﻿{"id":28917,"date":"2026-04-16T19:15:43","date_gmt":"2026-04-16T22:15:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=28917"},"modified":"2026-06-08T20:45:44","modified_gmt":"2026-06-08T23:45:44","slug":"falta-de-legislacao-especifica-fortalece-o-cenario-de-violencia-contra-pessoas-lgbtqiapn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2026\/04\/16\/falta-de-legislacao-especifica-fortalece-o-cenario-de-violencia-contra-pessoas-lgbtqiapn\/","title":{"rendered":"Falta de legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica fortalece o cen\u00e1rio de viol\u00eancia contra pessoas LGBTQIAPN+"},"content":{"rendered":"\n<p>Imagine-se vivendo em um pa\u00eds em que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma lei que garanta seu direito de se casar. Ou de utilizar o seu pr\u00f3prio nome e pronome. Ou que n\u00e3o garanta puni\u00e7\u00e3o, por lei, se voc\u00ea for agredido, seja fisicamente ou verbalmente. Isso tudo somente por sua sexualidade ou identidade de g\u00eanero desviar do \u201cpadr\u00e3o\u201d cis-heteronormativo. Essa \u00e9 a realidade da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+ brasileira. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o existam direitos assegurados. Entretanto, o que protege e define esses direitos s\u00e3o decis\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os do sistema de justi\u00e7a, n\u00e3o leis espec\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a cada 34 horas uma pessoa LGBTQIAPN+ \u00e9 assassinada, de acordo com levantamento do <a href=\"https:\/\/grupogaydabahia.com.br\/257-mortes-violentas-237homicidios-e-20-suicidios\/\">Grupo Gay da Bahia<\/a>. Eles apontam que, em 2025, foram 257 mortes violentas. O <a href=\"https:\/\/forumseguranca.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/anuario-2025.pdf\"><em>Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/em> de 2025<\/a>, que compara os registros de viol\u00eancias de 2023 e 2024, observou a redu\u00e7\u00e3o de 1,9% de les\u00f5es corporais dolosas contra pessoas LGBTQIAPN+ e uma redu\u00e7\u00e3o de 26,3% nos homic\u00eddios dolosos, com um total de 202 casos. Por\u00e9m, se considerarmos o total de casos contabilizados pelo Anu\u00e1rio em 2024 e o total de casos registrados pelo GGB em 2025, h\u00e1 um aumento de 27,23%.<\/p>\n\n\n\n<iframe title=\"Viol\u00eancias contra pessoas LGBT no Brasil em 2024\" aria-label=\"Stacked Bars\" id=\"datawrapper-chart-AcYYP\" src=\"https:\/\/datawrapper.dwcdn.net\/AcYYP\/1\/\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" style=\"width: 0; min-width: 100% !important; border: none;\" height=\"752\" data-external=\"1\"><\/iframe><script type=\"text\/javascript\">window.addEventListener(\"message\",function(a){if(void 0!==a.data[\"datawrapper-height\"]){var e=document.querySelectorAll(\"iframe\");for(var t in a.data[\"datawrapper-height\"])for(var r,i=0;r=e[i];i++)if(r.contentWindow===a.source){var d=a.data[\"datawrapper-height\"][t]+\"px\";r.style.height=d}}});<\/script>\n\n\n\n<p>N\u00e3o existem levantamentos e an\u00e1lises oficiais sobre viol\u00eancia contra pessoas LGBTQIAPN+ no Brasil. Al\u00e9m disso, o <em>Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/em> de 2025 aponta que a falta de padroniza\u00e7\u00e3o nos registros dificulta a pesquisa e demonstra que a falta de dados tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de viol\u00eancia. Ainda assim, os dados que se pode encontrar apontam para um alto \u00edndice de viol\u00eancias, principalmente no Rio Grande do Sul. M\u00faltiplos fatores podem explicar o cen\u00e1rio, como a falta de legisla\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, o avan\u00e7o do conservadorismo e uma poss\u00edvel redu\u00e7\u00e3o nas subnotifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o no Rio Grande do Sul<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O RS \u00e9 o estado com o maior n\u00famero de registros de viol\u00eancia contra a comunidade <a href=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/lgbtqiap\/o-que-e-queer-entenda-significado-historia-e-uso-politico-do-termo\/\"><em>queer<\/em><\/a>, com 