video aligncenter\" style=\"max-width: 100%;\">\n            <iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3Wzr8pvaG5Q?controls=1&#038;fs=1&#038;iv_load_policy=1\"\n                allowtransparency=\"true\"\n                allowfullscreen=\"true\"\n                frameborder=\"0\"\n                style=\"max-width: 100%;\"\n                width=\"640\" height=\"360\">\n            <\/iframe>\n        <\/div>\n    \n\n\n<p>Para ele, \u00e9 importante que a popula\u00e7\u00e3o, principalmente as mulheres, possam reconhecer que est\u00e3o inseridas em um ciclo de viol\u00eancia. A partir desse reconhecimento, a v\u00edtima vai poder buscar aux\u00edlio, fazer a den\u00fancia e permitir que o poder p\u00fablico atue.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente [<em>poder p\u00fablico<\/em>] tem que conquistar a confian\u00e7a dessas outras pessoas que n\u00e3o est\u00e3o ainda se sentindo seguras, ou n\u00e3o est\u00e3o conseguindo sair do ciclo da viol\u00eancia, para fazer o registro, para que o Estado possa dar sua resposta\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"702\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Foto-da-Brigada-1024x702.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-24944\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Foto-da-Brigada-1024x702.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Foto-da-Brigada-300x206.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Foto-da-Brigada-768x527.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Foto-da-Brigada-1536x1054.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Foto-da-Brigada-2048x1405.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Foto-da-Brigada-1500x1029.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sargento \u00c2ngela da Silva Dias e Major Diego Terra, respons\u00e1vel pela Patrulha da Maria da Penha no RS | Foto: Mari Lapinski<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A promotora Ivana, avalia que a toler\u00e2ncia da sociedade com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher est\u00e1 ligada \u00e0 cultura de superioridade masculina. Ela lembra que, desde o per\u00edodo colonial no Brasil, o casamento servia para tornar dar ao homem a propriedade sobre aquela mulher. At\u00e9 a d\u00e9cada de 60, por exemplo, a mulher precisava de autoriza\u00e7\u00e3o expressa do marido para poder trabalhar.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><mark style=\"background-color:#8ed1fc\" class=\"has-inline-color has-black-color\">\u201cHavia autoriza\u00e7\u00e3o nos c\u00f3digos [<em>legais<\/em>] anteriores de que se a mulher tra\u00edsse o marido, o homem estava autorizado a mat\u00e1-la. Por isso a gente tem tanto feminic\u00eddio, porque a legisla\u00e7\u00e3o mudou, mas a cultura n\u00e3o\u201d.<\/mark><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para a promotora, a principal a\u00e7\u00e3o para combater a viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o. Ela observa que a maior parte da Lei Maria da Penha \u00e9 de car\u00e1ter preventivo. Ou seja, prev\u00ea o enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher com a\u00e7\u00f5es articuladas do poder p\u00fablico, antes da puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm mat\u00e9ria de viol\u00eancia dom\u00e9stica, a puni\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o mais importante. Ela \u00e9 relevante tamb\u00e9m. \u00c9 uma luta hist\u00f3rica dos movimentos feministas, no sentido de que o agressor tem uma resposta, mas ela n\u00e3o \u00e9 o mais importante\u201d, afirma Ivana.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignwide has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" data-id=\"24968\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Foto-coordenadora-Mulheres-Mirabal-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-24968\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Foto-coordenadora-Mulheres-Mirabal-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Foto-coordenadora-Mulheres-Mirabal-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Foto-coordenadora-Mulheres-Mirabal-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Foto-coordenadora-Mulheres-Mirabal-1-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Foto-coordenadora-Mulheres-Mirabal-1-2048x1152.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Foto-coordenadora-Mulheres-Mirabal-1-1500x844.