﻿{"id":25496,"date":"2024-11-14T20:41:59","date_gmt":"2024-11-14T23:41:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=25496"},"modified":"2024-11-15T11:45:04","modified_gmt":"2024-11-15T14:45:04","slug":"doacoes-de-orgaos-aumentam-mas-ainda-estao-longe-de-suprir-a-demanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2024\/11\/14\/doacoes-de-orgaos-aumentam-mas-ainda-estao-longe-de-suprir-a-demanda\/","title":{"rendered":"Doa\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os aumentam, mas ainda est\u00e3o longe de suprir a demanda"},"content":{"rendered":"\n<p>Em outubro deste ano, seis pessoas que haviam recebido <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/2024\/10\/11\/investigacao-transplante-orgaos-contaminacao-hiv.ghtml\">\u00f3rg\u00e3os transplantados<\/a> testaram positivo para HIV. O acidente ocorreu em um <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/saude-com-ciencia\/noticias\/2024\/outubro\/esclarecimentos-sobre-conteudos-falsos-no-caso-de-transplantes-de-orgaos-contaminados-pelo-hiv\">laborat\u00f3rio terceirizado<\/a> contratado pela Secretaria de Estado de Sa\u00fade do Rio de Janeiro, que, para baratear os custos, afrouxava o controle de qualidade de seus procedimentos. Com isso, os exames do reagente do v\u00edrus de dois doadores deram falso negativo. At\u00e9 o momento, <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/nacional\/quarto-investigado-por-transplante-de-orgaos-infectados-por-hiv-e-preso-no-aeroporto-do-galeao\/\">quatro suspeitos foram detidos<\/a>. Por conta disso, o <a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/colunas\/igor-gadelha\/apos-transplante-com-hiv-governo-avalia-campanha-de-doacao-de-orgaos\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a> j\u00e1 estuda sobre a necessidade de realizar uma nova campanha de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o Sistema Nacional de Transplantes, com receio de que esse caso isolado impacte nos n\u00fameros de doa\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os e tecidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o Brasil possua o maior <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/composicao\/saes\/snt#:~:text=O%20Brasil%20possui%20o%20maior,88%25%20dos%20transplantes%20no%20pa%C3%ADs.\">programa p\u00fablico<\/a> de transplantes, a demanda por doa\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os e tecidos est\u00e1 longe de ser suprida. De acordo com os \u00faltimos <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2024\/setembro\/com-mais-de-14-mil-transplantes-no-primeiro-semestre-sus-bate-novo-recorde-em-2024\">dados divulgados<\/a> pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, entre janeiro e junho deste ano, o SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade) realizou 14.352 transplantes, sendo 4.580 \u00f3rg\u00e3os e 8.260 c\u00f3rneas e 1.512 medulas \u00f3sseas, classificados como tecidos. Esses n\u00fameros equivalem a um aumento de 3,25%, quando comparados com o mesmo per\u00edodo no ano anterior.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A espera por um transplante tem <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/saude\/noticia\/2024\/07\/13\/brasil-tem-mais-de-43-mil-pessoas-a-espera-por-um-transplante-veja-lista-por-orgao-e-saiba-como-ser-doador.ghtml\">a dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia \u00e9 18 meses<\/a>, podendo demorar mais de acordo com cada caso. Nesse meio tempo, muitos acabam por perder empregos, devido \u00e0s dificuldades de se locomover e executar tarefas b\u00e1sicas, bem como sua independ\u00eancia, necessitando do aux\u00edlio da fam\u00edlia e de amigos para os afazeres da rotina. Segundo os \u00faltimos dados, <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/saude\/noticia\/2024\/07\/13\/brasil-tem-mais-de-43-mil-pessoas-a-espera-por-um-transplante-veja-lista-por-orgao-e-saiba-como-ser-doador.ghtml\">43,7 mil pessoas<\/a> aguardam na lista de espera para receber um \u00f3rg\u00e3o ou tecido. Anualmente, <a href=\"https:\/\/www.terra.com.br\/vida-e-estilo\/saude\/doacao-de-orgaos-3-mil-brasileiros-morrem-anualmente-na-fila-de-espera,14d64bddf2c54ea4026371a890102051zuwilzse.html\">cerca de tr\u00eas mil pessoas<\/a> acabam falecendo antes de conseguir o t\u00e3o aguardado transplante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A dificuldade em avan\u00e7ar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong><br><\/strong>A doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os e tecidos no Brasil continua a aumentar gradativamente, de acordo com <a href=\"https:\/\/site.abto.