﻿{"id":27421,"date":"2025-08-28T14:02:44","date_gmt":"2025-08-28T17:02:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=27421"},"modified":"2025-08-28T14:05:27","modified_gmt":"2025-08-28T17:05:27","slug":"transfobia-ambiental-se-tornou-mais-evidente-com-desastre-climatico-de-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/08\/28\/transfobia-ambiental-se-tornou-mais-evidente-com-desastre-climatico-de-2024\/","title":{"rendered":"\u201cTransfobia ambiental\u201d se tornou mais evidente com desastre clim\u00e1tico de 2024"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando ocorre um desastre, as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis socioeconomicamente s\u00e3o as mais atingidas. Entre elas, est\u00e1 a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+,&nbsp; especialmente as pessoas trans e travestis, comunidade da sigla mais afetada pela exclus\u00e3o social, viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o no Brasil. Essa \u00e9 uma das conclus\u00f5es do Relat\u00f3rio <a href=\"https:\/\/anistia.org.br\/informe\/anistia-interncional-lanca-relatorio-sobre-enchentes-no-rio-grande-do-sul\/\">\u201cQuando a \u00e1gua toma tudo \u2013 Impactos das cheias no Rio Grande do Sul\u201d<\/a>, da Anistia Internacional Brasil. Segundo o documento, durante a emerg\u00eancia, houveram diversos relatos de pessoas trang\u00eanero v\u00edtimas de ass\u00e9dio, discrimina\u00e7\u00e3o e nega\u00e7\u00e3o de acesso digno aos abrigos \u2013&nbsp; o que levou muitos a optarem por ficarem nas ruas, por medo de sofrerem novas viola\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em resposta, iniciativas como o abrigo<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2024\/05\/6858848-apos-casos-de-discriminacao-abrigo-para-pessoas-lgbtqia-e-aberto-no-rs.html#google_vignette\"> Renascer<\/a>, espec\u00edfico para a comunidade LGBTQIAPN+,em Porto Alegre, o <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/comunidade-trans-se-mobiliza-em-apoio-%C3%A0s-v%C3%ADtimas-no-rs\/a-69275203\">Ajuda Trans RS<\/a><em> <\/em>e outros projetos sociais surgiram buscando suprir uma lacuna na prote\u00e7\u00e3o social dessas pessoas naquele momento. Segundo <a href=\"https:\/\/www.escavador.com\/sobre\/12159402\/julia-de-souza-tedesco\">Caio Tedesco<\/a>, historiador integrante do projeto e homem trans, a experi\u00eancia do Estado na enchente destacou o despreparo no acolhimento, que tem origens claras: o preconceito.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, a vulnerabiliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o transg\u00eanero foi constru\u00edda historicamente,&nbsp; perpetuando ao longo do tempo um cen\u00e1rio de exclus\u00e3o do acesso \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 moradia digna, ao trabalho e \u00e0 assist\u00eancia social.&nbsp; \u201c\u00c9 mais comum que pessoas trans vivam em regi\u00f5es afetadas por desastres clim\u00e1ticos, que tenham menos acesso a suporte, a condi\u00e7\u00f5es de se proteger, de se cuidar. E durante os desastres, como as enchentes demonstraram, o pr\u00f3prio poder p\u00fablico pretere as pessoas trans no seu cuidado\u201d, explica Caio.<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de Transfobia Ambiental \u00e9 novo no Brasil. Ele \u00e9 derivado do termo Racismo Ambiental, criado na d\u00e9cada de 1980, que destaca como popula\u00e7\u00f5es negras e racializadas s\u00e3o afetadas desproporcionalmente em casos de desastres ambientais e clim\u00e1ticos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a antrop\u00f3loga, integrante do projeto <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ambitransunisc?