﻿{"id":2711,"date":"2019-05-09T18:03:39","date_gmt":"2019-05-09T21:03:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=2711"},"modified":"2019-07-18T15:05:01","modified_gmt":"2019-07-18T18:05:01","slug":"alunos-de-inclusao-aumenta-o-desafio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/05\/09\/alunos-de-inclusao-aumenta-o-desafio\/","title":{"rendered":"Alunos de inclus\u00e3o: aumenta o desafio"},"content":{"rendered":"<p><strong>Rene Almeida<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Oito horas da manh\u00e3 e os alunos da turma 312 j\u00e1 est\u00e3o acomodados na sala 11 da Escola Estadual Gentil Viegas Cardoso. As 22 crian\u00e7as do 3\u00ba ano do Ensino Fundamental, com m\u00e9dia de oito anos, acomodam-se em duplas. A primeira tarefa do dia \u00e9 um ditado.\u00a0<\/span>Mas antes que ele comece, um fato chama aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 o primeiro dia de um aluno com S\u00edndrome de Down.<\/p>\n<p>Depois de se acomodar na classe, o menino percebe a sa\u00edda da m\u00e3e, que o acompanhava. No mesmo instante, o menino levanta-se e corre em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta. Ap\u00f3s o fato se repetir duas ou tr\u00eas vezes, com a m\u00e3e e a professora tentando convenc\u00ea-lo a permanecer na sala, o menino teve de ser retirado para passar por um processo de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa situa\u00e7\u00e3o parece n\u00e3o ser novidade. Em 22 anos de profiss\u00e3o, a professora Denise Tavares, 54, afirma que nunca recebeu orienta\u00e7\u00e3o sobre como lidar com alunos com algum tipo de defici\u00eancia. Tudo o que sabe, aprendeu com a experi\u00eancia cotidiana.<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-2711-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1-denise-alunos-inclusao.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1-denise-alunos-inclusao.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1-denise-alunos-inclusao.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo Denise, j\u00e1 houve cursos de orienta\u00e7\u00e3o para lidar com alunos especiais, mas em hor\u00e1rios de aula, o que impossibilita a participa\u00e7\u00e3o das professoras. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Depois das primeiras atividades, a professora leva todos em fila ao banheiro. Neste momento, um menino come\u00e7a a chorar sem motivo aparente. Trata-se de um aluno depressivo e que precisa de aten\u00e7\u00e3o redobrada. No retorno, as crian\u00e7as v\u00e3o \u00e0 biblioteca. \u00c9 hora de exercitar a leitura em grupo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><b>Prepara para lidar com as diferen\u00e7as<\/b><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Lidar com crian\u00e7as especiais requer um suporte diferente tanto do Estado quanto da escola. A coordenadora de projetos do <a href=\"https:\/\/www.todospelaeducacao.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Movimento Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a>, Thaiane Pereira, afirma que \u00e9 preciso criar pol\u00edticas inclusivas para alunos com defici\u00eancias f\u00edsicas e cognitivas. Para ela, \u00e9 importante a percep\u00e7\u00e3o de que nem todos s\u00e3o iguais. Mais do que adaptar a estrutura f\u00edsica, \u00e9 preciso orientar os profissionais da escola. \u201cPrecisamos preparar os professores para lidar com a diversidade. Dar uma forma\u00e7\u00e3o para que eles saibam como fazer e essas crian\u00e7as n\u00e3o acabem ficando mais exclu\u00eddas ou se sentindo desconfort\u00e1veis.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Patr\u00edcia Camini, professora do curso de pedagogia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e especialista em alfabetiza\u00e7\u00e3o, entende a reclama\u00e7\u00e3o de Denise. Para ela, o Estado acaba deixando as professoras solit\u00e1rias na tarefa de alfabetizar alunos que n\u00e3o t\u00eam as mesmas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e cognitivas dos demais.<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-2711-2\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1-patricia-alunos-inclusao.mp3?_=2\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1-patricia-alunos-inclusao.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1-patricia-alunos-inclusao.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><b>Respostas<\/b><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em nota enviada ao <strong>Humanista<\/strong>, a Seduc (Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul) afirma que as escolas podem colocar at\u00e9 tr\u00eas alunos com \u201cnecessidades educacionais especiais\u201d por turma. A lota\u00e7\u00e3o m\u00e1xima dos anos iniciais do Ensino Fundamental deve ser de 20 alunos por sala (a m\u00e9dia da Gentil \u00e9 28, <strong><a href=\"http:\/\/idebescola.inep.gov.br\/ideb\/escola\/dadosEscola\/43013899\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">segundo o Ideb<\/a><\/strong>). Os diretores s\u00e3o proibidos de negar a matr\u00edcula de alunos com defici\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda segundo a nota, a Seduc esclarece que promove cursos de forma\u00e7\u00e3o como Libras, letramento para sujeitos com autismo e com defici\u00eancia visual. A secretaria garante que os encontros s\u00e3o realizados fora do hor\u00e1rio de aula dos professores.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/05\/09\/da-silaba-ao-texto-em-meio-aos-cortes-na-educacao-brasil-ainda-tem-mais-de-11-milhoes-de-analfabetos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/05\/09\/os-pais-mais-do-que-levar-a-escola-e-preciso-incentivar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Os pais: mais do que levar \u00e0 escola, \u00e9 preciso incentivar<\/b><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/05\/09\/reprovacao-nos-anos-iniciais-diferentes-pontos-de-vista\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Reprova\u00e7\u00e3o nos anos iniciais: diferentes pontos de vista<\/b><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/05\/09\/contexto-social-a-escola-alem-do-curriculo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Contexto social: a escola al\u00e9m do curr\u00edculo<\/b><\/a><b><\/b><\/p>\n<hr \/>\n<p><b><\/b><b><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/05\/09\/ora-aliado-ora-vilao-celular-e-motivo-de-polemica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ora aliado, ora vil\u00e3o: celular \u00e9 motivo de pol\u00eamica<\/a><\/b><\/p>\n<hr \/>\n<p>FOTO: Rene Almeida\/Humanista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rene Almeida Oito horas da manh\u00e3 e os alunos da turma 312 j\u00e1 est\u00e3o acomodados na sala 11 da Escola Estadual Gentil Viegas Cardoso. 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