﻿{"id":3104,"date":"2019-06-07T18:32:28","date_gmt":"2019-06-07T21:32:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=3104"},"modified":"2021-10-14T00:20:26","modified_gmt":"2021-10-14T03:20:26","slug":"por-que-organicos-humanista-visita-cooperativa-que-produz-arroz-sem-agrotoxicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/06\/07\/por-que-organicos-humanista-visita-cooperativa-que-produz-arroz-sem-agrotoxicos\/","title":{"rendered":"Por que org\u00e2nicos? Humanista visita cooperativa que produz arroz sem agrot\u00f3xicos"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Bibiana Davila*<\/strong>, <em>com colabora\u00e7\u00e3o de<\/em> <strong>B\u00e1rbara Lima e Rene Almeida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Boa parte do arroz org\u00e2nico dispon\u00edvel na Loja da Reforma Agr\u00e1ria do Mercado P\u00fablico de Porto Alegre viaja pelo menos 39 quil\u00f4metros do Assentamento Capella at\u00e9 a capital dos ga\u00fachos. Os gr\u00e3os s\u00e3o fruto do trabalho das 29 fam\u00edlias que comp\u00f5em a <a href=\"http:\/\/www.coopan.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Coopan (Cooperativa de Produ\u00e7\u00e3o Agropecu\u00e1ria Nova Santa Rita)<\/strong><\/a>, sediada em uma pequena comunidade no munic\u00edpio de Nova Santa Rita, na regi\u00e3o metropolitana, entre pomares e lembretes de que: \u201cse o campo n\u00e3o ro\u00e7a, a cidade n\u00e3o almo\u00e7a\u201d e \u201cpovo que ousa lutar, constr\u00f3i poder popular\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Semana do Meio Ambiente, a comunidade abriu as portas da sua produ\u00e7\u00e3o para alunos de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e de Jornalismo, acompanhados pelos professores Vera Schmitz e Bas\u00edlio Sartor, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), que mant\u00e9m projeto de extens\u00e3o universit\u00e1ria com os pequenos agricultores. O portal <strong>Humanista<\/strong>&nbsp;acompanhou a visita para conhecer a produ\u00e7\u00e3o do arroz org\u00e2nico e seus benef\u00edcios em detrimento do arroz branco, ainda mais comum nas prateleiras dos supermercados Brasil afora.<\/p>\n\n\n\n<p>O arroz produzido ali, ocupando cerca de 300 hectares do assentamento, chega aos cinco mil quilos por semana. As fam\u00edlias da cooperativa, oficializada em 1996 \u2014 mas criada na pr\u00e1tica em 1994 \u2014, recebem os lucros pelas horas de trabalho dedicado \u00e0 agricultura, enquanto as decis\u00f5es sobre o futuro da Coopan s\u00e3o tomadas de forma coletiva, em assembleias mensais. &#8220;A gente \u00e9 dono e empregado ao mesmo tempo&#8221;, explica Airton Luiz Rubenich, 50 anos, que est\u00e1 h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas na \u201cluta pela terra\u201d, como ele mesmo define.<\/p>\n\n\n\n<p>Junto aos amigos Flavio Luis Seller, 50, e Romeu Bosa, 52, parceiros desde os primeiros dias de \u201clona\u201d \u2014 nos acampamentos do <a href=\"http:\/\/www.mst.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)<\/strong><\/a> \u2014, Airton destaca que a terra \u00e9 apenas uma das facetas desta luta, tamb\u00e9m em busca de mais sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e lazer para a vida no campo. &#8220;A gente tira at\u00e9 f\u00e9rias, para passear. Qual o colono que pode tirar f\u00e9rias?&#8221;, brinca o agricultor, relembrando com carinho a participa\u00e7\u00e3o no Campeonato de Futebol da Reforma Agr\u00e1ria, no in\u00edcio do ano.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><iframe style=\"border: 0;\" src=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/embed?pb=!1m14!1m8!1m3!1d3463.1688863137633!2d-51.325139749657005!3d-29.77275771603108!3m2!1i1024!2i768!4f13.1!3m3!1m2!1s0x0%3A0x7d475b020bbfbef2!2sCooperativa+de+Produ%C3%A7ao+Agropecu%C3%A1ria+Nova+Santa+Rita+LTDA.!5e0!3m2!1spt-BR!2sbr!4v1559925490238!5m2!1spt-BR!2sbr\" width=\"600\" height=\"450\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n\n\n\n<p><em>Coopan fica a aproximadamente 50km do Mercado P\u00fablico de Porto Alegre<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>N\u00e3o aos agrot\u00f3xicos, sim \u00e0s pol\u00edticas de incentivo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o utilizar agrot\u00f3xicos na produ\u00e7\u00e3o foi uma das decis\u00f5es em conson\u00e2ncia com os ideais do movimento. \u201cVai passar veneno no pr\u00f3prio p\u00e9?