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;igsh=ZDNlZDc0MzIxNw==\">ClimaTrans <\/a>e travesti <a href=\"https:\/\/www.escavador.com\/sobre\/490211976\/newan-acacio-oliveira-de-souza\">Nina Ac\u00e1cio<\/a>, no meio acad\u00eamico o conceito est\u00e1 em disputa e come\u00e7ando a ser desenvolvido, mas \u00e9 utilizado para pensar os desafios adicionais enfrentados pelas pessoas trans na emerg\u00eancia clim\u00e1tica. \u201c\u00c9 um conceito que surge do movimento social e de uma articula\u00e7\u00e3o de pessoas que entendem que desastres ambientais e crises afetam pessoas de diferentes formas, e por que n\u00e3o [pensar como] pessoas trans tamb\u00e9m s\u00e3o afetadas por isso?\u201d indica a antrop\u00f3loga. \u201cO termo \u00e9 usado para pensar justamente a especificidade que \u00e9 passar por quest\u00f5es relacionadas \u00e0 crise clim\u00e1tica a partir de uma corporalidade trans\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A viol\u00eancia como amea\u00e7a constante<\/h3>\n\n\n\n<p>Segundo a pesquisa <a href=\"https:\/\/antrabrasil.org\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/dossie-antra-2025.pdf\">\u201cAssassinatos e viol\u00eancias contra travestis e transexuais brasileiras\u201d<\/a>, 122 pessoas trans foram assassinadas no Brasil em 2024, sendo nosso pa\u00eds o que mais matou pessoas transg\u00eanero pelo 17\u00ba ano consecutivo, em n\u00fameros absolutos. De acordo com o documento da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (ANTRA), a v\u00edtima mais jovem tinha apenas 15 anos. O perfil das v\u00edtimas revela uma realidade inaceit\u00e1vel: s\u00e3o majoritariamente jovens trans negras em vulnerabilidade econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"824\" height=\"382\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-28-at-13.38.41.jpeg\" alt=\"Fonte: Assassinatos e viol\u00eancias contra travestis e transexuais brasileiras (2025)\n\" class=\"wp-image-27449\" style=\"width:900px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-28-at-13.38.41.jpeg 824w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-28-at-13.38.41-300x139.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-28-at-13.38.41-768x356.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 824px) 100vw, 824px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-pale-cyan-blue-color\">Fonte: Assassinatos e viol\u00eancias contra travestis e transexuais brasileiras (2025)<br><\/mark><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A pesquisa aborda o que \u00e9 Transfobia Ambiental, destaca problem\u00e1ticas no acolhimento de pessoas transg\u00eanero na trag\u00e9dia no Rio Grande do Sul e deixa recomenda\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas a serem implementadas.<em> <\/em><strong>Conforme o documento, os principais pontos de aten\u00e7\u00e3o quanto ao acolhimento de pessoas trans nas enchentes foram:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Vulnerabilidade aumentada;<\/li>\n\n\n\n<li>Barreiras ao acesso a servi\u00e7os, incluindo sa\u00fade, moradia e assist\u00eancia social;<\/li>\n\n\n\n<li>Transfobia ambiental;<\/li>\n\n\n\n<li>Necessidades espec\u00edficas, como acesso a medicamentos hormonais, itens de higiene apropriados e servi\u00e7os de sa\u00fade mental;<\/li>\n\n\n\n<li>Import\u00e2ncia de espa\u00e7os espec\u00edficos para pessoas trans;<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio apresentou cinco recomenda\u00e7\u00f5es para lidar com a quest\u00e3o, que podem ser conferidas na figura abaixo:<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"593\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-28-at-13.56.43-1024x593.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-27452\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-28-at-13.56.43-1024x593.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-28-at-13.56.43-300x174.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-28-at-13.56.43-768x445.