﻿{"id":5867,"date":"2020-03-31T17:15:50","date_gmt":"2020-03-31T20:15:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=5867"},"modified":"2020-03-31T18:18:06","modified_gmt":"2020-03-31T21:18:06","slug":"uma-gestao-pouco-conhecida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2020\/03\/31\/uma-gestao-pouco-conhecida\/","title":{"rendered":"Uma gest\u00e3o pouco conhecida"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto conversava com Carlos Drummond de Andrade, Mario Quintana poderia estar olhando de relance para o pr\u00e9dio que se esconde atr\u00e1s de \u00e1rvores na esquina da rua Caldas J\u00fanior. O McDonald&#8217;s da rua dos Andradas, vizinho do edif\u00edcio, acaba por criar um contraste forte: uma marca que lembra o ritmo cont\u00ednuo e acelerado das metr\u00f3poles a poucos passos de um pr\u00e9dio que foi constru\u00eddo em 1922 e que guarda arquivos e pe\u00e7as at\u00e9 mesmo do s\u00e9culo 19.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe title=\"Conhe\u00e7a o Museu da Comunica\u00e7\u00e3o Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oG3CCFisq9U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde 1986, o edif\u00edcio que abriga o <a href=\"https:\/\/cultura.rs.gov.br\/musecom\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Museu da Comunica\u00e7\u00e3o Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa<\/strong><\/a> \u00e9 tombado como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico do estado. \u201cAs pessoas t\u00eam a ideia, muitas vezes, de que um edif\u00edcio preservado, tombado \u00e9 um edif\u00edcio que ficou congelado [no tempo]\u201d, pontua <strong><a href=\"https:\/\/www.escavador.com\/sobre\/535435\/luisa-gertrudis-duran-rocca\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Luisa Dur\u00e1n<\/a><\/strong>, professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em <a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/ppgmuspa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Museologia e Patrim\u00f4nio<\/strong><\/a> da UFRGS. Conforme <\/span><a href=\"http:\/\/www.iphae.rs.gov.br\/Main.php?do=DownloadDetalhesAc&amp;item=51100\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>cartilha de esclarecimentos sobre tombamento<\/strong><\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> do <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Iphae (Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico do Rio Grande do Sul), um bem tombado pode passar por obras de adapta\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o desde que sejam previamente aprovadas pelo \u00f3rg\u00e3o que realizou o tombamento.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Depois de ficar fechado em 2016 e em 2017 por problemas estruturais, como infiltra\u00e7\u00f5es e defeitos na rede el\u00e9trica, o Museu da Comunica\u00e7\u00e3o <strong><a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/cultura-e-lazer\/artes\/noticia\/2018\/05\/museu-da-comunicacao-hipolito-jose-da-costa-reabre-nesta-quarta-feira-cjh9esa3q08u001qo1ijfml3b.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reabriu em maio de 2018<\/a><\/strong>. <a href=\"https:\/\/www.escavador.com\/sobre\/6153383\/welington-ricardo-machado-da-silva\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Welington Ricardo Machado da Silva<\/strong><\/a> \u00e9 diretor do espa\u00e7o desde abril de 2019 e entende que fechar as portas implica romper as conex\u00f5es com a sociedade. \u201cA fun\u00e7\u00e3o do museu estar aqui \u00e9 porque a sociedade o acessa, \u00e9 porque a sociedade precisa desse acervo que est\u00e1 aqui dentro, seja para uma pesquisa, para montar suas exposi\u00e7\u00f5es, precisa desse espa\u00e7o para criar conhecimento, para movimentar a sociedade como um todo.\u201d<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5878\" aria-describedby=\"caption-attachment-5878\" style=\"width: 790px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5878\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/02-Foto-Bienal-Black-Brazil-Art-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/02-Foto-Bienal-Black-Brazil-Art-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/02-Foto-Bienal-Black-Brazil-Art-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/02-Foto-Bienal-Black-Brazil-Art-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5878\" class=\"wp-caption-text\">At\u00e9 o in\u00edcio de mar\u00e7o de 2020, o Museu da Comunica\u00e7\u00e3o estava com a exposi\u00e7\u00e3o <em>Bienal Black Brazil Art<\/em>, que apresentava reflex\u00f5es sobre mulheres e negritude. (Foto: Isadora Garcia)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao passar pela rua ao lado do Museu da Comunica\u00e7\u00e3o, a professora