﻿{"id":5730,"date":"2020-01-07T12:26:29","date_gmt":"2020-01-07T15:26:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=5730"},"modified":"2020-01-23T18:43:00","modified_gmt":"2020-01-23T21:43:00","slug":"escrevo-noticias-e-vendo-doces-da-faculdade-ao-semaforo-a-historia-do-jornalista-que-enfrenta-a-falta-de-emprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2020\/01\/07\/escrevo-noticias-e-vendo-doces-da-faculdade-ao-semaforo-a-historia-do-jornalista-que-enfrenta-a-falta-de-emprego\/","title":{"rendered":"&#8220;Escrevo not\u00edcias e vendo doces&#8221;: da faculdade ao sem\u00e1foro, a hist\u00f3ria do jornalista que enfrenta a falta de emprego"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Com forma\u00e7\u00e3o pela PUCRS, Anselmo Loureiro enfrenta o desemprego vendendo doces no sem\u00e1foro; pelo menos 4 milh\u00f5es de brasileiros t\u00eam mais qualifica\u00e7\u00e3o do que trabalho exige.<\/span><\/i><\/p>\n<p><b>Jadde Molossi<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u00c9 dif\u00edcil trabalhar na sinaleira. A gente est\u00e1 sujeito a muitos riscos, tem exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 fuma\u00e7a dos carros, motoqueiros que n\u00e3o nos respeitam\u2026 Tem que ter paci\u00eancia, jogo de cintura. As pessoas n\u00e3o t\u00eam empatia.&#8221; Uma reclama\u00e7\u00e3o recorrente entre<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> milh\u00f5es de brasileiros que, sem qualifica\u00e7\u00e3o, recorrem ao trabalho informal nos sem\u00e1foros. Nenhuma novidade. A curiosidade, no entanto, \u00e9 que desta vez quem reclama \u00e9\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">um jornalista egresso da <\/span><a href=\"https:\/\/ruf.folha.uol.com.br\/2019\/ranking-de-cursos\/comunicacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>7\u00aa melhor<\/strong><\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, a PUCRS (Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul). Rodolfo Anselmo Loureiro da Rosa, 33 anos, concluiu o curso em dezembro de 2017 e ainda n\u00e3o conseguiu atuar na \u00e1rea.<\/span><\/p>\n<p>Em meio aos\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2019\/12\/27\/desemprego-fica-em-112percent-em-novembro-diz-ibge.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>12 milh\u00f5es de desempregados no pa\u00eds<\/strong><\/a>, Anselmo, como prefere ser chamado, enfrenta ainda mais uma dificuldade para se colocar no mercado: a peculiaridade da profiss\u00e3o que escolheu, em crise desde a consolida\u00e7\u00e3o das redes sociais digitais e da ascens\u00e3o das chamadas &#8220;fake news&#8221; (not\u00edcias falsas); alvo constante at\u00e9 do presidente da Rep\u00fablica, Jair Bolsonaro (sem partido), que nesta segunda-feira, dia 6, afirmou que <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2020\/01\/06\/bolsonaro-diz-que-jornalistas-sao-especie-em-extincao-entidade-ve-declaracao-estapafurdia.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>jornalistas s\u00e3o &#8220;uma esp\u00e9cie em extin\u00e7\u00e3o&#8221;<\/strong><\/a>, reiterando seu desprezo pela imprensa em detrimento do que entende ser uma persegui\u00e7\u00e3o que sofre em raz\u00e3o de suas convic\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De segunda a sexta, Anselmo dirige-se a uma loja de doces para comprar as mercadorias que pretende vender no dia &#8211;<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> torrone, que \u00e9 o seu \u201ccarro-chefe\u201d, e rapadura. Perto das 16 horas, sai de casa, na Vila S\u00e3o Judas Tadeu, bairro Partenon, em Porto Alegre, e ruma a p\u00e9 at\u00e9 uma esquina das avenidas Salvador Fran\u00e7a e Ipiranga, onde fica at\u00e9 por volta das 20 horas oferecendo seus doces aos motoristas que encaminham-se ao descanso ap\u00f3s um dia de trabalho.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5734\" aria-describedby=\"caption-attachment-5734\" style=\"width: 790px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5734 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/b-1024x681.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"532\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/b-1024x681.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/b-300x199.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/b-768x511.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/b.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5734\" class=\"wp-caption-text\">Torrone a R$ 1,00, rapadura a R$ 2,00: assim o jornalista Anselmo Loureiro ganha a vida atualmente.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ao se deparar com a hist\u00f3ria de Anselmo, o <strong>Humanista <\/strong>foi atr\u00e1s de dados e explica\u00e7\u00f5es para entender as raz\u00f5es pelas quais a qualifica\u00e7\u00e3o do jornalista n\u00e3o basta para garantir-lhe um emprego na \u00e1rea.