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-28-at-13.56.43.jpeg 1196w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-pale-cyan-blue-color\">Fonte: Assassinatos e viol\u00eancias contra travestis e transexuais brasileiras (2025)<br><\/mark><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>De acordo com a pesquisa, \u00e9 not\u00e1vel que as trag\u00e9dias clim\u00e1ticas ocorrem por interfer\u00eancias humanas na natureza, que colocam em perigo os seus povos e o meio ambiente. \u201cAs consequ\u00eancias dessas trag\u00e9dias incluem perda de vidas, danos materiais, deslocamento for\u00e7ado, desertos alimentares, inseguran\u00e7a alimentar, interrup\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os b\u00e1sicos e impactos na sa\u00fade mental das comunidades afetadas. E \u00e9 nesse contexto que as pessoas trans enfrentam desafios adicionais devido \u00e0 transfobia, que as torna mais vulner\u00e1veis a esses impactos\u201d, explica o estudo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/hospital-1024x683.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-27450\" style=\"width:900px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/hospital-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/hospital-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/hospital-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/hospital-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/hospital-2048x1365.jpeg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/hospital-1500x1000.jpeg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/hospital-1020x680.jpeg 1020w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-pale-cyan-blue-color\">Hospital de Campanha da For\u00e7a Nacional do SUS, montado na ULBRA, em Canoas | Imagem: Rafa Neddermeyer \/ Ag\u00eancia Brasil<br><\/mark><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Iniciativas de enfrentamento<\/h3>\n\n\n\n<p>O <em>Ajuda Trans <\/em>foi uma a\u00e7\u00e3o social criada por Gustavo Deon e Luka Machado, duas pessoas trans n\u00e3o-bin\u00e1rias \u2013 Gustavo, transmasculino, e Luka, travesti. Artistas e produtores culturais, eles se mobilizaram para auxiliar as pessoas atingidas na emerg\u00eancia das enchentes, e perceberam a necessidade de um espa\u00e7o de ajuda transcentrado (composto apenas de pessoas trans para fortalecer a sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento entre os acolhidos).<\/p>\n\n\n\n<p>Caio Tedesco conta que o projeto iniciou atrav\u00e9s de um formul\u00e1rio nas redes sociais, onde posteriormente ele indicou estar dispon\u00edvel para participar. Juntos, os tr\u00eas montaram equipes, sa\u00edram do online para o presencial e conseguiram parcerias com outros coletivos e movimentos, como a Cozinha Solid\u00e1ria do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), #TransEnem, Trans Obra e outros. \u201cFomos ampliando e fazendo parcerias para podermos conectar pessoas trans que precisavam de ajuda com pessoas trans que queriam ajudar\u201d, recorda Caio.<\/p>\n\n\n\n<p>Na mobiliza\u00e7\u00e3o, conseguiram dep\u00f3sito para doa\u00e7\u00f5es, contato para entregas, equipe de atendimento com assistentes sociais, psic\u00f3logos, m\u00e9dicos, entre outros profissionais trans que se mostraram dispon\u00edveis \u00e0 iniciativa. \u201c\u00c9 um projeto que foi se espalhando de diversas formas, porque n\u00f3s est\u00e1vamos buscando preencher as lacunas do Estado, e de projetos privados, porque n\u00f3s, pessoas trans, nunca \u00e9ramos incluides de maneira vis\u00edvel\u201d, afirma Caio.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, a iniciativa, que teve a dura\u00e7\u00e3o de cerca de dois meses,<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1nE2QHlQksspCVkfNA0eBIDHImzdpsA-V\/view?usp=sharing\"> atendeu 113 pessoas atingidas e suas fam\u00edlias apenas nos dez primeiros dias<\/a>. O <em>Ajuda Trans RS <\/em>recebeu pedidos de pessoas de v\u00e1rias cidades pelo Estado e procurou fazer o trabalho mais completo poss\u00edvel dentro das capacidades dos volunt\u00e1rios. \u201cFoi uma a\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria, mas o remanescente \u00e9 uma rede de cuidado transcentrada que pode ser restabelecida e acionada quando necess\u00e1rio. Temos uma rede, temos afetos e uma coletividade de cuidado e apoio m\u00fatuo solidificada\u201d, completa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as