﻿{"id":27458,"date":"2025-08-29T12:00:00","date_gmt":"2025-08-29T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=27458"},"modified":"2025-08-29T12:09:39","modified_gmt":"2025-08-29T15:09:39","slug":"apos-enchentes-no-rs-sistemas-agroflorestais-ganham-destaque-como-estrategia-de-recuperacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/08\/29\/apos-enchentes-no-rs-sistemas-agroflorestais-ganham-destaque-como-estrategia-de-recuperacao\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s enchentes no RS,\u00a0 sistemas agroflorestais ganham destaque como estrat\u00e9gia de recupera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 imaginou poder produzir alimentos em uma \u00e1rea de reflorestamento? Poder cultivar diferentes alimentos enquanto restaura o solo? As enchentes de 2024 levaram a crise clim\u00e1tica para dentro das casas ga\u00fachas e for\u00e7aram a popula\u00e7\u00e3o a encarar o fato de que o Rio Grande do Sul precisa de medidas que evitem o ac\u00famulo de \u00e1gua na sua superf\u00edcie. Uma das solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para reduzir os efeitos clim\u00e1ticos \u00e9 o desenvolvimento de ecossistemas que unam a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e a cria\u00e7\u00e3o de solos mais absorventes.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta estrat\u00e9gia \u00e9 apresentada na <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/05\/31\/carta-das-agroflorestas-e-solucoes-baseadas-na-natureza-reune-405-assinaturas-e-apresenta-propostas-para-reconstruir-o-estado\/\">Carta das Agroflorestas e Solu\u00e7\u00f5es Baseadas na Natureza<\/a>, assinada por 405 coletivos, movimentos e institui\u00e7\u00f5es, com foco na amplia\u00e7\u00e3o da adpatabilidade do Estado.&nbsp; O&nbsp; Sistema Agroflorestal, tamb\u00e9m conhecido como SAF, \u00e9 um agroecossistema em que plantas como \u00e1rvores, arbustos e palmeiras s\u00e3o cultivadas em conjunto com alimentos e\/ou animais. Em uma rela\u00e7\u00e3o de mutualismo entre as esp\u00e9cies, a SAF refloresta, regenera o solo degradado, o torna mais estruturado e perme\u00e1vel, al\u00e9m de produzir alimentos que servem para o sustento das fam\u00edlia envolvidas e, em alguns casos, at\u00e9 para gera\u00e7\u00e3o de renda.No caso do enfrentamento aos eventos extremos de chuva, o SAF pode minimizar os danos causados. P\u00f3s doutora em Sistemas Agroflorestais e professora de Agroecologia da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), Adriana Carla Dias Trevisan ressalta uma de suas caracter\u00edsticas: \u201c\u00c9 todo um sistema que converge para que voc\u00ea consiga segurar a for\u00e7a da \u00e1gua ou diminuir a for\u00e7a da \u00e1gua. Certamente faz sentido fazer isso em cidades que s\u00e3o muito baixas, em cidades que tem muito problema de inunda\u00e7\u00e3o.\u201d<em><\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/producaomaracuja4-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-27460\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/producaomaracuja4-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/producaomaracuja4-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/producaomaracuja4-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/producaomaracuja4-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/producaomaracuja4-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/producaomaracuja4-1500x1125.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Frutos do maracuj\u00e1 dividem espa\u00e7o com outras esp\u00e9cies em propriedade rural | Foto: J\u00falia Ritt<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Potencial de restaura\u00e7\u00e3o das agroflorestas\u00a0<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O solo perdido nas bacias do RS durante a enchente n\u00e3o ser\u00e1 recuperado a curto prazo. O relat\u00f3rio do Governo do Estado sobre os preju\u00edzos das inunda\u00e7\u00f5es que aconteceram a partir do final de abril de 2024 afirma que <a href=\"https:\/\/www.agricultura.rs.gov.br\/painel-apresenta-diagnostico-do-impacto-das-enchentes-nos-solos-do-rs\">405 munic\u00edpios relataram perdas de fertilidade e solos por eros\u00e3o h\u00eddrica<\/a>. Foram 2.706.683 hectares afetados, o equivalente a pouco mais do que todo o territ\u00f3rio do estado de Sergipe.