﻿{"id":27409,"date":"2025-08-21T21:43:27","date_gmt":"2025-08-22T00:43:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=27409"},"modified":"2025-08-21T21:43:30","modified_gmt":"2025-08-22T00:43:30","slug":"projeto-de-mineracao-avanca-em-sao-jose-do-norte-sob-incerteza-quanto-a-impactos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/08\/21\/projeto-de-mineracao-avanca-em-sao-jose-do-norte-sob-incerteza-quanto-a-impactos\/","title":{"rendered":"Projeto de minera\u00e7\u00e3o avan\u00e7a em S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte sob incerteza quanto a impactos"},"content":{"rendered":"\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte, a cidade do extremo sul do Rio Grande do Sul, passa pelo processo de instala\u00e7\u00e3o de um campo de minera\u00e7\u00e3o de ilmenita, mineral cujo nome cient\u00edfico \u00e9 \u00f3xido de tit\u00e2nio. Mesmo os processos jur\u00eddicos para opera\u00e7\u00e3o tenham se iniciado h\u00e1 14 anos, a popula\u00e7\u00e3o afetada afirma jamais ter sido ouvida no per\u00edodo e segue sem resposta acerca dos poss\u00edveis danos decorrentes da atividade, ou da possibilidade de manter a subsist\u00eancia com agricultura, pesca e cria\u00e7\u00e3o de gado.<\/p>\n\n\n\n<p>A instala\u00e7\u00e3o da mina se iniciou em maio de 2025, apesar de pareceres desfavor\u00e1veis do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal contra a concess\u00e3o da licen\u00e7a. O MPF considerou insuficientes o Estudo de Impacto Ambiental e Relat\u00f3rio de Impacto ao Meio Ambiente (EIA\/RIMA), documentos necess\u00e1rios para o licenciamento ambiental de minera\u00e7\u00f5es desse porte.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os documentos do inqu\u00e9rito, o empreendimento da Rio Grande Minera\u00e7\u00e3o S.A. (RGM) fica em uma regi\u00e3o muito fr\u00e1gil, de baixa resili\u00eancia e alta vulnerabilidade a danos ambientais, onde vivem esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, como o peixe-do-c\u00e9u e peixe-da-po\u00e7a. No campo socioecon\u00f4mico, os documentos desconsideram riscos associados \u00e0 perda de produtividade do solo, supress\u00e3o de nascentes, destrui\u00e7\u00e3o de benfeitorias, quebra das rela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a e perda tempor\u00e1ria ou definitiva de lugar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp; Quilombo Vila Nova \u00e9 uma das \u00e1reas afetadas que est\u00e1 \u00e0 frente da luta por direitos de perman\u00eancia. Embora o Projeto Retiro \u2013 nome dado ao empreendimento miner\u00e1rio \u2013 na sua primeira fase n\u00e3o abranja o quilombo, deve se expandir com o passar dos anos. Mesmo assim, conforme o Minist\u00e9rio P\u00fablico, Vila Nova j\u00e1 se encontra na \u00e1rea de influ\u00eancia direta.&nbsp; O empreendimento faz parte do Complexo Miner\u00e1rio do Atl\u00e2ntico Sul, no qual a terceira fase \u00e9 o Projeto Bujuru, que entrar\u00e1 na \u00e1rea de assentamento do quilombo e, ent\u00e3o, eles ter\u00e3o de ser removidos, prev\u00eaem os moradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo estando no local h\u00e1 quatro gera\u00e7\u00f5es, h\u00e1 o medo presente de que tenham de se retirar, conforme explica Fl\u00e1vio Machado, que est\u00e1 \u00e0 frente da representa\u00e7\u00e3o da comunidade junto da esposa, Vanuza Machado. Ambos levantam a bandeira e fazem parte do <a href=\"https:\/\/www.mamnacional.org.br\">Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o (MAM)<\/a> e explicam que o impacto come\u00e7a no medo da mudan\u00e7a. \u201cPara o empreendimento, dizem que s\u00f3 consideram quem estiver na \u00e1rea de lavra. Discordamos, pois achamos que n\u00e3o deveria ser dessa forma, porque dividem o projeto em tr\u00eas fases e a terceira fase ser\u00e1 na comunidade quilombola\u201d, explica Fl\u00e1vio.