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/RBT_2023-Populacao_Site.pdf\">dados divulgados<\/a> pela ABTO (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transplantes de \u00d3rg\u00e3os), o ano de 2023 foi o que registrou o maior n\u00famero de doa\u00e7\u00f5es. Foram registrados 4.035 doadores, um aumento de 14,4% se compararmos com o ano anterior. Contudo, a recusa por parte dos familiares continua sendo o impasse para o avan\u00e7o desses, permanecendo na m\u00e9dia hist\u00f3rica de em torno de 40%. Para a enfermeira Karla Hermann, que trabalha h\u00e1 17 anos na CIHDOTT do Hospital de Cl\u00ednicas de Porto Alegre, o maior motivo \u00e9 o desconhecimento, mas tamb\u00e9m aponta a dificuldade em debatermos a morte e a falta de investimento como outros fatores.&nbsp;<\/p>\n\n\n        \n        <div class=\"embedpress-gutenberg-wrapper source-provider-Infogram aligncenter clear   ep-content-protection-disabled inline\" id=\"7cc8fdce-a723-45ff-84c1-a1f24f4d57d0\" data-embed-type=\"Infogram \">\n            <div class=\"wp-block-embed__wrapper \">\n                <div id=\"ep-gutenberg-content-adc1bda7bed5c5d7932e3ece7252413d\" class=\"ep-gutenberg-content\">\n                    <div >\n                        <div class=\"ep-embed-content-wraper preset-default insta-grid ep-google-photos-carousel\"\n                                                                                                                >\n\n                            <div class=\"ose-infogram ose-uid-9f53c87f171a5c4b3c168b979304596b ose-embedpress-responsive\" style=\"width:600px; height:450px; max-height:450px; max-width:100%; display:inline-block;\"><div class=\"infogram-embed\" data-id=\"cb7d3c7b-e9c1-4b19-adcc-ceb0b88c1f5b\" data-type=\"interactive\" data-title=\"Transplante de \u00f3rg\u00e3os no Brasil (2016-2023)\"><\/div><script>!function(e,n,i,s){var d=\"InfogramEmbeds\";var o=e.getElementsByTagName(n)[0];if(window[d]&&window[d].initialized)window[d].process&&window[d].process();else if(!e.getElementById(i)){var r=e.createElement(n);r.async=1,r.id=i,r.src=s,o.parentNode.insertBefore(r,o)}}(document,\"script\",\"infogram-async\",\"https:\/\/e.infogram.com\/js\/dist\/embed-loader-min.js\");<\/script><div style=\"padding:8px 0;font-family:Arial!important;font-size:13px!important;line-height:15px!important;text-align:center;border-top:1px solid #dadada;margin:0 30px\"><a href=\"https:\/\/infogram.com\/cb7d3c7b-e9c1-4b19-adcc-ceb0b88c1f5b\" style=\"color:#989898!important;text-decoration:none!important;\" target=\"_blank\">Transplante de \u00f3rg\u00e3os no Brasil (2016-2023)<\/a><br><a href=\"https:\/\/infogram.com\" style=\"color:#989898!important;text-decoration:none!important;\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">Infogram<\/a><\/div><\/div>                        <\/div>\n\n                                            <\/div>\n                <\/div>\n            <\/div>\n        <\/div>\n    \n\n\n<p>Para a especialista, a falta de conhecimento ainda segue sendo uma barreira para o avan\u00e7o no n\u00famero de doadores, em muitos casos, a entrevista ap\u00f3s o diagn\u00f3stico de morte encef\u00e1lica \u00e9 o primeiro contato com o tema. Al\u00e9m disso, o falecimento segue sendo um t\u00f3pico delicado, principalmente em discuss\u00f5es no \u00e2mbito familiar. Por conta disso, muitas fam\u00edlias acabam por negar a doa\u00e7\u00e3o, capaz de salvar diversas vidas, por n\u00e3o saber qual seria a decis\u00e3o de seu ente que partiu. A enfermeira reitera, entretanto, que cren\u00e7as religiosas, em geral apontadas como motivo para a negativa, s\u00e3o raramente o fator decisivo, tendo em vista que a maioria delas j\u00e1 apoiam a doa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>&nbsp;\u201cN\u00f3s temos que ensinar a popula\u00e7\u00e3o em geral a pensar sobre isso, e tratar desse assunto como qualquer outro, sem mitos\u2026 