\u201d, rejeitam os agricultores numa esp\u00e9cie de slogan. Eles tiveram a oportunidade de frequentar ainda na \u00e9poca de acampamento cursos sobre agroecologia e os perigos das subst\u00e2ncias qu\u00edmicas artificiais utilizadas nas lavouras. Como destacam, doen\u00e7as como c\u00e2ncer e infertilidade s\u00e3o cada vez mais comuns entre aqueles que seguem no modelo tradicional de agricultura.<\/p>\n\n\n\n<p>O grande desafio, entretanto, \u00e9 criar um produto saud\u00e1vel e acess\u00edvel \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, sem pre\u00e7os exorbitantes. Como o pr\u00f3prio Airton&nbsp;Rubenich defende, o apoio econ\u00f4mico do governo \u00e9 essencial para a competitividade dos produtos da agricultura familiar no mercado. Al\u00e9m disso, a comercializa\u00e7\u00e3o dos alimentos torna-se um gargalo: muitos esperam que al\u00e9m de cultivar os produtos, os agricultores saiam em busca de compradores \u2014 deixando de lado seus momentos de descanso. Para participar das feiras org\u00e2nicas em Porto Alegre, por exemplo, eles precisam acordar na madrugada e s\u00f3 retornam para casa no final da tarde, mesmo aos finais de semana.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das maneiras de diminuir os custos foi a cria\u00e7\u00e3o da agroind\u00fastria, uma s\u00e9rie de equipamentos que garantem a autonomia da Coopan, capazes de transformar o arroz plantado no assentamento nos gr\u00e3os embalados em pl\u00e1stico, vistos nas prateleiras de mercados e feirinhas. Mas o empreendimento s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o do custo do maquin\u00e1rio. Parte da nova gera\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 cresceu dentro do assentamento, Fernando Milibransa Bosa, 22 anos, \u00e9 um dos respons\u00e1veis pela opera\u00e7\u00e3o destas m\u00e1quinas. Contente em aprender sobre os equipamentos, ele confessa o desejo de se aventurar pelo mundo fora da agrovila. &#8220;Dos nossos, nenhum tem faculdade, mas agora os nossos filhos podem ter&#8221;, comemora Romeu Bosa, primo do pai de Fernando, esperan\u00e7oso sobre os novos filhos da terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Se \u00e9 verdade que nas \u00faltimas d\u00e9cadas pol\u00edticas p\u00fablicas de incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e consumo de alimentos org\u00e2nicos no Brasil avan\u00e7aram, o momento atual parece ser de retrocesso. O <a href=\"http:\/\/www.in.gov.br\/materia\/-\/asset_publisher\/Kujrw0TZC2Mb\/content\/id\/71137350\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Decreto N\u00ba 9.759<\/strong><\/a>, assinado em abril pelo presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, amea\u00e7a extinguir as <a href=\"http:\/\/www.agricultura.gov.br\/assuntos\/sustentabilidade\/organicos\/comissoes-da-producao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>CPOrg (Comiss\u00f5es de Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica)<\/strong><\/a> respons\u00e1veis pelo fomento e fiscaliza\u00e7\u00e3o de pequenos produtores, <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/04\/26\/extincao-dos-conselhos-federais-expressa-vies-autoritario-do-governo-avalia-sociologo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>afetando tamb\u00e9m outros colegiados de participa\u00e7\u00e3o social<\/strong><\/a>, o que provocou a cria\u00e7\u00e3o do movimento&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/obrasilprecisadeconselho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Brasil Precisa de Conselho<\/a>.&nbsp;<\/strong>&#8220;Daqui para frente, a luta vai ser maior&#8221;, prev\u00ea Romeu.