﻿{"id":717,"date":"2018-07-05T10:21:52","date_gmt":"2018-07-05T13:21:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/?p=717"},"modified":"2019-06-04T10:26:36","modified_gmt":"2019-06-04T13:26:36","slug":"acoes-de-clubes-e-sociedade-civil-buscam-dar-mais-espaco-a-mulheres-e-minorias-no-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2018\/07\/05\/acoes-de-clubes-e-sociedade-civil-buscam-dar-mais-espaco-a-mulheres-e-minorias-no-futebol\/","title":{"rendered":"A\u00e7\u00f5es de clubes e sociedade civil buscam dar mais espa\u00e7o a mulheres e minorias no futebol"},"content":{"rendered":"<p><strong>Lucas Mello<\/strong><\/p>\n<p><em>Mulheres, LGBTs e refugiados buscam ampliar seu espa\u00e7o no esporte com maior destaque do mundo.<\/em><\/p>\n<p>Criado na Inglaterra em 1863, o futebol \u00e9, atualmente, o esporte mais praticado do mundo. Por\u00e9m, se engana quem pensa que no <i>football<\/i> n\u00e3o h\u00e1 preconceitos contra determinada ra\u00e7a ou g\u00eanero.<\/p>\n<p>Criado por homens brancos, o futebol \u00e9 um esporte em que encontramos machismo, xenofobia, preconceito racial e de g\u00eanero &#8211; nada mais \u00e9 do que o retrato de sociedades em que os preconceitos sempre foram estruturais e pouco combatidos.<\/p>\n<p>Mesmo que ainda nos deparemos com casos de preconceito no futebol, seja dentro do campo ou fora dele, como nas arquibancadas ou at\u00e9 no \u00e2mbito do Jornalismo Esportivo, algumas a\u00e7\u00f5es contribuem para que o esporte passe a ser mais aberto a \u00a0pessoas de todas as etnias e g\u00eaneros.<\/p>\n<p>Recentemente, Porto Alegre vem recebendo eventos que abrem espa\u00e7os para a participa\u00e7\u00e3o de mulheres, LGBTs e refugiados no futebol.<\/p>\n<h3><strong>O crescimento do futebol feminino<\/strong><\/h3>\n<p>Com regras impostas pela CBF, a partir de 2018 se tornou obrigat\u00f3rio os times da S\u00e9rie A do Campeonato Brasileiro manterem equipes femininas. \u201c\u00c9 a resolu\u00e7\u00e3o mais importante que o futebol feminino j\u00e1 teve at\u00e9 hoje. A gente espera que o futebol feminino tenha vindo para ficar\u201d, enfatiza Duda Luizelli, ex-jogadora e atual diretora do futebol feminino do Sport Club Internacional, projeto retomado em mar\u00e7o de 2017. Na capital ga\u00facha, al\u00e9m do Internacional, o Gr\u00eamio Foot-Ball Porto Alegrense tamb\u00e9m reativou o futebol feminino em 2017. O diretor da categoria, Yura Tittow, ex-jogador do Tricolor ga\u00facho, ratifica a import\u00e2ncia das regras impostas pela Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol: \u201cAs jogadoras v\u00e3o passar a receber R$ 1.610, que ser\u00e1 o m\u00ednimo para a profissionaliza\u00e7\u00e3o. Com esse valor, as jogadoras v\u00e3o poder trabalhar diariamente nos clubes, n\u00e3o precisar\u00e3o ter empregos por fora\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Duda, o Colorado tra\u00e7a objetivos ano a ano: \u201cO nosso objetivo esse ano \u00e9 a vaga na S\u00e9rie A1. O nosso objetivo do ano que vem \u00e9 participar bem do Campeonato Brasileiro. Quem sabe, daqui uns dois anos, estar lutando por um t\u00edtulo de campe\u00e3s brasileiras. Quem sabe, trazer uma Libertadores para o Rio Grande do Sul. Acho que tudo isso faz parte dos nossos sonhos\u201d.<\/p>\n<p>Pelo lado gremista, Yura explica o planejamento a m\u00e9dio e longo prazo: \u201cO Gr\u00eamio, a partir do momento que pegou esse departamento para crescer, est\u00e1 fazendo de cima para baixo. Primeiro estamos nos organizando estruturalmente, com est\u00e1dio, alojamento, local de treinamento, para depois fazer um grande time de futebol feminino\u201d. O Inter tem como centro de treinamento a Academia de Pol\u00edcia Militar e manda os seus jogos no Beira-Rio e na PUCRS. J\u00e1 o Gr\u00eamio, treina e atua no Est\u00e1dio Vieir\u00e3o, em Gravata\u00ed, com o qual assinou um contrato pelos pr\u00f3ximos dez anos.