﻿{"id":29254,"date":"2026-05-19T17:47:16","date_gmt":"2026-05-19T20:47:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=29254"},"modified":"2026-05-19T17:47:18","modified_gmt":"2026-05-19T20:47:18","slug":"homens-brancos-dominam-as-paradas-musicais-por-streaming","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2026\/05\/19\/homens-brancos-dominam-as-paradas-musicais-por-streaming\/","title":{"rendered":"Homens brancos dominam as paradas musicais por streaming"},"content":{"rendered":"\n<p>Um levantamento realizado durante quatro semanas confirma que os <strong>brancos s\u00e3o a maioria<\/strong> entre os artistas que comp\u00f5em o top 10 das duas principais paradas musicais do pa\u00eds. No <strong>Spotify<\/strong> <strong>Brasil,<\/strong> <strong>dois a cada tr\u00eas artistas s\u00e3o brancos<\/strong> (66,67%)<strong>. <\/strong>J\u00e1 no <strong>YouTube Brasil<\/strong>, <strong>quatro a cada dez cantores s\u00e3o brancos<\/strong> (43,24%). Al\u00e9m disso, a presen\u00e7a de artistas masculinos no topo \u00e9 muito maior. No Spotify, nove a cada dez s\u00e3o <strong>homens<\/strong> (91,89%) e, no YouTube, o g\u00eanero masculino ainda predomina, com oito a cada dez artistas<strong> <\/strong>(85,2%).<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dados contrastam com o que aponta o Censo de 2022, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), segundo o qual 51,5% do pa\u00eds \u00e9 composto por mulheres e a maioria dos brasileiros, cerca de 45,3%, se considera parda. Essas informa\u00e7\u00f5es revelam como a realidade cultural brasileira contrasta com os perfis de artistas que tomam seu lugar no topo dos <em>charts<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com uma riqueza de ritmos no territ\u00f3rio nacional \u2013 como ax\u00e9, rap, samba, MPB e funk \u2013, n\u00e3o se enxerga uma representa\u00e7\u00e3o diversificada desses g\u00eaneros musicais no top 10 das plataformas. No cen\u00e1rio art\u00edstico atual, domina no Spotify Brasil o <strong>sertanejo <\/strong>e, no YouTube Brasil, o <strong>pagode<\/strong>. Cada um deles conta com, respectivamente, <strong>43,75%<\/strong> e<strong> 28,57% <\/strong>das dez primeiras m\u00fasicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00faltimo dado coletado foi em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s regi\u00f5es de origem dos artistas mais ouvidos no pa\u00eds. No Spotify, sete a cada dez artistas s\u00e3o <strong>sudestinos <\/strong>(70,37%). No YouTube, a metade dos artistas s\u00e3o da regi\u00e3o Sudeste (50%). Esse \u00e9 o \u00fanico dado nacional que corresponde ao padr\u00e3o de escuta dos brasileiros, j\u00e1 que o Sudeste, habitado por cerca de 84,8 milh\u00f5es de pessoas, \u00e9 a regi\u00e3o mais populosa do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 uma hegemonia branca no top 10<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para a reportagem, foi realizado um levantamento a partir de dados coletados pelo site Chart Metric. Foram analisados o top 10 do top 50 semanal do Spotify Brasil e do YouTube Brasil durante as quatro semanas de outubro. Ressalta-se que o per\u00edodo de um m\u00eas n\u00e3o reflete o hist\u00f3rico de escuta anual dos brasileiros, que deve fornecer dados mais aprofundados. Al\u00e9m disso, embora exista a categoria de clipes musicais do YouTube no site Chart Metric, os c\u00e1lculos consideram apenas as faixas. A base foi constru\u00edda a partir dos seguintes dados: g\u00eanero dos artistas (considerando duplas ou grupos musicais como um artista s\u00f3), regi\u00f5es de onde v\u00eam (considerando duplas ou grupos musicais como um artista s\u00f3), g\u00eanero das m\u00fasicas e, por fim, a etnia de cada um dos artistas (considerando cada um de forma individual)..<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira observa\u00e7\u00e3o \u00e9 a domin\u00e2ncia de artistas brancos. Mesmo que estejam em menor parte na popula\u00e7\u00e3o brasileira, sendo o segundo maior grupo \u00e9tnico do pa\u00eds, eles s\u00e3o maioria nas paradas musicais. Dentre os 36 artistas que circularam pelo topo das paradas (que variaram entre as duas plataformas), no Spotify, <strong>66,67%<\/strong> deles s\u00e3o brancos. No YouTube, a diferen\u00e7a \u00e9 menor, de <strong>43,24%.<\/strong> A segunda coloca\u00e7\u00e3o, em ambos os casos, pertence aos artistas negros (pretos ou pardos), que somam <strong>27,02% <\/strong>no YouTube e <strong>13,89%<\/strong> no Spotify.