﻿{"id":4262,"date":"2019-09-19T19:37:21","date_gmt":"2019-09-19T22:37:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=4262"},"modified":"2019-09-28T12:26:55","modified_gmt":"2019-09-28T15:26:55","slug":"o-que-estudantes-gauchos-estao-aprendendo-sobre-a-revolucao-farroupilha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/09\/19\/o-que-estudantes-gauchos-estao-aprendendo-sobre-a-revolucao-farroupilha\/","title":{"rendered":"O que estudantes ga\u00fachos est\u00e3o aprendendo sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha"},"content":{"rendered":"<p><em>Humanista ouviu professoras de Porto Alegre e Alvorada para saber como a hist\u00f3ria do povo negro, sacrificado ao longo da guerra, \u00e9 trabalhada nas escolas.<\/em><\/p>\n<p><strong>Caroline Silveira<\/strong><\/p>\n<p>Setembro \u00e9 marcado no Rio Grande do Sul pelas celebra\u00e7\u00f5es em torno da <a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/historiab\/revolucao-farroupilha.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha<\/strong><\/a>, cujo signo \u00e9 o dia 20, feriado fixado no calend\u00e1rio oficial do Estado.\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">Chimarr\u00e3o, churrasco no fogo de ch\u00e3o; dan\u00e7as ao som de m\u00fasicas que conformam a cultura gauchesca. Um ato de civismo em torno de s\u00edmbolos consagrados historicamente. Mas o que mesmo aconteceu durante a guerra entre os ga\u00fachos e o Imp\u00e9rio no S\u00e9culo 19?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Oferecer respostas mais fidedignas em rela\u00e7\u00e3o aos acontecimentos t\u00eam sido um dos objetivos de professores que trabalham com alunos do Ensino Fundamental com quem o <strong>Humanista<\/strong> conversou essa semana (suas identidades s\u00e3o preservadas para evitar situa\u00e7\u00e3o de constrangimento no ambiente escolar). A come\u00e7ar pelo questionamento \u00e0 comemora\u00e7\u00e3o por um conflito cujo resultado foi desfavor\u00e1vel para o Rio Grande do Sul e, sobretudo, pelo alerta para o exterm\u00ednio de negros que compunham a linha de frente do ex\u00e9rcito ga\u00facho.\u00a0 \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha foi uma revolta de estancieiros que buscavam a valoriza\u00e7\u00e3o de sua produ\u00e7\u00e3o de couro e charque frente ao Imp\u00e9rio, que impunha impostos considerados excessivos. Come\u00e7ou em 1835, e durou 10 anos. Com a promessa de receber a liberdade ap\u00f3s os conflitos, escravos negros eram enviados para as batalhas contra o ex\u00e9rcito imperial. Com lan\u00e7as nas m\u00e3os e muitas vezes sem cavalaria, ficaram conhecidos como Lanceiros Negros. O epis\u00f3dio mais marcante\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">foi o Massacre dos Porongos, quando negros foram dizimados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuando trabalho esse texto com os alunos eles ficam revoltados. Dizem que n\u00e3o querem mais cantar o hino e comemorar a data, pois causa desconforto saber o que realmente aconteceu\u201d, revela a professora Maria*, do 5\u00ba ano de uma escola p\u00fablica de Alvorada (RS), na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre.\u00a0Ela se refere ao livro did\u00e1tico que usa, contando a hist\u00f3ria dos Lanceiros Negros, e \u00e0 estrofe do <a href=\"https:\/\/www.letras.mus.br\/hinos-de-estados\/126618\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Hino Riograndense<\/strong><\/a> que perpetua o racismo: &#8220;Mas n\u00e3o basta pra ser livre \/ Ser forte, aguerrido e bravo \/ Povo que n\u00e3o tem virtude \/ Acaba por ser escravo&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<h5><b>Precursor da liberdade\u00a0<\/b><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A hist\u00f3ria por tr\u00e1s do 20 de setembro, que fala do sacrif\u00edcio de escravos, emboscada e trai\u00e7\u00e3o ao povo negro, muitas vezes \u00e9 ignorada. N\u00e3o \u00e9 o caso da professora *Camila, do 5\u00ba ano do Ensino Fundamental de uma escola de Porto Alegre. Ela tenta fazer do dia, metaforicamente, o verdadeiro &#8220;precursor da liberdade&#8221;, como diz o hino. A inspira\u00e7\u00e3o? Professores que teve. \u201cEles eram muito \u00e0 frente do tempo, porque me ensinaram de forma diferenciada nos anos 80, quando nem se falava sobre os direitos humanos\u201d, lembra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na escola em que trabalha, a professora utiliza princ\u00edpios africanos para ensinar aos alunos a import\u00e2ncia do povo negro na hist\u00f3ria do Brasil e do Rio Grande do Sul. \u201cEu tenho um projeto de doc\u00eancia chamado <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">oluk\u00f3 ay\u00f3<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, que significa \u2018professora da alegria\u2019, em tradu\u00e7\u00e3o livre. Funciona com os princ\u00edpios afro-brasileiros. Eu organizo pr\u00e1ticas, aulas e projetos para trabalhar com as turmas, de acordo com seus n\u00edveis de percep\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Camila busca diferentes formas de trabalhar a hist\u00f3ria africana em aula sem omitir as partes delicadas, mas procura tamb\u00e9m n\u00e3o assustar ou ofender os alunos. \u201cEu come\u00e7o contando hist\u00f3rias que tenham personagens negros. Depois disso, fazemos um trabalho no qual eles expressam por meio de desenhos o que eles pensam da hist\u00f3ria\u201d, explica. E\u00a0 foi assim que uma de suas turmas participou da exposi\u00e7\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Africanidades<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, em 2017, no <a href=\"https:\/\/cultura.rs.gov.br\/memorial-rgs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Memorial do Rio Grande do Sul<\/strong><\/a>. As crian\u00e7as desenharam momentos da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha de acordo com o que sentiram ap\u00f3s ouvir a hist\u00f3ria contada pela professora em sala de aula.