﻿{"id":30353,"date":"2026-10-27T20:20:07","date_gmt":"2026-10-27T23:20:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=30353"},"modified":"2026-10-27T20:20:08","modified_gmt":"2026-10-27T23:20:08","slug":"arborizacao-urbana-reduz-os-impactos-da-poluicao-sonora-e-amplia-o-conforto-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2026\/10\/27\/arborizacao-urbana-reduz-os-impactos-da-poluicao-sonora-e-amplia-o-conforto-ambiental\/","title":{"rendered":"Arboriza\u00e7\u00e3o urbana reduz os impactos da polui\u00e7\u00e3o sonora e amplia o conforto ambiental"},"content":{"rendered":"\n<p>O som dos motores, buzinas e obras faz parte da rotina de quem vive nas grandes cidades. Em Porto Alegre, a paisagem sonora urbana \u00e9 marcada por uma combina\u00e7\u00e3o de ru\u00eddos que acompanham os moradores ao longo do dia. Presentes nas ruas, nos deslocamentos e nos espa\u00e7os p\u00fablicos, esses sons costumam ser naturalizados por quem \u00e9 obrigado a conviver diariamente com eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Reconhecida pelo <a href=\"https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/172389-inc%C3%AAndios-florestais-polui%C3%A7%C3%A3o-sonora-e-descompasso-nos-ciclos-de-vida-s%C3%A3o-amea%C3%A7as-ambientais\">Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente<\/a> (PNUMA) como uma das principais amea\u00e7as ambientais emergentes das cidades contempor\u00e2neas, a polui\u00e7\u00e3o sonora est\u00e1 associada a problemas como estresse, dist\u00farbios do sono, preju\u00edzos cognitivos e redu\u00e7\u00e3o da qualidade de vida. O relat\u00f3rio<a href=\"https:\/\/www.unep.org\/pt-br\/resources\/fronteiras-2022-barulho-chamas-e-descompasso\">\u201cFronteiras 2022: Barulho, Chamas e<\/a> <a href=\"https:\/\/www.unep.org\/pt-br\/resources\/fronteiras-2022-barulho-chamas-e-descompasso\">Descompasso\u201d<\/a> inclui o ru\u00eddo urbano entre os desafios ambientais emergentes, ao lado do aumento dos inc\u00eandios florestais e do descompasso dos ciclos naturais \u2013 fen\u00f4meno que vem alterando a sincronia entre as esp\u00e9cies e comprometendo o equil\u00edbrio dos ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ibama\/pt-br\/assuntos\/emissoes-e-residuos\/emissoes\/programa-silencio\">Programa Nacional de Educa\u00e7\u00e3o e Controle da Polui\u00e7\u00e3o Sonora (Programa<\/a> <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ibama\/pt-br\/assuntos\/emissoes-e-residuos\/emissoes\/programa-silencio\">Sil\u00eancio)<\/a>, coordenado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama), tamb\u00e9m alerta para os impactos da exposi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua ao excesso de ru\u00eddos. Com base em diretrizes da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o programa aponta que a polui\u00e7\u00e3o sonora pode desencadear rea\u00e7\u00f5es de estresse, dificuldades de concentra\u00e7\u00e3o, dist\u00farbios do sono e problemas cardiovasculares. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, a exposi\u00e7\u00e3o prolongada ao ru\u00eddo mant\u00e9m o organismo em estado de alerta constante, comprometendo o descanso e a sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ru\u00eddo, acessibilidade e inclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora os efeitos da polui\u00e7\u00e3o sonora sejam sentidos por toda a popula\u00e7\u00e3o, eles n\u00e3o atingem todas as pessoas da mesma forma. Para indiv\u00edduos autistas, os est\u00edmulos sonoros presentes no ambiente urbano podem representar uma barreira adicional \u00e0 circula\u00e7\u00e3o e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>A terapeuta ocupacional Lu\u00edsa Hartwig, do Centro de Refer\u00eancia do Transtorno Autista (Certa), explica que altera\u00e7\u00f5es no processamento sensorial s\u00e3o frequentes entre pessoas autistas e podem se manifestar por meio da hipersensibilidade auditiva. &#8220;A hipersensibilidade auditiva \u00e9 uma resposta exagerada a um est\u00edmulo sensorial. Sons que, para a maioria das pessoas, s\u00e3o considerados normais podem provocar respostas emocionais, cognitivas ou comportamentais&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a especialista, ambientes marcados por tr\u00e2nsito intenso, buzinas, obras e grande circula\u00e7\u00e3o de pessoas podem desencadear sobrecarga sensorial. Irrita\u00e7\u00e3o, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o, choro e crises s\u00e3o algumas das manifesta\u00e7\u00f5es