1.179 casos de les\u00f5es corporais, homic\u00eddios e estupros em 2024. Ainda de acordo com o <em>Anu\u00e1rio<\/em>, os registros que mais subiram ao todo no per\u00edodo foram os de racismo por homotransfobia, com 51,2% de casos a mais em 2024 do que em 2023. No RS foram 391 registros de homofobia e transfobia em 2024, 584 em 2025 e 92 entre janeiro e fevereiro de 2026, de acordo com dados da <a href=\"https:\/\/www.ssp.rs.gov.br\/dados-abertos\">Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<iframe title=\"Registros de casos de homofobia e transfobia no RS em 2025\" aria-label=\"Choropleth map\" id=\"datawrapper-chart-M1nWP\" src=\"https:\/\/datawrapper.dwcdn.net\/M1nWP\/2\/\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" style=\"width: 0; min-width: 100% !important; border: none;\" height=\"744\" data-external=\"1\"><\/iframe><script type=\"text\/javascript\">window.addEventListener(\"message\",function(a){if(void 0!==a.data[\"datawrapper-height\"]){var e=document.querySelectorAll(\"iframe\");for(var t in a.data[\"datawrapper-height\"])for(var r,i=0;r=e[i];i++)if(r.contentWindow===a.source){var d=a.data[\"datawrapper-height\"][t]+\"px\";r.style.height=d}}});<\/script>\n\n\n\n<p>O Delegado Vin\u00edcius Nahan, titular da Delegacia de Pol\u00edcia de Combate \u00e0 Intoler\u00e2ncia (DPCI\/DPGV) de Porto Alegre, aponta que um dos motivos para o alto \u00edndice \u00e9 que o RS produz e disponibiliza estes dados, enquanto outras unidades federativas n\u00e3o fazem isso. Desde 2020 h\u00e1 um \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por gerar estas informa\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, ele tamb\u00e9m percebe que nos \u00faltimos anos h\u00e1 um aumento de discursos violentos na sociedade, tanto em esferas p\u00fablicas como em redes sociais e outros ambientes: \u201cIsso vai reverberar na manifesta\u00e7\u00e3o f\u00edsica dessa viol\u00eancia\u201d, aponta. <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8995332160303604\">Sara\u00ed Schmidt<\/a>, professora do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Diversidade Cultural e Inclus\u00e3o Social da Feevale, compartilha dessa vis\u00e3o. Ela observa que h\u00e1 um aumento do conservadorismo no Rio Grande do Sul e no mundo como um todo: \u201c\u00c9 um conservadorismo que gera viol\u00eancia, que gera exclus\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas mudan\u00e7as sociais se refletem nos dados registrados de viol\u00eancia. Apesar do aumento da visibilidade para causas LGBTQIAPN+ e de decis\u00f5es como a do STF em 2019 que <a href=\"https:\/\/noticias.stf.jus.br\/postsnoticias\/stf-enquadra-homofobia-e-transfobia-como-crimes-de-racismo-ao-reconhecer-omissao-legislativa\/\">equiparou a homotransfobia aos crimes de racismo<\/a>, o receio da viol\u00eancia n\u00e3o desapareceu. C\u00e9lio Golin, um dos fundadores do Nuances \u2013 Grupo pela Livre Express\u00e3o Sexual, existente desde 1991 em Porto Alegre, percebe que muitas pessoas t\u00eam se assumido mais cedo, e atribui parte disso \u00e0 maior visibilidade de pessoas <em>queer<\/em> na m\u00eddia. Entretanto, ele tamb\u00e9m aponta que h\u00e1 quem se incomode com essa presen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong><em>\u201cVoc\u00ea pode andar na Cidade Baixa ou em qualquer lugar de m\u00e3os dadas, mas naquele mesmo lugar voc\u00ea pode levar uma paulada ou pode sofrer alguma rea\u00e7\u00e3o. \u00c9 o paradoxo que a gente vive.\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<cite><strong><em>C\u00e9lio Golin<\/em><\/strong>, fundador do Nuances<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa maior visibilidade para a tem\u00e1tica tamb\u00e9m pode justificar o alto registro de viol\u00eancias. Vin\u00edcius percebe que as pessoas est\u00e3o mais conscientes sobre seus direitos e por isso realizam mais den\u00fancias. Ainda assim, quando se trata de inj\u00faria ou discrimina\u00e7\u00e3o, os casos registrados s\u00e3o menores do que os que acontecem, isso porque nem todas as pessoas se sentem dispostas a denunciar.