<\/p>\n\n\n\n<p>Em m\u00e9dia, <a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/contando-ciencia\/solos\/-\/asset_publisher\/1ZCT5VQ5Hj1S\/content\/o-que-e-e-como-se-forma-o-solo-\/1355746?inheritRedirect=false\">a forma\u00e7\u00e3o de apenas um cent\u00edmetro de solo saud\u00e1vel ocorre, sem a interfer\u00eancia humana, em cerca de 400 anos<\/a>, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa). \u00c9 apenas com um trabalho ativo de reconstru\u00e7\u00e3o do bioma, como o cultivo intenso de vegeta\u00e7\u00e3o biodiversa em agrofloresta, que a estrutura f\u00edsica e qu\u00edmica do solo pode ser recuperada com mais rapidez.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento agroflorestal ga\u00facho n\u00e3o surgiu ap\u00f3s a enchente, mas foi visibilizado pela renovada busca por solu\u00e7\u00f5es, como afirma o advogado, socioambientalista e mestrando em Desenvolvimento Rural &nbsp;<a href=\"https:\/\/www.escavador.com\/sobre\/1620115947\/nilton-tavares-da-silva-filho\">Nilton Tavares<\/a>: \u201cDepois da enchente, algumas pessoas que vivenciavam a agrofloresta se reuniram para dar a sua contribui\u00e7\u00e3o. \u00c9 algo que n\u00f3s estamos fazendo, \u00e9 algo que funciona, \u00e9 algo que os povos ancestrais sempre fizeram<strong>.<\/strong> \u00c9 algo que na ci\u00eancia tem respaldo e refer\u00eancia. Ou seja, \u00e9 algo a se propor para se fortalecer\u201d<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>As agroflorestas podem exercer muitas fun\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas, segundo o relat\u00f3rio especial <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/ciencias\/ciencias-ambientais\/relatorio-do-ipcc-proteger-florestas-barra-mudanca-climatica-e-garante-agricultura\/\"><em>Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Terra<\/em><\/a>, do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas da ONU, o IPCC. O SAF contribui para a mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e tamb\u00e9m pode combater a desertifica\u00e7\u00e3o, a degrada\u00e7\u00e3o da terra e a inseguran\u00e7a alimentar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diferente da agricultura convencional,<em> <\/em>que \u00e9 baseada em monoculturas, o SAF busca reproduzir a biodiversidade da natureza. De acordo com Trevisan, \u201ca agricultura convencional se separou da ecologia. Esse modelo tem resultado: as pragas ficam mais resistentes, a gente precisa de mais veneno e de mais agrot\u00f3xico. Contamina rio, contamina \u00e1gua\u201d<em>.<\/em> A professora explica ainda que a degrada\u00e7\u00e3o do solo, muitas vezes causada por esse tipo de cultivo, causa maior vulnerabilidade \u00e0s chuvas fortes e enchentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo solo tem uma estrutura f\u00edsica e qu\u00edmica. Solos degradados s\u00e3o, geralmente, ou muito argilosos, ou muito arenosos. Quando argilosos, a terra \u00e9 compacta, o que impede a infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. Assim, quando h\u00e1 uma chuva forte ou enxurrada, a \u00e1gua fica sob o terreno e ganha velocidade, intensificando as amea\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>No outro extremo, se o solo tiver pouca estrutura, ser\u00e1 carregado junto com as \u00e1guas<em>. <\/em>\u201cQuem d\u00e1 estrutura no solo \u00e9 a vida\u201d, afirma Trevisan, destacando o papel das bact\u00e9rias, dos microorganismos, das formigas, das minhocas. S\u00e3o esses seres que decomp\u00f5em mat\u00e9ria, criam t\u00faneis, fixam carbono e permitem que a terra adquira nutrientes. \u201cOs sistemas agroflorestais podem ser arquitetados para expandir a biodiversidade de um territ\u00f3rio. Contudo, \u00e9 um termo amplo e que n\u00e3o garante, em si, um sistema ecol\u00f3gico\u201d, destaca Tavares. \u00c9 poss\u00edvel plantar em um sistema agroflorestal uma monocultura de eucalipto, por exemplo, e apenas uma planta aliment\u00edcia, reproduzindo, em parte, o que j\u00e1 temos nos sistemas convencionais. O SAF que regenera verdadeiramente a terra \u00e9 o agroecol\u00f3gico, pois busca o equil\u00edbrio e a integra\u00e7\u00e3o entre m\u00faltiplas esp\u00e9cies, inspirado nas din\u00e2micas nativas da regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto maior o grau de complexidade do ecossistema criado, mais o SAF se assemelhar\u00e1 a uma