no momento que esse assunto for corriqueiro, n\u00f3s estamos com meio caminho andado, porque hoje ainda \u00e9 um tabu\u201d<\/strong> &#8211; Karla Hermann<\/h4>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Falhas estruturais tamb\u00e9m impactam na demora em suprir a demanda de \u00f3rg\u00e3os e tecidos. A enfermeira aponta a necessidade de um maior apoio aos profissionais que trabalham com esse processo, proporcionando uma melhor instru\u00e7\u00e3o, para que o paciente que est\u00e1 evoluindo para uma morte encef\u00e1lica seja identificado o quanto antes. Al\u00e9m disso, cita a assist\u00eancia para aqueles respons\u00e1veis por tratar diretamente com as fam\u00edlias, que precisam dialogar diariamente com pessoas que passam por um momento pesado e delicado, para ent\u00e3o seguir suas vidas sem o amparo devido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de investimento \u00e9 percebida em diferentes pontos desse sistema complexo, como no caso de hospitais pequenos e de \u00e1reas distantes das capitais dos estados. \u00c9 comum que muitos desses precisem lidar com a falta dos equipamentos e com equipes sobrecarregadas, que assumem mais fun\u00e7\u00f5es do que aquelas para as quais foram contratadas, sem receber nada por esse acr\u00e9scimo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, alguns estados acabam por terceirizar algumas etapas desse processo, como exames laboratoriais e o transporte de \u00f3rg\u00e3os e tecidos doados. A maioria das institui\u00e7\u00f5es envolvidas s\u00e3o ligadas ao governo, e passam por um controle de qualidade r\u00edgido e auditorias constantes. Todavia, existem casos raros, como o ocorrido no Rio de Janeiro, mencionado no in\u00edcio da reportagem, em que um laborat\u00f3rio terceirizado falhou em diagnosticar corretamente dois doadores portadores de HIV.<\/p>\n\n\n\n<p>A sobrecarga dos profissionais acaba por dificultar a comunica\u00e7\u00e3o com a Central de Transplantes, ocasionando falhas na log\u00edstica, e ainda, impedindo a cria\u00e7\u00e3o de la\u00e7os com as fam\u00edlias dos doadores. A enfermeira defende que \u00e9 necess\u00e1rio ter uma sensibilidade com esses indiv\u00edduos, desde a recep\u00e7\u00e3o, at\u00e9 as equipes de enfermagem e m\u00e9dica, para que fique claro a evolu\u00e7\u00e3o do quadro desse paciente, para caso ele fale\u00e7a, eles j\u00e1 estejam preparados e cientes da possibilidade da doa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em outros pa\u00edses, como no caso da Espanha, o assunto da doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os e tecidos \u00e9 amplamente difundido, sendo implementadas diversas medidas de conscientiza\u00e7\u00e3o e de recursos como a <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/ciencia-e-saude\/noticia\/2020\/01\/16\/projeto-de-lei-que-amplia-doacao-de-orgaos-gera-debate-na-alemanha.ghtml\">doa\u00e7\u00e3o presumida<\/a>. Nesse cen\u00e1rio, todo cidad\u00e3o \u00e9 considerado um poss\u00edvel doador, salvo caso tenha se declarado contr\u00e1rio durante a vida. Mesmo assim, ainda \u00e9 discutido com a fam\u00edlia, como uma forma de respeito com o falecido e seus familiares. Para Hermann, essa norma segue longe da realidade brasileira, acreditando que precisamos antes disso mudar a cultura e nossas formas de nos relacionar com a morte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>\u201cNo Brasil, na verdade, n\u00f3s temos v\u00e1rios problemas antes da pessoa doar, que \u00e9 a pr\u00f3pria cultura e educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. A pouca confian\u00e7a no sistema p\u00fablico, os problemas do sistema p\u00fablico de sa\u00fade oferecem no dia a dia para cada fam\u00edlia, para cada cidad\u00e3o.\u201d &#8211; <\/strong>Karla Hermann<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O processo<br><\/h2>\n\n\n\n<p>O Sistema Nacional de Transplantes \u00e9 regido pela <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L9434compilado.htm\">Lei n.