<\/p>\n\n\n\n<p>O delegado acredita que os dados gerais de viol\u00eancia f\u00edsica e homic\u00eddios coincidem com o real, mas aponta que a dificuldade \u00e9 identificar se ocorreu por uma motiva\u00e7\u00e3o de preconceito. \u201cNesse quesito, a gente precisa aprimorar a forma como o sistema de justi\u00e7a, como um todo, identifica as motiva\u00e7\u00f5es do crime\u201d, ressalta. Isso porque realizar essa identifica\u00e7\u00e3o demandaria investiga\u00e7\u00e3o, e nem sempre \u00e9 evidente que a v\u00edtima \u00e9 LGBTQIAPN+.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se percebe \u00e9 que os dados de viol\u00eancia contra a comunidade <em>queer <\/em>no Rio Grande do Sul s\u00e3o atravessados por m\u00faltiplas quest\u00f5es que parecem contradit\u00f3rias, mas se complementam para explicar o cen\u00e1rio. A viol\u00eancia sempre existiu, mas tem se tornado mais intensa com o aumento dos discursos de \u00f3dio e mais evidente com os direitos adquiridos. Ainda assim, os dados podem n\u00e3o representar o n\u00famero real de casos, tanto pela falta de den\u00fancia quanto pela falta de identifica\u00e7\u00e3o de crimes com motiva\u00e7\u00e3o por preconceito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A inseguran\u00e7a jur\u00eddica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma das dificuldades para lidar com a situa\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia \u00e0s pessoas <em>queer<\/em> \u00e9 a falta de legisla\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. A criminaliza\u00e7\u00e3o da homotransfobia foi uma decis\u00e3o do STF, mas ela \u00e9 v\u00e1lida apenas enquanto o Congresso Nacional n\u00e3o legislar sobre o assunto. Outra a\u00e7\u00e3o recente do STF foi a de possibilidade de <a href=\"https:\/\/noticias.stf.jus.br\/postsnoticias\/stf-enquadra-homofobia-e-transfobia-como-crimes-de-racismo-ao-reconhecer-omissao-legislativa\/\">aplica\u00e7\u00e3o da Lei Maria da Penha em rela\u00e7\u00f5es homoafetivas<\/a> masculinas ou envolvendo travestis e mulheres transexuais. Um dos apontamentos e justificativas para esta decis\u00e3o \u00e9 a omiss\u00e3o do Congresso Nacional sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente tem uma s\u00e9rie de problemas em rela\u00e7\u00e3o a aprovar legisla\u00e7\u00f5es nesse sentido. Hoje, se for para a pauta uma legisla\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 comunidade LGBTQIAPN+, n\u00e3o passa\u201d, lamenta Leonardo Vaz, presidente da Comiss\u00e3o de Diversidade Sexual e G\u00eanero da OAB\/RS. Um dos casos que demonstra a dificuldade do avan\u00e7o dessas legisla\u00e7\u00f5es \u00e9 a disputa de aprova\u00e7\u00e3o para o \u201c<a href=\"https:\/\/fundacaofhc.org.br\/linhasdotempo\/estatuto-das-familias\/\">Estatuto da Fam\u00edlia<\/a>\u201d. O <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=597005\">Projeto de Lei (PL) 6583\/2013<\/a> quer definir \u201centidade familiar como o n\u00facleo social formado a partir da uni\u00e3o entre <strong>um homem e uma mulher<\/strong>\u201d \u2013 destaques iguais ao projeto. O PL foi apresentado em 2013 e ainda n\u00e3o foi totalmente descartado. Como contrapartida, o <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2024195\">PL 3369\/2015<\/a>, intitulado \u201cEstatuto das Fam\u00edlias do S\u00e9culo XXI\u201d, busca definir que fam\u00edlia depende de amor e socioafetividade, independente do g\u00eanero, orienta\u00e7\u00e3o sexual, ra\u00e7a, consanguinidade, credo e nacionalidade. O PL tamb\u00e9m segue em delibera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Como os direitos da comunidade LGBTQIAPN+ s\u00e3o definidos por decis\u00f5es judiciais, h\u00e1 uma fragilidade na sua manuten\u00e7\u00e3o, garantia e perman\u00eancia. \u201c[<em>As decis\u00f5es<\/em>] s\u00e3o fr\u00e1geis no sentido que elas n\u00e3o passaram pelo congresso\u201d, afirma C\u00e9lio. O receio \u00e9 que com a mudan\u00e7a de pessoas em \u00f3rg\u00e3os do sistema Judici\u00e1rio, se percam estes direitos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong><em>\u201cPode, no decorrer do tempo, acontecer de n\u00f3s termos uma maioria de ministros contr\u00e1rios \u00e0s decis\u00f5es de LGBTs. Da\u00ed, pode ocorrer de sa\u00edrem novas decis\u00f5es, modificando isso que foi conquistado nesse meio-tempo.