﻿{"id":30097,"date":"2026-09-29T18:45:00","date_gmt":"2026-09-29T21:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=30097"},"modified":"2026-09-29T18:49:49","modified_gmt":"2026-09-29T21:49:49","slug":"autoritarismo-de-trump-influencia-outros-governos-anti-democraticos-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2026\/09\/29\/autoritarismo-de-trump-influencia-outros-governos-anti-democraticos-na-america-latina\/","title":{"rendered":"Autoritarismo de Trump influencia outros governos anti-democr\u00e1ticos na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p>Quase dois anos ap\u00f3s voltar \u00e0 Casa Branca para seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump transformou o autoritarismo em uma das principais marcas de seu governo. Para al\u00e9m de tentativas de <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/internacional\/trump-alega-fraude-em-eleicoes-de-2020-pelo-menos-107-vezes-em-seis-meses\/\">descredibilizar os sistemas de vota\u00e7\u00e3o<\/a>, ele tem utilizado seu poder para intimidar jornalistas, <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/2026\/07\/11\/governo-trump-intima-jornalistas-do-nyt-por-reportagem-sobre-o-novo-aviao-presidencial.ghtml\">inclusive judicialmente<\/a>, amea\u00e7ar o financiamento de universidades e driblar o Congresso americano por meio de decretos, entre outras medidas. Ainda, tem utilizado for\u00e7as de seguran\u00e7a para perseguir imigrantes por meio de de encarceramento e deporta\u00e7\u00f5es em massa, o que representa, segundo organiza\u00e7\u00f5es internacionais, <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/ag%C3%AAncia-anti-imigra%C3%A7%C3%A3o-de-trump-acumula-den%C3%BAncias-de-abusos\/a-74702818\">viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessas constata\u00e7\u00f5es, a reportagem do <strong>Humanista<\/strong> se perguntou como o cen\u00e1rio nos Estados Unidos impacta outros pa\u00edses. Para responder, procurou quatro especialistas, os quais avaliam que a fragiliza\u00e7\u00e3o da democracia norte-americana transborda para o ecossistema global, e que h\u00e1 um avan\u00e7o de medidas autorit\u00e1rias ao redor do mundo nos \u00faltimos anos. Eles explicam o conceito de autoritarismo, o papel de Trump para sua difus\u00e3o, especialmente na Am\u00e9rica Latina, e quais s\u00e3o as perspectivas para os pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Entendendo o autoritarismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para o professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e doutor em Filosofia Jo\u00e3o Henrique Salles Jung, a concentra\u00e7\u00e3o de poder \u00e9 o principal pilar de um governo autorit\u00e1rio. Segundo ele, esse tipo de governo se posiciona como independente, no sentido de que se apresenta como se n\u00e3o precisasse de nenhum outro agente pol\u00edtico para governar al\u00e9m de si mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTenta-se deslegitimar outras fontes de poder para tentar centraliz\u00e1-lo em uma \u00fanica fonte&#8221;, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>Doutora em Ci\u00eancia Pol\u00edtica e professora do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Tatiana Vargas-Maia explica que esses governos, por meio de suas a\u00e7\u00f5es, \u201climitam n\u00e3o apenas a atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica cr\u00edtica dos demais cidad\u00e3os, mas muitas vezes incorrem no exerc\u00edcio arbitr\u00e1rio desse poder, infringindo os direitos de cidadania&#8221;. Ela destaca, entre os direitos que se tornam alvos mais comuns, o voto, a oposi\u00e7\u00e3o ao governo e julgamentos justos.<\/p>\n\n\n\n<p>Vargas-Maia adiciona que o formato mais tradicional de golpe de Estado tem sido substitu\u00eddo pelo que a cientista pol\u00edtica norte-americana Wendy Brown caracteriza como <em>coup in <\/em>(golpe para dentro, em tradu\u00e7\u00e3o livre):&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsses l\u00edderes n\u00e3o-democr\u00e1ticos e com tend\u00eancias autorit\u00e1rias se utilizam mecanismos eleitorais de sistemas democr\u00e1ticos para chegar no poder legitimamente, e depois come\u00e7am a erodir por dentro essas institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. N\u00e3o \u00e9 uma coisa que acontece da noite para o dia, s\u00e3o processos de m\u00e9dio e longo prazo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para viabilizar essa eros\u00e3o, segundo a professora, os l\u00edderes autorit\u00e1rios exercem controle sobre as discuss\u00f5es a respeito de suas a\u00e7\u00f5es, deslegitimando aqueles que se op\u00f5em