<\/p>\n<hr \/>\n<h5><strong>A conta que n\u00e3o fecha<\/strong><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO emprego est\u00e1 muito dif\u00edcil, n\u00e3o s\u00f3 na nossa \u00e1rea. Olha quantas pessoas formadas em arquitetura, publicidade, est\u00e3o trabalhando no Uber\u201d, avalia Anselmo, que s\u00f3 n\u00e3o segue o mesmo caminho por n\u00e3o ter carteira de habilita\u00e7\u00e3o para dirigir &#8211;<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> tampouco um carro. A observa\u00e7\u00e3o que ele faz \u00e9 certeira. Aplicativos de servi\u00e7os como Uber e 99 Pop, al\u00e9m de iFood e Rappi, no ramo de delivery, <\/span><a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/economia\/apps-como-uber-e-ifood-sao-fonte-de-renda-de-quase-4-milhoes-de-pessoas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>empregam mais de 4 milh\u00f5es de brasileiros<\/strong><\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, configurando-se, juntos, como o \u201cmaior empregador\u201d do pa\u00eds. Desses 4 milh\u00f5es, 5% t\u00eam ensino superior completo, e outros 12%, superior incompleto, como mostra <\/span><a href=\"https:\/\/economia.uol.com.br\/reportagens-especiais\/profissionais-com-faculdade-viram-uber\/#uber-com-diploma\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>reportagem<\/strong><\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> publicada em agosto de 2019 pelo <em>UOL<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O alto desemprego no pa\u00eds leva profissionais capacitados a exercerem trabalhos que est\u00e3o aqu\u00e9m da sua qualifica\u00e7\u00e3o. Anselmo, ap\u00f3s concluir a faculdade, trabalhou por quatro meses em uma imobili\u00e1ria, mas saiu de l\u00e1 porque o emprego acabava lhe rendendo mais gastos <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">&#8211;<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> com o transporte, em especial, que ficava por sua conta <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">&#8211;<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> do que ganhos. Tamb\u00e9m chegou a trabalhar em uma empresa de \u00f4nibus como cobrador, em uma vaga tempor\u00e1ria que durou apenas tr\u00eas meses, at\u00e9 o final do ver\u00e3o. Agora, est\u00e1 h\u00e1 quase meio ano ganhando a vida no sem\u00e1foro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Trata-se de um ciclo vicioso: <\/span><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2019\/08\/23\/informalidade-do-mercado-de-trabalho-limita-avanco-da-produtividade-no-brasil.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>a informalidade no mercado de trabalho limita a produtividade no pa\u00eds<\/strong><\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, o que n\u00e3o ajuda no crescimento da economia e, consequentemente, na gera\u00e7\u00e3o de novos empregos. Nesse contexto, est\u00e3o brasileiros como Anselmo, que \u201csobram\u201d da seguinte conta: para 18,3 milh\u00f5es de pessoas que terminaram a faculdade no Brasil, existem somente 14,5 milh\u00f5es de ocupa\u00e7\u00f5es com exig\u00eancia de curso de Ensino Superior. O jornalista \u00e9, portanto, um dos <\/span><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/concursos-e-emprego\/noticia\/2019\/12\/06\/quase-4-milhoes-de-trabalhadores-com-ensino-superior-nao-tem-emprego-de-alta-qualificacao.ghtml?utm_source=facebook&amp;utm_medium=social&amp;utm_content=post&amp;utm_campaign=g1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>4 milh\u00f5es de brasileiros que est\u00e3o subempregados<\/strong><\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, ou seja, t\u00eam mais qualifica\u00e7\u00e3o do que a necess\u00e1ria para o trabalho que exercem ou est\u00e3o formalmente desempregados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Era ter\u00e7a-feira e durante a uma hora que o <strong>Humanista<\/strong> passou observando a rotina de Anselmo, das 19h10min \u00e0s 20h10min, oito pessoas compraram seus produtos. Foram 14 mandolates e uma rapadura, que lhe renderam R$16; quase R$10 de lucro. Naquela noite, Anselmo vendeu R$ 84,00 brutos. \u00c9 um n\u00famero \u201crazo\u00e1vel\u201d, segundo a sua experi\u00eancia. \u201cAbaixo de R$ 70,00 eu classifico como um dia de vendas p\u00e9ssimo; de R$ 120,00 em diante, \u00e9 bom. O que est\u00e1 entre esses n\u00fameros \u00e9 razo\u00e1vel&#8221;, revela. &#8220;Teve um dia em que eu vendi R$ 191,00. A\u00ed, foi excelente!\u201d Por m\u00eas, o lucro fica em torno de R$1.800,00; s\u00e3o R$ 700,00 a menos do que poderia estar recebendo como jornalista, cujo <\/span><a href=\"https:\/\/www.jornalistas-rs.org.br\/piso-da-categoria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>piso salarial<\/strong><\/span><\/a> <span style=\"font-weight: 400;\">em Porto Alegre, desde 1\u00ba de dezembro de 2019, \u00e9 de R$2.512,03.