﻿{"id":27468,"date":"2025-08-30T00:42:48","date_gmt":"2025-08-30T03:42:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=27468"},"modified":"2025-08-30T00:42:53","modified_gmt":"2025-08-30T03:42:53","slug":"mobilidade-ativa-sofre-com-inseguranca-e-baixa-manutencao-em-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/08\/30\/mobilidade-ativa-sofre-com-inseguranca-e-baixa-manutencao-em-porto-alegre\/","title":{"rendered":"Mobilidade ativa sofre com inseguran\u00e7a e baixa manuten\u00e7\u00e3o em Porto Alegre"},"content":{"rendered":"\n<p>A mobilidade ativa \u00e9 como podemos nos referir ao deslocamento realizado a p\u00e9, de bicicleta ou por outros meios n\u00e3o-motorizados. Mais do que uma alternativa saud\u00e1vel para o nosso corpo, ela ajuda a reduzir as emiss\u00f5es de gases poluentes e a aliviar o tr\u00e2nsito, amplia o acesso ao espa\u00e7o urbano e favorece rela\u00e7\u00f5es mais humanas entre os habitantes. Para urbanistas como <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Diego-Buss-De-Oliveira\">Diego Buss<\/a>, essa \u00e9 uma das pe\u00e7as centrais para a constru\u00e7\u00e3o de cidades mais sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar desses benef\u00edcios atribu\u00eddos \u00e0 mobilidade ativa, a ado\u00e7\u00e3o de meios alternativos para a locomo\u00e7\u00e3o, como a bicicleta e o patinete, depende, sobretudo, da exist\u00eancia de infraestrutura segura, cont\u00ednua e acess\u00edvel. Em cidades como Porto Alegre, onde as caracter\u00edsticas geogr\u00e1ficas, o relevo e o adensamento urbano exigem planejamento cuidadoso, a estrutura ciclovi\u00e1ria \u00e9 um dos principais pilares para garantir o direito de ir e vir com seguran\u00e7a. Mais do que pintar faixas no asfalto, promover o uso da bicicleta como transporte cotidiano requer conex\u00e3o entre os trechos, qualidade de pavimento, sinaliza\u00e7\u00e3o eficiente, integra\u00e7\u00e3o com outros modais, manuten\u00e7\u00e3o constante e condi\u00e7\u00f5es adequadas para todos os perfis de usu\u00e1rios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pensando nisso, em 2009, a C\u00e2mara de Vereadores de Porto Alegre aprovou o <a href=\"http:\/\/lproweb.procempa.com.br\/pmpa\/prefpoa\/eptc\/usu_doc\/lei_complementar_626_alterada_pela_lc_710_pdci.pdf\">Plano Diretor Ciclovi\u00e1rio (PDCI) por meio da Lei Complementar 626<\/a>. O PDCI estabeleceu uma meta ambiciosa: implantar uma rede ciclovi\u00e1ria de 495 quil\u00f4metros em at\u00e9 12 anos, protegendo os espa\u00e7os das principais ciclovias e ciclofaixas para garantir sua exclusividade. Por\u00e9m, j\u00e1 em seu relat\u00f3rio, a proposta sofreu altera\u00e7\u00f5es, reduzindo a meta para 395,2 quil\u00f4metros de Rede Potencial, sendo 123,3 quil\u00f4metros classificados como Rede Estrutural, e destes, 17,6 quil\u00f4metros com prioridade para implanta\u00e7\u00e3o imediata (a chamada Rede Executiva). A implanta\u00e7\u00e3o foi planejada em fases: curto (4 anos), m\u00e9dio (9 anos) e longo prazo (12 anos).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, 16 anos ap\u00f3s sua aprova\u00e7\u00e3o, Porto Alegre conta com aproximadamente 95,9 <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/smmu\/infraestrutura-cicloviaria\">quil\u00f4metros<\/a> de malha ciclovi\u00e1ria, que \u00e9 cerca de 17% da meta original. Pode-se dizer que, enquanto o plano inicial previa uma extens\u00e3o ciclovi\u00e1ria equivalente \u00e0 dist\u00e2ncia entre Porto Alegre e Alegrete, o que foi efetivamente entregue at\u00e9 hoje supera por pouco chega \u00e0 dist\u00e2ncia da capital at\u00e9 Nova Petr\u00f3polis.