observadas. &#8220;Ningu\u00e9m gosta de ficar desconfort\u00e1vel em um ambiente. Quanto mais a pessoa sofre com aqueles est\u00edmulos que ela n\u00e3o suporta, pode acontecer uma sobrecarga sensorial e ela vai tender a evitar certos espa\u00e7os e acabar se isolando. A hipersensibilidade pode causar essa limita\u00e7\u00e3o na participa\u00e7\u00e3o social&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Hartwig, esse cen\u00e1rio evidencia a import\u00e2ncia de pensar estrat\u00e9gias que permitam a perman\u00eancia dessas pessoas nos diferentes espa\u00e7os da cidade. Medidas como a cria\u00e7\u00e3o de ambientes de autorregula\u00e7\u00e3o sensorial, a disponibiliza\u00e7\u00e3o de abafadores de ru\u00eddo e protetores auriculares e a sinaliza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via sobre as caracter\u00edsticas sonoras de determinados eventos podem tornar esses locais mais acess\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>A necessidade de adapta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m dialoga com a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13146.htm\">Lei Brasileira de Inclus\u00e3o da Pessoa com Defici\u00eancia (Lei n\u00ba 13.146\/2015)<\/a>, que amplia o conceito de acessibilidade para al\u00e9m da elimina\u00e7\u00e3o de barreiras arquitet\u00f4nicas. A legisla\u00e7\u00e3o prev\u00ea a promo\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es que garantam participa\u00e7\u00e3o social em igualdade de oportunidades, o que inclui refletir sobre como as caracter\u00edsticas do ambiente urbano podem favorecer ou limitar a perman\u00eancia de pessoas com diferentes formas de percep\u00e7\u00e3o sensorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da psic\u00f3loga ambiental e professora da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) Alessandra Bianchi, esse debate tamb\u00e9m passa pela forma como as cidades s\u00e3o planejadas. Segundo ela, caracter\u00edsticas do ambiente influenciam diretamente a maneira como as pessoas utilizam os espa\u00e7os urbanos. &#8220;Tem v\u00e1rios fatores ambientais que modificam a maneira como a gente se comporta. Se o ambiente \u00e9 aversivo, a pessoa tende a sair menos de casa, caminhar menos e ocupar menos os espa\u00e7os da cidade&#8221;, aponta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel das \u00e1rvores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entre as estrat\u00e9gias capazes de minimizar os impactos da polui\u00e7\u00e3o sonora nas cidades, a arboriza\u00e7\u00e3o aparece como uma importante aliada. Al\u00e9m de contribuir para a qualidade do ar, a regula\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica e a preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, \u00e1reas verdes podem ajudar a amenizar a intensidade dos ru\u00eddos presentes no ambiente urbano.<\/p>\n\n\n\n<p>A especialista em Planejamento e Gest\u00e3o Ambiental Carine Borba explica que esse efeito est\u00e1 relacionado \u00e0 quantidade e \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o. Segundo ela, copas, folhas e troncos funcionam como obst\u00e1culos que auxiliam na dispers\u00e3o e absor\u00e7\u00e3o das ondas sonoras. &#8220;A arboriza\u00e7\u00e3o urbana vai dar esse efeito principalmente quando tiver uma grande quantidade de \u00e1rvores, porque a copa e as folhas fazem esse amortecimento dos ru\u00eddos&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-4-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-30354\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-4-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-4-300x169.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-4-768x432.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-4-1536x864.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-4-1500x844.png 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-4.