de Bot\u00e2nica M\u00e1rcia B\u00fcndchen teve a sua aten\u00e7\u00e3o presa a um cartaz da exposi\u00e7\u00e3o sobre Leonardo da Vinci. Ela decidiu voltar alguns passos para conhecer o local. M\u00e1rcia est\u00e1 em Porto Alegre h\u00e1 cerca de 10 anos, antes morava em Curitiba (PR), e esta foi a primeira vez que ela entrou no Museu da Comunica\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o existe nenhuma indica\u00e7\u00e3o de que esse espa\u00e7o \u00e9 um museu, ali fora n\u00e3o tem uma placa, ent\u00e3o isso tamb\u00e9m dificulta. As pessoas v\u00e3o fazer como eu, mas n\u00e3o v\u00e3o voltar\u201d, apontou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de acreditar que os museus s\u00e3o mais frequentados hoje do que h\u00e1 25 anos &#8211; quando come\u00e7ou a visit\u00e1-los -, a professora defende que o acesso tem que ser ampliado e que a escola e a fam\u00edlia deveriam colaborar para esse h\u00e1bito. Ali\u00e1s, para M\u00e1rcia, os cidad\u00e3os t\u00eam que se vincular mais a espa\u00e7os de cultura: \u201cUma cidade que \u00e9 largada dessa maneira cada vez mais torna dif\u00edcil que a popula\u00e7\u00e3o se aproprie de coisas culturais porque as pessoas est\u00e3o muito mais preocupadas em segurar sua bolsa, em ficar seguras, do que desfrutar de um museu\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<h5><b>Caixa p\u00fablico<\/b><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A gest\u00e3o dos museus sob administra\u00e7\u00e3o da Sedac \u00e9 feita pelos respectivos diretores e os valores de manuten\u00e7\u00e3o destes locais prov\u00e9m de recurso do Tesouro do Estado. Na pr\u00e1tica, contas de \u00e1gua, luz, telefone e internet, assim como o sal\u00e1rio de terceirizados, funcion\u00e1rios e dos cargos em comiss\u00e3o, al\u00e9m de materiais e servi\u00e7os solicitados pelos diretores ficam sob responsabilidade de pagamento pela Secretaria. Diante desta atribui\u00e7\u00e3o, o diretor Welington detalha que o objetivo da equipe \u00e9 pensar em estrat\u00e9gias para fazer com que o dinheiro sempre subsidie a atua\u00e7\u00e3o museu. E, por isso, depender exclusivamente da Sedac n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe title=\"Diretor do Museu da Comunica\u00e7\u00e3o fala sobre fonte de verbas da institui\u00e7\u00e3o\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GoptJPf57p4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Comparando com outras unidades, de 2014 a 2016, o Museu da Comunica\u00e7\u00e3o teve aumentos na verba recebida. Em 2017 e 2018, houveram baixas, seguindo o cen\u00e1rio enfrentado pelos museus nestes anos.\u00a0<\/span><\/p>\n<div class=\"infogram-embed\" data-id=\"e56474b3-c9bd-4151-9ef2-4eaa8a8bd55e\" data-type=\"interactive\" data-title=\"hipolito_atualizada\"><\/div>\n<p><script>!function(e,i,n,s){var t=\"InfogramEmbeds\",d=e.getElementsByTagName(\"script\")[0];if(window[t]&&window[t].initialized)window[t].process&&window[t].process();else if(!e.getElementById(n)){var o=e.createElement(\"script\");o.async=1,o.id=n,o.src=\"https:\/\/e.infogram.com\/js\/dist\/embed-loader-min.js\",d.parentNode.insertBefore(o,d)}}(document,0,\"infogram-async\");<\/script><\/p>\n<div style=\"padding: 8px 0; font-family: Arial!important; font-size: 13px!important; line-height: 15px!important; text-align: center; border-top: 1px solid #dadada; margin: 0 30px;\"><a style=\"color: #989898!important; text-decoration: none!important;\" href=\"https:\/\/infogram.com\/e56474b3-c9bd-4151-9ef2-4eaa8a8bd55e\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hipolito_atualizada<\/a><br \/>\n<a style=\"color: #989898!important; text-decoration: none!important;\" href=\"https:\/\/infogram.com\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Infogram<\/a><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com o <\/span><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Plano-Museol\u00f3gico.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">plano museol\u00f3gico<\/a><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0em m\u00e3os, o diretor &#8211; que tamb\u00e9m \u00e9 muse\u00f3logo &#8211; explica que foram estabelecidos projetos para todas as \u00e1reas do Museu, levando em conta os tr\u00eas pilares que regem este tipo de unidade: a comunica\u00e7\u00e3o, a pesquisa e a preserva\u00e7\u00e3o. Uma das ideias, j\u00e1 colocada em pr\u00e1tica, \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o em editais p\u00fablicos de financiamento e fomento da cultura. Outra realiza\u00e7\u00e3o do Museu foi a reativa\u00e7\u00e3o de sua associa\u00e7\u00e3o de amigos, que, embora estivesse legislativamente estabelecida, estava desmobilizada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O <strong><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2007-2010\/2009\/Lei\/L11904.