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<h5><strong>A luta por um diploma&#8230;<\/strong><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Egresso de escolas p\u00fablicas, Anselmo n\u00e3o entrou de primeira na faculdade. Ap\u00f3s concluir o Ensino M\u00e9dio, serviu ao Ex\u00e9rcito por um ano; depois, come\u00e7ou a fazer cursinho pr\u00e9-vestibular com o objetivo de estudar na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), mas n\u00e3o obteve sucesso. Passando ainda por um curso t\u00e9cnico em inform\u00e1tica, que n\u00e3o concluiu por n\u00e3o ter se adaptado \u00e0 \u00e1rea, voltou a estudar, decidido a tentar mais uma vez a gradua\u00e7\u00e3o. Depois de prestar o Enem em 2011, finalmente conseguiu o que almejava: entrou na faculdade com uma bolsa integral pelo <\/span><a href=\"http:\/\/prouniportal.mec.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Prouni<\/strong><\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> (Programa Universidade para Todos).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em mar\u00e7o de 2012, Anselmo Loureiro trocou o estacionamento da PUCRS, onde trabalhava h\u00e1 mais de um ano, pelo pr\u00e9dio da <a href=\"http:\/\/www.pucrs.br\/comunicacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Famecos<\/strong><\/a> (Escola de Comunica\u00e7\u00e3o Social, Artes e Design) da mesma institui\u00e7\u00e3o, iniciando a gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo. J\u00e1 nos primeiros semestres, fez Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e participou do laborat\u00f3rio de jornalismo convergente do curso, que produz o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.editorialj.eusoufamecos.net\/site\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Editorial J<\/strong><\/a>. Depois, extrapolou os muros da faculdade e fez est\u00e1gios no Jardim Bot\u00e2nico de Porto Alegre, na AGU (Advocacia-Geral da Uni\u00e3o) e no TCE (Tribunal de Contas do Estado). As experi\u00eancias adquiridas durante a faculdade foram diversas, contudo, ainda n\u00e3o foram suficientes para o seu avan\u00e7o profissional.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<h5><strong>\u2026pendurado na parede<\/strong><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dois anos depois da formatura, o bacharel em jornalismo ainda n\u00e3o achou uma utilidade para o canudo que recebeu em janeiro de 2018. O questionamento ao valor do diploma de gradua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea, ali\u00e1s, \u00e9 muito anterior a Anselmo senti-lo na pr\u00f3pria pele. Em 2019, completaram-se 10 anos desde o fim da obrigatoriedade da forma\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O presidente do STF (Superior Tribunal Federal) \u00e0 \u00e9poca, ministro Gilmar Mendes, <\/span><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2009\/06\/582486-mendes-compara-jornalista-a-cozinheiro-e-vota-contra-exigencia-de-diploma.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>chegou a comparar jornalistas e cozinheiros<\/strong><\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0ao justificar seu voto pela n\u00e3o obrigatoriedade do diploma. \u201cN\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para se acreditar que a exig\u00eancia do diploma seja a forma mais adequada para evitar o exerc\u00edcio abusivo da profiss\u00e3o\u201d, argumentava. \u201cUm excelente chefe de cozinha poder\u00e1 ser formado numa faculdade de culin\u00e1ria, o que n\u00e3o legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refei\u00e7\u00e3o seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa \u00e1rea. O Poder P\u00fablico n\u00e3o pode restringir, dessa forma, a liberdade profissional no \u00e2mbito da culin\u00e1ria.\u201d Para Gilmar Mendes, ambas as profiss\u00f5es n\u00e3o oferecem perigo de dano \u00e0 coletividade e, nesse sentido, equiparam-se quanto \u00e0 necessidade de forma\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5735\" aria-describedby=\"caption-attachment-5735\" style=\"width: 790px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5735\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/c-1024x681.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"532\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/c-1024x681.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/c-300x199.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/c-768x511.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/c.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5735\" class=\"wp-caption-text\">O diploma de bacharel em jornalismo virou uniforme de trabalho na rua.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em novembro de 2019, mais um passo rumo \u00e0 desprofissionaliza\u00e7\u00e3o do jornalismo: o Governo Federal publicou uma <\/span><a href=\"https:\/\/www.congressonacional.leg.br\/materias\/medidas-provisorias\/-\/mpv\/139757\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Medida Provis\u00f3ria<\/strong><\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> que, entre outras provid\u00eancias, revoga a obrigatoriedade (prevista no <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/Del0972.