﻿{"id":30204,"date":"2026-10-14T23:40:29","date_gmt":"2026-10-15T02:40:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=30204"},"modified":"2026-10-14T23:40:31","modified_gmt":"2026-10-15T02:40:31","slug":"engenheiros-contratados-como-analistas-recorrem-a-justica-para-garantir-piso-salarial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2026\/10\/14\/engenheiros-contratados-como-analistas-recorrem-a-justica-para-garantir-piso-salarial\/","title":{"rendered":"Engenheiros contratados como \u201canalistas\u201d recorrem \u00e0 Justi\u00e7a para garantir piso salarial"},"content":{"rendered":"\n<p>Terceiriza\u00e7\u00e3o, pejotiza\u00e7\u00e3o, uberiza\u00e7\u00e3o\u2026 Essas <a href=\"https:\/\/www.migalhas.com.br\/depeso\/441665\/terceirizacao-pejotizacao-ou-uberizacao\">modalidades contempor\u00e2neas de contrata\u00e7\u00e3o<\/a> diferem no formato, mas, muitas vezes, escondem uma motiva\u00e7\u00e3o em comum: driblar direitos trabalhistas para baratear a m\u00e3o de obra. No \u201cdicion\u00e1rio\u201d da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, podemos inserir a \u201canalistiza\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 um termo ainda pouco utilizado, mas correspondente a uma pr\u00e1tica j\u00e1 bastante conhecida no mercado. A \u201canalistiza\u00e7\u00e3o\u201d ocorre quando empresas utilizam nomenclaturas gen\u00e9ricas para seus cargos, visando mascarar a verdadeira fun\u00e7\u00e3o de determinados empregados e restringir o acesso destes a direitos espec\u00edficos de sua categoria profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme demonstram diversos <a href=\"https:\/\/www.reddit.com\/u\/CrazyKaleidoscope122\/s\/YoDWZSLCxw\">f\u00f3runs de discuss\u00e3o online<\/a>, a \u201canalistiza\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 uma pr\u00e1tica recorrente entre profissionais da Engenharia. Isso porque a classe possui um piso salarial relativamente alto, definido por lei. De acordo com a especialista em Direito do Engenheiro <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/karlaschuvitola\/\">Karla Schumacher Vitola<\/a>, \u201cpara muitos empregadores, \u00e9 considerado um piso alto; mas n\u00e3o \u00e9, pela import\u00e2ncia que esse profissional tem na constru\u00e7\u00e3o de tudo que a gente conhece\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O piso salarial dos engenheiros, denominado tamb\u00e9m como sal\u00e1rio m\u00ednimo profissional (SMP), \u00e9 regulamentado pela <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l4950a.htm\">Lei n\u00ba 4.950-A<\/a>, que completou 60 anos em 2026. Com base na legisla\u00e7\u00e3o, engenheiros contratados sob regime celetista (CLT), que sejam diplomados em cursos de 4 anos ou mais, devem receber remunera\u00e7\u00e3o igual ou superior a 6 sal\u00e1rios m\u00ednimos para 6 horas di\u00e1rias de trabalho. Para per\u00edodos maiores, o texto determina um acr\u00e9scimo de 25% sobre o valor das horas excedentes \u2013 sendo assim, para jornadas de 7 e 8 horas, a remunera\u00e7\u00e3o m\u00ednima resulta em, respectivamente, 7,25 e 8,5 sal\u00e1rios m\u00ednimos. A regulamenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m inclui profissionais de Qu\u00edmica, Arquitetura, Agronomia e Veterin\u00e1ria; e ainda disp\u00f5e sobre o piso para profissionais diplomados em cursos de menos de 4 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria da Lei 4.950-A foi apresentada em 1961, pelo advogado e ent\u00e3o deputado federal Almino Affonso \u2013 que afirma ter sido inspirado por um coment\u00e1rio de seu amigo, o engenheiro e pol\u00edtico <a href=\"https:\/\/www.confea.org.br\/rubens-paiva-idealizou-lei-do-salario-minimo-profissional-0\">Rubens Paiva<\/a>. Em seu depoimento \u00e0 <a href=\"https:\/\/fisenge.org.br\/em-movimento-n-8\/\">revista Em Movimento n\u00ba 8<\/a>, Almino relata que estava exilado fora do Brasil em decorr\u00eancia da ditadura militar, quando a proposi\u00e7\u00e3o enfim se transformou em lei. A promulga\u00e7\u00e3o ocorreu em 1966, apesar da grande resist\u00eancia do setor empresarial e do veto presidencial de Humberto Castelo Branco \u2013 posteriormente