﻿{"id":30280,"date":"2026-10-22T17:00:00","date_gmt":"2026-10-22T20:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=30280"},"modified":"2026-10-21T22:03:15","modified_gmt":"2026-10-22T01:03:15","slug":"em-uma-decada-participacao-feminina-nas-categorias-de-entrada-do-automobilismo-aumenta-quase-cinco-vezes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2026\/10\/22\/em-uma-decada-participacao-feminina-nas-categorias-de-entrada-do-automobilismo-aumenta-quase-cinco-vezes\/","title":{"rendered":"Em uma d\u00e9cada, participa\u00e7\u00e3o feminina nas categorias de entrada do automobilismo aumenta quase cinco vezes"},"content":{"rendered":"\n<p>Ao atravessar a linha de chegada do Grande Pr\u00eamio da Espanha de F\u00f3rmula 1 na sexta posi\u00e7\u00e3o, Lella Lombardi se tornou <a href=\"https:\/\/ge.globo.com\/motor\/formula-1\/blogs\/f1-memoria\/post\/2020\/03\/03\/unica-mulher-a-pontuar-na-formula-1-lella-lombardi-participou-de-12-grandes-premios.ghtml\">a primeira mulher a pontuar<\/a> em uma prova do campeonato mundial. O meio ponto conquistado por Lombardi em Montju\u00efc, em 1975, \u00e9 at\u00e9 hoje o \u00fanico conquistado por uma mulher na principal categoria de automobilismo do mundo. Desde ent\u00e3o, apenas tr\u00eas outras mulheres estiveram inscritas para alguma corrida, e nenhuma sequer conseguiu largar. Lombardi deixou a categoria em 1976, marcando meio s\u00e9culo desde a \u00faltima vez que algum f\u00e3 p\u00f4de torcer para uma pilota em uma corrida. A Federa\u00e7\u00e3o Internacional do Automobilismo (FIA), por\u00e9m, tem planos para que essa realidade mude nos pr\u00f3ximos anos, e os resultados come\u00e7aram a aparecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2014, a FIA <a href=\"https:\/\/www.autoracing.com.br\/fia-revela-plano-para-criar-formula-4\/\">criou a F\u00f3rmula 4<\/a>, um modelo de competi\u00e7\u00e3o que passou a ser a principal porta de acesso a pilotos que desejam fazer a transi\u00e7\u00e3o dos karts para os carros de f\u00f3rmula (aqueles parecidos com os de F\u00f3rmula 1, com rodas expostas). Um levantamento feito por esta reportagem , considerando 25 categorias mistas (abertas aos dois g\u00eaneros) de F4 ao redor do mundo mostra que, de 2015 a 2025, a presen\u00e7a feminina nesses campeonatos quase quintuplicou, saindo de 12 representantes para 59.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"780\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-8-1024x780.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30282\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-8-1024x780.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-8-300x229.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-8-768x585.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-8.jpeg 1366w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O regulamento da F\u00f3rmula 4 foi criado pela FIA em 2014. Desde ent\u00e3o, a categoria se popularizou, com mais de 20 campeonatos ao redor do mundo, inclusive no Brasil, onde chegou em 2022 | Imagem: Caio Renato de Campos\/Pexels<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A principal explos\u00e3o neste n\u00famero aconteceu a partir de 2023, ano em que a F\u00f3rmula 1 instaurou a <a href=\"https:\/\/www.band.com.br\/esportes\/velocidade\/formula-1-anuncio-criacao-f1-academy-16563885\">F1 Academy<\/a>, primeira categoria de F4 exclusivamente feminina e que acontece em paralelo ao campeonato mundial, correndo nos mesmos circuitos e nos mesmos fins de semana deste. Desde 2024, cada equipe da F\u00f3rmula 1 apoia ao menos uma pilota. O objetivo da modalidade \u00e9 facilitar e <a href=\"https:\/\/grandepremio.com\/br\/f1\/foi-surreal-campea-f1-academy-lembra-teste-w12-mercedes-silverstone\/\">incentivar<\/a> a participa\u00e7\u00e3o feminina no automobilismo, aumentando sua visibilidade e buscando, a longo prazo, voltar a ter uma representante no grid do campeonato mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a ideia de criar uma categoria de monopostos destinada exclusivamente ao p\u00fablico feminino n\u00e3o foi uma novidade apresentada pela F1 Academy. Em 2019, a <a href=\"https:\/\/racingonline.com.br\/noticias\/categoria-exclusiva-para-mulheres-w-series-e-apresentada\/\">W Series<\/a> foi criada com o mesmo objetivo, mas utilizava carros de F\u00f3rmula Regional, que s\u00e3o mais r\u00e1pidos e est\u00e3o um n\u00edvel acima da F4 no caminho rumo \u00e0 F1. Para equalizar a disputa, todas as competidoras tinham o mesmo chassi e uma \u00fanica equipe gerenciava todos os carros. Outra iniciativa dos organizadores