﻿{"id":29004,"date":"2026-04-29T19:19:58","date_gmt":"2026-04-29T22:19:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=29004"},"modified":"2026-04-29T19:20:00","modified_gmt":"2026-04-29T22:20:00","slug":"o-futuro-do-trabalhador-em-jogo-em-meio-ao-1-de-maio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2026\/04\/29\/o-futuro-do-trabalhador-em-jogo-em-meio-ao-1-de-maio\/","title":{"rendered":"O futuro do trabalhador em jogo em meio ao 1\u00b0 de maio"},"content":{"rendered":"\n<p>Em <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-04\/entenda-origens-do-1o-de-maio#:~:text=Durante%20o%20primeiro%20governo%20de,Leis%20do%20Trabalho%20(CLT).\">1\u00ba de maio<\/a> \u00e9 celebrado o Dia Internacional dos Trabalhadores, data historicamente marcada pela luta da classe trabalhadora. Sua origem \u00e9 de 1886, devido a uma greve em Chicago, nos Estados Unidos. Os trabalhadores foram agredidos, presos e executados, devido a reivindica\u00e7\u00f5es da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, que era de 14 horas di\u00e1rias.&nbsp; A repress\u00e3o foi intensa e v\u00e1rios l\u00edderes foram condenados \u00e0 morte. Em contrapartida, durante a <a href=\"https:\/\/www.socialistinternational.org\/about-us\/\">Internacional Socialista<\/a>, a data foi oficializada como s\u00edmbolo da luta da classe trabalhadora e tamb\u00e9m como uma homenagem a essas pessoas que vendem sua for\u00e7a de trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s um s\u00e9culo, o tema das jornadas de trabalho continua em discuss\u00e3o. <a href=\"https:\/\/data-explorer.oecd.org\/vis?lc=en&amp;pg=0&amp;snb=1&amp;vw=br&amp;df[ds]=dsDisseminateFinalDMZ&amp;df[id]=DSD_HW%40DF_AVG_ANN_HRS_WKD&amp;df[ag]=OECD.ELS.SAE&amp;df[vs]=&amp;pd=2024%2C&amp;dq=AUS%2BAUT%2BBEL%2BCAN%2BCHL%2BCOL%2BCRI%2BCZE%2BDNK%2BEST%2BFIN%2BFRA%2BDEU%2BGRC%2BHUN%2BISL%2BIRL%2BISR%2BITA%2BJPN%2BKOR%2BLVA%2BLTU%2BLUX%2BMEX%2BNLD%2BNZL%2BNOR%2BPOL%2BPRT%2BSVK%2BSVN%2BESP%2BSWE%2BCHE%2BTUR%2BGBR%2BUSA%2BOECD........_T....&amp;ly[rw]=REF_AREA&amp;to[TIME_PERIOD]=false\">Um<\/a> <a href=\"https:\/\/data-explorer.oecd.org\/vis?lc=en&amp;pg=0&amp;snb=1&amp;vw=br&amp;df[ds]=dsDisseminateFinalDMZ&amp;df[id]=DSD_HW%40DF_AVG_ANN_HRS_WKD&amp;df[ag]=OECD.ELS.SAE&amp;df[vs]=&amp;pd=2024%2C&amp;dq=AUS%2BAUT%2BBEL%2BCAN%2BCHL%2BCOL%2BCRI%2BCZE%2BDNK%2BEST%2BFIN%2BFRA%2BDEU%2BGRC%2BHUN%2BISL%2BIRL%2BISR%2BITA%2BJPN%2BKOR%2BLVA%2BLTU%2BLUX%2BMEX%2BNLD%2BNZL%2BNOR%2BPOL%2BPRT%2BSVK%2BSVN%2BESP%2BSWE%2BCHE%2BTUR%2BGBR%2BUSA%2BOECD........_T....&amp;ly[rw]=REF_AREA&amp;to[TIME_PERIOD]=false\">relat\u00f3rio<\/a> da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), de 2024, que conta com 38 pa\u00edses (sem a participa\u00e7\u00e3o do Brasil),&nbsp; apresentou que trabalhadores mexicanos est\u00e3o entre os que mais trabalham no mundo, com m\u00e9dia de 2.193 horas anuais, cerca de 274 jornadas de 8 horas, o que pode estar relacionado \u00e0 estrutura econ\u00f4mica intensiva em m\u00e3o de obra e pol\u00edticas sociais pouco eficazes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Costa Rica aparece como o segundo pa\u00eds com a jornada mais longa, com 2.149 horas de trabalho anuais, o que representa 271 jornadas de trabalho de oito horas. J\u00e1 o terceiro lugar \u00e9 ocupado pelo Chile, onde os trabalhadores atingem 1.919 horas anuais, o equivalente a 244 jornadas de oito horas. Apesar disso, o pa\u00eds est\u00e1 em processo de redu\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria semanal de 45 para 40 horas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na sequ\u00eancia do ranking aparecem a Gr\u00e9cia, com 1.898 horas anuais; Israel, com 1.877; Coreia do Sul, com 1.865; Estados Unidos, com 1.796 horas anuais; Pol\u00f4nia com 1.785; Tch\u00e9quia com 1.771; e em d\u00e9cimo lugar, a Nova Zel\u00e2ndia, com 1.741 horas de trabalho por ano. Por\u00e9m, nesse \u00faltimo relat\u00f3rio n\u00e3o foram apresentados dados sobre Col\u00f4mbia, Turquia e Brasil, que possuem altos n\u00fameros de horas trabalhadas por ano.