﻿{"id":25792,"date":"2024-12-03T20:33:37","date_gmt":"2024-12-03T23:33:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=25792"},"modified":"2024-12-03T20:43:42","modified_gmt":"2024-12-03T23:43:42","slug":"a-evolucao-da-extrema-direita-e-um-fenomeno-global-influenciado-por-processos-de-radicalizacao-online-avalia-marcos-rolim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2024\/12\/03\/a-evolucao-da-extrema-direita-e-um-fenomeno-global-influenciado-por-processos-de-radicalizacao-online-avalia-marcos-rolim\/","title":{"rendered":"\u201cA evolu\u00e7\u00e3o da extrema direita \u00e9 um fen\u00f4meno global, influenciado por processos de radicaliza\u00e7\u00e3o online\u201d, avalia Marcos Rolim"},"content":{"rendered":"\n<p>A onda de radicaliza\u00e7\u00e3o da extrema direita brasileira vem se intensificando ao longo dos anos. Ataques \u00e0 democracia, como a invas\u00e3o \u00e0s sedes do Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio, em 2023, exp\u00f5em essa crescente onda de viol\u00eancia pol\u00edtica que o pa\u00eds tem vivenciado. O epis\u00f3dio mais recente ocorreu em 13 de novembro, na <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/df\/distrito-federal\/noticia\/2024\/11\/15\/veja-cronologia-do-atentado-na-praca-dos-tres-poderes-em-brasilia.ghtml\"><strong>Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes<\/strong><\/a>, em Bras\u00edlia. Na ocasi\u00e3o, duas bombas foram lan\u00e7adas em dire\u00e7\u00e3o ao STF (Supremo Tribunal Federal).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Pol\u00edcia Federal, o autor do atentado, Francisco Wanderley Luiz, agiu sozinho e premeditou o crime. Entretanto, esse comportamento n\u00e3o \u00e9 comum. O ataque \u00e0 democracia na maioria das vezes \u00e9 arquitetado ou influenciado por um grupo com interesses antidemocr\u00e1ticos.&nbsp; Para entender o aumento da viol\u00eancia pol\u00edtica no pa\u00eds e o processo de radicaliza\u00e7\u00e3o, o <strong>Humanista<\/strong> conversou com Marcos Rolim, doutor em Sociologia pela UFRGS,&nbsp; professor do mestrado em Direitos Humanos na UniRitter e membro-fundador do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como voc\u00ea avalia a evolu\u00e7\u00e3o da extrema direita brasileira nos \u00faltimos anos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, a evolu\u00e7\u00e3o dos grupos de extrema direita tem ocorrido n\u00e3o apenas no Brasil, mas em muitos lugares do mundo. Trata-se de um fen\u00f4meno global, muito provavelmente influenciado por processos de radicaliza\u00e7\u00e3o online, que levam um grupo de indiv\u00edduos \u2014 pessoas de diferentes origens sociais, idades e classes \u2014 a se radicalizar a partir de um discurso de nega\u00e7\u00e3o do sistema. Assim, o discurso antissistema acaba alimentando esses processos, que v\u00eam se espalhando em diversos lugares, sem que as grandes companhias, conhecidas como big techs, adotem uma postura eficaz para suspender discursos dessa natureza nas redes. Esses discursos, por sua vez, frequentemente envolvem amea\u00e7as e implicam riscos concretos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que diferencia o recente ataque em Bras\u00edlia de outras manifesta\u00e7\u00f5es extremistas anteriores no Brasil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma diferen\u00e7a importante nesse epis\u00f3dio em Bras\u00edlia: a clara inten\u00e7\u00e3o da pessoa que acabou se vitimando era explodir o Supremo Tribunal Federal e matar as pessoas que l\u00e1 estavam. Isso n\u00e3o aconteceu porque ele n\u00e3o conseguiu entrar no pr\u00e9dio e, talvez, por n\u00e3o possuir uma forma\u00e7\u00e3o mais espec\u00edfica em explosivos. Apesar disso, houve um conjunto de pr\u00e1ticas que demonstram um planejamento bastante articulado do que ele pretendia fazer. Isso inclui, por exemplo, a constru\u00e7\u00e3o de uma bomba dentro do trailer onde aparentemente trabalhava. Tudo foi parte do artif\u00edcio que ele criou ao alugar esse trailer, mas, dentro dele, havia uma bomba em uma gaveta, que acabou explodindo quando um rob\u00f4 da pol\u00edcia tentou desarm\u00e1-la. Essa \u00e9 a diferen\u00e7a b\u00e1sica: n\u00e3o se trata apenas de um discurso violento, mas tamb\u00e9m de uma pr\u00e1tica de viol\u00eancia. Toda forma de radicaliza\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e que a viol\u00eancia \u00e9 um recurso leg\u00edtimo para alcan\u00e7ar objetivos pol\u00edticos. Em Bras\u00edlia, portanto, presenciamos uma pr\u00e1tica de terrorismo dom\u00e9stico. H\u00e1, contudo, uma discuss\u00e3o do ponto de vista legal sobre essa classifica\u00e7\u00e3o, porque