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o somente a comunidade afetada e o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), mas tamb\u00e9m o prefeito da cidade, Neromar de Ara\u00fajo Guimar\u00e3es (Uni\u00e3o), j\u00e1 se manifestou contr\u00e1rio \u00e0 proposta. O titular do executivo municipal defende que ainda n\u00e3o foram levantados os reais impactos da instala\u00e7\u00e3o de um empreendimento desse porte, muito menos foram explicados quais s\u00e3o os reais danos socioecon\u00f4micos e ambientais na regi\u00e3o de forma clara para a popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Veja, abaixo, um mapa contendo uma s\u00edntese do caso, a abrang\u00eancia e afeta\u00e7\u00f5es do Projeto Retiro:<\/p>\n\n\n        \n        <div class=\"embedpress-gutenberg-wrapper source-provider-document_html aligncenter clear   ep-content-protection-disabled inline\" id=\"8c520d45-7c6d-4347-8b86-631c9c7f3b16\" data-embed-type=\"document_html \">\n            <div class=\"wp-block-embed__wrapper \">\n                <div id=\"ep-gutenberg-content-a219382482bc600b4678199e4abbfb58\" class=\"ep-gutenberg-content\">\n                    <div >\n                        <div class=\"ep-embed-content-wraper preset-default insta-grid ep-google-photos-carousel\"\n                                                                                                                >\n\n                            <div class=\"ose-knight-lab ose-uid-020c3cb2fafd1e125c3d87f90d24f02d ose-embedpress-responsive\" style=\"width:600px; height:600px; max-height:600px; max-width:100%; display:inline-block;\"><iframe allowFullScreen=\"true\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-modals allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-popups-to-escape-sandbox\" security=\"restricted\" src=\"https:\/\/uploads.knightlab.com\/storymapjs\/a2add289c637bafa1f434d40c948b5e0\/projeto-retiro\/index.html#?secret=uFVJn8wV2N\" data-secret=\"uFVJn8wV2N\" width=\"600\" height=\"600\" frameborder=\"0\" title=\"Projeto de minera\u00e7\u00e3o avan\u00e7a em S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte sob incerteza quanto a impactos\"><\/iframe><\/div>                        <\/div>\n\n                                            <\/div>\n                <\/div>\n            <\/div>\n        <\/div>\n    \n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Defasagem de estudos<\/h3>\n\n\n\n<p>Quase inexistem estudos p\u00fablicos sobre os impactos da ilmenita. Embora o EIA\/RIMA deva, em teoria, abranger os riscos ao meio ambiente e \u00e0 sa\u00fade humana, n\u00e3o explica o que pode acarretar o carreamento do min\u00e9rio aos corpos h\u00eddricos, sua suspens\u00e3o no ar a longo prazo, ou a contamina\u00e7\u00e3o da agricultura e alimenta\u00e7\u00e3o de forma espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/foto-4-Fabricio-Paula-de-Souza-nao-faz-parte-do-projeto-valorizacao-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-27411\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/foto-4-Fabricio-Paula-de-Souza-nao-faz-parte-do-projeto-valorizacao-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/foto-4-Fabricio-Paula-de-Souza-nao-faz-parte-do-projeto-valorizacao-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/foto-4-Fabricio-Paula-de-Souza-nao-faz-parte-do-projeto-valorizacao-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/foto-4-Fabricio-Paula-de-Souza-nao-faz-parte-do-projeto-valorizacao-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/foto-4-Fabricio-Paula-de-Souza-nao-faz-parte-do-projeto-valorizacao-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/foto-4-Fabricio-Paula-de-Souza-nao-faz-parte-do-projeto-valorizacao-1500x1001.