﻿{"id":25593,"date":"2024-11-21T20:01:15","date_gmt":"2024-11-21T23:01:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=25593"},"modified":"2024-11-21T20:19:34","modified_gmt":"2024-11-21T23:19:34","slug":"estudo-alerta-sobre-concentracao-de-metais-pesados-na-bacia-do-rio-dos-sinos-apos-enchentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2024\/11\/21\/estudo-alerta-sobre-concentracao-de-metais-pesados-na-bacia-do-rio-dos-sinos-apos-enchentes\/","title":{"rendered":"Estudo alerta sobre concentra\u00e7\u00e3o de metais pesados na Bacia do Rio dos Sinos ap\u00f3s enchentes\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><a href=\"https:\/\/osf.io\/yjdvt\/\">Estudo realizado por estudantes<\/a>, pesquisadores e professores da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) mostrou que metais em n\u00edveis acima do aceit\u00e1vel e uma quantidade significativa de bact\u00e9rias foram detectados na lama e na \u00e1gua da Bacia do Rio dos Sinos ap\u00f3s as enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul no m\u00eas de maio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a an\u00e1lise, foram coletadas, no in\u00edcio de julho, 11 amostras de \u00e1gua superficial e 13 amostras de sedimentos ao longo de todo o curso do Rio dos Sinos, em \u00e1reas urbanas e periurbanas (de transi\u00e7\u00e3o entre urbanas e rurais), especialmente em bairros afetados, desde sua nascente em Cara\u00e1 at\u00e9 foz em Canoas. Entre as subst\u00e2ncias identificadas, est\u00e3o bact\u00e9rias comumente associadas a esgotos, como os coliformes, al\u00e9m de metais pesados, como c\u00e1dmio, cobre, cromo, n\u00edquel e merc\u00fario.<\/p>\n\n\n\n<p>O Humanista conversou com o professor Marcelo Oliveira Caetano, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia Civil da Unisinos e integrante do projeto, para compreender as causas e os riscos da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como surgiu a iniciativa deste estudo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s come\u00e7amos a observar com aten\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o. Aquele monte de lama, a mistura de res\u00edduos, o pessoal falando sobre o cheiro, e a divis\u00e3o das manchas, algumas mais claras, outras mais escuras. Sempre houve a percep\u00e7\u00e3o de que algo ali n\u00e3o era normal. O local j\u00e1 era conhecido por ser uma \u00e1rea bastante contaminada. E o problema come\u00e7ou a se espalhar: a contamina\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava mais restrita ao Rio dos Sinos, mas avan\u00e7ava para os centros urbanos. O que antes estava nas margens do rio come\u00e7ou a se mover em dire\u00e7\u00e3o ao centro das cidades. E isso trouxe risco de contato direto com as pessoas, o que nos deixou preocupados. A quest\u00e3o foi ainda mais grave porque, quando a \u00e1gua subiu, ela levou todo tipo de material: baterias de ve\u00edculos, restos de combust\u00edveis, e a contamina\u00e7\u00e3o do esgoto das esta\u00e7\u00f5es que estavam a\u00ed, o que agravou a situa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, decidimos quantificar o que estava acontecendo, porque o nosso principal objetivo era alertar a popula\u00e7\u00e3o, informar o que estava presente naquele ambiente e orientar sobre os riscos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como as coletas foram realizadas?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><span id=\"docs-internal-guid-fb81a71c-7fff-11b4-4f73-627a327b27f3\"><\/span>Fizemos a coleta de amostras de \u00e1gua e solo com o pessoal da Geologia e os alunos da universidade. Fomos at\u00e9 a nascente do rio, coletando onde era poss\u00edvel, incluindo \u00e1reas afetadas por alagamentos. Durante esse processo, a an\u00e1lise dos materiais foi dif\u00edcil, principalmente pela dificuldade de acesso e pelas condi\u00e7\u00f5es do momento.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que os resultados mostraram?