﻿{"id":29082,"date":"2026-05-11T18:18:32","date_gmt":"2026-05-11T21:18:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=29082"},"modified":"2026-05-11T18:18:35","modified_gmt":"2026-05-11T21:18:35","slug":"o-centro-nao-pode-ser-abandonado-de-novo-diz-assessor-do-sindilojas-sobre-planos-para-o-futuro-de-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2026\/05\/11\/o-centro-nao-pode-ser-abandonado-de-novo-diz-assessor-do-sindilojas-sobre-planos-para-o-futuro-de-porto-alegre\/","title":{"rendered":"\u201cO Centro n\u00e3o pode ser abandonado de novo\u201d, diz assessor do Sindilojas sobre planos para o futuro de Porto Alegre"},"content":{"rendered":"\n<p>Ber\u00e7o da capital ga\u00facha, o Centro Hist\u00f3rico de Porto Alegre j\u00e1 foi sin\u00f4nimo de efervesc\u00eancia econ\u00f4mica, pol\u00edtica e cultural. Ao longo do s\u00e9culo XX, o bairro concentrou sedes de bancos, reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, com\u00e9rcio forte e intensa circula\u00e7\u00e3o de pessoas. Por\u00e9m, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o Centro passou a conviver com im\u00f3veis ociosos, redu\u00e7\u00e3o de moradores e perda de dinamismo econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo se intensificou nos \u00faltimos anos. Primeiro, com a pandemia de covid-19, que retirou do cotidiano da regi\u00e3o o chamado \u201cconsumidor funcional\u201d,&nbsp; trabalhadores e estudantes que garantiam o fluxo di\u00e1rio. Depois, com a enchente de 2024, que aprofundou a crise ao atingir diretamente a estrutura urbana e afastar empresas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Projetos&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2o26, a prefeitura de Porto Alegre lan\u00e7ou o programa <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/poafutura\">POA Futura<\/a>, um projeto que integra mais de 300 a\u00e7\u00f5es divididas em cinco eixos: resili\u00eancia e prote\u00e7\u00e3o, qualidade de vida, infraestrutura e mobilidade, desenvolvimento e inclus\u00e3o social e gest\u00e3o digital e integrada. O programa conta com mais de R$ 7 bilh\u00f5es em investimentos, sendo cerca de R$ 4 bilh\u00f5es provenientes de investimentos internacionais, <a href=\"https:\/\/youtu.be\/q0CgToWB_IQ?si=XOpQRsLVWi3X8uIg\">segundo o secret\u00e1rio de planejamento e assuntos estrat\u00e9gicos de Porto Alegre, Cezar Schirmer<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No que contempla o Centro Hist\u00f3rico, a previs\u00e3o para este ano foca no urbanismo t\u00e1tico na regi\u00e3o da Pra\u00e7a Daltro Filho; na requalifica\u00e7\u00e3o de 11 quil\u00f4metros de vias que impactam nos setores comercial e cultural, como as ruas dos Andradas e Riachuelo e a Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega, com superf\u00edcies niveladas utilizando blocos pr\u00e9-moldados e concreto; al\u00e9m de arboriza\u00e7\u00e3o e novos equipamentos p\u00fablicos. Ainda existem proje\u00e7\u00f5es incipientes sobre interfer\u00eancia em vias que aportam o transporte coletivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2 de mar\u00e7o de 2026, foi entregue, com atraso, a obra do <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/smoi\/noticias\/concluidas-obras-de-revitalizacao-do-quadrilatero-central\">Quadril\u00e1tero Central<\/a>, que teve in\u00edcio em 2022 e previa 18 meses de interdi\u00e7\u00e3o. O trabalho reformou 16 mil metros quadrados de cal\u00e7ada e 2,5 quil\u00f4metros de via. Segundo a Prefeitura de Porto Alegre, o servi\u00e7o consistiu em substituir pavimento; ilumina\u00e7\u00e3o, redes de \u00e1gua, esgoto e drenagem; alargar e reformar cal\u00e7adas; e instalar acessibilidade universal, mapas t\u00e1teis e sinaliza\u00e7\u00e3o. Foram implantados mobili\u00e1rio urbano (com floreiras, bancos e biciclet\u00e1rios) e infraestrutura de videomonitoramento. A obra tamb\u00e9m revitalizou a \u00e1rea Largo dos Medeiros e o DMAE substituiu 3,8 quil\u00f4metros de redes assentadas de abastecimento de \u00e1gua no Quadril\u00e1tero Central<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista, o assessor de rela\u00e7\u00f5es governamentais do Sindilojas Porto Alegre, Victor Pires, analisa esse cen\u00e1rio, os desafios e as apostas para o futuro do Centro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como voc\u00ea avalia hoje a situa\u00e7\u00e3o do Centro Hist\u00f3rico, do ponto de vista do com\u00e9rcio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A gente teve uma perda muito grande de consumidores. Primeiro por causa da pandemia, que afastou o trabalhador do Centro, seja pelo home office, seja pela sa\u00edda de pessoas da capital. Ent\u00e3o a\u00ed perdemos o consumidor funcional, que, enfim, por sua rotina de trabalho, de estudos, poderia vir para c\u00e1 e n\u00e3o vem mais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso impactou diretamente o com\u00e9rcio, principalmente lojas de ticket m\u00e9dio mais alto. E depois vieram as enchentes de 2024, que foram um segundo choque.