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Estatuto dos Museus<\/a><\/strong>, em seu Artigo 50, define as associa\u00e7\u00f5es de amigos como sociedades civis, sem fins lucrativos, que t\u00eam a finalidade exclusiva de apoio, manuten\u00e7\u00e3o e incentivo \u00e0s atividades dos museus a que est\u00e3o ligadas, especialmente, \u00e0quelas destinadas ao p\u00fablico em geral.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Welington, esta entidade possibilita tanto ter uma participa\u00e7\u00e3o mais direta da sociedade quanto ter um CNPJ do pr\u00f3prio museu e n\u00e3o da Secretaria. No processo de compra de materiais, isso faz diferen\u00e7a. \u201cUsando um exemplo individual, da nossa casa: se queima uma l\u00e2mpada, como a gente faz? Vai na venda, compra uma l\u00e2mpada e reinstala, uma coisa super simples. Lidando com o CNPJ da Secretaria, a gente n\u00e3o consegue fazer coisas simples dessa forma porque precisa de todo o processo de compra e contrata\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o bem mais complexos\u201d, exemplifica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora procedimentos de licita\u00e7\u00e3o garantam transpar\u00eancia e igualdade, a demora para sua realiza\u00e7\u00e3o faz com que se torne mais pr\u00e1tica a compra a partir da associa\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m conta com um tr\u00e2mite de comprova\u00e7\u00f5es e registro. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Com esta entidade, o Museu da Comunica\u00e7\u00e3o conseguiu realizar um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">crowdfunding<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e fez uma parceria com o MPRS (Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Rio Grande do Sul) para obras de climatiza\u00e7\u00e3o e controle de umidade da reserva t\u00e9cnica do cinema e da fotografia e uma reforma do telhado do Museu, al\u00e9m de pintura e readequa\u00e7\u00e3o da sala de pesquisas, todas j\u00e1 realizadas. Com a associa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m foi poss\u00edvel montar um plano anual que mostra quanto custa a institui\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do que a Sedac paga. A estimativa \u00e9 de que, descontando as despesas com servidores, o valor esteja na m\u00e9dia de R$35 mil por m\u00eas em 2020.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Brasil, a tradi\u00e7\u00e3o de ser um \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico o respons\u00e1vel por financiar e gerir a cultura tem ra\u00edzes no pensamento franc\u00eas. Como contextualiza <strong><a href=\"https:\/\/www.escavador.com\/sobre\/277679570\/gabriela-goncalves-da-rosa-ferreira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gabriela Ferreira<\/a><\/strong>, p\u00f3s-graduanda em Museologia e Patrim\u00f4nio pela UFRGS e integrante do <strong><a href=\"https:\/\/cultura.rs.gov.br\/upload\/arquivos\/carga20200141\/09134119-portaria-museus.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Colegiado Setorial de Museus do Rio Grande do Sul<\/a><\/strong>, esse sistema tem como foco a cidadania, o imagin\u00e1rio e a identidade de pa\u00eds. No modelo norte-americano, por outro lado, a maioria dos museus s\u00e3o geridos pela iniciativa privada, ainda que muitos n\u00e3o tenham fins lucrativos.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5879\" aria-describedby=\"caption-attachment-5879\" style=\"width: 790px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5879\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/03-Foto-Visitantes-EUA-no-Memorial-1024x703.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"549\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/03-Foto-Visitantes-EUA-no-Memorial-1024x703.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/03-Foto-Visitantes-EUA-no-Memorial-300x206.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/03-Foto-Visitantes-EUA-no-Memorial-768x527.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/03-Foto-Visitantes-EUA-no-Memorial-130x90.jpg 130w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5879\" class=\"wp-caption-text\">Os estudantes Vince Holub e Olivia Pittman vieram dos Estados Unidos para fazer um interc\u00e2mbio em S\u00e3o Paulo e estavam aproveitando para fazer passeios pelos estados e conhecer novas culturas. (Foto: Isadora Garcia)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em um dos corredores do <strong><a href=\"https:\/\/cultura.rs.gov.br\/memorial-rgs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Memorial do Rio Grande do Sul<\/a><\/strong>, os estudantes Vince Holub e Olivia Pittman liam os materiais expostos nos pain\u00e9is sobre a hist\u00f3ria ga\u00facha. Vince disse conhecer alguns museus do Texas (EUA), e Olivia j\u00e1 visitou alguns na\u00a0Carolina do Norte (EUA).