era o apoio financeiro, j\u00e1 que a pr\u00f3pria categoria bancava de forma integral a campanha de todas as participantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s um primeiro ano bem sucedido, a temporada de <a href=\"https:\/\/ge.globo.com\/motor\/w-series\/noticia\/2022\/10\/10\/w-series-encerra-2022-de-forma-precoce-chadwick-e-tricampea.ghtml\">2020 precisou ser cancelada<\/a> devido \u00e0 pandemia. Quando a categoria retornou, em 2021, passou a funcionar como suporte \u00e0 F1. Foi neste ano que a brasileira Bruna Tomaselli ingressou na modalidade, aos 23 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Catarinense de Caibi, Bruna foi a \u00fanica representante do pa\u00eds no grid, competindo em 2021 e 2022. Ela disputou 15 provas, terminando nos pontos em quatro. Seu melhor resultado em corridas foi o quinto lugar, alcan\u00e7ado duas vezes. No campeonato, foi a 12\u00aa colocada em 2022, de um total de 19 competidoras.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-12-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30287\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-12-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-12-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-12-768x511.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-12-1020x680.jpeg 1020w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-12.jpeg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O melhor resultado de Bruna Tomaselli na W Series veio logo em sua segunda prova, quando largou da 3\u00aa posi\u00e7\u00e3o e terminou na 5\u00aa, em Spielberg, na \u00c1ustria | Imagem: Bruna Tomaselli\/Redes Sociais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que n\u00e3o tenha conseguido seguir carreira em carros de f\u00f3rmula, Bruna acredita que iniciativas como a W Series e a F1 Academy estejam fomentando a presen\u00e7a das mulheres no esporte. \u201cElas chamam aten\u00e7\u00e3o, elas buscam pilotos, ent\u00e3o eu acho que todas essas iniciativas s\u00e3o incr\u00edveis, independente da categoria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" data-id=\"30284\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-10-1024x575.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30284\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-10-1024x575.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-10-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-10-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-10-1536x863.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-10-1500x843.jpeg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-10.jpeg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" data-id=\"30283\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-9-1024x575.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30283\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-9-1024x575.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-9-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-9-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-9-1536x863.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-9-1500x843.jpeg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-9.jpeg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">N\u00fameros mostram consider\u00e1vel aumento na participa\u00e7\u00e3o de mulheres em categorias mistas de F\u00f3rmula 4, em especial desde a cria\u00e7\u00e3o da F1 Academy, em 2023. Em amarelo, anos em que a W Series foi disputada. Em azul, a F1 Academy | Arte: Jo\u00e3o Victor Trindade\/Humanista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo sem conquistar p\u00f3dios e vit\u00f3rias, a experi\u00eancia obtida durante sua passagem na Europa lhe rendeu aprendizados que v\u00e3o muito al\u00e9m da performance. \u201cA gente fazia parte do circo da F\u00f3rmula 1, correndo junto com a F\u00f3rmula 1, conhecendo os circuitos, todo o ecossistema\u201d, comenta Bruna. \u201c\u00c9 um cen\u00e1rio totalmente diferente, muito profissional, muito competitivo, assim como em todas as categorias que eu j\u00e1 passei, mas a F\u00f3rmula 1 \u00e9 a F\u00f3rmula 1\u201d, ressalta. Todos esses aprendizados colaboraram para o restante da sua carreira. Bruna segue competindo, fazendo parte de uma forma\u00e7\u00e3o 100% feminina, na equipe SG28, da <a href=\"https:\/\/motorsport.uol.com.br\/nascar-brasil-series\/news\/nascar-brasil-sg28-racing-anuncia-tatiana-calderon-e-bruna-tomaselli\/10811565\/\">Nascar Brasil<\/a>, ao lado da colombiana Tatiana Calder\u00f3n.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-22-1024x683.