a<strong> <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2016\/lei\/l13260.htm\">lei brasileira antiterrorismo<\/a><\/strong>, por conta da conjuntura pol\u00edtica no momento em que foi apresentada ao Congresso, excluiu a motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de atos terroristas. Isso \u00e9 curioso, j\u00e1 que uma das principais causas de atos terroristas \u00e9 justamente a vontade pol\u00edtica de causar morte ou danos para atingir objetivos espec\u00edficos. Independentemente dessa limita\u00e7\u00e3o legal, acredito que o Supremo Tribunal Federal deve equiparar essas motiva\u00e7\u00f5es, pois n\u00e3o faz sentido excluir a motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da legisla\u00e7\u00e3o antiterrorismo. O direito, afinal, n\u00e3o det\u00e9m o monop\u00f3lio do significado das palavras. Por isso, podemos sim chamar isso de terrorismo, j\u00e1 que, sempre que h\u00e1 a inten\u00e7\u00e3o de produzir a morte para alcan\u00e7ar qualquer objetivo, estamos diante de uma pr\u00e1tica de natureza terrorista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como o sistema de seguran\u00e7a p\u00fablica pode atuar para evitar novos atentados?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O fen\u00f4meno da radicaliza\u00e7\u00e3o e o surgimento desses grupos radicalizados colocam, assim, um conjunto muito amplo de novos desafios \u00e0s for\u00e7as de seguran\u00e7a p\u00fablica. As pol\u00edcias brasileiras precisar\u00e3o aprender muito sobre como lidar com esse tipo de amea\u00e7a, pois, nesse contexto, o fundamental s\u00e3o as tarefas de preven\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 podem ser realizadas por meio do monitoramento das redes. \u00c9 essencial que a pol\u00edcia disponha cada vez mais de tecnologia e intelig\u00eancia para acompanhar o que est\u00e1 sendo dito nas redes sociais, especialmente em grupos mais fechados, incluindo a deep web, nos chamados <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tecnologia\/noticia\/2023\/09\/26\/metade-do-conteudo-de-foruns-anonimos-da-internet-os-chans-e-sobre-violentar-mulheres.ghtml\"><em><strong>chans<\/strong><\/em><\/a>, onde as pessoas costumam participar, quase sempre, sem revelar suas identidades reais. \u00c9 muito comum que discuss\u00f5es dessa natureza surjam nesses espa\u00e7os e que as pessoas se articulem para planejar atentados. A identifica\u00e7\u00e3o dessas amea\u00e7as torna-se central para a preven\u00e7\u00e3o que a pol\u00edcia pode exercer. Outro ponto importante, \u00e0 luz dos estudos internacionais sobre grupos radicalizados e terrorismo dom\u00e9stico, \u00e9 que os alvos dos atentados terroristas quase sempre envolvem autoridades p\u00fablicas, como ju\u00edzes, ministros, governantes e lideran\u00e7as pol\u00edticas, al\u00e9m de policiais. Os policiais, frequentemente, tornam-se v\u00edtimas de atentados de terrorismo dom\u00e9stico. Portanto, a pol\u00edcia enfrenta uma nova e muito s\u00e9ria amea\u00e7a que precisa ser desmantelada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que \u00e9 o processo de radicaliza\u00e7\u00e3o? E qual \u00e9 o papel das redes sociais na organiza\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de discursos extremistas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O processo de radicaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno mundial que faz com que um grupo de pessoas passe a aceitar a viol\u00eancia como um recurso leg\u00edtimo para alcan\u00e7ar objetivos pol\u00edticos. O processo de radicaliza\u00e7\u00e3o pode ocorrer em qualquer plataforma pol\u00edtico-ideol\u00f3gica. Podem haver processos de radicaliza\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda, \u00e0 direita ou baseados em fundamentos religiosos. No mundo atual, por exemplo, n\u00e3o temos apenas atentados de matriz isl\u00e2mica, como os que se baseiam em uma interpreta\u00e7\u00e3o radical do Alcor\u00e3o, mas tamb\u00e9m muitos grupos terroristas crist\u00e3os, que reivindicam o cristianismo como justificativa para seus atos. Um dos <strong><a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/radio\/1\/noticia\/2021\/07\/22\/ha-dez-anos-atentado-na-noruega-deixou-77-mortos\">casos mais graves<\/a> <\/strong>na hist\u00f3ria do terrorismo dom\u00e9stico ocorreu em Oslo, na Noruega, perpetrado por um indiv\u00edduo que era um fundamentalista crist\u00e3o. Assim, a radicaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 vinculada a uma \u00fanica corrente pol\u00edtica, partid\u00e1ria ou ideol\u00f3gica. Qualquer uma pode servir de base para esses processos. O que vem acontecendo mais