﻿{"id":27907,"date":"2025-10-01T14:20:42","date_gmt":"2025-10-01T17:20:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=27907"},"modified":"2025-10-01T14:20:44","modified_gmt":"2025-10-01T17:20:44","slug":"porto-alegre-e-a-primeira-capital-brasileira-a-ter-cotas-trans-em-concursos-publicos-municipais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/10\/01\/porto-alegre-e-a-primeira-capital-brasileira-a-ter-cotas-trans-em-concursos-publicos-municipais\/","title":{"rendered":"Porto Alegre \u00e9 a primeira capital brasileira a ter cotas trans em concursos p\u00fablicos municipais"},"content":{"rendered":"\n<p>No \u00faltimo dia 24 de setembro, a C\u00e2mara Municipal de Porto Alegre <a href=\"https:\/\/www.camarapoa.rs.gov.br\/noticias\/camara-municipal-aprova-cotas-para-pessoas-trans-em-cargos-publicos-de-porto-alegre\">promulgou o Projeto de Lei n\u00ba 082\/22<\/a> que garante a <strong>reserva de 1% das vagas nos concursos p\u00fablicos do munic\u00edpio para pessoas transexuais e travestis<\/strong>. O texto \u00e9 de autoria da vereadora Natasha Ferreira, l\u00edder da bancada do PT na capital ga\u00facha.<\/p>\n\n\n\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.camarapoa.rs.gov.br\/draco\/processos\/137649\/SEI_0870203_Projeto_de_Lei.pdf\">Projeto de Lei,<\/a> criado em 2022, foi aprovado em plen\u00e1rio em 6 de agosto, ap\u00f3s um acordo que <a href=\"https:\/\/www.camarapoa.rs.gov.br\/draco\/processos\/137649\/SEI_0942582_Subemenda_n__01_a_Emenda_n__1.pdf\">alterou a reserva de vagas de 5% para 1%<\/a>. Na sequ\u00eancia, o prefeito Sebasti\u00e3o Melo (MDB) optou por nem sancionar, nem vetar o texto, o que levou \u00e0 <strong>promulga\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria da nova legisla\u00e7\u00e3o na \u00faltima semana<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A reserva de vagas se aplica \u00e0 <strong>sele\u00e7\u00e3o de servidores efetivos e estagi\u00e1rios de todos os \u00f3rg\u00e3os da administra\u00e7\u00e3o direta e indireta do munic\u00edpio<\/strong>. O crit\u00e9rio principal para determina\u00e7\u00e3o da identidade de g\u00eanero dos candidatos ser\u00e1 a autodeclara\u00e7\u00e3o, com possibilidade de verifica\u00e7\u00e3o por comiss\u00e3o de heteroidentifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais os motivos para a cria\u00e7\u00e3o da lei?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o segue os par\u00e2metros do <a href=\"https:\/\/leisestaduais.com.br\/rs\/decreto-n-56229-2021-rio-grande-do-sul-dispoe-sobre-a-acao-afirmativa-de-reserva-de-vagas-para-as-pessoas-com-deficiencia-para-as-pessoas-trans-para-as-pessoas-negras-e-para-as-pessoas-integrantes-dos-povos-indigenas-no-ambito-dos-concursos-publicos-para-o-provimento-de-cargos-efetivos-e-empregos-publicos-bem-como-nos-processos-seletivos-para-a-contratacao-por-tempo-determinado-para-atender-necessidade-temporaria-de-excepcional-interesse-publico-no-ambito-dos-orgaos-e-entidades-integrantes-da-administracao-publica-direta-e-indireta-do-poder-executivo-do-estado-do-rio-grande-do-sul\">Decreto Estadual n\u00ba 56.229\/2021<\/a>, que disp\u00f5e sobre a a\u00e7\u00e3o afirmativa de reserva de vagas para pessoas trans (dentre outros grupos minorizados) no \u00e2mbito dos concursos p\u00fablicos, bem como nos processos seletivos para a contrata\u00e7\u00e3o por tempo determinado no Rio Grande do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>O Projeto de Lei tamb\u00e9m \u00e9 fundamentado nos estudos realizados pela <a href=\"https:\/\/antrabrasil.org\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/dossie-antra-2025.pdf\">Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra)<\/a>. De acordo com dossi\u00ea, publicado pela associa\u00e7\u00e3o em 2024, <strong>somente 0,38% dos postos de trabalho formais no Brasil s\u00e3o ocupados por pessoas trans. <\/strong>Entre mulheres trans e travestis, menos de 14% t\u00eam emprego formal.