floresta nativa, com&nbsp; seus benef\u00edcios associados. Segundo o relat\u00f3rio do IPCC de 2023, a capacidade de armazenamento de carbono e a qualidade de habitat para a biodiversidade de um SAF dependem diretamente da diversidade de esp\u00e9cies de culturas e \u00e1rvores plantadas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Benef\u00edcios aplicados na pr\u00e1tica<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Em Gravata\u00ed, um sistema agroflorestal agroecol\u00f3gico e regenerativo \u00e9 desenvolvido na Florestaria Tarumim desde 2018 pelos ge\u00f3grafos J\u00e9ssica Nucci e Vicente Guindani. Apresentados ao sistema agroflorestal em suas forma\u00e7\u00f5es, o casal come\u00e7ou a Florestaria para sentir que est\u00e3o fazendo uma diferen\u00e7a palp\u00e1vel. \u201cA volta ao campo acho que tem a ver com procurar algo que fa\u00e7a sentido fazer. Tu vai usar a tua for\u00e7a de trabalho para qu\u00ea?\u201d, reflete Nucci. \u201cVou plantar uma \u00e1rvore, ela vai ficar grande, ela vai fazer fotoss\u00edntese, ela vai dar frutos. Assim eu vejo o resultado do meu trabalho.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"835\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC1973-1-1-1024x835.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-27462\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC1973-1-1-1024x835.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC1973-1-1-300x245.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC1973-1-1-768x626.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC1973-1-1-1536x1253.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC1973-1-1-2048x1670.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC1973-1-1-1500x1223.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vicente, J\u00e9ssica e Serena encontraram no SAF um estilo de vida | Foto: J\u00falia Ritt\n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O s\u00edtio de dez hectares \u00e9 lar do casal e de sua filha, Serena. Plantam para consumo pr\u00f3prio e para obter renda, por meio da&nbsp; venda em feiras dos produtos <em>in natura<\/em> e alguns derivados, como chips de banana. Andando pelo local, Guindani explica seu&nbsp; processo de plantio, afirmando que lhe oferece uma nova compreens\u00e3o do papel do homem no meio ambiente: \u201cO ser humano \u00e9 parte dos animais e seres que fazem floresta. Quando a gente faz agrofloresta a gente lembra disso.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que uma solu\u00e7\u00e3o para enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a proposta \u00e9 compreendida pela fam\u00edlia como outra forma de se relacionar com a natureza. \u201c\u00c9 espiritual e \u00e9 cognitivo. Essa floresta a gente desenhou. \u00c9 fazer floresta j\u00e1 usando a arte e o conhecimento. Isso \u00e9 muito transformador. O ser humano deixa de ser a destrui\u00e7\u00e3o e passa a ser o regenerador\u201d, afirma o ge\u00f3grafo.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo realizado nas terras de Guindani come\u00e7a com a prepara\u00e7\u00e3o do terreno, quando a&nbsp; vegeta\u00e7\u00e3o rasteira \u00e9 removida e a terra, afofada. Essa interven\u00e7\u00e3o inicial otimiza a aera\u00e7\u00e3o e permeabilidade do solo. Em seguida, s\u00e3o estabelecidas hortas simples em fileiras, com espa\u00e7o entre elas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSCN2329-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-27463\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSCN2329-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSCN2329-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSCN2329-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSCN2329-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSCN2329-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSCN2329-1500x1125.