﻿{"id":2628,"date":"2019-05-02T17:18:36","date_gmt":"2019-05-02T20:18:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=2628"},"modified":"2019-09-17T10:04:22","modified_gmt":"2019-09-17T13:04:22","slug":"minha-educacao-foi-militar-como-e-o-ensino-no-polemico-modelo-defendido-pelo-governo-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/05\/02\/minha-educacao-foi-militar-como-e-o-ensino-no-polemico-modelo-defendido-pelo-governo-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Minha educa\u00e7\u00e3o foi militar: como \u00e9 o ensino no pol\u00eamico modelo defendido pelo Governo Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<p><em>Presidente Jair Bolsonaro assinou decreto que estimula a ado\u00e7\u00e3o do modelo militar de gest\u00e3o escolar logo no segundo dia de seu governo, em janeiro; opini\u00e3o de ex-alunos \u00e9 controversa.<\/em><\/p>\n<p><strong>Arthur Ruschel<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O rel\u00f3gio marca 9h20min de uma manh\u00e3 em Porto Alegre. O corpo de alunos dos segundos e terceiros anos entra no est\u00e1dio ao som da banda do col\u00e9gio. Todos enfileirados, marchando, erguendo os bra\u00e7os at\u00e9 a altura do peito; pernas acompanhando o ritmo de par\u00e1bola. Uniformes brancos, cal\u00e7as ou saias azuis.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Postados. Tudo pronto para a entrada dos novos alunos. Eles entram. Cerca de 90 jovens, meninos com a cabe\u00e7a<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">raspada, meninas com cabelos amarrados, ao som de c\u00e2nticos que n\u00e3o s\u00e3o compreens\u00edveis para quem est\u00e1 na arquibancada.\u00a0<\/span>Eles param. Est\u00e3o postados ao centro do est\u00e1dio. De um lado, a bandeira do Rio Grande do Sul \u00a0sobre uma goleira. Do outro, a do Brasil, em frente a uma torre de treinamentos com as palavras \u201cgarra, fibra e determina\u00e7\u00e3o\u201d. Todos em posi\u00e7\u00e3o de sentido, fitados pelos olhares atentos de familiares, amigos e oficiais. Aplausos? S\u00e3o permitidos s\u00f3 ap\u00f3s o grito de guerra do col\u00e9gio, entoado a todo pulm\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 deu para perceber que n\u00e3o se trata de uma cerim\u00f4nia de uma escola qualquer. O ritual \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o em col\u00e9gios que adotam o modelo de gest\u00e3o c\u00edvico-militar, considerado a &#8220;cereja no bolo&#8221; do projeto de educa\u00e7\u00e3o proposto pelo presidente Jair Bolsonaro, egresso do Ex\u00e9rcito Brasileiro.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O cerimonial durante o rito de chegada dos novos alunos \u00e9 regrado e disciplinado. O primeiro a receber a boina azul \u00e9 o mais bem ranqueado na prova de admiss\u00e3o. Em seguida, os outros recebem das m\u00e3os de familiares a marca registrada da chamada &#8220;Formatura de Boinas&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um pai que est\u00e1 na arquibancada saca o bin\u00f3culo \u00e0 procura do filho. Outros dois conversam sobre um suposto acontecimento de 1964 que culminou no chamado \u201cregime desenvolvimentista\u201d.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Passadas as honrarias, os novos alunos s\u00e3o incorporados ao corpo de estudantes. Marcham ao redor do est\u00e1dio ao som de aplausos e de trombetas que marcam o passo.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Antes disso, prometem, em tom de juramento oficial em frente ao estandarte do col\u00e9gio, que, a partir de agora, fazem parte da institui\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O modelo existe desde a forma\u00e7\u00e3o do Brasil Imp\u00e9rio (S\u00e9culo 19), mas voltou a chamar a aten\u00e7\u00e3o desde a campanha eleitoral de 2018, quando Bolsonaro passou a defend\u00ea-lo como parte da solu\u00e7\u00e3o para os problemas da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.