demandas dos atingidos ouvidas pelo <em>Ajuda Trans<\/em>, estava a necessidade de abrigos espec\u00edficos para a comunidade trans. Esse foi o objetivo de Gloria Crystal ao criar o Abrigo Renascer, \u00fanico destinado \u00e0&nbsp; comunidade no Rio Grande do Sul durante as enchentes, que funcionava em Porto Alegre. Travesti, artista e diretora do Departamento de Diversidade Sexual de G\u00eanero da Secretaria de Justi\u00e7a, Cidadania e Direitos Humanos do Estado, Gl\u00f3ria indica a grande preocupa\u00e7\u00e3o em proporcionar o acolhimento devido \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+. \u201cN\u00f3s t\u00ednhamos que fazer alguma coisa para essa popula\u00e7\u00e3o, que estava numa situa\u00e7\u00e3o dentro de abrigos, podendo acontecer alguma viola\u00e7\u00e3o de direito humano\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de conseguir um local, o Departamento come\u00e7ou a receber pedidos de busca de pessoas trans que estavam abrigadas pela Capital. \u201cO nosso papel foi buscar essas pessoas, e quando a gente buscou essas pessoas, a preocupa\u00e7\u00e3o era acolh\u00ea-las e fortalecer uma rede de prote\u00e7\u00e3o onde elas se sentissem bem\u201d, conta Gloria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos cuidados de atendimento de sa\u00fade e assist\u00eancia social que foram oferecidos, a diretora indica que um dos diferenciais do Renascer foram as orienta\u00e7\u00f5es dadas aos volunt\u00e1rios. \u201cHouve um letramento para as pessoas, e os volunt\u00e1rios que estavam nos ajudando eram pessoas que moravam na comunidade onde a gente fez esse abrigo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Nina Ac\u00e1cio, a falta de conhecimento de volunt\u00e1rios sobre como atender pessoas transg\u00eanero foi uma das maiores dificuldades enfrentadas nos abrigos ga\u00fachos. Durante as cheias, Nina foi coordenadora no Abrigo IPA, na regi\u00e3o central de Porto Alegre. Ela conta que sua experi\u00eancia foi majoritariamente positiva, o que considera ter sido raro naquele momento no Estado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nina frisa que o abrigo estava inserido em um bairro de classe m\u00e9dia alta, organizado e subsidiado por cinco empresas, e com muito mais recursos do que era comum. \u201cPor exemplo, eu era uma das coordenadoras, n\u00e3o \u00e9 todo abrigo que voc\u00ea tinha uma das coordenadoras de acolhimento, uma travesti. Eu estava l\u00e1 o tempo inteiro, t\u00ednhamos equipe de horas, praticamente\u201d, explica Nina. \u201cEssa minha experi\u00eancia foi um ponto fora da curva, porque a experi\u00eancia da maioria das pessoas que trans em abrigos n\u00e3o foi essa. Foi de total descaso, foi de total viol\u00eancia, foi de total desumaniza\u00e7\u00e3o em alguns aspectos. Porque \u00e9 isso, n\u00e9? A figura da pessoa trans ainda est\u00e1 aliada a um ser que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ser humano assim.\u201d, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p>A antrop\u00f3loga diz que a equipe contou com atendimentos de sa\u00fade diversos, que ajudaram com viol\u00eancias pelas quais pessoas trans passaram por l\u00e1.\u201c Fui desrespeitada por algumas pessoas, por colegas de voluntariado que me chamavam pelos pronomes errados, gostavam de pontuar e demarcar a minha transexualidade quando n\u00e3o era necess\u00e1rio. Mas voc\u00ea tinha ali pessoas que estavam dispostas a entender as especificidades. Isso construiu um espa\u00e7o que foi mais acolhedor que outros\u201d, completa Nina.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"850\" height=\"567\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/ambuT.