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Corredores arborizados e \u00e1reas verdes extensas costumam apresentar resultados mais significativos do que \u00e1rvores isoladas distribu\u00eddas ao longo das ruas. Para Borba, a presen\u00e7a de vegeta\u00e7\u00e3o pode contribuir para tornar os espa\u00e7os urbanos menos hostis e mais agrad\u00e1veis para quem circula por eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Alessandra Bianchi explica que pensar a qualidade sonora das cidades n\u00e3o significa eliminar todos os sons, mas refletir sobre quais est\u00edmulos comp\u00f5em a experi\u00eancia cotidiana das pessoas. Segundo a especialista, sons naturais costumam ser percebidos de forma diferente dos ru\u00eddos produzidos pelo tr\u00e2nsito e por outras atividades urbanas. &#8220;Uma aus\u00eancia completa de estimula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o faz bem. O importante \u00e9 o tipo de est\u00edmulo. O som do vento nas \u00e1rvores, de uma cachoeira ou do mar produz uma experi\u00eancia muito diferente de um ru\u00eddo repetitivo ou artificial&#8221;, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga destaca que o planejamento urbano que incorpora \u00e1reas verdes pode contribuir para ambientes sonoros mais equilibrados. Com isso,&nbsp; a predomin\u00e2ncia de ru\u00eddos urbanos \u00e9 reduzida,favorecendo a presen\u00e7a de sons naturais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um exemplo dentro de Porto Alegre<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Poucos metros adiante do fluxo intenso da Avenida Bento Gon\u00e7alves, uma realidade diferente se desenha dentro dos muros do Hospital Psiqui\u00e1trico S\u00e3o Pedro. Em uma manh\u00e3 fria de quinta-feira, quatro usu\u00e1rias da institui\u00e7\u00e3o percorrem lentamente os caminhos do Jardim Terap\u00eautico. Guiadas por uma terapeuta ocupacional, observam folhas, tocam diferentes texturas vegetais e aproximam o rosto das plantas para sentir seus aromas. Enquanto o tr\u00e2nsito segue intenso do lado de fora, o espa\u00e7o \u00e9 atravessado principalmente pelo som do vento entre as \u00e1rvores e pelo canto dos p\u00e1ssaros.<\/p>\n\n\n\n<p>A cena faz parte das atividades desenvolvidas no Jardim Terap\u00eautico, iniciativa que utiliza elementos da natureza como ferramenta de cuidado e estimula\u00e7\u00e3o sensorial. Fruto da recupera\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea antes abandonada do hospital, o espa\u00e7o foi inaugurado em 18 de maio de 2021, no Dia Nacional da Luta Antimanicomial, como parte das a\u00e7\u00f5es de desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o dos tratamentos em sa\u00fade mental. Em 2025, o jardim passou a incorporar atividades voltadas \u00e0 estimula\u00e7\u00e3o sensorial em parceria com o CERTA e o Jardim Bot\u00e2nico de Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p>O jardim integra uma proposta de cuidado alinhada aos princ\u00edpios da reforma psiqui\u00e1trica, que busca ampliar as possibilidades de conviv\u00eancia, autonomia e participa\u00e7\u00e3o social dos usu\u00e1rios dos servi\u00e7os de sa\u00fade mental. Para a terapeuta ocupacional Simone Meyer, uma das respons\u00e1veis pela iniciativa, a rela\u00e7\u00e3o com a natureza tamb\u00e9m faz parte desse processo de ressignifica\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os e das experi\u00eancias. &#8220;A ideia \u00e9 ampliar as possibilidades de rela\u00e7\u00e3o com o ambiente, criando oportunidades para acessar mem\u00f3rias, estimular os sentidos e construir novas formas de intera\u00e7\u00e3o com o espa\u00e7o e com a cidade.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O engenheiro ambiental Leandro Dal Ri, respons\u00e1vel pelo projeto, explica que o jardim foi planejado para acolher diferentes formas de percep\u00e7\u00e3o sensorial, especialmente de pessoas mais sens\u00edveis aos est\u00edmulos do ambiente. A organiza\u00e7\u00e3o privilegia experi\u00eancias graduais, reduz contrastes abruptos e busca criar um espa\u00e7o de perman\u00eancia e conforto.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao percorrer o jardim, essa proposta se traduz em diferentes elementos. Caminhos com curvas suaves conduzem o trajeto, esp\u00e9cies vegetais convidam \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de texturas e aromas, troncos de \u00e1rvores podem ser utilizados em atividades de coordena\u00e7\u00e3o motora e equil\u00edbrio, enquanto instala\u00e7\u00f5es art\u00edsticas se movimentam com o vento sem produzir sons estridentes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image1-3-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30357\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image1-3-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image1-3-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image1-3-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image1-3-1536x1153.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image1-3-1500x1126.