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Coordenada por um grupo de mulheres, a Casa de Refer\u00eancia Mulheres Mirabal atende mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia que precisam de abrigamento ou acolhimento | Foto: Mari Lapinski<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Suporte necess\u00e1rio<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Macliciana Donida, uma das coordenadoras da Casa de Acolhimento e Abrigamento de Mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/casamulheresmirabal\/\">Mulheres Mirabal<\/a>, afirma que, desde o primeiro acolhimento, a Casa busca entender o perfil da v\u00edtima para poder auxili\u00e1-la. \u201cBoa parte das mulheres n\u00e3o precisa de abrigamento, porque ela tem algum lugar para ficar onde ela vai estar segura\u201d. Por\u00e9m, quando precisa, ela \u00e9 encaminhada para um local sigiloso onde poder\u00e1 morar pelo tempo que for necess\u00e1rio para reconstruir sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Macliciana observa um perfil que o perfil de mulheres mais comum na Mirabal \u00e9 de jovens entre 18 e 30 anos, negras e com mais de um filho. \u201cEsse \u00e9 o padr\u00e3o\u201d, afirma. Contudo, ela lembra que a viol\u00eancia contra a mulher n\u00e3o \u00e9 exclusiva de um grupo social. \u201cN\u00e3o tem nada que v\u00e1 garantir que a gente n\u00e3o vai sofrer viol\u00eancia. Isso n\u00e3o existe.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de sofrer a tentativa de feminic\u00eddio, Maria encontrou oportunidades de crescimento pessoal e aprendizado na Casa Mirabal. Segundo ela, sua passagem pela Casa ensinou-a a se impor e a valorizar sua pr\u00f3pria dignidade. Aprender a dizer \u201cn\u00e3o\u201d e reconhecer os sinais de viol\u00eancia. Esse \u00e9 um conhecimento crucial para romper o ciclo de viol\u00eancia e construir uma vida baseada no respeito pr\u00f3prio e na autoestima.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao refletir sobre sua hist\u00f3ria, Maria deixa um poderoso apelo para todas as mulheres que enfrentam situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica: buscar ajuda. Ela enfatiza a import\u00e2ncia de n\u00e3o se calar e de buscar apoio em amigos, familiares ou institui\u00e7\u00f5es de acolhimento. Maria diz acreditar firmemente que nenhuma mulher deve aceitar ser maltratada, e que \u00e9 fundamental quebrar o ciclo de viol\u00eancia. Sua hist\u00f3ria \u00e9 um lembrete poderoso da import\u00e2ncia da solidariedade e da a\u00e7\u00e3o coletiva na luta contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Locaisacolhimento-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-24947\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Locaisacolhimento-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Locaisacolhimento-300x169.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Locaisacolhimento-768x432.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Locaisacolhimento-1536x864.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Locaisacolhimento-1500x844.png 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Locaisacolhimento.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>*Nome fict\u00edcio<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p>Reportagem produzida por Guilherme Freling, Gustavo Pinheiro, Marieli Lapinski e Paulo Alberto Garciana para a disciplina de Ciberjornalismo III do curso de Jornalismo da Fabico\/UFRGS, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Camila Hartmann, no semestre letivo 2023\/2, com data de 12 de fevereiro de 2024<br>Edi\u00e7\u00e3o: reda\u00e7\u00e3o Humanista, 2024\/2<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria* \u00e9 m\u00e3e de seis filhos e uma sobrevivente. Enfrentou um dos desafios mais dif\u00edceis da vida: durante anos, foi v\u00edtima de viol\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica praticadas por quem, naquele momento, era seu companheiro. Sofreu agress\u00f5es verbais, tapas, socos, chutes. Maria tomou uma decis\u00e3o crucial ao buscar uma medida protetiva contra seu ex-companheiro, no entanto, &#8230; <a title=\"Da preven\u00e7\u00e3o \u00e0 prote\u00e7\u00e3o: os desafios do enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica no Rio Grande do Sul\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2024\/10\/15\/da-prevencao-a-protecao-os-desafios-do-enfrentamento-a-violencia-domestica-no-rio-grande-do-sul-2\/\" aria-label=\"More on Da preven\u00e7\u00e3o \u00e0 prote\u00e7\u00e3o: os desafios do enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica no Rio Grande do Sul\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":24967,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[257,33,249],"tags":[584,130,61,585],"class_list":["post-24958","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fabico-humanista","category-seguranca","category-violencia-contra-a-mulher","tag-feminicidio","tag-rio-grande-do-sul","tag-violencia","tag-violencia-domestica"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24958","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24958"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24958\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24983,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24958\/revisions\/24983"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24967"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24958"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24958"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24958"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}