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-27451\" style=\"width:900px\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/ambuT.jpg 850w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/ambuT-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/ambuT-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-pale-cyan-blue-color\">O Ambulat\u00f3rio Trans Centro, servi\u00e7o da Secretaria Municipal de S\u00e1ude, localizado no Centro de Sa\u00fade Santa Marta, reuni usu\u00e1rios que participam de grupo organizado pela equipe multidisciplinar de sa\u00fade do local <a href=\"Fonte: Assassinatos e viol\u00eancias contra travestis e transexuais brasileiras (2025)\">|<\/a> Imagem: Cristine Rochol\/PMPA<\/mark><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e perspectivas para o futuro&nbsp;<\/h3>\n\n\n\n<p>A falta de informa\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios e a lacuna na forma\u00e7\u00e3o de profissionais de assist\u00eancia se mostra relevante na experi\u00eancia de quem esteve nos abrigos durante as enchentes no Rio Grande do Sul. Para Nina Ac\u00e1cio, \u00e9 necess\u00e1ria a orienta\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de profissionais de sa\u00fade e assist\u00eancia social sobre como atender a popula\u00e7\u00e3o trans do Estado. \u201cMas como pensar forma\u00e7\u00e3o continuada para volunt\u00e1rios? Precisamos falar sobre essas coisas. Sobre crise clim\u00e1tica, sobre formas de agir em desastres socioambientais, mas tamb\u00e9m de formas de agir nas especificidades de entendimento de diferentes popula\u00e7\u00f5es e de como elas s\u00e3o m\u00faltiplas\u201d, pontua<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio \u00e0 enchente,<a href=\"https:\/\/saude.rs.gov.br\/cartilha-orienta-acolhimento-da-populacao-lgbt-nos-abrigos-e-servicos-de-saude\"> um cartaz sobre atendimento \u00e0 pessoas LGBTQIAPN+<\/a> para ser distribu\u00eddo nos abrigos foi produzido pelo Departamento de Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria e Pol\u00edticas de Sa\u00fade (Dapps), por meio da Divis\u00e3o de Equidades, e em parceria com o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (UNICEF).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Coordenadora da Divis\u00e3o de Pol\u00edticas de Promo\u00e7\u00e3o da Equidade em Sa\u00fade, Gabriela Lorenzetti, o material foi pensado para ser compreendido de forma f\u00e1cil pelos volunt\u00e1rios: \u201cOs abrigos foram montados de forma r\u00e1pida, emergencial, e muitas vezes as pessoas que estavam ali atendendo e trabalhando n\u00e3o tinham conhecimento e n\u00e3o foram capacitadas para isso.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na Secretaria Estadual de Sa\u00fade (SES), Gabriela relata que a Divis\u00e3o de Equidades fazia visitas em abrigos para registrar as principais demandas de diferentes popula\u00e7\u00f5es, como quilombolas, pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua e pessoas LGBTQIAPN+. Segundo ela, houve casos de conflitos entre as pessoas abrigadas, que n\u00e3o queriam estar no mesmo espa\u00e7o de pessoas que fossem, de modo geral, diferentes delas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando uma parcela geral da popula\u00e7\u00e3o ga\u00facha foi colocada no mesmo espa\u00e7o, comportamentos j\u00e1 caracter\u00edsticos da sociedade brasileira, como homofobia, transfobia ou machismo tamb\u00e9m foram reproduzidos l\u00e1. \u201cHavia quest\u00f5es como pessoas que precisavam sair \u00e0 noite, \u00e0s vezes at\u00e9 para trabalhar, porque viviam na prostitui\u00e7\u00e3o. E nos abrigos elas n\u00e3o podiam sair em um determinado hor\u00e1rio. Ent\u00e3o, todas essas diferen\u00e7as foram para dentro dos abrigos. E somavam-se os preconceitos. Se a pessoa \u00e9 negra, se a pessoa \u00e9 perif\u00e9rica, se a pessoa \u00e9 LGBT, se a pessoa \u00e9 trans\u201d, detalha Gabriela.