﻿{"id":3385,"date":"2019-07-02T19:17:17","date_gmt":"2019-07-02T22:17:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=3385"},"modified":"2019-09-17T09:57:58","modified_gmt":"2019-09-17T12:57:58","slug":"em-20-anos-sera-uma-catastrofe-alerta-pesquisador-sobre-mina-guaiba-ouca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/07\/02\/em-20-anos-sera-uma-catastrofe-alerta-pesquisador-sobre-mina-guaiba-ouca\/","title":{"rendered":"Em 20 anos, ser\u00e1 uma cat\u00e1strofe, alerta pesquisador sobre Mina Gua\u00edba; ou\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><em>Professor e pesquisador Rualdo Menegat repercute a audi\u00eancia p\u00fablica realizada no final de junho para avaliar consequ\u00eancias do projeto de minera\u00e7\u00e3o para Porto Alegre e regi\u00e3o metropolitana.<\/em><\/p>\n<p><strong>Camila Souza <\/strong>\/ #EntrevistaHumanista<\/p>\n<p>Quando o <strong>Humanista<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/05\/23\/mina-guaiba-mineracao-ameaca-assentamento-agroecologico-em-eldorado-do-sul-rs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>visitou o assentamento agroecol\u00f3gico Apol\u00f4nio de Carvalho<\/strong><\/a>, em Eldorado do Sul (RS), no in\u00edcio de 2019, entre uma conversa e outra, um agricultor parecia decidido a fazer o poss\u00edvel para evitar a remo\u00e7\u00e3o das 72 fam\u00edlias que vivem no local.\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEstamos aqui para manifestar a indigna\u00e7\u00e3o de mais de 400 fam\u00edlias&#8221;, \u00e9 a frase que utilizou Valcir de Oliveira ao cumprir parte da promessa, dessa vez referindo-se tamb\u00e9m \u00e0s fam\u00edlias atingidas pelo projeto <a href=\"http:\/\/copelmi.com.br\/mina-guaiba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Mina Gua\u00edba<\/strong><\/a> nos arredores. Foi durante audi\u00eancia p\u00fablica realizada no dia 27 de junho.<\/span><\/p>\n<p>Proposto pela mineradora <a href=\"http:\/\/copelmi.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Copelmi<\/strong><\/a>, o pol\u00eamico empreendimento que visa a\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">minerar carv\u00e3o a c\u00e9u aberto, a 20 quil\u00f4metros de Porto Alegre, aguarda concess\u00e3o de licen\u00e7a pela Fepam\/RS (Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Henrique Luiz Roessler) e mobiliza comunidade local e ambientalistas, que denunciam n\u00e3o s\u00f3 as consequ\u00eancias para o meio ambiente, mas tamb\u00e9m para a agricultura familiar e at\u00e9 para a sa\u00fade p\u00fablica. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E n\u00e3o \u00e9 para menos, alerta o professor <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/3893878416502561\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Rualdo Menegat<\/strong><\/a>, do <a href=\"http:\/\/igeo.ufrgs.br\/ig\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Instituto de Geoci\u00eancias<\/strong><\/a> da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul),\u00a0cuja avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que o projeto causa danos irrevers\u00edveis \u00e0 fauna, \u00e0 flora e \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel que abastece a Capital e a regi\u00e3o metropolitana:<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-3385-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-6a.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-6a.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-6a.mp3<\/a><\/audio>\n<hr \/>\n<p>Coordenador do <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/atlas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Atlas Ambiental de Porto Alegre<\/strong><\/a>, Menegat conhece como poucos o meio ambiente que cerca a metr\u00f3pole dos ga\u00fachos. Ouvido pelo #EntrevistaHumanista, o professor \u00e9 enf\u00e1tico ao defender a necessidade de um amplo debate sobre o tema, passando pela realiza\u00e7\u00e3o de uma audi\u00eancia p\u00fablica tamb\u00e9m em Porto Alegre. Segundo ele, ser\u00e3o 166 milh\u00f5es de toneladas de carv\u00e3o, ao longo de 23 anos, o que justifica toda a pondera\u00e7\u00e3o poss\u00edvel antes que uma decis\u00e3o definitiva seja tomada.