\u00a0O portal <strong>Humanista <\/strong>foi atr\u00e1s de especialistas e ex-alunos que tiveram esse tipo de forma\u00e7\u00e3o para tentar entender a proposta. Descobriu que a ado\u00e7\u00e3o do modelo ainda \u00e9<\/span>\u00a0uma inc\u00f3gnita. O governo federal fala em ades\u00e3o, mas n\u00e3o explica como as secretarias estaduais informariam aos alunos que dever\u00e3o usar a farda, por exemplo. Diante de todas as incertezas que o MEC (Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o) provocou desde o in\u00edcio do ano &#8211; passando pela substitui\u00e7\u00e3o do ministro Ricardo V\u00e9lez Rodrigues por\u00a0Abraham\u00a0Weintraub &#8211; resta saber se a proposta ainda \u00e9 prioridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><b>A proposta\u00a0<\/b><\/h5>\n<figure id=\"attachment_2635\" aria-describedby=\"caption-attachment-2635\" style=\"width: 651px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2635\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mcmgo_abr_270320193485.jpg\" alt=\"\" width=\"661\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mcmgo_abr_270320193485.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mcmgo_abr_270320193485-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mcmgo_abr_270320193485-768x511.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 661px) 100vw, 661px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2635\" class=\"wp-caption-text\">Ex-ministro Ricardo V\u00e9lez Rodrigues. Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tudo come\u00e7ou oficialmente em 2 de janeiro, logo no in\u00edcio do Governo Bolsonaro, quando o MEC (Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o) publicou o <\/span><strong><a href=\"http:\/\/www.in.gov.br\/materia\/-\/asset_publisher\/Kujrw0TZC2Mb\/content\/id\/57633286\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">decreto N\u00ba 9.465<\/a><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">. Assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e pelo ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o Ricardo V\u00e9lez Rodriguez, o texto fomenta a cria\u00e7\u00e3o de escolas c\u00edvico-militares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em seu <a href=\"http:\/\/divulgacandcontas.tse.jus.br\/candidaturas\/oficial\/2018\/BR\/BR\/2022802018\/280000614517\/proposta_1534284632231.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>plano de governo<\/strong><\/a>, Bolsonaro j\u00e1 planejava colocar &#8220;um col\u00e9gio militar em todas as capitais de Estado&#8221;. J\u00e1 o ex-ministro Ricardo V\u00e9lez Rodrigues afirmou, durante o lan\u00e7amento do decreto de 2 de janeiro, que a transforma\u00e7\u00e3o ao modelo seria rent\u00e1vel para os cofres do governo.\u00a0<\/span><b><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/politica.estadao.com.br\/noticias\/eleicoes,estudantes-de-colegio-militar-custam-tres-vezes-mais-ao-pais,70002473230\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>De acordo com o jornal <em>O Estado de S.Paulo<\/em><\/strong><\/a>, o Ex\u00e9rcito gasta, anualmente, R$ 19 mil com cada estudante nas 13 escolas existentes. Por ano, o setor p\u00fablico investe, em m\u00e9dia, R$ 6 mil por aluno do ensino b\u00e1sico. Se todos os estudantes, de 11 a 17 anos, estivessem matriculados em escolas militares, seriam necess\u00e1rios R$ 320 bilh\u00f5es por ano, o triplo do or\u00e7amento total do MEC atualmente.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O montante para se concretizar o que o presidente prometeu \u2013 um col\u00e9gio militar em cada Capital \u2013, representaria mais do que foi usado pelo MEC para a forma\u00e7\u00e3o de professores no pa\u00eds em 2017 (R$ 200 milh\u00f5es).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo o decreto, o objetivo do governo consiste em acompanhar e avaliar, por meio de parcerias, a &#8220;ado\u00e7\u00e3o por ades\u00e3o do modelo de escolas c\u00edvico-militares nos sistemas de ensino municipais, estaduais e distrital, tendo como base a gest\u00e3o administrativa, educacional e did\u00e1tico pedag\u00f3gica adotada por col\u00e9gios militares do Ex\u00e9rcito, Pol\u00edcias e Bombeiros Militares\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como mecanismo de facilita\u00e7\u00e3o para a implementa\u00e7\u00e3o do modelo, o MEC criou a <\/span><a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/secretaria-de-educacao-basica\/subsecretaria-de-fomento-as-escolas-civico-militares\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Secim (Subsecretaria de Fomento \u00e0s Escolas C\u00edvico-Militares<\/strong><\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, que, atualmente, \u00e9 comandada pela tenente-coronel M\u00e1rcia Amar\u00edlio da Cunha Silva, do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Em linhas gerais, o \u00f3rg\u00e3o \u00e9 encarregado de &#8220;propor e desenvolver um modelo de escola de alto n\u00edvel, com base nos padr\u00f5es de ensino e modelos pedag\u00f3gicos empregados nos col\u00e9gios militares do Ex\u00e9rcito, das Pol\u00edcias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares, para os ensinos fundamental e m\u00e9dio\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O texto n\u00e3o \u00e9 claro em rela\u00e7\u00e3o ao processo de &#8220;ades\u00e3o&#8221;. De acordo com o MEC, a implementa\u00e7\u00e3o depende das secretarias estaduais, que devem procurar o minist\u00e9rio e apontar quais escolas poderiam receber o projeto.