﻿{"id":27390,"date":"2025-08-13T20:34:56","date_gmt":"2025-08-13T23:34:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=27390"},"modified":"2025-08-13T20:34:59","modified_gmt":"2025-08-13T23:34:59","slug":"presenca-de-criancas-nas-redes-sociais-preocupa-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/08\/13\/presenca-de-criancas-nas-redes-sociais-preocupa-especialistas\/","title":{"rendered":"Presen\u00e7a de crian\u00e7as nas redes sociais preocupa especialistas"},"content":{"rendered":"\n<p>Com o avan\u00e7o das redes sociais, fotos que antes ficavam guardadas em \u00e1lbuns de fam\u00edlia est\u00e3o dispon\u00edveis em perfis na internet, seja por 24 horas ou por toda a eternidade. Ao assinar os termos de uso, o usu\u00e1rio assume que est\u00e1 ciente do quanto deseja mostrar de sua vida para familiares, amigos e desconhecidos. Mas e quando se trata da imagem de seus filhos, desde o nascimento at\u00e9 idade suficiente para terem sua pr\u00f3pria rede? <\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos dias, o <a href=\"https:\/\/youtu.be\/FpsCzFGL1LE?si=jANfkG1GMKcwwHNa\">v\u00eddeo<\/a> do influenciador Felipe Bressamin, mais conhecido como Felca, repercutiu nas redes sociais ao denunciar a explora\u00e7\u00e3o de menores de idade no ambiente digital. A publica\u00e7\u00e3o, que ultrapassa 37 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m exp\u00f4s como o algoritmo das redes sociais promove esse tipo de conte\u00fado e lucra com a adultiza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes. O tema ganhou for\u00e7a no Congresso, com 32 novos projetos de lei que surgiram ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo. <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.security.org\/digital-safety\/parenting-social-media-report\/\">Um levantamento realizado pela Security.org<\/a>, empresa americana especializada em prote\u00e7\u00e3o de dados, mostrou que <strong>29% dos pais nunca pedem permiss\u00e3o antes de compartilhar m\u00eddias vinculadas ao filho<\/strong>. Essa exposi\u00e7\u00e3o precoce, muitas vezes iniciada ainda na gesta\u00e7\u00e3o, pode gerar consequ\u00eancias significativas para o desenvolvimento emocional das crian\u00e7as, al\u00e9m de abrir margem para crimes como o roubo de identidade, cyberbullying, pedofilia e explora\u00e7\u00e3o comercial.<\/p>\n\n\n\n<p>Conhecido como<em> sharenting<\/em>, o compartilhamento de fotos dos filhos pelos pais tem levantado alertas sobre a exposi\u00e7\u00e3o infantil nas redes sociais. O termo em ingl\u00eas surge da jun\u00e7\u00e3o de <em>share<\/em> (compartilhar) e <em>parenting<\/em> (paternidade). Habituados a mostrar a pr\u00f3pria rotina nas redes, os pais passam a incluir registros de seus filhos na web, muitas vezes sem avaliar o tipo de conte\u00fado e a quantidade de publica\u00e7\u00f5es sobre a crian\u00e7a. Em casos mais graves, pode acontecer tamb\u00e9m o <em>oversharenting<\/em>, uma superexposi\u00e7\u00e3o fora do normal. \u201cN\u00f3s, como adultos, temos essa falsa ideia de que j\u00e1 sabemos lidar com a internet, mas pouco se reflete sobre a pegada digital que deixamos de n\u00f3s e dos outros \u00e0 nossa volta\u201d, afirma Indianara Sehaparini, psic\u00f3loga e doutoranda em psicologia pela UFRGS. \u201cUma vez publicado, isso nunca mais vai deixar de existir. N\u00e3o temos no\u00e7\u00e3o de quem fez o download ou n\u00e3o. E tirar da internet n\u00e3o \u00e9 uma garantia de que, de fato, aquilo saiu de l\u00e1\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito mais que apenas uma foto ou v\u00eddeo fofinho, a pr\u00e1tica do <em>sharenting<\/em> acaba expondo indevidamente informa\u00e7\u00f5es pessoais dos menores, desde momentos de fragilidade a inseguran\u00e7as dessa fase de descoberta, colocando-os em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. \u201cA inf\u00e2ncia \u00e9 uma fase muito sens\u00edvel, onde a crian\u00e7a est\u00e1 descobrindo quem \u00e9, formando autoestima e aprendendo a diferenciar o que \u00e9 dela e o que \u00e9 do mundo\u201d, explica Sofia Sebben, psic\u00f3loga cl\u00ednica e pesquisadora do N\u00facleo de Pesquisa e Interven\u00e7\u00e3o em Fam\u00edlias com Beb\u00eas e Crian\u00e7as (NUFABE\/UFRGS). \u201cEmbora ainda tenhamos poucos estudos sobre os efeitos da superexposi\u00e7\u00e3o no desenvolvimento emocional infantil, quando a sua vida vira conte\u00fado a ser exposto, ela pode crescer com dificuldade de entender o que \u00e9 privacidade ou achar que precisa de curtidas e coment\u00e1rios para se sentir vista. Com o tempo, isso pode afetar sua forma de lidar com emo\u00e7\u00f5es, sua autoconfian\u00e7a e at\u00e9 suas rela\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do impacto emocional, a exposi\u00e7\u00e3o pode abrir brechas de seguran\u00e7a, o que acende um alerta para que os pais pensem duas vezes antes de publicarem registros dos filhos. Yasmin Curzi, professora da FGV Direito Rio e pesquisadora do Karsh Institute of Democracy da University of Virginia, aconselha que os pais adotem o princ\u00edpio da precau\u00e7\u00e3o, evitando divulgar informa\u00e7\u00f5es privadas, como localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, rotina escolar, imagens e v\u00eddeos que possam gerar constrangimento futuro. Curzi refor\u00e7a que as postagens devem ser espor\u00e1dicas e os perfis devem usar configura\u00e7\u00f5es de privacidade restritivas. \u201c\u00c0 medida que a crian\u00e7a se desenvolve, seu consentimento deve ser considerado para a promo\u00e7\u00e3o de sua autonomia e autodetermina\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante n\u00e3o vincular a imagem da crian\u00e7a a conte\u00fados publicit\u00e1rios ou monetiz\u00e1veis sem autoriza\u00e7\u00e3o judicial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Indianara tamb\u00e9m enfatiza a import\u00e2ncia da desconex\u00e3o dos pequenos das redes sociais: \u201c\u00c9 importante que tu possas ser esquecido. \u00c9 ter direito a esquecimento, \u00e9 ter direito a fazer algo na sua vida e aquilo ficar naquele momento, de tu n\u00e3o teres toda a tua vida espectada.\u201d Para a psic\u00f3loga, quando se implica na crian\u00e7a a obriga\u00e7\u00e3o de ser uma influenciadora, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para que ela explore outra coisa, travando suas experi\u00eancias \u00e0s expectativas do meio digital. \u201cTer um um espa\u00e7o tranquilo para se desenvolver, entender que existe esse espa\u00e7o livre de poder brincar, desenvolver criatividade e de n\u00e3o fazer nada, tudo isso \u00e9 muito necess\u00e1rio tanto para inf\u00e2ncia quanto para adolesc\u00eancia\u201d, acrescenta.O <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/nufabe\/\">N\u00facleo de Pesquisa e Interven\u00e7\u00e3o em Fam\u00edlias com Beb\u00eas e Crian\u00e7as da UFRGS (NUFABE)<\/a> produziu uma cartilha de seguran\u00e7a digital com o objetivo de divulgar e popularizar informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas sobre o uso de telas na inf\u00e2ncia e suas consequ\u00eancias, bem como meios de incentivar o uso consciente. O material est\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/nufabe\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Cartilha-Seguranca-Digital-1.pdf\">dispon\u00edvel online<\/a> e ajuda a identificar os principais riscos das plataformas digitais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Conhecida mundialmente<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"976\" height=\"549\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-2-Reproducao-Instagram-@chloeclem.