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image1-3.jpg 1999w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>O engenheiro ambiental Leandro Dal Ri explica que os caminhos em curvas suaves foram projetados para facilitar a adapta\u00e7\u00e3o de pessoas autistas aos est\u00edmulos do espa\u00e7o | Foto: Evelise Machado<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A arboriza\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, ocupa papel central no projeto. Segundo Dal Ri, a escolha das esp\u00e9cies e a disposi\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o foram pensadas para criar um ambiente mais acolhedor e minimizar interfer\u00eancias externas. &#8220;A ideia foi botar alta diversidade&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda em processo de expans\u00e3o, um cintur\u00e3o de \u00e1rvores envolve parte do espa\u00e7o e funciona como uma barreira vegetal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Avenida Bento Gon\u00e7alves. Al\u00e9m de refor\u00e7ar a sensa\u00e7\u00e3o de isolamento em rela\u00e7\u00e3o ao ambiente urbano, a vegeta\u00e7\u00e3o ajuda a amenizar a influ\u00eancia sonora do tr\u00e2nsito, criando condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis para as atividades desenvolvidas no local.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-24-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30355\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-24-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-24-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-24-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-24-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-24-1500x1125.jpeg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-24.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Cercado por \u00e1rvores, o Jardim Terap\u00eautico do Hospital S\u00e3o Pedro cria uma barreira natural contra o ru\u00eddo da Avenida Bento Gon\u00e7alves <\/em>| <em>Foto: Evelise Machado<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como ampliar as \u00e1reas verdes nas cidades?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As experi\u00eancias desenvolvidas no Jardim Terap\u00eautico do Hospital Psiqui\u00e1trico S\u00e3o Pedro levantam uma quest\u00e3o que ultrapassa os limites da institui\u00e7\u00e3o: se a presen\u00e7a de \u00e1reas verdes pode contribuir para reduzir ru\u00eddos, amenizar o estresse e promover conforto ambiental, qual a import\u00e2ncia atribu\u00edda \u00e0 arboriza\u00e7\u00e3o no planejamento e na ocupa\u00e7\u00e3o das cidades?<\/p>\n\n\n\n<p>Em Porto Alegre, a arboriza\u00e7\u00e3o urbana aparece como uma das diretrizes do Plano Diretor Urbano Sustent\u00e1vel (PDUS). Segundo a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), o documento reconhece as \u00e1rvores como parte do Sistema Ecol\u00f3gico da cidade e prev\u00ea a amplia\u00e7\u00e3o de \u00e1reas verdes, corredores ecol\u00f3gicos e espa\u00e7os perme\u00e1veis, al\u00e9m de trat\u00e1-las como elemento central para a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a qualifica\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, a gest\u00e3o da arboriza\u00e7\u00e3o \u00e9 alvo de cr\u00edticas de especialistas e entidades ambientais. O diretor cient\u00edfico da Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Prote\u00e7\u00e3o ao Ambiente Natural (Agapan), Francisco Milanez, afirma que Porto Alegre j\u00e1 foi refer\u00eancia em arboriza\u00e7\u00e3o de rua, mas perdeu cobertura ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas. \u201cN\u00f3s \u00e9ramos a capital com maior \u00edndice de arboriza\u00e7\u00e3o de rua. Nos \u00faltimos 20 anos, s\u00f3 fizeram praticamente cortar\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados da Secretaria Municipal de Servi\u00e7os Urbanos (SMSUrb) mostram que, entre 2022 e 2026, foram executadas milhares de ordens de servi\u00e7o de manejo arb\u00f3reo. Atualmente, os servi\u00e7os de poda e supress\u00e3o realizados pela prefeitura s\u00e3o executados por empresas terceirizadas contratadas pelo munic\u00edpio. Apenas em 2025, foram registradas 3.425 ordens de poda e 1.214 de supress\u00e3o de vegetais. A secretaria esclarece que os n\u00fameros se referem \u00e0s ordens executadas pelas empresas, e n\u00e3o necessariamente ao total de \u00e1rvores manejadas, afirmando que os servi\u00e7os s\u00e3o fiscalizados por equipes t\u00e9cnicas habilitadas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table is-style-regular\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th><strong>Manejo arb\u00f3reo<\/strong><\/th><th><strong>2022<\/strong><\/th><th><strong>2023<\/strong><\/th><th><strong>2024<\/strong><\/th><th><strong>2025<\/strong><\/th><th><strong>2026*<\/strong><\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>Podas (ordens de servi\u00e7o)<\/td><td>1812<\/td><td>3268<\/td><td>1063<\/td><td>3425<\/td><td>593<\/td><\/tr><tr><td>Supress\u00f5es (ordens de servi\u00e7o)<\/td><td>481<\/td><td>974<\/td><td>317<\/td><td>1214<\/td><td>470<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption class=\"wp-element-caption\">*Dados parciais at\u00e9 junho de 2026 | Fonte: SMUrb.