<\/p>\n<blockquote class=\"twitter-tweet\" data-lang=\"pt\">\n<p dir=\"ltr\" lang=\"pt\">[GRExINT] 0X0 -00&#8217;\/1T &#8211; Come\u00e7a o cl\u00e1ssico Grenal no Vieir\u00e3o! <a href=\"https:\/\/twitter.com\/hashtag\/VamoInter?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw\">#VamoInter<\/a>! <a href=\"https:\/\/t.co\/Ar9rN0EgeI\">pic.twitter.com\/Ar9rN0EgeI<\/a><\/p>\n<p>\u2014 Gurias Coloradas (@ColoradasGurias) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ColoradasGurias\/status\/999349430359920640?ref_src=twsrc%5Etfw\">23 de maio de 2018<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n<p>Diante de todo esse cen\u00e1rio, com investimento por parte da CBF e dos times, a perspectiva para o futuro do futebol feminino \u00e9 a melhor poss\u00edvel. A capit\u00e3 do Gr\u00eamio, Taba, acredita que, para crescer ainda mais, a modalidade precisa de maior espa\u00e7o nos canais de comunica\u00e7\u00e3o: \u201cA m\u00eddia e visibilidade aumentaram. Est\u00e1 longe de ser o ideal, mas j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel avaliar um aumento. \u00c9 necess\u00e1rio que se tenha maiores fomentos, se fale mais sobre futebol feminino e que o mesmo seja tratado de maneira igualit\u00e1ria. Quanto maior for a m\u00eddia, maior ser\u00e1 o interesse e, com isso, maiores ser\u00e3o os investimentos\u201d. A lateral-direita do Inter Ge\u00f3rgia Balardin segue na mesma linha de racioc\u00ednio: \u201cVai ter mais times, a m\u00eddia vai entrar. Com a m\u00eddia entrando, vai ter mais patrocinadores, mais dinheiro. O futebol feminino est\u00e1 crescendo e vai crescer muito mais\u201d.<\/p>\n<h3><strong>A inclus\u00e3o LGBT<\/strong><\/h3>\n<p>Em 2018, Porto Alegre recebeu a Champions Ligay, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Campeonato Brasileiro de Futebol com times formados com atletas amadores gays, o maior evento LGBT de futebol da Am\u00e9rica Latina. Os jogos aconteceram nos dias 14 e 15 de abril, no complexo esportivo Soccer City, e contou com a participa\u00e7\u00e3o de doze times. Do Rio Grande do Sul, duas equipes estiveram presentes: Magia e PampaCats. Segundo Alisson Martinelle, que jogou a Ligay pelo PampaCats, a copa teve um grande impacto interno entre os LGBTs: \u201cTentar expandir para todo mundo que se esconde tamb\u00e9m um pouco. O evento foi uma participa\u00e7\u00e3o de acolhimento, trazendo o pessoal de fora para desenvolver uma tarefa que foi mega importante, que \u00e9 o conhecimento dos times de fora, ver a inclus\u00e3o que o pessoal tem. O futebol \u00e9 uma coisa t\u00e3o ampla e muita gente restringe isso, s\u00f3 h\u00e9tero pode jogar\u201d.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-721 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/LGBTs.jpg\" alt=\"\" width=\"3717\" height=\"1433\" \/> <i>A edi\u00e7\u00e3o desse ano contou com 12 equipes e foi vencida pelo Bull, de S\u00e3o Paulo<br \/>\nFoto: J\u00f4natha Bittencourt\/Arquivo Pessoal<\/i><\/p>\n<p>A Champions Ligay contou com ampla cobertura da m\u00eddia: \u201cMesmo n\u00e3o estando muito por dentro nessa \u00e1rea, vi que saiu na Band, no Jornal do Almo\u00e7o, na RBS ao meio dia, no Globo Esporte, saiu na Record\u201d, lista Alisson Martinelle. Em entrevista ao G1, o advogado Rog\u00e9rio Dervanoski, 29 anos, presidente do time PampaCats, n\u00e3o escondeu a empolga\u00e7\u00e3o: &#8220;A anima\u00e7\u00e3o do pessoal \u00e9 diferente de tudo que j\u00e1 vi na vida. Todo mundo unido no mesmo movimento, todo mundo unido pela mesma quest\u00e3o, que \u00e9 a inclus\u00e3o de meninos gays no esporte. \u00c9 indescrit\u00edvel\u201d.