﻿{"id":28565,"date":"2025-12-11T12:05:19","date_gmt":"2025-12-11T15:05:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=28565"},"modified":"2025-12-11T12:06:55","modified_gmt":"2025-12-11T15:06:55","slug":"extincao-dos-cobradores-avanca-e-sobrecarrega-motoristas-de-onibus-em-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/12\/11\/extincao-dos-cobradores-avanca-e-sobrecarrega-motoristas-de-onibus-em-porto-alegre\/","title":{"rendered":"Extin\u00e7\u00e3o dos cobradores avan\u00e7a e sobrecarrega motoristas de \u00f4nibus em Porto Alegre"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 23 de novembro de 2021, a Prefeitura de Porto Alegre sancionou a <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/gp\/noticias\/prefeito-sanciona-lei-de-extincao-gradativa-da-funcao-de-cobrador-de-onibus\">Lei n\u00ba 12.910\/2021<\/a>, que instaurou a extin\u00e7\u00e3o gradual dos cobradores de \u00f4nibus na Capital. Assinada no primeiro mandato de Sebasti\u00e3o Melo como prefeito, a medida determinava que, ao longo dos quatro anos seguintes, os trabalhadores fossem realocados dentro das empresas ou demitidos. Desde ent\u00e3o, se v\u00ea cada vez menos cobradores dentro do transporte p\u00fablico, ao mesmo tempo em que, na pr\u00e1tica, se percebe que nenhuma das tecnologias implementadas supriu a aus\u00eancia deles. Neste caso, a m\u00e1quina n\u00e3o t\u00eam conseguido substituir o ser humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Empresa P\u00fablica de Transporte e Circula\u00e7\u00e3o (EPTC), at\u00e9 o dia 27 de novembro deste ano, <strong>18% dos \u00f4nibus da cidade ainda circulavam com os profissionais<\/strong>. Este n\u00famero, que gradualmente tende a cair, representa cerca de <strong>350 cobradores ativos<\/strong> \u2013 uma <a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/porto-alegre\/noticia\/2025\/02\/tres-em-cada-quatro-onibus-de-porto-alegre-operam-sem-cobrador-extincao-da-funcao-deve-ser-concluida-ate-o-fim-do-ano-cm7as216800d2013cc0stt12y.html\">redu\u00e7\u00e3o de 230 desde fevereiro deste ano<\/a>, quando eram 580, e de 423 desde <a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/porto-alegre\/noticia\/2024\/08\/retirada-de-cobradores-dos-onibus-de-porto-alegre-avanca-e-deve-alcancar-75-do-sistema-ate-o-fim-do-ano-cm0fuks5200yb015ssq20j5m0.html\">agosto de 2024<\/a>, quando eram 773.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fl\u00e1vio Tumelero, gerente de Planejamento de Opera\u00e7\u00f5es e Transporte da EPTC, confirma que a meta inicial do projeto, que previa a extin\u00e7\u00e3o total da fun\u00e7\u00e3o at\u00e9 23 de dezembro de 2025, n\u00e3o ser\u00e1 cumprida. Ele explica que \u00f4nibus articulados e tamb\u00e9m aqueles com portas na parte esquerda, como os que circulam pela Avenida Sert\u00f3rio, ainda necessitam obrigatoriamente da presen\u00e7a destes trabalhadores. No entanto, a meta n\u00e3o atingida n\u00e3o traz mais tranquilidade \u00e0 classe.<\/p>\n\n\n\n<p>A retirada gradual n\u00e3o aparece s\u00f3 nos n\u00fameros, est\u00e1 nas paradas e at\u00e9 mesmo nas conversas dentro dos pr\u00f3prios \u00f4nibus. Numa segunda-feira chuvosa de maio, no 520.3 (Tri\u00e2ngulo\/Santa Casa\/Mercado \u2013 Carris), um passageiro comentou com a cobradora: \u201cN\u00e3o tem como ficar sem voc\u00eas\u201d. Ela, que ainda segue na mesma linha, respondeu sem hesitar: \u201cEles testaram e deu \u2018certo\u2019. S\u00f3 at\u00e9 dezembro estamos aqui. Depois\u2026 j\u00e1 era\u201d. A frase, que naquela \u00e9poca j\u00e1 soou como um poss\u00edvel fim da linha, resume o sentimento de quem ainda vive essa press\u00e3o diariamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ros\u00e2ngela Machado<\/strong>, que foi cobradora por cerca de 20 anos, n\u00e3o \u00e9 a protagonista do di\u00e1logo, mas se reconhece no clima de fim anunciado. Ela passou 19 anos no T6 (Transversal 6 \u2013 Carris), at\u00e9 que, quando retiraram os cobradores da linha, foi deslocada para o T12 (Transversal 12 \u2013 Carris), onde permaneceu at\u00e9 a metade de novembro. Agora, em um cargo administrativo, a profissional