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Milanez, entretanto, questiona o modelo adotado. Segundo ele, a terceiriza\u00e7\u00e3o incentiva interven\u00e7\u00f5es recorrentes e dificulta uma gest\u00e3o voltada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores. \u201cA empresa terceirizada ganha por poda. Ent\u00e3o, quanto mais podam, mais ganham\u201d, analisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme dados da pr\u00f3pria Smamus, nos \u00faltimos quatro anos foram plantadas 6.580 \u00e1rvores nativas em \u00e1reas p\u00fablicas, incluindo ruas, pra\u00e7as e parques, por meio de empresas terceirizadas contratadas pelo munic\u00edpio. Embora o n\u00famero indique a\u00e7\u00f5es de amplia\u00e7\u00e3o da cobertura vegetal, Milanez afirma que o impacto efetivo dessas iniciativas depende do desenvolvimento das \u00e1rvores ao longo do tempo e da capacidade de manuten\u00e7\u00e3o das mudas. \u201cTu cortar uma \u00e1rvore e plantar mudinhas e dizer que foi reposto n\u00e3o \u00e9 equivalente. Dez ou cem mudas n\u00e3o d\u00e3o uma \u00e1rvore\u201d, analisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto de debate envolve o planejamento urbano. Embora o PDUS reconhe\u00e7a a import\u00e2ncia da infraestrutura verde, o principal instrumento espec\u00edfico para a gest\u00e3o da arboriza\u00e7\u00e3o na cidade permanece desatualizado h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas. Elaborado em 2006, o <a href=\"https:\/\/lproweb.procempa.com.br\/pmpa\/prefpoa\/smam\/usu_doc\/resolucaoo_5_comam_republicacao_final.pdf\">Plano Diretor de Arboriza\u00e7\u00e3o Urbana<\/a> ainda aguarda revis\u00e3o. De acordo com a Smamus, o documento passa por ajustes t\u00e9cnicos e a abertura do processo licitat\u00f3rio para sua atualiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 prevista para 2026.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Reportagem desenvolvida na disciplina Jornalismo e Meio Ambiente no semestre 2026\/1, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Dra. Elo\u00edsa Beling Loose.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O som dos motores, buzinas e obras faz parte da rotina de quem vive nas grandes cidades. Em Porto Alegre, a paisagem sonora urbana \u00e9 marcada por uma combina\u00e7\u00e3o de ru\u00eddos que acompanham os moradores ao longo do dia. Presentes nas ruas, nos deslocamentos e nos espa\u00e7os p\u00fablicos, esses sons costumam ser naturalizados por quem &#8230; <a title=\"Arboriza\u00e7\u00e3o urbana reduz os impactos da polui\u00e7\u00e3o sonora e amplia o conforto ambiental\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2026\/10\/27\/arborizacao-urbana-reduz-os-impactos-da-poluicao-sonora-e-amplia-o-conforto-ambiental\/\" aria-label=\"More on Arboriza\u00e7\u00e3o urbana reduz os impactos da polui\u00e7\u00e3o sonora e amplia o conforto ambiental\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":42,"featured_media":30358,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1032,1195],"tags":[1197,1196,23,16],"class_list":["post-30353","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagem-humanista","category-cidades","tag-arborizacao","tag-poluicao-sonora","tag-porto-alegre","tag-urbanismo"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30353","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30353"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30353\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30359,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30353\/revisions\/30359"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30358"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30353"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30353"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30353"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}