﻿{"id":30314,"date":"2026-10-23T21:08:42","date_gmt":"2026-10-24T00:08:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=30314"},"modified":"2026-10-23T21:08:44","modified_gmt":"2026-10-24T00:08:44","slug":"descarte-incorreto-de-medicamentos-ameaca-o-meio-ambiente-e-expoe-falta-de-conscientizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2026\/10\/23\/descarte-incorreto-de-medicamentos-ameaca-o-meio-ambiente-e-expoe-falta-de-conscientizacao\/","title":{"rendered":"Descarte incorreto de medicamentos amea\u00e7a o meio ambiente e exp\u00f5e falta de conscientiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Abrir o arm\u00e1rio do banheiro e encontrar cartelas vencidas, xaropes esquecidos ou antibi\u00f3ticos que sobraram de algum tratamento \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o comum em muitos lares brasileiros. O que nem sempre recebe a mesma aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o destino dado a esses medicamentos. Jog\u00e1-los no lixo comum, na pia ou no vaso sanit\u00e1rio continua sendo uma pr\u00e1tica frequente, apesar dos riscos ambientais e sanit\u00e1rios associados a esse descarte.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o Brasil possua legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para a log\u00edstica reversa de medicamentos e uma rede de pontos de coleta distribu\u00edda pelo pa\u00eds, especialistas apontam que a falta de informa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 um dos principais obst\u00e1culos para que a popula\u00e7\u00e3o realize o descarte correto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4544412193057759\">Cl\u00e1udia Viviane Viegas<\/a>, professora na \u00e1rea de Responsabilidade Social da da Escola de Administra\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o descarte inadequado de medicamentos deve ser compreendido simultaneamente como um problema ambiental e de sa\u00fade p\u00fablica. Segundo ela, diversos estudos j\u00e1 demonstraram os efeitos negativos da presen\u00e7a de res\u00edduos farmac\u00eauticos na \u00e1gua e no solo. &#8220;A sociedade leiga, ou seja, a maior parte da sociedade, n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o dos riscos implicados no descarte incorreto de medicamentos&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um problema ambiental que passa despercebido<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando medicamentos s\u00e3o descartados em pias ou vasos sanit\u00e1rios, seus princ\u00edpios ativos podem chegar \u00e0s esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto. O problema \u00e9 que esses sistemas n\u00e3o foram projetados para remover completamente subst\u00e2ncias farmac\u00eauticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os compostos que mais preocupam os pesquisadores est\u00e3o os antibi\u00f3ticos e horm\u00f4nios sint\u00e9ticos presentes em anticoncepcionais. De acordo com Viegas, a exposi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de organismos aqu\u00e1ticos a essas subst\u00e2ncias pode provocar altera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas significativas. Estudos internacionais apontam, por exemplo, a feminiza\u00e7\u00e3o de peixes expostos a horm\u00f4nios presentes na \u00e1gua, comprometendo a reprodu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies e podendo causar desequil\u00edbrios populacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a pesquisadora destaca a rela\u00e7\u00e3o entre res\u00edduos de antibi\u00f3ticos e o avan\u00e7o da resist\u00eancia antimicrobiana, considerada uma das maiores amea\u00e7as globais \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>A doutora em Qu\u00edmica pela UFRGS <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7776133224288505\">Louise Jank<\/a> explica que, mesmo quando passam pelas esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto, muitos desses compostos continuam biologicamente ativos. Durante uma <a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/bitstream\/handle\/10183\/249530\/000823273.pdf%3Fsequence%3D1%26isAllowed%3Dy&amp;ved=2ahUKEwj_ieDpzdCXAxXElJUCHbEzMngQFnoECB0QAQ&amp;usg=AOvVaw26QYlZg3_iWaXBBetpTxFg\">pesquisa realizada em Porto Alegr<\/a>e, ela observou que a capacidade de remo\u00e7\u00e3o dos antibi\u00f3ticos variava conforme a subst\u00e2ncia analisada. Em alguns casos,&nbsp; cerca de 10% do composto era eliminado durante o tratamento, permitindo que a maior parte chegasse aos rios e demais corpos d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa presen\u00e7a constante de pequenas quantidades de antibi\u00f3ticos no ambiente gera um fen\u00f4meno conhecido como press\u00e3o seletiva. Na pr\u00e1tica, as bact\u00e9rias mais sens\u00edveis tendem a morrer, enquanto aquelas naturalmente resistentes sobrevivem e se multiplicam. Ao longo do tempo, isso favorece o aumento da circula\u00e7\u00e3o de microrganismos resistentes em ambientes aqu\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Jank, aquilo que h\u00e1 pouco mais de uma d\u00e9cada era tratado como uma hip\u00f3tese cient\u00edfica j\u00e1 foi confirmado por pesquisas recentes. Estudos identificaram <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rs\/rio-grande-do-sul\/noticia\/2026\/05\/11\/superbacteria-considerada-uma-das-mais-perigosas-do-mundo-e-encontrada-na-agua-de-porto-alegre.ghtml\">bact\u00e9rias resistentes nas \u00e1guas do Gua\u00edba<\/a>, evidenciando que os impactos da contamina\u00e7\u00e3o por res\u00edduos farmac\u00eauticos n\u00e3o est\u00e3o restritos aos laborat\u00f3rios ou a cen\u00e1rios distantes.