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30296\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-22-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-22-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-22-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-22-1020x680.jpeg 1020w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-22.jpeg 1170w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Bruna Tomaselli (direita) se tornou a primeira vencedora da Nascar Brasil na classe Challenge, em maio. J\u00e1 Tatiana Calder\u00f3n (esquerda) foi a primeira a triunfar na geral, em setembro | Imagem: Bruna Tomaselli\/Redes Sociais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A biologia pode explicar a baixa presen\u00e7a feminina?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O automobilismo difere de muitas outras modalidades por ser mista. Em outros esportes, as pr\u00e1ticas masculina e feminina t\u00eam regulamentos pr\u00f3prios. No basquete, por exemplo, a bola tem uma circunfer\u00eancia 2,6 cent\u00edmetros menor, pesando cerca de 57 gramas a menos para elas. No v\u00f4lei, a rede \u00e9 19 cent\u00edmetros mais baixa.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso faz surgir um questionamento: a baixa presen\u00e7a de mulheres no automobilismo poderia ser explicada pela biologia? Para a fisioterapeuta da equipe do Centro do Movimento da PUCRS, Roberta Tolledo, n\u00e3o. \u201cO carro vai ser adaptado para todos os corpos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer, contudo, que n\u00e3o haja diferen\u00e7as na forma como homens e mulheres precisam se preparar para os desafios f\u00edsicos que enfrentam. Os corpos s\u00e3o diferentes e, por isso, elas precisam refor\u00e7ar \u00e1reas que s\u00e3o biologicamente menores que as deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das diferen\u00e7as diz respeito \u00e0 pelve. A femina tem uma mobilidade maior para, anatomicamente, facilitar o processo de gesta\u00e7\u00e3o. \u201cO treinamento teria que gerar um pouco mais de estabilidade na regi\u00e3o da pelve para que o abd\u00f4men se firme o suficiente para, na hora do torque, dos giros, esse centro de for\u00e7a esteja t\u00e3o firme quanto o do homem\u201d. O mesmo vale para outras partes do corpo exigidas pelo automobilismo, como a cintura escapular, o pesco\u00e7o, os ombros, o trap\u00e9zio e os bra\u00e7os. \u201cTem mulheres com estrutura t\u00e3o grande quanto um homem, em estrutura de massa e gordura, mas se a gente pegar a parte estrutural das v\u00e9rtebras, elas t\u00eam uma densidade \u00f3ssea menor\u201d, expande Roberta, que ainda faz uma ressalva: \u201co esfor\u00e7o para os dois [homens e mulheres] se mant\u00e9m o mesmo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dinheiro: a primeira barreira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o momento, nenhuma das participantes da F1 Academy ou da W Series sequer alcan\u00e7ou a F\u00f3rmula 3. Apesar disso, Bruna Tomaselli nega que tais iniciativas estejam falhando em seu prop\u00f3sito. \u201cMuito pelo contr\u00e1rio, eu acho que elas desenvolvem o papel delas muito bem no objetivo de preparar pilotas pros pr\u00f3ximos passos\u201d. Ela aponta que, na verdade, o automobilismo \u00e9 um esporte em que resultados, apenas, n\u00e3o s\u00e3o suficientes, seja para homens ou mulheres. \u201cO automobilismo exige tanto financeiramente como [da habilidade] do piloto para voc\u00ea seguir carreira, seguir subindo de categoria\u201d, explica Bruna. Essa foi uma das raz\u00f5es pelas quais ela decidiu mudar os rumos de sua carreira para carros de turismo ap\u00f3s a <a href=\"https:\/\/ge.globo.com\/motor\/w-series\/noticia\/2022\/10\/10\/w-series-encerra-2022-de-forma-precoce-chadwick-e-tricampea.ghtml\">fal\u00eancia da W Series ao final de 2022.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria rumo ao topo do automobilismo come\u00e7a pelo kartismo, onde pilotos podem participar de uma grande variedade de campeonatos regionais, nacionais e internacionais. Os que desejam alcan\u00e7ar a F\u00f3rmula 1 costumam come\u00e7ar entre os tr\u00eas e os seis anos de idade. Com o passar do tempo, os karts v\u00e3o ficando mais r\u00e1pidos, complexos e caros (veja valores na arte abaixo, com base em um <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/sport\/formula1\/articles\/c5y77exrqkeo\">levantamento feito pela BBC<\/a>). Esta \u00e9 a etapa em que os pilotos passam mais tempo, aprendendo os fundamentos do esporte.