﻿{"id":27425,"date":"2025-08-26T19:14:27","date_gmt":"2025-08-26T22:14:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=27425"},"modified":"2025-08-26T19:14:29","modified_gmt":"2025-08-26T22:14:29","slug":"modelo-urbano-baseado-na-mobilidade-ativa-e-na-ocupacao-sustentavel-pode-redefinir-cidades-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/08\/26\/modelo-urbano-baseado-na-mobilidade-ativa-e-na-ocupacao-sustentavel-pode-redefinir-cidades-brasileiras\/","title":{"rendered":"Modelo urbano baseado na mobilidade ativa e na ocupa\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel pode redefinir cidades brasileiras"},"content":{"rendered":"\n<p>O ru\u00eddo constante de autom\u00f3veis e o som alto de buzinas comp\u00f5em a trilha sonora de um trajeto prec\u00e1rio: no Brasil, o deslocamento de pedestres \u00e9 marcado por faixas apertadas, vias mal iluminadas e pela aus\u00eancia de sinaliza\u00e7\u00e3o adequada. H\u00e1 mais de um ano, em 3 de maio de 2024, foi sancionada pelo Governo Federal a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2023-2026\/2024\/Lei\/L14849.htm\">Lei 14.849\/2024<\/a>, que alterou o Estatuto da Cidade, para incluir a obrigatoriedade de an\u00e1lise da mobilidade urbana nos estudos pr\u00e9vios de impacto na vizinhan\u00e7a. <\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 caminhabilidade continuam em segundo plano, ofuscadas pelo protagonismo de uma configura\u00e7\u00e3o urbana centrada nos ve\u00edculos motorizados. Exemplo disso, \u00e9 o projeto apresentado recentemente em Porto Alegre pelo vereador Jess\u00e9 Sangalli (PL), no qual <a href=\"https:\/\/www.camarapoa.rs.gov.br\/noticias\/projeto-altera-legislacao-sobre-mobilidade-urbana\">revoga dispositivo de lei que prioriza modos de deslocamento n\u00e3o motorizado e coletivo<\/a>, priorizando carros no tr\u00e2nsito da cidade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Estrat\u00e9gias de planejamento espacial que priorizam a integra\u00e7\u00e3o social e a mobilidade ativa j\u00e1 s\u00e3o uma realidade em metr\u00f3poles como Paris, Barcelona e Buenos Aires. O termo \u201ccidade de 15 minutos\u201d, idealizado pelo urbanista franco-colombiano Carlos Moreno, prop\u00f5e o desenvolvimento de munic\u00edpios polic\u00eantricos, onde \u00e9 poss\u00edvel que os moradores acessem os servi\u00e7os essenciais \u2013 trabalho, educa\u00e7\u00e3o, lazer e sa\u00fade \u2013 dentro do pr\u00f3prio bairro, em poucos minutos de caminhada. <\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o urbanista Jeff Speck, autor do livro <em>Cidade Caminh\u00e1vel: como o centro pode salvar a Am\u00e9rica, um passo de cada vez<\/em>, para incentivar a caminhada o percurso deve ser \u00fatil, seguro, confort\u00e1vel e interessante. Circuitos pr\u00f3ximos e conectados, seguran\u00e7a no tr\u00e2nsito e nas ruas, al\u00e9m de edif\u00edcios com fachadas amplas e vias acolhedoras, formam verdadeiras \u201csalas de estar a c\u00e9u aberto\u201d, segundo Speck.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><strong>&#8220;O desafio est\u00e1 na quest\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o urbana, porque a cidade \u00e9 um palco de disputa de interesses entre v\u00e1rios grupos&#8221; &#8211; <\/strong>J\u00falio Barboza Chiquetto, ge\u00f3grafo especialista em mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>O ge\u00f3grafo e professor no Col\u00e9gio Latino Americano de Estudos Mundiais (FLACSO Brasil) <a href=\"https:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do\">J\u00falio Barboza Chiquetto<\/a> avalia a implementa\u00e7\u00e3o de modelos similares aos munic\u00edpios de 15 minutos no Brasil. \u201cEssas s\u00e3o cidades ideais, onde as pessoas podem caminhar livremente, sem depender do transporte veicular\u201d, aponta.