derrubado pelo Congresso Nacional devido a press\u00f5es da categoria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDe l\u00e1 para c\u00e1, a luta foi muito dif\u00edcil para fazer com que essa lei fosse reconhecida\u201d, afirma o presidente do <a href=\"https:\/\/senge.org.br\/\">Sindicato dos Engenheiros do Estado do Rio Grande do Sul<\/a> (SENGE-RS), <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/cezar-henrique-ferreira-6b15ab232\/?skipRedirect=true\">Cezar Henrique Ferreira<\/a>. Ao longo de seus 60 anos de vig\u00eancia, a legisla\u00e7\u00e3o sofreu diversos ataques, incluindo propostas no Congresso que buscaram revog\u00e1-la, como o <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2207563\">PL 3451\/2019<\/a> ou a <a href=\"https:\/\/senge.org.br\/noticias\/relator-da-mp-1040-no-senado-emite-parecer-em-favor-da-manutencao-do-salario-minimo-dos-engenheiros\/\">MP 1040\/2021<\/a>. Fundado em 1942, o SENGE-RS p\u00f4de acompanhar a cria\u00e7\u00e3o da lei e, desde ent\u00e3o, vem se mobilizando em prol da manuten\u00e7\u00e3o e do cumprimento efetivo do piso salarial.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2022, a Lei 4.950-A sofreu um impacto significativo, por conta de uma&nbsp; <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/noticias\/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=482408&amp;ori=1\">decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal<\/a>. Na ocasi\u00e3o, estavam em julgamento tr\u00eas a\u00e7\u00f5es que alegavam a incompatibilidade da legisla\u00e7\u00e3o com o artigo 7\u00ba, inciso IV, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, que disp\u00f5e sobre o sal\u00e1rio m\u00ednimo e determina \u201cvedada a sua vincula\u00e7\u00e3o para qualquer fim\u201d. De acordo com o STF, essa proibi\u00e7\u00e3o visa evitar \u201ca espiral inflacion\u00e1ria resultante do reajuste autom\u00e1tico de verbas salariais e parcelas remunerat\u00f3rias no servi\u00e7o p\u00fablico e na atividade privada\u201d. Em sua decis\u00e3o, o tribunal manteve a lei, mas desindexou o sal\u00e1rio m\u00ednimo do piso da categoria profissional, congelando a base de c\u00e1lculo no valor referente ao sal\u00e1rio m\u00ednimo de 2022 (R$ 1.212,00).<\/p>\n\n\n\n<p>Quatro anos depois, a base de c\u00e1lculo permanece congelada. Segundo Karla, a aus\u00eancia de um \u00edndice de reajuste tem provocado a defasagem do piso salarial e a redu\u00e7\u00e3o de seu poder de compra. \u201cPor isso \u00e9 t\u00e3o importante a participa\u00e7\u00e3o do sindicato, para trazer benef\u00edcios e acordos coletivos, para n\u00e3o deixar que esse sal\u00e1rio se perca e se desvalorize\u201d, comenta a advogada Karla.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Analista no papel, engenheiro na pr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o presidente do SENGE-RS, empresas frequentemente se utilizam de manobras sorrateiras para driblar o piso salarial legal da categoria. \u201cA quest\u00e3o da nomenclatura \u2013 analista, assistente, etc. \u2013 \u00e9 mais um subterf\u00fagio para n\u00e3o reconhecer o engenheiro como engenheiro, para assim poder fugir da lei\u201d, reclama. Essas nomenclaturas aparecem nas mais variadas formas, dificultando a fiscaliza\u00e7\u00e3o da categoria. A t\u00edtulo de exemplo, o sindicato recebeu recentemente uma den\u00fancia envolvendo uma empresa que teria em seu quadro funcional 11 engenheiros contratados como \u201cdigitadores\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a investiga\u00e7\u00e3o de casos como esse, o vice-presidente do SENGE-RS, <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/jo%C3%A3o-leal-vivian-1022812a\/\">Jo\u00e3o Leal Vivian<\/a>, aponta que \u00e9 necess\u00e1rio \u201colhar pela atividade que ele t\u00e1 exercendo, o exerc\u00edcio da engenharia; se vai botar o \u2018sobrenome\u2019 dele de goleiro, de centroavante, etc., n\u00e3o importa; exerceu engenharia, paga piso, ponto\u201d. Mas, afinal, o que significa exercer engenharia? As atividades da engenharia (bem como da arquitetura e da agronomia) est\u00e3o elencadas na <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l5194.htm\">Lei n\u00ba 5.194<\/a>, que<strong> <\/strong>tamb\u00e9m completa 60 anos em 2026.