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Hortas iniciais na Florestaria Tarumim, com alface e cebolinha | Foto: J\u00falia Ritt\n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>As hortas t\u00eam como resultado uma produ\u00e7\u00e3o inicial que o casal p\u00f4de comercializar para ajudar a manter o plantio. Al\u00e9m disso, elas nutrem o solo para as pr\u00f3ximas etapas. Nas fileiras entre as hortas eles plantaram sementes de \u00e1rvores. Toda a terra exposta foi, nesta etapa, coberta por poda triturada, ou &#8220;picado arb\u00f3reo&#8221;, uma mistura de materiais org\u00e2nicos que enriquece a terra e ajuda a manter a umidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0878-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-27464\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0878-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0878-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0878-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0878-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0878-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0878-1500x1000.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0878-1020x680.jpg 1020w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Solo saud\u00e1vel, coberto por poda triturada | Foto: Jo\u00e3o Victor Trindade<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com o objetivo de construir uma camada de solo vivo s\u00e3o plantadas junto \u00e0s&nbsp; \u00e1rvores frut\u00edferas, arbustos, palmeiras e outras plantas lenhosas. Este \u00e9 o solo saud\u00e1vel e biodiverso, nutrido pelas ra\u00edzes e estruturado pelos animais e microorganismos. Elas n\u00e3o apenas contribuem para a diversidade na planta\u00e7\u00e3o: sua poda \u00e9 tamb\u00e9m utilizada como mat\u00e9ria org\u00e2nica, ao ser decomposta pelo ecossistema ali constru\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/amarelao3-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-27465\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/amarelao3-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/amarelao3-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/amarelao3-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/amarelao3-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/amarelao3-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/amarelao3-1500x1125.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Na Florestaria Tarumim, o girassol mexicano \u00e9 muito utilizado para a poda, o que tamb\u00e9m d\u00e1 \u00e0 planta\u00e7\u00e3o uma bela paisagem de flores amarelas | Foto: J\u00falia Ritt<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Finalmente, quando as \u00e1rvores atingem um porte que sombreia as hortas, estas s\u00e3o removidas. Nesse ponto, novas culturas s\u00e3o introduzidas para substituir as verduras e temperos. Elas podem ser aliment\u00edcias, lenhosas ou desempenhar ambas as fun\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"724\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Yellow-and-Beige-Pastel-Modern-Simple-Retro-Small-Acts-to-Save-Our-Earth-In_20250828_125947_0000-724x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-27466\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Yellow-and-Beige-Pastel-Modern-Simple-Retro-Small-Acts-to-Save-Our-Earth-In_20250828_125947_0000-724x1024.png 724w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Yellow-and-Beige-Pastel-Modern-Simple-Retro-Small-Acts-to-Save-Our-Earth-In_20250828_125947_0000-212x300.png 212w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Yellow-and-Beige-Pastel-Modern-Simple-Retro-Small-Acts-to-Save-Our-Earth-In_20250828_125947_0000-768x1086.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Yellow-and-Beige-Pastel-Modern-Simple-Retro-Small-Acts-to-Save-Our-Earth-In_20250828_125947_0000-1086x1536.png 1086w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Yellow-and-Beige-Pastel-Modern-Simple-Retro-Small-Acts-to-Save-Our-Earth-In_20250828_125947_0000-1448x2048.png 1448w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Yellow-and-Beige-Pastel-Modern-Simple-Retro-Small-Acts-to-Save-Our-Earth-In_20250828_125947_0000-1500x2122.png 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Yellow-and-Beige-Pastel-Modern-Simple-Retro-Small-Acts-to-Save-Our-Earth-In_20250828_125947_0000.png 1587w\" sizes=\"(max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Representa\u00e7\u00e3o das etapas de um SAF, baseada no cultivo de Nucci e Guindani.