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A l\u00f3gica dos circuitos curtos, nos quais os servi\u00e7os essenciais est\u00e3o pr\u00f3ximos de onde as pessoas vivem, \u00e9 fundamental para a sustentabilidade urbana. Ao reduzir a necessidade de deslocamentos longos, especialmente de carro, diminui-se a emiss\u00e3o de Gases de Efeito Estufa (GEE), contribuindo diretamente para a mitiga\u00e7\u00e3o dos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Al\u00e9m disso, esse modelo incentiva os pedestres a realizarem as atividades cotidianas a p\u00e9, o que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 ben\u00e9fico para o meio ambiente, mas tamb\u00e9m para a sa\u00fade das pessoas. Com percursos conectados e acess\u00edveis, \u00e9 poss\u00edvel criar uma din\u00e2mica mais sustent\u00e1vel e integrada no espa\u00e7o urbano.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, na pr\u00e1tica, o cen\u00e1rio \u00e9 bem diferente. Muitas cidades brasileiras ainda t\u00eam \u00e1reas que concentram servi\u00e7os e oportunidades em poucos pontos, enquanto as regi\u00f5es perif\u00e9ricas ficam distantes desses centros. Isso obriga a popula\u00e7\u00e3o a gastar longas horas no transporte motorizado, o que contribui significativamente para a polui\u00e7\u00e3o do ar. Essa dist\u00e2ncia entre moradia e trabalho torna o modelo urbano atual altamente ineficiente e insustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Chiquetto destaca que, em um modelo polic\u00eantrico, com pequenos centros comerciais pr\u00f3ximos \u00e0s resid\u00eancias, o trabalho ficaria mais acess\u00edvel, com diminui\u00e7\u00e3o na emiss\u00e3o de poluentes. No entanto, a transi\u00e7\u00e3o para esse modelo n\u00e3o \u00e9 simples: \u201cO desafio est\u00e1 na quest\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o urbana, porque a cidade \u00e9 um palco de disputa de interesses entre v\u00e1rios grupos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Cidades para carros<\/h3>\n\n\n\n<p>O modelo de crescimento urbano baseado na depend\u00eancia de ve\u00edculos individuais nas cidades brasileiras tem ra\u00edzes profundas. Desde o governo de Get\u00falio Vargas, nas d\u00e9cadas de 1930 e 1940, o projeto de moderniza\u00e7\u00e3o nacional priorizou a ind\u00fastria automobil\u00edstica, com grandes obras vi\u00e1rias e pol\u00edticas p\u00fablicas que estimularam o crescimento horizontal das cidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Chiquetto destaca o impacto ambiental do transporte motorizado em percursos di\u00e1rios: \u201cO transporte individual \u00e9 extremamente ineficiente, quando consideramos o seu custo ambiental e a baixa capacidade de deslocamento. Pela m\u00e9trica que utilizamos, de emiss\u00e3o de poluentes <em>per capita<\/em>, o uso do carro \u00e9 um absurdo: uma \u00fanica pessoa ocupa um espa\u00e7o muito grande da via e ainda contribui significativamente para a emiss\u00e3o de gases. O transporte particular \u00e9 o uso mais irracional de todos&#8221;, defende.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na regi\u00e3o metropolitana da cidade mais populosa da Am\u00e9rica Latina, S\u00e3o Paulo, os ve\u00edculos de transporte leves e pesados s\u00e3o respons\u00e1veis por emitir aproximadamente 97% do mon\u00f3xido de carbono (CO), 75% dos hidrocarbonetos (HC), 65% dos \u00f3xidos de nitrog\u00eanio (NOx) e cerca de 40% do material particulado inal\u00e1vel (MP10), poluentes qu\u00edmicos extremamente nocivos \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente, conforme dados da <a href=\"https:\/\/cetesb.sp.gov.br\/ar\/\">Companhia Ambiental do Estado de S\u00e3o Paulo<\/a> (CETESB). Na capital ga\u00facha, que implementou no in\u00edcio do ano um sistema atualizado de monitoramento da qualidade do ar, cerca de 