﻿{"id":6933,"date":"2020-11-23T20:31:19","date_gmt":"2020-11-23T23:31:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=6933"},"modified":"2020-11-26T14:51:16","modified_gmt":"2020-11-26T17:51:16","slug":"conta-desigual-o-que-as-olimpiadas-de-matematica-dizem-sobre-a-educacao-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2020\/11\/23\/conta-desigual-o-que-as-olimpiadas-de-matematica-dizem-sobre-a-educacao-no-brasil\/","title":{"rendered":"Conta desigual: o que as olimp\u00edadas de matem\u00e1tica dizem sobre a educa\u00e7\u00e3o no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Medalhas da OBMEP concentram-se em apenas alguns estados e chama a aten\u00e7\u00e3o a disparidade de g\u00eanero entre os medalhistas.<\/span><\/i><\/p>\n<p><b>*Bettina Gehm <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\/ Fabico + Humanista<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A <\/span><strong><a href=\"http:\/\/www.obmep.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">OBMEP<\/a><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> (Olimp\u00edada Brasileira de Matem\u00e1tica das Escolas P\u00fablicas), que em 2017 foi estendida \u00e0s escolas privadas, representa um incentivo aos talentos na \u00e1rea das exatas. Segundo o<\/span> <a href=\"http:\/\/www.obmep.org.br\/regulamento.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>regulamento<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, todos os alunos medalhistas s\u00e3o convidados a participar do Programa de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica Jr., que os prepara para um futuro profissional e acad\u00eamico na \u00e1rea.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas qual \u00e9 o destino dessas medalhas e o que ele diz sobre a desigualdade da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica no Brasil? Grande parte concentra-se em alguns estados, e isso est\u00e1 correlacionado aos recursos financeiros que eles recebem. Chama a aten\u00e7\u00e3o, ainda, a disparidade de g\u00eanero entre os participantes desse tipo de competi\u00e7\u00e3o. \u00c9 o cen\u00e1rio que o <\/span><b>Humanista<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> encontrou ao analisar os resultados das OBMEP.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Analisando as<\/span> <a href=\"http:\/\/www.obmep.org.br\/premiados.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>listas de premiados da OBMEP<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> nos anos de 2017, 2018 e 2019, os estados de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais destacam-se com as maiores quantidades de medalhas para alunos de escolas municipais e estaduais \u2014 mais de 1.100, em m\u00e9dia. A diferen\u00e7a para o terceiro lugar \u00e9 um abismo: o Paran\u00e1 teve uma m\u00e9dia de 332 medalhas. Os dois primeiros tamb\u00e9m s\u00e3o os estados que recebem mais recursos do Fundeb (Fundo de Manuten\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica). Da mesma forma, os estados do Acre, Roraima e Sergipe, cada um com menos de 60 medalhistas em m\u00e9dia, ocupam as \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o do Fundeb. Matematicamente, trata-se de uma correla\u00e7\u00e3o positiva \u2014 quanto mais dinheiro do Fundo, maior tende a ser o n\u00famero de medalhas no estado e vice-versa. Essas informa\u00e7\u00f5es ficam mais claras na tabela abaixo, em que foram utilizadas as m\u00e9dias dos anos analisados:<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-6936 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/8f7037d3-7a19-452d-a9d5-e5b4795f9591-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"568\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/8f7037d3-7a19-452d-a9d5-e5b4795f9591-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/8f7037d3-7a19-452d-a9d5-e5b4795f9591.jpg 512w\" sizes=\"(max-width: 568px) 100vw, 568px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na <\/span><a href=\"https:\/\/todospelaeducacao.org.br\/noticias\/perguntas-e-respostas-o-que-e-e-como-funciona-o-fundeb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>distribui\u00e7\u00e3o anual dos recursos<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> do Fundeb, s\u00e3o consideradas as matr\u00edculas nas escolas p\u00fablicas e conveniadas de cada estado, al\u00e9m de um valor m\u00ednimo por aluno. Por isso, S\u00e3o Paulo, por exemplo, recebe 22,5% do Fundo: a distribui\u00e7\u00e3o considera o tamanho das redes de ensino. Em 2019, Roraima teve acesso a R$835 mil \u2014 isso representa 0,5% do or\u00e7amento do Fundeb naquele ano; o valor destinado a S\u00e3o Paulo no mesmo ano foi de R$37,4 milh\u00f5es. O Fundo n\u00e3o beneficia escolas federais; por isso, nesta reportagem foram consideradas apenas as institui\u00e7\u00f5es estaduais e municipais. Os dados sobre a distribui\u00e7\u00e3o