﻿{"id":2696,"date":"2019-05-09T18:07:58","date_gmt":"2019-05-09T21:07:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=2696"},"modified":"2019-07-18T15:06:26","modified_gmt":"2019-07-18T18:06:26","slug":"reprovacao-nos-anos-iniciais-diferentes-pontos-de-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/05\/09\/reprovacao-nos-anos-iniciais-diferentes-pontos-de-vista\/","title":{"rendered":"Reprova\u00e7\u00e3o nos anos iniciais: diferentes pontos de vista"},"content":{"rendered":"<p><strong>Rene Almeida<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O medo de reprovar \u00e9 um sentimento que costuma rondar os estudantes no ambiente escolar. Entre os educadores, o tema \u00e9 motivo de discuss\u00e3o e parece estar longe de haver consenso.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Desde 2010, <\/span><strong><a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/index.php?option=com_docman&amp;view=download&amp;alias=7251-resolucao-7-ef-1&amp;category_slug=dezembro-2010-pdf&amp;Itemid=30192\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">resolu\u00e7\u00e3o do CNE (<\/a><a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/index.php?option=com_docman&amp;view=download&amp;alias=7251-resolucao-7-ef-1&amp;category_slug=dezembro-2010-pdf&amp;Itemid=30192\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o)<\/a><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais, <\/span><a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/ultimas-noticias\/211-218175739\/16166-ciclo-de-alfabetizacao-deve-prosseguir-sem-interrupcao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>recomenda que n\u00e3o deva haver reprova\u00e7\u00e3o nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental<\/strong><\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Segundo o documento, as tr\u00eas s\u00e9ries<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> iniciais constituem o ciclo da alfabetiza\u00e7\u00e3o e letramento. Ao final dele, quando a crian\u00e7a tiver oito anos, deve estar alfabetizada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o do Rio Grande Sul justifica a n\u00e3o reprova\u00e7\u00e3o dos alunos nos primeiros anos \u201cpara evitar que as crian\u00e7as de seis anos sejam submetidas prematuramente \u00e0 cultura da repet\u00eancia e que n\u00e3o seja indevidamente interrompida a continuidade dos processos educativos\u201d.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Entretanto, a nova\u00a0\u00a0<a href=\"http:\/\/basenacionalcomum.mec.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>BNCC (Base Nacional Comum Curricular)<\/strong><\/a>, aprovada em 2017, <\/span><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/educacao\/noticia\/antecipacao-da-alfabetizacao-na-base-curricular-levanta-debate-sobre-o-ensino-infantil.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>antecipa o fim da alfabetiza\u00e7\u00e3o para o final do 2\u00ba ano\u00a0do Ensino Fundamental<\/strong><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, quando os alunos t\u00eam sete anos. Segundo <\/span><strong><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/educacao\/noticia\/2019\/04\/04\/mec-estuda-priorizar-a-alfabetizacao-no-1o-e-nao-mais-no-2o-ano-do-ensino-fundamental.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reportagem do portal G1<\/a><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, o MEC (Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o) j\u00e1 estaria estudando a possibilidade de \u201cpriorizar\u201d a alfabetiza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as no 1\u00ba ano do Ensino Fundamental. As escolas t\u00eam at\u00e9 2020 para adotar a nova diretriz.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><b>Promo\u00e7\u00e3o sem conhecimento<\/b><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na Escola Estadual Gentil Viegas Cardoso, a orienta\u00e7\u00e3o de n\u00e3o reprovar nas s\u00e9ries iniciais \u00e9 entendida como equivocada, pois causa d\u00e9ficit para alunos no final do ciclo de alfabetiza\u00e7\u00e3o, quando h\u00e1 muitas reprova\u00e7\u00f5es. A professora Denise Tavares, da turma de 3\u00ba ano do Fundamental, conta que recebe estudantes que ainda n\u00e3o est\u00e3o alfabetizados. Para ela, a orienta\u00e7\u00e3o do MEC \u00e9 arbitr\u00e1ria. \u201cAntigamente, se a crian\u00e7a estivesse na 1\u00ba s\u00e9rie e n\u00e3o atingia os objetivos, era reprovada. Hoje, n\u00e3o. Atingindo ou n\u00e3o, [o aluno] \u00e9 promovido. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o do professor querer ou n\u00e3o passar. Quem j\u00e1 definiu que o aluno j\u00e1 est\u00e1 passado \u00e9 o governo. O que \u00e9 um grande erro. [O estudante] queima aquela etapa\u201d, contesta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A supervisora da escola, Cristina Coelho, questiona a forma como os pais encaram os primeiros anos do aluno no col\u00e9gio.<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-2696-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/5-cris-pais-nao-levam-a-serio.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/5-cris-pais-nao-levam-a-serio.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/5-cris-pais-nao-levam-a-serio.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os reflexos da n\u00e3o reprova\u00e7\u00e3o nos anos iniciais podem aparecer tamb\u00e9m nos n\u00fameros. Para o vice-diretor, Julio Idiarte, as avalia\u00e7\u00f5es do governo precisam ser vistas de forma mais ampla.<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-2696-2\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/5-julio-avaliacoes-governo.mp3?_=2\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/5-julio-avaliacoes-governo.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/5-julio-avaliacoes-governo.