<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias ultrapassam a esfera ambiental. A resist\u00eancia bacteriana reduz a efic\u00e1cia dos antibi\u00f3ticos utilizados na medicina humana e veterin\u00e1ria, dificultando o tratamento de infec\u00e7\u00f5es que hoje s\u00e3o consideradas simples. Para os pesquisadores, o avan\u00e7o desse fen\u00f4meno representa uma amea\u00e7a crescente \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica global, j\u00e1 que pode tornar doen\u00e7as comuns mais dif\u00edceis de controlar e aumentar os riscos associados a procedimentos m\u00e9dicos e interna\u00e7\u00f5es hospitalares.<\/p>\n\n\n\n<p>Louise Jank explica que o problema n\u00e3o termina quando o medicamento sai de casa. &#8220;Quando um medicamento \u00e9 descartado no lixo comum ou no vaso sanit\u00e1rio, ele acaba chegando ao meio ambiente&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, especialistas defendem que o descarte inadequado de medicamentos n\u00e3o deve ser visto apenas como uma quest\u00e3o de limpeza dom\u00e9stica ou gest\u00e3o de res\u00edduos. Trata-se de um problema ambiental complexo, capaz de afetar ecossistemas, a biodiversidade e, indiretamente, a pr\u00f3pria sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que diz a legisla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com o destino ambientalmente adequado dos medicamentos ganhou espa\u00e7o na legisla\u00e7\u00e3o brasileira a partir da<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2007-2010\/2010\/lei\/l12305.htm\"> Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos (PNRS)<\/a>, institu\u00edda pela Lei Federal n\u00ba 12.305, de 2010. Considerada um marco na gest\u00e3o de res\u00edduos no pa\u00eds, a norma introduziu o princ\u00edpio da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, estabelecendo que fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e o poder p\u00fablico devem dividir responsabilidades na redu\u00e7\u00e3o dos impactos ambientais causados pelos res\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a lei j\u00e1 previsse a implementa\u00e7\u00e3o de sistemas de log\u00edstica reversa para diferentes produtos, a regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para medicamentos s\u00f3 ocorreu dez anos depois. Em junho de 2020, o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2019-2022\/2020\/decreto\/d10388.htm\">Decreto n\u00ba 10.388<\/a> instituiu o sistema de log\u00edstica reversa para medicamentos domiciliares vencidos ou em desuso e suas embalagens ap\u00f3s o descarte pelos consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p>O decreto definiu como deveria funcionar toda a cadeia de recolhimento desses res\u00edduos. Na pr\u00e1tica, o consumidor \u00e9 respons\u00e1vel por entregar os medicamentos vencidos ou sem uso em pontos de coleta. As farm\u00e1cias e drogarias passam a atuar como locais de recebimento, enquanto distribuidores e fabricantes ficam encarregados da coleta, transporte e destina\u00e7\u00e3o final ambientalmente adequada dos materiais.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o pesquisador <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7194311060866381\">Andr\u00e9 Teixeira Pontes<\/a>, especialista em gest\u00e3o da assist\u00eancia farmac\u00eautica e log\u00edstica reversa, a regulamenta\u00e7\u00e3o representou um avan\u00e7o importante ao estabelecer responsabilidades claras para cada elo da cadeia. &#8220;Agora, as drogarias e farm\u00e1cias s\u00e3o estabelecidas como pontos fixos de coleta desses medicamentos&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de criar obriga\u00e7\u00f5es para o setor farmac\u00eautico, o decreto tamb\u00e9m estabeleceu metas de implementa\u00e7\u00e3o. O texto prev\u00ea a instala\u00e7\u00e3o gradual de pontos de recebimento em munic\u00edpios com maior densidade populacional, buscando ampliar o acesso da popula\u00e7\u00e3o aos sistemas de descarte adequado.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos avan\u00e7os, pesquisadores apontam que a exist\u00eancia da legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o garante, por si s\u00f3, a efetividade do sistema. Para Cl\u00e1udia Viegas, um dos principais gargalos est\u00e1 na aus\u00eancia de campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o capazes de informar a popula\u00e7\u00e3o sobre os riscos ambientais associados ao descarte inadequado e sobre a exist\u00eancia dos pontos de coleta.