do Fundeb entre os estados s\u00e3o da <\/span><a href=\"https:\/\/www.tesourotransparente.gov.br\/publicacoes\/transferencias-ao-fundo-de-manutencao-e-desenvolvimento-da-educacao-basica-fundeb\/2018\/114?ano_selecionado=2018\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Secretaria do Tesouro Nacional<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&nbsp;Em cada edi\u00e7\u00e3o da OBMEP, s\u00e3o concedidas aos estudantes de escolas p\u00fablicas 500 medalhas de ouro, 1.500 de prata e 4.500 de bronze, de acordo com os n\u00edveis de participa\u00e7\u00e3o. A competi\u00e7\u00e3o \u00e9 organizada da seguinte forma: o n\u00edvel 1 \u00e9 destinado aos alunos do 6\u00ba e 7\u00ba ano do Ensino Fundamental; o n\u00edvel 2 \u00e9 para os alunos do 8\u00ba e 9\u00ba ano, e o n\u00edvel 3, para o Ensino M\u00e9dio. A primeira fase da Olimp\u00edada consiste em uma prova objetiva com 20 quest\u00f5es de m\u00faltipla escolha. Os participantes com melhor desempenho nessa etapa s\u00e3o classificados para a segunda fase, uma prova discursiva composta de 6 quest\u00f5es. A premia\u00e7\u00e3o, para os melhores da segunda fase, \u00e9 dividida entre escolas p\u00fablicas e privadas, com um n\u00famero menor de medalhas destinado \u00e0s escolas p\u00fablicas seletivas, tais como col\u00e9gios militares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2019, a primeira fase recebeu inscri\u00e7\u00f5es de 54.831 escolas, incluindo p\u00fablicas e privadas, de 99,71% dos munic\u00edpios brasileiros. Foram 18.158.775 alunos participantes, dos quais 949.240 passaram para a segunda fase.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A correla\u00e7\u00e3o entre recursos financeiros e quantidade de medalhas na OBMEP n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno restrito apenas a alguns estados. Nos mapas abaixo, \u00e9 percept\u00edvel que quem chega ao p\u00f3dio \u00e9, na maioria das vezes, quem estuda nas regi\u00f5es sul e sudeste. Com algumas exce\u00e7\u00f5es, essas regi\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o as que t\u00eam maiores redes de ensino p\u00fablico e, consequentemente, recebem maior percentual do Fundeb.<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-6938 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/6397ce1d-2052-478e-9d4b-9b41d730e788-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"579\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/6397ce1d-2052-478e-9d4b-9b41d730e788-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/6397ce1d-2052-478e-9d4b-9b41d730e788-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/6397ce1d-2052-478e-9d4b-9b41d730e788-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/6397ce1d-2052-478e-9d4b-9b41d730e788.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 579px) 100vw, 579px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Exce\u00e7\u00f5es que chamam a aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o os estados da Bahia e de Santa Catarina: comparando os mapas, as cores deles se invertem. A Bahia, fugindo da correla\u00e7\u00e3o, recebe em m\u00e9dia 7% do Fundeb (a 3\u00aa maior porcentagem entre os estados), enquanto seus alunos das redes municipal e estadual ganham apenas 107 medalhas. Santa Catarina, por outro lado, recebe 3,7% do Fundo e ostenta, em m\u00e9dia, 309 medalhas.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pela legisla\u00e7\u00e3o atual do Fundeb, no m\u00ednimo 60% do dinheiro deve ser aplicado no pagamento de profissionais da educa\u00e7\u00e3o \u2014 na pr\u00e1tica, alguns estados chegam a investir 90%. O restante do Fundo pode ser destinado para a compra de materiais ou a manuten\u00e7\u00e3o das escolas. Com dados do <\/span><a href=\"https:\/\/www.qedu.org.br\/estado\/105-bahia\/censo-escolar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Censo QEdu de 2018<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, \u00e9 poss\u00edvel comparar Santa Catarina e Bahia em termos de infraestrutura das institui\u00e7\u00f5es de ensino.<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-6939 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2dfda33d-0580-4305-92bf-a36502e67446-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"602\" height=\"339\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2dfda33d-0580-4305-92bf-a36502e67446-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2dfda33d-0580-4305-92bf-a36502e67446-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2dfda33d-0580-4305-92bf-a36502e67446-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2dfda33d-0580-4305-92bf-a36502e67446.