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Isabel Nogueira, doutora em Musicologia pela Universidade Aut\u00f4noma de Madri e professora no Instituto de Artes da UFRGS, essa prefer\u00eancia dos brasileiros por artistas homens, principalmente brancos, \u00e9 vista em todos os lugares da m\u00fasica: \u201cMe parece uma reafirma\u00e7\u00e3o desses lugares de exclus\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a professora, o homem branco \u00e9 visto, na perspectiva social, num local de neutralidade, que o permite falar para todas as pessoas e refletir todas as realidades. Al\u00e9m disso, a perman\u00eancia de artistas masculinos brancos no topo das paradas est\u00e1 diretamente ligada ao investimento, que \u00e9 drasticamente maior para essa faixa da popula\u00e7\u00e3o, quando comparado a artistas mulheres, negros ou trans.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A sub-representa\u00e7\u00e3o dessa camada social passa a mensagem de que o topo das paradas n\u00e3o \u00e9 um lugar para essas pessoas. \u201cQuando a gente tem uma reitera\u00e7\u00e3o de algumas pessoas e alguns padr\u00f5es, a gente vai refor\u00e7ar as invisibiliza\u00e7\u00f5es\u201d, afirma Isabel.<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a entre a aceita\u00e7\u00e3o cultural da participa\u00e7\u00e3o do homem branco e demais artistas na ind\u00fastria musical est\u00e1 ligada a diversos preconceitos, como machismo e racismo. Nesse cen\u00e1rio, o objetivo social \u00e9 refor\u00e7ar nichos e vis\u00f5es de mundo, colocando algumas perspectivas e narrativas como mais importantes do que outras. Neste caso, o ponto de vista e, consequentemente, o espa\u00e7o do homem branco, se torna predominante em rela\u00e7\u00e3o aos dos demais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para cidad\u00e3os que se enxergam nesse local de invisibiliza\u00e7\u00e3o, a busca por financiamento externo, proveniente de empresas privadas, pode ser o \u00fanico caminho poss\u00edvel para financiar a carreira art\u00edstica. Dentre eles est\u00e3o editais musicais, como o realizado pela <a href=\"https:\/\/www.natura.com.br\/blog\/mais-natura\/natura-musical-ha-20-anos-nos-encontramos-na-musica?iprom_id=ne-naturamusical_categorychoice&amp;iprom_name=destaque3_blog-musical-20-anos_05052025&amp;iprom_creative=materia_saiba-mais_musical&amp;iprom_pos=1\">Natura<\/a>, que foi respons\u00e1vel por patrocinar mais de 600 projetos com cerca de R$ 200 milh\u00f5es em 20 anos. Alguns artistas beneficiados pelo projeto foram <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/musica\/natura-musical-vai-patrocinar-discos-de-ava-rocha-jards-macale-carne-doce-liniker-entre-outros-22124527\">Liniker<\/a> e <a href=\"https:\/\/portalpopline.com.br\/natura-musical-anuncia-os-41-artistas-bandas-e-coletivos-contemplados-em-2020-conheca\/\">Emicida<\/a> que, hoje, contam com amplo alcance nacional.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"794\" height=\"868\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.28.57.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29257\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.28.57.jpeg 794w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.28.57-274x300.jpeg 274w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.28.57-768x840.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 794px) 100vw, 794px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"794\" height=\"868\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.29.48-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29258\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.29.48-1.jpeg 794w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.29.48-1-274x300.jpeg 274w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.29.48-1-768x840.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 794px) 100vw, 794px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mesmo mulheres sendo a maioria, homens dominam o topo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os 10 primeiros colocados no Spotify Brasil e YouTube Brasil durante quatro semanas, nove (<strong>91,89%<\/strong>) e oito a cada dez (<strong>85,2%)<\/strong> dos artistas, respectivamente, <strong>s\u00e3o homens<\/strong>. Esse n\u00famero \u00e9 muito superior ao \u00edndice de 48,5% de homens brasileiros, definido pelo Censo de 2022.<br>Essa discrep\u00e2ncia na participa\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres no topo das paradas pode ser vista nas demais \u00e1reas musicais: conforme a quinta edi\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio \u201c<a href=\"https:\/\/www4.ecad.org.br\/noticias\/mulheres-na-musica-ecad-lanca-relatorio-com-panorama-nacional-do-mercado-feminino\/\">Mulheres na M\u00fasica<\/a>\u201d, realizado pelo Escrit\u00f3rio Central de Arrecada\u00e7\u00e3o e Distribui\u00e7\u00e3o (Ecad), elas receberam 8% do total distribu\u00eddo em direitos autorais durante o ano de 2024. Ainda segundo o levantamento, entre as 100 m\u00fasicas mais tocadas em shows nesse mesmo ano, apenas 16 t\u00eam participa\u00e7\u00e3o feminina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outros estudos s\u00e3o mais otimistas, mas ainda assim comprovam a desigualdade de g\u00eanero na ind\u00fastria musical. Uma <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/patrocinado\/dino\/noticia\/2025\/02\/28\/mulheres-avancam-mas-ainda-sao-minoria-na-musica.ghtml\">pesquisa realizada pela USC Annenberg em 2024<\/a>, em parceria com o Spotify, demonstrou que 37,7% dos artistas na Billboard Hot 100 Year-End Chart eram mulheres, o que representa um aumento percentual de 2,7% em rela\u00e7\u00e3o a 2023. Por\u00e9m, somente 6,5% dos produtores musicais no mundo s\u00e3o mulheres e menos de 3% delas se envolveram com as 800 m\u00fasicas mais relevantes dos \u00faltimos 10 anos. Isso demonstra que a desigualdade de g\u00eanero na m\u00fasica n\u00e3o acontece apenas no Brasil: \u00e9 um problema mundial.