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/ourworldindata.org\/working-hours\">Segundo o Our World in Data<\/a>, que produz gr\u00e1ficos e tabelas a partir do cruzamento de diversas fontes que coletam dados sobre a economia global, a organiza\u00e7\u00e3o identifica o Brasil com uma m\u00e9dia anual da jornada de trabalho de 1.994 horas.<\/p>\n\n\n\n<p>O debate sobre a jornada ganha for\u00e7a no pa\u00eds. Uma <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/573448-saiba-mais-sobre-a-tramitacao-de-pecs\/\">Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC)<\/a>, que visa p\u00f4r fim \u00e0 escala <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2024\/11\/22\/podcast-explica-o-que-e-a-escala-6x1-e-suas-consequencias\/\">6&#215;1<\/a>, ser\u00e1 analisada pela Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ) da C\u00e2mara dos Deputados para debater o m\u00e9rito da proposta e poss\u00edveis ajustes no texto. O objetivo \u00e9, ap\u00f3s essa etapa, que a PEC seja encaminhada ao plen\u00e1rio, onde necessitar\u00e1 ser votada em dois turnos, o que possivelmente acontecer\u00e1 at\u00e9 o final de maio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para substituir a escala vigente, h\u00e1 duas propostas: a redu\u00e7\u00e3o gradual da jornada semanal, que passaria de 44 para 36 horas, em uma transi\u00e7\u00e3o de dez anos, a partir da PEC 221\/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG); e a PEC 8\/25, de autoria da deputada <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/deputados\/220645\">Erika Hilton<\/a> (Psol-SP), que busca reduzir a jornada semanal para quatro dias de trabalho e tr\u00eas de descanso.<\/p>\n\n\n\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/11\/17\/apos-uma-decada-de-uber-trabalho-precario-em-aplicativos-passou-a-ditar-ritmo-urbano\/\">Portal Humanista <\/a>publicou uma an\u00e1lise sobre a precariza\u00e7\u00e3o da Uber em Porto Alegre ap\u00f3s dez anos de sua chegada. O texto destaca as rotinas de trabalho marcadas por longas jornadas e tarifas apertadas. Em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhadores, pesquisas como a <a href=\"https:\/\/fair.work\/en\/fw\/trabalho-decente-ja\/\">Fairwork Brasil<\/a> indicam um cen\u00e1rio cr\u00edtico: a maioria das plataformas, como Uber, 99 e iFood n\u00e3o garantem condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de trabalho justo. Entre os principais problemas enfrentados pelos motoristas est\u00e3o: jornadas longas e ganhos baixos; custos elevados de manuten\u00e7\u00e3o e combust\u00edvel e a falta de transpar\u00eancia nas tarifas.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o surgimento de novas tecnologias e a globaliza\u00e7\u00e3o t\u00eam impactado diretamente a forma como trabalhamos e nos relacionamos com o trabalho. A <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/artigos\/a-uberizacao-do-trabalho-e-as-novas-relacoes-trabalhistas\/1755946670\">uberiza\u00e7\u00e3o<\/a> \u00e9 o termo que utilizamos para descrever essas mudan\u00e7as, principalmente no que diz respeito \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o. Isso ocorre porque muitos trabalhadores s\u00e3o inseridos em formas de trabalho informal, sem acesso a direitos trabalhistas como f\u00e9rias, 13\u00ba sal\u00e1rio e seguro-desemprego. Al\u00e9m disso, passam a atuar em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, sem a prote\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/pt-br\/temas\/legislacao-trabalhista\">legisla\u00e7\u00e3o trabalhista.