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Decreto-lei n\u00ba 972\/1969<\/strong><\/a>) do registro profissional para o exerc\u00edcio do jornalismo. Em <\/span><a href=\"https:\/\/fenaj.org.br\/governo-bolsonaro-age-para-destruir-jornalismo-com-mp-inconstitucional\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>nota oficial<\/strong><\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, a FENAJ (Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas) considera que com a medida, na pr\u00e1tica, \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">o Estado brasileiro passa a permitir, de maneira irrespons\u00e1vel, o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o por pessoas n\u00e3o-habilitadas, prejudicando toda a sociedade\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4410782225802492\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>F\u00e1bian Chelkanoff Thier<\/strong><\/a>, coordenador do curso de Jornalismo na PUCRS, onde Anselmo estudou, junto com a revoga\u00e7\u00e3o do registro para jornalistas vem o desmantelamento das rela\u00e7\u00f5es de trabalho e de sal\u00e1rio. \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Acho que isso vai causar um furor no mercado, inicialmente com uma redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio&#8221;, avalia o professor. &#8220;Muitos profissionais n\u00e3o v\u00e3o se sujeitar a essa situa\u00e7\u00e3o, o que vai causar tamb\u00e9m problemas na qualidade, com a entrada de mais pessoas desqualificadas para exercer o of\u00edcio.\u201d<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-5731\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/profiss\u00e3o-jornalista-410x1024.png\" alt=\"\" width=\"410\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/profiss\u00e3o-jornalista-410x1024.png 410w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/profiss\u00e3o-jornalista-120x300.png 120w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/profiss\u00e3o-jornalista-768x1920.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/profiss\u00e3o-jornalista.png 800w\" sizes=\"(max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/><\/p>\n<hr \/>\n<h5><strong>O que restou<\/strong><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dos alunos formados em jornalismo na Famecos, conta F\u00e1bian, 65% est\u00e3o empregados na \u00e1rea. O n\u00famero \u00e9 aproximado, j\u00e1 que vem de um levantamento feito de\u00a0 forma \u201ccaseira\u201d, como denomina o professor, pela coordena\u00e7\u00e3o da faculdade. Na PUCRS, o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">acompanhamento de egressos no que diz respeito \u00e0 sua inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho \u00e9 realizado pelas rela\u00e7\u00f5es que se mant\u00eam entre corpo docente e discente ap\u00f3s a formatura, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 um acompanhamento oficial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Anselmo, essa assist\u00eancia, mesmo que de maneira informal, \u00e9 essencial. Formou-se, para ele, uma rede de apoio na faculdade <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u2014 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">foi um de seus professores quem, com a inten\u00e7\u00e3o de\u00a0 chamar a aten\u00e7\u00e3o para a hist\u00f3ria de Anselmo e ajudar na divulga\u00e7\u00e3o da sua <\/span><a href=\"https:\/\/www.99freelas.com.br\/user\/Anselmolloureirodarosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>busca por trabalho<\/strong><\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, produziu as fotos que ilustram essa reportagem.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com hist\u00f3rico de dist\u00farbios mentais na fam\u00edlia \u2014 a m\u00e3e, de quem Anselmo tem a curatela, est\u00e1 aposentada por invalidez e internada em uma cl\u00ednica por transtorno bipolar \u2014, Anselmo faz tratamento psicol\u00f3gico para conter o surgimento de um quadro depressivo como o que viveram seu av\u00f4 e seus tios. A inseguran\u00e7a que surge da procura infrut\u00edfera por emprego torna tudo mais dif\u00edcil. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O jornalista diz que chega a <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">caminhar por seis horas no dia, em uma peregrina\u00e7\u00e3o para entregar curr\u00edculos para vagas dentro e fora da sua \u00e1rea, mas recebe uma quantidade \u00ednfima de respostas das empresas. \u201cMe sinto como se estivesse numa pris\u00e3o com as paredes de isolamento ac\u00fastico. Grito, grito, grito e ningu\u00e9m me ouve\u201d, desabafa.