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 15 anos, eles tornam-se eleg\u00edveis para competir em algum campeonato de F\u00f3rmula 4, fazendo a transi\u00e7\u00e3o para os monopostos. O passo seguinte \u00e9 o da F\u00f3rmula Regional, criado em 2019 e permitido a partir do momento que o piloto completa 16 anos de idade. Os mais habilidosos e ambiciosos podem, por sua vez, decidir saltar a F\u00f3rmula Regional e subir diretamente para a F\u00f3rmula 3, que tamb\u00e9m \u00e9 liberada aos 16 anos. Aos 17, o piloto pode fazer sua estreia na F\u00f3rmula 2, \u00faltimo passo antes da t\u00e3o sonhada F\u00f3rmula 1.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-11-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30285\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-11-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-11-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-11-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-11-1536x864.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-11-1500x844.jpeg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-11.jpeg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Para conseguir arcar com os custos, pilotos precisam de grande investimento familiar, de patrocinadores ou de uma equipe da F\u00f3rmula 1 | Dados: BBC | Arte: Jo\u00e3o Victor Trindade\/Humanista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para al\u00e9m das finan\u00e7as<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Bia Figueiredo sabe muito bem os desafios enfrentados para chegar ao topo do esporte a motor. Ela \u00e9 a \u00fanica brasileira que j\u00e1 disputou uma categoria de ponta de monopostos, sendo uma das 11 mulheres que j\u00e1 competiram na F\u00f3rmula Indy. Mas sua trajet\u00f3ria at\u00e9 l\u00e1 n\u00e3o foi f\u00e1cil. Al\u00e9m da quest\u00e3o financeira, Bia conta epis\u00f3dios de sua carreira em que o preconceito praticado por homens dificultou ainda mais esse \u00e1rduo caminho. \u201cSofri um pouquinho no Brasil, nas categorias de base de f\u00f3rmula, principalmente. A <em>galerinha<\/em> me jogava para fora, ent\u00e3o me atrapalhou um pouco no campeonato\u201d, relata a hoje pilota da Copa Truck pela Iveco. \u201cEm 2005 eu disputei o t\u00edtulo, mas acredito muito que eu teria sido campe\u00e3 se n\u00e3o fossem algumas batidas propositais, sabe?\u201d, reclama. Na ocasi\u00e3o, ela venceu tr\u00eas corridas e terminou a temporada da F\u00f3rmula Renault 2.0 Brasil na terceira coloca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>\u201cEu n\u00e3o ligava muito, mas eles [membros da equipe] me zoavam o tempo inteiro por ser mulher e tentar algo no automobilismo. \u00c9 como se fosse uma tentativa rid\u00edcula\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em><strong>Bia Figueiredo<\/strong>, <strong>Pilota e presidente da Comiss\u00e3o Feminina de Automobilismo<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-13-1024x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30286\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-13-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-13-300x300.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-13-150x150.jpeg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-13-768x768.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-13-1000x1000.jpeg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-13.jpeg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os primeiros tr\u00eas anos da carreira de Bia nos monopostos foram na F\u00f3rmula Renault 2.0 Brasil, conquistando o 3\u00ba lugar na classifica\u00e7\u00e3o em 2005 | Imagem: Bia Figueiredo\/Redes Sociais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s mais um ano competindo na Am\u00e9rica do Sul, Bia se mudou para a Europa em 2007 e passou cerca de quatro meses testando carros da F\u00f3rmula Renault Brit\u00e2nica. Mas, em seguida, mudou-se para os Estados Unidos e, em 2008, decidiu dedicar seus esfor\u00e7os ao sonho de chegar \u00e0 F\u00f3rmula Indy, passando a disputar sua categoria de acesso, a Indy Lights. L\u00e1, terminou na terceira coloca\u00e7\u00e3o do campeonato, foi a melhor estreante e se tornou a <a href=\"https:\/\/ge.globo.com\/Esportes\/Noticias\/Esporte_a_Motor\/0,,MUL644946-15010,00.html\">primeira mulher a vencer<\/a>, quando triunfou no circuito oval de Nashville.