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 dois tipos \u00a0de escolas militares no Brasil: as geridas pelos Bombeiros e pela BM (Brigada Militar); e as administradas pelo Ex\u00e9rcito. Nas primeiras, a gest\u00e3o fica a cargo da corpora\u00e7\u00e3o, mas os professores seguem sendo subordinados \u00e0 Secretaria Estadual de Educa\u00e7\u00e3o, com ingresso por meio de concurso. Na segunda, o col\u00e9gio responde \u00e0s For\u00e7as Armadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para auxiliar na ambienta\u00e7\u00e3o dos militares destacados para as institui\u00e7\u00f5es, assim como professores e diretores, a Secim promete disponibilizar cursos para adequar o col\u00e9gio ao projeto.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;O conte\u00fado que \u00e9 aplicado a essas escolas c\u00edvico-militares \u00e9 voltado ao civismo, ao patriotismo, \u00e0 hierarquia, \u00e0 disciplina&#8221;, explica\u00a0a subsecret\u00e1ria M\u00e1rcia Amar\u00edlio, em <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=aEkN55guEuM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>v\u00eddeo publicado pelo MEC<\/strong><\/a> a 4 de abril de 2019.\u00a0 &#8220;<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Acreditamos que esse modelo \u2013 o de educar com esses valores \u2013 faz com que o cidad\u00e3o passe a ter consci\u00eancia do seu papel dentro da sociedade. E \u00e9 isso que faz mudar uma na\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><b>E o desempenho?<\/b><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/educacao\/2019\/02\/escolas-militares-e-colegios-civis-com-mesmo-perfil-tem-desempenho-similar.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>reportagem publicada em fevereiro de 2019<\/strong><\/a>, a <em>Folha de S.Paulo<\/em> revela que o desempenho das escolas militares \u00e9 compat\u00edvel com o de outras institui\u00e7\u00f5es de perfil semelhante \u2013 que tenham algum tipo de sele\u00e7\u00e3o, mas sem a rigidez militar. O jornal cruzou dados do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) de 2017 por escola e separou as unidades por perfil socioecon\u00f4mico, que entre os alunos dos col\u00e9gios militares configuram os n\u00edveis mais altos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os institutos federais de Ensino M\u00e9dio, que\u00a0enfrentam corte de verbas e constantes problemas de infraestrutura, t\u00eam m\u00e9dia superior \u00e0 das ligadas \u00e0 BM. A m\u00e9dia dessas institui\u00e7\u00f5es, que apresentam estudantes de n\u00edvel socioecon\u00f4mico m\u00e9dio, \u00e9 de 557 pontos, enquanto as escolas estaduais ligadas ao modelo c\u00edvico-militar aparecem com 524,6. J\u00e1 as da rede p\u00fablica n\u00e3o militares atingiram uma m\u00e9dia de pontos de 498,9, de acordo com a Folha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os alunos de col\u00e9gios ligados \u00e0s For\u00e7as Armadas apresentam um n\u00edvel socioecon\u00f4mico \u201cmuito alto\u201d, segundo o MEC. Apenas 3% dos estudantes brasileiros est\u00e3o inseridos neste grupo. E n\u00e3o \u00e9 de hoje que educadores afirmam que a classe socioecon\u00f4mica \u00e9, sim, um fator para aprendizagem, considerando as influ\u00eancias que o jovem recebe e suas condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/span><\/p>\n<div class=\"infogram-embed\" data-id=\"406f74af-637d-4b4d-a887-b10f3338b740\" data-type=\"interactive\" data-title=\"Gr\u00e1ficos Arthur\"><\/div>\n<p><script>!function(e,t,s,i){var n=\"InfogramEmbeds\",o=e.getElementsByTagName(\"script\")[0],d=\/^http:\/.test(e.location)?