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>MST: da luta ao assentamento<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide wp-image-3108\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"3533\" height=\"2360\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2657_ALT_AirtonFlavioERomeu.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3108\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2657_ALT_AirtonFlavioERomeu.jpg 3533w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2657_ALT_AirtonFlavioERomeu-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2657_ALT_AirtonFlavioERomeu-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2657_ALT_AirtonFlavioERomeu-1024x684.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 3533px) 100vw, 3533px\" \/><figcaption>Airton, Fl\u00e1vio e Romeu formam uma parceria que come\u00e7ou na luta pela terra.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l4504.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Estatuto da Terra<\/strong><\/a>, criado a partir da Lei 4504, de 30 de novembro de 1964 \u2014 um dos primeiros atos do governo ditatorial do general Castelo Branco, com o intuito de frear os movimentos campesinos \u2014 disp\u00f5e sobre a redistribui\u00e7\u00e3o das propriedades rurais, a partir de uma reforma agr\u00e1ria respons\u00e1vel por desapropriar \u00e1reas n\u00e3o-produtivas de grandes latifundi\u00e1rios, amparado tamb\u00e9m na &#8220;fun\u00e7\u00e3o social da propriedade&#8221; prevista na <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Constitui\u00e7\u00e3o de 1988<\/strong><\/a>. Apesar do texto constitucional, os \u00faltimos 50 anos mostraram que as a\u00e7\u00f5es do <a href=\"http:\/\/www.incra.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>INCRA (Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria)<\/strong><\/a> s\u00f3 s\u00e3o realizadas quando h\u00e1 press\u00e3o popular.<\/p>\n\n\n\n<p>O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra teve origem nos anos 1980 para oferecer a oposi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria aos grandes produtores e para p\u00f4r em pr\u00e1tica uma reforma agr\u00e1ria justa, na qual os trabalhadores n\u00e3o fossem enviados para os confins do Brasil \u2014 visando a desarticula\u00e7\u00e3o do movimento ou por interesses de ocupar as fronteiras \u2014 , mas, sim, para propriedades irregulares com potencial de serem espa\u00e7os produtivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos munic\u00edpios ga\u00fachos de Sarandi, Severino de Almeida e Ronda Alta, Airton Rubenich,&nbsp;Flavio Seller e Romeu Bosa, respectivamente, decidiram deixar suas casas para tr\u00e1s e se unir ao MST no final dos anos 1980. Em busca de oportunidades, solteiros e com 20 e poucos anos, eles n\u00e3o sabiam muito bem o que os esperava. &#8220;Sa\u00edmos em uma aventura&#8221;, lembra Fl\u00e1vio. Ele recorda que eles queriam algo \u201cdiferente\u201d: seguir no campo, sim, mas com qualidade de vida e uma por\u00e7\u00e3o de terra para cultivar.<\/p>\n\n\n\n<p>Por quatro anos, eles andaram por todo o Rio Grande do Sul, viveram juntos em acampamentos, foram perseguidos por fazendeiros e policiais. No dia a dia embaixo da lona, se reuniam para discutir os rumos da luta, as sa\u00eddas para a agricultura familiar, o futuro na vida do campo. Em 1994, finalmente, conseguiram a posse do Assentamento Capella. &#8220;As propriedades \u00e9 que s\u00e3o irregulares. A luta por elas, n\u00e3o&#8221;, argumenta D\u00e9cio Machado Monteiro, servidor do Incra no Rio Grande do Sul.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignwide columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2633_ALT-1024x768.jpg\" alt=\"\" data-id=\"3114\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2633_ALT.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/img_2633_alt\/\" class=\"wp-image-3114\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2633_ALT-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2633_ALT-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2633_ALT-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2648_ALT-1024x768.jpg\" alt=\"\" data-id=\"3112\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2648_ALT.