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-27394\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-2-Reproducao-Instagram-@chloeclem.jpg 976w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-2-Reproducao-Instagram-@chloeclem-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-2-Reproducao-Instagram-@chloeclem-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 976px) 100vw, 976px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A imagem da rea\u00e7\u00e3o de Chloe virou sensa\u00e7\u00e3o na internet | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o Instagram @chloeclem<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A vida de Chloe Clem mudou quando ela tinha apenas dois anos. O que parecia ser apenas o registro de uma viagem surpresa para a Disney eternizou o rosto da pequena na mem\u00f3ria da internet. O motivo? As pessoas se identificaram com <a href=\"https:\/\/youtu.be\/NGhuLkjl4iI?si=DryDds_4-6VmD3LU\">a rea\u00e7\u00e3o da pequenina americana<\/a>, capturando o momento em que olha com desconfian\u00e7a para usarem como meme, sendo conhecida at\u00e9 hoje como \u201cSide Eyeing Chloe&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Registrar momentos em fam\u00edlia e public\u00e1-los no Youtube j\u00e1 era um costume dos Clem antes disso. A experi\u00eancia de viralizar tamb\u00e9m n\u00e3o foi uma novidade, pois dois anos antes a emo\u00e7\u00e3o da filha mais velha, Lily, ao descobrir que iria para a Disney rendeu viagens especiais para promover o v\u00eddeo. Por\u00e9m, nada os preparou para a fama instant\u00e2nea em 2010.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Parecia um dia comum e as irm\u00e3s n\u00e3o suspeitavam de nada enquanto Katie Clem, m\u00e3e das meninas, as filmava falando sobre a escola. Ao anunciar para as filhas que na verdade iriam viajar para a Disney, Lily emocionou-se e come\u00e7ou a chorar de felicidade, o que fez Chloe a observar desconfiada. \u201cNo momento, eu apenas virei a c\u00e2mera para a Chloe e ela fez aquela express\u00e3o. N\u00e3o fazia ideia que se tornaria t\u00e3o viral. Ela ficou famosa instantaneamente em todo o mundo\u201d, disse Katie ao Humanista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o site <a href=\"https:\/\/knowyourmeme.com\/memes\/side-eyeing-chloe\"><em>Know Your Meme<\/em><\/a>, o olhar de Chloe come\u00e7ou a viralizar em 18 de setembro, seis dias ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo, quando um usu\u00e1rio do Tumblr enviou um conjunto de gifs animados com as rea\u00e7\u00f5es das duas irm\u00e3s. Em 24 de setembro, o site <em>BuzzFeed<\/em> pegou o gif para fazer um artigo intitulado &#8220;<a href=\"https:\/\/www.buzzfeed.com\/mattbellassai\/girl-reacting-to-disneyland-is-the-only-reaction-youll-need\">Garota reagindo \u00e0 Disneyl\u00e2ndia \u00e9 a \u00fanica rea\u00e7\u00e3o que voc\u00ea precisa para qualquer coisa<\/a>&#8221; e depois disso sua express\u00e3o n\u00e3o parou de viralizar.<\/p>\n\n\n\n<p>Doze anos se passaram e o rosto de Chloe ainda \u00e9 considerado um marco. Seu instagram, administrado pela m\u00e3e, possui mais de 600 mil seguidores e o v\u00eddeo original tem quase 25 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es. A garotinha fez tour por v\u00e1rios pa\u00edses e veio ao Brasil duas vezes para conhecer seus f\u00e3s. Mesmo n\u00e3o sendo mais reconhecida, ainda atrai a curiosidade das pessoas que a conheceram por causa do meme, participando de eventos e recebendo o carinho de seus seguidores no Instagram e Youtube. \u201cAtualmente, ela leva uma vida realmente normal. Em breve, estar\u00e1 no primeiro ano do ensino m\u00e9dio! E quando \u00e9 reconhecida, ela adora\u201d, acrescenta Katie.