\"http:\":\"https:\";if(\/^\\\/{2}\/.test(i)&&(i=d+i),window[n]&&window[n].initialized)window[n].process&&window[n].process();else if(!e.getElementById(s)){var r=e.createElement(\"script\");r.async=1,r.id=s,r.src=i,o.parentNode.insertBefore(r,o)}}(document,0,\"infogram-async\",\"https:\/\/e.infogram.com\/js\/dist\/embed-loader-min.js\");<\/script><\/p>\n<div style=\"padding: 8px 0; font-family: Arial!important; font-size: 13px!important; line-height: 15px!important; text-align: center; border-top: 1px solid #dadada; margin: 0 30px;\"><a style=\"color: #989898!important; text-decoration: none!important;\" href=\"https:\/\/infogram.com\/406f74af-637d-4b4d-a887-b10f3338b740\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gr\u00e1ficos Arthur<\/a><br \/>\n<a style=\"color: #989898!important; text-decoration: none!important;\" href=\"https:\/\/infogram.com\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Infogram<\/a><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><strong>A opini\u00e3o de quem conhece<\/strong><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>\u201cMe tornei mais respons\u00e1vel\u201d\u00a0<\/b><\/p>\n<p><iframe title=\"Amanda Hamerm\u00fcller sobre o Col\u00e9gio Militar\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kTR55kN_SyQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A jornalista Amanda Hamerm\u00fcller, 22 anos, cogitou ingressar \u00a0em um col\u00e9gio que seguia o m\u00e9todo militar quando estava na oitava s\u00e9rie do Ensino Fundamental, em 2010. Incentivada pelo pai, ex-militar, decidiu realizar a prova de admiss\u00e3o para uma escola gerida pela BM no Rio Grande do Sul.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNo in\u00edcio, fiquei meio assim. N\u00e3o queria sair da minha zona de conforto, mas pensei no meu futuro\u201d, conta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como todo o col\u00e9gio p\u00fablico, as escolas geridas pela BM s\u00e3o subordinadas \u00e0 Seduc (Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o) e seguem as orienta\u00e7\u00f5es do MEC a partir da <\/span><strong><a href=\"http:\/\/basenacionalcomum.mec.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Base Nacional Comum Curricular<\/a><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">. Os professores s\u00e3o direcionados pelo Estado e todos s\u00e3o civis.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo Amanda, o primeiro \u201cbaque\u201d foi descobrir que as pessoas faziam cursinho para entrar na institui\u00e7\u00e3o. Como aux\u00edlio, a estudante frequentava aulas de uma professora particular para se preparar para o exame.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao todo, a admiss\u00e3o se dividia em tr\u00eas etapas: exame intelectual (prova de portugu\u00eas e matem\u00e1tica, ambas com 25 quest\u00f5es), exame m\u00e9dico e exame f\u00edsico. \u00c0 \u00e9poca, o edital previa 36 vagas \u00e0 comunidade em geral, os chamados civis, e 54 vagas destinadas aos filhos de membros da BM.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPara o exame f\u00edsico, minha m\u00e3e sa\u00eda a correr comigo. Mais na \u2018finaleira\u2019, meu \u2018dindo\u2019, que \u00e9 militar, me ajudou. Estava com medo de n\u00e3o fazer o percurso no tempo certo, mas, no dia, cravei em \u00a0nove minutos.\u201d\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O percurso mencionado pela ex-aluna se refere a uma das provas do exame f\u00edsico. Cada candidato deveria percorrer um determinado trajeto em at\u00e9 12 minutos \u2013 1,6 mil metros para as meninas e 2 mil para os meninos. Flex\u00f5es e abdominais tamb\u00e9m estavam inclu\u00eddos no pacote para quem queria entrar no Ensino M\u00e9dio. Amanda cumpriu todos os requisitos.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A ex-aluna relata que, \u00e0s 7h15min, os estudantes j\u00e1 deveriam estar em forma no p\u00e1tio. Na primeira semana, os rec\u00e9m chegados eram recepcionados por alunos do terceiro ano do Ensino M\u00e9dio, que repassavam orienta\u00e7\u00f5es sobre a rotina do Tiradentes. Entre as regras: como entrar em forma, como marchar, como formar pelot\u00f5es e como deveria estar a farda. &#8220;\u201cSempre foram [alunos] atenciosos. N\u00e3o era aquela coisa de um treinamento militar. N\u00e3o tinha nada agressivo. Como era um lugar onde as pessoas queriam estar, era mais tranquilo de aprender.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com Amanda, os estudantes dividiam-se em duas companhias (uma masculina e outra feminina). Cada uma era dividida em tr\u00eas pelot\u00f5es que possu\u00edam o seu comandante. \u00c0 frente das companhias, estava o chamado \u201caluno disciplina\u201d, que apresenta a tropa aos superiores, oficiais da BM.