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a pesquisadora, o Brasil conta atualmente com empresas de log\u00edstica reversa formadas por entidades que representam a ind\u00fastria, a distribui\u00e7\u00e3o, a importa\u00e7\u00e3o e o varejo farmac\u00eautico. No entanto, a divulga\u00e7\u00e3o dessas iniciativas ainda \u00e9 limitada. &#8220;Existem sistemas nacionais de log\u00edstica reversa de medicamentos no Brasil, mas n\u00e3o h\u00e1 campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A percep\u00e7\u00e3o \u00e9 compartilhada por Andr\u00e9 Pontes. Para ele, os dois principais desafios para a consolida\u00e7\u00e3o da log\u00edstica reversa s\u00e3o ampliar a disponibilidade de pontos de coleta, especialmente fora dos grandes centros urbanos, e promover a\u00e7\u00f5es permanentes de educa\u00e7\u00e3o ambiental. &#8220;Os dois grandes desafios s\u00e3o a disponibiliza\u00e7\u00e3o de uma maior quantidade de pontos de coleta e a conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o&#8221;, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Entre a exist\u00eancia dos pontos de coleta e o desconhecimento da popula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante a produ\u00e7\u00e3o desta reportagem, uma visita \u00e0 uma das unidades da Panvel localizada na Avenida Ipiranga, em Porto Alegre, permitiu observar como funciona o descarte na pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma atendente da farm\u00e1cia, que preferiu n\u00e3o ser identificada, informou que a unidade participa do <a href=\"https:\/\/www.panvel.com\/panvel\/institucional\/descarte-de-medicamentos\">Programa Destino Certo<\/a>, iniciativa da pr\u00f3pria farm\u00e1cia, voltada \u00e0 coleta de medicamentos vencidos ou sem uso. Segundo ela, o material recolhido \u00e9 retirado aproximadamente uma vez por m\u00eas, dependendo da quantidade acumulada, o recolhimento \u00e9 realizado por duas empresas: BHS Brasil Health &amp; Sustainability (dona do <a href=\"https:\/\/www.descarteconsciente.com.br\/\">Programa Descarte Consciente<\/a>) e a Geyer Ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da disponibilidade do servi\u00e7o, a procura ainda \u00e9 baixa. &#8220;Normalmente as pessoas nem sabem que tem. Elas chegam no balc\u00e3o e perguntam: &#8216;voc\u00eas descartam medicamento vencido?&#8217;. A\u00ed a gente mostra a caixa de coleta&#8221;, relata.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-23-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30316\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-23-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-23-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-23-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-23.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Esta\u00e7\u00e3o de descarte dispon\u00edvel para consumidores em farm\u00e1cia de Porto Alegre | Imagem: Panvel<\/em>\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A caixa de coleta observada na unidade da Panvel integra uma rede maior de destina\u00e7\u00e3o adequada de medicamentos. Segundo informa\u00e7\u00f5es do Programa Descarte Consciente,, o sistema foi criado para evitar que medicamentos vencidos ou sem uso sejam descartados no lixo comum ou na rede de esgoto.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo come\u00e7a dentro de casa. A orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 que os consumidores revisem periodicamente seus estoques dom\u00e9sticos e separem medicamentos vencidos ou que n\u00e3o ser\u00e3o mais utilizados. Em seguida, esses materiais devem ser levados at\u00e9 um ponto de coleta credenciado, geralmente localizado em farm\u00e1cias participantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas esta\u00e7\u00f5es coletoras, os res\u00edduos s\u00e3o depositados de forma segura e armazenados at\u00e9 o recolhimento por empresas especializadas. A partir da\u00ed, entram em a\u00e7\u00e3o os demais elos da log\u00edstica reversa previstos pela legisla\u00e7\u00e3o: transportadores, distribuidores e empresas respons\u00e1veis pelo tratamento ambientalmente adequado dos res\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a coleta, os medicamentos seguem para tratamento t\u00e9rmico em unidades licenciadas, onde s\u00e3o incinerados em altas temperaturas para destruir completamente seus princ\u00edpios ativos. O processo busca evitar que subst\u00e2ncias farmac\u00eauticas retornem ao meio ambiente por meio de aterros ou cursos d\u2019\u00e1gua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Podem ser descartados comprimidos, c\u00e1psulas, pomadas, xaropes e outros medicamentos de uso domiciliar. J\u00e1 materiais perfurocortantes, como agulhas e seringas, exigem destina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e n\u00e3o devem ser depositados nesses coletores. Durante o per\u00edodo de constru\u00e7\u00e3o dessa reportagem tentamos contato com a BHS para mais informa\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o obtivemos resposta.