\u00ba 9.434<\/a>, cujas diretrizes guiam todo o processo. O diagn\u00f3stico de que algu\u00e9m precisa receber um \u00f3rg\u00e3o ou tecido \u00e9 o ponto de partida. A partir desse momento, se inicia a busca por um doador compat\u00edvel. Esses s\u00e3o divididos em dois tipos: os que doam em vida e aqueles que vieram a \u00f3bito por conta de uma morte encef\u00e1lica, em que o c\u00e9rebro perde irreversivelmente suas fun\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro \u00e9 realizado somente entre c\u00f4njuges, parentes com at\u00e9 quatro graus de separa\u00e7\u00e3o ou terceiros mediante autoriza\u00e7\u00e3o judicial. Um doador vivo pode ceder um dos rins, parte do f\u00edgado, parte da medula \u00f3ssea ou parte do pulm\u00e3o. Contudo, antes disso, \u00e9 necess\u00e1rio que o candidato passe por uma s\u00e9rie de exames, para garantir que n\u00e3o haja nenhuma doen\u00e7a transmiss\u00edvel, e que exista compatibilidade com o receptor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos casos em que a doa\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada a partir de uma pessoa falecida, o procedimento \u00e9 diferente. A morte encef\u00e1lica representa uma parcela pequena dos \u00f3bitos, quando o paciente perde gradativamente as fun\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas, mesmo que ainda possua batimentos card\u00edacos e mantenha a temperatura corporal. Seu diagn\u00f3stico \u00e9 dado ap\u00f3s <a href=\"https:\/\/sistemas.cfm.org.br\/normas\/visualizar\/resolucoes\/BR\/1997\/1480\">exames padronizados<\/a> pelo Conselho Federal de Medicina, para garantir que o quadro \u00e9 de fato irrevers\u00edvel. Sendo constatado isso, \u00e9 dado o atestado de \u00f3bito, e a fam\u00edlia desse paciente \u00e9 contatada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A fam\u00edlia \u00e9 convidada para uma conversa, para discutir a possibilidade de doar os \u00f3rg\u00e3os e tecidos de seu ente falecido. Durante esse momento, o paciente ainda recebe respira\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea artificialmente, para manter seu organismo funcionando. O di\u00e1logo \u00e9 conduzido pela CIHDOTT (Comiss\u00e3o Intra-Hospitalar de Doa\u00e7\u00e3o de \u00d3rg\u00e3os e Tecidos para Transplantes) do hospital em que aconteceu o \u00f3bito, que tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela parte de log\u00edstica necess\u00e1ria para a realiza\u00e7\u00e3o dos transplantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, uma pessoa que deseja se tornar um poss\u00edvel doador, pode registrar sua vontade pela internet, por meio da <a href=\"https:\/\/www.aedo.org.br\/\">Autoriza\u00e7\u00e3o Eletr\u00f4nica de Doa\u00e7\u00e3o de \u00d3rg\u00e3os (AEDO)<\/a>, lan\u00e7ada em abril deste ano. Mesmo assim, \u00e9 necess\u00e1rio o aval da fam\u00edlia para a realiza\u00e7\u00e3o do procedimento. No entanto, devido \u00e0s dificuldades que temos de <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2024\/02\/05\/ultimos-desejos\/\">conversar sobre a morte<\/a>, e at\u00e9 a falta de conhecimento, levam essa a negar que essas partes do corpo de seu parente sejam reaproveitados para salvar vidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos casos em que a fam\u00edlia aceita, a CIHDOTT do hospital entra em contato com a Central de Transplantes de seu estado, respons\u00e1vel por controlar esse sistema a n\u00edvel regional. Essa institui\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, analisar\u00e1 a lista de espera por um transplante, em busca do candidato mais compat\u00edvel, levando em considera\u00e7\u00e3o o tipo sangu\u00edneo, a altura, o peso e a gravidade da situa\u00e7\u00e3o. Os que melhor se encaixarem nos par\u00e2metros necess\u00e1rios s\u00e3o trazidos ao hospital em quest\u00e3o para verificar a compatibilidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto se procura um receptor, o paciente falecido passa por uma s\u00e9rie de exames, para testar se ele possui uma doen\u00e7a transmiss\u00edvel, ou algum princ\u00edpio de c\u00e2ncer. Com isso resolvido, com os indiv\u00edduos que ir\u00e3o receber a doa\u00e7\u00e3o j\u00e1 selecionados, se inicia o procedimento de retirada, quando s\u00e3o recolhidos os \u00f3rg\u00e3os: rins, cora\u00e7\u00e3o, pulm\u00e3o, p\u00e2ncreas, f\u00edgado e intestino. Os tecidos transplant\u00e1veis s\u00e3o c\u00f3rneas, v\u00e1lvulas, ossos, m\u00fasculos, tend\u00f5es, pele, cartilagem, medula \u00f3ssea, sangue do cord\u00e3o umbilical, veias e art\u00e9rias. Ap\u00f3s a cirurgia, o corpo \u00e9 suturado e devolvido \u00e0 fam\u00edlia, para a realiza\u00e7\u00e3o dos procedimentos funer\u00e1rios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Simultaneamente, \u00e9 realizado o transplante nas pessoas selecionadas para receber a doa\u00e7\u00e3o, que recebem uma segunda chance para continuar a viver da melhor forma, caso n\u00e3o haja nenhuma rejei\u00e7\u00e3o a esse novo \u00f3rg\u00e3o ou tecido.