<\/p>\n\n\n\n<p>O Centro de Sa\u00fade Santa Marta, onde funciona o principal Ambulat\u00f3rio Trans de Porto Alegre, foi inundado nas enchentes e passou quatro meses sem funcionamento. Sem acesso ao ambulat\u00f3rio, pessoas trans em acompanhamento de transi\u00e7\u00e3o hormonal pelo SUS perderam seu acesso aos medicamentos. Essa foi uma das principais demandas percebidas pela Dapps, que apresentou um projeto de recurso emergencial para o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para a compra de horm\u00f4nios e tentou doa\u00e7\u00f5es de outros estados, sem sucesso. \u201cTent\u00e1vamos buscar recursos de tudo que era modo, mas j\u00e1 vinham para a \u00e1rea da sa\u00fade do Governo Federal, para suprir outras necessidades. Ent\u00e3o, \u00e0s vezes, esses pedidos espec\u00edficos acabam n\u00e3o sendo contemplados\u201d, lamenta Gabriela.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/24140320-cartilha-lgbt-abrigos_page-0001-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-27423\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/24140320-cartilha-lgbt-abrigos_page-0001-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/24140320-cartilha-lgbt-abrigos_page-0001-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/24140320-cartilha-lgbt-abrigos_page-0001-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/24140320-cartilha-lgbt-abrigos_page-0001-1537x2048.jpg 1537w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/24140320-cartilha-lgbt-abrigos_page-0001-1500x1999.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/24140320-cartilha-lgbt-abrigos_page-0001.jpg 1875w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-pale-cyan-blue-color\">Cartaz da Daps para acolhimento de pessoas LGBTQIAPN+ | Fonte: SES\/RS<\/mark><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Ao pensar como melhor preparar o Estado para atua\u00e7\u00e3o em abrigos tempor\u00e1rios em virtude da emerg\u00eancia por desastres clim\u00e1ticos, a SES tamb\u00e9m disponibilizou um <a href=\"https:\/\/atencaoprimaria.rs.gov.br\/upload\/arquivos\/202406\/12145854-guia-rapido-abrigos-profissionais.pdf\">Guia R\u00e1pido<\/a> de recomenda\u00e7\u00f5es para profissionais da sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Nina Ac\u00e1cio, \u00e9 preciso garantir pol\u00edticas p\u00fablicas de combate \u00e0s desigualdades ambientais e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Nesse sentido, o projeto ClimaTrans lan\u00e7ou, no in\u00edcio de 2025, o document\u00e1rio intitulado <em>Transidentidades e justi\u00e7a clim\u00e1tica: viv\u00eancias de pessoas trans e travestis nas enchentes no RS<\/em>, e lan\u00e7ar\u00e1 o livro<a href=\"https:\/\/pedroejoaoeditores.com.br\/produto\/transfobia-ambiental-a-exclusao-veio-antes-da-agua\/\"> <em>Transfobia Ambiental: a exclus\u00e3o veio antes da \u00e1gua<\/em><\/a>, ainda esse ano. Segundo a antrop\u00f3loga, h\u00e1 uma s\u00e9rie de discrimina\u00e7\u00f5es que excluem as pessoas trans e travestis de diversos \u00e2mbitos (como escolar, na pol\u00edtica e no mercado de trabalho), e provocam a vulnerabiliza\u00e7\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o. \u201c[As pessoas trans] n\u00e3o se encerram s\u00f3 nos dados, elas n\u00e3o se encerram s\u00f3 no momento do desastre, elas t\u00eam especificidades s\u00f3cio-hist\u00f3ricas que de certa forma constroem a chegada delas at\u00e9 esses lugares. E isso \u00e9 um debate mais amplo que a gente tem que ter como sociedade.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o desastre, o governo do Rio Grande do Sul regulamentou o <a href=\"https:\/\/planoriogrande.rs.gov.br\/normativas\">Plano Rio Grande<\/a>,&nbsp; chamado de programa de Reconstru\u00e7\u00e3o, Adapta\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia Clim\u00e1tica do Estado, institu\u00eddo pela Lei n\u00ba 16.134, de 24 de maio de 2024. Nele, instituiu o Fundo do Plano Rio Grande (FUNRIGS), no qual \u00e9 destacada a dedica\u00e7\u00e3o de recursos para, entre outros,&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">c) as condi\u00e7\u00f5es habitacionais, em especial da popula\u00e7\u00e3o carente diretamente atingida pelos eventos clim\u00e1ticos;<br><br>II - a realoca\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es afetadas pelos eventos clim\u00e1ticos;<br><br>III - a resili\u00eancia clim\u00e1tica, em especial por meio de infraestrutura