﻿{"id":26399,"date":"2025-04-09T18:00:00","date_gmt":"2025-04-09T21:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=26399"},"modified":"2025-04-09T17:27:29","modified_gmt":"2025-04-09T20:27:29","slug":"inauguracao-placa-vladimir-herzog-ufrgs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/04\/09\/inauguracao-placa-vladimir-herzog-ufrgs\/","title":{"rendered":"A placa de Vladimir Herzog relembra a for\u00e7a da universidade p\u00fablica"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 1975, um grupo de estudantes de comunica\u00e7\u00e3o decidiu preservar a mem\u00f3ria de Vladimir Herzog, jornalista assassinado pela ditadura militar. Enfrentando a censura da \u00e9poca, instalaram uma placa com o nome de Herzog no Diret\u00f3rio Acad\u00eamico da Comunica\u00e7\u00e3o (Dacom) e deixaram um recado de que o incidente n\u00e3o seria esquecido. Poucos dias depois, um agente militar arrancou a homenagem da parede, e a cerim\u00f4nia de inaugura\u00e7\u00e3o foi cancelada pela dire\u00e7\u00e3o da Faculdade de Biblioteconomia e Comunica\u00e7\u00e3o (Fabico).<\/p>\n\n\n\n<p>Passados cinquenta anos, alguns daqueles estudantes retornaram aos mesmos corredores com o mesmo prop\u00f3sito: relembrar que ainda estamos aqui. Para a nova gera\u00e7\u00e3o, o encontro com esses ex-alunos \u00e9 eletrizante. Relembra a for\u00e7a que um grupo de jovens pode ter frente ao autoritarismo. Os estudantes de jornalismo estiveram na linha de frente, encararam o que foi preciso e n\u00e3o se deixaram abalar pelo que parecia muito maior que eles.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-09-at-17.01.41-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-26401\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-09-at-17.01.41-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-09-at-17.01.41-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-09-at-17.01.41-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-09-at-17.01.41-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-09-at-17.01.41-1500x1125.jpeg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/WhatsApp-Image-2025-04-09-at-17.01.41.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Jornalista M\u00e1rcia Turcato foi quem teve a ideia de instalar uma nova placa em homenagem a Vlado. Foto: Carla Mello\/Obcomp\/Humanista<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>No evento de inaugura\u00e7\u00e3o dessa nova placa, realizado nesta ter\u00e7a-feira (8), o professor, pesquisador e jornalista Eduardo Meditsch compartilhou como, em 1975, foi at\u00e9 o centro de Porto Alegre para encomendar a placa. Mesmo com medo, decidiu seguir com a ideia at\u00e9 o fim e pendurar a homenagem nas paredes da Fabico. A jornalista M\u00e1rcia Turcato tamb\u00e9m relembrou a tens\u00e3o do per\u00edodo, contando como ficou diante do Dacom segurando a chave, tentando impedir a entrada do militar que retiraria a homenagem. Os relatos trazem a lembran\u00e7a do medo, al\u00e9m dos sinais de coragem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) \u00e9 desafiadora. Para quem ingressa por a\u00e7\u00f5es afirmativas, vem de uma escola p\u00fablica e divide os compromissos da luta pela sobreviv\u00eancia enquanto corre em busca do diploma, os obst\u00e1culos s\u00e3o ainda maiores. Para essas pessoas, j\u00e1 \u00e9 rotina lutar para estar em um espa\u00e7o, mesmo sem sentir-se pertencente a este local.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, \u00e9 preciso ser corajoso para fazer parte e defender o ensino p\u00fablico. Para afirmar o pr\u00f3prio direito de estar naquele espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o enquanto jornalista, que ainda \u00e9 t\u00e3o elitizado e restrito a uma pequena parcela&nbsp; da popula\u00e7\u00e3o. Desde a pandemia, com o afastamento dos estudantes da universidade, tornou-se ainda mais dif\u00edcil olhar para essas batalhas e se sentir vitorioso. Celebrar a mem\u00f3ria de Vladimir Herzog e dos estudantes nos faz lembrar do que realmente importa, o motivo pelo qual n\u00e3o devemos baixar a guarda.<\/p>\n\n\n\n<p>A universidade p\u00fablica \u00e9 um espa\u00e7o de luta, de resist\u00eancia e de coragem. A placa com o nome do Vlado, como era conhecido, carrega consigo os estudantes do passado, do presente e os do futuro na defesa da democracia. O que queremos \u00e9 garantir o nosso direito de informar, arriscar e protestar. Em tempos t\u00e3o dif\u00edceis, muitas vezes obscurecidos por fantasmas do passado, estar nesse lugar, de t\u00e3o dif\u00edcil acesso e perman\u00eancia, \u00e9 aterrorizante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Que sejamos corajosos como Vladimir, Eduardo, M\u00e1rcia e tantos outros. Que nunca deixemos de lembrar, a quem ousar questionar: continuaremos aqui, cada vez mais fortes e vigilantes, para que nunca mais aconte\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1975, um grupo de estudantes de comunica\u00e7\u00e3o decidiu preservar a mem\u00f3ria de Vladimir Herzog, jornalista assassinado pela ditadura militar. Enfrentando a censura da \u00e9poca, instalaram uma placa com o nome de Herzog no Diret\u00f3rio Acad\u00eamico da Comunica\u00e7\u00e3o (Dacom) e deixaram um recado de que o incidente n\u00e3o seria esquecido. 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