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma solu\u00e7\u00e3o baseada na natureza para reduzir os impactos clim\u00e1ticos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Na planta\u00e7\u00e3o de agrofloresta, a variedade de culturas e a aplica\u00e7\u00e3o constante da mat\u00e9ria org\u00e2nica na terra cria um solo vivo, nutritivo e perme\u00e1vel, sem o uso de fertilizantes qu\u00edmicos ou agrot\u00f3xicos. \u201cEsse \u00e9 o processo. Solo vivo, solo de agrofloresta, com muita mat\u00e9ria org\u00e2nica. Na Amaz\u00f4nia o solo original \u00e9 arenoso. Hoje em dia tem material que mostra uma \u00e1rea de terra preta de dois metros, em cima do solo\u201d, explica Guindani. \u201cEnt\u00e3o, como tem dois metros de terra preta?&nbsp; Por que os povos ind\u00edgenas dominavam essa t\u00e9cnica agroflorestal. Na realidade, a Floresta Amaz\u00f4nica nossos ancestrais plantaram. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a natureza que coloca l\u00e1 e o homem vai destruir\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Trevisan corrobora essa ideia, comentando que a diversidade da Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 natural. A professora afirma que estudos j\u00e1 provaram que este sistema florestal foi planejado pelos povos origin\u00e1rios durante milhares de anos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um desses trabalhos \u00e9 o \u201c<a href=\"https:\/\/repositorio.museu-goeldi.br\/jspui\/handle\/mgoeldi\/2783\">Cria\u00e7\u00e3o intencional de solos escuros ricos em carbono na Amaz\u00f4nia<\/a>\u201d, liderado pelo pesquisador <a href=\"https:\/\/www.escavador.com\/sobre\/529074\/morgan-jason-schmidt\">Morgan Schmidt<\/a>, da UFSC e do MIT, que provou a interfer\u00eancia dos povos origin\u00e1rios e o valor do solo saud\u00e1vel de terra preta. Este solo foi mais encontrado nas \u00e1reas residenciais de ocupa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do que nas \u00e1reas perif\u00e9ricas ao povoamento e nas \u00e1reas p\u00fablicas, como pra\u00e7as e ruas, o que demonstra as organiza\u00e7\u00f5es dessa sociedade e seu planejamento de constru\u00e7\u00e3o deste solo. Nesta terra preta, os pesquisadores encontraram dez vezes mais elementos associados ao enriquecimento do solo por a\u00e7\u00e3o humana \u2013 como o f\u00f3sforo, o pot\u00e1ssio, o c\u00e1lcio e o magn\u00e9sio \u2013 do que nas \u00e1reas de solo arenoso, indicando a interfer\u00eancia humana em seu desenvolvimento. Os povos tamb\u00e9m dominavam a fixa\u00e7\u00e3o de carbono no solo, e a tradi\u00e7\u00e3o persiste at\u00e9 hoje.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do Alto Xingu &#8211; MT, onde o estudo foi feito, ainda \u00e9 tradicional a incorpora\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o vegetal no solo, que diminui as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa na decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica e ainda controla a acidez da terra. No relat\u00f3rio especial do IPCC sobre o aquecimento global, as agroflorestas s\u00e3o tamb\u00e9m citadas como estrat\u00e9gia confi\u00e1vel de remo\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono (CO2) da atmosfera, ao ser fixado no solo pela flora. \u201cUma coisa que a agrofloresta aproxima a gente \u00e9 de que o planeta pode ser resfriado. Para mim isso foi muito uma virada de chave. Eu n\u00e3o entendia que a gente podia resfriar o planeta\u201d, comenta J\u00e9ssica Nucci.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O plantio em agrofloresta \u00e9 um processo trabalhoso, que exige planejamento e cuidado constante caso o objetivo seja a produtividade e um alto n\u00edvel de complexidade. Ele pode ser uma interessante alternativa para o Rio Grande do Sul, j\u00e1 que seu tratamento do solo o torna mais estruturado e resistente a cheias. \u00c9 por seu potencial natural de mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que o SAF pode ser definido como uma Solu\u00e7\u00e3o Baseada na Natureza, tamb\u00e9m conhecidas como SBNs.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essas s\u00e3o as interven\u00e7\u00f5es que protegem ou restauram ecossistemas e utilizam o impacto derivado das fun\u00e7\u00f5es naturais de seu funcionamento saud\u00e1vel para combater os sintomas da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Elas usam t\u00e9cnicas de manejo, plantio, planejamento e engenharia para construir sistemas ecol\u00f3gicos e ben\u00e9ficos tanto para a humanidade quanto para a natureza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As SBNs s\u00e3o mencionadas no <a href=\"https:\/\/planoriogrande.rs.gov.br\/inicial\">Plano Rio Grande<\/a>, organizado pelo Governo do RS para a reconstru\u00e7\u00e3o do estado. O objetivo da proposta focada nessas solu\u00e7\u00f5es \u00e9 realizar obras e projetos que tornem as cidades ga\u00fachas mais resilientes, por meio de um diagn\u00f3stico das condi\u00e7\u00f5es locais, seguido por uma avalia\u00e7\u00e3o das alternativas e, ent\u00e3o, a poss\u00edvel implementa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es. O projeto est\u00e1 em andamento e \u00e9 responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (SEDUR).