segue a vida, mas n\u00e3o esconde o impacto da mudan\u00e7a. \u201cEu sempre gostei de ser cobradora e n\u00e3o queria parar, mas aconteceu. Fomos retirados por uma lei injusta. A prefeitura n\u00e3o quer mais o cobrador. Ele deixou de existir\u201d, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p>A retirada dos cobradores n\u00e3o aconteceu sem resist\u00eancia, houve uma uni\u00e3o cont\u00ednua da classe trabalhadora com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Coletivos de Porto Alegre (STETPOA). A Capital possui um hist\u00f3rico de mobiliza\u00e7\u00e3o da categoria, e Ros\u00e2ngela participou diretamente dessa trajet\u00f3ria. Ela recorda que, no per\u00edodo anterior \u00e0 atual gest\u00e3o municipal, os trabalhadores travaram uma longa disputa contra o ent\u00e3o prefeito Nelson Marchezan J\u00fanior (2017-2020), que tamb\u00e9m defendia a extin\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o. \u201cNaquela \u00e9poca, a gente lutou muito e venceu\u201d, lembra. No entanto, com a pandemia e a queda significativa do n\u00famero de passageiros, o projeto ganhou novas vias. A reestrutura\u00e7\u00e3o do sistema \u2013 com unifica\u00e7\u00e3o de linhas, como a jun\u00e7\u00e3o do 608 (IAPI) ao 637 (Ch\u00e1cara das Pedras) e ao 520.3, que \u00e9 tamb\u00e9m o antigo 510 (Auxiliadora) \u2013 abriu caminho para que a extin\u00e7\u00e3o, desta vez, avan\u00e7asse <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rs\/rio-grande-do-sul\/noticia\/2020\/04\/13\/levantamento-aponta-queda-de-769percent-de-publico-no-transporte-coletivo-em-porto-alegre.ghtml\">sem a mesma capacidade de rea\u00e7\u00e3o<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"28568\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4410_VSCO-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-28568\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4410_VSCO-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4410_VSCO-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4410_VSCO-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4410_VSCO-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4410_VSCO-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4410_VSCO-1500x1000.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4410_VSCO-1020x680.jpg 1020w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Marcelo Pires\/Humanista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"682\" height=\"1024\" data-id=\"28569\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4432_VSCO-1-682x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-28569\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4432_VSCO-1-682x1024.jpg 682w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4432_VSCO-1-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4432_VSCO-1-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4432_VSCO-1-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4432_VSCO-1-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4432_VSCO-1-1500x2251.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4432_VSCO-1-scaled.jpg 1706w\" sizes=\"(max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ros\u00e2ngela \u00e9 uma das cobradoras desligadas da fun\u00e7\u00e3o | Foto: Marcelo Pires\/Humanista<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Quando a unifica\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es de motorista e cobrador come\u00e7ou a ser defendida, dizia-se que a retirada permitiria reduzir a tarifa e modernizar o sistema, trazendo mais agilidade e tecnologia. Na pr\u00e1tica, os incentivos realmente possibilitaram avan\u00e7os, como \u00f4nibus el\u00e9tricos, pagamento de passagem por QR Code, <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/11\/12\/projeto-abrigo-amigo-usa-tecnologia-como-instrumento-de-seguranca-e-prevencao-a-violencia-em-paradas-de-onibus-de-porto-alegre\/\">paradas inteligentes<\/a>, investimentos em aplicativos como <a href=\"https:\/\/moovitapp.com\/index\/pt-br\/transporte_p%C3%BAblico-Porto_Alegre-964\"><em>Moovit <\/em><\/a>e <a href=\"https:\/\/www.cittamobi.com.br\/\"><em>Cittamobi<\/em> <\/a>e, nos ve\u00edculos novos, mais um assento onde antes ficava o cobrador. Por\u00e9m, a passagem aumentou de R$ 4,80 para R$ 5 em mar\u00e7o deste ano e, desde a san\u00e7\u00e3o do projeto, n\u00e3o houve redu\u00e7\u00e3o alguma. A moderniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o eliminou o trabalho humano, apenas o redistribuiu, concentrando as fun\u00e7\u00f5es no motorista.