a elas. Isso se manifesta por meio de ataques \u00e0 imprensa, descr\u00e9dito de investiga\u00e7\u00f5es e \u2013 um exemplo conhecido dos brasileiros e dos norte-americanos \u2013 a ideia de que derrotas eleitorais s\u00e3o explicadas por fraudes nas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c[<em>Os l\u00edderes autorit\u00e1rios<\/em>] trabalham na tentativa de espalhar e criar condi\u00e7\u00f5es para que nenhum dos mecanismos que s\u00e3o bastante fundamentais para o funcionamento de uma sociedade democr\u00e1tica seja reconhecido como leg\u00edtimo\u201d, observa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A influ\u00eancia dos EUA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O protagonismo pol\u00edtico dos Estados Unidos e sua imagem internacional como um \u201cfarol\u201d \u00e9 um dos fatores que ajudam a explicar sua influ\u00eancia sobre os demais governos. O professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais do Centro Universit\u00e1rio Ritter dos Reis (Uniritter) e pesquisador associado do Instituto Sul-Americano de Pol\u00edtica e Estrat\u00e9gia (Isape) Jo\u00e3o Gabriel Burmann da Costa lembra que, tradicionalmente, os Estados Unidos eram vistos como defensores de ideais de democracia, liberdade econ\u00f4mica e respeito aos direitos humanos. Segundo Burmann, sobTrump, parecem ter abandonado esses ideais:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAp\u00f3s a primeira elei\u00e7\u00e3o de Trump, foi amplamente discutido este fim da ordem baseada nos valores da ONU (<em>Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/em>), valores que os pr\u00f3prios Estados Unidos defenderam fortemente nos anos 90 ap\u00f3s o fim da Guerra Fria&#8221;, diz o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa toada, Jung, da PUCRS, argumenta que o pa\u00eds \u00e9 visto como um \u201cterm\u00f4metro\u201d pol\u00edtico e econ\u00f4mico, e que \u201ch\u00e1 uma esteira de legitimidade a partir do momento em que Trump estabelece certos certos discursos, e n\u00e3o apenas discursos, como pr\u00e1ticas ligadas ao autoritarismo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso d\u00e1 legitimidade para que outros l\u00edderes possam agir semelhante utilizando-se dessa baliza dos pr\u00f3prios Estados Unidos, que \u00e9 a grande pot\u00eancia. E enquanto grande pot\u00eancia, ela condiciona os outros. Temos uma extrema direita que se v\u00ea balizada, se v\u00ea legitimada frente a Trump\u201d, defende.<\/p>\n\n\n\n<p>Professor de Direito e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na Universidade LaSalle e doutor em Filosofia, Fabr\u00edcio Pontin complementa que a postura de Trump \u201creduziu drasticamente o custo pol\u00edtico para que outros l\u00edderes adotassem medidas semelhantes&#8221;. Como consequ\u00eancia, outros governos com tend\u00eancias autorit\u00e1rias perceberam que \u201cpoderiam atropelar freios e contrapesos institucionais com ampla toler\u00e2ncia de seu eleitorado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 a exporta\u00e7\u00e3o da gram\u00e1tica trumpista para democracias mais fr\u00e1geis&#8221;, resume.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a professora Vargas-Maia, a centralidade dos Estados Unidos potencializa a circula\u00e7\u00e3o de ideias antidemocr\u00e1ticas dentro da l\u00f3gica da globaliza\u00e7\u00e3o. Assim, os ataques \u00e0 democracia, que antes precisavam ser justificados como exce\u00e7\u00f5es, passam a aparecer articulados como uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica plaus\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma das formas talvez mais expl\u00edcitas de pensar isso s\u00e3o essas <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cy74n45p7dyo\">campanhas contra o voto feminino, que est\u00e3o acontecendo principalmente no Brasil e nos Estados Unidos<\/a> nos \u00faltimos meses. Se h\u00e1 tr\u00eas&nbsp; anos qualquer um de n\u00f3s ouvisse a ideia de que tem algu\u00e9m defendendo a s\u00e9rio no Brasil ou nos Estados Unidos a restri\u00e7\u00e3o do direito ao voto para as mulheres, a gente ia achar a ideia absolutamente fora de lugar e inconceb\u00edvel. Por que que atualmente n\u00f3s conseguimos perceber pessoas discutindo essa ideia abertamente sem causar maior esc\u00e2ndalo em toda a sociedade?&#8221;, indaga a professora da UFRGS.