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Figueiredo, um dos principais motivos para seu sucesso nos Estados Unidos estava no apoio que recebia da equipe. \u201cNa Inglaterra eu senti assim: ou voc\u00ea tem dinheiro, ou sai fora\u201d, relembra. \u201cEu n\u00e3o ligava muito, mas eles [membros da equipe] me zoavam o tempo inteiro por ser mulher e tentar algo no automobilismo. \u00c9 como se fosse uma tentativa rid\u00edcula\u201d, continua Bia. \u201cE nos Estados Unidos n\u00e3o, eu senti um mega apoio quando eu fiz os testes pela [equipe] Sam Schmidt\u201d, aponta. \u201cEles piraram comigo, e fizeram de tudo para eu correr no ano seguinte, arrumar patrocinador, diminu\u00edram a verba, porque realmente viram um talento, n\u00e9? Fico feliz com isso, que me ajudou a fazer a minha carreira internacional\u201d, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"612\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-14.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30288\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-14.jpeg 612w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-14-300x300.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-14-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 612px) 100vw, 612px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Bia participou de 29 corridas da F\u00f3rmula Indy entre 2010 e 2013, conquistando como melhor resultado um 11\u00ba lugar no circuito de rua de Toronto, em 2011. Nas tradicionais 500 Milhas de Indian\u00e1polis, competiu quatro vezes. Sua melhor posi\u00e7\u00e3o de largada foi um 13\u00ba lugar, em 2012. De chegada, um 15\u00ba, no ano seguinte (foto) | Imagem: Bia Figueiredo\/Redes Sociais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que falta para uma mulher<\/strong> <strong>na F\u00f3rmula 1?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para Bia Figueiredo, a resposta \u00e9 bastante l\u00f3gica: mais pilotas na base. \u201cNum cen\u00e1rio de 500 pilotos, cinco a dez meninas \u00e9 muito pouco para voc\u00ea encontrar os grandes talentos. A estat\u00edstica acaba n\u00e3o ajudando\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 aqui que os dados se alinham com as an\u00e1lises de quem acompanha o dia a dia do esporte. O levantamento realizado pelo Portal Humanista considera todas as mulheres que fizeram ao menos uma largada nos 25 campeonatos analisados. Considerando-se apenas as cinco principais categorias de F\u00f3rmula 4, de onde saem a maioria dos pilotos que alcan\u00e7am a F\u00f3rmula 1, eram sete mulheres em 2015. Em 2025, esse n\u00famero cresceu para 17. E em 2026, embora a temporada ainda esteja em andamento, j\u00e1 se registram 22 pilotas diferentes, um aumento de mais de tr\u00eas vezes em rela\u00e7\u00e3o a 2015.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-15-1024x575.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30289\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-15-1024x575.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-15-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-15-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-15-1536x863.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-15-1500x843.jpeg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-15.jpeg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cada vez mais mulheres participam das cinco principais categorias de F4 do mundo: italiana, espanhola, brit\u00e2nica, francesa e a extinta alem\u00e3, que retorna em 2027. As \u00fanicas que acontecem ininterruptamente desde 2015 s\u00e3o a italiana e a brit\u00e2nica. *As temporadas da F4 Espanhola e da F4 Italiana seguem em andamento no momento da postagem | Arte: Jo\u00e3o Victor Trindade\/Humanista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar desse crescimento no n\u00famero absoluto, as mulheres representaram apenas 10,8% do total de competidores em 2025, ainda uma minoria para que seja poss\u00edvel que alguma delas seja a pr\u00f3xima representante na principal categoria do automobilismo mundial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Preconceito muito al\u00e9m do esporte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para que a quantidade de meninas disputando categorias de base cres\u00e7a \u00e9 necess\u00e1rio mudar um cen\u00e1rio cultural que permeia a rela\u00e7\u00e3o das mulheres com o cen\u00e1rio automotivo como um todo. Existe um estere\u00f3tipo de que a mulher \u00e9 mais perigosa nas ruas, enquanto, na verdade, os dados da realidade demonstram o oposto.