<\/p>\n<hr \/>\n<figure id=\"attachment_3387\" aria-describedby=\"caption-attachment-3387\" style=\"width: 232px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3387\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/rualdo_menegat.jpg\" alt=\"\" width=\"242\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/rualdo_menegat.jpg 1074w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/rualdo_menegat-291x300.jpg 291w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/rualdo_menegat-768x792.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/rualdo_menegat-993x1024.jpg 993w\" sizes=\"(max-width: 242px) 100vw, 242px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3387\" class=\"wp-caption-text\">Professor Rualdo Menegat. Foto: Gustavo Diehl\/UFRGS<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>O que significa minerar carv\u00e3o? Na audi\u00eancia, a empresa argumentou que \u00e9 um processo seguro, sem riscos ambientais.<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A extra\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica, em que somente se corta o subsolo e se extrai um volume de rochas, que s\u00e3o trituradas e beneficiadas. O carv\u00e3o \u00e9 um composto qu\u00edmico altamente reativo. Assim que \u00e9 extra\u00eddo do subsolo \u00e0 superf\u00edcie, reage com o oxig\u00eanio e a \u00e1gua, produzindo drenagem \u00e1cida. Isso porque cont\u00e9m uma enorme quantidade de enxofre. No caso do Mina Gua\u00edba, pretendem extrair 166 milh\u00f5es de toneladas de carv\u00e3o, cada tonelada com 1,5% de enxofre. Isso resulta em uma quantidade de 2,4 milh\u00f5es de toneladas dessa subst\u00e2ncia trazidas \u00e0 superf\u00edcie. Dada a reatividade do enxofre com o oxig\u00eanio e a \u00e1gua, ser\u00e1 produzida drenagem \u00e1cida. Metais pesados, pr\u00f3ximos ao carv\u00e3o, como merc\u00fario, c\u00e1dmio, chumbo e ars\u00eanio ser\u00e3o transportados. \u00c9 literalmente um lix\u00e3o qu\u00edmico.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A geoqu\u00edmica de uma mina de carv\u00e3o \u00e9 de dif\u00edcil controle, porque a mina ser\u00e1 a c\u00e9u aberto. N\u00e3o \u00e9 uma ind\u00fastria em que tu podes analisar toda a quantidade de \u00e1gua perdida. Est\u00e1 sujeita, portanto, a intemp\u00e9ries que podem ter impacto nos pr\u00f3ximos 20 anos, aumentando a pluviosidade ao longo desse tempo. O controle da \u00e1gua e da drenagem \u00e1cida n\u00e3o ser\u00e1 um tema f\u00e1cil e o estudo de impacto ambiental apresentado pelo minerador n\u00e3o garante o controle disso, o que nos leva a supor que a \u00e1gua ser\u00e1 descarregada no Jacu\u00ed a exatamente 20 quil\u00f4metros de Porto Alegre. A \u00e1gua ter\u00e1 uma quantidade enorme de metais pesados e poluentes, chegando \u00e0s resid\u00eancias e promovendo a contamina\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-3385-2\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-1.mp3?_=2\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-1.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-1.mp3<\/a><\/audio>\n<hr \/>\n<p><strong>E quais as consequ\u00eancias \u00e0 qualidade de vida?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O organismo vivo &#8211; humanos, p\u00e1ssaros, vegetais &#8211; ret\u00e9m metais pesados, que se acumulam e ocasionam infec\u00e7\u00f5es e problemas de sa\u00fade. Nos debates realizados, o minerador n\u00e3o conseguiu demonstrar algo diferente disso, pois o controle da drenagem \u00e1cida exige a presen\u00e7a de barreiras geoqu\u00edmicas, o que o EIA\/Rima [Estudo de Impacto Ambiental\/Relat\u00f3rio de Impacto Ambiental, <a href=\"http:\/\/www.fepam.rs.gov.br\/central\/pdfs\/eiarimainstabril2002.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>exigidos pela Fepam<\/strong><\/a>]\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">n\u00e3o contempla. A conclus\u00e3o, ent\u00e3o, \u00e9 de que os rejeitos continuar\u00e3o produzindo drenagem \u00e1cida.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">No final, teremos um tanque \u00e1cido vazando essa drenagem at\u00e9 o len\u00e7ol fre\u00e1tico que alcan\u00e7a o Parque do Delta do Jacu\u00ed. Em vez do parque ecol\u00f3gico, haver\u00e1 a reten\u00e7\u00e3o de metais pesados. A \u00e1gua do Jacu\u00ed inunda v\u00e1rias planta\u00e7\u00f5es de arroz na redondeza, que ser\u00e3o afetadas. O arroz \u00e9 um absorvedor de c\u00e1dmio e ficar\u00e1 contaminado por essa subst\u00e2ncia. Os \u00f3rg\u00e3os do seres vivos absorver\u00e3o os metais pesados: basta uma pequena dose para entrarem em disfun\u00e7\u00e3o. Em 23 anos, ser\u00e1 uma cat\u00e1strofe.