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"794\" height=\"529\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.30.22.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29259\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.30.22.jpeg 794w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.30.22-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.30.22-768x512.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 794px) 100vw, 794px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tabela indica que maior parte dos artistas que dominaram as dez primeiras coloca\u00e7\u00f5es semanais do Spotify Brasil s\u00e3o homens<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"794\" height=\"529\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.31.54.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29260\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.31.54.jpeg 794w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.31.54-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.31.54-768x512.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 794px) 100vw, 794px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Dados mostram g\u00eaneros dos artistas musicais que estiveram no top 10 semanal do YouTube em 4 semanas seguidas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Poucos g\u00eaneros musicais prevalecem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em um pa\u00eds t\u00e3o vasto e diverso, \u00e9 comum que in\u00fameros g\u00eaneros musicais apare\u00e7am e se desenvolvam. Embora o Brasil seja rico em ritmos, a predomin\u00e2ncia do sertanejo \u00e9 evidente: das 16 m\u00fasicas que circularam pelo top 10 do Spotify Brasil, sete eram do sertanejo, o que representa <strong>43,75%.<\/strong> A diferen\u00e7a entre os outros ritmos \u00e9 grande: em segundo lugar, ficou o funk, com quatro coloca\u00e7\u00f5es (<strong>25%<\/strong>), seguido do pagode, com dois (<strong>12,5%<\/strong>), e finalizados com o pop e o forr\u00f3, com uma m\u00fasica cada (<strong>6,25%<\/strong>).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, no YouTube, esses n\u00fameros diferem. Das 14 m\u00fasicas que dominaram o top 10 do YouTube Brasil (considerando faixas, n\u00e3o clipes), quatro eram pagode e tr\u00eas, funk, o que representa <strong>28,57%<\/strong> e <strong>21,43%,<\/strong> respectivamente. O sertanejo aparece somente na terceira coloca\u00e7\u00e3o, empatado com o forr\u00f3, com duas m\u00fasicas no topo das paradas (<strong>14,2%<\/strong>). Por fim, o pop conquistou uma coloca\u00e7\u00e3o em cada um dos charts. J\u00e1 o trap e o K-pop tamb\u00e9m apareceram uma vez, mas somente no YouTube Brasil. Cada um desses \u00faltimos g\u00eaneros foi respons\u00e1vel por <strong>7,14% <\/strong>das m\u00fasicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Isabel, a preval\u00eancia do sertanejo no Spotify est\u00e1 relacionada aos maiores investimentos desse g\u00eanero musical, principalmente gra\u00e7as ao agroneg\u00f3cio e aos investimentos em shows, como a \u201cEmenda Pix\u201d, que permite a prefeitos usarem verbas federais sem precisar prestar contas. \u201cO lugar que tem um investimento financeiro vai ter uma maior potencialidade\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esses recursos t\u00eam frequentemente financiado shows de pequenas cidades que, por vezes, passam por dificuldade em infraestrutura. Os cantores e duplas sertanejas tendem a ser as atra\u00e7\u00f5es principais dessas apresenta\u00e7\u00f5es. Em 2022, por exemplo, a cidade de Mar Vermelho (AL), com 3.155 habitantes, investiu R$ 370 mil em um <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/politica\/ultimas-noticias\/2022\/06\/06\/cidade-mar-vemelho-show-luan-santana-verba-renan-calheiros.htm\">show do Luan Santana<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa realizada pelo N\u00facleo de Dados do EM comprovou que, entre 2023 e 2025, 33 cidades mineiras sem hospital gastaram R$ 8,1 milh\u00f5es em emendas Pix para pagar shows que, em sua maioria, contavam com grandes artistas sertanejos. Entre essas cidades, o maior gasto fica para Alpercata (MG), com <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/politica\/2025\/10\/7269731-cidades-sem-hospital-gastaram-milhoes-de-emendas-pix-em-shows.html#google_vignette\">R$ 860 mil<\/a>, em um show que contava com a dupla Israel &amp; Rodolffo.