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme relatado pelos representantes do SENGE-RS, muitas empresas s\u00f3 pagam o piso salarial corretamente \u00e0 custa de a\u00e7\u00f5es judiciais. Para levar esses casos a julgamento e defender os direitos dos trabalhadores, o sindicato conta com a assessoria jur\u00eddica do escrit\u00f3rio <a href=\"https:\/\/www.schumachervitola.com.br\/\">Schumacher &amp; Vitola<\/a>, do qual Karla \u00e9 s\u00f3cia-fundadora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a advogada, a decis\u00e3o favor\u00e1vel ocorre quando \u00e9 demonstrado que o profissional (ou o grupo de profissionais, no caso de a\u00e7\u00f5es coletivas) desempenha atividades t\u00edpicas da engenharia, conforme definidas no artigo 7\u00ba da&nbsp; Lei n\u00ba 5.194. Comprovado o enquadramento do profissional &#8211; ou dos profissionais, no caso de a\u00e7\u00f5es coletivas &#8211; na categoria, os tribunais costumam reconhecer o direito ao piso salarial previsto na Lei n\u00ba 4.950-A, independentemente da nomenclatura anotada na carteira de trabalho. \u201cO que importa n\u00e3o \u00e9 o que a empresa diz no documento, a realidade documental; o que importa \u00e9 a realidade f\u00e1tica, \u00e9 o fato; porque o documento \u00e9 algo que a empresa tem poder diretivo para estabelecer, pra criar, mas o fato \u00e9 soberano na justi\u00e7a, ele prevalece\u201d, explica Schumacher Vitola.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Direitos em disputa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao Portal Humanista, uma engenheira de materiais \u2013 cujo nome ser\u00e1 preservado devido ao temor por repres\u00e1lias no mercado \u2013 contou sobre a disputa judicial que vivenciou, ao processar uma f\u00e1brica de dispositivos m\u00e9dicos. No semestre de sua formatura, a ent\u00e3o estudante estagiava na empresa e perguntou sobre a possibilidade de efetiva\u00e7\u00e3o. \u201cFalaram que sim, que teria essa oportunidade; que seria inicialmente como analista, e que, assim que poss\u00edvel, dentro de alguns meses, teria a efetiva\u00e7\u00e3o como engenheira; mas isso n\u00e3o aconteceu\u201d, relata. A regulariza\u00e7\u00e3o ocorreu quatro anos depois e s\u00f3 se concretizou ap\u00f3s a entrada de um novo gerente na empresa , que se revoltou com a irregularidade e agilizou o processo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dois anos depois, apesar de j\u00e1 reconhecida como engenheira, a profissional pediu demiss\u00e3o porque, diante das irregularidades que identificava na empresa, j\u00e1 n\u00e3o via perspectiva de permanecer no local. Ela conta: \u201cQuando eu comuniquei que, por motivos pessoais, eu ia sair e tudo mais, me perguntaram: \u2018T\u00e1, mas tu n\u00e3o vais nos processar, n\u00e9?\u2019\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca de sua rescis\u00e3o, a engenheira j\u00e1 era associada ao SENGE-RS e realizou com o&nbsp; sindicato a avalia\u00e7\u00e3o de toda a sua documenta\u00e7\u00e3o, por meio da qual foi identificado o per\u00edodo de irregularidade na contrata\u00e7\u00e3o. O sindicato notificou a empresa, que recebeu um prazo para regularizar a situa\u00e7\u00e3o e realizar o pagamento retroativo. Na aus\u00eancia de resposta, a a\u00e7\u00e3o judicial foi sugerida para a profissional, que relembra: \u201cEu tinha todos os motivos, n\u00e3o precisei de muito tempo pra decidir [entrar com a a\u00e7\u00e3o]\u201d. Ela obteve decis\u00e3o favor\u00e1vel na Justi\u00e7a , mas considera que a a\u00e7\u00e3o judicial tem o seu custo: \u00e9 um processo moroso e desgastante, que envolve o risco de a pessoa se expor e se \u201cqueimar\u201d no mercado. \u201cPorque todo mundo acaba se conhecendo, n\u00e9; o mercado n\u00e3o \u00e9, assim, t\u00e3o grande; e a\u00ed, dependendo do contratante, pode ver isso com maus olhos\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m do acompanhamento das a\u00e7\u00f5es individuais dos seus associados, o SENGE-RS tamb\u00e9m move a\u00e7\u00f5es coletivas. Em seu website, o sindicato mant\u00e9m um <a href=\"https:\/\/senge.org.br\/piso-salarial-denuncie\/?swcfpc=1\">canal de den\u00fancias an\u00f4nimas<\/a> para a identifica\u00e7\u00e3o de empresas que n\u00e3o cumprem o pagamento do piso salarial. \u201cQuando come\u00e7a a entrar muita den\u00fancia de determinada empresa, o sindicato vai l\u00e1, investiga, verifica, notifica; ele tenta uma aproxima\u00e7\u00e3o com a empresa para tentar regularizar a situa\u00e7\u00e3o, e se essas tentativas n\u00e3o s\u00e3o exitosas, ele tende a entrar com a a\u00e7\u00e3o\u201d, comenta Schumacher Vitola.