<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-3385-3\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-2.mp3?_=3\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-2.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-2.mp3<\/a><\/audio>\n<hr \/>\n<p><strong>Durante a audi\u00eancia, a Copelmi usou a minera\u00e7\u00e3o feita pela empresa na regi\u00e3o de Buti\u00e1 (RS) como bom exemplo. Qual a sua avalia\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o h\u00e1 mina de carv\u00e3o limpa no mundo. Se a mina de Buti\u00e1 fosse exemplo, a Copelmi n\u00e3o estaria pagando multa \u00e0 Fepam por crime ambiental. \u00c9 uma conversa de marketing que deve ser analisada com cuidado, j\u00e1 que n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade da minera\u00e7\u00e3o no mundo.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Os problemas de sa\u00fade em Buti\u00e1 e em Arroio dos Ratos [tamb\u00e9m no RS] s\u00e3o in\u00fameros. Ambos sofreram migra\u00e7\u00e3o significativa ap\u00f3s a minera\u00e7\u00e3o, pois as pessoas sa\u00edram de seus munic\u00edpios porque a vida se tornou impratic\u00e1vel. Essa hist\u00f3ria de fazer a cava de minera\u00e7\u00e3o e, depois, colocar um gramado com vaquinhas em cima e dizer que tudo est\u00e1 resolvido \u00e9 esconder um problema debaixo do tapete. A cava e os rejeitos do carv\u00e3o continuam reagindo e produzindo um tanque \u00e1cido.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">No caso do Mina Gua\u00edba, o minerador afirma que o siltito ser\u00e1 o material do piso onde o rejeito ser\u00e1 colocado por cima,\u00a0 mas esse siltito n\u00e3o garante a impermeabiliza\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o obviamente a drenagem \u00e1cida vazar\u00e1. O que o projeto prop\u00f5e \u00e9 o uso dessa rocha como impermeabilizante. Por\u00e9m, o material n\u00e3o contempla essa propriedade. Al\u00e9m disso, n\u00e3o preveem outros mecanismos de controle da drenagem \u00e1cida. N\u00e3o h\u00e1 garantia alguma.\u00a0<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-3385-4\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-3.mp3?_=4\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-3.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-3.mp3<\/a><\/audio>\n<hr \/>\n<p><strong>Esses fatores justificam a ampla oposi\u00e7\u00e3o da comunidade e de grupos ambientalistas?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A mina de carv\u00e3o n\u00e3o vai se estabelecer em um lugar vazio. Existem v\u00e1rias comunidades, inclusive a de arroz org\u00e2nico, que abastece a popula\u00e7\u00e3o com alimenta\u00e7\u00e3o de qualidade. As regi\u00f5es metropolitanas, em todos os locais modernos, t\u00eam como planejamento do seu territ\u00f3rio incluir cintur\u00f5es verdes \u00e0s suas \u00e1reas, para que a cidade possa consumir produtos agr\u00edcolas produzidos perto dela. As cidades precisam produzir alimentos. Isso \u00e9 muito importante porque baixamos os pre\u00e7os de produtos que v\u00eam de muito longe, e os cidad\u00e3os podem ter controle do que consomem. A mina vai, de fato, rebaixar o len\u00e7ol fre\u00e1tico (cerca de 100m), causando impacto at\u00e9 15 quil\u00f4metros al\u00e9m do per\u00edmetro, atingindo a margem do Gua\u00edba e do Jacu\u00ed. Esses fatores fazem com que a popula\u00e7\u00e3o rejeite um projeto de grande impacto, al\u00e9m do transtorno que a detona\u00e7\u00e3o por explosivos causar\u00e1 diariamente.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, h\u00e1 o problema na atmosfera. A extra\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o, que dever\u00e1 ser separado da rocha atrav\u00e9s de lavagem, ser\u00e1 colocada em uma enorme pilha, com um cone de 10m de altura e tamanho de 2mm, muito fino, de modo que qualquer vento ser\u00e1 capaz de remov\u00ea-lo, chegando na atmosfera e formando poeira. Essa poeira origina o fen\u00f4meno da chuva \u00e1cida, afetando autom\u00f3veis, resid\u00eancias e deteriorando a qualidade de vida de 4,6 milh\u00f5es de pessoas. Todos os moradores da regi\u00e3o da Mina sabem desses efeitos e seguramente devem se mobilizar, porque os impactos na sa\u00fade s\u00e3o imediatos.