<\/p>\n\n\n\n<p>A Prefeitura previa chegar a <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/smmu\/noticias\/porto-alegre-deve-ultrapassar-os-100-quilometros-de-ciclovias-ate-2024\">implementa\u00e7\u00e3o de 100 quil\u00f4metros at\u00e9 o ano passado<\/a>, mas entre o ano de 2021 e 2024, foram implantados apenas 29,2 quil\u00f4metros. Embora a malha ciclovi\u00e1ria da capital tenha sido ampliada nos \u00faltimos anos, relatos de usu\u00e1rios frequentes apontam um cen\u00e1rio &nbsp;marcado pela fragmenta\u00e7\u00e3o e pela falta de conectividade. Segundo o urbanista Diego Buss, a cidade ainda falha em estruturar uma malha segura e cont\u00ednua. Para ele, \u00e9 uma rede pensada para o lazer, n\u00e3o para transporte. Isso transparece na escolha dos&nbsp; locais, com muitos trechos pr\u00f3ximos a parques, mas pouca integra\u00e7\u00e3o com outros modais. Diego ainda pontua problemas relacionados \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o: \u201cA malha precisa de infraestrutura qualificada e cuidados constantes. N\u00e3o adianta apenas construir e abandonar.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Comparando os mapas dispon\u00edveis no site da Prefeitura de Porto Alegre, \u00e9 poss\u00edvel&nbsp; observar a diferen\u00e7a entre a Rede Ciclovi\u00e1ria Estrutural (representada na imagem 1) e a Rede Ciclovi\u00e1ria existente atualmente na cidade (representada na imagem 2).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Experi\u00eancia nas ruas<\/h3>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia de quem usa a bicicleta como meio de transporte reflete essa precariedade. Matheus Machado, formado em Recursos Humanos, pedala diariamente para ir ao trabalho e relata que s\u00f3 se sente seguro em poucos trechos da cidade. \u201cUso a <em>bike<\/em> h\u00e1 seis anos, mas j\u00e1 sofri v\u00e1rios sustos. Em alguns lugares, a ciclovia desaparece do nada e a gente tem que disputar espa\u00e7o com os carros\u201d, conta. Matheus critica a manuten\u00e7\u00e3o e a limpeza das ciclovias na cidade. Segundo ele, apenas os trechos mais recentes e centrais, como os da Orla do Gua\u00edba e da \u00e1rea do Pontal, apresentam boas condi\u00e7\u00f5es de circula\u00e7\u00e3o. Aos finais de semana, o conv\u00edvio entre pedestres, corredores, ciclistas e usu\u00e1rios de patinetes el\u00e9tricos se torna mais intenso. Ele relatou n\u00e3o se sentir seguro andando pelas ciclovias, mencionando a circula\u00e7\u00e3o de pessoas que desconhecem as regras e o uso correto dos equipamentos. Essa realidade ilustra uma das principais contradi\u00e7\u00f5es da mobilidade ativa em Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ser incentivada em discursos e planos, a mobilidade ativa enfrenta obst\u00e1culos pr\u00e1ticos tanto no aspecto f\u00edsico das vias quanto na aus\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o coletiva para o compartilhamento do espa\u00e7o urbano, ou no interesse das pessoas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 essa educa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m da meta de extens\u00e3o estar longe de ser atingida, existe falta de conex\u00e3o entre as ciclovias, problema frequentemente citado pelos usu\u00e1rios como fator de inseguran\u00e7a. Grande parte das ciclovias existentes se concentram nas \u00e1reas centrais da cidade, enquanto os bairros perif\u00e9ricos seguem com uma malha fragmentada e desconectada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Boa parte dessa estrutura foi implantada como contrapartida de obras privadas.&nbsp; <a href=\"https:\/\/www.escavador.com\/sobre\/4893728\/joao-paulo-cardoso-joaquim\">Jo\u00e3o Paulo Cardoso Joaquim<\/a>, coordenador de planejamento da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU), traz um exemplo, em que para uma amplia\u00e7\u00e3o no Shopping Iguatemi, foi exigido a constru\u00e7\u00e3o de uma determinada extens\u00e3o de ciclovia para aprova\u00e7\u00e3o da obra. Com isso, essas vias acabam surgindo pr\u00f3ximas ao empreendimento e n\u00e3o necessariamente onde a rede mais precisa. Esse modelo ajuda a explicar por que a malha ciclovi\u00e1ria da capital cresceu de forma fragmentada e desconexa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNem sempre uma ciclovia precisa estar conectada