&nbsp; O SENGE-RS j\u00e1 obteve decis\u00f5es favor\u00e1veis em processos contra empresas do Rio Grande do Sul com um grande contingente de engenheiros, como <a href=\"https:\/\/senge.org.br\/noticias\/senge-obtem-sentencas-judiciais-favoraveis-ao-salario-minimo-profissional-tambem-na-randon-e-na-soprano\/\">Randon<\/a>, <a href=\"https:\/\/senge.org.br\/noticias\/tramontina-micromazza-e-mais-5-empresas-terao-de-cumprir-o-piso-salarial-dos-engenheiros\/\">Tramontina<\/a> e <a href=\"https:\/\/senge.org.br\/noticias\/justica-garante-salario-minimo-profissional-aos-engenheiros-da-marcopolo\/\">Marcopolo<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da decis\u00e3o favor\u00e1vel, o escrit\u00f3rio e o SENGE-RS ainda t\u00eam um segundo desafio com rela\u00e7\u00e3o a esses processos coletivos. Dentro da lista de funcion\u00e1rios da empresa judicialmente derrotada, eles \u201cgarimpam\u201d todos os engenheiros contratados irregularmente e calculam a diferen\u00e7a salarial devida a cada um. Muitas vezes, esses profissionais nem sabem que existe esse processo contra a sua contratante; por isso h\u00e1 um trabalho intensivo para encontr\u00e1-los e traz\u00ea-los para dentro da decis\u00e3o judicial. Karla explica: \u201cO processo coletivo \u00e9 um elefante grand\u00e3o, ele se movimenta lentamente porque ele tem que vir com a manada toda; \u00e9 uma mol\u00e9cula grande, fagocitando todos os engenheiros e trazendo todos pra dentro daquela decis\u00e3o; porque, atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o coletiva, o SENGE-RS quer abra\u00e7ar toda a categoria de engenheiros que trabalharam, que trabalham e que venham a trabalhar naquela empresa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os preju\u00edzos da \u201canalistiza\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de afetar os profissionais da categoria, a \u201canalistiza\u00e7\u00e3o\u201d traz preju\u00edzos para a sociedade como um todo. O pagamento de sal\u00e1rios abaixo do piso resulta em recolhimento a menor de tributos de previd\u00eancia social. Ou seja, as contrata\u00e7\u00f5es irregulares acabam se caracterizando como uma forma de sonega\u00e7\u00e3o. \u201cTodo mundo perde: o er\u00e1rio perde, a previd\u00eancia perde, a sociedade perde e o empres\u00e1rio lucra mais\u201d, lamenta Karla.<\/p>\n\n\n\n<p>A <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/educacao\/guia\/engenharia-tem-queda-de-alunos-nos-ultimos-oito-anos-e-faz-mec-planejar-reformulacao.ghtml\">procura por cursos de Engenharia tamb\u00e9m caiu<\/a> na UFRGS nos \u00faltimos anos. A t\u00edtulo de exemplo, entre 2016 e 2025, a \u00e1rea&nbsp; \u201cEngenharia e Arquitetura\u201d foi a que apresentou a <a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/educacao\/ensino-superior\/noticia\/2024\/11\/em-10-anos-cresce-interesse-em-cursos-de-artes-e-cai-em-engenharia-e-arquitetura-no-vestibular-da-ufrgs-cm3es48a2004v014rjdmx4pgr.html#google_vignette\">maior taxa de queda<\/a> nas inscri\u00e7\u00f5es para o Vestibular da UFRGS, conforme demonstra a tabela abaixo.Para Cezar Henrique, a perda de atratividade da profiss\u00e3o ajuda a explicar esse movimento. \u201cIsso acontece porque eles n\u00e3o t\u00eam perspectiva; depois de passar cinco anos com dificuldade, c\u00e1lculo, matem\u00e1tica, laborat\u00f3rio, etc.; o cara se forma, vai para a empresa, ela diz \u2018tu \u00e9 analista, e eu vou te pagar 5 mil reais\u2019. Tu acha que os caras v\u00e3o fazer? A gurizada n\u00e3o \u00e9 trouxa\u201d, pondera o presidente do SENGE-RS.