67,7% dos poluentes est\u00e3o concentrados apenas no setor de transportes, segundo informa\u00e7\u00f5es do <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/smamus\/inventario-gee\">Invent\u00e1rio de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa<\/a> (GEE) de Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe de Chiquetto realizou um estudo sobre a rela\u00e7\u00e3o entre mobilidade urbana, deslocamentos e oportunidades de emprego, que deu origem ao livro <em>Polui\u00e7\u00e3o do ar e segrega\u00e7\u00e3o socioambiental: (des)constru\u00e7\u00e3o de uma metr\u00f3pole desigual<\/em>. Nele, utilizou&nbsp; um modelo atmosf\u00e9rico que mede a concentra\u00e7\u00e3o dos poluentes no ar e comparou a condi\u00e7\u00e3o atual de S\u00e3o Paulo com um cen\u00e1rio hipot\u00e9tico, onde foi implementada uma pol\u00edtica de gera\u00e7\u00e3o de empregos na periferia, para avaliar os impactos da medida na mitiga\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de poluentes. Apesar de utilizar o centro paulista como base, a metodologia poderia ser adaptada a outras metr\u00f3poles brasileiras, como Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pesquisa \u00e9 focada na amplia\u00e7\u00e3o de oportunidades de emprego nas regi\u00f5es mais pobres, n\u00e3o chega a abordar outras m\u00e9tricas essenciais para as cidades caminh\u00e1veis, como mudan\u00e7as estruturais na forma urbana. Mesmo assim, apenas com a descentraliza\u00e7\u00e3o do trabalho em determinada \u00e1rea, j\u00e1 se observa uma redu\u00e7\u00e3o expressiva na concentra\u00e7\u00e3o de poluentes no ar\u201d, explica o pesquisador. O resultado do estudo mostrou diminui\u00e7\u00e3o na emiss\u00e3o de todos os agentes qu\u00edmicos analisados: o poluente prim\u00e1rio, CO, por exemplo, apresentou um percentual de queda de cerca de 28%. No entanto, Chiquetto ressalta que ampliar a oferta de trabalho nas periferias n\u00e3o \u00e9 uma tarefa simples, pois \u00e9 necess\u00e1rio avaliar o perfil da popula\u00e7\u00e3o, a integra\u00e7\u00e3o com a economia local e os poss\u00edveis encargos ambientais dessas atividades, para que seja poss\u00edvel a promo\u00e7\u00e3o da sustentabilidade plena.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Um caminho para todos?<\/h3>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de cidades caminh\u00e1veis envolve mais do que melhorias em cal\u00e7adas. \u00c9 preciso repensar o modo com o qual os munic\u00edpios s\u00e3o ocupados e para quem s\u00e3o planejados. Apesar dos benef\u00edcios socioambientais, as interven\u00e7\u00f5es urbanas voltadas \u00e0 mobilidade ativa tamb\u00e9m t\u00eam gerado outro efeito: a gentrifica\u00e7\u00e3o, processo no qual a valoriza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas urbanas desloca a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda devido ao aumento do custo de vida na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Iniciativas como a instala\u00e7\u00e3o de mobili\u00e1rio urbano, abertura de esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4, valoriza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio local e cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os verdes atraem a aten\u00e7\u00e3o do mercado imobili\u00e1rio, o que resulta no aumento dos pre\u00e7os de im\u00f3veis e alugu\u00e9is da \u00e1rea. A melhoria do espa\u00e7o p\u00fablico atrai moradores com maior poder aquisitivo, que substituem a popula\u00e7\u00e3o original, for\u00e7ada a se mudar para regi\u00f5es cada vez mais distantes e prec\u00e1rias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio monitoramento cont\u00ednuo e uma s\u00e9rie de regulamentos urbanos para evitar o processo de gentrifica\u00e7\u00e3o. Caso contr\u00e1rio, as melhorias na infraestrutura, que est\u00e3o