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As consequ\u00eancias de uma alfabetiza\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica podem acompanhar o sujeito para o resto da vida. A professora de portugu\u00eas dos 2\u00ba e 3\u00ba anos do Ensino M\u00e9dio Andreia Guimar\u00e3es afirma que a cada ano h\u00e1 um d\u00e9ficit maior nos alunos. \u201cA grande dificuldade \u00e9 na produ\u00e7\u00e3o textual. N\u00e3o iniciam par\u00e1grafo, nomes pr\u00f3prios aparecem com letra min\u00fascula, n\u00e3o conseguem fazer in\u00edcio, meio e fim de um texto. H\u00e1 muita dificuldade de interpretar um enunciado, n\u00e3o s\u00f3 no portugu\u00eas, mas em outras \u00e1reas tamb\u00e9m.\u201d A educadora acredita que os professores, em geral, baixaram o n\u00edvel de exig\u00eancia nos \u00faltimos anos devido \u00e0 defasagem dos alunos. Conforme ela, no Ensino M\u00e9dio acaba-se tendo que suprir conte\u00fados que seriam do Fundamental. Como consequ\u00eancia, o aluno sai da escola sem ter aprendido todos os conte\u00fados previstos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><b>Mudan\u00e7a de m\u00e9todos<\/b><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m das consequ\u00eancias educacionais, a reprova\u00e7\u00e3o pode causar frustra\u00e7\u00f5es emocionais nas crian\u00e7as. \u00c9 o que defende a coordenadora de projetos do <a href=\"https:\/\/www.todospelaeducacao.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Movimento Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a>, Thaiane Pereira. Ela \u00e9 a favor da n\u00e3o reprova\u00e7\u00e3o nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental e avalia que n\u00e3o adianta repetir o m\u00e9todo que j\u00e1 foi ineficiente uma vez. \u201cMais importante do que reprovar ou n\u00e3o \u00e9 que as redes de ensino se preocupem em criar programas de recupera\u00e7\u00e3o e refor\u00e7o para essas crian\u00e7as, tendo em vista m\u00e9todos de ensino e aprendizagem inovadores\u201d, salienta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 a professora do curso de pedagogia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) Patr\u00edcia Camini, que tamb\u00e9m \u00e9 a favor da n\u00e3o reprova\u00e7\u00e3o no 1\u00ba e 2\u00ba anos do Ensino Fundamental, ressalta, por outro lado, que \u00e9 preciso mudar o m\u00e9todo para que o aluno possa assimilar o conte\u00fado. A professora defende uma renova\u00e7\u00e3o nas metodologias para que a reprova\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja o \u00fanico meio de informar para o governo que a aprendizagem est\u00e1 deficit\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><iframe title=\"Entrevista Patr\u00edcia Camini\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UClHjZ2WHG4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Patr\u00edcia tamb\u00e9m alerta para os m\u00e9todos de ensino. Segundo ela, o professor precisa ter um vasto repert\u00f3rio de metodologias e ser capaz de identificar qual \u00e9 a mais eficiente em cada caso. Quanto \u00e0 falta de import\u00e2ncia que os pais d\u00e3o ao primeiro ano, como relatado pela supervisora Cristina, a professora da UFRGS afirma que a escola tem de orientar os respons\u00e1veis sobre import\u00e2ncia do primeiro ano de alfabetiza\u00e7\u00e3o. \u201cMuitas vezes, confunde-se 1\u00ba ano com educa\u00e7\u00e3o infantil. A alfabetiza\u00e7\u00e3o seria o que deu para fazer. N\u00e3o \u00e9 isso, h\u00e1 metas de aprendizagem e isso precisa ser ajustado.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Justificar os n\u00fameros ruins da alfabetiza\u00e7\u00e3o brasileira requer uma an\u00e1lise profunda de todos os fatores que influenciam no processo. N\u00e3o \u00e9 uma tarefa de simples resolu\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso investimento, debate e pr\u00e1tica para poder alcan\u00e7ar resultados melhores. O que parece inadmiss\u00edvel \u00e9 que adultos continuem encarando o simples fato de juntar as letras como um bicho-pap\u00e3o.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/05\/09\/da-silaba-ao-texto-em-meio-aos-cortes-na-educacao-brasil-ainda-tem-mais-de-11-milhoes-de-analfabetos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/05\/09\/os-pais-mais-do-que-levar-a-escola-e-preciso-incentivar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Os pais: mais do que levar \u00e0 escola, \u00e9 preciso incentivar<\/b><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/05\/09\/contexto-social-a-escola-alem-do-curriculo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Contexto social: a escola al\u00e9m do curr\u00edculo<\/b><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/05\/09\/ora-aliado-ora-vilao-celular-e-motivo-de-polemica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Ora aliado, ora vil\u00e3o: celular \u00e9 motivo de pol\u00eamica<\/b><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/05\/09\/alunos-de-inclusao-aumenta-o-desafio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Alunos de inclus\u00e3o: aumenta o desafio<\/b><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p>FOTO: Rene Almeida\/Humanista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rene Almeida O medo de reprovar \u00e9 um sentimento que costuma rondar os estudantes no ambiente escolar. Entre os educadores, o tema \u00e9 motivo de discuss\u00e3o e parece estar longe de haver consenso.\u00a0Desde 2010, resolu\u00e7\u00e3o do CNE (Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o), que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais, recomenda que n\u00e3o deva haver reprova\u00e7\u00e3o nos dois &#8230; <a title=\"Reprova\u00e7\u00e3o nos anos iniciais: diferentes pontos de vista\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/05\/09\/reprovacao-nos-anos-iniciais-diferentes-pontos-de-vista\/\" aria-label=\"More on Reprova\u00e7\u00e3o nos anos iniciais: diferentes pontos de vista\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":2700,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[250],"tags":[],"class_list":["post-2696","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-deficit-de-alfabetizacao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2696","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2696"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2696\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2700"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2696"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}