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"846\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Tabela-Larissa-1024x846.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-30206\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Tabela-Larissa-1024x846.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Tabela-Larissa-300x248.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Tabela-Larissa-768x634.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Tabela-Larissa.png 1264w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fonte: Tabela elaborada pela equipe de GZH, com dados fornecidos pela UFRGS<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Cezar Henrique percebe que, al\u00e9m da queda na procura, os cursos de Engenharia no Ensino Superior v\u00eam enfrentando um outro problema: a alta evas\u00e3o dos alunos ao longo da gradua\u00e7\u00e3o. O presidente do sindicato repara ainda que, dentro do percentual que efetivamente se forma, poucos acabam se registrando no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) para trabalhar como engenheiros de fato. \u201cO restante vai para o mercado financeiro, gest\u00e3o de pessoal, para trabalhar de Uber\u2026\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, vem circulando coment\u00e1rios de que existe um <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/artigos\/nao-e-apagao-de-engenheirosas-e-apagao-de-condicoes-para-fazer-engenharia-no-brasil\/\">\u201capag\u00e3o\u201d de engenheiros<\/a> no pa\u00eds. Cezar Henrique discorda: \u201cOs caras dizem que faltam engenheiros no Brasil; eu acho que n\u00e3o; na verdade, eles est\u00e3o deslocados, porque n\u00e3o t\u00eam atra\u00e7\u00e3o\u201d. Por\u00e9m, a m\u00e9dio e longo prazo, a tend\u00eancia \u00e9 que haja uma brusca e real redu\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra qualificada para atuar nas plantas industriais e em projetos de desenvolvimento tecnol\u00f3gico, por conta da decrescente procura pela Engenharia no Ensino Superior.<\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terceiriza\u00e7\u00e3o, pejotiza\u00e7\u00e3o, uberiza\u00e7\u00e3o\u2026 Essas modalidades contempor\u00e2neas de contrata\u00e7\u00e3o diferem no formato, mas, muitas vezes, escondem uma motiva\u00e7\u00e3o em comum: driblar direitos trabalhistas para baratear a m\u00e3o de obra. No \u201cdicion\u00e1rio\u201d da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, podemos inserir a \u201canalistiza\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 um termo ainda pouco utilizado, mas correspondente a uma pr\u00e1tica j\u00e1 bastante conhecida no mercado. A &#8230; <a title=\"Engenheiros contratados como \u201canalistas\u201d recorrem \u00e0 Justi\u00e7a para garantir piso salarial\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2026\/10\/14\/engenheiros-contratados-como-analistas-recorrem-a-justica-para-garantir-piso-salarial\/\" aria-label=\"More on Engenheiros contratados como \u201canalistas\u201d recorrem \u00e0 Justi\u00e7a para garantir piso salarial\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":41,"featured_media":30205,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1032,48],"tags":[1170,1173,567,1175,1168,1171,1176,1169,1174,1172],"class_list":["post-30204","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagem-humanista","category-trabalho","tag-analistizacao","tag-contratacao-de-engenheiros","tag-direitos-trabalhistas","tag-engenharia","tag-engenheiros-como-analistas","tag-lei-4-950-a","tag-piso-profissional","tag-piso-salarial-dos-engenheiros","tag-salario-minimo-profissional","tag-senge-rs"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30204","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/41"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30204"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30204\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30211,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30204\/revisions\/30211"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30204"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30204"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30204"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}