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/img_2648_alt\/\" class=\"wp-image-3112\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2648_ALT-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2648_ALT-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2648_ALT-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2679_ALT-1024x768.jpg\" alt=\"\" data-id=\"3111\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2679_ALT.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/img_2679_alt\/\" class=\"wp-image-3111\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2679_ALT-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2679_ALT-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2679_ALT-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2642_ALT-1024x768.jpg\" alt=\"\" data-id=\"3113\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2642_ALT.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/img_2642_alt\/\" class=\"wp-image-3113\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2642_ALT-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2642_ALT-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_2642_ALT-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Fotos: T\u00e1bata Costa\/Especial Humanista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Rio Grande do Sul \u00e9 destaque na produ\u00e7\u00e3o de arroz org\u00e2nico<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo dados do <strong><a href=\"https:\/\/irga.rs.gov.br\/inicial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Irga (Instituto Rio Grandense do Arroz)<\/a><\/strong>, o plantio de arroz org\u00e2nico no Rio Grande do Sul ocupa seis mil hectares, sendo 4,6 mil em assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. O Irga, inclusive, reconhece o <a href=\"https:\/\/revistagloborural.globo.com\/Noticias\/Agricultura\/Arroz\/noticia\/2019\/01\/rio-grande-do-sul-lidera-producao-de-arroz-organico.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MST como maior produtor de arroz org\u00e2nico da Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/a>. A produtividade m\u00e9dia \u00e9 de 100 sacas por hectare e o custo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 a metade na compara\u00e7\u00e3o com o cultivo que usa agroqu\u00edmicos.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para entender mais sobre a produ\u00e7\u00e3o de arroz org\u00e2nico no Estado, o portal <strong>Humanista<\/strong> conversou com o <\/span>engenheiro agr\u00f4nomo Andr\u00e9 Oliveira,&nbsp;do Irga<span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><b>Qual a import\u00e2ncia da produ\u00e7\u00e3o de arroz org\u00e2nico para economia do Estado?<\/b><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora a produtividade do arroz org\u00e2nico em termos quantitativos seja inferior ao do arroz n\u00e3o org\u00e2nico, a produ\u00e7\u00e3o tem um impacto qualitativo importante. Tem um processo de produ\u00e7\u00e3o que n\u00e3o utiliza fertilizantes sint\u00e9ticos, ou seja, sem utiliza\u00e7\u00e3o de adubos altamente sol\u00faveis. Tamb\u00e9m n\u00e3o utiliza pesticidas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><b>Quais as diferen\u00e7as entre o arroz org\u00e2nico e o arroz usual?<\/b><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s tivemos um processo evolutivo desde os anos 1980, mas foi no in\u00edcio dos anos 2000 que a produ\u00e7\u00e3o da lavoura de arroz org\u00e2nico disparou, principalmente pela ades\u00e3o dos assentamentos rurais a essa modalidade. A vantagem \u00e9 que n\u00e3o tendo a utiliza\u00e7\u00e3o de pesticidas, \u00e9 poss\u00edvel cultivar hortali\u00e7as, por exemplo, na mesma paisagem da planta\u00e7\u00e3o de arroz. O custo de produ\u00e7\u00e3o do arroz org\u00e2nico por hectare est\u00e1 em torno de mil reais. Na produ\u00e7\u00e3o usual isso vai para 6 mil. E os rendimentos, por