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 602px) 100vw, 602px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2018, ano em que foram coletados os dados de infraestrutura pelo Censo QEdu, a Bahia teve 99 medalhistas e recebeu R$10,9 milh\u00f5es do Fundeb. Enquanto isso, Santa Catarina obteve 363 medalhas e R$5,7 milh\u00f5es do Fundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos anos de 2017, 2018 e 2019, as escolas estaduais foram predominantes no total das medalhas, tanto no geral quanto em S\u00e3o Paulo, estado com mais medalhistas. As institui\u00e7\u00f5es federais s\u00e3o minoria, ao passo que tamb\u00e9m t\u00eam menos alunos e, em parte, s\u00e3o escolas seletivas. A planilha com os totais de medalhas, as m\u00e9dias e a distribui\u00e7\u00e3o do Fundeb pode ser visualizada <\/span><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1f2u7tflXD4BhwZWQTcXp8IW5akkX9c1W\/view?usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>aqui<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 que a distribui\u00e7\u00e3o do Fundeb considera o tamanho das redes de ensino e um valor por aluno, ela n\u00e3o explica na totalidade a distribui\u00e7\u00e3o das medalhas na OBMEP \u2014 ainda que exista uma correla\u00e7\u00e3o. A reportagem fez no Excel uma an\u00e1lise m\u00faltipla, em que mais de uma vari\u00e1vel \u00e9 considerada, que resultou no seguinte: a presen\u00e7a de biblioteca nas escolas \u00e9 significativa ao responder pelo desempenho dos alunos na Olimp\u00edada. Se desconsiderada a vari\u00e1vel dos recursos do Fundeb, s\u00e3o o laborat\u00f3rio de inform\u00e1tica e a sala para atendimento especial que aparecem, matematicamente, como significativos. Ou seja, esses fatores da infraestrutura das escolas s\u00e3o os que melhor preveem, ou explicam, a variedade na distribui\u00e7\u00e3o das medalhas na OBMEP. Mas isso \u00e9 o que diz a matem\u00e1tica; na realidade, diversos outros fatores devem ser considerados ao argumentar sobre a disparidade entre os n\u00fameros de medalhistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A professora M\u00e1rcia Jacomini desenvolve pesquisa em Pol\u00edticas P\u00fablicas para Educa\u00e7\u00e3o e Gest\u00e3o Educacional e \u00e9 editora-chefe da revista Fineduca. Ela explica que o Fundeb \u00e9 composto por um percentual de impostos que cada estado arrecada. Quando um estado n\u00e3o consegue arrecadar o suficiente para atingir o valor m\u00ednimo a ser investido por aluno, a Uni\u00e3o faz a complementa\u00e7\u00e3o do recurso. Acontece que estados ricos, como S\u00e3o Paulo, nunca precisam dessa complementa\u00e7\u00e3o e, mesmo assim, ficam acima do valor m\u00ednimo estabelecido. Nenhuma UF investe nos alunos da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica menos do que o m\u00ednimo do Fundeb. Alguns estados, por\u00e9m, conseguem investir mais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda segundo a professora M\u00e1rcia, o valor por aluno determinado no Fundeb \u00e9 inferior ao m\u00ednimo necess\u00e1rio para se garantir o ensino de qualidade. O CAQ (Custo Aluno-Qualidade), <\/span><a href=\"https:\/\/campanha.org.br\/caqi-caq\/o-que-e-o-caq\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>calculado pela Campanha Nacional pelo Direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, mostra qual seria o valor a ser investido em cada aluno da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica anualmente, separando etapas e modalidades de ensino. O CAQ \u00e9 produzido a partir de um conjunto de insumos que s\u00e3o considerados fundamentais. \u201cVoc\u00ea chega nesse valor considerando o que a escola precisa, n\u00famero de profissionais da educa\u00e7\u00e3o e quanto eles devem receber\u201d, explica M\u00e1rcia. \u201cE o valor \u00e9 significativamente maior do que o estabelecido no Fundeb\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, ainda que n\u00e3o contemple tudo o que determina um bom ensino, a infraestrutura de uma escola \u00e9 importante inclusive ao produzir o CAQ. \u201cConsiderando que o financiamento \u00e9 importante, estados em que o valor por aluno do Fundeb \u00e9 superior [ao m\u00ednimo] teoricamente s\u00e3o estados que t\u00eam uma rede de ensino mais estruturada, escolas com mais recursos e podem pagar melhor seus profissionais. E todos esses fatores podem corroborar para um resultado melhor nas olimp\u00edadas\u201d, aponta a professora M\u00e1rcia.&nbsp;<\/span><\/p>\n<hr>\n<h5><strong>Disparidade de g\u00eanero<\/strong><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro aspecto das olimp\u00edadas de matem\u00e1tica \u00e9 o da participa\u00e7\u00e3o feminina e masculina. Na OBMEP, os anos de 2017, 2018 e 2019 tiveram uma m\u00e9dia de 27,4% das medalhas conferidas a meninas; os meninos s\u00e3o 72,6% dos medalhistas. Al\u00e9m de conceder medalhas e men\u00e7\u00f5es honrosas, a OBMEP \u00e9 tamb\u00e9m uma das seletivas para a <\/span><strong><a href=\"https:\/\/www.obm.