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O futuro talvez trafegue para um colapso f\u00edsico-mental para os \u201cMC\u2019s\u201d<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Hoje, mesmo que n\u00e3o seja novidade para quem observa a realidade do transporte p\u00fablico, o motorista-cobrador \u2013 nomenclatura dada para a nova vers\u00e3o do \u201cmotorista 2 em 1\u201d, ou \u201cv\u00e1rios em 1\u201d \u2013 precisa dirigir enquanto se preocupa com o tr\u00e2nsito, os pedestres e muito mais. Ele recebe pagamentos, libera a catraca, observa quem desce pela porta de tr\u00e1s, quem sobe (e \u00e0s vezes tamb\u00e9m desce) pela da frente, confirma a idade de quem ocupa os bancos iniciais para se certificar de que s\u00e3o priorit\u00e1rios, auxilia cadeirantes que precisam embarcar, tira d\u00favidas quando necess\u00e1rio, pede aos passageiros que avancem para o fundo quando o \u00f4nibus est\u00e1 lotado, e ainda monitora o uso correto dos demais assentos preferenciais. Tudo isso, claro, com espa\u00e7o para passar por eventuais contratempos do dia. No fim, dirigir e cumprir o hor\u00e1rio do trajeto s\u00e3o s\u00f3 mais algumas fun\u00e7\u00f5es dentro de uma lista que n\u00e3o para de crescer.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o motorista-cobrador receba um adicional pelo ac\u00famulo, os n\u00fameros revelam que a remunera\u00e7\u00e3o n\u00e3o chega perto de somar o valor das duas fun\u00e7\u00f5es. Em 2025, um condutor com jornada di\u00e1ria de 7h10min recebe R$ 3.412,31, enquanto o cobrador ganha R$ 2.050,06 pelo mesmo expediente. Os dois sal\u00e1rios somam R$ 5.462,37. No entanto, o \u201cMC\u201d (motorista-cobrador), conforme a tabela utilizada pelo sindicato, recebe R$ 4.026,52 \u2013 um aumento de aproximadamente 18% em rela\u00e7\u00e3o ao motorista, mas ainda muito distante do equivalente \u00e0s duas fun\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, caso ele circule acompanhado de um cobrador em determinado turno, o adicional n\u00e3o \u00e9 pago, mesmo que seu contrato seja de motorista-cobrador, o que refor\u00e7a a l\u00f3gica de que o reconhecimento financeiro pelo ac\u00famulo \u00e9 menor que o trabalho real desempenhado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"670\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4421_VSCO-1024x670.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-28571\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4421_VSCO-1024x670.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4421_VSCO-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4421_VSCO-768x502.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4421_VSCO-1536x1004.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4421_VSCO-2048x1339.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4421_VSCO-1500x981.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tabela salarial de 2025 indica diferen\u00e7a significativa entre o valor pago ao motorista-cobrador e a soma das duas fun\u00e7\u00f5es | Foto: Marcelo Pires\/Humanista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Foi assim com Marcelo Weber, motorista que atuou nas linhas T6 e T12 (Carris) junto com Ros\u00e2ngela por aproximadamente quatro anos. At\u00e9 a metade de novembro, per\u00edodo em que a ex-cobradora foi realocada para o setor administrativo, ele conduziu o \u00f4nibus com a presen\u00e7a de uma auxiliar. No dia da entrevista, em 26 de novembro, Marcelo tinha rodado pela primeira vez \u201csozinho\u201d por um dia inteiro e descreveu a experi\u00eancia como chocante. \u201cVoc\u00ea perde um pouco da aten\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o. Tem que estar cuidando do troco, de quem t\u00e1 subindo, de quem t\u00e1 descendo. Tu perdes o aux\u00edlio do cobrador e isso te d\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o. Hoje foi um dia de preocupa\u00e7\u00e3o: trabalhando, dirigindo e cobrando\u201d, relata o motorista, que est\u00e1 na profiss\u00e3o h\u00e1 12 anos, al\u00e9m dos seis anos como cobrador.