maiores que sejam, precisam ser compensadores. J\u00e1 uma produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica organizada consegue um rendimento m\u00e9dio mais atrativo. Temos uma d\u00edvida com a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, porque s\u00e3o poucas as pesquisas na \u00e1rea. H\u00e1 algumas iniciativas para melhorar a fertilidade do solo, para combater pragas etc., mas faltam pesquisas. Usamos variedades que j\u00e1 est\u00e3o mercado adaptando para produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica: arroz preto, vermelho, arroz de risoto. Ultimamente cresceu tamb\u00e9m a procura de farinha de arroz org\u00e2nico.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><b>Quais s\u00e3o os maiores produtores de arroz org\u00e2nico? Por que o Rio Grande do Sul est\u00e1 entre eles?<\/b><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Produzimos no estado desde 1983. A produ\u00e7\u00e3o deu um salto com a aprendizagem que os assentamentos rurais tiveram. Com o apoio de pol\u00edticas p\u00fablicas, a produ\u00e7\u00e3o cresceu. Quando falo isso, estou falando de reforma agr\u00e1ria. Isso aconteceu bastante na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre. Os assentamentos de Viam\u00e3o, Nova Santa Rita, Eldorado&#8230; esses assentamentos tem solo de voca\u00e7\u00e3o arrozeira. No come\u00e7o, muitos dos ruralistas assentados eram produtores de milho e n\u00e3o entendiam completamente o plantio do arroz. Isso gerou uma quebradeira inicial e, s\u00f3 depois, com as cooperativas e com alguns agricultores que j\u00e1 produziam bem, \u00e9 que houve inciativas para qualificar esses produtores rurais assentados, aumentando a produ\u00e7\u00e3o. Hoje, dos 6 mil hectares de cultivo, uns 4.500 est\u00e3o dos assentados. E eles j\u00e1 tiveram uma \u00e1rea maior. Mas hoje \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o relevante. O movimento das feiras org\u00e2nicas explodiu. At\u00e9 os mercados possuem esses produtos. Marcas como a Tio Jo\u00e3o j\u00e1 apresentam modelos org\u00e2nicos e integrais. Est\u00e1 crescendo muito. Antes havia um crescimento de nicho, agora temos um crescimento de segmento de mercado. As pessoas da cidade querem os org\u00e2nicos para o cuidado da sua sa\u00fade, principalmente depois dos 35 anos. Al\u00e9m disso, precisamos lembrar que a venda dos org\u00e2nicos \u00e9 a renda dos assentados. Ent\u00e3o, se no come\u00e7o eles estavam debilitados, hoje, pelo contr\u00e1rio, cresceram muito. Em Viam\u00e3o, por exemplo, onde existe plantio de arroz org\u00e2nico numa \u00e1rea de 1600 hectares tamb\u00e9m h\u00e1 uma \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, que n\u00e3o era compat\u00edvel com a produ\u00e7\u00e3o de arroz usual, por conta dos qu\u00edmicos. Hoje exportamos arroz org\u00e2nico para o exterior, para o Canad\u00e1, por exemplo.<\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><b>Uma alternativa saud\u00e1vel<\/b><\/h2>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas ser\u00e1 que o arroz org\u00e2nico \u00e9 uma boa op\u00e7\u00e3o para o dia a dia? A resposta dos especialistas \u00e9 sim. A <\/span>nutricionista Morgana Oliveira, formada pela <a href=\"https:\/\/www.ufcspa.edu.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>UFCSPA (Universidade Federal de Ci\u00eancias da Sa\u00fade de Porto Alegre)<\/strong><\/a>,&nbsp;<span style=\"font-weight: 400;\">explica que o alimento possui mais nutrientes que os tipos que possuem qu\u00edmicos em sua composi\u00e7\u00e3o. O <strong>Humanista<\/strong> tamb\u00e9m conversou com ela para saber os benef\u00edcios do arroz org\u00e2nico para a sa\u00fade.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><b>Quais os benef\u00edcios do arroz org\u00e2nico para a sa\u00fade?