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, curiosamente, o p\u00f3s-enchente tamb\u00e9m trouxe uma mudan\u00e7a positiva: houve redu\u00e7\u00e3o no valor dos alugu\u00e9is e isso abriu espa\u00e7o para novos neg\u00f3cios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ent\u00e3o h\u00e1 uma recupera\u00e7\u00e3o em curso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, principalmente com o surgimento de novos empreendimentos, muitos deles no setor de alimenta\u00e7\u00e3o. Esses neg\u00f3cios geram no seu entorno uma revitaliza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, porque eu tenho um p\u00fablico diferente, que vem ao Centro n\u00e3o s\u00f3 por trabalho, mas por experi\u00eancia,e isso acaba irradiando movimento para outras lojas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Que tipo de neg\u00f3cios est\u00e3o surgindo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estamos vendo padarias, caf\u00e9s, confeitarias e lojas de produtos aliment\u00edcios. Esses pequenos \u201cpolos\u201d de alimenta\u00e7\u00e3o criam um efeito de revitaliza\u00e7\u00e3o no entorno, atraindo fluxo e estimulando outros tipos de com\u00e9rcio. E, claro, o chamariz, que \u00e9 o Mercado P\u00fablico, com uma nova gama de restaurantes e o Viaduto da Ot\u00e1vio Rocha, onde ter\u00e1 um foco grande tamb\u00e9m em alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais s\u00e3o hoje os principais entraves para os lojistas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O maior desafio n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 do Centro, \u00e9 global: a mudan\u00e7a no comportamento do consumidor. Hoje, o cliente pesquisa online antes de comprar. A compra por oportunidade, de quem passa na frente da loja, diminuiu muito. E o Centro depende justamente desse fluxo espont\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como competir com esse novo comportamento?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O caminho \u00e9 repensar o Centro como um espa\u00e7o de moradia, trabalho e consumo, n\u00e3o s\u00f3 de passagem. O grande projeto que os lojistas veem para o futuro do Centro Hist\u00f3rico, como solu\u00e7\u00e3o dessa dor, \u00e9 atrair moradores. Eles querem muito que as pessoas venham morar no Centro, porque isso garante movimento constante, inclusive \u00e0 noite e nos fins de semana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Centro j\u00e1 vive essa recupera\u00e7\u00e3o ou ainda \u00e9 um processo inicial?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os projetos come\u00e7aram e essas grandes obras s\u00e3o importantes, mas s\u00e3o s\u00f3 o come\u00e7o. Quando terminarem, \u00e9 necess\u00e1rio que comece toda uma rotina de pequenas obras e pequenas interven\u00e7\u00f5es, porque eu t\u00f4 falando de um espa\u00e7o onde circulam milhares de pessoas todos os dias, que \u00e9 estressado em n\u00edvel de barulho, de som, de ve\u00edculos, de produ\u00e7\u00e3o de res\u00edduos, de enfim, de consumo de todo tipo de natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele precisa de interven\u00e7\u00f5es muito cont\u00ednuas. Todos esses projetos, o Centro Mais, a revitaliza\u00e7\u00e3o do Quadril\u00e1tero, foram importantes para deixar o plano limpo. A partir daqui a gente come\u00e7a a construir algo melhor, porque, de fato, o modelo estava inviabilizando alguns tipos de neg\u00f3cio. Voc\u00ea n\u00e3o tinha a m\u00ednima estrutura na frente da tua loja para conseguir receber um cliente.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos do entendimento de que o Centro n\u00e3o pode ser abandonado de novo. O essencial agora \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o cont\u00ednua: limpeza, ilumina\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e cuidado di\u00e1rio com o espa\u00e7o urbano. Sem isso, n\u00e3o se sustenta nenhuma revitaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como \u00e9 o di\u00e1logo com a prefeitura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 aberto e frequente. O Sindilojas atua como ponte entre lojistas e poder p\u00fablico. Houve reuni\u00f5es, ajustes em projetos e at\u00e9 mudan\u00e7as a partir de demandas dos comerciantes, como melhorias nas obras para reduzir impactos no com\u00e9rcio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o com gentrifica\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o central neste momento. Tudo que a gente tem visto do pr\u00f3prio processo de revitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 de que sim, somos capazes de renovar os espa\u00e7os p\u00fablicos, de dar mais qualidade para quem consome, trabalha e passa por ali diariamente, e preservar o que j\u00e1 existe. N\u00e3o vimos nenhuma modifica\u00e7\u00e3o nesses novos neg\u00f3cios que chegaram, de serem varejistas muito diferentes do p\u00fablico que j\u00e1 existe aqui.