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Marcelo, o ac\u00famulo n\u00e3o \u00e9 apenas operacional, \u00e9 psicol\u00f3gico. Ele conta que a press\u00e3o vem da responsabilidade n\u00e3o s\u00f3 pelos passageiros, mas tamb\u00e9m pelos pedestres e pelo fluxo da rua; onde a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 dividida em muitas camadas e cada distra\u00e7\u00e3o reduz a margem de seguran\u00e7a. O condutor afirma que essa dupla fun\u00e7\u00e3o tem um custo pessoal. \u201cA depender do amor que eu tenho pela dire\u00e7\u00e3o, pretendo continuar, mas tamb\u00e9m tenho que pensar na minha sa\u00fade e no meu psicol\u00f3gico. Se ver que n\u00e3o d\u00e1 para fazer as duas coisas, eu vou pedir para sair. N\u00e3o posso botar em risco 100, 300 passageiros que a gente carrega, pelo meu amor\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto conversava, Ros\u00e2ngela lembrou de uma hist\u00f3ria que aconteceu um dia antes do di\u00e1logo. Num dos maiores terminais de \u00f4nibus de Porto Alegre, o Camel\u00f3dromo, um motorista foi hostilizado por uma passageira no final da linha. Para quem observa geralmente o local, percebe que o ciclo \u00e9: o motorista chega, estaciona, se est\u00e1 com tempo h\u00e1bil desliga o ve\u00edculo, desce e vai ao banheiro, mas, se est\u00e1 atrasado, espera os passageiros descerem e os novos subirem para, em seguida, iniciar a nova viagem, sem intervalo. No caso do condutor do terminal, nas palavras de Ros\u00e2ngela, \u201cele abandonou o \u00f4nibus, n\u00e3o aguentou a press\u00e3o\u201d. Marcelo, que ouvia o relato, s\u00f3 concordou com a cabe\u00e7a, dando a entender que, dadas as condi\u00e7\u00f5es estressantes do dia a dia de um \u201cMC\u201d, a atitude n\u00e3o \u00e9 absurda.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4438_VSCO-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-28572\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4438_VSCO-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4438_VSCO-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4438_VSCO-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4438_VSCO-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4438_VSCO-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4438_VSCO-1500x1000.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4438_VSCO-1020x680.jpg 1020w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Marcelo e Ros\u00e2ngela trabalharam em conjunto nas linhas T6 e T12 durante os \u00faltimos anos | Foto: Marcelo Pires\/Humanista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Existe, na atualidade, um prazo de validade para permanecer?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Se o ac\u00famulo de fun\u00e7\u00f5es pesa para quem j\u00e1 est\u00e1 h\u00e1 anos no transporte coletivo, ele tamb\u00e9m afasta quem pensa em entrar. M\u00e1rcio Silveira, 2\u00b0 vice-presidente do STETPOA, confirma que as empresas de \u00f4nibus t\u00eam relatado dificuldade para fechar o quadro de motoristas. \u201cA rotatividade \u00e9 muito grande. Antes, se tu pegavas sempre o mesmo \u00f4nibus \u00e0s 7h50, era tamb\u00e9m o mesmo motorista. Hoje, com essa rotatividade, tu n\u00e3o sabes\u201d, relata o integrante do sindicato. \u201cTamb\u00e9m acontece em v\u00e1rias empresas da pessoa chegar para trabalhar, dar uma volta [conduzindo o ve\u00edculo] e ir embora pensando: \u2018Ah, eu n\u00e3o quero nada disso. Isso a\u00ed n\u00e3o \u00e9 para mim\u2019\u201d, como o caso relatado por Ros\u00e2ngela.