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/foto-4-Fabricio-Paula-de-Souza-nao-faz-parte-do-projeto-valorizacao-1020x680.jpg 1020w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Comunidades tradicionais e prefeitura t\u00eam a \u00e1gua como uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es; a contamina\u00e7\u00e3o pode acarretar impossibilidade de agricultura e pesca | Foto: Fabricio Paula de Souza\/Divulga\u00e7\u00e3o\n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>De acordo com a procuradora da Rep\u00fablica no munic\u00edpio de Rio Grande (RS), Anelise Becker, em comunicado aos portais do \u00f3rg\u00e3o em 2019, o EIA\/RIMA apresentado pela empresa Rio Grande Minera\u00e7\u00e3o S\/A t\u00eam graves defici\u00eancias e as complementa\u00e7\u00f5es exigidas pelo Ibama, \u00f3rg\u00e3o federal respons\u00e1vel, n\u00e3o s\u00e3o suficientes para supri-las. Violam, inclusive, o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o informada da popula\u00e7\u00e3o. Como a a\u00e7\u00e3o segue em curso, a procuradora preferiu n\u00e3o dar declara\u00e7\u00f5es \u00e0 reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o suficientes para a Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental do Rio Grande do Sul (Fepam). A regi\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte possui dunas e matas inundadas e arenosas. Habitats \u00fanicos e fr\u00e1geis, com esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. \u201cTodo o complexo, que vai da extra\u00e7\u00e3o at\u00e9 a exporta\u00e7\u00e3o, gera profundos impactos \u00e0 sa\u00fade humana. Aos trabalhadores diretos, \u00e0s comunidades do entorno, e \u00e0s comunidades do trajeto do transporte dos minerais e ao ecossistema\u201d, explica Ary Miranda, m\u00e9dico da Fiocruz e especialista em sa\u00fade p\u00fablica e meio ambiente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Miranda espera que seja definido mais precisamente como esse processo miner\u00e1rio deve ser desenvolvido, \u201cde forma que se preserve a integridade dos trabalhadores, da comunidade do entorno e dos ecossistemas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O prefeito da cidade \u00e9 enf\u00e1tico: \u201cEu tenho medo do empreendimento, do que ele possa causar\u201d. Segundo Guimar\u00e3es, houver conversas e a garantia do \u00f3rg\u00e3o licenciador de que haveria monitoramento, mas nunca foi garantido que a contamina\u00e7\u00e3o n\u00e3o aconteceria. Desde o in\u00edcio da implanta\u00e7\u00e3o, o prefeito, o MPF e o pr\u00f3prio Quilombo Vila Nova t\u00eam como um dos pleitos uma quest\u00e3o central como preocupa\u00e7\u00e3o: a \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>O munic\u00edpio realiza a maioria do abastecimento por meio de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, enquanto o len\u00e7ol fre\u00e1tico \u00e9 localizado em uma regi\u00e3o de baixa profundidade. Caso ocorra contamina\u00e7\u00e3o da capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, n\u00e3o haver\u00e1 como praticar a agricultura, nem dar de beber aos animais, ou trabalhar com pesca. \u201cS\u00f3 nos dizem que v\u00e3o tomar todos os cuidados, mas n\u00e3o dizem que n\u00e3o vai dar problema\u201d, explica o l\u00edder quilombola.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte foi, em 2023, a terceira maior produtora de cebola no Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). A contamina\u00e7\u00e3o poderia atingir severamente a economia municipal.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurado, o Ibama destacou que as informa\u00e7\u00f5es que subsidiaram os estudos s\u00e3o de responsabilidade da Rio Grande Minera\u00e7\u00e3o e \u00e9 a empresa, portanto, que deve monitorar os n\u00edveis dos indicadores ambientais, implementar medidas mitigadoras imediatas em caso de indicadores com baixo desempenho, ou at\u00e9 interromper a atividade imediatamente, no caso de altera\u00e7\u00e3o da qualidade de \u00e1gua. Segundo o Ibama, as informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o condicionadas \u00e0 presun\u00e7\u00e3o de boa-f\u00e9 da empresa, com responsabilidade legal por omiss\u00e3o. Al\u00e9m disso, o instituto considera as medidas apresentadas pelo empreendedor adequadas para mitigar os impactos da minera\u00e7\u00e3o nos corpos d&#8217;\u00e1gua e nos peixes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A (in)visibiliza\u00e7\u00e3o de comunidades tradicionais&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte tem como atividades principais a pesca artesanal e a agricultura familiar. Por\u00e9m, segundo os pareceres do MPF, n\u00e3o houve esfor\u00e7o suficiente do \u00f3rg\u00e3o licenciador, o IBAMA, e do pr\u00f3prio empreendimento, quanto a ouvir os povos que ser\u00e3o afetados.