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Andr\u00e9 Teixeira Pontes, o consumidor tamb\u00e9m deve encaminhar as embalagens dos medicamentos para a log\u00edstica reversa, mesmo quando estiverem vazias ou contiverem apenas pequenas sobras. &#8220;O indicado \u00e9 sempre encaminhar a embalagem tamb\u00e9m&#8221;, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo do sistema \u00e9 impedir que subst\u00e2ncias farmac\u00eauticas alcancem aterros sanit\u00e1rios, rios, lagos e len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos. Ap\u00f3s a coleta, os res\u00edduos recebem tratamento e destina\u00e7\u00e3o final adequados, reduzindo os riscos de contamina\u00e7\u00e3o ambiental e exposi\u00e7\u00e3o indevida da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image3-1-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-30318\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image3-1-1024x683.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image3-1-300x200.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image3-1-768x512.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image3-1-1500x1000.png 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image3-1-1020x680.png 1020w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image3-1.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>O caminho certo do descarte de rem\u00e9dios | Arte: elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Solu\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes e experi\u00eancias de reaproveitamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da log\u00edstica reversa tradicional, pesquisadores t\u00eam estudado alternativas para reduzir o desperd\u00edcio de medicamentos ainda dentro do prazo de validade. Cl\u00e1udia Viegas coordena pesquisas sobre redispensa\u00e7\u00e3o, sistema que permite o reaproveitamento de medicamentos em condi\u00e7\u00f5es adequadas para uso.<\/p>\n\n\n\n<p>No Rio Grande do Sul, a <a href=\"https:\/\/leisestaduais.com.br\/rs\/lei-ordinaria-n-15339-2019-rio-grande-do-sul-institui-o-programa-solidare-farmacia-solidaria-conscientizacao-doacao-reaproveitamento-dispensacao-para-a-populacao-e-descarte-de-medicamentos-no-ambito-do-estado-do-rio-grande-do-sul-e-da-outras-providencias\">Lei Estadual n\u00ba 15.339, de 2019<\/a>, criou o programa <a href=\"https:\/\/saude.rs.gov.br\/programa-farmacia-solidaria\">Farm\u00e1cias Solid\u00e1rias<\/a>, que recolhe medicamentos n\u00e3o vencidos e em bom estado para redistribui\u00e7\u00e3o mediante prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, segundo Viegas, existem 46 Farm\u00e1cias Solid\u00e1rias em funcionamento no estado, experi\u00eancias semelhantes tamb\u00e9m s\u00e3o encontradas em munic\u00edpios de S\u00e3o Paulo e Santa Catarina.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que ainda precisa mudar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Viegas argumenta que o sistema nacional de log\u00edstica reversa existe, mas carece de campanhas educativas capazes de informar a popula\u00e7\u00e3o sobre os riscos ambientais envolvidos. Pontes defende a amplia\u00e7\u00e3o dos pontos de coleta, a oferta de embalagens fracionadas e a\u00e7\u00f5es permanentes de educa\u00e7\u00e3o ambiental. J\u00e1 Louise Jank ressalta que o problema precisa ser enfrentado de maneira mais ampla, incluindo melhorias nos sistemas de tratamento de esgoto e debates sobre o uso intensivo de antibi\u00f3ticos na produ\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora os impactos do descarte inadequado sejam pouco vis\u00edveis no cotidiano, seus efeitos podem permanecer por longos per\u00edodos nos ecossistemas e atingir diretamente a sa\u00fade humana.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Reportagem desenvolvida na disciplina Jornalismo e Meio Ambiente no semestre 2026\/1, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Dra. Elo\u00edsa Beling Loose<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abrir o arm\u00e1rio do banheiro e encontrar cartelas vencidas, xaropes esquecidos ou antibi\u00f3ticos que sobraram de algum tratamento \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o comum em muitos lares brasileiros. O que nem sempre recebe a mesma aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o destino dado a esses medicamentos. Jog\u00e1-los no lixo comum, na pia ou no vaso sanit\u00e1rio continua sendo uma pr\u00e1tica &#8230; <a title=\"Descarte incorreto de medicamentos amea\u00e7a o meio ambiente e exp\u00f5e falta de conscientiza\u00e7\u00e3o\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2026\/10\/23\/descarte-incorreto-de-medicamentos-ameaca-o-meio-ambiente-e-expoe-falta-de-conscientizacao\/\" aria-label=\"More on Descarte incorreto de medicamentos amea\u00e7a o meio ambiente e exp\u00f5e falta de conscientiza\u00e7\u00e3o\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":42,"featured_media":30320,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1032],"tags":[1191,1190,263],"class_list":["post-30314","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagem-humanista","tag-lixo","tag-medicamentos","tag-meioambiente"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30314","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30314"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30314\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30321,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30314\/revisions\/30321"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30320"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}