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/SnapInsta.to_497656292_18504223396022560_4615340003964260303_n-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-27395\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/SnapInsta.to_497656292_18504223396022560_4615340003964260303_n-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/SnapInsta.to_497656292_18504223396022560_4615340003964260303_n-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/SnapInsta.to_497656292_18504223396022560_4615340003964260303_n-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/SnapInsta.to_497656292_18504223396022560_4615340003964260303_n-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/SnapInsta.to_497656292_18504223396022560_4615340003964260303_n-1000x1000.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/SnapInsta.to_497656292_18504223396022560_4615340003964260303_n.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A fam\u00edlia se diz grata ap\u00f3s toda reviravolta do momento viral de Chloe (direita) | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o Instagram @chloeclem<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para a matriarca da fam\u00edlia, as experi\u00eancias boas durante todo esse percurso superam as ruins, fazendo grandes amigos e aproveitando a jornada. \u201cEu queria ter certeza de que tudo o que est\u00e1vamos fazendo era org\u00e2nico e n\u00e3o for\u00e7ado. Quando Chloe tinha uns 10 anos, percebi que ela e a irm\u00e3 j\u00e1 n\u00e3o tinham mais interesse em gravar v\u00eddeos para o Youtube, ent\u00e3o simplesmente paramos\u201d, relata. Quando questionada se ela se arrepende de postar o v\u00eddeo que fez a filha ficar t\u00e3o famosa, afirma que nunca sentiu isso, mas que gostaria de ter tido mais apoio jur\u00eddico no come\u00e7o. \u201cEu s\u00f3 queria ter tido mais conhecimento sobre a ind\u00fastria. Fomos enganados v\u00e1rias vezes no que diz respeito \u00e0 publicidade e ao licenciamento da imagem da Chloe. Ela tamb\u00e9m era muito jovem e n\u00e3o podia consentir com nada. Sinto um pouco de culpa como m\u00e3e\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos pontos positivos, Katie n\u00e3o recomenda que outros pais publiquem conte\u00fados de seus filhos na internet: \u201cA vida das minhas filhas est\u00e1 na internet para sempre. Uma vez divulgada, voc\u00ea nunca mais poder\u00e1 recuper\u00e1-la. Sinto-me um hip\u00f3crita ao dizer tudo isso, mas tive 12 anos para refletir e faria muitas coisas de forma diferente\u201d. Em sua opini\u00e3o, \u00e9 v\u00e1lido que as fam\u00edlias comemorem caso seus filhos viralizem, mas a situa\u00e7\u00e3o passa dos limites quando as pessoas for\u00e7am para que isso aconte\u00e7a mais vezes, de modo que as crian\u00e7as sofram durante o processo. \u201cN\u00e3o filme seus filhos se puder evitar. Gostaria que as minhas fossem mais velhas quando tudo aconteceu. Eu sempre tive medo de que isso tivesse um impacto negativo sobre ela (Chloe) quando crescesse, mas tem sido o contr\u00e1rio\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Exposi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-3-Arquivo-pessoal-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-27397\" style=\"width:745px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-3-Arquivo-pessoal-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-3-Arquivo-pessoal-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-3-Arquivo-pessoal-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-3-Arquivo-pessoal-1536x2048.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-3-Arquivo-pessoal-1500x2000.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-3-Arquivo-pessoal-scaled.