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Central das Emendas \u2013 site dedicado ao monitoramento e transpar\u00eancia das emendas parlamentares \u2013, o valor em emendas Pix saiu de <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/republica\/emendas-pix-aumentam-2000-duvidas-transparencia-dinheiro-publico\/\">R$ 615,87 milh\u00f5es para R$ 7,65 bilh\u00f5es<\/a> de 2020 a 2024. Somente neste \u00faltimo, foram <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2025\/09\/15\/em-um-unico-dia-governo-paga-r-23-bilhoes-em-emendas-pix-apos-desembarque-de-uniao-e-pp.ghtml\">R$ 3,4 bilh\u00f5es<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Isabel, a maioria esmagadora do sertanejo no Spotify tamb\u00e9m serve para \u201cconfirmar o c\u00e2none\u201d, j\u00e1 que a repeti\u00e7\u00e3o desses perfis faz com que eles sejam vistos como a norma: \u201cIsso se aplica principalmente no sertanejo, que tamb\u00e9m tem essa ideia de reafirmar padr\u00f5es vigentes\u201d, define. Afinal, embora a ind\u00fastria criativa seja muito diversa, boa parte dos artistas, como mulheres, pessoas negras ou cantores de g\u00eaneros considerados perif\u00e9ricos, recebem ainda menos investimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.32.03-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29261\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.32.03-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.32.03-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.32.03-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.32.03-1536x864.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.32.03-1500x844.jpeg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.32.03.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Nos gr\u00e1ficos, \u00e9 poss\u00edvel perceber maior frequ\u00eancia de determinados g\u00eaneros musicais em compara\u00e7\u00e3o a outros nas faixas do top 10 do YouTube e Spotify Brasil.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Entre os artistas mais populares nas duas paradas est\u00e3o nomes como Z\u00e9 Felipe, cantor sertanejo que aparece uma vez no YouTube e no Spotify, e Menos \u00e9 Mais, grupo de pagode que desponta duas vezes em ambos. Dentre outros cantores de sertanejo que s\u00e3o vistos em ambas as plataformas, est\u00e3o Diego e Victor Hugo e Simone Mendes. Para fins de compara\u00e7\u00e3o entre os g\u00eaneros musicais, foi selecionada a semana do dia nove a 16 de outubro.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.33.23-1024x575.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29262\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.33.23-1024x575.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.33.23-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.33.23-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.33.23.jpeg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.34.02-1024x575.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29263\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.34.02-1024x575.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.34.02-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.34.02-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.34.02.jpeg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sudestinos s\u00e3o a maioria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foi observado que, em ambos os charts, cinco a cada dez artistas do top 10 s\u00e3o de origem sudestina. No Spotify Brasil, isso equivale a <strong>51,85% <\/strong>e, no YouTube Brasil, <strong>53,85%<\/strong>, demonstrando a hegemonia da regi\u00e3o no cen\u00e1rio musical brasileiro. Esse \u00e9 o \u00fanico dado da pesquisa que reflete os n\u00fameros do Censo de 2022, j\u00e1 que, naquele ano, foi constatado que a regi\u00e3o Sudeste \u00e9 habitada por <strong>41,8%<\/strong> da popula\u00e7\u00e3o nacional, sendo a mais populosa do pa\u00eds. Em segundo lugar, por\u00e9m, os levantamentos diferem: no Spotify, a regi\u00e3o Centro-Oeste fica com 22,21% de artistas e, no YouTube, o Nordeste fica com 21,98%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u201c<em>charts\u201d<\/em> do YouTube, um dos artistas \u00e9 de origem desconhecida; por isso, ele foi desconsiderado na contagem. Um destaque para ambas as paradas \u00e9 que elas contaram com artistas estrangeiras no top 10, sendo elas Taylor Swift, que permaneceu por uma semana no Spotify Brasil, e o grupo feminino de K-pop HUNTR\/X, que se manteve no top 10 do YouTube Brasil pelo mesmo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"794\" height=\"426\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.34.32-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29264\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.34.32-1.jpeg 794w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.34.32-1-300x161.