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual \u00e9 o modelo ideal de Centro Hist\u00f3rico?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma mistura de tudo:&nbsp; com\u00e9rcio, cultura, turismo e moradia. \u00c9 isso que pode criar um ambiente vivo e sustent\u00e1vel ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eventos culturais, como Feira do Livro, ajudam a dar visibilidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muito. Eles mostram o potencial do Centro. Mas o desafio \u00e9 n\u00e3o depender s\u00f3 desses picos. O ideal \u00e9 ter um fluxo constante de pessoas todos os dias. \u00c9 a cultura que atrai turismo, que atrai novos tipos de neg\u00f3cios, de economia criativa e de utiliza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico de uma forma mais inteligente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que \u00e9 mais promissor, hoje, para a recupera\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os projetos de retrofit, que transformam pr\u00e9dios comerciais em residenciais. Isso permite trazer moradores sem precisar reconstruir o Centro,&nbsp; aproveitando a estrutura j\u00e1 existente. Como eu disse, os eventos d\u00e3o picos, mas para manter o plat\u00f4 alto eu preciso de moradores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 desafios muito grandes nisso, n\u00e9? Os empreendimentos que hoje t\u00eam esse tipo de projeto discutem muito para serem financeiramente vi\u00e1veis, porque voc\u00ea precisa fazer toda uma adequa\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o comercial para o pr\u00e9dio poder receber um morador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em quanto tempo veremos resultados concretos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que em 5 anos j\u00e1 deva ser poss\u00edvel ver uma mudan\u00e7a significativa. Para uma revitaliza\u00e7\u00e3o mais completa, o prazo \u00e9 de 5 a 10 anos, com continuidade das a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A popula\u00e7\u00e3o ainda acredita no Centro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quem n\u00e3o frequenta tem uma vis\u00e3o mais negativa,mas quem mora ou trabalha na regi\u00e3o quer muito essa recupera\u00e7\u00e3o. Existe um desejo real de ver o Centro voltar a ser um espa\u00e7o vivo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ber\u00e7o da capital ga\u00facha, o Centro Hist\u00f3rico de Porto Alegre j\u00e1 foi sin\u00f4nimo de efervesc\u00eancia econ\u00f4mica, pol\u00edtica e cultural. Ao longo do s\u00e9culo XX, o bairro concentrou sedes de bancos, reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, com\u00e9rcio forte e intensa circula\u00e7\u00e3o de pessoas. Por\u00e9m, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o Centro passou a conviver com im\u00f3veis ociosos, redu\u00e7\u00e3o de moradores e &#8230; <a title=\"\u201cO Centro n\u00e3o pode ser abandonado de novo\u201d, diz assessor do Sindilojas sobre planos para o futuro de Porto Alegre\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2026\/05\/11\/o-centro-nao-pode-ser-abandonado-de-novo-diz-assessor-do-sindilojas-sobre-planos-para-o-futuro-de-porto-alegre\/\" aria-label=\"More on \u201cO Centro n\u00e3o pode ser abandonado de novo\u201d, diz assessor do Sindilojas sobre planos para o futuro de Porto Alegre\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":37,"featured_media":29083,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[224],"tags":[1036,970,1038,23,1039],"class_list":["post-29082","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-humanistaentrevista","tag-centro","tag-cidades","tag-desenvolvimento","tag-porto-alegre","tag-urbana"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29082","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/37"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29082"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29082\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29088,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29082\/revisions\/29088"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29083"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29082"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29082"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29082"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}