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/GovernodaParaiba-1-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-25482\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/GovernodaParaiba-1-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/GovernodaParaiba-1-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/GovernodaParaiba-1-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/GovernodaParaiba-1-1500x844.jpeg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/GovernodaParaiba-1.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Durante o procedimento cir\u00fargico a equipe hospitalar \u00e9 divida em grupos, cada um respons\u00e1vel por um \u00f3rg\u00e3o ou tecido | Foto: Governo do Estado da Para\u00edba\n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A espera que n\u00e3o termina<\/h2>\n\n\n\n<p>Aguardar pela liga\u00e7\u00e3o que pode salvar sua vida, sabendo e sentindo que uma parte de seu corpo est\u00e1 parando de funcionar, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. A ideia para a funda\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.viavida.org.br\/\">ONG Viavida<\/a> surgiu em 1999, quando a psic\u00f3loga, Maria L\u00facia Elbern, recebeu a not\u00edcia de que seu filho precisava receber o transplante de um rim, para, em seguida, descobrir que n\u00e3o era compat\u00edvel. A ang\u00fastia de ficar na lista de espera durou quase um ano e, durante esse tempo, ela foi apresentada ao Sistema Nacional de Transplantes, assimilando os anseios daqueles que esperam pela not\u00edcia de que foi encontrado um doador, como tamb\u00e9m, dos profissionais que trabalham diariamente com essa realidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Criada com o intuito de conscientizar a popula\u00e7\u00e3o sobre a doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os e de tecidos, encontrou uma car\u00eancia que, at\u00e9 ent\u00e3o, era negligenciada pelo poder p\u00fablico: a morada daqueles que viajam de outras cidades ou estados, para serem transplantados em Porto Alegre. Vindos de cidades que n\u00e3o possuem uma estrutura m\u00e9dica adequada, se hospedam gratuitamente na Pousada Solidariedade, gerenciada pela ONG.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nela, os pacientes que aguardam o procedimento, juntamente de um acompanhante, recebem uma alimenta\u00e7\u00e3o de qualidade, bem como acesso a diversos servi\u00e7os de apoio oferecidos por volunt\u00e1rios. Atualmente, o local conta com 12 pacientes, dos quais nove s\u00e3o menores de idade. Al\u00e9m disso, em 2021 a organiza\u00e7\u00e3o recebeu um im\u00f3vel da Prefeitura de Porto Alegre com capacidade para receber at\u00e9 32 pessoas, com mais acessibilidade e conforto. A mudan\u00e7a deve ocorrer em breve.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-algori-image-video-slider-block-algori-image-video-slider dots-style-1-off-slide arrows-style-1-off-slide\" data-slick=\"{&quot;dots&quot;:true,&quot;arrows&quot;:true,&quot;autoplay&quot;:false,&quot;pauseOnFocus&quot;:false,&quot;rtl&quot;:false,&quot;vertical&quot;:false,&quot;fade&quot;:false,&quot;lazyLoad&quot;:false,&quot;centerMode&quot;:false,&quot;infinite&quot;:true,&quot;adaptiveHeight&quot;:true,&quot;speed&quot;:500,&quot;autoplaySpeed&quot;:3000,&quot;slidesToShow&quot;:1,&quot;slidesToScroll&quot;:1,&quot;rows&quot;:1,&quot;slidesPerRow&quot;:1}\"><div><figure class=\"algori-image-video-slider-slide-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Pousada-Solidariedade-TRT42.jpeg\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div><div><figure class=\"algori-image-video-slider-slide-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Pousada-Solidariedade-TRT4.jpeg\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>A lista de espera se