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.34.32-1-768x412.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 794px) 100vw, 794px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Regi\u00f5es de origem dos artistas do top 10 semanal do Spotify Brasil &#8211; dados entre os dias 2\/10 a 30\/10)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"826\" height=\"417\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.34.32.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29265\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.34.32.jpeg 826w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.34.32-300x151.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-19-at-14.34.32-768x388.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 826px) 100vw, 826px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Regi\u00f5es de origem dos artistas do top 10 semanal do YouTube Brasil &#8211; dados entre os dias 2\/10 a 30\/10)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>As diferen\u00e7as entre os artistas que dominam as paradas e o perfil da maioria da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o aponta apenas uma incongru\u00eancia, como tamb\u00e9m demonstra como a prefer\u00eancia musical por determinados perfis pode se tornar um reflexo de preconceitos enraizados na nossa sociedade. Afinal, o top 10 do Spotify e do YouTube Brasil s\u00e3o compostos, em sua maioria, por homens e pessoas brancas, apesar da maior parte do pa\u00eds ser composta por mulheres e pessoas negras (pretas ou pardas), o que evidencia como os nossos padr\u00f5es de escuta podem refor\u00e7ar hierarquias culturais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante ressaltar, no entanto, que os algoritmos podem intensificar esses padr\u00f5es, j\u00e1 que eles buscam recomendar artistas do mesmo g\u00eanero musical de prefer\u00eancia do usu\u00e1rio, o que leva as pessoas a ouvirem o que j\u00e1 est\u00e3o habituadas. Um relat\u00f3rio lan\u00e7ado em 2024 pela <a href=\"https:\/\/www.tenhomaisdiscosqueamigos.com\/2024\/03\/15\/impacto-algoritmo-spotify-industria-musical\/\">Your Music Marketing,<\/a> por exemplo, afirmou que 18% das m\u00fasicas ouvidas no Spotify desde 2015 vieram de playlists algor\u00edtmicas. Isso significa que uma a cada cinco m\u00fasicas ouvidas no Spotify foram recomendadas com base nos padr\u00f5es de escuta dos usu\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, para tornar as paradas um reflexo da diversidade que permeia o Brasil, \u00e9 necess\u00e1rio desafiar nossos h\u00e1bitos musicais cada vez mais. Conhecer artistas diferentes, tanto atrav\u00e9s de plataformas musicais quanto em shows, \u00e9 um passo necess\u00e1rio para trazer maior visibilidade a parcelas da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o vistas quanto outras.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Reportagem originalmente produzida na disciplina Ciberjornalismo III do curso de Jornalismo da Fabico\/UFRGS no semestre letivo 2025\/2, sob a orienta\u00e7\u00e3o do professor Marcelo Tr\u00e4sel.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um levantamento realizado durante quatro semanas confirma que os brancos s\u00e3o a maioria entre os artistas que comp\u00f5em o top 10 das duas principais paradas musicais do pa\u00eds. No Spotify Brasil, dois a cada tr\u00eas artistas s\u00e3o brancos (66,67%). J\u00e1 no YouTube Brasil, quatro a cada dez cantores s\u00e3o brancos (43,24%). Al\u00e9m disso, a presen\u00e7a &#8230; <a title=\"Homens brancos dominam as paradas musicais por streaming\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2026\/05\/19\/homens-brancos-dominam-as-paradas-musicais-por-streaming\/\" aria-label=\"More on Homens brancos dominam as paradas musicais por streaming\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":38,"featured_media":29255,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1032,55],"tags":[298,367],"class_list":["post-29254","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagem-humanista","category-cultura","tag-cultura","tag-musica-2"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29254","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/38"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29254"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29254\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29266,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29254\/revisions\/29266"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29255"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29254"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29254"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29254"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}