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo tamb\u00e9m revelou que, no pa\u00eds, grande parte das pessoas transexuais e travestis que conseguem inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho formal ocupa cargos de baixa remunera\u00e7\u00e3o ou posi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o correspondem a suas qualifica\u00e7\u00f5es. O que aumenta a realidade de subemprego, desigualdade salarial e precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida dessa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisa realizada pelo <a href=\"https:\/\/ojornalextra.com.br\/noticias\/brasil\/2024\/06\/105361-pesquisa-53-dos-profissionais-lgbtqiap-ja-enfrentaram-discriminacao\">InfoJobs<\/a> aponta que 87% da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+ identifica preconceitos velados como obst\u00e1culo no crescimento profissional e 56% afirma ter perdido oportunidades de trabalho por sua identidade de g\u00eanero e\/ou orienta\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, de acordo com boletim internacional do projeto <a href=\"https:\/\/tgeu.org\/will-the-cycle-of-violence-ever-end-tgeus-trans-murder-monitoring-project-crosses-5000-cases\/\">Trans Murder Monitoring<\/a> (TMM), realizado em coopera\u00e7\u00e3o entre a Transgender Europe (TGEU) e a revista acad\u00eamica <em>Liminalis \u2013 A Journal for Sex\/Gender Emancipation and Resistance<\/em>, publicado anualmente, o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata pessoas trans no mundo h\u00e1 16 anos consecutivos. Na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o publicada pelo TMM, em 2024, o Brasil representava cerca 30% do total de assassinatos de pessoas trans e travestis no mundo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"997\" height=\"437\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Grafico-TGEU.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-27908\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Grafico-TGEU.png 997w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Grafico-TGEU-300x131.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Grafico-TGEU-768x337.png 768w\" sizes=\"(max-width: 997px) 100vw, 997px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Am\u00e9rica Latina e Caribe concentram o maior n\u00famero de assassinatos de pessoas trans e travestis do mundo, representando mais de 70% dos casos. |Reprodu\u00e7\u00e3o: TMM<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A redatora do projeto e primeira vereadora travesti de Porto Alegre, Natasha Ferreira, acredita que a promulga\u00e7\u00e3o do projeto de lei \u00e9 um recado para todo o pa\u00eds. \u201cN\u00e3o basta dizer que respeitamos a diversidade, \u00e9 preciso garantir oportunidades concretas. As cotas trans representam um passo hist\u00f3rico de repara\u00e7\u00e3o. O Estado, que durante anos expulsou pessoas trans das escolas e do mercado formal, agora passa a assumir o compromisso de inclu\u00ed-las nos seus pr\u00f3prios quadros\u201d, afirma ela.<\/p>\n\n\n\n<p>A l\u00edder da bancada do PT ainda ressalta que esta \u00e9 uma conquista fruto de grande articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e apoio dos movimentos sociais. Para Natasha, a aprova\u00e7\u00e3o dessa lei carrega uma mensagem muito clara: \u201cEnquanto houver exclus\u00e3o, haver\u00e1 luta. E n\u00f3s vamos seguir avan\u00e7ando para que Porto Alegre seja refer\u00eancia para outras cidades do Brasil\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia 24 de setembro, a C\u00e2mara Municipal de Porto Alegre promulgou o Projeto de Lei n\u00ba 082\/22 que garante a reserva de 1% das vagas nos concursos p\u00fablicos do munic\u00edpio para pessoas transexuais e travestis. O texto \u00e9 de autoria da vereadora Natasha Ferreira, l\u00edder da bancada do PT na capital ga\u00facha. 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