a uma rede para atender a uma demanda local, mas sabemos que as redes t\u00eam que estar conectadas em algum momento. Estamos trabalhando numa revis\u00e3o do plano diretor para atualizar os tra\u00e7ados e priorizar conex\u00f5es\u201d, destaca Jo\u00e3o Paulo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o PDCI est\u00e1 em fase de prepara\u00e7\u00e3o para a contrata\u00e7\u00e3o da sua revis\u00e3o, prevista para o primeiro semestre do ano que vem. Nos \u00faltimos dois anos, vem sendo realizado um trabalho de elabora\u00e7\u00e3o de materiais e defini\u00e7\u00e3o dos objetivos do processo, com o intuito de contratar uma consultoria especializada para conduzir a revis\u00e3o do plano, incorporando as novas diretrizes. Essa revis\u00e3o buscar\u00e1 garantir que as novas ciclovias sejam segregadas do tr\u00e1fego motorizado sempre que poss\u00edvel, melhorando a seguran\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Usu\u00e1rios apontam outros problemas recorrentes, al\u00e9m da descontinuidade: ciclovias com pavimento irregular, sinaliza\u00e7\u00e3o apagada, largura insuficiente, obst\u00e1culos como postes e lixeiras, al\u00e9m de baixa ilumina\u00e7\u00e3o. A ciclovia da Avenida Ipiranga, que sofreu com enchentes e desmoronamentos em <a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/porto-alegre\/noticia\/2023\/09\/mais-um-trecho-da-ciclovia-da-avenida-ipiranga-desaba-em-dia-de-chuva-clm51002p001b017yfqg6mzoa.html\">2023<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.correiodopovo.com.br\/not%C3%ADcias\/cidades\/deslizamento-de-terra-derruba-parte-da-ciclovia-e-bloqueia-pista-da-avenida-ipiranga-em-porto-alegre-1.1489142\">2024<\/a>, \u00e9 um exemplo emblem\u00e1tico das dificuldades estruturais. \u201cAs ciclovias da orla central s\u00e3o \u00f3timas, assim como a da Nilo Pe\u00e7anha, mas para a Zona Sul, Menino Deus, Ipiranga e a Zona Norte, s\u00e3o horr\u00edveis, desconexas, mal sinalizadas e mal conservadas\u201d, comenta Patrick Kafski de Oliveira, analista de redes e usu\u00e1rio frequente de bicicleta. Para ele, a situa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o metropolitana n\u00e3o \u00e9 melhor, com trechos pequenos e mal iluminados.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ser questionado sobre isso, Jo\u00e3o Paulo, servidor da SMMU, explicou que vias como da Orla apresentam trechos cont\u00ednuos e bem sinalizados, por tratarem-se das vias mais recentes constru\u00eddas. Mas \u00e9 not\u00e1vel que muitas outras ciclovias terminam abruptamente, n\u00e3o se ligam a outros modais e n\u00e3o atendem aos bairros perif\u00e9ricos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Integra\u00e7\u00e3o entre os modais<\/h3>\n\n\n\n<p>egundo dados do Departamento Estadual de Tr\u00e2nsito (Detran-RS), Porto Alegre possui atualmente cerca de <a href=\"https:\/\/www.detran.rs.gov.br\/dados-rs\"><strong>880 mil ve\u00edculos motorizados cadastrados<\/strong><\/a>, n\u00famero que vem crescendo anualmente, especialmente com o aumento significativo das motocicletas. Segundo <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/gustavoroth\">Gustavo Schramm Roth<\/a>, representante da Empresa P\u00fablica de Transporte e Circula\u00e7\u00e3o (EPTC), esses n\u00fameros se refletem nos altos \u00edndices de acidentes e mortes no tr\u00e2nsito. No caso dos modais ativos, como bicicletas e patinetes, n\u00e3o h\u00e1 um cadastro oficial que permita estimar o n\u00famero total de usu\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Porto Alegre, a Tembici, respons\u00e1vel pela opera\u00e7\u00e3o das bicicletas p\u00fablicas da cidade, <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/smmu\/noticias\/porto-alegre-tera-100-estacoes-de-bikes-compartilhadas\">contava com cerca de <strong>mil <\/strong><strong><em>bikes<\/em><\/strong><\/a> antes da enchente de 2024, mas atualmente opera com apenas <strong>400<\/strong>, devido <a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/porto-alegre\/noticia\/2024\/07\/servico-de-bicicletas-compartilhadas-deve-ser-retomado-ainda-na-primeira-quinzena-de-julho-de-forma-gradual-cly4vsr1d00v00120ldh28648.html\">\u00e0 perda de equipamentos<\/a>. J\u00e1 os patinetes el\u00e9tricos compartilhados, que chegaram \u00e0 capital em outubro de 2023, somam atualmente cerca de <strong>2.100 unidades<\/strong>, operadas pelas empresas <strong>Whoosh<\/strong> e <strong>Jet<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rs\/rio-grande-do-sul\/noticia\/2020\/01\/23\/empresa-retira-patinetes-eletricos-de-porto-alegre.ghtml\">O retorno<\/a> em grande quantidade dos patinetes reacendeu o debate sobre seu uso e regulamenta\u00e7\u00e3o. Para o coordenador de planejamento da SMMU, os patinetes s\u00e3o compat\u00edveis com a mobilidade ativa e devem circular preferencialmente nas ciclovias, ao lado das bicicletas, especialmente por operarem em velocidades semelhantes \u00e0s das <em>bikes<\/em> el\u00e9tricas. \u201cA gente entende que o patinete \u00e9 um ve\u00edculo com motor, mas que opera em faixas compat\u00edveis e, por isso, deve usar as ciclovias\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>A comediante Nessa Andrades, usu\u00e1ria regular de patinetes el\u00e9tricos, refor\u00e7a a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a. Para Nessa, as ruas n\u00e3o est\u00e3o seguras para o uso do ve\u00edculo, pois h\u00e1 muitos buracos e cal\u00e7adas desniveladas. Em sua opini\u00e3o, compartilhar ciclovias com pedestres e corredores \u00e9 ca\u00f3tico, e a infraestrutura nas vias de maior movimento precisa melhorar para tornar o transporte mais seguro e eficiente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Entenda a diferen\u00e7a entre ciclovia, ciclofaixa e ciclorrota<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><strong>Ciclovia<br><\/strong>Tem estrutura segregada do tr\u00e1fego de ve\u00edculos e pedestres. \u00c9 o modelo mais seguro para quem pedala.<br><br><strong>Ciclofaixa<br><\/strong>Delimitada por sinaliza\u00e7\u00e3o no asfalto, geralmente na lateral da via. N\u00e3o conta com barreira f\u00edsica de prote\u00e7\u00e3o.<br><br><strong>Ciclorrota<br><\/strong>Via compartilhada entre carros e bicicletas, com sinaliza\u00e7\u00e3o e, em alguns casos, redutores de velocidade como lombadas e travessias elevadas.<br><br><strong>Por que nem toda via tem ciclovia?<br><\/strong>Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU), h\u00e1 ruas onde a implanta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel, por serem estreitas ou terem estacionamento dos dois lados. Nesses casos, opta-se pelas ciclorrotas, que s\u00e3o consideradas a alternativa menos ideal, mas ainda melhor do que n\u00e3o ter nenhuma estrutura.<br><br><strong>E a velocidade?<br><\/strong>Desde o in\u00edcio da integra\u00e7\u00e3o entre modais, foram definidos limites espec\u00edficos:<br> \u2013 20 km\/h em ciclovias<br> \u2013 10 km\/h na orla<br> \u2013 6 km\/h em cal\u00e7adas<\/pre>\n\n\n\n<p>As regras visam garantir mais seguran\u00e7a para quem pedala e para os demais usu\u00e1rios do espa\u00e7o urbano<\/p>\n\n\n\n<p>As operadoras tamb\u00e9m foram orientadas a reduzir a velocidade automaticamente em trechos mais sens\u00edveis, como a Orla do Gua\u00edba, usando o sistema de geolocaliza\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios aplicativos. Apesar dos esfor\u00e7os para adapta\u00e7\u00e3o, cr\u00edticas tamb\u00e9m recaem sobre o estacionamento desordenado dos patinetes e o uso indevido. Para o ciclista Patrick Kafski, a maneira como os patinetes s\u00e3o estacionados atrapalha muito a mobilidade urbana. A EPTC afirma que recebe poucos relatos formais, mas que fiscaliza\u00e7\u00f5es preventivas e a\u00e7\u00f5es educativas v\u00eam sendo realizadas regularmente em parceria com as empresas operadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Gustavo Roth, representante da