<\/p>\n\n\n\n<p>A Carta das Agroflorestas e Solu\u00e7\u00f5es Baseadas na Natureza sugere que os Sistemas Agroflorestais devem ser prioridade entre os projetos estaduais. Entretanto,&nbsp; no Plano Rio Grande, s\u00f3 consta um projeto voltado \u00e0 agricultura. Intitulada \u201c<a href=\"https:\/\/planoriogrande.rs.gov.br\/agricultura-de-baixo-carbono\">Agricultura de Baixo Carbono<\/a>\u201d, a proposta n\u00e3o foi criada ap\u00f3s as enchentes e nem menciona as agroflorestas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s v\u00e9speras da COP 30, o debate ambiental se amplia no Brasil e a agricultura ecol\u00f3gica est\u00e1 entre os t\u00f3picos de discuss\u00e3o. Kaveh Zahedi, diretor do Clima e da Biodiversidade da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura destacou, em entrevista para o site da COP-30, que a inseguran\u00e7a alimentar \u00e9 ampliada pelos resultados da crise clim\u00e1tica. O diretor espera que a localiza\u00e7\u00e3o da confer\u00eancia \u2013&nbsp; na Amaz\u00f4nia, em Bel\u00e9m, no Par\u00e1 \u2013 chame aten\u00e7\u00e3o ao papel das florestas no combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e tamb\u00e9m as interven\u00e7\u00f5es a elas associadas, com resultados comprovados, como as agroflorestas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Sistemas Agroflorestais podem ser a SBN ideal para o Rio Grande do Sul. Ao cultivarmos nossos alimentos em uma produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, podemos n\u00e3o s\u00f3 restaurar florestas, mas tamb\u00e9m mudar nosso relacionamento com a comida e com a terra. \u201cA gente n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o parasita que tem que ser varrido do sistema. Com a Agrofloresta a gente consegue perceber que, na verdade, o ser humano \u00e9 um baita plantador de floresta\u201d, afirma Guindani.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Reportagem desenvolvida na disciplina Jornalismo e Meio Ambiente no semestre 2025\/1, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Dra. Elo\u00edsa Beling Loose<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 imaginou poder produzir alimentos em uma \u00e1rea de reflorestamento? Poder cultivar diferentes alimentos enquanto restaura o solo? As enchentes de 2024 levaram a crise clim\u00e1tica para dentro das casas ga\u00fachas e for\u00e7aram a popula\u00e7\u00e3o a encarar o fato de que o Rio Grande do Sul precisa de medidas que evitem o ac\u00famulo de &#8230; <a title=\"Ap\u00f3s enchentes no RS,\u00a0 sistemas agroflorestais ganham destaque como estrat\u00e9gia de recupera\u00e7\u00e3o\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/08\/29\/apos-enchentes-no-rs-sistemas-agroflorestais-ganham-destaque-como-estrategia-de-recuperacao\/\" aria-label=\"More on Ap\u00f3s enchentes no RS,\u00a0 sistemas agroflorestais ganham destaque como estrat\u00e9gia de recupera\u00e7\u00e3o\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":27459,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[257,229],"tags":[380,103,23,130],"class_list":["post-27458","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fabico-humanista","category-meio-ambiente","tag-enchentes","tag-meio-ambiente","tag-porto-alegre","tag-rio-grande-do-sul"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27458","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27458"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27458\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27513,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27458\/revisions\/27513"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27459"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27458"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27458"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}