\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<cite><strong><em>Leonardo Vaz<\/em><\/strong>, advogado e presidente da Comiss\u00e3o de Diversidade Sexual e G\u00eanero da OAB\/RS<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Outra dificuldade \u00e9 a de cumprir as decis\u00f5es definidas. Uma <a href=\"https:\/\/portal.fgv.br\/noticias\/pesquisa-revela-que-equiparacao-da-lgbtfobia-ao-racismo-ainda-nao-e-reconhecida-de-forma\">pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV)<\/a> identificou que h\u00e1 uma nega\u00e7\u00e3o ou dilui\u00e7\u00e3o da motiva\u00e7\u00e3o discriminat\u00f3ria e do reconhecimento da equipara\u00e7\u00e3o de LGBTfobia ao crime de racismo em decis\u00f5es judiciais. A dirigente do N\u00facleo de Defesa da Diversidade Sexual e de G\u00eanero da Defensoria P\u00fablica do RS (NUDIVERSI), Bibiana Bernardes, percebe que, em muitos casos, a motiva\u00e7\u00e3o por descrimina\u00e7\u00e3o sequer chega ao Judici\u00e1rio, pois \u00e9 desconsiderada antes. Al\u00e9m disso, como forma de defesa, h\u00e1 uma tentativa de retirar a motiva\u00e7\u00e3o do crime. \u201cEles [<em>acusados<\/em>] d\u00e3o outra motiva\u00e7\u00e3o para se esquivar dessa pena maior\u201d, conclui Bibiana.<\/p>\n\n\n\n<p>Os direitos da comunidade LGBTQIAPN+ existem e est\u00e3o sendo conquistados pouco a pouco, mas eles correm risco. Leonardo defende que \u00e9 preciso ter amparo de legisla\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que garantam esses direitos e que a n\u00e3o exist\u00eancia de leis \u00e9 \u201cuma forma de fomentar a viol\u00eancia na sociedade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m das leis, o que mais falta?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Todos os entrevistados para esta reportagem consideram que um dos principais motivadores para a viol\u00eancia contra pessoas LGBTQIAPN+ \u00e9 resultado de um preconceito profundo e persistente na sociedade. \u201cA cultura \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e social e, se ela foi inventada dessa forma, ela pode ser reinventada\u201d, aponta Sara\u00ed. Para isso, ela, assim como outros especialistas, entendem que s\u00e3o necess\u00e1rias a\u00e7\u00f5es com a comunidade para debate, letramento e mitiga\u00e7\u00e3o dos preconceitos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sara\u00ed e C\u00e9lio defendem que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos campos em que esse debate precisa acontecer. C\u00e9lio identifica uma dificuldade em implementar as discuss\u00f5es nesse meio. J\u00e1 Sara\u00ed, embora tamb\u00e9m perceba dificuldades, conta sobre a parceria \u201cEscola Antidiscriminat\u00f3ria\u201d, firmada entre a Feevale e a prefeitura de Novo Hamburgo, pela qual s\u00e3o realizadas forma\u00e7\u00f5es com os professores para discutir m\u00faltiplos tipos de viol\u00eancias e estabelecer protocolos nas escolas.<\/p>\n\n\n\n<p>O N\u00facleo de Defesa da Diversidade Sexual e de G\u00eanero da Defensoria P\u00fablica, a Comiss\u00e3o de Diversidade Sexual e G\u00eanero da OAB\/RS e a Delegacia de Combate \u00e0 Intoler\u00e2ncia tamb\u00e9m buscam realizar a\u00e7\u00f5es e forma\u00e7\u00f5es, tanto internamente como para p\u00fablicos externos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto \u00e9 a especializa\u00e7\u00e3o dos atendimentos na defensoria p\u00fablica. Em casos nos quais se identifica a necessidade, s\u00e3o realizados atendimentos com o aux\u00edlio do n\u00facleo, de um(a) psic\u00f3logo(a) e de assistente social, visando diminuir os casos de revitimiza\u00e7\u00e3o. A DPCI tamb\u00e9m busca oferecer um atendimento mais focado, com profissionais capacitados para atender quem chega \u00e0 delegacia e para lidar com os casos de inj\u00faria e discrimina\u00e7\u00e3o que s\u00e3o encaminhados para l\u00e1. Por\u00e9m, crimes mais graves ainda n\u00e3o s\u00e3o tratados nela. Vin\u00edcius acredita que, com o tempo, os servi\u00e7os especializados podem se fortalecer e atuar em mais situa\u00e7\u00f5es. Ele explica que as delegacias da mulher seguiram um caminho parecido, pois inicialmente n\u00e3o atendiam casos mais graves. Os epis\u00f3dios de homotransfobia tamb\u00e9m podem ser registrados na <a href=\"https:\/\/www.delegaciaonline.rs.gov.br\/dol\/#!