\u00a0<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-3385-5\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-4.mp3?_=5\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-4.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-4.mp3<\/a><\/audio>\n<hr \/>\n<p><strong>E a quest\u00e3o dos empregos? Justifica um empreendimento dessa magnitude?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O empreendimento se baseia na cria\u00e7\u00e3o de empregos e poss\u00edvel desenvolvimento. Contudo, o ambiente degradado, localizado no cora\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o metropolitana, ir\u00e1 gerar uma deteriora\u00e7\u00e3o. As pessoas ficar\u00e3o doentes. A mina de carv\u00e3o representa o oposto, pois retira a atratividade para um conjunto de servi\u00e7os que s\u00e3o fundamentais, como o turismo. Ningu\u00e9m quer ver a minera\u00e7\u00e3o em um local caracterizado pela presen\u00e7a de s\u00edtios bel\u00edssimos e \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o ambiental. Teremos, caso haja concess\u00e3o da licen\u00e7a de instala\u00e7\u00e3o, uma enorme \u00e1rea degradada e de dif\u00edcil recupera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-3385-6\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-5.mp3?_=6\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-5.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-5.mp3<\/a><\/audio>\n<hr \/>\n<p><strong>Quais as alternativas, ent\u00e3o, para a preserva\u00e7\u00e3o da \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com a mina, ser\u00e3o destru\u00eddos dois arroios superficiais: o Arroio Jacar\u00e9 e o Pesqueiros. Ademais, a paisagem mudar\u00e1 significativamente, com a destrui\u00e7\u00e3o do aqu\u00edfero encontrado na regi\u00e3o em que se deseja operar a mina. Esse local tem uma caixa de meio volume de \u00e1gua do Gua\u00edba, limpa e cristalina, que poderia ser usada como uma reserva de emerg\u00eancia. Podemos ser inteligentes e guardar essa \u00e1gua, como uma reserva estrat\u00e9gica que n\u00e3o temos, e, ao mesmo tempo, cuidar desse lugar como um local de turismo sustent\u00e1vel, de atividade agr\u00edcola org\u00e2nica, que ser\u00e1 uma preciosidade sem fim.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A troco de que vamos colocar em risco a cidade de Porto Alegre?\u00a0 O colapso do abastecimento de \u00e1gua significaria o colapso de Porto Alegre e, portanto, da regi\u00e3o metropolitana. \u00c9 razo\u00e1vel um empreendimento que coloque em risco milh\u00f5es de pessoas? \u00c9 isso que queremos como futuro? Que sociedade \u00e9 essa? Por que as autoridades n\u00e3o est\u00e3o agindo? Qual o argumento que coloca em risco o ambiente, a sa\u00fade das pessoas e o abastecimento de \u00e1gua?<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-3385-7\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-6.mp3?_=7\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-6.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-6.mp3<\/a><\/audio>\n<hr \/>\n<p><strong>Qual a sua avalia\u00e7\u00e3o sobre a decis\u00e3o que a Fepam deve tomar? A tend\u00eancia \u00e9 que conceda a licen\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o h\u00e1 garantias no estudo de impacto de que haja controle dessa complexidade. Associa-se a isso a dificuldade de governan\u00e7a de um empreendimento de alto impacto, afinal, s\u00e3o 166 milh\u00f5es de toneladas de carv\u00e3o que nunca existiram em nosso solo. Se n\u00e3o h\u00e1 capacidade de governan\u00e7a nem ao ordin\u00e1rio, imagina ao extraordin\u00e1rio? O Estado est\u00e1 com toda sua capacidade fiscalizat\u00f3ria sucateada. Como querem que se d\u00ea conta de uma mega minera\u00e7\u00e3o se n\u00e3o temos capacidade de controle? A sociedade n\u00e3o tem como monitorar esse empreendimento, que possui v\u00e1rias inconsist\u00eancias t\u00e9cnicas em seu estudo de impacto ambiental. Aprovar o projeto \u00e9 se sujeitar a uma aventura, \u00e9 jogar no escuro.<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-3385-8\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-7.mp3?