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o Detran RS, ao longo de todo o ano passado, foram registradas 1683 v\u00edtimas fatais de acidentes de tr\u00e2nsito no estado. Dessas, 79% eram homens e 21% mulheres. No mesmo ano, o perfil do Rio Grande do Sul apontava que 37,3% das condutoras eram mulheres e 62,6% homens, mostrando que, proporcionalmente, elas se envolvem muito menos nesse tipo de acidente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-16-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30290\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-16-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-16-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-16-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-16-1536x864.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-16-1500x844.jpeg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-16.jpeg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mulheres morrem quase quatro vezes a menos no tr\u00e2nsito se comparado aos homens | Dados: DETRAN\/RS | Arte: Jo\u00e3o Victor Trindade\/Humanista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Para a doutora em psicologia pela Universidade de Barcelona e coordenadora do Grupo de Pesquisa Tr\u00e2nsito e Transporte Sustent\u00e1vel da UFPR, Alessandra Sant\u2019Anna Bianchi, algo que leva ao pensamento estereotipado \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o sociocultural de d\u00e9cadas. \u201cDa sociedade dizer que meninos brincam de carrinho\u201d, pontua. \u201cPelo menos a Barbie tem carro, agora, n\u00e9?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa falta de contato com os carros faz com que um momento comumente aguardado por homens seja um de maior tens\u00e3o para parte das mulheres: a autoescola. \u201cEnquanto para os meninos, muitas vezes, a autoescola \u00e9 aquela permiss\u00e3o para poder dirigir, para as mulheres acaba sendo \u2018meu Deus, agora eu vou ter que dar um jeito de passar nisso aqui para o meu pai ou para a minha m\u00e3e liberarem o carro. Eu vou ter que provar que eu sou boa, que eu n\u00e3o sou isso que a sociedade diz\u2019\u201d, argumenta a psic\u00f3loga.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, nem tudo tem a ver com se provar para as pessoas. Segundo a especialista, estudos apontam que mulheres se sentem mais nervosas em situa\u00e7\u00f5es de avalia\u00e7\u00e3o, e se preocupam mais em n\u00e3o causar dano para o outro. \u201cErrei, que droga, bati o carro\u201d, apresenta Alessandra para ilustrar a linha de pensamento de um homem que se acidenta. Para a mulher, o racioc\u00ednio \u00e9 outro: \u201cEu s\u00f3 bati o carro, tudo bem, [n\u00e3o \u00e9 bom] mas eu poderia ter feito mal para algu\u00e9m\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres tamb\u00e9m s\u00e3o menos agressivas ao dirigir, o que colabora para o medo de enfrentar as ruas. \u201cNosso tr\u00e2nsito brasileiro \u00e9 um ambiente agressivo\u201d, analisa Alessandra. \u201cE corta a frente e \u2018eu preciso chegar antes\u2019 e buzina se eu acho que voc\u00ea est\u00e1 lerda demais. Ainda tem os engra\u00e7adinhos que passam e dizem \u2018s\u00f3 podia ser mulher\u2019\u201d, exemplifica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Iniciativas que fazem a diferen\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cultura que existe nas ruas se estende aos aut\u00f3dromos. \u201cQuando eu comecei, era somente eu, basicamente, que ia para as pistas\u201d, relembra Bruna Tomaselli sobre a aus\u00eancia de outras meninas em suas corridas. Hoje o cen\u00e1rio mudou bastante e iniciativas que apoiam a participa\u00e7\u00e3o de mulheres n\u00e3o se resumem aos dois campeonatos exclusivamente femininos citados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A n\u00edvel internacional, o <em>FIA Girls on Track \u2013 Rising Stars<\/em> foi um dos pioneiros. O projeto surgiu em 2020 a partir de uma parceria entre a Comiss\u00e3o Mulheres no Automobilismo da FIA e a Scuderia Ferrari. Ele promove campos de treinamento e testes em pista para jovens pilotas em duas categorias: s\u00eanior, em carros de F\u00f3rmula 4, e j\u00fanior, em karts. Ao final, uma vencedora \u00e9 escolhida em cada, com a premia\u00e7\u00e3o sendo apoio t\u00e9cnico, esportivo e financeiro para uma temporada completa em um campeonato internacional de F4 ou kart, respectivamente. At\u00e9 2022, as vencedoras da categoria s\u00eanior tamb\u00e9m eram selecionadas para fazer parte da academia de jovens pilotos da Scuderia Ferrari a partir do ano seguinte. Em 2022, a vencedora foi a brasileira Aurelia Nobels.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"853\" height=\"568\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-18.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30292\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-18.jpeg 853w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-18-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-18-768x511.