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">OBM<\/a><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> (Olimp\u00edada Brasileira de Matem\u00e1tica). Segundo o <\/span><a href=\"https:\/\/www.obm.org.br\/informacoes-gerais\/regulamento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>regulamento<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, os 300 alunos com maior pontua\u00e7\u00e3o na segunda fase da OBMEP em cada n\u00edvel s\u00e3o convidados para a fase \u00fanica da OBM.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A OBM pode ser um passaporte para desafios maiores: existem competi\u00e7\u00f5es com a participa\u00e7\u00e3o condicionada exclusivamente \u00e0 premia\u00e7\u00e3o na Olimp\u00edada, como a <\/span><strong><a href=\"http:\/\/www.apmo-official.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Asian Pacific Mathematics Olympiad<\/a><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> (Olimp\u00edada Matem\u00e1tica \u00c1sia-Pac\u00edfico) e a <\/span><strong><a href=\"https:\/\/igo-official.ir\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Iranian Geometry Olympiad<\/a><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> (Olimp\u00edada Iraniana de Geometria). Uma vaga na <\/span><a href=\"https:\/\/www.imo-official.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>IMO<\/strong><\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> (Olimp\u00edada Internacional de Matem\u00e1tica), uma das competi\u00e7\u00f5es mais importantes na \u00e1rea, se n\u00e3o a mais, depende da premia\u00e7\u00e3o na OBM e do rendimento do aluno em testes de sele\u00e7\u00e3o. Em 2020, a equipe que representou o Brasil na IMO teve 6 participantes, todos do g\u00eanero masculino.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As meninas j\u00e1 come\u00e7am em menor n\u00famero na lista de convidados para a fase \u00fanica da OBM, que n\u00e3o conta os classificados pelas olimp\u00edadas regionais. Al\u00e9m disso, se comparadas as <\/span><a href=\"https:\/\/www.obm.org.br\/2019\/11\/07\/estudantes-confirmados-para-a-fase-unica-da-obm-2019\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>listas<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> de convidados e as de confirmados para a prova, elas tendem a desistir<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">mais do que os meninos. A tabela abaixo \u00e9 uma compara\u00e7\u00e3o entre os anos de 2017, 2018 e 2019.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-6942 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/e68be501-917f-4c9a-a1a3-328d766b5ad1-1-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"577\" height=\"325\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/e68be501-917f-4c9a-a1a3-328d766b5ad1-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/e68be501-917f-4c9a-a1a3-328d766b5ad1-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/e68be501-917f-4c9a-a1a3-328d766b5ad1-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/e68be501-917f-4c9a-a1a3-328d766b5ad1-1.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 577px) 100vw, 577px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Let\u00edcia Rangel, professora aposentada do Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) que coordenou o <\/span><a href=\"https:\/\/impa.br\/noticias\/impa-lanca-o-projeto-meninas-olimpicas-com-apoio-do-cnpq\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>projeto Meninas Ol\u00edmpicas<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, do <\/span><strong><a href=\"https:\/\/impa.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Impa<\/a><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> (Instituto de Matem\u00e1tica Pura e Aplicada), acredita que um conjunto de fatores determina que meninas percam o interesse pela matem\u00e1tica e por \u00e1reas afins desde muito cedo. \u201cO que se observa no contexto das olimp\u00edadas de matem\u00e1tica \u00e9 um reflexo de um fen\u00f4meno muito mais amplo\u201d, afirma. \u201cPesquisas relacionam fatores que afastam as meninas das \u00e1reas exatas com quest\u00f5es socioculturais que t\u00eam in\u00edcio nos primeiros anos de vida. Por exemplo, os meninos costumam ganhar brinquedos de montar, j\u00e1 meninas aqueles que s\u00e3o relacionados ao cuidado. Estere\u00f3tipos de g\u00eanero t\u00eam um impacto importante na confian\u00e7a e no interesse das meninas por essas \u00e1reas\u201d. Segundo a professora, a baixa participa\u00e7\u00e3o do sexo feminino n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de capacidade, mas de autossele\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O fato \u00e9 que os meninos participam em peso na fase \u00fanica da OBM, e as meninas s\u00e3o minoria. Os gr\u00e1ficos comparam o n\u00famero de participantes do sexo feminino e masculino, de acordo com a lista de confirmados para a prova: quem tem mais chances de chegar ao p\u00f3dio, nesta olimp\u00edada, s\u00e3o eles.