<\/p>\n<h3><strong>O acolhimento dos refugiados<\/strong><\/h3>\n<p>\u201cEu vim para Porto Alegre h\u00e1 tr\u00eas anos, junto com a minha m\u00e3e, minha irm\u00e3 e meu padrasto\u201d, lembra Andry Acosta. O venezuelano que veio para a capital ga\u00facha em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida v\u00ea no futebol uma forma para integra\u00e7\u00e3o social dos refugiados: \u201cAcaba conhecendo mais gente, as necessidades de cada um, conhecer pessoas de outros pa\u00edses e, posteriormente, ter uma rela\u00e7\u00e3o com eles\u201d.<\/p>\n<p>Nos dias 2 e 3 de junho, Porto Alegre foi sede da Copa dos Refugiados, evento que acontece desde 2014 no Brasil e em 2018 reuniu 120 atletas de oito pa\u00edses: Angola, Col\u00f4mbia, Guin\u00e9 Bissau, Haiti, L\u00edbano, Peru, Senegal e Venezuela. Thais Peixoto, coordenadora operacional, n\u00e3o esconde a alegria de ter participado do evento: \u201cOs refugiados tem muito a oferecer para n\u00f3s. Foi muito incr\u00edvel, por me agregar muito, por outras culturas, outras l\u00ednguas e outras vis\u00f5es de mundo\u201d. \u201cPara os refugiados, acredito que \u00e9 muito a quest\u00e3o da inclus\u00e3o deles. Da inclus\u00e3o trabalhista, da inclus\u00e3o social. Porque para eles fazer parte de um evento como esse, em um est\u00e1dio (Beira-Rio) de Copa do Mundo, \u00e9 muito relevante, eles se sentem muito pertencentes\u201d, explica Thais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-722 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Refugiados.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Refugiados.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Refugiados-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Refugiados-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Refugiados-700x525.jpg 700w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p><i>Sele\u00e7\u00e3o do Senegal venceu a etapa de Porto Alegre da Copa dos Refugiados 2018<br \/>\nFoto: ACNUR\/Miguel Pachioni<br \/>\n<\/i><\/p>\n<p>Andry Acosta, capit\u00e3o da equipe venezuelana, elogia a organiza\u00e7\u00e3o da Copa dos Refugiados de 2018: \u201cA gente conseguiu participar mais com outros pa\u00edses, marcamos jogos antes, conseguimos jogar um pouco mais. Esse ano foi bem bacana, deu para ver que foi bem organizado\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lucas Mello Mulheres, LGBTs e refugiados buscam ampliar seu espa\u00e7o no esporte com maior destaque do mundo. Criado na Inglaterra em 1863, o futebol \u00e9, atualmente, o esporte mais praticado do mundo. Por\u00e9m, se engana quem pensa que no football n\u00e3o h\u00e1 preconceitos contra determinada ra\u00e7a ou g\u00eanero. Criado por homens brancos, o futebol \u00e9 &#8230; <a title=\"A\u00e7\u00f5es de clubes e sociedade civil buscam dar mais espa\u00e7o a mulheres e minorias no futebol\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2018\/07\/05\/acoes-de-clubes-e-sociedade-civil-buscam-dar-mais-espaco-a-mulheres-e-minorias-no-futebol\/\" aria-label=\"More on A\u00e7\u00f5es de clubes e sociedade civil buscam dar mais espa\u00e7o a mulheres e minorias no futebol\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":721,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[37,32,243],"tags":[190,189,191,186,187,188],"class_list":["post-717","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-discriminacao","category-igualdade","category-mais-recentes","tag-champions-ligay","tag-copa-dos-refugiados","tag-feminino","tag-futebol","tag-gremio","tag-internacional"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/717","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=717"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/717\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/721"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=717"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=717"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=717"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}