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Am\u00e9rica Latina e Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A posi\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria do presidente dos Estados Unidos, portanto, transborda para al\u00e9m das fronteiras do pa\u00eds e espalha-se pela Am\u00e9rica Latina, especialmente em pa\u00edses alinhados ideologicamente a Trump. Conforme a<a href=\"https:\/\/www.hrw.org\/pt\/news\/2026\/02\/04\/americas-trumps-influence-prompts-abuses\"> organiza\u00e7\u00e3o internacional de direitos humanos Human Rights Watch<\/a>, \u201calguns governos da Am\u00e9rica Latina e do Caribe est\u00e3o violando os direitos de n\u00e3o cidad\u00e3os a pedido do governo Trump, enquanto outros est\u00e3o usando as pol\u00edticas e a ret\u00f3rica de Trump como pretexto para abusos contra seus pr\u00f3prios cidad\u00e3os\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a Am\u00e9rica Latina, Pontin, da Unilasalle, avalia que \u201ca gram\u00e1tica autorit\u00e1ria encontra um terreno historicamente f\u00e9rtil devido \u00e0s crises cr\u00f4nicas de representatividade e \u00e0 fragilidade de institui\u00e7\u00f5es que, em muitos pa\u00edses, ainda s\u00e3o relativamente jovens\u201d. Ele estabelece um paralelo entre governos autorit\u00e1rios recentes \u2013 Daniel Ortega (Nicar\u00e1gua), Javier Milei (Argentina), Nayib Bukele (El Salvador), al\u00e9m do ex-presidente Jair Bolsonaro \u2013, argumentando que todos esses exemplos exploram o esgotamento institucional para justificar a concentra\u00e7\u00e3o de poder.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTodos eles constru\u00edram suas narrativas em cima de crises reais, tipo hiperinfla\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia urbana end\u00eamica, corrup\u00e7\u00e3o estrutural ou fal\u00eancia partid\u00e1ria, para argumentar que o sistema de freios e contrapesos democr\u00e1tico \u00e9 um luxo ineficiente que impede a salva\u00e7\u00e3o nacional.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, Pontin explica que h\u00e1 uma diferen\u00e7a na porta de entrada e no m\u00e9todo de controle:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Bolsonaro tentou uma fus\u00e3o entre reacionarismo moral, nostalgia da ditadura militar e ultraliberalismo econ\u00f4mico, culminando na tentativa de ruptura aberta em 8 de janeiro.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Milei escora-se em uma ret\u00f3rica anarcocapitalista e na urg\u00eancia de um colapso financeiro iminente para governar atrav\u00e9s de megadecretos, justificando a repress\u00e3o de movimentos sociais como uma necessidade matem\u00e1tica para estabilizar o mercado e desmantelar o Estado de bem-estar.\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Bukele exerce um &#8220;autoritarismo de resultados&#8221;, gozando de popularidade astron\u00f4mica por ter entregue seguran\u00e7a p\u00fablica ao pre\u00e7o da suspens\u00e3o perp\u00e9tua de garantias fundamentais e do aparelhamento do Judici\u00e1rio.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>J\u00e1 Ortega, um ex-guerrilheiro sandinista, utilizou as regras democr\u00e1ticas para retornar ao poder e, metodicamente, desidratou todas as institui\u00e7\u00f5es ao longo de mais de uma d\u00e9cada, convertendo a Nicar\u00e1gua em uma ditadura cl\u00e1ssica onde opositores perdem at\u00e9 mesmo a sua nacionalidade.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A professora Tatiana Vargas-Maia refor\u00e7a que a hist\u00f3ria pol\u00edtica da Am\u00e9rica Latina \u00e9 marcada por viol\u00eancia e autoritarismo, e que as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas destes pa\u00edses, inclusive o Brasil, t\u00eam uma certa resili\u00eancia, mas \u201cconvivem com governos que est\u00e3o sistematicamente tentando concentrar poder, enfraquecer todos esses controles e mobilizar as sociedades contra essa ideia de um inimigo interno\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela traz dados do <a href=\"https:\/\/www.v-dem.net\/documents\/75\/V-Dem_Institute_Democracy_Report_2026_lowres.pdf\">Democracy Report 2026 do V-Dem<\/a> \u2013 projeto criado em 2014 na Universidade de Gotemburgo, na Su\u00e9cia, para conceituar, mensurar e analisar a qualidade da democracia globalmente \u2013 os quais mostram que, no final de 2025, o mundo tinha 92 autocracias e 87 democracias. Segundo o documento, quase tr\u00eas quartos da popula\u00e7\u00e3o mundial (74%, ou 6 bilh\u00f5es) viviam em autocracias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"458\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-34-1024x458.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-30099\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-34-1024x458.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-34-300x134.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-34-768x343.