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-6943 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2e53e31f-56c6-4525-8756-8a0e6200eca2-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"586\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2e53e31f-56c6-4525-8756-8a0e6200eca2-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2e53e31f-56c6-4525-8756-8a0e6200eca2-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2e53e31f-56c6-4525-8756-8a0e6200eca2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/2e53e31f-56c6-4525-8756-8a0e6200eca2.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 586px) 100vw, 586px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O projeto Meninas Ol\u00edmpicas, coordenado pela professora Let\u00edcia Rangel, atendeu \u00e0 chamada <\/span><strong><a href=\"http:\/\/www.cnpq.br\/web\/guest\/chamadas-publicas?p_p_id=resultadosportlet_WAR_resultadoscnpqportlet_INSTANCE_0ZaM&amp;idDivulgacao=8402&amp;filtro=abertas&amp;detalha=chamadaDetalhada&amp;id=47-1198-5840\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CNPq\/MCTIC N\u00ba 31\/2018 \u2013 Meninas nas Ci\u00eancias Exatas, Engenharias e Computa\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">. Let\u00edcia explica que a iniciativa n\u00e3o tinha as olimp\u00edadas como fim, mas como meio \u201cpara interferir nos fen\u00f4menos de autossele\u00e7\u00e3o e autoefic\u00e1cia, incentivando meninas para a matem\u00e1tica e para a \u00e1rea de exatas em geral\u201d. O projeto, al\u00e9m de atividades t\u00edpicas de prepara\u00e7\u00e3o para olimp\u00edadas nas escolas, promoveu a visita\u00e7\u00e3o a ambientes acad\u00eamicos e o contato com profissionais de carreiras que envolvem ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica. Regularmente, foram realizadas oficinas envolvendo, al\u00e9m de desafios matem\u00e1ticos, jogos, discuss\u00f5es e pain\u00e9is sobre a quest\u00e3o de g\u00eanero na \u00e1rea das exatas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A chamada do CNPq n\u00e3o se repetiu e o projeto Meninas Ol\u00edmpicas do Impa foi suspenso, mas plantou sementes: projetos de rob\u00f3tica desenvolvidos nas escolas proporcionaram que as alunas ocupassem posi\u00e7\u00e3o protagonista em eventos onde apresentaram o que produziram. A professora Let\u00edcia relata que, al\u00e9m disso, atualmente \u00e9 poss\u00edvel acompanhar as meninas em redes sociais comentando a boa rela\u00e7\u00e3o desenvolvida com temas de matem\u00e1tica e de ci\u00eancias em geral.<\/span><\/p>\n<hr>\n<p>FOTO DE CAPA: Pixabay<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">*Trabalho <\/span><a href=\"https:\/\/bttn.medium.com\/quem-chega-ao-p%C3%B3dio-18041f5600d9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>originalmente produzido<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> na disciplina de Ciberjornalismo II do curso de Jornalismo da Fabico\/UFRGS em 2020\/1 em ERE (Ensino Remoto Emergencial) sob a orienta\u00e7\u00e3o do professor <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9644564954295093\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Marcelo Tr\u00e4sel<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Edi\u00e7\u00e3o: reda\u00e7\u00e3o <\/span><b>Humanista<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, 2020\/1.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Medalhas da OBMEP concentram-se em apenas alguns estados e chama a aten\u00e7\u00e3o a disparidade de g\u00eanero entre os medalhistas. *Bettina Gehm \/ Fabico + Humanista A OBMEP (Olimp\u00edada Brasileira de Matem\u00e1tica das Escolas P\u00fablicas), que em 2017 foi estendida \u00e0s escolas privadas, representa um incentivo aos talentos na \u00e1rea das exatas. Segundo o regulamento, todos &#8230; <a title=\"Conta desigual: o que as olimp\u00edadas de matem\u00e1tica dizem sobre a educa\u00e7\u00e3o no Brasil\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2020\/11\/23\/conta-desigual-o-que-as-olimpiadas-de-matematica-dizem-sobre-a-educacao-no-brasil\/\" aria-label=\"More on Conta desigual: o que as olimp\u00edadas de matem\u00e1tica dizem sobre a educa\u00e7\u00e3o no Brasil\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":6934,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[257,243],"tags":[],"class_list":["post-6933","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fabico-humanista","category-mais-recentes"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6933","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6933"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6933\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6934"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6933"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6933"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6933"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}