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Comparando os espa\u00e7os, o intercambista destacou que l\u00e1 os informativos n\u00e3o s\u00e3o apenas em ingl\u00eas, mas tamb\u00e9m em espanhol e portugu\u00eas. De maneira geral, ele acredita que os espa\u00e7os s\u00e3o semelhantes pela diversidade de obras, mas v\u00ea como ponto negativo a infraestrutura. E ele deu um exemplo: \u201cOs museus [de l\u00e1] t\u00eam banheiros muito bons porque geralmente tem que pagar para entrar\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 Olivia afirmou que seu tipo preferido de museu \u00e9 o que conta a hist\u00f3ria de um lugar, justamente o que encontrou no Memorial. Ela s\u00f3 ressaltou que n\u00e3o sentiu que existia uma ordem de onde come\u00e7ar e onde terminar o passeio pela exposi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<h5><b>Or\u00e7amento comprometido<\/b><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desistindo de uma excurs\u00e3o de barco por causa do vento forte daquele s\u00e1bado, a vendedora Andr\u00e9ia Miranda decidiu andar pela rua dos Andradas, \u201cuma rua que \u00e9 hist\u00f3ria\u201d, segundo ela. Natural de Bag\u00e9, Andr\u00e9ia se encantou com a maneira como Porto Alegre tem uma arquitetura que leva a imaginar acontecimentos de \u00e9pocas antigas. \u201cVoc\u00ea passa tantos anos estudando a hist\u00f3ria do nosso pa\u00eds, s\u00f3 que voc\u00ea estuda atrav\u00e9s do livro, ent\u00e3o tem que usar a imagina\u00e7\u00e3o. Principalmente para n\u00f3s, que somos do interior, que n\u00e3o temos tanto acesso a essas informa\u00e7\u00f5es, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Porto<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> te abre um leque de op\u00e7\u00f5es\u201d, relatou. No Museu da Comunica\u00e7\u00e3o, ela sentiu falta de uma pessoa que servisse como guia, mas, no que se refere \u00e0 estrutura do local, ela avaliou como \u201cb\u00e1rbara\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A organiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os tamb\u00e9m \u00e9 reflexo dos investimentos estaduais. Apesar dos picos de aumento, os valores destinados aos museus foram reduzindo aos poucos de 2014 a 2018. O maior recebimento de verba foi em 2015, quando a Sedac investiu R$9,5 milh\u00f5es. Em 2018, por outro lado, o total destinado pela Secretaria \u00e0s institui\u00e7\u00f5es foi de R$4,2 milh\u00f5es, sem contar o valor repassado ao <a href=\"https:\/\/cultura.rs.gov.br\/macrs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Museu de Arte Contempor\u00e2nea do Rio Grande do Sul<\/strong><\/a>, que n\u00e3o foi informado pela Sedac ao <strong>Humanista<\/strong>.<\/span><\/p>\n<div class=\"infogram-embed\" data-id=\"b1e1141b-cc2b-4f3a-967e-e76dacf3c4d0\" data-type=\"interactive\" data-title=\"gerais\"><\/div>\n<p><script>!function(e,i,n,s){var t=\"InfogramEmbeds\",d=e.getElementsByTagName(\"script\")[0];if(window[t]&&window[t].initialized)window[t].process&&window[t].process();else if(!e.getElementById(n)){var o=e.createElement(\"script\");o.async=1,o.id=n,o.src=\"https:\/\/e.infogram.com\/js\/dist\/embed-loader-min.js\",d.parentNode.insertBefore(o,d)}}(document,0,\"infogram-async\");<\/script><\/p>\n<div style=\"padding: 8px 0; font-family: Arial!important; font-size: 13px!important; line-height: 15px!important; text-align: center; border-top: 1px solid #dadada; margin: 0 30px;\"><a style=\"color: #989898!important; text-decoration: none!important;\" href=\"https:\/\/infogram.com\/b1e1141b-cc2b-4f3a-967e-e76dacf3c4d0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gerais<\/a><br \/>\n<a style=\"color: #989898!important; text-decoration: none!important;\" href=\"https:\/\/infogram.com\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Infogram<\/a><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo a Diretoria Administrativa da Secretaria, os valores investidos em cada museu s\u00e3o escolhidos de acordo com as despesas fixas de cada local e o hist\u00f3rico de gastos no ano anterior. \u201cAs redu\u00e7\u00f5es de or\u00e7amento se deram em raz\u00e3o da crise financeira pela qual o Estado vem passando\u201d, posiciona-se em resposta por e-mail.