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Apenas um n\u00famero seleto de pessoas j\u00e1 conheceu o rosto de Zo\u00e9 desde seu nascimento | Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Leonardo Couto e Francielly Feio optaram por n\u00e3o mostrar sua filha, Zo\u00e9, nas redes sociais. A decis\u00e3o foi tomada pelos pais antes do nascimento da menina, atualmente com quatro meses, e foca em n\u00e3o mostrar seu rosto para sua prote\u00e7\u00e3o. \u201cPrimeiro, a gente n\u00e3o conhece todo mundo que nos segue nas redes sociais, n\u00e9? Estudamos bastante, vimos que tem casos s\u00e9rios e graves relacionados a sequestro e pedofilia. Ent\u00e3o uma forma que a gente encontrou de mitigar isso \u00e9 n\u00e3o expondo a rotina dela e principalmente n\u00e3o colocando jamais as fotos de rosto\u201d, comenta o jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o foi alvo de cr\u00edticas e os pais sentiram press\u00e3o para compartilhar detalhes da filha. \u201cJ\u00e1 perguntaram se era de fato uma crian\u00e7a ou era um beb\u00ea reborn, j\u00e1 que a gente n\u00e3o mostrava\u201d, relembra Leonardo. Por\u00e9m, isso n\u00e3o impede que o casal publique alguns momentos, como os ensaios de m\u00easvers\u00e1rio da Zo\u00e9, e crie estrat\u00e9gias para manter o c\u00edrculo familiar e de amigos pr\u00f3ximos informado. \u201cA gente usa os melhores amigos e grupos de WhatsApp para algumas postagens. Tem muita foto engra\u00e7ada e \u00e9 \u00f3bvio que o pai e a m\u00e3e querem mostrar o filho, n\u00e9? Mas n\u00e3o \u00e9 simplesmente postar no feed ou aberto para todo mundo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Francielly acrescenta que, caso usasse as imagens da sua filha no seu perfil profissional de trabalho, teria muito sucesso, mas optou por n\u00e3o faz\u00ea-lo. \u201cFoto de crian\u00e7a faz engajar muito. Todo mundo acha bonitinho e a partir disso tu fazes o que quiseres com a audi\u00eancia. Mas a gente n\u00e3o quer gerar essa audi\u00eancia com base na Zo\u00e9 e sim no nosso conhecimento\u201d diz a terapeuta hol\u00edstica. O casal \u00e9 categ\u00f3rico na decis\u00e3o e n\u00e3o est\u00e1 disposto a mudar de opini\u00e3o quando se trata da imagem da filha. \u201cA gente n\u00e3o explica, s\u00f3 falamos que \u00e9 a nossa opini\u00e3o\u201d, reitera Leonardo. \u201cEnquanto ela n\u00e3o quiser aparecer, n\u00e3o vai aparecer. Como por enquanto ela n\u00e3o tem opini\u00e3o formada, a gente evita postar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Proibir \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o?<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-4-Foto-de-Ketut-Subiyanto_Pexels-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-27398\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-4-Foto-de-Ketut-Subiyanto_Pexels-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-4-Foto-de-Ketut-Subiyanto_Pexels-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-4-Foto-de-Ketut-Subiyanto_Pexels-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-4-Foto-de-Ketut-Subiyanto_Pexels-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-4-Foto-de-Ketut-Subiyanto_Pexels-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-4-Foto-de-Ketut-Subiyanto_Pexels-1500x1000.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Foto-4-Foto-de-Ketut-Subiyanto_Pexels-1020x680.jpg 1020w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Di\u00e1logo e consentimento podem tornar a pr\u00e1tica do sharenting menos nociva | Foto: Ketut Subiyanto\/Pexels<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1 regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre superexposi\u00e7\u00e3o digital por respons\u00e1veis legais, mas o tema avan\u00e7a na Justi\u00e7a. O <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8069.htm\">Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA)<\/a>, por exemplo, n\u00e3o trata diretamente do ambiente digital, pois foi promulgado em 1990, mas Yasmin Curzi refor\u00e7a que seus princ\u00edpios s\u00e3o plenamente aplic\u00e1veis \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes nas redes sociais. \u201cEle assegura direitos de preserva\u00e7\u00e3o da imagem, honra, vida privada e dignidade, e imp\u00f5e dever \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0 