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cCada aluno entra com sete pontos disciplinares. O que regula essa pontua\u00e7\u00e3o s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es dele dentro do col\u00e9gio\u201d, explica a jornalista sobre o aluno disciplina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Perfilados, os pelot\u00f5es eram revistados para checar se tudo estava de acordo com os padr\u00f5es. Entre as regras, Amanda cita o fardamento em estado impec\u00e1vel, os cabelos cortados, a barba feita, o coque bem preso, \u201csem deixar um fio solto\u201d.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO pessoal passava o dedo pelos cabelos dos meninos para ver se estava no tamanho certo (dois dedos), passava a m\u00e3o no rosto para sentir se a barba estava \u00e1spera. As meninas n\u00e3o podiam deixar as unhas passar da ponta dos dedos. Tudo contava pontos de disciplina.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o da tropa, as aulas se iniciavam, \u00a0das 7h30min \u00e0s 12h. Duas vezes por semana, havia aula \u00e0 tarde.\u00a0<\/span>\u201cEra como qualquer outra escola. A \u00fanica diferen\u00e7a era que, quando o professor entrava, o chefe da turma deveria nos colocar em posi\u00e7\u00e3o de sentido e nos apresentar \u00a0para o professor.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_2634\" aria-describedby=\"caption-attachment-2634\" style=\"width: 602px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2634\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/amanda-4.jpg\" alt=\"\" width=\"612\" height=\"612\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/amanda-4.jpg 612w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/amanda-4-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/amanda-4-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 612px) 100vw, 612px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2634\" class=\"wp-caption-text\">Amanda Hamerm\u00fcller, 22 anos, ex-aluna. Foto: Arquivo pessoal.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Amanda define o per\u00edodo que esteve no Tiradentes, de 2011 a 2013, como \u201cpositivo\u201d. Para ela, a disciplina e o tratamento igualit\u00e1rio s\u00e3o as maiores marcas do col\u00e9gio.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuando entrei, n\u00e3o havia diferencia\u00e7\u00e3o. Todos usavam a mesma roupa e eram tratados da mesma forma. A disciplina me ajudou a organizar os hor\u00e1rios, a priorizar coisas. Me tornei mais respons\u00e1vel\u201d, justifica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sobre o modelo ser seguido em outras escolas, Amanda \u00e9 enf\u00e1tica: nada deve ser imposto.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO modelo \u00e9 ben\u00e9fico, mas deve ser opcional. Existem perfis de pessoas. \u00c0s vezes, a potencialidade de cada um n\u00e3o \u00e9 explorada em um m\u00e9todo como esse. Entend\u00edamos que era uma quest\u00e3o de contexto, est\u00e1vamos ali porque quer\u00edamos\u201d, defende a ex-aluna.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>\u201cTinha de saber organizar tudo isso para n\u00e3o surtar\u201d<\/b><\/p>\n<p><iframe title=\"St\u00e9fani Fontanive sobre o Col\u00e9gio Militar de Passo Fundo\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xS4euG-SACU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cMinha m\u00e3e sempre dizia que \u00a0n\u00e3o ia me dar bem naquele col\u00e9gio. Sempre fui muito de ter opini\u00e3o e manifestar a minha opini\u00e3o; e isso n\u00e3o poderia acontecer l\u00e1 dentro\u201d, lembra St\u00e9fani Fontanive, 20 anos, estudante do curso de jornalismo da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Indiferente ao alerta, a vontade da garota, ent\u00e3o com 14 anos, era ingressar no rec\u00e9m inaugurado col\u00e9gio da BM na cidade dela &#8211; no interior do Estado.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cFui eu que escolhi. Estava atr\u00e1s de um ensino de qualidade e achava que, se tivesse essa disciplina, os professores conseguiriam oferece um ensino melhor\u201d, afirma a estudante, que contou sua experi\u00eancia em <strong><a href=\"https:\/\/theintercept.com\/2019\/03\/28\/subversiva-colegio-militar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">texto publicado em mar\u00e7o pelo <em>The Intercept Brasil<\/em><\/a>.\u00a0<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo a jovem, \u00e0 \u00e9poca egressa de um col\u00e9gio particular, o que motivou a troca de rede escolar foi a falta de incentivo aos alunos e seus projetos. St\u00e9fani j\u00e1 pensava em seu futuro e qual faculdade fazer. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O processo de admiss\u00e3o foi o mesmo de Amanda. Havia tr\u00eas etapas, divididas em exame intelectual, m\u00e9dico e f\u00edsico. St\u00e9fani concorria a uma das 40 vagas destinadas a civis.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNo dia do exame f\u00edsico, todos os alunos do Tiradentes est\u00e3o l\u00e1. Ficam gritando coisas positivas e, \u00e0s vezes, nem tanto. Gritavam muito.\u201d\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Aprovada, entrou na institui\u00e7\u00e3o em 2013, onde permaneceu at\u00e9 2015. A primeira semana como aluna iniciante \u00e9 apenas de aprendizado. Como ainda n\u00e3o havia uma turma de terceiro ano, a recep\u00e7\u00e3o, onde os estudantes aprendem as normas do col\u00e9gio (fardamento, marchas, forma\u00e7\u00e3o de pelot\u00f5es), ficou a cargo dos alunos do segundo ano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cDepois que tu \u2018pega\u2019 o jeito, fica bem divertido\u201d, comenta St\u00e9fani, que acrescenta: \u201cMuita gente desiste nos primeiros meses por entender que n\u00e3o \u00e9 aquilo que quer\u201d.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">As aulas tinham in\u00edcio \u00e0s 7h30min, mas antes, \u00e0s 7h15min, era preciso que o corpo de estudantes se apresentasse aos superiores. Divididos em duas companhias, cada uma com dois pelot\u00f5es, os alunos se perfilavam e eram avaliados pelos colegas que estavam no comando.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">St\u00e9fani lembra das etapas como se ainda estivesse dentro das fileiras, em posi\u00e7\u00e3o de sentido, aguardando para cantar o hino nacional.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEm cada pelot\u00e3o, havia quatro fileiras. Cada uma tinha o seu comandante de GPM [Grupo Policial Militar], que fazia a revista nas filas&#8221;, explica. &#8220;Ele repassava ao comandante de pelot\u00e3o quem estava errado e quem estava certo. O comandante de pelot\u00e3o nos colocava em forma e apresentava para o comandante de companhia. O comandante de companhia repassava para o auxiliar de disciplina que repassa as informa\u00e7\u00f5es ao aluno disciplina. O aluno disciplina \u00e9 o respons\u00e1vel por apresentar o corpo de aluno ao militar que estiver presente.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As primeiras semanas antecedem a Formatura de Boinas (realizada sempre em abril), quando os novos alunos recebem a autoriza\u00e7\u00e3o para usar a farda do col\u00e9gio. Antes, o uniforme utilizado \u00e9 um abrigo da institui\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuando us\u00e1vamos abrigo, viam se estava corretamente passado, se o t\u00eanis era 90% preto. A meia deveria ser de cano alto e branca. Sempre branca.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com a estudante, a carga hor\u00e1ria do col\u00e9gio era exaustiva, o que contribuiu para que elencasse seus afazeres.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMe tornei muito mais organizada depois do Tiradentes, pois t\u00ednhamos muitas mat\u00e9rias, muitos eventos do col\u00e9gio. Tu tinha de saber organizar tudo isso para n\u00e3o surtar.\u201d<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2633\" aria-describedby=\"caption-attachment-2633\" style=\"width: 598px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-2633\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Stefani.jpg\" alt=\"\" width=\"608\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Stefani.jpg 3215w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Stefani-300x138.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Stefani-768x353.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Stefani-1024x471.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 608px) 100vw, 608px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2633\" class=\"wp-caption-text\">No centro, St\u00e9fani Fontanive, 20 anos, ex-aluna. Foto: Arquivo pessoal.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os tr\u00eas anos que esteve sobre o m\u00e9todo militar provocaram uma mistura de emo\u00e7\u00f5es em St\u00e9fani. Ao ser questionada sobre qual a import\u00e2ncia dessa trajet\u00f3ria, ela confessa um sentido d\u00fabio na avalia\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00e3o sei se foi bom ou ruim\u201d. Ap\u00f3s pensar alguns segundos, no entanto, acrescenta: \u201cMe tornei feminista por causa do col\u00e9gio, pois, em casa, nunca reclamaram da minha roupa, nunca me falaram o que poderia fazer ou n\u00e3o. Foi ali que comecei a ver que as mulheres eram criticadas por suas vidas sexuais.