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o documento, o \u00f3rg\u00e3o ambiental, IBAMA, protocolou, entre 2016 e 2017 dois of\u00edcios sobre o EIA\/RIMA. O primeiro, reconhecendo a exist\u00eancia de pescadores artesanais. O segundo, negando a informa\u00e7\u00e3o anterior e os classificando como produtores rurais, o que significa n\u00e3o incluir os danos espec\u00edficos que a minera\u00e7\u00e3o pode gerar para os pescadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico pontua, no documento, que isso acontece porque n\u00e3o foi realizado, no Estudo de Impacto Ambiental, a aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade do povo que ali reside, nem foram adotados crit\u00e9rios de autoidentifica\u00e7\u00e3o, que devem ser v\u00e1lidos, conforme a Conven\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho n\u00ba 169.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o Ibama exija comprovantes de v\u00ednculo com o local, esses documentos por vezes n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de se conseguir. Mesmo o Quilombo Vila Nova, h\u00e1 quatro gera\u00e7\u00f5es no local, tenta h\u00e1 anos o t\u00edtulo da terra. \u201cEstamos na comunidade quilombola h\u00e1 muitos anos. E esses empreendimentos que chegam ficam questionando, dizem que n\u00f3s n\u00e3o temos\u201d, explica Fl\u00e1vio. Apesar da falta de titula\u00e7\u00e3o, a Rio Grande Minera\u00e7\u00e3o S.A. tem conhecimento do Quilombo Vila Nova desde, pelo menos, tr\u00eas meses ap\u00f3s seu pedido de licenciamento, em 2011. A informa\u00e7\u00e3o consta no processo digital do caso, no banco de dados do Ibama.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma conven\u00e7\u00e3o estabelece que, em caso de medidas que possam afetar esses povos, deve haver consulta pr\u00e9via, livre e informada, mediante procedimentos apropriados, inclusive devendo participar dos processos decis\u00f3rios. Para isso, a comunidade pesqueira elaborou um protocolo de consulta, informando o que essas comunidades tradicionais pesqueiras querem e como querem ser consultadas. O documento, que envolve 73 comunidades localizadas nas margens da Lagoa dos Patos, Lago Gua\u00edba e Delta do Jacu\u00ed, realizado entre 2023 e 2025, foi aprovado somente entre 28 e 30 de maio. Nesta data, a licen\u00e7a j\u00e1 havia sido expedida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tiago-Colares-_-Projeto-Valorizacao-8-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-27412\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tiago-Colares-_-Projeto-Valorizacao-8-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tiago-Colares-_-Projeto-Valorizacao-8-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tiago-Colares-_-Projeto-Valorizacao-8-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tiago-Colares-_-Projeto-Valorizacao-8-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tiago-Colares-_-Projeto-Valorizacao-8-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tiago-Colares-_-Projeto-Valorizacao-8-1500x1000.