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 853px) 100vw, 853px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Nos karts, Bruna (direita, macac\u00e3o azul e bandeira do Brasil) sempre competiu em meio aos homens. No centro da foto est\u00e1 George Russell, atual piloto da Mercedes na F1. | Imagem: Bruna Tomaselli\/Redes Sociais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a F1 Academy, por meio do projeto <em><a href=\"https:\/\/www.f1academy.com\/Discover-Your-Drive\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.f1academy.com\/Discover-Your-Drive\">Discover Your Drive<\/a><\/em>, apoia a participa\u00e7\u00e3o de meninas ainda no kart. A iniciativa arca com 30% dos custos das taxas de inscri\u00e7\u00e3o e oferece macac\u00e3o, luvas, sapatilhas e camisetas de competi\u00e7\u00e3o. Este apoio \u00e9 destinado a um n\u00famero determinado de meninas de oito a 17 anos que desejam disputar os campeonatos internacional ou brit\u00e2nico da Champions of the Future Academy.. Tamb\u00e9m oferece acompanhamento com uma equipe de performance e desenvolvimento ao longo de todo o ano, al\u00e9m de outros benef\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>No cen\u00e1rio nacional, quem coordena as a\u00e7\u00f5es voltadas a mulheres \u00e9 a Confedera\u00e7\u00e3o Feminina de Automobilismo (CFA), presidida por Bia Figueiredo. \u201cHoje n\u00f3s somos refer\u00eancia nos projetos <em>FIA Girls On Track<\/em> no mundo\u201d, explica Figueiredo. \u201cN\u00e3o tem nenhuma comiss\u00e3o no mundo que fa\u00e7a mais que a gente\u201d, complementa. Segundo a presidente da CFA, entre as principais a\u00e7\u00f5es desenvolvidas pelo projeto est\u00e3o as seletivas <em>FIA Girls On Track<\/em> de kart. Em 2023 e 2024, elas foram disputadas em tr\u00eas categorias, com os pr\u00eamios \u00e0s vencedoras sendo participa\u00e7\u00f5es totalmente gratuitas na Copa Brasil de Kart de 2023 e no Campeonato Brasileiro de Kart de 2024, respectivamente. Em 2024, as tr\u00eas primeiras na categoria <em>Graduadas<\/em> tamb\u00e9m ganharam um teste na Nascar Brasil. Em 2025, edi\u00e7\u00e3o mais recente, as seletivas sofreram altera\u00e7\u00f5es, passando a ser disputadas apenas em duas categorias e com o pr\u00eamio \u00e0s vencedoras passando ao valor de 30 mil reais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"853\" height=\"577\" data-id=\"30291\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-17.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30291\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-17.jpeg 853w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-17-300x203.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-17-768x520.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 853px) 100vw, 853px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"779\" data-id=\"30293\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-19-1024x779.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30293\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-19-1024x779.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-19-300x228.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-19-768x584.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-19.jpeg 1170w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Entre as iniciativas brasileiras do FIA Girls On Track est\u00e3o as seletivas de kart (esquerda) e eventos com estudantes em fins de semana de categorias como a F1 (direita) | Imagens: Bia Figueiredo\/Redes Sociais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O programa <em>FIA Girls On Track<\/em> brasileiro tamb\u00e9m \u00e9 voltado para quem tem interesse fora das pistas. Em diferentes eventos realizados em todo o territ\u00f3rio nacional, estudantes de engenharia e comunica\u00e7\u00e3o, principalmente, s\u00e3o convidadas para vivenciar um fim de semana de corridas dos boxes, conhecendo a rotina de trabalho em categorias como a Stock Car, a Porsche Cup Brasil, a Endurance Brasil, a Mitsubishi Cup, o Rally dos Sert\u00f5es, a F\u00f3rmula E, o Campeonato Mundial de Endurance (WEC) e, claro, a F\u00f3rmula 1. Projeto similar criado por Bia Figueiredo no Brasil \u00e9 o <em>Est\u00e1gio em Motorsports<\/em>, que busca n\u00e3o apenas levar alunas a vivenciar a rotina das categorias, como tamb\u00e9m trabalhar nelas e em suas equipes. \u201cHoje uma menina entra num box, por exemplo, da Stock Car e, no inconsciente dela, aquilo n\u00e3o \u00e9 para ela, porque n\u00e3o tem nenhuma mulher