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa evas\u00e3o n\u00e3o afeta apenas a opera\u00e7\u00e3o; atinge algo mais profundo: o contato humano dentro dos \u00f4nibus. Cl\u00f3vis Louren\u00e7o Flores, motorista da linha 621 (Nova Gleba) e 627 (Agostinho) (Cons\u00f3rcio MOB), lamenta que o v\u00ednculo com os passageiros esteja se perdendo. Ele, que tem 70 anos, trabalha dentro de \u00f4nibus desde os 13 \u2013 primeiro como cobrador e depois como motorista \u2013 e lembra de no passado ver crian\u00e7as crescerem, saber quem descia em cada parada e reconhecer os rostos. Ros\u00e2ngela diz o mesmo: o \u00f4nibus, para ela, era quase uma comunidade em movimento. Hoje, com a correria, essas rela\u00e7\u00f5es j\u00e1 s\u00e3o afetadas, e agora, sem o aux\u00edlio do cobrador, desaparecem ainda mais depressa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"28574\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4388_VSCO-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-28574\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4388_VSCO-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4388_VSCO-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4388_VSCO-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4388_VSCO-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4388_VSCO-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4388_VSCO-1500x1000.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4388_VSCO-1020x680.jpg 1020w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Aos 70 anos, Cl\u00f3vis trabalha desde os 13 dentro de \u00f4nibus. At\u00e9 os 22 atuou como cobrador e, a partir disso, como motorista, fun\u00e7\u00e3o que exerce at\u00e9 hoje | Foto: Marcelo Pires\/Humanista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"675\" data-id=\"28573\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4394_VSCO-1024x675.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-28573\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4394_VSCO-1024x675.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4394_VSCO-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4394_VSCO-768x506.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4394_VSCO-1536x1012.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4394_VSCO-2048x1349.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4394_VSCO-1500x988.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Marcelo Pires\/Humanista<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>O perfil dos usu\u00e1rios do transporte coletivo \u00e9 diverso e as necessidades demonstram que os ve\u00edculos deveriam contar com pelo menos duas pessoas respons\u00e1veis. A placa acima do condutor, que diz \u201cN\u00e3o fale com o motorista\u201d, tornou-se um enfeite e imposs\u00edvel de ser seguida, pois, sem a figura do cobrador, o motorista se torna o \u00fanico representante e ponto de refer\u00eancia. <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/sms\/bvaps-biblioteca-virtual-de-atencao-primaria-saude\/saude-da-pessoa-idosa\">Dados do IBGE<\/a> de 2022 indicam que Porto Alegre tem cerca de <strong>21% da popula\u00e7\u00e3o com 60 anos ou mais<\/strong>, a maior propor\u00e7\u00e3o entre as capitais brasileiras, o que refor\u00e7a a necessidade de aten\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia aos passageiros, muitos dos quais n\u00e3o utilizam aplicativos de pagamento ou navega\u00e7\u00e3o e, consequentemente, precisam de ajuda para tirar d\u00favidas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"28577\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4516-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-28577\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4516-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4516-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4516-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4516-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4516-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4516-1500x1000.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4516-1020x680.jpg 1020w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Marcelo Pires\/Humanista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"28576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4516-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-28576\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4516-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4516-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4516-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4516-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4516-1-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4516-1-1500x1000.