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Tiago-Colares-_-Projeto-Valorizacao-8-1020x680.jpg 1020w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Comunidades tradicionais pesqueiras, durante a \u00faltima oficina para elabora\u00e7\u00e3o do Protocolo de Consulta, em outubro de 2024 | Foto: Tiago Collares\/Projeto Valoriza\u00e7\u00e3o das Comunidades Tradicionais Pesqueiras da Lagoa dos Patos\/Divulga\u00e7\u00e3o\n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Procurado, o chefe do executivo municipal declarou que a responsabilidade com o quilombo \u00e9 do empreendedor instalado. Em outras ocasi\u00f5es do tipo, o que restou foi indenizar os moradores para que se mudassem, explica. \u201cAinda est\u00e3o muito longe do quilombo. Ent\u00e3o, penso que \u00e9 algo que v\u00e3o ter que pensar mais adiante\u201d, afirma Neromar. Para o Quilombo Vila Nova, novamente resta a incerteza e a falta de informa\u00e7\u00f5es definitivas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Ibama, por meio de nota, tamb\u00e9m declarou, novamente, que nesse caso a responsabilidade \u00e9 do empreendimento. Por outro lado, garantiu que est\u00e1 prevista a realiza\u00e7\u00e3o de reuni\u00e3o p\u00fablica com a comunidade local para discutir o andamento do projeto e esclarecer d\u00favidas.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00f3rg\u00e3o especifica que, caso a empresa queira expandir, n\u00e3o ser\u00e1 realizado um novo processo de licenciamento,&nbsp; apenas ser\u00e3o apresentadas as informa\u00e7\u00f5es para tomada de decis\u00e3o \u2013 embora essas ainda tenham de passar pelo crivo do instituto ambiental federal. Esse processo pode incluir apresenta\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es adicionais e an\u00e1lises espec\u00edficas para cada \u00e1rea.&nbsp; Vale ressaltar, por\u00e9m, que isso n\u00e3o se aplica aos Projetos Estreito e Cap\u00e3o do Meio ou Bujuru, que demandar\u00e3o novos processos de licenciamento, novos estudos e seguir\u00e3o todo o procedimento novamente, desde o in\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Fl\u00e1vio e Vanuza Machado, a resposta \u00e0s suas reivindica\u00e7\u00f5es est\u00e1 sendo postergada pelos \u00f3rg\u00e3os competentes e pelo empreendimento. \u201cA terceira fase est\u00e1 na comunidade quilombola. Mesmo eles dizendo que isso vai demorar a chegar, eles j\u00e1 possuem isso demarcado\u201d, pontua Fl\u00e1vio.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o soci\u00f3logo, especializado em ecologia pol\u00edtica e tens\u00f5es miner\u00e1rias na Am\u00e9rica Latina Felipe Milanez, h\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o recorrente de n\u00e3o se consultar a comunidade. \u201c[O empreendimento] n\u00e3o est\u00e1 propondo o respeito a comunicar as comunidades negras. Se passou a criar uma ilus\u00e3o de que h\u00e1 impactos diretos e indiretos. O indireto \u00e9 o que o licenciador n\u00e3o quer aceitar que vai atingir, tamb\u00e9m, diretamente\u201d, enfatiza.<\/p>\n\n\n\n<p>Vanuza, por sua vez, explica que n\u00e3o se trata somente de local: \u201cN\u00e3o vamos esperar [o empreendimento] chegar no quilombo para fazermos algo. J\u00e1 estamos nos articulando antes. E ningu\u00e9m quer sair. Nossas ra\u00edzes est\u00e3o fincadas no quilombo. Nunca sa\u00edmos. Imagina? Para onde a gente vai, se vivemos aqui, e nosso sistema \u00e9 a agricultura?\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Empregos, dinheiro, min\u00e9rio<\/h3>\n\n\n\n<p>Conforme o empreendimento justifica no EIA\/RIMA, a \u00fanica fonte de ilmenita no Brasil era a Mina de Mataraca, que estava se exaurindo; hoje, 14 anos depois da publica\u00e7\u00e3o dos estudos, j\u00e1 se encontra desativada. Sem a fonte de Mataraca, o Brasil teria que comprar min\u00e9rio externo para atender \u00e0 demanda interna represada.