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sobre o decreto do MEC, St\u00e9fani afirma que n\u00e3o adianta as crian\u00e7as \u201cca\u00edrem de paraquedas\u201d em um col\u00e9gio militar; isso, diz ela, n\u00e3o far\u00e1 com que estudem mais.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO que faz os alunos do Tiradentes estudarem mais \u00e9 o fato de eles escolheram estar ali. O m\u00e9todo para a melhoria da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o investimento em professores, melhores sal\u00e1rios, e melhor infraestrutura.\u201d<\/span><\/p>\n<h5><\/h5>\n<h5><b>O que dizem os especialistas\u00a0<\/b><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para os professores da UFRGS <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1540473764218262\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Caroline Pacievitch<\/strong><\/a>\u00a0(Hist\u00f3ria), de 36 anos, e <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2674881975631801\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Nilton Mullet Pereira<\/strong><\/a>\u00a0(Educa\u00e7\u00e3o), 52, o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 uma proposta pedag\u00f3gica, mas, sim, um suposto modelo de gest\u00e3o.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;N\u00e3o existe uma metodologia de ensino militar. O que ensinamos n\u00e3o vem de uma perspectiva do militarizado e do n\u00e3o militarizado. Essa discuss\u00e3o do militarizado diz respeito \u00e0 gest\u00e3o, de um lado, e o que eles trazem como um apelo \u00e9 a disciplina\u201d, afirma Caroline, que assim como o colega Nilton atua no <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/profhist\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>mestrado profissional em Ensino de Hist\u00f3ria<\/strong><\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em <a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/educacao-e-emprego\/noticia\/2019\/03\/continencia-fora-de-lugar-professores-da-ufrgs-criticam-militarizacao-de-escolas-cjt02zkev01g101ujlq2bfr3a.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo publicado em <em>Ga\u00fachaZH<\/em><\/strong><\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0em mar\u00e7o, ambos os professores foram dos poucos a se posicionar sobre o decreto.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA did\u00e1tica j\u00e1 demonstrou que n\u00e3o existe separa\u00e7\u00e3o entre o comportamento dos alunos e a aprendizagem. N\u00e3o basta eu conseguir colocar meus alunos enfileirados, calados, sentados e olhando para mim. Isso n\u00e3o significa que eles v\u00e3o aprender melhor nem pior\u201d, ressalta Caroline.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Nilton Pereira, o que explica o crescimento do fomento ao m\u00e9todo c\u00edvico-militar \u00e9 o momento atual do pa\u00eds. Segundo o pesquisador, a sociedade \u00e9 perpassada por um pensamento retr\u00f3grado, incitado pela extrema direita, que ataca a ci\u00eancia.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Estamos em um ambiente que despreza a liberdade de criar, ensinar e aprender. Despreza o di\u00e1logo e que prima pela disciplina militarizada&#8221;, argumenta o docente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No mesmo sentido, Caroline alerta sobre o fato de incentivar os alunos a respeitarem apenas uma hierarquia, e n\u00e3o o professor.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSe estou ensinando para as crian\u00e7as que elas s\u00f3 devem ter respeito a algu\u00e9m de uniforme e n\u00e3o a mim, a professora, ent\u00e3o estou dizendo que ela s\u00f3 tem de ser obediente porque uma autoridade maior est\u00e1 dizendo isso a ela, e essa autoridade n\u00e3o \u00e9 a autoridade do conhecimento.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No texto de <em>Ga\u00fachaZH<\/em>, os dois professores criticam a hierarquiza\u00e7\u00e3o, marca do modelo defendido pelo MEC. Segundo eles, ela \u00e9 \u201cestranha ao ambiente escolar, que \u00e9 mais afeito \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, \u00e0 curiosidade, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e, por que n\u00e3o, \u00e0 rebeldia\u201d.