\/diversidade\/main\">delegacia online da diversidade<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00e9lio relata que, no in\u00edcio do debate sobre a cria\u00e7\u00e3o de uma delegacia especializada, o grupo Nuances era contra: \u201cTalvez fosse um discurso meio rom\u00e2ntico, mas a gente dizia \u2018n\u00f3s n\u00e3o queremos uma delegacia espec\u00edfica, porque n\u00f3s queremos que todas sejam qualificadas e atendam bem\u2019\u201d. Com o tempo, eles entenderam que essa era uma possibilidade distante. C\u00e9lio tamb\u00e9m relata ter acompanhado diversas pessoas \u00e0 delegacia.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos dos direitos adquiridos partem de reivindica\u00e7\u00f5es feitas por movimentos sociais como o Nuances. C\u00e9lio observa que o avan\u00e7o do conservadorismo e de movimentos de direita tamb\u00e9m tem dificultado o financiamento dessas organiza\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, \u00e9 dif\u00edcil para as pessoas conciliarem outras atividades da vida com uma milit\u00e2ncia mais ativa, o que tem tornado mais dif\u00edcil a realiza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es pelo grupo. Ainda assim, C\u00e9lio percebe, a partir de todos os seus anos envolvido neste meio, que os movimentos sociais conseguem ajudar no combate a viol\u00eancia, pois criam uma rede mais estruturada e acessam o estado com mais facilidade, o que possibilita a den\u00fancia de situa\u00e7\u00f5es e a cobran\u00e7a de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong><em>\u201cO movimento tem resistido.\u201d <\/em><\/strong><\/p>\n<cite><strong>C\u00e9lio Golin<\/strong>, fundador do Nuances<\/cite><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine-se vivendo em um pa\u00eds em que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma lei que garanta seu direito de se casar. Ou de utilizar o seu pr\u00f3prio nome e pronome. Ou que n\u00e3o garanta puni\u00e7\u00e3o, por lei, se voc\u00ea for agredido, seja fisicamente ou verbalmente. Isso tudo somente por sua sexualidade ou identidade de g\u00eanero desviar do \u201cpadr\u00e3o\u201d &#8230; <a title=\"Falta de legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica fortalece o cen\u00e1rio de viol\u00eancia contra pessoas LGBTQIAPN+\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2026\/04\/16\/falta-de-legislacao-especifica-fortalece-o-cenario-de-violencia-contra-pessoas-lgbtqiapn\/\" aria-label=\"More on Falta de legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica fortalece o cen\u00e1rio de viol\u00eancia contra pessoas LGBTQIAPN+\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":37,"featured_media":28918,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1032,32],"tags":[335,376,972,1011,61],"class_list":["post-28917","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagem-humanista","category-igualdade","tag-direitos","tag-igualdade","tag-legislacao","tag-lgbt-2","tag-violencia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28917","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/37"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28917"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28917\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29405,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28917\/revisions\/29405"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28918"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28917"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28917"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28917"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}