&nbsp;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Plataformas de <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/05\/15\/trabalho-em-plataformas-digitais\/\">streaming<\/a>, como a Twitch, prometem autonomia e realiza\u00e7\u00e3o de sonhos, mas na realidade envolve jornadas longas, renda inst\u00e1vel e pouca garantia trabalhista. A maioria dos criadores n\u00e3o consegue sustentar-se apenas com a plataforma, pois os algoritmos controlam a visibilidade e exigem produ\u00e7\u00e3o constantemente. Esse modelo assemelha-se ao de empresas como Uber e iFood, ressaltando a precariza\u00e7\u00e3o e a necessidade da regulamenta\u00e7\u00e3o do trabalho digital.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante das transforma\u00e7\u00f5es desse cen\u00e1rio, a discuss\u00e3o sobre o futuro do trabalho torna-se cada vez mais urgente, envolvendo desde a redu\u00e7\u00e3o da jornada at\u00e9 a regulamenta\u00e7\u00e3o de plataformas digitais. As mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas e econ\u00f4micas mostram a necessidade de equilibrar inova\u00e7\u00e3o com direitos trabalhistas e condi\u00e7\u00f5es mais dignas de trabalho. Entre os avan\u00e7os e as resist\u00eancias enfrentadas diariamente pelos trabalhadores, a realidade mostra que, assim como ocorreu em 1886, o equil\u00edbrio entre trabalho, direitos e qualidade de vida segue sendo um ponto central e uma batalha.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1\u00ba de maio \u00e9 celebrado o Dia Internacional dos Trabalhadores, data historicamente marcada pela luta da classe trabalhadora. Sua origem \u00e9 de 1886, devido a uma greve em Chicago, nos Estados Unidos. Os trabalhadores foram agredidos, presos e executados, devido a reivindica\u00e7\u00f5es da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, que era de 14 horas di\u00e1rias.&nbsp; &#8230; <a title=\"O futuro do trabalhador em jogo em meio ao 1\u00b0 de maio\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2026\/04\/29\/o-futuro-do-trabalhador-em-jogo-em-meio-ao-1-de-maio\/\" aria-label=\"More on O futuro do trabalhador em jogo em meio ao 1\u00b0 de maio\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":37,"featured_media":29005,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[227,49],"tags":[562,972,1026,161],"class_list":["post-29004","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-editorial","category-vida","tag-direito","tag-legislacao","tag-trabalhador","tag-trabalho"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29004","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/37"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29004"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29004\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29010,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29004\/revisions\/29010"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29005"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29004"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29004"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29004"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}