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO rebelde n\u00e3o \u00e9 aquele que bate no outro. \u00c9 aquele que desenvolve a capacidade de dizer n\u00e3o, sabendo o porqu\u00ea disso. Ter um grau de rebeldia \u00e9 algo vital para o pensamento, pois impede que ele (aluno) seja acomodado\u201d, explica Pereira, que define rebeldia como um \u201celemento fundamental\u201d para que o pensamento funcione dentro da escola.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sobre o modelo mais correto de alfabetiza\u00e7\u00e3o, nenhum dos dois professores \u00e9 definitivo. Mas ambos d\u00e3o dicas de como o governo deveria pensar suas propostas.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA primeira posi\u00e7\u00e3o de um Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o seria de fortalecer os professores, com melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e remunera\u00e7\u00e3o. Deveria disponibilizar mecanismos que ajudem essa escola a acolher esses alunos\u201d, refor\u00e7a Pereira.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00e3o d\u00e1 para achar que criar uma estrutura externa de disciplinamento vai substituir a coisa mais importante da escola, que \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre alunos e professores. Precisamos de um novo modelo de gest\u00e3o que reconhe\u00e7a que o trabalho dos educadores come\u00e7a muito antes da aula dada\u201d, defende Caroline.<\/span><\/p>\n<h5><\/h5>\n<h5><strong>Onde est\u00e3o os col\u00e9gios militares<\/strong><\/h5>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/d\/embed?mid=1lYDDhQ1e1L5P5haqatHHaaQnmPDXA1d2\" width=\"640\" height=\"480\"><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao todo, h\u00e1 120 institui\u00e7\u00f5es em 17 Estados que seguem esse formato de ensino no pa\u00eds. Treze s\u00e3o gerenciadas pelas For\u00e7as Armadas. No Rio Grande do Sul, s\u00e3o duas: uma em Porto Alegre e outra em Santa Maria. J\u00e1 os chamados col\u00e9gios Tiradentes, gerenciados pela BM, somam sete no Rio Grande do Sul \u2013 uma na Capital e outras seis no interior (Passo Fundo, Santa Maria, Iju\u00ed, Santo \u00c2ngelo e S\u00e3o Gabriel).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Seduc (Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o do Estado do Rio Grande do Sul) afirma que os col\u00e9gios Tiradentes atendem a 1.534 alunos de Ensino M\u00e9dio, somando 0,56% do total de matr\u00edculas na rede.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Quanto \u00e0s escolas regulares mantidas pela Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o, ainda n\u00e3o h\u00e1 estudo para aderir ao processo de militariza\u00e7\u00e3o proposto pelo Governo Federal&#8221;, informou a pasta em nota enviada ao <strong>Humanista<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/d\/embed?mid=19rXNUSAD24fKsT7-FYQX-_UYO4C1DOxS\" width=\"640\" height=\"480\"><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p>FOTO DE CAPA: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente Jair Bolsonaro assinou decreto que estimula a ado\u00e7\u00e3o do modelo militar de gest\u00e3o escolar logo no segundo dia de seu governo, em janeiro; opini\u00e3o de ex-alunos \u00e9 controversa. Arthur Ruschel O rel\u00f3gio marca 9h20min de uma manh\u00e3 em Porto Alegre. O corpo de alunos dos segundos e terceiros anos entra no est\u00e1dio ao som &#8230; <a title=\"Minha educa\u00e7\u00e3o foi militar: como \u00e9 o ensino no pol\u00eamico modelo defendido pelo Governo Bolsonaro\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/05\/02\/minha-educacao-foi-militar-como-e-o-ensino-no-polemico-modelo-defendido-pelo-governo-bolsonaro\/\" aria-label=\"More on Minha educa\u00e7\u00e3o foi militar: como \u00e9 o ensino no pol\u00eamico modelo defendido pelo Governo Bolsonaro\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":2640,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[55,54,254,243],"tags":[],"class_list":["post-2628","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-educacao","category-mais-lidos","category-mais-recentes"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2628","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2628"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2628\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2628"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2628"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2628"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}