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O principal alerta era sobre o risco de contato com essas subst\u00e2ncias. N\u00e3o era um &#8220;perigo iminente&#8221;, mas um &#8220;alerta de precau\u00e7\u00e3o&#8221;. Se as concentra\u00e7\u00f5es de metais pesados n\u00e3o forem controladas, podem afetar a sa\u00fade, especialmente a longo prazo. Mas, por enquanto, a ideia era alertar sem criar p\u00e2nico. Nos pr\u00f3ximos dias, faremos uma nova an\u00e1lise para ver se houve mudan\u00e7as nas concentra\u00e7\u00f5es. O que estamos buscando \u00e9 identificar se os metais est\u00e3o diminuindo ou se o risco aumentou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E com o passar do tempo, a tend\u00eancia \u00e9 de que a concentra\u00e7\u00e3o destes metais aumente ou diminua?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre os metais pesados, como eles podem se acumular no solo, a ideia \u00e9 que, com o tempo, eles podem ser dilu\u00eddos ou se mover para camadas mais profundas do solo. No entanto, muitos deles n\u00e3o desaparecem totalmente, o que significa que podem continuar a representar risco, dependendo da exposi\u00e7\u00e3o. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio continuar monitorando.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais os principais riscos envolvidos na bioacumula\u00e7\u00e3o de metais pesados?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo de ac\u00famulo \u00e9 um dos maiores problemas, j\u00e1 que os metais n\u00e3o desaparecem facilmente. Mesmo que voc\u00ea remova a lama, eles continuam presentes no solo, podendo ser absorvidos pelas plantas ou eventualmente entrando no organismo humano. Quanto aos riscos \u00e0 sa\u00fade, \u00e9 importante destacar que a contamina\u00e7\u00e3o com metais pesados pode afetar o sistema nervoso, f\u00edgado e, em concentra\u00e7\u00f5es muito altas, pode at\u00e9 levar ao desenvolvimento de c\u00e2ncer. Esses efeitos s\u00e3o mais significativos a longo prazo, mas a nossa pesquisa est\u00e1 focada em alertar sobre os riscos e evitar que o problema se agrave. Al\u00e9m disso, encontramos res\u00edduos de esgoto e bact\u00e9rias patog\u00eanicas em alguns solos urbanos, principalmente no centro da cidade. O contato com esses materiais pode causar problemas intestinais. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua, a maior preocupa\u00e7\u00e3o s\u00e3o os po\u00e7os particulares, j\u00e1 que a \u00e1gua de abastecimento da Corsan (Companhia Riograndense de Saneamento) segue padr\u00f5es de qualidade e atende \u00e0s regulamenta\u00e7\u00f5es. No entanto, os po\u00e7os privados n\u00e3o t\u00eam o mesmo controle, por isso a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que sejam analisados regularmente.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo realizado por estudantes, pesquisadores e professores da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) mostrou que metais em n\u00edveis acima do aceit\u00e1vel e uma quantidade significativa de bact\u00e9rias foram detectados na lama e na \u00e1gua da Bacia do Rio dos Sinos ap\u00f3s as enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul no m\u00eas &#8230; <a title=\"Estudo alerta sobre concentra\u00e7\u00e3o de metais pesados na Bacia do Rio dos Sinos ap\u00f3s enchentes\u00a0\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2024\/11\/21\/estudo-alerta-sobre-concentracao-de-metais-pesados-na-bacia-do-rio-dos-sinos-apos-enchentes\/\" aria-label=\"More on Estudo alerta sobre concentra\u00e7\u00e3o de metais pesados na Bacia do Rio dos Sinos ap\u00f3s enchentes\u00a0\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":25596,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[224,243,49],"tags":[103,663,662],"class_list":["post-25593","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-humanistaentrevista","category-mais-recentes","category-vida","tag-meio-ambiente","tag-metais-pesados","tag-rio-dos-sinos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25593","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25593"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25593\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25614,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25593\/revisions\/25614"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25596"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25593"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25593"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25593"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}