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O diretor do Museu Hip\u00f3lito confirma a situa\u00e7\u00e3o. Para ele, a principal dificuldade \u00e9 n\u00e3o ter um or\u00e7amento pr\u00e9-definido. Como esclarece Welington: \u201cTu pensa o que tu quer fazer, submete e a\u00ed vai colhendo a aprova\u00e7\u00e3o para ir executando. Isso pode parecer uma coisa simples, mas como a gente lida com parceiros, lida tamb\u00e9m com calend\u00e1rios, isso torna mais dif\u00edcil o planejamento a m\u00e9dio prazo\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Do outro lado da Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega, na segunda-feira da mesma semana, tr\u00eas jovens conversavam dentro do Memorial do Rio Grande do Sul. Os estudantes Francisco Conte e Killian Domingues foram, pela primeira vez, em um museu quando eram crian\u00e7as, j\u00e1 o fot\u00f3grafo Thallys Menezes come\u00e7ou a frequentar por volta de 2016.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Comparando as experi\u00eancias, os amigos acreditam que n\u00e3o houveram grandes mudan\u00e7as na infraestrutura dos locais nos \u00faltimos anos. Na opini\u00e3o de Killian, um dos problemas ainda existentes refere-se \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o. \u201cA gente sabe qual filme est\u00e1 passando no cinema agora, mas a gente n\u00e3o sabe o que est\u00e1 sendo exposto no museu.\u201d E Thallys concordou, questionando: \u201cSe n\u00e3o chega na gente, que tem uma condi\u00e7\u00e3o financeira um pouco melhor, como vai chegar nas outras pessoas?\u201d.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5880\" aria-describedby=\"caption-attachment-5880\" style=\"width: 790px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5880\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/04-Foto-Amigos-no-Memorial-1024x807.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"630\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/04-Foto-Amigos-no-Memorial-1024x807.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/04-Foto-Amigos-no-Memorial-300x237.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/04-Foto-Amigos-no-Memorial-768x606.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5880\" class=\"wp-caption-text\">Os amigos Francisco Conte, Killian Domingues e Thallys Menezes defendem que identifica\u00e7\u00e3o entre p\u00fablico e museu \u00e9 uma das chaves para a valoriza\u00e7\u00e3o destas institui\u00e7\u00f5es. (Foto: Isadora Garcia)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma das formas de solucionar essa problem\u00e1tica envolve a escola incentivar os alunos a frequentarem estes espa\u00e7os, entendem os jovens. \u201cS\u00f3 fazem isso nos primeiros anos, depois s\u00f3 ficam tacando mat\u00e9ria nas pessoas para passar no vestibular e n\u00e3o tem essa quest\u00e3o de incentivo. A gente precisa de cultura al\u00e9m do que se ensina de um conte\u00fado na escola\u201d, opinou Killian. Francisco e Thallys foram ao encontro da amiga quando afirmaram que h\u00e1 a necessidade de se reconhecer na exposi\u00e7\u00e3o. Francisco chegou a demarcar: \u201cA <a href=\"https:\/\/cultura.rs.gov.br\/ccmq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Casa de Cultura Mario Quintana<\/strong><\/a> todo mundo conhece e virou meio que um s\u00edmbolo de Porto Alegre. Ele foi um baita representante da nossa cidade. E a miss\u00e3o dos museus \u00e9 isso: preservar nossa identidade\u201d.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2020\/03\/31\/a-quarentena-dos-museus-como-instituicoes-que-preservam-arte-e-historia-no-rs-enfrentam-a-falta-de-investimento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2020\/03\/31\/um-empurraozinho-federal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Um empurr\u00e3ozinho federal<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2020\/03\/31\/o-pertencer-a-comunidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>O pertencer \u00e0 comunidade<\/strong><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto conversava com Carlos Drummond de Andrade, Mario Quintana poderia estar olhando de relance para o pr\u00e9dio que se esconde atr\u00e1s de \u00e1rvores na esquina da rua Caldas J\u00fanior. O McDonald&#8217;s da rua dos Andradas, vizinho do edif\u00edcio, acaba por criar um contraste forte: uma marca que lembra o ritmo cont\u00ednuo e acelerado das metr\u00f3poles &#8230; <a title=\"Uma gest\u00e3o pouco conhecida\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2020\/03\/31\/uma-gestao-pouco-conhecida\/\" aria-label=\"More on Uma gest\u00e3o pouco conhecida\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[55],"tags":[],"class_list":["post-5867","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5867","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5867"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5867\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5867"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5867"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5867"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}