Daniela Silva é aprovada em banca de doutorado sobre participação política de jovens e competências infocomunicacionais

O Grupo de Pesquisa em Comportamento e Competências Infocomunicacionais conta com mais uma doutora. A pesquisadora Daniela Silva foi aprovada em banca realizada dia 12 de dezembro de 2022 pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia (Póscom/UFBA).

A tese, intitulada “Pelo Celular e Pelas Ruas de Salvador: participação política de jovens e a relação com as competências infocomunicacionais”, foi desenvolvida sob orientação do professor Othon Jambeiro.

“Investigar a relação entre competências infocomunicacionais e participação política de jovens não só é relevante como imprescindível nos tempos atuais”

A doutora concedeu entrevista ao InfoCom, na qual destacou a colaboração de uma rede de pessoas e instituições na sua trajetória: “viram sentido e contribuíram para que a tese fosse realizada em tempos tão desafiadores de pandemia, desinformação e ameaças à democracia”. O atingimento do objetivo não se deu sem dificuldades, depois de “quatro anos de dedicação intensa associada às demais demandas do existir. Portanto, estamos falando em um tempo de vida, em todos os sentidos.” Daniela comenta que a criatividade e a energia dos jovens “foram minhas maiores inspirações”. Ela promete disponibilizar ao público a tese, bancos de dados e outros produtos da pesquisa em plataforma de acesso aberto.

Confira abaixo a íntegra da entrevista.

Infocom: O último dia 12 marcou o final do seu doutoramento, com a aprovação em banca pública do seu trabalho. Como você se sentiu durante a defesa e após a aprovação?

Daniela: Antes da defesa começar, estava ansiosa, sobretudo, porque os rituais acadêmicos são imprevisíveis, com momentos inclusive nem sempre suaves. Durante a defesa, no entanto, os comentários e contribuições dos examinadores foram muito colaborativas e generosas, o que permitiu um tom de diálogo e reflexões coletivas. E a emoção foi ganhando terreno a partir de falas de reconhecimento do rigor científico da tese e de toda a nossa trajetória acadêmica. Quando decidimos realizar um doutorado, são quatro anos de dedicação intensa associada às demais demandas do existir. Portanto, estamos falando em um tempo de vida, em todos os sentidos. É muito tocante constatar que a banca percebeu o quanto toda a pesquisa é resultado de uma grande rede de pessoas e instituições que viram sentido e contribuíram para que a tese fosse realizada em tempos tão desafiadores de pandemia, desinformação e ameaças à democracia. Investigar a relação entre competências infocomunicacionais e participação política de jovens não só é relevante como imprescindível nos tempos atuais. Após a aprovação, celebrei com amigos e familiares o resultado de uma jornada que começou em 2018, mas que representa um passo importante para muitas gerações de meus ancestrais. Sou a primeira doutora das duas famílias (de pai e de mãe) e espero que essa mobilidade acadêmica e social impulsione muitas outras pessoas, não apenas entre os meus, a seguir investindo na educação pública como locomotiva de transformações positivas individuais e coletivas.

Todas as pesquisas precisam lidar com dificuldades e se adaptar aos momentos. A sua, que menciona “as ruas” no título, foi atravessada pela pandemia de Covid-19. O que você diria que fez você continuar diante deste e de outros desafios?

Vejo o sentimento de resistência como a principal razão. Desde a chegada da extrema direita à presidência do Brasil em 2018, foi ficando cada vez mais evidente que precisaríamos nos manter conectados com os princípios democráticos para não sucumbir diante de tantas investidas contra os valores republicanos, contra a universidade e contra a criticidade cidadã e acadêmica. O que já era muito desafiador ficou ainda mais grave com a pandemia da Covid-19 e, realmente, foram necessárias muitas adaptações e decisão por sobreviver e seguir acreditando na luta por dias melhores. Uma das necessidades imediatas foram as mudanças metodológicas, que exigiram uma revisão profunda do desenho inicial da pesquisa para garantirmos entrevistar os jovens à distância, após aprovação do Comitê de Ética da UFBA. Mas tudo, absolutamente tudo, só foi possível graças aos inúmeros afetos, parceiros e voluntários que se envolveram nas diferentes etapas da pesquisa, desde conselhos estadual e municipal da juventude, secretaria estadual da educação, universidades públicas e privadas, organizações da sociedade civil, influenciadores digitais, mídias de massa e de bairros, partidos políticos, organismos internacionais e, sobretudo, muitos jovens. A criatividade e a energia destes, inclusive, foram minhas maiores inspirações.

Seu trabalho é bastante inovador, ao mesmo tempo em que trata de temas de interesse do grupo de pesquisa há algum tempo, como a participação política e a juventude. Qual sua opinião sobre os diálogos e colaborações realizadas no âmbito do InfoCom?

O Infocom é a concretização do trabalho dos diferentes campos com propósitos comuns. Na tese, uso referências de diversas áreas, como Comunicação, Informação, Ciências Políticas, Educação, Antropologia, entre outras, e vejo no Infocom esse exercício contínuo de complementaridade de conhecimentos e saberes para compreensão de fenômenos e proposições.

Quais seus planos futuros, acadêmicos ou não, que gostaria de compartilhar com o público?

Já estou ampliando a divulgação científica da tese, priorizando os principais parceiros, como conselhos das juventudes e secretaria de educação do estado, com o propósito de tornar os resultados da investigação úteis para os processos de planejamento e ações de 2023. Entendemos que a tese pode contribuir com aprofundamentos teóricos e empíricos e, também, com projetos, programas e políticas públicas voltadas para as juventudes, principalmente, as que estão atentas aos impactos das tecnologias, ambientes e mídias digitais na socialização e cultura política dos jovens, e que está intensamente relacionado ao uso da informação e da comunicação e com o exercício da participação política deste público. Toda a tese, os bancos de dados e produtos gerados durante e a partir de nosso estudo estarão à disposição do público geral via plataforma de valorização da ciência aberta. Na tese, inclusive, já sinalizamos possibilidades de ampliação da investigação e estamos à disposição para diálogos nesse sentido, com alguns deles já em curso.

Captura de tela com as imagens de 26 pessoas que participaram na solenidade virtual de defesa. A maioria delas sorri