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_4516-1-1020x680.jpg 1020w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O ac\u00famulo de fun\u00e7\u00f5es faz com o que o motorista precise conversar com os passageiros, ao contr\u00e1rio do que \u00e9 indicado pela placa | Fotos: Marcelo Pires\/Humanista<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>E como ficam os \u201cdonos do \u00f4nibus\u201d?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>\u201cO nosso C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro fala que o motorista n\u00e3o pode dirigir mexendo no celular. Ent\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o poderia dirigir dando troco. A\u00ed as empresas respondem: \u2018Mas ele tem que parar para dar o troco\u2019. Na teoria \u00e9 f\u00e1cil. Na pr\u00e1tica, n\u00e3o d\u00e1\u2026 \u00e9 muita coisa para uma s\u00f3 pessoa\u201d, critica o 2\u00ba vice-presidente do sindicato. M\u00e1rcio ressalta ainda o desafio das vias mal planejadas: \u201cNa Sert\u00f3rio, por exemplo, temos corredor do lado esquerdo. O motorista n\u00e3o v\u00ea a porta, e como se faz isso sem o aux\u00edlio do cobrador?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da orienta\u00e7\u00e3o de que o condutor deve parar o \u00f4nibus para entregar o troco, o dia a dia \u00e9 diferente. Muitas vezes, ele o separa enquanto dirige \u2013 n\u00e3o por imprud\u00eancia, mas porque a din\u00e2mica do trajeto o for\u00e7a a isso. Se, a cada passageiro que paga em dinheiro, o profissional parasse totalmente o ve\u00edculo, o hor\u00e1rio de chegada ao final da linha estouraria. E, considerando que muitos \u00f4nibus circulam com 70 passageiros \u2013 ou at\u00e9 150, no caso dos articulados \u2013, qualquer minuto \u201cperdido\u201d vira press\u00e3o de dezenas de trabalhadores que querem chegar ao destino final o quanto antes. Essa urg\u00eancia coletiva, somada ao ac\u00famulo de fun\u00e7\u00f5es, acaba colaborando para a desumaniza\u00e7\u00e3o de outro trabalhador: o pr\u00f3prio motorista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 23 de novembro de 2021, a Prefeitura de Porto Alegre sancionou a Lei n\u00ba 12.910\/2021, que instaurou a extin\u00e7\u00e3o gradual dos cobradores de \u00f4nibus na Capital. Assinada no primeiro mandato de Sebasti\u00e3o Melo como prefeito, a medida determinava que, ao longo dos quatro anos seguintes, os trabalhadores fossem realocados dentro das empresas ou demitidos. &#8230; <a title=\"Extin\u00e7\u00e3o dos cobradores avan\u00e7a e sobrecarrega motoristas de \u00f4nibus em Porto Alegre\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/12\/11\/extincao-dos-cobradores-avanca-e-sobrecarrega-motoristas-de-onibus-em-porto-alegre\/\" aria-label=\"More on Extin\u00e7\u00e3o dos cobradores avan\u00e7a e sobrecarrega motoristas de \u00f4nibus em Porto Alegre\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":28566,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[233],"tags":[959,960,23,170],"class_list":["post-28565","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mobilidade-urbana","tag-jornada-dupla","tag-motorista-cobrador","tag-porto-alegre","tag-transporte-publico"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28565","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28565"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28565\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28585,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28565\/revisions\/28585"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28566"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28565"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28565"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28565"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}