_=8\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-7.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/RESPOSTA-7.mp3<\/a><\/audio>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><b>Audi\u00eancia P\u00fablica \u00e9 marcada por tens\u00e3o\u00a0<\/b><\/h5>\n<figure id=\"attachment_3399\" aria-describedby=\"caption-attachment-3399\" style=\"width: 629px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-3399 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/20190629-minaguaiba-1.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/20190629-minaguaiba-1.jpg 639w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/20190629-minaguaiba-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 639px) 100vw, 639px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3399\" class=\"wp-caption-text\">Comunidade e ambientalistas manifestaram contrariedade ao projeto Mina Gua\u00edba. Foto:\u00a0Maiara Rauber\/MST<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Charqueadas sediou o primeiro encontro para discutir o Mina Gua\u00edba, em mar\u00e7o. A Fepam exigiu um novo debate, atendendo \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o do MPE (Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual) e do MPF (Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal), ocorrido na \u00faltima quinta-feira, 27. Diferentemente da primeira audi\u00eancia, a segunda teve grande ades\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de serem introduzidos os dados coletados no EIA\/Rima\u00a0(Estudo de Impacto Ambiental\/Relat\u00f3rio de Impacto Ambiental), setores da sociedade manifestaram pontos de vista majoritariamente contr\u00e1rios, expostos por meio de questionamentos que ressaltaram os efeitos negativos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O clima foi de tens\u00e3o: em diversos momentos, moradores dos munic\u00edpios possivelmente afetados se exaltaram, alegando que o projeto destruiria o meio ambiente, representando um risco a todos os moradores do Rio Grande do Sul. Quando Cristiano Weber, gerente de sustentabilidade da Copelmi, tentou responder \u00e0s contesta\u00e7\u00f5es, vaias ecoavam pelo gin\u00e1sio lotado em Eldorado do Sul. As manifesta\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis surgiam t\u00edmidas, em meio \u00e0 blocos de contr\u00e1rias.\u00a0 <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A<\/span>\u00a0novidade foi mesmo a apresenta\u00e7\u00e3o do EIA\/Rima, com tempo reservado para que a sociedade pudesse expressar sua opini\u00e3o. Uma das principais consequ\u00eancias do empreendimento \u00e9 a realoca\u00e7\u00e3o do assentamento Apol\u00f4nio de Carvalho, onde os moradores cultivam arroz org\u00e2nico a partir da agricultura ecol\u00f3gica.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FOTO DE CAPA:\u00a0Maiara Rauber\/MST<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professor e pesquisador Rualdo Menegat repercute a audi\u00eancia p\u00fablica realizada no final de junho para avaliar consequ\u00eancias do projeto de minera\u00e7\u00e3o para Porto Alegre e regi\u00e3o metropolitana. Camila Souza \/ #EntrevistaHumanista Quando o Humanista visitou o assentamento agroecol\u00f3gico Apol\u00f4nio de Carvalho, em Eldorado do Sul (RS), no in\u00edcio de 2019, entre uma conversa e outra, &#8230; <a title=\"Em 20 anos, ser\u00e1 uma cat\u00e1strofe, alerta pesquisador sobre Mina Gua\u00edba; ou\u00e7a\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/07\/02\/em-20-anos-sera-uma-catastrofe-alerta-pesquisador-sobre-mina-guaiba-ouca\/\" aria-label=\"More on Em 20 anos, ser\u00e1 uma cat\u00e1strofe, alerta pesquisador sobre Mina Gua\u00edba; ou\u00e7a\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":3410,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[224,254,229],"tags":[],"class_list":["post-3385","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-humanistaentrevista","category-mais-lidos","category-meio-ambiente"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3385","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3385"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3385\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3410"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}