tornou parte da discuss\u00e3o popular em agosto de 2023, quando foi divulgado que o apresentador <a href=\"https:\/\/www.terra.com.br\/vida-e-estilo\/saude\/caso-faustao-e-seguro-fazer-2-transplantes-de-orgaos-em-intervalo-de-6-meses,8c46d9dcdfd3601589ab1d39e9070d9ekna2g8z4.html\">Faust\u00e3o<\/a> teria de passar por um transplante de cora\u00e7\u00e3o e a cirurgia aconteceu poucos dias ap\u00f3s o an\u00fancio. A rapidez com que ele passou por esse processo gerou diversos questionamentos. Boatos atribu\u00edram o pouco tempo de espera \u00e0 sua fama e condi\u00e7\u00f5es financeiras, sugerindo que ele havia \u201cfurado\u201d a fila.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, as condutas adotadas estavam conformes \u00e0s normas que regem todo o sistema, no caso, a anteriormente mencionada Lei n.\u00ba 9.434. A posi\u00e7\u00e3o na fila de transplantes \u00e9 estabelecida somente pela ordem de chegada, mas acima disso, pela compatibilidade entre o doador e o receptor, seja de tipo sangu\u00edneo ou at\u00e9 de tamanho. Ainda assim, o principal fator \u00e9 a gravidade da doen\u00e7a. Pacientes como o Faust\u00e3o, que correm s\u00e9rios riscos de vida, s\u00e3o prioridade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na Pousada Solidariedade h\u00e1 diversos exemplos de pessoas que lutam para continuar vivendo e de pais que atravessaram o estado ou o pa\u00eds pelos seus filhos. Esse \u00e9 o caso da Camila Oliveira Silva, que saiu de Cruzeiro do Sul, no Acre, para que sua filha Elisa, de 10 anos, pudesse receber um rim do pai. E tamb\u00e9m de Yasmim Weber, que doou um rim \u00e0 pr\u00f3pria filha, Mait\u00ea, de 10 meses.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Yasmim Weber\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tHh7rKqzuM0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">Yasmim Weber<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Camila Silva\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CPz56T2Toj4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">Camila Oliveira Silva<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A gratid\u00e3o eterna&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Passar pelo Sistema de Transplantes pode ser algo inicialmente assustador, cheio de medos e incertezas. Clarissa Abbadie Auler sabe exatamente como \u00e9 isso, pois aos 39 anos foi diagnosticada com insufici\u00eancia card\u00edaca, sendo necess\u00e1rio passar por um transplante de cora\u00e7\u00e3o. Ela que, at\u00e9 ent\u00e3o, vivia uma vida agitada, em que se afastava do mundo do Direito, \u00e1rea em que tem forma\u00e7\u00e3o, para seguir sua paix\u00e3o pelo universo da moda, precisou parar tudo para cuidar de si mesma.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Copia-de-Clarissa-Auler-2-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-25478 size-full\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Copia-de-Clarissa-Auler-2-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Copia-de-Clarissa-Auler-2-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Copia-de-Clarissa-Auler-2.jpeg 820w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p>A espera pelo novo \u00f3rg\u00e3o durou dois meses e meio; Durante esse per\u00edodo, teve contato com diversos tratamentos cl\u00ednicos, consultas com psic\u00f3logos, enquanto ainda se questionava se o transplante era o caminho certo. No decorrer desse tempo, surgiram tr\u00eas poss\u00edveis doadores. Os dois primeiros acabaram n\u00e3o sendo compat\u00edveis, mas o terceiro, deu certo, e segue dando certo at\u00e9 hoje.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Clarissa acredita que a conscientiza\u00e7\u00e3o e melhorias nas pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o caminho para alcan\u00e7armos mais doadores | Foto: arquivo pessoal<br><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi f\u00e1cil, pois ela passou por um processo de rejei\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o novo e precisou lidar com a dificuldade de se adaptar com os rem\u00e9dios imunossupressores, usados para evitar que o sistema imunol\u00f3gico tente atingir essa parte nova do corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, aos 46 anos, Clarissa se ocupa