e estrat\u00e9gias sociais, econ\u00f4micas e tecnol\u00f3gicas para elimina\u00e7\u00e3o ou mitiga\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade clim\u00e1tica;<br><br>IV - a assist\u00eancia \u00e0s popula\u00e7\u00f5es afetadas pelos eventos clim\u00e1ticos; e<br><br>V - a promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f4mico-sustent\u00e1vel do Estado, por meio de investimentos estrat\u00e9gicos capazes de criar infraestrutura econ\u00f4mica e estimular o desenvolvimento de um ambiente prop\u00edcio ao fortalecimento e \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de cadeias produtivas, de forma a incentivar o aumento da produtividade da economia estadual, o desenvolvimento regional, o incentivo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o e \u00e0 sustentabilidade.<\/pre>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m no Plano Rio Grande, o <a href=\"https:\/\/www.diariooficial.rs.gov.br\/materia?id=1117341\">Decreto N\u00ba 57.699, de 9 de julho de 2024<\/a> &nbsp;instituiu o Comit\u00ea Gestor de Monitoramento dos Centros Humanit\u00e1rios de Acolhimento (CHA), para o acompanhamento dos centros instalados nos munic\u00edpios de Canoas e Porto Alegre. O comit\u00ea do decreto ser\u00e1 composto, entre outros \u00f3rg\u00e3os, pela Secretaria de Justi\u00e7a, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 toda a informa\u00e7\u00e3o de prepara\u00e7\u00e3o para o acolhimento de pessoas LGBTQIAPN+ dentre os decretos&nbsp; do Rio Grande do Sul no que se trata da preven\u00e7\u00e3o da crise clim\u00e1tica at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem. \u00c9 esperado que, com o envolvimento da SJCDH, a popula\u00e7\u00e3o trans possa ser melhor acolhida no caso de uma emerg\u00eancia no RS (ou apenas na Regi\u00e3o Metropolitana, dado a falta de informa\u00e7\u00f5es sobre a acolhida em outras regi\u00f5es). Esta \u00e9, no entanto, uma expectativa, e n\u00e3o uma promessa do Estado ga\u00facho.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Reportagem desenvolvida na disciplina Jornalismo e Meio Ambiente no semestre 2025\/1, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Dra. Elo\u00edsa Beling Loose<\/em>.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando ocorre um desastre, as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis socioeconomicamente s\u00e3o as mais atingidas. Entre elas, est\u00e1 a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+,&nbsp; especialmente as pessoas trans e travestis, comunidade da sigla mais afetada pela exclus\u00e3o social, viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o no Brasil. Essa \u00e9 uma das conclus\u00f5es do Relat\u00f3rio \u201cQuando a \u00e1gua toma tudo \u2013 Impactos das cheias no &#8230; <a title=\"\u201cTransfobia ambiental\u201d se tornou mais evidente com desastre clim\u00e1tico de 2024\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/08\/28\/transfobia-ambiental-se-tornou-mais-evidente-com-desastre-climatico-de-2024\/\" aria-label=\"More on \u201cTransfobia ambiental\u201d se tornou mais evidente com desastre clim\u00e1tico de 2024\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":27447,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[257,730,229],"tags":[],"class_list":["post-27421","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fabico-humanista","category-lgbtqiap","category-meio-ambiente"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27421","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27421"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27421\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27453,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27421\/revisions\/27453"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27447"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27421"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27421"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27421"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}