<\/b><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Todos os produtos org\u00e2nicos s\u00e3o mais interessantes por n\u00e3o terem pesticidas e fungicidas. Isso tem um ganho muito grande para sa\u00fade. Hoje o aumento de c\u00e2ncer e dist\u00farbios hormonais est\u00e1 cada vez maior relacionados ao uso de agrot\u00f3xicos. Quando n\u00e3o se pode ter uma alimenta\u00e7\u00e3o exclusivamente org\u00e2nica \u00e9 importante dar prefer\u00eancia para os alimentos mais consumidos no dia a dia como o arroz. \u00c0s vezes as pessoas reclamam que org\u00e2nico \u00e9 um pouco mais caro, mas \u00e9 um investimento em sa\u00fade e uma economia que se faz na farm\u00e1cia a longo prazo.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><b>Que maus os agrot\u00f3xicos podem fazer para a sa\u00fade?<\/b><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os alimentos ricos em pesticidas e fungicidas s\u00e3o pobres em nutrientes e antioxidantes. Esses antioxidantes que ir\u00e3o prevenir e combater as doen\u00e7as cr\u00f4nicas como a obesidade e o diabetes, al\u00e9m de prevenir a incid\u00eancia de c\u00e2ncer. Os alimentos com agrot\u00f3xicos ficam pobres desses nutrientes e por isso aumenta a preval\u00eancia de doen\u00e7as em pessoas que consomem alimentos muito ricos em agrot\u00f3xicos.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><b>H\u00e1 alguma dica de consumo diferente para o arroz org\u00e2nico?<\/b><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o. A diferen\u00e7a \u00e9 que ele \u00e9 muito mais saboroso. Uma dica que eu deixo \u00e9 fazer o teste, n\u00e3o s\u00f3 com arroz, mas com outros produtos org\u00e2nicos tamb\u00e9m: ver o sabor. Experimentar um produto org\u00e2nico e outro n\u00e3o org\u00e2nico. Tenho certeza que voc\u00ea n\u00e3o vai mais querer consumir um produto n\u00e3o-org\u00e2nico porque o aroma, o sabor \u00e9 imensamente melhor nos produtos org\u00e2nicos.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><b>Em que casos \u00e9 mais recomendado uma alimenta\u00e7\u00e3o org\u00e2nica?<\/b><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tem algumas situa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas que eu pe\u00e7o para o paciente priorizar uma alimenta\u00e7\u00e3o 100% org\u00e2nica. Em gestantes, porque os n\u00e3o-org\u00e2nicos acabam interferindo na forma\u00e7\u00e3o do feto e tem v\u00e1rios estudos comprovando o benef\u00edcios dos org\u00e2nicos para evitar doen\u00e7as cr\u00f4nicas e alergias no beb\u00ea. Outro grupo de risco que \u00e9 fundamental o consumo de org\u00e2nicos s\u00e3o os pacientes oncol\u00f3gicos, com c\u00e2ncer, com doen\u00e7as cr\u00f4nicas como a diabetes.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><b>O pre\u00e7o dos org\u00e2nicos acaba afastando muitos consumidores?<\/b><\/h5>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A ind\u00fastria est\u00e1 interessada em lucro. Quanto mais pessoas optarem pelos org\u00e2nicos, mais a ind\u00fastria vai se moldar para isso, e consequentemente os valores v\u00e3o ficar mais acess\u00edveis.<\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><em><strong>*Bibiana Davila<\/strong> \u00e9 aluna da disciplina de Assessoria de Imprensa na Fabico\/UFRGS, ministrada pelo professor Bas\u00edlio Sartor, que acompanhou a vista \u00e0 Coopan no dia 3 de junho de 2019.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>FOTOS: <em>T\u00e1bata Costa\/Humanista-especial<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bibiana Davila*, com colabora\u00e7\u00e3o de B\u00e1rbara Lima e Rene Almeida Boa parte do arroz org\u00e2nico dispon\u00edvel na Loja da Reforma Agr\u00e1ria do Mercado P\u00fablico de Porto Alegre viaja pelo menos 39 quil\u00f4metros do Assentamento Capella at\u00e9 a capital dos ga\u00fachos. Os gr\u00e3os s\u00e3o fruto do trabalho das 29 fam\u00edlias que comp\u00f5em a Coopan (Cooperativa de &#8230; <a title=\"Por que org\u00e2nicos? Humanista visita cooperativa que produz arroz sem agrot\u00f3xicos\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/06\/07\/por-que-organicos-humanista-visita-cooperativa-que-produz-arroz-sem-agrotoxicos\/\" aria-label=\"More on Por que org\u00e2nicos? 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