recentemente \u00e9 que a extrema direita tem fornecido uma plataforma ideol\u00f3gica prop\u00edcia para a radicaliza\u00e7\u00e3o, fen\u00f4meno que ocorre em escala global, especialmente devido ao papel desempenhado pelas redes sociais. Antes da internet, os processos de radicaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m existiam, mas eram muito mais limitados, pois dependiam de intera\u00e7\u00f5es presenciais. Para que algu\u00e9m fosse recrutado por um grupo radicalizado, era necess\u00e1rio o contato direto. Hoje, isso mudou. Milhares de pessoas, especialmente jovens, s\u00e3o recrutadas por grupos radicalizados sem jamais terem tido contato f\u00edsico com os recrutadores. Tudo ocorre por meio de intera\u00e7\u00f5es online.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Que medidas podem ser tomadas para prevenir a radicaliza\u00e7\u00e3o, especialmente entre jovens?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando pensamos na preven\u00e7\u00e3o do processo de radicaliza\u00e7\u00e3o, especialmente entre os jovens, acredito que isso deveria come\u00e7ar muito cedo. Seria extremamente importante que as escolas desempenhassem um papel ativo desde os primeiros anos. As crian\u00e7as devem aprender, por exemplo, a conviver com pessoas que pensam de forma diferente, a participar de di\u00e1logos em que a palavra seja usada para resolver conflitos e a rejeitar, de maneira absoluta, qualquer ato de viol\u00eancia. N\u00e3o aceitar a viol\u00eancia deve ser um princ\u00edpio fundamental para todos n\u00f3s. Quando esses valores s\u00e3o fortes e consolidados, o processo de radicaliza\u00e7\u00e3o se torna muito mais dif\u00edcil. Por outro lado, seria igualmente importante, e at\u00e9 mesmo decisivo, que houvesse uma <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/jornal-nacional\/noticia\/2024\/11\/28\/stf-retoma-julgamento-sobre-regulamentacao-de-redes-sociais.ghtml\"><strong>regulamenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a> mais eficaz das redes sociais e das intera\u00e7\u00f5es online de forma geral. As grandes companhias e os imp\u00e9rios de comunica\u00e7\u00e3o que surgiram a partir das redes sociais e dessas intera\u00e7\u00f5es precisam ser responsabilizados. N\u00e3o podem permitir que suas plataformas sejam usadas para que pessoas radicalizadas compartilhem conte\u00fados violentos. Isso n\u00e3o \u00e9 censura; pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma forma de prevenir a pr\u00e1tica de crimes nas redes. Infelizmente, essas empresas t\u00eam escapado dessa responsabilidade e, em alguns casos, at\u00e9 mesmo incentivado esse tipo de comportamento. Discursos de \u00f3dio, por exemplo, tendem a se espalhar mais rapidamente, viralizam com maior facilidade e acabam gerando mais retorno financeiro para seus criadores. Esse cen\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 lucrativo para essas companhias, mas \u00e9 inaceit\u00e1vel que continuem agindo como se n\u00e3o tivessem nenhuma responsabilidade nesse processo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual \u00e9 o impacto de tais atos na estabilidade democr\u00e1tica brasileira?<\/strong>Sobre a quest\u00e3o da democracia no Brasil, \u00e9 importante destacar que o pa\u00eds vive uma experi\u00eancia democr\u00e1tica que, desde o in\u00edcio, h\u00e1 mais de 30 anos, sempre foi muito fr\u00e1gil. A democracia brasileira enfrenta essa fragilidade por diversas raz\u00f5es. Primeiro, porque o Brasil n\u00e3o possui uma hist\u00f3ria ou cultura democr\u00e1tica s\u00f3lida. Os partidos pol\u00edticos, sejam de direita ou de esquerda, n\u00e3o t\u00eam uma tradi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica consolidada, e a popula\u00e7\u00e3o brasileira tamb\u00e9m carece dessa cultura, pois, ao longo da nossa hist\u00f3ria como na\u00e7\u00e3o, vivemos a maior parte do tempo sob ditaduras, governos autorit\u00e1rios ou crises pol\u00edticas. Essa falta de estabilidade democr\u00e1tica nos impediu de construir uma cultura democr\u00e1tica robusta. Atualmente, estamos vivendo a experi\u00eancia mais longa de democracia na hist\u00f3ria do Brasil, com pouco mais de 30 anos. Esse \u00e9 um per\u00edodo muito curto, e isso \u00e9 uma raz\u00e3o importante para a fragilidade democr\u00e1tica no pa\u00eds. Outro fator relevante \u00e9 que a transi\u00e7\u00e3o da ditadura para a democracia foi feita sem que as contas com o passado fossem acertadas. Pelo contr\u00e1rio, simplesmente passamos por cima dos crimes cometidos pelos torturadores e pelos respons\u00e1veis por desaparecimentos e mortes durante a ditadura. A <strong><a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/801270-pesquisadores-alertam-que-lei-da-anistia-ainda-e-um-problema-atual\/\">Lei de Anistia<\/a> <\/strong>no Brasil n\u00e3o foi criada para revelar a verdade, mas para ocult\u00e1-la, o que deixou uma ferida aberta que nunca foi resolvida. Essa falta de enfrentamento com o passado reflete-se na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que cont\u00e9m reda\u00e7\u00f5es amb\u00edguas sobre o papel das For\u00e7as Armadas. Alguns militares interpretam essas passagens como uma justificativa para se considerarem um \u2018poder moderador\u2019, algo que n\u00e3o faz sentido em uma democracia e tampouco encontra respaldo na Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Se quisermos prevenir golpes de Estado e diminuir os riscos \u00e0 democracia, seria essencial que a Constitui\u00e7\u00e3o fosse mais clara e expl\u00edcita ao determinar que as For\u00e7as Armadas n\u00e3o devem se envolver em quest\u00f5es pol\u00edticas. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio avan\u00e7ar na legisla\u00e7\u00e3o para impedir que militares da ativa concorram a cargos pol\u00edticos. Caso queiram disputar elei\u00e7\u00f5es, deveriam abandonar a carreira militar. Essa medida seria fundamental para despolitizar as For\u00e7as Armadas e evitar que a pol\u00edtica partid\u00e1ria penetre nos quart\u00e9is. Destacamentos armados s\u00e3o necess\u00e1rios para a preserva\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a do pa\u00eds, mas, ao permitir que se tornem politizados, colocamos em risco a seguran\u00e7a interna, j\u00e1 que poderiam atuar de acordo com interesses pol\u00edtico-partid\u00e1rios em vez de interesses nacionais. Nos \u00faltimos anos, especialmente durante o governo Bolsonaro, vimos uma preocupante politiza\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas no Brasil. Esse processo foi estimulado, e hoje, diante das den\u00fancias de um<strong> <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/politica\/veja-as-provas-contra-bolsonaro-apontadas-em-pela-pf-em-relatorio\/\">golpe planejado<\/a><\/strong> no final do governo Bolsonaro, que inclu\u00eda at\u00e9 mesmo ideias de viol\u00eancia extrema, fica evidente o perigo dessa politiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 alarmante imaginar que oficiais de alta patente, incluindo generais, pudessem estar envolvidos em um plano de golpe. Quem nunca viveu sob uma ditadura talvez n\u00e3o compreenda completamente o significado disso. Eu vivi sob a ditadura militar no Brasil e lembro-me muito bem de como era. Toda a minha juventude foi marcada por aquele regime, e sei que isso pode acontecer novamente. Os fatos recentes mostram que estivemos pr\u00f3ximos desse risco. Prevenir esse tipo de amea\u00e7a \u00e9 um desafio crucial para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A onda de radicaliza\u00e7\u00e3o da extrema direita brasileira vem se intensificando ao longo dos anos. Ataques \u00e0 democracia, como a invas\u00e3o \u00e0s sedes do Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio, em 2023, exp\u00f5em essa crescente onda de viol\u00eancia pol\u00edtica que o pa\u00eds tem vivenciado. O epis\u00f3dio mais recente ocorreu em 13 de novembro, na Pra\u00e7a dos Tr\u00eas &#8230; <a title=\"\u201cA evolu\u00e7\u00e3o da extrema direita \u00e9 um fen\u00f4meno global, influenciado por processos de radicaliza\u00e7\u00e3o online\u201d, avalia Marcos Rolim\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2024\/12\/03\/a-evolucao-da-extrema-direita-e-um-fenomeno-global-influenciado-por-processos-de-radicalizacao-online-avalia-marcos-rolim\/\" aria-label=\"More on \u201cA evolu\u00e7\u00e3o da extrema direita \u00e9 um fen\u00f4meno global, influenciado por processos de radicaliza\u00e7\u00e3o online\u201d, avalia Marcos Rolim\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":25793,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[224,46],"tags":[672,505,428,675,671,670],"class_list":["post-25792","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-humanistaentrevista","category-politica","tag-deepweb","tag-democracia","tag-extrema-direita","tag-foruns-online","tag-politica-2","tag-radicalizacao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25792","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25792"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25792\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25807,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25792\/revisions\/25807"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25793"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}