<\/p>\n\n\n\n<p>O titular do executivo municipal nega qualquer press\u00e3o vinda do governo federal para o licenciamento c\u00e9lere, mas pontua: \u201cNos foi dito que \u00e9 um projeto priorit\u00e1rio para a na\u00e7\u00e3o e que n\u00e3o h\u00e1 risco, mas tudo isto \u00e9 dito oralmente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Milanez, o que tudo indica \u00e9 que a regi\u00e3o corre o risco de se tornar uma zona de sacrif\u00edcio sob uma explora\u00e7\u00e3o curta. \u201c\u00c9 uma apropria\u00e7\u00e3o unilateral, por coloniza\u00e7\u00e3o de terra\u201d, alerta, comparando a press\u00e3o com aquela realizada para a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo pelo Governo Federal na Foz do Amazonas, tamb\u00e9m ocorre nesse caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Projeta-se no EIA\/RIMA que ser\u00e3o gerados 350 empregos. Por\u00e9m, 100 deles vir\u00e3o de fora da \u00e1rea diretamente afetada. Soma-se a isso a expectativa de valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. Ainda, o estudo do empreendimento ressalta uma maior press\u00e3o em servi\u00e7os p\u00fablicos, aumento de ocupa\u00e7\u00f5es irregulares e da demanda por habita\u00e7\u00e3o. Para Milanez, os trabalhos destinados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local ser\u00e3o os precarizados, por dez anos: \u201c\u00c9 uma explora\u00e7\u00e3o dessa for\u00e7a de trabalho, em condi\u00e7\u00f5es de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o e acidentes\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 previs\u00e3o de gerar R$19 milh\u00f5es em arrecada\u00e7\u00e3o do PIS\/COFINS e R$ 25 milh\u00f5es de ICMS, pertencentes aos governos federal e estadual, respectivamente. J\u00e1 a carga tribut\u00e1ria que beneficiar\u00e1 diretamente o munic\u00edpio \u00e9 a chamada Compensa\u00e7\u00e3o Financeira pela Explora\u00e7\u00e3o Mineral (CFEM), um tipo de repasse, semelhante a <em>royalties<\/em>, em que 12% se destinam \u00e0 Uni\u00e3o, 23% ao Estado e 65% ficar\u00e3o para S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte. Soma-se a isso o Imposto sobre Servi\u00e7os de Qualquer Natureza (ISSQN) para chegar a uma estimativa de arrecada\u00e7\u00e3o municipal de R$4,45 milh\u00f5es por ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, um relat\u00f3rio do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o apontou que, entre 2017 e 2022, 69,7% dos titulares de 30.383 processos ativos na fase de concess\u00e3o de lavra e de licenciamento n\u00e3o pagaram espontaneamente a CFEM. Al\u00e9m disso, o percentual m\u00e9dio de sonega\u00e7\u00e3o de 2014 a 2019 foi de 30,5%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Reportagem desenvolvida na disciplina Jornalismo e Meio Ambiente no semestre 2025\/1, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Dra. Elo\u00edsa Beling Loose<\/em>. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte, a cidade do extremo sul do Rio Grande do Sul, passa pelo processo de instala\u00e7\u00e3o de um campo de minera\u00e7\u00e3o de ilmenita, mineral cujo nome cient\u00edfico \u00e9 \u00f3xido de tit\u00e2nio. Mesmo os processos jur\u00eddicos para opera\u00e7\u00e3o tenham se iniciado h\u00e1 14 anos, a popula\u00e7\u00e3o afetada afirma jamais ter sido ouvida no &#8230; <a title=\"Projeto de minera\u00e7\u00e3o avan\u00e7a em S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte sob incerteza quanto a impactos\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/08\/21\/projeto-de-mineracao-avanca-em-sao-jose-do-norte-sob-incerteza-quanto-a-impactos\/\" aria-label=\"More on Projeto de minera\u00e7\u00e3o avan\u00e7a em S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte sob incerteza quanto a impactos\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":27410,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[257,229],"tags":[],"class_list":["post-27409","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fabico-humanista","category-meio-ambiente"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27409","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27409"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27409\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27420,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27409\/revisions\/27420"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27410"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27409"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27409"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}