ali\u201d, analisa Bia. \u201cQuando voc\u00ea come\u00e7a a ter duas, tr\u00eas mulheres, tem a pilota, tem a mec\u00e2nica, ela j\u00e1 [pensa] \u2018nossa, olha que legal, tem mulheres trabalhando\u2019, e a\u00ed j\u00e1 d\u00e1 um clique nela, que ela pode fazer parte daquilo\u201d, continua. \u201cTrabalho de formiguinha que a gente est\u00e1 fazendo que eu acredito muito que no m\u00e9dio e longo prazo a gente tenha mudan\u00e7as muito bacanas\u201d, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Perspectivas para o futuro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de todos os desafios, \u00e9 poss\u00edvel perceber a diversidade de campeonatos das quais pilotas est\u00e3o participando. No ano passado, 23 categorias de F\u00f3rmula 4 foram disputadas. Dessas, 18 tiveram ao menos uma mulher competindo em pelo menos metade das etapas. Isso representa 78,2% de todos os campeonatos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" data-id=\"30294\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-20-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30294\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-20-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-20-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-20-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-20-1536x864.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-20-1500x844.jpeg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-20.jpeg 1919w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" data-id=\"30295\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-21-1024x575.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30295\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-21-1024x575.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-21-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-21-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-21-1536x863.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-21-1500x843.jpeg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-21.jpeg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">N\u00e3o s\u00f3 o n\u00famero de mulheres aumentou: os campeonatos em que disputam tamb\u00e9m est\u00e3o mais variados | Arte: Jo\u00e3o Victor Trindade\/Humanista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje a gente n\u00e3o tem meninas preparadas, acredito eu, vendo a F1 Academy, para chegar na F\u00f3rmula 1\u201d, analisa Bia Figueiredo. Enquanto essa menina n\u00e3o aparece, a presen\u00e7a de mulheres de forma regular em quase 80% dos campeonatos do mundo permite, ao menos, que cada vez mais meninas se inspirem e pensem que aquele \u00e9 um caminho poss\u00edvel para elas. \u201cChamar a aten\u00e7\u00e3o de meninas, para a gente ter mais meninas tentando, mais meninas entrando no kart, e acredito que daqui cinco, dez anos, quem sabe, a gente tenha uma F1 Academy com meninas prontas para tentar a F\u00f3rmula 1\u201d, conclui Figueiredo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao atravessar a linha de chegada do Grande Pr\u00eamio da Espanha de F\u00f3rmula 1 na sexta posi\u00e7\u00e3o, Lella Lombardi se tornou a primeira mulher a pontuar em uma prova do campeonato mundial. O meio ponto conquistado por Lombardi em Montju\u00efc, em 1975, \u00e9 at\u00e9 hoje o \u00fanico conquistado por uma mulher na principal categoria de &#8230; <a title=\"Em uma d\u00e9cada, participa\u00e7\u00e3o feminina nas categorias de entrada do automobilismo aumenta quase cinco vezes\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2026\/10\/22\/em-uma-decada-participacao-feminina-nas-categorias-de-entrada-do-automobilismo-aumenta-quase-cinco-vezes\/\" aria-label=\"More on Em uma d\u00e9cada, participa\u00e7\u00e3o feminina nas categorias de entrada do automobilismo aumenta quase cinco vezes\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":42,"featured_media":30281,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1032,361],"tags":[299,1188,1187,1189],"class_list":["post-30280","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagem-humanista","category-esporte","tag-esporte","tag-formula-1","tag-mulheres-no-esporte","tag-preconceito"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30280","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30280"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30280\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30300,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30280\/revisions\/30300"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30281"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}