associadas ao conceito das cidades de 15 minutos, podem se tornar mais um instrumento de segrega\u00e7\u00e3o\u201d, alerta Chiquetto. A gentrifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, que \u00e9 alimentada pela busca por lucros em \u00e1reas urbanas em processo de valoriza\u00e7\u00e3o. Muitas prefeituras atendem aos interesses do mercado imobili\u00e1rio, um setor da sociedade com grande poder econ\u00f4mico, que determina, em grande parte, quais partes da cidade ser\u00e3o mais valorizadas. \u201c\u00c9 fundamental garantir que os interesses privados n\u00e3o se sobreponham \u00e0s necessidades coletivas\u201d, explica o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da gentrifica\u00e7\u00e3o, as transforma\u00e7\u00f5es urbanas para cidades mais caminh\u00e1veis tamb\u00e9m enfrentam o desafio da resist\u00eancia de outros segmentos da popula\u00e7\u00e3o. Moradores de condom\u00ednios fechados e bairros de alto padr\u00e3o, por exemplo, frequentemente se op\u00f5em \u00e0 abertura de espa\u00e7os p\u00fablicos que estimulem a circula\u00e7\u00e3o de pedestres em \u00e1reas residenciais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do\">J\u00falio Celso Borello Vargas<\/a>, professor do Departamento de Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenador do projeto \u201cMobilidade ativa, sa\u00fade e bem-estar: an\u00e1lise multiescalar da caminhabilidade em cidades brasileiras\u201d, destaca como a perspectiva segregacionista \u00e9 uma barreira para implementa\u00e7\u00e3o de cidades mais integradas: \u201cEnquanto a valoriza\u00e7\u00e3o do uso individual do carro persistir, sempre haver\u00e1 \u00e1reas onde os pr\u00f3prios moradores rejeitam qualquer ideia de proximidade. Em Porto Alegre, em bairros como Bela Vista e Mont&#8217;Serrat, muitos moradores s\u00e3o contra a abertura de padarias, bares e outros estabelecimentos de conviv\u00eancia. \u00c9 uma quest\u00e3o cultural e ideol\u00f3gica: h\u00e1 um medo da rua, uma recusa \u00e0 conviv\u00eancia e um temor com a perda de controle do territ\u00f3rio. A realidade \u00e9 essa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Em dire\u00e7\u00e3o ao futuro<\/h3>\n\n\n\n<p>Apesar dos desafios e resist\u00eancias, movimentos locais v\u00eam tentando construir caminhos mais inclusivos e participativos para a transforma\u00e7\u00e3o urbana. Esse \u00e9 o caso da organiza\u00e7\u00e3o social <a href=\"https:\/\/cidadeativa.org\/\">Cidade Ativa<\/a>, que atua desde 2014 no desenvolvimento de cidades mais acolhedoras, resilientes e sustent\u00e1veis atrav\u00e9s da mobilidade ativa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os projetos idealizados pelo instituto est\u00e1 o \u201c<a href=\"https:\/\/cidadeativa.org\/iniciativa\/como-anda\/\">Como Anda<\/a>\u201d, concebido em parceria com a <a href=\"https:\/\/corridaamiga.org\/\">ONG Corrida Amiga<\/a>. A iniciativa busca analisar o cen\u00e1rio dos deslocamentos a p\u00e9 no Brasil, por meio de ferramentas interativas, com publica\u00e7\u00f5es, levantamento de dados e estudos de caso. Al\u00e9m de tornar todas as informa\u00e7\u00f5es coletadas acess\u00edveis ao p\u00fablico, com mais de 200 organiza\u00e7\u00f5es j\u00e1 mapeadas em cidades como Belo Horizonte, Recife e Bras\u00edlia, o projeto tamb\u00e9m promove encontros e debates sobre a tem\u00e1tica, tanto em n\u00edvel local quanto nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro programa de destaque \u00e9 o \u201c<a href=\"https:\/\/cidadeativa.org\/iniciativa\/cidade-do-sim\/\">Cidade do Sim<\/a>\u201d, que tem como objetivo tornar as cidades mais amig\u00e1veis para crian\u00e7as e suas fam\u00edlias. O projeto busca garantir seguran\u00e7a, sa\u00fade, acessibilidade, lazer e integra\u00e7\u00e3o social para os mais jovens. A iniciativa prop\u00f5e a revis\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas de planejamento espacial, com a inclus\u00e3o da perspectiva das crian\u00e7as e das comunidades locais em todas as etapas do percurso. O plano j\u00e1 promoveu diversas manifesta\u00e7\u00f5es urbanas, entre elas, a pintura de murais nas ruas do bairro Novo Horizonte, no munic\u00edpio de Jundia\u00ed, e a urbaniza\u00e7\u00e3o de dois trechos na margem do Rio Capibaribe, em Recife.