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-34-1536x687.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-34-1500x671.png 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-34.png 1968w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mapa mostra o \u00edndice de democracia liberal em 2025. Fonte: Democracy Report 2026 \/ V-Dem <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cNa Am\u00e9rica Latina, o enfraquecimento democr\u00e1tico que parecia ter se revertido com a virada pol\u00edtica no Brasil em 2023 est\u00e1 agora se acentuando novamente devido \u00e0 autocratiza\u00e7\u00e3o na Argentina e no M\u00e9xico. H\u00e1 quatro pa\u00edses em processo de democratiza\u00e7\u00e3o (ou 16% da regi\u00e3o): Bol\u00edvia, Brasil, Rep\u00fablica Dominicana e Guatemala. Bol\u00edvia, Brasil e Guatemala s\u00e3o exemplos de pa\u00edses que reverteram a autocratiza\u00e7\u00e3o. No entanto, a autocratiza\u00e7\u00e3o persiste em seis pa\u00edses (ou 24% da regi\u00e3o): Argentina, El Salvador, Haiti, M\u00e9xico, Nicar\u00e1gua e Peru\u201d, diz trecho do relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Perspectivas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, os quatro especialistas ouvidos apresentam avalia\u00e7\u00f5es pessimistas em rela\u00e7\u00e3o ao avan\u00e7o do autoritarismo nos pr\u00f3ximos anos. Burmann, da Uniritter, entende que o mundo est\u00e1 passando por uma s\u00e9rie de crises que tendem a tornar o anseio pelo autoritarismo algo permanente:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma crise que \u00e9 clim\u00e1tica e tamb\u00e9m econ\u00f4mica, em termos de um padr\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do capitalismo. S\u00e3o desafios n\u00e3o s\u00f3 da Am\u00e9rica Latina, mas tamb\u00e9m s\u00e3o enfrentados pelos pa\u00edses europeus, pelos pa\u00edses centrais, em que essas ideias autorit\u00e1rias, elas v\u00e3o ganhar muita for\u00e7a.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Um destes pa\u00edses \u00e9 a Alemanha, onde, no \u00faltimo dia 6, o partido AfD garantiu a <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/world\/germanys-far-right-afd-seeks-landmark-state-victory-saxony-anhalt-votes-2026-09-06\/\">primeira vit\u00f3ria da extrema-direita<\/a> em uma elei\u00e7\u00e3o estadual no pa\u00eds desde a derrota do nazismo e o fim da Segunda Guerra Mundial. Trump comemorou o acontecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eles finalmente se cansaram das regras e regulamenta\u00e7\u00f5es absolutamente horr\u00edveis sobre imigra\u00e7\u00e3o, que prejudicaram tanto a Alemanha. ELES EST\u00c3O EM ASCENS\u00c3O e n\u00e3o v\u00e3o mais aceitar isso!\u201d,<a href=\"https:\/\/truthsocial.com\/@realDonaldTrump\/posts\/117238047671794766\"> escreveu em sua rede social.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A ascens\u00e3o do partido, por\u00e9m, j\u00e1 vinha sendo observada em elei\u00e7\u00f5es anteriores e reflete uma Alemanha enfraquecida, incapaz de responder \u00e0s demandas da popula\u00e7\u00e3o, observa o professor Jo\u00e3o Jung. &#8220;\u00c9 um discurso que seria inimagin\u00e1vel at\u00e9 dez anos atr\u00e1s, mas que hoje est\u00e1 normalizado frente a uma popula\u00e7\u00e3o que demanda um menor n\u00famero de imigrantes, menos aux\u00edlios sociais e outras medidas que comp\u00f5em o cerco tradicional do autoritarismo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, ele lembra ainda da <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/2026\/07\/03\/keiko-fujimori-e-a-nova-presidente-eleita-do-peru-apos-proclamacao-do-resultado-pela-autoridade-eleitoral.ghtml\">vit\u00f3ria apertada de Keiko Fujimori no Peru <\/a>\u2013 governo que, caso se assemelhe ao de seu pai, o ditador Alberto Fujimori, tamb\u00e9m deve ser marcado pelo autoritarismo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAcho que o desafio das for\u00e7as democr\u00e1ticas comprometidas com a democracia \u00e9 complexo porque a gente n\u00e3o se dobra a fazer o jogo da simplifica\u00e7\u00e3o, das respostas simplificadoras que os projetos autorit\u00e1rios t\u00eam. Vamos pelo caminho da complexifica\u00e7\u00e3o, da educa\u00e7\u00e3o e do debate cr\u00edtico. Mas isso \u00e9 dif\u00edcil\u201d, finaliza o professor Jo\u00e3o Gabriel Burmann.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase dois anos ap\u00f3s voltar \u00e0 Casa Branca para seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump transformou o autoritarismo em uma das principais marcas de seu governo. 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