sociedade e ao Estado de prevenir a ocorr\u00eancia de amea\u00e7a ou viola\u00e7\u00e3o desses direitos, o que inclui imperativamente o ambiente online, constituindo um marco normativo essencial para garantir os direitos de crian\u00e7as e adolescentes tamb\u00e9m nesse contexto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Luciano Souto, advogado e professor de direito de fam\u00edlia na Faculdade de Direito do Vale do Rio Doce (Fadivale), comenta que existem caminhos legais poss\u00edveis para quem deseja exercer o direito ao esquecimento no ambiente digital. \u201cO primeiro passo \u00e9 notificar a plataforma e solicitar a remo\u00e7\u00e3o ou&nbsp; limita\u00e7\u00e3o de visibilidade e de acesso do conte\u00fado ao p\u00fablico\u201d, explica. Se a solicita\u00e7\u00e3o n\u00e3o for aceita, \u00e9 necess\u00e1rio iniciar uma a\u00e7\u00e3o judicial em contra o autor da divulga\u00e7\u00e3o e a plataforma digital, buscando \u00e0 remo\u00e7\u00e3o do conte\u00fado e tamb\u00e9m indeniza\u00e7\u00f5es por poss\u00edveis danos morais e materiais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a psic\u00f3loga, o compartilhamento de fotos e v\u00eddeos dos filhos pelos pais n\u00e3o \u00e9 de todo ruim, mas implica equil\u00edbrio e muita conversa na fam\u00edlia. \u201cQuando existem espa\u00e7os de muito di\u00e1logo, no qual os pais respeitam as crian\u00e7as e perguntam a elas antes de publicar, fortalece-se os la\u00e7os\u201d, recomenda. Al\u00e9m disso,&nbsp; Sehaparini comenta que proibir o compartilhamento n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para o <em>sharenting<\/em>: \u201cA gente tem que na verdade informar e conscientizar as pessoas desses riscos e tamb\u00e9m poder entender o porqu\u00ea que elas t\u00eam essa necessidade de colocar aquele conte\u00fado nas redes\u201d. Para a pesquisadora Sofia Sebben, nem tudo precisa virar um post: \u201cAs crian\u00e7as tamb\u00e9m precisam de tempo off-line para brincar e viver a sua inf\u00e2ncia, e ter momentos lindos que s\u00e3o s\u00f3 delas. E tudo bem guardar s\u00f3 na mem\u00f3ria. <strong>O principal \u00e9 isso: que a crian\u00e7a se sinta respeitada, protegida, e que sua inf\u00e2ncia n\u00e3o vire um palco<\/strong>\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o avan\u00e7o das redes sociais, fotos que antes ficavam guardadas em \u00e1lbuns de fam\u00edlia est\u00e3o dispon\u00edveis em perfis na internet, seja por 24 horas ou por toda a eternidade. Ao assinar os termos de uso, o usu\u00e1rio assume que est\u00e1 ciente do quanto deseja mostrar de sua vida para familiares, amigos e desconhecidos. Mas &#8230; <a title=\"Presen\u00e7a de crian\u00e7as nas redes sociais preocupa especialistas\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/08\/13\/presenca-de-criancas-nas-redes-sociais-preocupa-especialistas\/\" aria-label=\"More on Presen\u00e7a de crian\u00e7as nas redes sociais preocupa especialistas\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":27391,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[244,33],"tags":[638,13,814],"class_list":["post-27390","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-infancia","category-seguranca","tag-infancia","tag-seguranca","tag-sharenting"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27390","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27390"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27390\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27404,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27390\/revisions\/27404"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27391"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27390"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27390"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27390"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}