EPTC, esclarece que os patinetes, mesmo n\u00e3o exigindo habilita\u00e7\u00e3o ou capacete, seguem normas do <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9503compilado.htm\">C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro<\/a> e da <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/transportes\/pt-br\/assuntos\/transito\/conteudo-contran\/resolucoes\/Resolucao9962023.pdf\">Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 996 do Contran<\/a>. \u201cA maior parte dos usu\u00e1rios n\u00e3o sabe que patinete \u00e9 um ve\u00edculo e tem regras. Por isso as a\u00e7\u00f5es educativas s\u00e3o fundamentais\u201d, explica. A EPTC promove abordagens diretas com os usu\u00e1rios, alertando sobre riscos como transportar duas pessoas ou deixar crian\u00e7as usarem os ve\u00edculos, al\u00e9m de realizar eventos da \u201cEscola P\u00fablica de Mobilidade\u201d, com foco em seguran\u00e7a vi\u00e1ria. Gustavo destaca que o dever da Secretaria \u00e9 garantir que o usu\u00e1rio saiba seus direitos e deveres. A orienta\u00e7\u00e3o deve sempre ser a primeira abordagem antes de qualquer puni\u00e7\u00e3o. A fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada, mas a \u00eanfase est\u00e1 em evitar que os conflitos aumentem \u00e0 medida que o n\u00famero de usu\u00e1rios cresce.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Evolu\u00e7\u00e3o da mobilidade ativa em Porto Alegre<\/h3>\n\n\n\n<p>Para Diego Buss, a mobilidade ativa ainda ocupa um lugar secund\u00e1rio no planejamento urbano da capital. \u201cSe fosse uma via para carros, j\u00e1 teria sido resolvido\u201d, pontua. Ele destaca a falta de continuidade nas pol\u00edticas p\u00fablicas, que mudam a cada gest\u00e3o, e a aus\u00eancia do ciclista nas decis\u00f5es de planejamento: \u201cMuito pouco se discute a ciclovia em Porto Alegre. \u00c9preciso trazer o ciclista para a tomada de decis\u00e3o e entender a dor de quem sente\u201d. Diego argumenta que uma cidade mais sustent\u00e1vel depende de tr\u00eas a\u00e7\u00f5es urgentes: expans\u00e3o da malha ciclovi\u00e1ria, conex\u00e3o com o sistema de \u00f4nibus, preferencialmente gratuita, e diminui\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o dedicado aos carros. \u201cResolver isso significaria remover espa\u00e7o dos autom\u00f3veis\u201d, projeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Gustavo Roth afirma que as secretarias est\u00e3o cientes dos problemas enfrentados na mobilidade urbana. Segundo ele, a revis\u00e3o do PDCI prev\u00ea a redu\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o destinado aos carros, com o objetivo de aumentar a seguran\u00e7a dos usu\u00e1rios dos modais ativos. O planejamento inclui a amplia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea para ciclistas, ainda que isso possa gerar algum desconforto para os motoristas.<\/p>\n\n\n\n<p>A revis\u00e3o do Plano Diretor Ciclovi\u00e1rio \u00e9 vista como uma oportunidade de reorganizar a l\u00f3gica da mobilidade ativa em Porto Alegre. Segundo a SMMU, a nova proposta buscar\u00e1 corrigir as falhas herdadas do passado, aprimorar a conex\u00e3o entre os trechos existentes e adotar padr\u00f5es mais dur\u00e1veis de infraestrutura, como o pavimento em concreto, que \u00e9 atualmente usado em ciclovias como a da Orla. Al\u00e9m da estrutura f\u00edsica, tamb\u00e9m se pretende avan\u00e7ar nas a\u00e7\u00f5es educativas, pol\u00edticas de incentivo, integra\u00e7\u00e3o modal e fiscaliza\u00e7\u00e3o constante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Reportagem desenvolvida na disciplina Jornalismo e Meio Ambiente no semestre 2025\/1, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Dra. Elo\u00edsa Beling Loose<\/em>.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mobilidade ativa \u00e9 como podemos nos referir ao deslocamento realizado a p\u00e9, de bicicleta ou por outros meios n\u00e3o-motorizados. 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