<\/p>\n\n\n\n<p>A coordenadora do Cidade Ativa, Mariana Wandarti Clemente, enfatiza a import\u00e2ncia do envolvimento das pessoas nas interven\u00e7\u00f5es urbanas. Ela observa que, apesar de a rede de mobilidade ativa no Brasil ainda ser fragmentada, o pa\u00eds possui grande potencial para avan\u00e7ar no sentido das cidades caminh\u00e1veis. \u201cA participa\u00e7\u00e3o social vem conquistando o espa\u00e7o que merece, \u00e9 cada vez mais relevante nesse processo. \u00c9 importante destacar que participa\u00e7\u00e3o social n\u00e3o significa apenas valida\u00e7\u00e3o, muitas vezes esses termos s\u00e3o usados como sin\u00f4nimos. Participar \u00e9 construir coletivamente, entender as demandas necess\u00e1rias e dar voz \u00e0s comunidades locais\u201d, enfatiza a coordenadora. Clemente ressalta que todas as pessoas t\u00eam o potencial para se tornarem agentes de transforma\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano e \u00e9 necess\u00e1rio garantir o espa\u00e7o e a oportunidade para que grupos historicamente silenciados sejam ouvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de tantos obst\u00e1culos e conflitos, construir munic\u00edpios mais caminh\u00e1veis exige um compromisso coletivo e cont\u00ednuo. \u201cUma cidade sozinha n\u00e3o vai inverter uma l\u00f3gica global\u201d, refor\u00e7a Vargas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Reportagem desenvolvida na disciplina Jornalismo e Meio Ambiente no semestre 2025\/1, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Dra. Elo\u00edsa Beling Loose<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ru\u00eddo constante de autom\u00f3veis e o som alto de buzinas comp\u00f5em a trilha sonora de um trajeto prec\u00e1rio: no Brasil, o deslocamento de pedestres \u00e9 marcado por faixas apertadas, vias mal iluminadas e pela aus\u00eancia de sinaliza\u00e7\u00e3o adequada. H\u00e1 mais de um ano, em 3 de maio de 2024, foi sancionada pelo Governo Federal &#8230; <a title=\"Modelo urbano baseado na mobilidade ativa e na ocupa\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel pode redefinir cidades brasileiras\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/08\/26\/modelo-urbano-baseado-na-mobilidade-ativa-e-na-ocupacao-sustentavel-pode-redefinir-cidades-brasileiras\/\" aria-label=\"More on Modelo urbano baseado na mobilidade ativa e na ocupa\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel pode redefinir cidades brasileiras\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":27426,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[257,229,233],"tags":[],"class_list":["post-27425","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fabico-humanista","category-meio-ambiente","category-mobilidade-urbana"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27425","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27425"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27425\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27427,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27425\/revisions\/27427"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27426"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27425"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27425"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27425"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}