com sua <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/vemclariar\/\">pr\u00f3pria marca<\/a> de roupas de croch\u00ea, em que ela mesma produz as pe\u00e7as. Em fevereiro de 2023, ela ganhou o primeiro lugar na <a href=\"https:\/\/www.hcpa.edu.br\/2921-paciente-transplantada-vence-competicao-de-natacao-em-aguas-abertas\">competi\u00e7\u00e3o<\/a> de nata\u00e7\u00e3o em \u00e1guas abertas Rainha do Mar, que acontece na Praia de Copacabana no Rio de Janeiro, na categoria de 500 metros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"839\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Copia-de-Clarissa-Auler-3-1024x839.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-25477\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Copia-de-Clarissa-Auler-3-1024x839.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Copia-de-Clarissa-Auler-3-300x246.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Copia-de-Clarissa-Auler-3-768x629.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Copia-de-Clarissa-Auler-3-1536x1259.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Copia-de-Clarissa-Auler-3-2048x1679.png 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Copia-de-Clarissa-Auler-3-1500x1229.png 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O esporte p\u00f3s transplante \u00e9 uma realidade, existe, inclusive, uma Olimp\u00edadas para Transplantados. Na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, ocorrida em 2023, o time brasileiro conquistou 25 medalhas | Foto: arquivo pessoal\n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, Clarissa se envolve com a causa conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os e tecidos. Ela usa sua hist\u00f3ria como exemplo de como essa decis\u00e3o pode salvar diversas vidas, n\u00e3o apenas de quem \u00e9 transplantado, mas de todos que os cercam, que recebem uma segunda chance de conviver com essa pessoa por mais tempo. Para ela, a doa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sobre morte, \u00e9 sobre vida, \u00e9 um ato de amor, em que se entrega uma parte de si ou de um familiar, para que outras pessoas possam continuar a viver bem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por conta da doa\u00e7\u00e3o ser mantida em sigilo, Clarissa n\u00e3o sabe quem foi o respons\u00e1vel por doar seu novo cora\u00e7\u00e3o, contudo, durante sua entrevista ao Humanista, aceitou mandar uma mensagem para ele, que pode ser ouvida no \u00e1udio a seguir:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Audio-mensagem-Clarissa.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em outubro deste ano, seis pessoas que haviam recebido \u00f3rg\u00e3os transplantados testaram positivo para HIV. O acidente ocorreu em um laborat\u00f3rio terceirizado contratado pela Secretaria de Estado de Sa\u00fade do Rio de Janeiro, que, para baratear os custos, afrouxava o controle de qualidade de seus procedimentos. Com isso, os exames do reagente do v\u00edrus de &#8230; <a title=\"Doa\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os aumentam, mas ainda est\u00e3o longe de suprir a demanda\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2024\/11\/14\/doacoes-de-orgaos-aumentam-mas-ainda-estao-longe-de-suprir-a-demanda\/\" aria-label=\"More on Doa\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os aumentam, mas ainda est\u00e3o longe de suprir a demanda\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":25479,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[243],"tags":[67],"class_list":["post-25496","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mais-recentes","tag-saude"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25496","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25496"}],"version-history":[{"count":21,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25496\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25530,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25496\/revisions\/25530"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25479"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25496"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25496"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25496"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}