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<h5><strong>Esperan\u00e7a no futuro<\/strong><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Tenho diploma pra qu\u00ea?&#8221;, pergunta Anselmo. As respostas passam pela import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio qualificado da profiss\u00e3o de jornalista, fundamental em democracias liberais, como destacam especialistas: seja na hist\u00f3ria, como faz o jornal <em>O Estado de S.Paulo<\/em> ao <a href=\"https:\/\/politica.estadao.com.br\/noticias\/geral,estadao-145-anos-a-importancia-da-informacao,70003143166?utm_source=estadao%3Afacebook&amp;utm_medium=link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>celebrar seus 145 anos de exist\u00eancia<\/strong><\/a>; seja no futuro, como projeta a Abraji (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalismo Investigativo), ao publicar, em parceria com o <strong>Farol Jornalismo<\/strong>, o dossi\u00ea <a href=\"https:\/\/medium.com\/o-jornalismo-no-brasil-em-2020\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>O jornalismo no Brasil em 2020<\/strong><\/a>.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em novembro do ano passado, o jornalista criou uma <\/span><a href=\"http:\/\/vaka.me\/795403\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>vaquinha online<\/strong><\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> para ter mais seguran\u00e7a financeira no ver\u00e3o, per\u00edodo em que o tr\u00e2nsito e as vendas no sem\u00e1foro devem diminuir na cidade. Mesmo com as dificuldades- ou<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0justamente por conta delas &#8211; ele tem grandes sonhos. Seu maior desejo \u00e9 trabalhar no exterior; qui\u00e7\u00e1 em Portugal ou no Canad\u00e1, onde acredita haver mais oportunidades dignas de trabalho que lhe permitiriam dar uma boa assist\u00eancia \u00e0 m\u00e3e, mesmo que de longe. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Reconhece, por\u00e9m, que se d\u00e1 um passo de cada vez <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">&#8211; e o<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> primeiro objetivo \u00e9 simples: \u201cEu quero trabalhar!&#8221;\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto o almejado emprego em um portal de not\u00edcias n\u00e3o se concretiza, Anselmo entoa, diariamente, a mesma manchete: \u201cOlha o mandolate, olha a rapadura, pessoal!\u201d.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5736\" aria-describedby=\"caption-attachment-5736\" style=\"width: 671px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5736 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/d-681x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"681\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/d-681x1024.jpeg 681w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/d-199x300.jpeg 199w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/d-768x1155.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/d.jpeg 851w\" sizes=\"(max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5736\" class=\"wp-caption-text\">Resignado, Anselmo segue vendendo doces e sonhando com emprego no exterior.<\/figcaption><\/figure>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">FOTOS: Elson Semp\u00e9 Pedroso\/Especial<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com forma\u00e7\u00e3o pela PUCRS, Anselmo Loureiro enfrenta o desemprego vendendo doces no sem\u00e1foro; pelo menos 4 milh\u00f5es de brasileiros t\u00eam mais qualifica\u00e7\u00e3o do que trabalho exige. Jadde Molossi \u201c\u00c9 dif\u00edcil trabalhar na sinaleira. A gente est\u00e1 sujeito a muitos riscos, tem exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 fuma\u00e7a dos carros, motoqueiros que n\u00e3o nos respeitam\u2026 Tem que ter paci\u00eancia, &#8230; <a title=\"&#8220;Escrevo not\u00edcias e vendo doces&#8221;: da faculdade ao sem\u00e1foro, a hist\u00f3ria do jornalista que enfrenta a falta de emprego\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2020\/01\/07\/escrevo-noticias-e-vendo-doces-da-faculdade-ao-semaforo-a-historia-do-jornalista-que-enfrenta-a-falta-de-emprego\/\" aria-label=\"More on &#8220;Escrevo not\u00edcias e vendo doces&#8221;: da faculdade ao sem\u00e1foro, a hist\u00f3ria do jornalista que enfrenta a falta de emprego\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":5733,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[243,48,49],"tags":[],"class_list":["post-5730","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mais-recentes","category-trabalho","category-vida"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5730","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5730"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5730\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5733"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5730"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}