<\/span><\/p>\n<p>[slideshow_deploy id=&#8217;4266&#8217;&#93;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O <strong>Humanista<\/strong> foi ao <a href=\"http:\/\/www2.portoalegre.rs.gov.br\/acampamentofarroupilha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Acampamento Farroupilha<\/strong><\/a>, no Parque Harmonia, em Porto Alegre, acompanhar a visita das turmas com as quais a professora Maria, de Alvorada, trabalha. Entre as crian\u00e7as, todas animadas por sa\u00edrem da sala de aula, o maior encanto foi ao ver os animais de perto. Tamb\u00e9m houve interesse pelos instrumentos antigamente utilizados, como o ferro de passar roupa. Contudo, ao serem questionados sobre a comemora\u00e7\u00e3o da data, alguns alunos demonstraram n\u00e3o serem favor\u00e1veis. \u201cA professora nos contou a hist\u00f3ria, e foi muito injusto. Eu n\u00e3o sabia da hist\u00f3ria real, agora eu entendo que n\u00e3o \u00e9 legal fazer essas coisas com outros\u201d, conta Paula*, de 13 anos.<\/span><\/p>\n<p>&#91;caption id=&#8221;attachment_4263&#8243; align=&#8221;alignnone&#8221; width=&#8221;800&#8243;]<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4263 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Passeio-1-borrada-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Passeio-1-borrada-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Passeio-1-borrada-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Passeio-1-borrada-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/> Estudantes de escola p\u00fablica de Alvorada no Acampamento Farroupilha. Foto: J\u00falia Flor\/Humanista.[\/caption]<\/p>\n<hr \/>\n<h5><strong>Legisla\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o garante igualdade\u00a0<\/strong><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A <\/span><strong><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L9394.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">LDB<\/a><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> (Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o) regulamenta a integra\u00e7\u00e3o cultural. Mas nem sempre foi assim. S\u00f3 em 2013, depois de press\u00e3o por parte da sociedade civil, as diferen\u00e7as \u00e9tnico-raciais foram inclu\u00eddas nos curr\u00edculo de ensino nacional (t\u00edtulo II, artigo 3\u00ba, par\u00e1grafo XII). \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Promover medidas de conscientiza\u00e7\u00e3o, de preven\u00e7\u00e3o e de combate a todos os tipos de viol\u00eancia, especialmente a intimida\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica (bullying), no \u00e2mbito das escolas\u201d \u00e9 uma medida inclu\u00edda pela Lei n\u00ba 13.663, de 2018 (t\u00edtulo IV, artigo 12, par\u00e1grafo IX).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 o\u00a0<\/span><strong><a href=\"http:\/\/www.al.rs.gov.br\/filerepository\/repLegis\/arquivos\/LEI%2014.705.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PEE<\/a><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> (Plano Estadual de Educa\u00e7\u00e3o &#8211; Lei n\u00ba 14.705 de 25 de junho de 2015), prev\u00ea no Artigo 2, par\u00e1grafo XI, que uma de suas diretrizes \u00e9 o \u201ccombate ao racismo e a todas formas de preconceito\u201d.<\/span><\/p>\n<p>Os n\u00fameros do<span style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/www.forumseguranca.org.br\/atividades\/anuario\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong> Anu\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/strong><\/a>, divulgado em setembro, no entanto, revelam que a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficiente para garantir uma cultura livre de preconceitos. O<\/span>\u00a0<a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/seguranca\/noticia\/2019\/09\/rio-grande-do-sul-e-o-estado-com-mais-casos-de-injuria-racial-no-brasil-segundo-anuario-de-seguranca-publica-ck0ebuwey00k001tgwseesdxp.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Rio Grande do Sul \u00e9 o estado que mais registrou inj\u00farias raciais<\/strong><\/a>\u00a0em 2018 no Brasil. Foram 1.507 casos, que chamam a aten\u00e7\u00e3o para a longa luta que professores t\u00eam em escolas ga\u00fachas at\u00e9 garantir um ambiente de conv\u00edvio sem racismo.<\/p>\n<hr \/>\n<p>*Os nomes das fontes ouvidas pela reportagem s\u00e3o fict\u00edcios.<\/p>\n<hr \/>\n<p>FOTO DE CAPA: J\u00falia Flor\/Humanista<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Humanista ouviu professoras de Porto Alegre e Alvorada para saber como a hist\u00f3ria do povo negro, sacrificado ao longo da guerra, \u00e9 trabalhada nas escolas. Caroline Silveira Setembro \u00e9 marcado no Rio Grande do Sul pelas celebra\u00e7\u00f5es em torno da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha, cujo signo \u00e9 o dia 20, feriado fixado no calend\u00e1rio oficial do Estado.\u00a0Chimarr\u00e3o, &#8230; <a title=\"O que estudantes ga\u00fachos est\u00e3o aprendendo sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2019\/09\/19\/o-que-estudantes-gauchos-estao-aprendendo-sobre-a-revolucao-farroupilha\/\" aria-label=\"More on O que estudantes ga\u00fachos est\u00e3o aprendendo sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":4264,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[243,255],"tags":[],"class_list":["post-4262","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mais-recentes","category-outro-20-de-setembro"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4262","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4262"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4262\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4264"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4262"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4262"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4262"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}